Tequila Com Limão

11 Uma música em um bar


Notas iniciais
Deeeeeeeeevorem! HAHA *----* Sei que tem gente doidinha para saber por onde anda o Daniel u.ú Boa leitura e divirtam-se gente! Ps: Eu adoraria um comentário lá no final, viu gente? UAHEUAEH beeijos ;* PS²: Leia ouvindo Have you ever seen the rain - Creedence Clearwater Revival

Capítulo 10 – Um música em um bar

A semana se arrastou da forma mais lenta possível, cada dia parecia interminável e terrível naquela escola. Era a única coisa que fazia além de ficar em seu quarto ou no balanço do jardim. A única diferença era que ter que ir até a escola não lhe deixava contente. Pelo menos em seu novo quarto e no balanço podia ficar em paz e em silêncio, ali naquele lugar precisava aturar algumas pessoas tentando puxar conversa e querendo saber de sua vida, de onde veio, porque haviam se mudado, o que seus pais faziam.

– Meus pais morreram. – Ela respondeu para a terceira pessoa que lhe fazia aquela pergunta naquela interminável semana.

– Sinto muito. – Claro que sente, você sequer sabe como é. Este foi o pensamento de Carolina exatamente como das outras duas vezes, estava pronta para dispensar aquela garota também dizendo que não precisava da pena dela quando ela continuou depois de alguns instantes. – Perdi minha mãe há dois anos.

Carolina olhou para cima encarando alguém daquele lugar pela primeira vez.

– Foi recentemente, não? – A garota perguntou.

– Algumas semanas.

– Eu entendo como está doendo. – Ela disse. – E sei que chora escondido apesar do quanto quer aparentar ser forte. – A garota havia sentado na mesa ao lado da sua agora e falava baixo sem encarar Carolina. – Mas, por mais que você não consiga acreditar neste momento, as coisas irão melhorar.

– A minha dor vai passar? – Carolina perguntou olhando para a garota, sabendo que ela entenderia.

– Não vai passar. Mas vai diminuir, lentamente, até que você consiga dormir a noite sem ter pesadelos, ou até que consiga voltar a sorrir de verdade, e nesse momento vai passar a ser tolerável. Mas passar de verdade, não sei se passa, não passou para mim ainda. Só tento ver as coisas de uma maneira diferente.

– Que maneira?

– Se ela estivesse viva, eu tenho certeza que iria querer me ver sorrindo todos os dias, que iria querer que eu me apaixonasse e quebrasse a cara algumas vezes, mas que acima de tudo vivesse a minha vida. Assim era minha mãe, e apesar de como foi difícil e de como doeu, eu acredito que devo a ela a minha felicidade. Devo sorrir por ela, porque ela me ensinou tudo o que sei e o que sou e ela ficaria muito magoada comigo se eu deixasse morrer com ela tudo o que ela me fez ser.

Carolina estava segurando as lágrimas em sua garganta, queria tanto acreditar naquela garota de cabelos lisos e compridos que pareceu dividir o peso que Carolina carregava ajudando a erguer uma pequena parcela, mas mesmo assim, ajudando.

– Espero que as coisas melhorem para você.

– Eu espero também. – Carolina respondeu. – Obrigada, de verdade.

– A propósito, meu nome é Nathália.

Então a garota virou as costas e deixou Carolina em sua mesa, com uma vaga esperança em relação ao futuro.

O sábado chegou trazendo alívio para Carolina, havia dormido a noite inteira, estava tomando comprimidos então não acordaria nem se quisesse. Aquilo era bom, tomava sua dose de remédio, fingindo que ele lhe curaria a dor dentro de seu peito também. Sua tia a chamou dizendo que ela tinha visitas, o que deixou Carolina bastante confusa já que ela não havia feito amizade com ninguém, por mais que tivesse conhecido Nathália e que ela tivesse lhe ajudado a sentir-se um pouco melhor, não se falaram mais depois daquilo.

Carolina levantou e lavou o rosto, trocou de roupa e desceu para ver quem era, quase chorou quando viu Sam e Greg sentados nos sofás da sala cada um com uma mochila.

– Carol! – Sam exclamou e correu para a amiga.

– Sam?! Greg?! O que vocês...

– Não íamos deixar você sozinha, Carol, não conseguimos vir antes, mas estamos aqui. – Greg disse me abraçando enquanto Sam ainda estava grudada em mim.

– Vocês não precisavam...

– Sim, precisávamos. Você precisa da gente e estamos aqui. – Sam disse.

– Obrigada. – Ela agradeceu já começando a chorar, queria demostrar que estava tudo bem mas não estava e ela precisava muito deles mesmo que não admitisse.

– Agora chega de choro, nós viemos aqui porque temos a missão de fazer você sorrir! – Greg disse. – Ou você acha que vamos passar o final de semana com você a toa?

– Gente, eu... – Ela tentou explicar.

– Nós entendemos você, sabemos que dói e que está sofrendo, mas seu pai e sua mãe iam querer que você continuasse a viver, que continuasse a sorrir. E falando nisso, que cabelo é esse?! – Sam perguntou reparando nos cabelos curtos da amiga.

– Eu cortei.

– Jura? Quase não percebi depois dos trinta centímetros que sumiram! – Ela disse fazendo careta.

Pela primeira vez Carolina sorriu de leve. A amiga tinha o dom de deixá-la melhor. Pena que não fosse o suficiente.

Subiram para o quarto os três e conversaram até a hora do almoço, depois almoçaram e sentaram no jardim, os dois amigos contaram algumas novidades e distraíram Carolina um pouco. Ela estava feliz por ter os dois ao seu lado, não percebeu como a saudade que sentia deles se fundiu a saudade que sentia de seus pais. O que já ajudava um pouco, tinha os dois ali, a apoiando e fazendo com que esquecesse a dor por alguns momentos.

– Tem algum barzinho legal onde possamos ir hoje a noite? – Sam perguntou quando já era de tardinha.

– Não estou com vontade de sair, pessoal. Mas podem ir se quiserem... – Carolina disse.

– Nem pensar! – Greg argumentou. – Nós viemos até aqui para fazer você sair um pouco, sua tia nos contou que não faz nada além de ir até a escola e se trancar em seu quarto. E a praia é tão perto da sua casa agora, Carol! Eu não consigo acreditar que você ainda não foi a praia!

– Eu fui, uma vez. Estava caminhando e cheguei lá, é muito bonita. – Nesse momento Carolina lembrou do garoto da praia. Qual era seu nome mesmo? Daniel?

– E você conheceu algum gatinho do surf por lá? – Sam piscou.

– Sam! – Greg cutucou a amiga.

– O quê é?! – Ela perguntou. – Eu só queria saber como é a freguesia por essas praias!

A brincadeira de Sam resultou em outro esboço de sorriso no rosto de Carolina.

– Não conheci ninguém, quer dizer, tinha um cara lá perto de onde eu estava parada, ele falou alguma coisa comigo, fumei um cigarro e depois voltei para casa. – Ela deu de ombros.

– Você fumou um cigarro?! – Sam e Greg perguntaram juntos.

– Como se vocês dois nunca tivessem feito isso. – Carolina retrucou.

– Ei! – Sam se defendeu.

– Sim, mas é que você nunca gostou de cigarros. – Greg deu de ombros.

– E o cara como era? – Sam perguntou. – Gatinho?

– Não sei, não olhei muito. – Carolina disse, apesar de que ela tinha reparado um pouco no cabelo bagunçado e nos olhos bonitos do garoto.

– Você perguntou o nome?! – Sam quis saber.

– Não, ele que insistiu em dizer. – Carolina virou os olhos. – É Daniel, eu acho.

Conversaram por mais algum tempo até que começou a escurecer, então entraram em casa, Greg ficou no quarto de hóspedes e Sam no quarto junto com Carolina. Depois do jantar insistiram até que Carolina cedeu e aceitou ir com eles até algum bar ali perto.

– Então, como era o tal Daniel? – Sam perguntou para a amiga quando as duas estavam sozinhas no quarto se arrumando.

– Hã? Ah. Era bonito, eu acho, tinha cabelos escuros e bem bagunçados, parecia ser alto, acho que minha cabeça devia dar no seu queixo. – Carolina deu de ombros.

– E o que rolou lá? Como ele encontrou você? Eu quero detalhes, Carol! – Sam disse puxando a amiga para a cama e sentando-se.

– Mas não houve nada de mais, eu nunca mais vi ele depois daquilo, subi uma duna de areia na praia e vi aquele mar azul lindo, ele riu da minha cara porque segundo ele eu estava sorrindo feito boba para o horizonte, então ele me ofereceu um cigarro e me deu vontade de provar e eu provei e não era maconha nem nada do tipo era só um cigarro normal – Carolina virou os olhos para a cara da amiga – , depois ele perguntou uma e outra coisa e eu não estava afim de conversar então levantei e fui embora, ele veio atrás de mim e se apresentou como Daniel e eu disse que me chamava Júlia.

Carolina terminou de falar dando de ombros e virando os olhos, levantou e se olhou no espelho sem vontade, estava vestindo uma calça jeans e uma blusa de um ombro só, o all star velho no pé. Sam estava vestindo uma saia e uma blusa bonita, tinha passado maquiagem no rosto e arrumado os cabelos de um jeito bonito.

– Estão prontas?! – Greg bateu na porta. – Estou esperando lá em baixo!

– Vamos? – Sam perguntou.

– Tudo bem. – Carolina esboçou um meio sorriso.

Saíram da casa da tia e entraram no carro de Martim, Greg já tinha dezoito anos e Martim ofereceu o carro para que fosse conhecer a cidade. Ane ficou feliz com a vinda dos amigos de Carolina, aquilo pareceu dar um pequeno, mas existente, sopro de vida em Carolina.

Estacionaram em um bar perto da praia, parecia um bom lugar com uma espécie de karaokê, ou talvez fossem alguns garotos que moravam por ali tocando alguma coisa. Mas pareceu um bom lugar.

Sentaram-se em uma mesa e perceberam que era um bar com karaokê, Sam e Greg adoraram a ideia, Carolina gostou da ideia de estar com seus amigos, apesar de que seu quarto ainda lhe parecia um lugar melhor.

Conversaram algum tempo e beberam refrigerante já que Greg precisava dirigir depois. Então Carolina escutou uma voz que vagamente a fez lembrar alguém, a imagem do garoto da praia se formou um pouco confusa em sua mente, ela estava de costas para o pequeno palco onde as pessoas estavam fazendo suas apresentações no karaokê e seus olhos encontraram os de Daniel. Ele ia começar a cantar uma música quando a encarou também. Virou o rosto um pouco para o lado e deu um pequeno e bonito sorriso torto.

– Uhum. – Ele fez um pigarro com a garganta. – Vocês já me conhecem por aqui. – Ele disse e algumas pessoas riram. – Tinha preparado uma apresentação digna de ter Dylan na plateia... – Novamente algumas pessoas riram – Mas me deu vontade de tocar uma outra coisa agora.

Carolina nem ouviu quando Sam chamou seu nome, duas vezes, estava concentrada no garoto e os dois amigos perceberam, Sam pareceu ligar as coisas mais rápido que Greg. E os dois amigos sorriram um para o outro.

– Então, a música de hoje vai ter uma pequena dedicação – Ele disse e algumas pessoas fizeram um barulhinho de surpresa – Para garotas doces que sorriem vendo o mar. – Ele disse e voltou a encarar Carolina.

Carolina sentiu alguma coisa, um pequeno calor dentro de si e se perguntou o que era aquilo, parecia o mesmo sentimento de quando iria pegar uma onda no mar. Um frio na barriga e ao mesmo tempo uma batida mais forte em seu coração.

Então Daniel começou a dedilhar os acordes da canção e logo em seguida a cantá-la com um voz bonita e inebriante:

''Someone told me long ago

Alguém me falou há muito tempo

There's a calm before the storm

Que há uma calmaria antes da tempestade

I know, it's been comin' for some time

Eu sei, vem vindo há algum tempo

When it's over, so they say

Dizem que quando terminar

It will rain a sunny day

Choverá num dia ensolarado

I know, shinin' down like water

Eu sei, brilhando como água''

O refrão iria começar e Carolina cantou junto baixinho, ela adorava aquela música.

– ''I wanna know, have you ever seen the rain? I wanna know, have you ever seen the rain, comin' down a sunny day?''

Eu quero saber, você alguma vez viu a chuva? Eu quero saber, você alguma vez viu a chuva? Caindo em um dia ensolarado?

''Yesterday, and days before

Ontem, e dias antes

Sun is cold and rain is hard

O sol é frio e a chuva é forte

I know, been that way for all my time

Eu sei, foi assim por toda minha vida

And forever, on it goes

Até a eternidade, será sempre assim

Through the circle, fast and slow

Através do círculo, rápido e devagar

I know, it can't stop, I wonder

Eu sei, isso não pode acabar, imagino


I wanna know
Have you ever seen the rain?
I wanna know
Have you ever seen the rain
Comin' down on a sunny day?

Yeah

I wanna know
Have you ever seen the rain?
I wanna know
Have you ever seen the rain
Comin' down on a sunny day?''

Ao final da música houve uma salva de palmas e muitos assobios na plateia, Daniel ficou em pé segurando o violão e agradeceu. Depois desceu do palco e deu a vez para uma menina de maria chiquinhas que queria cantar também. A garota subiu e se ajeitou na banqueta, começou a cantar uma música qualquer. Enquanto isso Daniel ia em direção a mesa de Carolina. Ela se voltou para os amigos.

– Idiota. – Falou virando e tentando disfarçar o pulsar em seu peito, só depois percebeu os olhares de Sam e Greg sobre ela, ela não havia dito que ele era Daniel e mesmo assim os dois estavam olhando para ela com sorrisos cúmplices em seus rostos. – Sim, aquele é o garoto que eu falei e pode parar com esses pensamentos, Samantha. – Completou ainda vendo a amiga.

– Eu não falei nada! – Sam riu. – Você que está toda alvoroçada. Ele está chegando. – Ela disse ainda antes de tomar um gole de seu refrigerante.

– Ei, Júlia não é? – Daniel disse parando ao lado dela. Carolina fez que não ouviu.

– Na verdade, o nome dela é Carolina. – Sam falou sorrindo para Daniel. Carolina lançou-lhe um olhar mortal. – Ei, Greg, vamos pegar mais refrigerante no bar? – Falou em seguida já puxando o amigo. – Você cantou muito bem. – Ela elogiou Daniel antes de sair puxando o amigo consigo.

Carolina iria matar Sam. Assim que se livrasse de Daniel.

– Carolina combina bem mais. – Ele disse sentando na cadeira que antes Sam ocupava, de frente para Carol. – Gosto do seu verdadeiro nome.

– O que você quer? – Ela perguntou virando os olhos.

– Gostou da música? – Ele fingiu não perceber a falta de paciência dela para desarmá-la, o que funcionou.

– Sim. – Ela respondeu somente. Havia sido uma linda música.

– Gostou da dedicação?

– Tenho certeza que as meninas doces as quais você se referiu gostaram. – Foi evasiva. Não podia se dar ao luxo de fazer novos amigos, de ter mais pessoas para amar e perder.

– Não, só as meninas doces que sorriem vendo o mar. – Ele disse olhando para ela.

Aquela garota estava sendo tão distante com ele e não tinha motivo para isso, e ele deveria parar de incomodá-la -pois era isso que ela dava a entender que ele fazia- mas queria ficar perto dela, descobri-la.

– Porque você não gosta de mim? Fiz alguma coisa? – Ele perguntou olhando para a mesa. Carolina se pegou surpreendida com a pergunta e pensou em como responder, ele não havia feito nada para ela, na verdade só estava tentando conhecê-la e ela estava lhe dando todas as patadas possíveis pelo simples fato de que não queria se apegar as pessoas mais.

– Você não me fez nada. – Respondeu por fim.

– Então porque está me tratando assim?

– Porque você está tentando me conhecer? – Ela devolveu perguntando.

– Eu já disse porque, você não ouviu?

– Não. – Ela respondeu confusa.

– Você é uma menina doce que sorri vendo o mar. – Ele deu de ombros. – Meninas assim são raras.

Ela encarou os olhos dele por alguns instantes para depois desviá-los. Sam e Greg voltaram naquele instante. Daniel se levantou para devolver o lugar a Sam.

– Se você quiser cantar comigo alguma hora, venho aqui todas as sextas. e sábados – Ele disse mordendo o lábio. – Ou se preferir vir apenas assistir...

Depois ele sorriu para Sam e Greg.

– Vocês também... – Disse aos dois para não parecer que estava convidando só Carolina.

– Com certeza viremos mais vezes. – Sam respondeu. – A propósito, prazer em conhecê-lo, Daniel. – Ela disse estendendo a mão para ele. – Eu sou a Sam, e esse aqui é o Greg.

Greg também apertou a mão de Daniel. Depois ele deu um tchau aos três e voltou para o grupo de amigos que estavam perto do palco, quando chegou lá estava com um sorriso no rosto e um pensamento em sua cabeça: a amiga dela sabia seu nome, mesmo que ele não lhe tivesse dito.



Notas finais
Coooomentem, sim? *---*