Tequila Com Limão
10 Uma nova escola
Capítulo 9 – Uma nova escola
Quando a tia voltou para casa e viu Carolina sentada no jardim teve uma surpresa, ela estava com a cabeça encostada no balanço branco, porém seus cabelos haviam sido cortados, ela tinha um cabelo tão lindo e macio, comprido até a cintura, leves ondulações graciosas, esvoaçavam com a mais leve brisa. Agora estava curtos dando um aspecto diferente aquele rosto que outrora fora tão alegre.
Foi até ela e sentou-se no balanço ao lado.
– O que houve com seus cabelos, querida? – Perguntou docemente.
Carolina olhou para a tia suprimindo a vontade de despejar-lhe a dor que estava sentindo.
– Precisei mudar.
– Acho que ficaram bonitos. – A tia disse, não era hora para contrariá-la, dizer que de nada adiantaria cortar os cabelos ou rebelar-se contra tudo, mas entendia que naquele momento a sobrinha estava só. Pensou que as coisas mudariam quando ela voltasse a estudar, quis acreditar que isso fosse possível.
O restante dos dias se passou e Carolina não saiu mais de casa nem conversou muito com ninguém, recebeu inúmeros ligações de Sam e Greg desde o dia em que havia se mudado mas não retornou nenhuma. Eles haviam ficado sabendo de tudo desde o dia do acidente, mas quase nada puderam fazer, sua tia Ane mandou todos os recados que eles enviaram para Carolina e tentou fazer com que ela atendesse as ligações dos amigos, mas depois conversou com os dois pedindo que tivessem um pouco de paciência, era um momento muito difícil e os dois entenderam apesar de quererem de qualquer jeito ajudar a amiga.
Carolina encarou a escola na segunda-feira de manhã com a cabeça baixa, não conversou com ninguém e ficou sozinha o tempo todo. Não queria fazer novas amizades, não podia perder mais pessoas que amava e no fundo só estava tentando proteger Greg e Sam. Eram seus amigos e por mais que os quisesse perto, não podia pedir aquilo a eles, e não queria estreitar mais ainda aquele laço de amizade, pois quanto mais se ama mais se sofre. Perdeu seus pais, não queria sentir a dor de perder seus dois irmãos de coração.
– Ei, garota, saia da minha classe. – Uma garota alta e de cabelos compridos parou-se em frente a mesa que Carolina estava sentada.
Carolina olhou para cima retirando um de seus fones de ouvido. Havia escutado a garota apesar da música que ouvia.
– Não vi seu nome escrito aqui. – Respondeu e voltou a colocar o fone.
– Mas esse lugar é meu. – A garota disse puxando os fones dela.
– Então talvez você deva procurar outro, porque, como eu disse, não vi seu nome aqui. – Carolina respondeu irritada. Não tinha mais que ser legal com ninguém, já não se importava mais com isso.
A garota estava pronta para reiniciar a discussão quando o professor entrou na sala e mandou que ela fosse sentar-se em outro lugar. Ele encarou Carolina por algum tempo depois de suspirar e começar a aula. A garota não voltou a incomodá-la naquele dia, mas Carolina percebeu os lançares que ela lhe deu o tempo todo. Não fazia diferença para Carolina se aquela garota a aceitasse ou não. Não vivia para agradar aos outros. Era gentil e doce a algum tempo atrás, mas já não tinha mais vontade de suportar as pessoas, não tinha mais vontade de suportar nada nem ninguém e viveria dessa maneira a partir dali.
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