Tequila Com Limão
30 Eduardo
Notas iniciais
Capítulo 29 — Eduardo
Eduardo ficou olhando enquanto a garota da praia ia embora com sua amiga, ela tinha um sorriso bonito, pensou ele. Mais tarde ele se levantou e foi para casa, já em sua cama se pegou novamente pensando na garota e sorriu de olhos fechados, sim, ele gostaria de voltar a vê-la.
No dia seguinte Carolina acordou cedo, a brisa estava fria e ela vestiu uma camiseta de mangas compridas, desceu até o quintal e sentou-se no balanço vendo o sol nascer ao longe com os primeiros raios do dia. Pensou em Daniel e tomou uma decisão, precisava evitar estar com ele, de todas as pessoas naquela cidade, quem mais tinha o poder de mexer com o seu coração era ele, na verdade, de todas as pessoas ele era o único que ela sabia que poderia devastá-lo novamente. Fechou os olhos e admitiu para si mesma que não suportaria perdê-lo, por isso seria melhor se afastar agora, enquanto ainda era tempo. Lembrou do toque dele aquele dia do lado de fora do bar e de quando deitou ao seu lado no telhado do prédio, vendo as estrelas, lembrou principalmente dos lábios dele naquele dia na praia, quando ficaram sozinhos, de como seu coração se iluminou como se tu estivesse finalmente bem. Mas ela não podia se iludir, por mais que ele a tivesse feito acreditar que precisava continuar, seguir em frente, por mais que Nathália e sua tia tinham dito a mesma coisa, ainda não se sentia confortável com isso, se algum dia algo acontecesse com ele, ela simplesmente se quebraria, e já conhecia muito bem a sensação de estar quebrada para deliberadamente aceitar senti-la novamente.
Ela lembrou então do garoto que conheceu na praia na noite anterior, ele parecia legal, tinha falado com ela de um jeito normal, inclusive a fez sorrir, era fácil sorrir quando aqueles milhares de pensamentos se afastavam de sua mente e quando estava com Daniel por vezes não conseguia suprir a pergunta no fundo de sua mente “e se ele se for...”, com o garoto da praia não sentia esse medo e sabia que não chegaria a senti-lo daquela maneira, porque por mais que o tempo passasse e ela se mantivesse afastada de Daniel, ele permaneceria em seu coração e ninguém jamais conseguiria tomar aquele lugar.
Suspirou e abraçou a si mesma quando o vento soprou. Esperava que pelo menos Daniel entendesse isso e se mantivesse afastado dela. Mas era realmente isso que ela queria? No fundo, bem no fundo, mesmo sem ainda perceber ou aceitar, sabia que na verdade queria estar em seus braços novamente, vendo ele apontar constelações no céu à noite, tocando seu rosto delicadamente e sentindo o toque dos seus lábios. Fugiria com todas as forças desse sentimento, por mais que doesse, preferia permanecer distante e saber que ele estava bem, do que junto a ele e vê-lo escorregar por entre seus dedos, assim como seus pais.
Enquanto isso, em seu apartamento, Daniel preparava uma xícara de café, apoiado na pia olhou para o horizonte e pensou novamente em Carolina, na noite passada ele a viu na praia com Nathália, e depois ela ficou sentada ao lado de Eduardo, ele quis ir falar com ela, mas simplesmente ficou sentado longe, no escuro, sozinho. Ela precisava voltar a falar com as pessoas, se sentir segura novamente. E sabia que ela ainda estava magoada com ele, ou simplesmente com medo.
Já no sábado a tarde, Nathália ligou para a amiga e a convidou para ir ao bar perto da praia naquela noite, Nathália disse que Daniel não estaria tocando, e assim, Carolina aceitou. Perto das oito horas as duas saíram da casa de Carolina.
—Divirtam-se, garotas. — Ane sorriu dando tchau ao meninas, estava feliz por Carolina estar começando a se envolver com outras pessoas, a finalmente aceitar algumas amizades, apesar de pensar que ela estava chateada por causa daquele garoto, Daniel. Ane suspirou entrando novamente em casa e abraçando Martin. —Espero que ela esteja voltando a viver.
—Aos poucos ela vai, Ane. — Martin a tranquilizou.
—Ela ficou tão triste outra vez por causa do Daniel. Acho que resolveu se afastar dele, é uma pena, pude ver o quanto ele se importa com ela naquele dia em que esteve aqui. —Suspirou. —Só espero que ela saiba o que está fazendo.
Martin olhou através da janela da sala e viu Carolina se afastando ao longe junto com a amiga, as duas sorriram por algum motivo, mas até a pessoa mais despreparada poderia dizer que o sorriso da garota ainda não era totalmente verdeiro. Com certeza ela ainda estava quebrada, e, assim como a esposa, ele esperava que a sobrinha ficasse bem.
Quando estavam quase chegando ao bar, ouviram alguém chamar “maluquinha”, em seguida virando o rosto Carolina percebeu que o garoto da praia era o responsável por isso e que ele vinha em sua direção.
—Ei, olá.
—Oi.
—Eu vou pegar uma mesa pra gente, Carol. — Nathália disse e entrou no bar deixando os dois sozinhos.
—Fico feliz de encontrar você outra vez. Carol, é isso?
—Sim, legal ver você de novo também. — Ela sorriu.
—Meu nome é Eduardo, caso você esteja se perguntando. — Ele piscou para ela. — Quer dar uma volta na praia?
—Na verdade vim com minha amiga...
—Ei, olá Carolina. — Mona apareceu por ali. — Ei, Edu.
—Oi. — Os dois responderam juntos.
—Nath já chegou? — Ela me avisou que vocês viriam para o bar hoje, acho que Jenny e Annabel virão também.
—Sim, ela está lá dentro. Você poderia avisar que eu volto logo? Vou caminhar na praia um pouco.
—Claro. — Mona sorriu e deu tchau aos dois. — Divirta-se. — Disse piscando.
Carolina deu de ombros.
—Acho que podemos ir então. — disse para Eduardo aceitando seu convite.
Ele abriu um sorriso para ela e os dois caminharam lado a lado até a areia, depois seguiram conversando até sentarem próximos ao mar.
—Então, qual a sua história? — Eduardo perguntou. — Por que mudou de cidade?
Ela suspirou, não queria falar sobre o assunto.
—Minha tia mora aqui, meus pais e eu... íamos nos mudar para cá, sofremos um acidente de carro e eles... bem... — Ela não terminou de falar.
—Sinto muito. — Ele disse mas Carolina percebeu que ele não demostrou aquela pena que a fazia se sentir ainda pior. Simplesmente foi sincero. Ela sorriu aliviada.
—E você, qual a sua história?
—Nada de mais. Acho que tenho uma vida normal. Meus pais são separados, só isso, mas não chegou a me abalar tanto quando aconteceu, acho que até foi melhor para a minha mãe, pelo menos hoje em dia ela sorri de um jeito livre, antes se sentia presa e há tempos que eu não a via sorrir muito, então, se a separação fez bem a ela, eu fico feliz com isso.
—Legal da sua parte, algumas pessoas não conseguem aceitar isso tão bem.
—No começo foi estranho, mas depois que percebi que ela estava feliz, e que até meu pai ficava mais relaxado percebi que algumas pessoas, por mais que se gostem, simplesmente não ficam juntas o resto da vida.
Ficaram conversando por mais algum tempo, até que depois Carolina resolveu voltar para o bar, Eduardo a levou até lá e ela sorriu de algo que ele falou, então ele deu um beijo na sua bochecha e se virou indo embora.
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