Tequila Com Limão
25 Dane-se
Notas iniciais
Capítulo 24 — Dane-se
Nathália voltava do bar com duas doses de tequila e pegou o olhar de Carolina, logo em seguida viu Daniel e a outra garota e compreendeu o que tinha acabado de acontecer.
—Vamos embora. — Nathália disse enquanto no palco alguém acabava de chamar o nome de Daniel para se apresentar.
—Vamos. — Carolina disse e então virou a dose de tequila que a amiga tinha estendido para ela antes de entender o que se passava. Deixou o copo na primeira mesa pela qual passaram e seguiu Nathália para a saída sem olhar para trás.
—Carolina! — Daniel gritou atrás dela saindo do bar. — Nathália tinha acabado de parar um táxi, ela não se moveu quando ele chamou seu nome, ficou estacada entre o meio fio e a rua. —Espera, me escuta.
“Foda-se.” Ela pensou virando para ele assim que ele parou atrás dela, a respiração acelerada.
Daniel viu toda a dor que ela estava sentindo se refletir nele. Ela estava quebrada e ele a havia quebrado.
—Carol... — Ele estendeu a mão para tocá-la. Ela ergueu os olhos para ele e então entrou no táxi.
Ele ficou parado vendo o carro se afastar e se perguntando o porquê de ter deixado aquilo acontecer, ele percebeu a garota se aproximando, mas simplesmente foi muito rápido para que evitasse, ela disse o quanto adorava vê-lo cantar e então lhe deu um beijo dizendo que era um “beijo de boa sorte já que ele iria subir ao palco”. E então viu Carolina e o que aquilo provocou nela. Justamente agora que ele sabia que ela estava se erguendo novamente.
Respirou fundo e passou as mãos pelos cabelos exasperado, soltando o ar fortemente em seguida. Droga.
O táxi seguiu silencioso até o endereço de Carolina, Nathália não disse nada, sabia que se Carolina quisesse ela falaria sobre aquilo.
—Você tinha toda a razão. — Carolina finalmente falou. — Dane-se. — Então virou para a amiga e colocou um sorriso no rosto. —Dane-se. Vamos dançar. — Virou para o taxista. — Você pode nos levar até alguma boate?
—Com certeza. — Ele respondeu e mudou a direção do carro. — Alguma preferência?
—Um lugar onde a gente possa dançar e encher a cara. — Carolina respondeu.
O taxista balançou a cabeça concordando, “esses jovens de hoje em dia” pensou para si mesmo.
—Você tem certeza que está tudo bem? — Nathália perguntou.
—Absoluta, afinal de contas, foda-se o resto. E nós merecemos umas boas bebidas, na verdade, acho que já passou do tempo de eu ficar muito bêbada.
Nathália riu da amiga, Carolina manteve o sorriso no rosto, por mais que nem tudo estivesse bem, nada estava bem, mas afinal, muito pior não poderia ficar.
Chegaram em frente a um pub, desceram e pagaram a viagem, depois foram para a entrada, as identidades nem foram pedidas, entraram direto sob o olhar curioso de algumas meninas totalmente maquiadas da cabeça aos pés, enquanto as duas estavam vestidas para uma noite qualquer em um bar na beira da praia, mas nem por isso menos bonitas, Carolina com seu vestido soltinho e a sandália baixinha e Nathália com uma saia e uma blusa curtas que destacavam seu corpo bonito.
Chegaram ao balcão e logo foram atendidas, dois caras estavam ao lado de Carolina e ofereceram as bebidas.
—Garotas. — Um deles estendeu um copo para Carolina e o outro para Nathália.
—Obrigada! — Carolina sorriu e piscou para ele virando a bebida em seguida.
—Ei, ei, vai com calma aí! — Nathália riu da amiga, mas também piscou para o outro garoto.
—Vamos dançar! — Carolina puxou Nathália para a pista de dança, ela só queria que o mundo inteiro desaparecesse, que tudo sumisse. Estava cansada de se sentir triste e quebrada, estava cansada de ter qualquer esperança. Só queria dançar até ficar acabada, cair na sua cama e não levantar nunca mais. Talvez mais umas doses de tequila e outros drinques ajudasse nisso.
Um bom tempo depois e várias doses a mais, ela finalmente não se aguentava mais em pé, então as duas foram procurar uns bancos no bar e sentaram-se exaustas.
—Estava esperando você voltar, gatinha. — Um cara que dançou com ela na pista de dança e lhe pagou uma bebida inclinou-se para ela. — Que tal a gente sair daqui e dar uma volta?
Carolina deu de ombros. “E porque não?” Ela já ia se levantar quando sentiu sua cintura ser abraçada possessivamente.
—Desculpe, mas ela já está acompanhada. — Ouviu a voz de Daniel, parecia um pouco distante já que sua cabeça havia começado a dar voltas e voltar no momento em que levantou do banco.
—Rá-rá! Essa é boa! — Riu de forma irônica tentando encarar Daniel em seguida.
O cara deu de ombros, não estava a fim de brigar por uma garota que provavelmente iria cair dura assim que ele a levasse para fora da boate, então saiu dali.
—Vá a merda, Daniel! E tire suas mãos de mim! — Ela disse tentando empurrá-lo.
—Não, você está completamente bêbada, não vai nem ficar em pé se eu te soltar agora.
—Dane-se! — Ela disse com raiva. — Me deixa em paz! Será que não dá pra eu me divertir um pouco nessa merda?!
—Vamos Carol, vou levar você embora. — Ele disse tentando mantê-la em pé.
—Não me chame de Carol! As pessoas que me amavam me chamavam assim, só elas, você não tem a porra desse direito, essa Carol morreu junto naquele acidente! Ela nunca mais vai existir. Porque eles não vão voltar e agora você também foi embora, a sua maneira, você foi, você me deixou, e eu fiquei sozinha novamente! — Ela disse com lágrimas já correndo, a bebida fazendo com que tudo se derramasse de uma só vez.
—Eu não deixei você, nunca deixaria.
—Foda-se! —Ela gritou, mas a música alta impedia que muitos reparassem no que se passava e o restante não estava nem aí.
—Carol, é melhor irmos mesmo, está tarde, não aguento mais meus pés nem minha cabeça. — Nathália disse tentando convencer a amiga.
—Não, eu quero beber mais. Estou bem aqui. Vão vocês, adeus. — E dizendo isso ela tentou voltar para a pista de dança, mas Daniel a impediu.
—Pode ir Nath, eu vou cuidar dela. — Daniel disse e Nathália assentiu.
—Ok.
Daniel puxou Carolina para perto fazendo com que a cabeça dela ficasse em seu peito, Carolina já não tinha mais forças para lutar, estava tonta, triste e queria finalmente dormir para sempre, seu peito ainda doía, mas se acalmou um pouco ao sentir o perfume de Daniel, seus dedos em seu cabelo e os lábios dele beijando sua testa.
—Vamos, vou tirar você daqui. — Ele disse baixinho então a conduziu para fora da boate, chamou um táxi e deu seu endereço, ela não teria condições de entrar em casa daquela forma, Carolina adormeceu no banco do carro com a cabeça em seu ombro. Ele pegou o celular dela e enviou uma mensagem para que sua tia não se preocupasse, depois acariciou os cabelos dela durante o resto do percurso.
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