Terras Gélidas: Conto de um Sobrevivente
2 A sala escura
Acordo e novamente me deparo com a sala em que eu estava, agora um pouco mais disposto e com algumas respostas do que estava acontecendo, decidi explorar este lugar misterioso.
Com meu corpo ainda deitado, puxo o vidro para a minha direita e abro a cápsula que me encontrava. Logo em seguida tento mexer a minha perna direita, na minha primeira vez falho, na segunda tentativa consigo mexer levemente apenas os dedos dos pés. Levantei minhas costas novamente do colchão, dessa vez já com um pouco mais de facilidade.
Com as costas retas e parte do meu corpo em pé, novamente olho para a luz que continuava ligada. Após olhar por alguns segundos a luz tento retrair minha perna em direção a minha virilha e consigo. Minha respiração fica pesada e uma leve tontura é causada em meu corpo. Faço o mesmo com a minha perna esquerda, porém desta vez já na primeira tentativa consigo mexer meus dedos dos pés, e na segunda consigo retrair ela também em direção ao meu tórax. Durante algum tempo fiquei movimentando minhas pernas e pés e os admirando.
Peguei minha perna direita com cuidado, a envolvendo em torno dos meus braços e a apoiando na borda da cápsula. Ao terminar de realizar esse movimento uma sensação gelada passou pela minha coxa, fazendo eu sentir um imenso frio, sem nem mesmo perceber acabei soltando um espírito que ecoou pela sala durante um breve tempo. Logo após isso percebi haver um fino cano de metal na borda da cápsula. Esse foi o motivo do frio que senti em minha coxa, pensei, nesse momento notei que eu estava completamente nu. Após todo esse tempo só, agora percebi estar sem roupa, quão grande estava a minha falta de atenção para não notar uma coisa tão importante, pensei. Inesperadamente um sopro de ar bate em minhas costas, me levando a uma pequena sequência de espirros. Viro devagar meu pescoço para trás, noto que a parede que estava em minha frente era de uma tonalidade um pouco mais escura da que estava em minhas costas, devia ser devido à quantidade de tempo que ela foi erguida, eu pensei, ou devido à passagem de tempo, devido à luz. Várias ideias diferentes passaram pela minha cabeça naquele momento, mas decidi para de pensar nisso e tentar andar pelos arredores para encontrar algo que se indica onde eu estava. Peguei a perna e esquerda e também a envolvi em torno dos meus braços, a apoiando também na borda da cápsula, novamente senti o incômodo frio, devido ao encostá-la no cano de metal. Como era possível mexer com ambas as pernas, eu rapidamente apoiei a palma das mãos na borda da cápsula. Olhei para o chão e ele estava escuro, a luz avermelhada não clareava o piso do chão, a luz estava mais fraca do que antes eu notei. Eu não sabia onde pisar e se havia algo ali, isso me deixou com medo, mais do eu havia pensado sentido em toda minha vida. Mesmo eu não lembrando do meu passado, meu corpo não havia passado por tamanho medo, era isso que meu ele estava querendo me dizer. Logo o medo se transformou em desespero, fazendo-me pensar se realmente era necessário me arriscar a sair de perto da cápsula, se me colocaram dentro de dela era para eu ficar lá, essa inquietação da minha mente ocorreu pelo meu desespero.
O desespero de pôr os pés no chão era crescente, pois não sabia se era perigoso encostar nesse chão. Passei a mão em volta do pescoço e ele estava frio, eu precisava me aquecer de alguma maneira, eu pensei naquele momento. Se eu não fizesse nada e ficasse ali parado apenas esperando nada iria mudar, tentei lentamente me acalmar respirando cada vez mais lentamente. Após minha respiração e o desespero ter passado, eu havia finalmente criado coragem para levantar. Pressionei com força a palma da minha mão contra a borda da cápsula para umas de apoio, minhas pernas ficaram suspensas no ar, com apenas minhas mãos encostando na cápsula comecei a abaixar meus pés em direção ao chão. Mas cada vez que meu pé chegava perto do chão, meu coração se acelerava cada vez mais, meus braços já não aguentavam mais o peso do meu corpo. Cada centímetro mais perto do chão, o pulsar do meu coração ecoava pelo meu corpo.
Subitamente houve uma mudança de cor na luz que clareava o quarto, agora ela havia ficado verde, sua tonalidade lembrava bastante o verde limão. No momento em que eu estava quase tocando o chão a luz havia mudado a cor, mas devido ao susto desse acontecimento meu braço acabou escorregando da borda de metal, me fazendo cair no chão.
Devido à queda bati a minha cabeça e perdi minha consciência por um breve tempo. Eu lentamente recupero a minha consciência e bem devagar abro os meus olhos. Ainda com tontura e uma enorme dor na cabeça, forço-me a olhar o ambiente a minha volta, olho para onde eu estava deitado e noto que estou em uma maca em outro quarto. Eu estava deitado parecido com a posição queda livre misturada com a semi fetal, eu lentamente me arrumo na maca e fico de cabeça para cima. Viro a cabeça para o lado esquerdo e noto que há mais macas nesse novo lugar em que eu estava, viro para o outro lado e me deparo com um armário de metal quase todo enferrujado, ele estava com as portas abertas e um som saia de seu interior. Estico a minha mão esquerda em direção ao armário e o empurro levemente, um horrível ranger sai da porta e o seu som era perturbador, parecia com um grito misturado com um ruído. Uma porta se choca com o seu interior levando a um efeito domino onde a outra também acaba se fechando. O som do impacto foi tão alto que ecoou pelo resto do quarto. Agora com a porta fechada, olho novamente e vejo uma porta de ferro que estava bem atrás da porta do armário que anteriormente tampava a minha visão. Alguns segundos se passam e a sombra de uma pessoa passa rapidamente pelo corredor, então eu de fato não sou o único nesse lugar, eu pensei. Antes eu suspeitava, pois qual seria o motivo de várias macas para apenas uma pessoa. Embora pensei nisso, não sabia se essa pessoa ou essas pessoas sabiam do motivo de estarmos ali. Para conseguir informações sobre qualquer coisa relacionada a mim ou a esse lugar, decidi me aproximar de quem estava ali.
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