Tequila Com Limão
26 Quem vai parar a chuva?
Notas iniciais
Capítulo 25 — Quem vai parar a chuva?
O táxi parou em frente ao apartamento de Daniel, o motorista pareceu um pouco preocupado com o estado da garota, mas não deu muita importância depois que Daniel fez o pagamento e disse que ele podia ficar com o troco. Carolina desceu do carro parcialmente consciente do que estava fazendo, não sabia onde estava, mal lembrava que era Daniel ao seu lado. Isso, contudo, não a impediu de seguir em frente com ele. Estava entorpecida, simplesmente não sentia mais nada. Era isso que queria quando começou a beber daquela forma, esquecer todo o resto do maldito mundo. Mas, agora, naquele estado, o vazio continuava.
—Vamos, Carol, você precisa me ajudar aqui. — Daniel falou quando ela ameaçou ir ao chão enquanto ele tentava abrir a porta.
Ela mal estava escutando-o.
Assim que ele conseguiu abrir a porta, levou-a para dentro e a colocou no sofá, quando ele fez menção de soltá-la para ir buscar um copo de água, ela começou a chorar. Então ela se encolheu envolvendo o corpo com os braços, sentindo-se só, completamente mais uma vez.
—Ei, eu estou, aqui, estou aqui. —Ele disse puxando-a e a apoiando em seu peito.
—Não, você não está. Ninguém mais está. — Ela soluçou, suas palavras não faziam sentindo naquele momento. Seu olhar parecia estar em outro lugar, ela estava completamente distante e perdida. A única coisa da qual ela tinha consciência era a dor em seu peito. Saudades.
—Shh. Eu estou, juro. — Ele disse e só então Carolina ergueu o olhar para ele. Daniel viu que seus olhos estavam nublados. Oh, merda, ela estava revivendo o acidente. Ele já tinha passado por algo parecido.
—Daniel?
—Estou aqui, Carol. —Ele apertou mais os braços em volta do seu corpo e Carolina continuou a soluçar.
Quando ela fez menção de se levantar começou a sentir a bile subindo pela garganta e foi cambaleando para o banheiro. Daniel estava junto dela e segurou seus cabelos quando toda a bebida começou a sair de seu corpo. Depois Daniel ajudou a limpar seu rosto com uma toalha umedecida, Carolina ainda estava sentada em frente ao sanitário, Daniel atrás dela. Ele encostou o corpo contra a parede e fez com que ela se recostasse nele. Ficaram daquela forma por bastante tempo, até que ela pareceu mais calma e ele a levou para o quarto deitando-a em sua cama.
Carolina estava praticamente dormindo. Então ele começou a tirar a blusa dela, as sandálias e a vestiu com uma camiseta sua. Franziu o cenho quando lembrou do cara na boate, ela poderia ter saído de lá com ele e sabe-se lá o que poderia ter acontecido. Isso seria culpa dele.
Carolina suspirou se mexendo levemente enquanto ele terminava de ajeitá-la. Depois ele subiu na cama ao seu lado e puxou as cobertas envolvendo seus corpos. Por muito tempo ficou fazendo carinho em seus cabelos e ouvindo seu ressonar, até adormecer.
Carolina acordou na manhã seguinte sentindo sua cabeça latejar como se pedras tivessem sendo jogadas nela. Olhou ao redor e demorou entender onde estava, até se lembrar parcialmente do que havia acontecido na noite anterior. Daniel, a garota, depois Nathália e muita tequila, Daniel novamente, ela vomitando. O resto era somente um borrão. Percebeu que estava no quarto dele, em sua cama,vestindo sua camiseta. Então no criado-mudo viu um pedaço de papel e um comprimido ao lado de um copo de água.
“Fui buscar o café da manhã, tome o comprimido, vai ajudar. Não se preocupe com sua tia, deixei uma mensagem no celular dela ontem. Precisamos conversar. Volto logo, não se preocupe.”
Novamente a imagem de Daniel e a garota. Então ela suspirou, levantou e vestiu sua roupa antes que Daniel voltasse, chegou em casa e entrou pelos fundos sem ser vista, subiu ao quarto, tomou banho e vestiu uma roupa de corrida. Sua tia Anne a viu saindo, mas antes que pudesse chamar, Carolina já havia ido embora batendo a porta da frente.
Com os fones de ouvido ignorou as pontadas que ainda sentia na cabeça, correr não estava ajudando tanto nesse sentido, mas a estava fazendo bem, o ar frio entrava em seus pulmões e ela se sentia um pouco viva, mesmo que naquele momento não se importava mais em estar ou não. Ela não aguentava mais se sentir tão sozinha. Não era só a dor de ver Daniel com a outra garota, não era nem de longe só isso. Doía não ter ninguém junto dela, doía não ter sua mãe e seu pai ao seu lado e essa dor era o que mais a machucava. Estava com tanta saudade.
Não percebeu quando as lágrimas começaram a escorrer pelo rosto. Correu até sentir os pulmões e as pernas doerem, só então parou, estava em uma grande duna na praia, de frente para o mar. Não havia pessoas em volta, tudo estava tranquilo e silencioso, então sentou-se e deixou as lágrimas levarem embora a dor no seu peito. Queria tanto que sua mãe estivesse ao seu lado para abraçá-la.
Ela sentia como se não restasse nada para ela.
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