Terrible Lies
6 The Day We First Met
O dia estava frio e nublado, e dois dias haviam se passado desde aquela noite. Thea ainda não tinha acordado e todos só ficavam mais preocupados.
Selina estava sentada em uma poltrona no quarto do hospital em que Thea se encontrava, ela não voltara para Gotham, mesmo com as incontáveis tentativas de Bruce de fazê-lo.
Thea estava em estado de coma alcoólico, por conta da mistura de ecstasy e álcool. Os médicos disseram que ela teve sorte de não ter um choque cardiorrespiratório e falecer.
– Pronto, um com açúcar para você e um puro para mim. – Oliver disse entregando o copo de café para Selina.
– Obrigada. – Ela disse pegando o café. – Já fazem dois dias, Oliver.
– Eu sei. Mas os médicos disseram que o coma pode durar de 24 a 48 horas. Ainda há esperança. – Ele puxou uma cadeira e se sentou ao lado dela. – Minha mãe já está vindo para cá, então nós podemos sair e comer alguma coisa.
– Eu estive pesquisando, e li que o coma alcoólico pode causar perda de memória. Você acha que isso vai acontecer com ela?
– Eu não sei. Eu espero que não. – Suspirou. – Só nos resta esperar.
E os dois ficaram parados, tomando seus respectivos cafés e olhando para Thea, deitada, ainda com muitos fios em seu corpo. O tempo que eles tiveram antes da chegada de Moira os permitiu pensar em todos os momentos que eles e Thea passaram juntos. Selina pôde se lembrar das noites que elas saiam às escondidas, só para terem um pouco de diversão, e Oliver, claro, se lembrou de toda a vida de Thea, de todas as brigas e todas as risadas.
O devaneio dos dois fora interrompido com a chegada de Moira, que dispensou os dois.
Oliver e Selina foram a um restaurante, mesmo estando sem fome, eles precisavam comer.
– Ouvi dizer que seu aniversário está chegando. Quantos anos vai fazer mesmo? – Ele perguntou na tentativa de quebrar o gelo. Os dois esperavam seus pedidos.
– Sim, está. Farei 18 anos. – Selina respondeu olhando para suas mãos repousadas em seu colo.
– Já pode começar a beber. – Oliver brincou.
– Como se as pessoas precisassem fazer 18 anos para começarem a beber, sr. Queen.
Oliver sorriu, mostrando seus dentes brancos e alinhados, fazendo Selina sorrir de volta. Ele ignorou completamente o fato de ela tê-lo chamado de “senhor Queen”.
– Por falar nisso, naquela noite do baile, você disse que saía escondido para se encontrar com a minha irmã. Creio que você deva ter boas histórias para contar.
– Sim, eu tenho. Mas eu prefiro ter meus dedos arrancados a contar para alguém. – Ela disse acenando com as mãos. – Deus! É tão embaraçoso. – Falou, pondo sua cabeça entre as mãos.
Oliver riu da reação dela, mas não pôde responder nada, pois seu celular começou a tocar. Ele olhou para a tela, viu quem estava ligando e rejeitou a chamada. Era Laurel.
– Senhor Queen, tudo bem atender. Eu não me importo.
– Não era ninguém importante. Não me chame de senhor Queen. – Disse.
– Boa sorte com isso.
Os pedidos chegaram. Selina pediu uma fatia de lasanha à bolonhesa e Oliver pediu uma fatia de lasanha à quatro queijos. Eles comeram tão rápido suas lasanhas, que ficou claro para ambos que esse era o prato preferido dos dois.
Depois do almoço, eles foram tomar um sorvete, eles estavam fazendo de tudo para manterem suas mentes ocupadas, para não pensarem na situação de Thea.
Os dois estavam andando tranquilamente pela rua, sendo perseguidos por alguns paparazzi, quando o celular de Oliver tocou de novo, e mais uma vez, ele rejeitou a chamada.
– É Laurel, não é? – Selina perguntou.
– O que? Não... – Oliver revirou os olhos e admitiu. – Sim. É ela. Como sabe?
– É só ligar os fatos. Vocês terminaram há alguns dias e agora você rejeita as ligações de uma pessoa misteriosa e insistente. – Falou sorrindo. – E ela também passou no hospital quando você saiu para comprar café e pediu para que eu pedisse a você para atender as ligações dela.
– Ela foi ao hospital? – Ele perguntou arregalando os olhos.
– Sim. E não haja como se ela estivesse cometendo um crime, vocês eram namorados, ela adquiriu sentimentos por Thea também. Ah! Aquele seu amigo bonitão, Tommy, certo? Passou lá também. Pediu para avisá-lo quando ela acordar.
– Amigo bonitão? – Oliver não pôde deixar de sentir uma pontada de ciúme.
– Sim. Desculpe, não deveria chamá-lo assim?
– Está tudo bem, é que não estou acostumado a uma mulher se referir a Tommy desse modo comigo. – Respondeu, sinceramente.
– Ah sim, todas as mulheres que não são da sua família e que estão perto de você só fazem isso por motivos a mais, certo? – Brincou ela.
– Talvez você esteja certa.
Selina sabia que talvez não fosse certo falar daquela maneira sobre Tommy com Oliver. Mesmo depois do que aconteceu no baile de apresentação, e que, segundo Thea, ele terminou o relacionamento com Laurel por causa dela. Eles também estavam bem próximos nos últimos dois dias, desde que Thea fora internada. Ela ainda não achava certo ter algo mais que amizade com o irmão de sua única e melhor amiga, mesmo tendo o seu apoio.
Eles voltaram para o hospital, dizendo para Moira que ela poderia voltar para casa e descansar, que qualquer coisa Oliver ligaria para ela.
Bruce ligou para Selina também, tentando convencê-la a voltar para Gotham e, obviamente, ela não aceitou.
Oliver também recebeu ligações, de Felicity, Diggle e Roy, eles quiseram saber notícias de sua irmã. Sobre sua segunda vida, não aparecera nada que seus parceiros não pudessem resolver sozinhos.
Duas batidas rápidas na porta entreaberta do quarto do hospital chamaram a atenção de Oliver e Selina que estavam sentados no sofá que havia no fundo do quarto.
– Tommy! – Oliver levantou-se e cumprimentou seu amigo.
– E aí, cara? – Tommy disse em resposta. – Como vai, Selina?
– Vou bem, Tommy. E você? – Ela respondeu com as bochechas coradas.
Nesse momento, Oliver olhou para Selina e gesticulou com a boca, dizendo “Tommy?”, não acreditando que ela o chama pelo apelido e não por sr. Merlyn. Ela segurou o riso, para não chamar a atenção de Merlyn.
Os dois amigos começaram a conversar, e Selina foi para o lado da cama, sentando-se na cadeira que ali havia. Ela segurava a mão de Thea e movimentava seu polegar para cima e para baixo, fazendo carinho.
O bar estava cheio, era a primeira vez que Selina ia àquele lugar. Ela se sentia perdida. Pessoas diferentes, músicas diferentes e bebidas diferentes. No seu lado direito, notou que haviam pessoas usando drogas, e ela sabia que ela seria uma delas algumas horas mais tarde.
Ela movimentava-se com dificuldade em meio à multidão, tentando chegar até o bar. Mas ela finalmente chegou.
– Por favor, me dê uma dose de tequila. – Pediu ao barman.
– Desculpe, senhorita, mas precisarei da sua identidade.
– Tem certeza de que será necessário? – Ela perguntou tirando uma nota de cem da bolsa.
– Sim, eu tenho certeza.
Nesse momento ela teve certeza de que precisaria de uma carteira de identidade falsa.
– Phillipe! – Uma menina morena de cabelos médios e castanhos se aproximou, acompanhada de duas outras meninas.
– Thea! O que a gatinha vai querer hoje? – Phillipe, o barman, perguntou.
– Vou querer o de sempre. – Assim que ela respondeu, ele se abaixou e pegou umas garrafas e uma garrafa de alumínio, que ele usaria para misturar as bebidas.
Selina notou que a menina a olhava, mas apenas ignorou e continuou sentada em frente ao bar, esperando aparecer alguém para pagar uma bebida para ela.
– Ei, Phillipe, quem é aquela garota? – Ouviu a menina perguntar.
– Não sei. É a primeira vez que ela aparece aqui. Tentou me subornar para conseguir uma tequila.
– E você não aceitou? – Ele negou com a cabeça. – Qual seu problema? Tudo bem, isso não importa. Apenas dê uma dose de tequila à ela, e ponha na minha conta.
Selina sentiu a garota se aproximar, e quando ela o fez, a jovem Wayne sentiu um toque leve no seu ombro, fazendo-a virar-se.
– Você não precisa ficar com essa cara. Você está em uma festa. Divirta-se! – Thea falou.
– Eu poderia me divertir mais se o barman tivesse aceitado uma gorda gorjeta e me dado uma dose de tequila. – Selina disse. Então, como se Phillipe tivesse ouvido a conversa das duas, a dose de tequila chegou. – Obrigada. – Selina agradeceu Thea.
– Disponha! – Thea disse com um grande sorriso. – Eu sou Thea Queen. – E estendeu sua mão para um comprimento.
– Wayne, Selina Wayne.
– Você se lembra do dia em que nos conhecemos, T.? – Selina sussurrou, para que nem Tommy nem Oliver escutassem. – Quando eu vi você chegando no bar, eu pensei que você fosse igual todas as outras garotas. Mas aí você me pagou uma tequila, e eu notei que você provavelmente era a menina mais legal de todas. Às vezes você pode dar umas escorregadas e dizer coisas que podem magoar, às vezes você pode ser rude, mas eu sei que há uma menina muito humilde dentro de você e que está sempre pronta para encarar todos os problemas junto com as pessoas que você ama. E eu amo você por isso.
E como se Thea estivesse escutando cada palavra que a amiga falou, ela começou a movimentar seu dedo indicador nas costas da mão de Selina.
Claramente, aquilo chamou a atenção de Wayne, que olhou para cima e encontrou Thea com os olhos abertos, cheios de água, e que com muita dificuldade conseguiu dizer:
– Eu também te amo, Sel.
As duas sorriram uma para a outra, e Selina chamou Oliver e Tommy, que mal acreditaram quando viram que Thea acordara. Os médicos foram chamados, e Oliver ligou para Walter e Moira, que chegaram ao hospital em menos de vinte minutos.
Selina e Tommy saíram do quarto, concordando que seria melhor se a família ficasse reunida, ouvindo os conselhos dos médicos.
– Então, Selina, – Tommy começou a falar. – eu gostaria de perguntar uma coisa.
– Pois pergunte. – Ela falou parando em frente a ele.
– Eu estava pensando... Você... Quer dizer, eu... – Ele fechou os olhos, respirou fundo e por fim perguntou: – Você gostaria de sair para jantar comigo? – Depois de perguntar, ele franziu o cenho, já esperando uma resposta negativa.
– Como um encontro? – Ela perguntou, com medo de ter soado rude demais.
– Sim, como um encontro.
Selina abriu a boca em um sorriso, e depois de alguns segundos respondeu:
– Sim, Tommy, adoraria sair para jantar com você.
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