Terras Gélidas: Conto de um Sobrevivente
1 A cápsula
Durante um instante, recuperei minha consciência. Abri meus olhos e me vi afundando nesse assustador, vazio e profundo oceano congelado. Eu sentia um frio percorrer todo o meu corpo, mas não conseguia me mexer. Meu peito apertava e eu não conseguia respirar. Minha visão foi se escurecendo e, novamente, fui perdendo a consciência. Ao longe, ouvi uma voz chamar pelo meu nome, mas não consegui responder e, então, apaguei.
50 HORAS ANTES
Acordo lentamente e minha consciência retorna. Me pergunto onde estou, pois não me lembro de ter saído de casa. Sinto que estou deitado, então decido abrir meus olhos, mas não consigo. Após várias tentativas, acabo me cansando e, devido ao estresse mental, perco a consciência e desmaio.
Na segunda vez que acordo, tento abrir meus olhos novamente e, na primeira tentativa, consigo. Pensei que a situação estava indo a meu favor, mas logo após esse pensamento, reparei que havia um vidro escuro bloqueando minha visão. Logo, a pequena felicidade que senti naquele momento se transformou em grande agonia e desespero. Sinto meu corpo fraco e, mesmo com grande esforço, mal consigo mexer minhas mãos. Penso qual seria a chance de sair de onde estou. Decido dormir por um tempo para recuperar minhas forças, pois havia grande possibilidade de acordar novamente, e então adormeço.
Ao acordar pela terceira vez, começo a me perguntar quanto tempo havia se passado desde a primeira vez que acordei. Novamente, abro meus olhos e o vidro escuro que bloqueava minha visão havia sumido. Finalmente, consigo ver o ambiente ao meu redor. Decido parar para pensar onde estou e o que estava fazendo naquele lugar. Ao que parece, eu estava em estado de hibernação no gelo. Eu já havia lido sobre isso uma vez, mas qual seria o motivo de eu estar ali, penso. Essas e outras perguntas invadem minha mente, mas decido parar de pensar nisso por hora e tentar levantar para ver os arredores de onde estou. Mesmo com o corpo ainda cansado, forço-me lentamente a levantar minhas costas. Sinto um pouco de tontura e por pouco não caio para o lado, mas acabo voltando com as minhas costas para dentro da cápsula. Novamente, tento me levantar, mas dessa vez, tentando manter o equilíbrio. Após conseguir levantar minhas costas do que parecia ser um colchão, olho ao meu redor e percebo que estou em algum tipo de laboratório. Estranhamente, o lugar está silencioso, nenhum som pode ser ouvido ali. Por mais estranho que pareça, na sala há apenas uma luz vermelha, que está à minha direita, apoiada em uma parede velha feita de metal.
A luz iluminava o meu rosto e o ambiente ao meu redor. A luz avermelhada era tão forte que fez a minha cabeça doer, e novamente voltei a deitar sobre o colchão. Após colocar outro vidro na cápsula, ela se fechou. O vidro era branco e bloqueava a luz que vinha de fora da cápsula. Estendi minha mão direita sobre o vidro e deslizei-a para a minha direita. Fiquei surpreso, pois ela se soltou da borda. Não imaginava que fosse um vidro de correr, pensei naquele momento. Com a certeza de que conseguiria abrir o vidro novamente, fechei meus olhos. Movimentei os meus braços pela cápsula, mesmo ela não sendo espaçosa, tinha espaço suficiente para mexer apenas um pouco cada braço. Com os olhos fechados, pensei se tudo isso que eu estava passando era um sonho estranho. Meus olhos começaram a lagrimejar, mesmo sem saber o motivo, já que não lembrava de nada do meu passado. Estranhamente, não me senti triste ao chorar, mas sim feliz. Esse sentimento de felicidade encheu meu coração, e acabei dormindo enquanto pensava sobre o que era tudo isso.
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Devido ao meu estresse mental e obsessão em descobrir o que estava acontecendo, comecei a lembrar de pequenos acontecimentos antes de acordar. Essas memórias vieram em imagens passando rapidamente pela minha cabeça enquanto eu dormia. Algumas delas não eram muito importantes, e muitas estavam borradas e não conseguia descrevê-las com clareza. Em uma delas, eu estava em um quarto branco, e apenas uma luz no meio clareava a área de visão. Eu estava deitado enquanto duas pessoas estavam conversando em pé. Ambos vestiam jalecos brancos, e a única diferença entre eles era que um era mais alto e o outro mais baixo. Eles pareciam ser enfermeiros ou médicos. Infelizmente, não conseguia ter certeza sobre o gênero de ambos, pois as suas vozes ecoavam confusas em minha cabeça. Pelo que me lembro, meu corpo repousava em uma maca. Percebi que não era possível mexer meu corpo ou meu rosto, pois parecia que estava sob o efeito de algum tipo de sedativo. Acho que estava sob efeito de sedação consciente, mesmo não lembrando o porquê de estar naquele lugar e de não ter permitido aquilo. Ainda em minhas lembranças, reparei que os médicos conversavam. Então, lembrei de algumas palavras que eles disseram.
A pessoa mais baixa perguntou ao mais alto quanto tempo demoraria até eu recobrar a consciência.
O mais alto respondeu que, após o início da missão P.A.Z, demoraria um pouco para a cápsula voltar com as funções de suporte à vida para me fazer despertar.
O mais baixo perguntou novamente ao mais alto se havia alguma chance ou problema caso a cápsula falhasse.
A pessoa mais alta disse a ele que, após o início da missão P.A.Z., demoraria um pouco para a cápsula voltar com as funções de suporte à vida e fazê-los despertar.
O mais baixo perguntou novamente ao mais alto se havia alguma chance ou problema caso a cápsula falhasse.
O mais alto respondeu dizendo que a sua criação era impossível de falhar.
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Minha mente se lembra apenas dessa parte da conversa, pois acabei dormindo enquanto eles conversavam.
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