Notas iniciais
Rá! Agora sim, temos um capítulo maior e mais aceitável! Obrigada pelos reviews! >< ' Não deixem de comentar antes de partir ao próximo capítulo, é muito importante para mim.

Uma semana completa se passou, Carolina teve duas recaídas, dois desmaios estranhos, sua cabeça ainda estava um pouco desnorteada, lembrava-se já da sua antiga vida, dos momentos com aqueles que ela tanto amava, mas algumas coisas ainda ficavam ao léu. Era uma manhã ensolarada, seus olhos se abriram lentos, a cabeça não doía mais.

–Bom dia. – Disse sua tia vindo até a cama. – Como se sente?

–Bom dia, – murmurou – melhor.

–Acho que irá receber alta hoje. – a tia sorri.

–Finalmente. –Ambas se calam, o médico adentra no quarto.

–Olá, como estamos hoje? –Ele sorri.

–Melhor.

–Que bom, então acho que você vai receber sua alta. –Como sempre o médico está com sua prancheta em mãos e a caneta que rabisca algo na folha rosada.

–Alguma recomendação especial além dos remédios? –A tia pergunta.

–Repouso é claro, mas ela também pode sair para andar um pouco e deve, já passou bastante tempo aqui quieta não acha, Carolina?

–Tanto faz, não tem mais sentido continuar vivendo mesmo.

–Carolina, querida... Eu estou com você. –A tia a conforta como sempre passando as mãos delicadamente em seus cabelos longos.

–Tia Ane, nada será como era antes para mim, a senhora sabe, não sei porque aquele que chamam de Deus não me levou junto, qual o sentido de me deixar aqui? Já não me tirou tudo mesmo?

–Carolina, você é jovem, ainda não compreende bem, mas tudo tem um porquê, alguma razão existe, Ele nos tira coisas e nos dá coisas.

–Até hoje eu só vi Ele me tirar coisas! –ela se exaltou um pouco.

–Acalme-se –o médico alerta– tenho certeza que você não quer ficar mais tempo aqui, não é?

–É.

–Doutor, ela poderá frequentar a escola quando?

–Já está matriculada?

–Sim, mas eles estão sabendo de tudo que aconteceu...

–Acho melhor esperar o resto dessa semana e na segunda-feira ela pode começar. Tenho certeza que logo fará novos amigos. –O médico sorri tentando animar Carolina.

–Não obrigada, prefiro ficar só de hoje em diante, assim não perco mais ninguém que eu goste. – ela sorri sem humor.

Eles conversam mais algum tempo, nem o doutor nem a senhora Ane conseguem animar Carolina, ela está deprimida, sente falta de sua família, de seus amigos, sente falta de tudo, seu coração aos poucos vai criando um escudo, ela quer se proteger de qualquer coisa, de qualquer um, ninguém mais será capaz de adentrar aquele local, ou será?

Carolina recebe alta pela parte da tarde, sai do hospital e seus olhos começam a doer com a luz forte do sol, ela já não estava mais habituada aquilo. Em seu semblante uma expressão neutra, não se distingue sentimento. O marido de sua tia Ane, vem receber Carolina, ele é um homem muito ocupado, mal para em casa, no hospital só chegou a ir duas vezes e nestas Alexia dormia.

–Carolina! Como está grande! – Ele a abraça, ela retribui sem vontade alguma, afinal nem conhece o homem.

–Este é seu tio Carolina, Martim.

–Então, como se sente? –Ele pergunta tentando ser simpático.

–Como deveria? –Ela põe um sorriso irônico no rosto.

–Carolina... –Sua tia a repreende.

–Tudo bem Ane, é um momento difícil. Vamos?

Eles entram no carro, Carolina está sentada exatamente no local onde estava no carro de seus pais, aquele mesmo olhar se faz para o nada. Que sentimentos estão escondidos dentro dela agora? Saudade? Solidão? Raiva? Dor? Medo? É, talvez seja isso.

Quase uma hora depois, dobram a esquina de um bairro da pequena cidade Iguape (SP), as casas ali são grandes, todas devem ter entre três e quatro quartos, são bonitas, bem cuidadas, algumas mais simples outras mais sofisticadas, parece ser um bairro tranquilo. O carro para em frente a uma casa branca com janelas azuis.

–Chegamos, esta é sua nova casa. – A tia sorri tentando parecer receptiva.

Carolina desce, segue a tia em direção ao interior da casa, entram.

–Seu quarto será o ultimo a direita. Vamos lá. –A tia sobe as escada e Carolina vai atrás reparando na mobília simples, porém de bom gosto e bem cuidada.

Chegam ao quarto.

–Entre, se quiser mudar algo de lugar, fique a vontade, qualquer coisa chame, suas roupas eu organizei no armário, mas não foi nada de mais, só coloquei-as ali porque a mala estava, bem... você sabe. – Ane dá um beijo na testa de Carolina e se retira, ainda completa:

–Qualquer coisa, chame.

–Obrigada. – Carolina fecha a porta. –Um banheiro no meu quarto, ótimo. –Diz para si mesma e vai para o sub cômodo.

Ela entra e fecha a porta, tem uma toalha pendurada na parece, abre a gaveta do pequeno armarinho, vê um sabonete, pasta de dente, uma escova e um gilete. Ela olha o ultimo objeto com um desejo enorme de experimentar a sensação de se cortar, pega o aparelho, coloca sobre a pele, exita, desiste.

Tira sua roupa ficando completamente nua e entra em baixo da água morda. Uma sensação de purificação a acompanha, ela deixa a água cair e junto lágrimas rolam, senta-se no chão do banheiro, recolhe as pernas, apoia a cabeça nos joelhos, chora feito uma criança com medo do escuro. Longos minutos se passam, ela desliga o chuveiro, pega a toalha, envolve-a no corpo e volta para seu quarto, veste as partes intimas, suas roupas não estão lhe agradando, todas as blusas com cores alegres, brancas, azuis, verdes, nada que combine com seu interior naquele momento. Acha uma blusa cinza de mangas longas caída em um ombro, uma calça jeans qualquer, veste, amarra os cabelos em um coque solto, vai até a cama, senta-se e fica olhando a parede do quarto.

–Carolina, desça, venha comer algo! – Ane grita lá de baixo algum tempo depois.

Ela calça os chinelos e desce as escadas com aquela mesma expressão neutra no rosto. Come qualquer coisa e vai para o quintal da casa, lá tem um balanço branco, senta-se e fica observando o nada. Sua mente está longe, muito longe. Como será sua vida de agora em diante?

Notas finais
E no próximo capitulo vocês conhecerão a nova Carolina! Como será estar no lugar dela? você já tentou? Me admiro do monte de gente que fica por ai reclamando da vida. Grande que na maioria não sabem nem um terço do que é se sentir sozinho. Se ler, por favor, peço que deixe um review, não custa nada, seu dedo não vai cair se você digitar um ''oi'' ou então ''continue''. Comente, eu agradeço.