Tequila Com Limão
12 Seguir em frente
Notas iniciais
Capítulo 11 – Seguir em frente
– Carol, ele é um gato! – Sam exclamou assim que Daniel saiu dali.
– Não exagere, nem é tão bonito assim. – Greg disse virando os olhos.
–Você está é com ciúmes, Greg, ele é perfeito e viu como aquela camisa fica bem nele, nossa amiga, vou te contar, seu futuro namorado está com tudo em cima! – Sam disse rindo.
–Ele não é meu futuro namorado, Sam. – Virou os olhos.
–Oh, seria se dependesse dele...
–Sam, pare com isso, não vou me envolver com ninguém, pra que? Para depois ter que chorar a morte dele também? – Falou encarando a amiga, já estava de saco cheio de tentar fingir uma alegria que não sentia.
–Já chega disso, Carol. Dói para caramba, eu posso imaginar, mas você não pode optar por passar o resto da sua vida se distanciando do mundo por medo de sofrer.
Sam respirou fundo, Carol estava com a cara fechada, Greg tomou um gole de seu refrigerante pensando em como amenizar aquele clima.
–Carol, você ter que aguentar a Sam o resto da sua vida já é triste o suficiente. – Greg disse piscando enquanto Sam ficava de boca aberta para ele, Carol abriu um sorriso leve.
–Eu sou um pessoa extremamente agradável, ouviu Gregório Feller?! Sou tipo a Miss Simpatia do Ano!
–Você está mais para Miss Louca do Ano... – Carol disse revivendo por alguns momentos os velhos tempos, quando os amigos tiravam uns com os outros e riam juntos por horas.
–Calúnia! – Sam falou fingindo estar chocada com os dois. – Vou processá-los por difamação!
–Quando vê o juiz acabaria por indenizar a mim e a Carol por aguentarmos você por todos esses anos. – Greg disse ainda para completar o queixo caído de Sam.
Ficaram no bar por mais uma meia hora e durante esse tempo, algumas vezes Carolina se pegou olhando para perto do palco, onde Daniel estava conversando e rindo com os amigos, por três vezes seus olhares se cruzaram e ele sorriu para ela. Quando finalmente se levantaram para ir embora Carolina olhou para Daniel uma última vez, ele estava observando-a e quando ele acenou com a cabeça ela se pegou devolvendo-lhe com um sorriso.
Mais tarde, se acomodou no colchão ao lado de sua cama enquanto Sam sentava com as pernas cruzadas na cama e a observava com um olhar especulativo, Carol podia jurar que ela estava analisando tudo que tinha visto desde que chagara pela tarde e que logo colocaria tudo para fora.
–Carol, porque a mudança radical no cabelo? Você gostava tanto dele comprido... Porque mudar tanto? Porque não continuar sendo quem sempre foi, sua mãe gostava tanto de saber que tinha uma filha feliz e um sorriso lindo, você sabe que ela não iria querer te ver assim. – Sam falou logo, sabia que Carol poderia atá brigar com ela por estar tocando naquele assunto de novo, mas também sabia que era a melhor amiga de Carol e que ambas sempre estiveram ali uma para a outra.
–Sam, eu... – Carol não sabia ao certo como explicar que só queria ficar na sua, que queria esquecer o mundo e as pessoas, que queria que a dor passasse. – Olha, eu só preciso de mais tempo, é tudo tão recente, eu não tenho vontade de sorrir então não vou fingir sorrisos, é isso. Eu me sinto totalmente deslocada como se nunca mais fosse voltar ao normal, me sinto no lugar errado, no tempo errado, tudo errado.
–Tudo bem, só quero que saiba que eu sempre vou estar aqui, Greg também, sei disso, e por favor, tente só... viver e não sobreviver.
Carolina pensou nas palavras da amiga e assentiu. Sam desligou o abajur ao lado da cama e virou-se para dormir, ficou um tempo ainda acordada pensando no que Sam disse mas o efeito do remédio logo chegou e ela se sentiu imergindo na escuridão.
Há alguns quarteirões dali Daniel chegou em seu apartamento e tomou um banho, o lugar era pequeno e simples, um quarto, sala, cozinha, banheiro, uma pequena área de limpeza e uma sacada. Morava sozinho desde os quinze anos e agora tinha vinte e três. Subiu até o telhado do prédio e deitou-se em uma cadeira de praia que ele mesmo tinha levado até ali há tempos. Olhou as estrelas e pensou na garota do bar. Carolina. Um sorriso apareceu em seus lábios quando lembrou dela no dia em que a conheceu na praia, a imagem daquele sorriso tão real e verdadeiro, totalmente entregue de corpo e alma que ela deu para o mar jamais sairia de sua mente.
Ele realmente não pensou que teria a chance de ver a garota novamente e quando menos esperava ela estava no mesmo lugar que ele. No momento em que a viu do palco relembrou aquele sorriso e soube que queria conhecê-la de verdade. Quando conversaram ele pode ver que a dor que ela passava naquele dia da praia era real, pode ver que ela decidiu se afastar das pessoas, primeiro havia pensado que ela devia ter terminado o namoro com algum idiota, mas logo percebeu que a dor era bem maior, ele reconhecia aquele tipo de dor.
Daniel sabia reconhecer a dor nas outras pessoas do modo que somente quem já sentiu o mundo se abrir aos seus pés reconheceria. Ele sabia como era se sentir perdido, imobilizado pelo medo de seguir em frente, sabia como era perder tudo do pior modo que se pode imaginar, sendo obrigado a assistir de camarote, duas vezes. Ele sabia como era perder alguém que amava aos poucos e sabia como era ter alguém que se ama ser tirado de você em minutos.
Ele sabia o que era estar sozinho.
Mas também sabia que permanecer sozinho não era a solução. A princípio se afastar do mundo inteiro parecia ser a melhor coisa a se fazer, agir racionalmente, evitar futuras decepções e dores, fugir de sentimentos. O problema é que fugir do mundo só faria a pessoa querer desistir de tudo de uma vez por todas. E essa definitivamente não era a solução, por mais que continuar vivo parecesse insuportável a cada nova manhã.
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