Tequila Com Limão

9 Deixando as lágrimas caírem


Notas iniciais
Comentários, pessoal? Preciso de incentivo para escrever, hein?! u.u

Deixando as lágrimas caírem

Carolina conseguiu voltar para casa, apesar de ter estado distraída durante todo o caminho que percorreu até a praia. Agora na volta prestou um pouco mais de atenção a tudo e olhou algumas vezes para trás para se assegurar de que aquele cara não a seguia. Como era mesmo o nome? Denis? David? Daniel? Isso, Daniel. Ao entrar em casa sua tia veio rápido ao seu encontro.

– Carolina, querida! Estávamos preocupados. — Ane disse.

– Caminhei até a praia, não conhecia o caminho, por isso demorei um pouco. – Ela explicou. – Vou subir para o meu quarto.

– Boa noite, querida.

– Boa noite.

Em seu quarto, ela trancou a porta e foi ao banheiro, escovou os dentes e depois vestiu uma camiseta velha que ia até um pouco acima de suas coxas, era a camiseta de faculdade de seu pai, John, ela havia pego a camiseta quando tinha treze anos pois sentia-se protegida daquela forma. Aquela camiseta agora já não lhe dava mais essa sensação, ela trazia saudade, saudade de risadas e de um tempo que parecia tão distante no passado mas que se perdera há tão pouco.

Deitou-se na cama e adormeceu tentando lembrar da melhor imagem que havia visto naquele dia, fazer com que seus sonhos girassem em torno dela, o pôr do sol na praia. Porém, após adormecer completamente, uma outra imagem nublada começou a se formar, chuva fina, pista molhada... e em seus sonhos ela reviu o acidente, os ferros e o sangue.

Era madrugada quando acordou suada e assustada, um grito havia eclodido por sua garganta, não pode suprimi-lo. O rosto de sua mãe esta nítido em seu sonho, o vermelho cobrindo toda a face e os cabelos. Sua tia entrou assustada no quarto.

– Carolina, o que houve? Você está bem?! – ela correu até a cama.

– Eu... eu... tive um pesadelo.

– Oh, querida... – a tia sentou ao lado dela na cama e a abraçou.

Carolina começo a chorar baixinho. Aquela dor nunca iria passar.

– Acalme-se, acalme-se, está tudo bem agora. Vou fazer um chá e você vai ficar melhor. – prometeu.

Ane foi até a cozinha e preparou uma xícara de chá de camomila para Carolina, depois voltou ao quarto com a xícara fumegante. Carolina bebeu o chá e depois deitou a cabeça no travesseiro, a tia fez carinho em seus cabelos até que seus olhos se fechassem novamente e novos sonhos tomassem conta de sua mente.

Pela manhã, Carolina acordou abatida, nos olhos a noite mau dormida. Era a primeira fora do hospital. Ane avisou a Martim que mais tarde passaria no hospital e conversaria com o doutor sobre o pesadelo de Carolina, ela precisaria de algum tipo de ajuda para dormir nessas primeiras semanas.

– Você gostaria de ir junto até o hospital, querida? – A tia perguntou.

– Não, vou ficar aqui se não se importar. – Carolina respondeu, seu tio Martim já havia saído para o trabalho e ela poderia ficar sozinha, Carolina queria muito isso, apesar de sua tia estar sendo muito boa para ela, ela queria poder ficar completamente em silêncio, absorvendo tudo sem ter que se queixar para outros, seu pai sempre dizia para ela ser forte diante dos desafios, apesar dos pesares e de mais difícil que pudesse parecer. Ela queria ser forte. E arrumaria um jeito de ser.

– T udo bem querida, se você for dar uma volta outra vez por favor deixe um bilhete avisando para que eu saiba onde você está. Ter certeza que não quer ir junto? Podemos passar em alguma loja e comprar algumas coisas que pode precisar para a escola...

– Tenho tudo da minha antiga escola ainda. Acho que não vou precisar de nada, obrigada.

– Tudo bem então, querida.

Depois de tomar o café sozinha Carolina procurou pela casa uma tesoura, queria de alguma forma se afastar do seu passado, amava seus pais e sempre os amaria, mas aquela saudade a sufocava e já não conseguia mais fingir que estava suportando tudo aquilo porque não estava. Ninguém sabe o que é abrir o chuveiro e deixar as lágrimas caírem para que ninguém lhe escute porque não quer que vejam o quanto é fraca, ninguém sabe o que é isso, a menos que já tenha sentido. Ninguém sabe como é sufocar o choro no travesseiro, não pela dor de um menino que lhe magoou quando dizia que adorava você, mas por ter perdido aquelas pessoas que realmente a amavam, de verdade, incondicionalmente.

Encontrou uma tesoura em uma gaveta da cozinha e subiu para seu quarto, foi até o banheiro e colocou uma toalha sobre a pia, soltou os longos cabelos castanhos e começou a penteá-los a fim de desembaraçar, depois tirou a roupa e entrou em baixo da água morna do chuveiro como se ela pudesse levar embora toda sua dor. Saiu e enrolou-se na toalha, voltou a alisar os cabelos e parou-se em frente a toalha aberta na pia.

Colocou os cabelos por cima de seus ombros e os segurou na altura do queixo. O cabelo estava dividido cada metade por cima de cada ombro, pegou uma e com as lágrimas escorrendo pelo rosto cortou-os se exitar. Fez o mesmo com o outro lado. Agora em suas mãos havia quase dois terços do seu antigo cabelo. Sentiu-se leve. Como queria que aquela leveza pudesse vir de dentro do seu coração e não somente dos cabelos que acabara de cortar.

Ergueu os olhos para o espelho, as lágrimas ainda caiam levando com elas os sentimentos que Carolina queria não mais sentir.

Notas finais
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