Tequila Com Limão
13 Doce Carolina
Notas iniciais
Capítulo 12 – Doce Carolina
No domingo Sam e Greg foram embora as seis da tarde, precisavam ir ao aeroporto e pegar o avião. Na despedida os três amigos controlaram as lágrimas e Sam prometeu que voltariam para vê-la logo, Carolina deveria ir visitá-los também. Sam ainda a fez prometer que viveria e não apenas sobreviveria.
–Você me promete? – A amiga perguntou depois de ter dado um sermão de cinco minutos em Carol sobre a diferença entre sobreviver e viver. –Sei que precisa de um tempo para você, mas quero que me prometa apenas isso, não se esconda do mundo, fique mais cautelosa se realmente se sente melhor assim, mas não se esconda, não se impeça de sorrir, Carol.
–Sam...
–Não irei embora sem que você me prometa isso. – Sam olhou a amiga nos olhos.
Carolina suspirou.
–Tudo bem, eu prometo.
–Ok, se cuide. E mande um oi ao Daniel quando vê-lo novamente. – Sam sorriu.
–Se! Se eu vê-lo, e se eu falar com ele!
Sam riu e entrou no táxi que os levaria ao aeroporto, Greg deu um último abraço em Carolina e falou baixo.
–Sei que a Sam é meio maluca as vezes, e que ela não me ouça dizendo isso, mas concordo com o que ela te disse, Carol, não se esconda. – Ele olhou nos olhos dela.
Carolina ergueu os olhos para o amigo e viu o olhar preocupado que ele lhe dirigia.
–Sinto falta da sua risada, Carol. – Ele disse antes de olhá-la novamente. – Só... fique bem. – Terminou e esboçou um sorriso.
Carolina ficou parada enquanto o táxi se afastava com seus amigos. Sentiu uma lágrima escorrer pelo rosto e com um suspiro a secou. Era tempo de parar de chorar.
Entrou em casa e viu Martim abraçado à sua tia na cozinha, ela estava sorrindo e ele lhe deu um beijo na bochecha. Carolina subiu para o seu quarto e vestiu um biquíni, colocou um shorts por cima e uma camiseta preta. Desceu e pegou sua prancha de surf no armário de casacos abaixo da escada.
–Vou até a praia, volto logo. – Avisou a tia que estava na cozinha sozinha agora.
–Tudo bem, mas não demore, logo vai escurecer. – A tia disse lhe dando um sorriso.
Carolina saiu da casa e percorreu o caminho até a praia, lembrou-se dele com mais facilidade do que imaginava e quando chegou, sem esperar duas vezes correu com a prancha para o mar. Aquela era uma linda hora para surfar e ela sentiu seu coração bater mais forte quando deu braças na água fria, percebeu então como sentiu falta daquilo e como o precisava.
Não pegou nenhuma onda, apenas remou com a prancha até ficar distante da praia, o mar estava bastante calmo, ficou sentada olhando a imensidão azul à sua frente e o sol fazendo seu caminho para se por, aquela definitivamente era sua hora preferida do dia. O melhor de todos os momentos. Quando o sol baixava no horizonte e a única coisa à sua frente era o mar limpo, azul e sem fim. Completamente livre.
De repente sentiu que não estava só, a sensação durou um instante e então ela olhou um pouco para a direita para ver uma prancha se aproximando e Daniel nela. Assim que chegou ao lado de Carolina ele sentou-se como ela e a olhou por uns instantes antes de falar.
–Então além de admirar o mar com um sorriso lindo no rosto você também adora o pôr-do-sol? – Ele falou.
–É a melhor hora do dia. – Ela disse virando o rosto e observando Daniel.
Ele falou olhando para o pôr-do-sol a sua frente com um sorriso discreto no rosto. Carolina o observou rapidamente, sem camisa, abdômen definido e braços fortes, uma bermuda até os joelhos e os cabelos molhados e revoltados.
–Uau, sem nenhuma cortada hoje? – Ele brincou e virou-se para olhá-la.
–O que está fazendo aqui?
–Acho que falei cedo demais... – Ele deu uma risada leve. –Só vim ver o sol se pôr, ué. – Deu de ombros. –Pode guardar as armas, não vim implicar com você ou seja lá o que você ache que vim fazer. Também acho essa a melhor hora do dia. – Falou e voltou a olhar para o céu.
Carolina respirou fundo e decidiu se controlar, não queria se aproximar dele, não queria um novo amigo muito menos alguém que significasse ainda mais, o problema é que toda a vez que ele se aproximava ela sentia o coração acelerar e ele parecia tão a vontade ao lado dela, a olhava como se pudesse ver dentro de sua mente, como se visse sua alma, desde a primeira vez na duna e só haviam se visto uma segunda vez depois. Mesmo assim, quando ele a olhava era como se enxergasse além.
–Acredito que todos os dias tenham um momento que é o mais especial de todos, sabe? O dia pode ser uma incrível porcaria, mas sempre existe um instante que faz todo o resto valer a pena, um instante perfeito. – Daniel falou – Esse é o momento do dia de hoje.
Ele sorriu enquanto Carolina pensava nas palavras dele. Ela concordava.
–Aquele dia no bar, mais cedo eu já havia escolhido um momento quase como esse como o momento perfeito do dia, mas tive que mudar de opinião mais tarde. – Ele ainda sorria, Carolina o encarou.
–Sério? Eu não acho que trocaria uma vista como essa por qualquer outro momento. – Carolina falou. – Qual foi o seu momento perfeito naquele dia então?
–Quando vi você no bar. – Ele disse e mordeu o lábio. – Não estou dando em cima de você – acrescentou quando percebeu que ela estava virando os olhos – É só que, fiquei realmente feliz em te ver lá. E também gostei de como sorriu com seus amigos. Você realmente deveria sorrir mais.
–Por que diz isso?
–Porque sorrir ajuda. – Ele disse e a olhou, novamente Carolina imaginou que ele podia sentir tudo que ela sentia.
–As vezes eu queria gritar. – Ela confessou baixinho. – Acho que ajudaria mais.
–E por que não grita? Não tem mais ninguém por aqui. – Falou dando de ombros.
–Está maluco? – Ela o olhou e um riso fraco saiu de sua garganta enquanto ela balançava a cabeça, aquele garoto parecia mesmo maluco.
–Vamos, eu também estou precisando gritar, vamos gritar juntos. – Ele disse. – No três!
Carolina olhou para ele com uma sobrancelha erguida e ele começou a contar.
–Um, – Ela ainda estava atordoada – dois, três! Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!
–Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! – No três gritaram juntos.
Daniel abriu os braços e Carolina fez o mesmo jogando a cabeça para trás e se permitindo extravasar.
Quando pararam ela olhou para ele e riu, riu preguiçosamente por alguns instantes e ele acompanhou, e para ela, aquele foi o melhor momento do dia, com toda a certeza.
Ficaram em silêncio durante alguns minutos vendo o sol terminar de descer e beijar a água do mar, calmo e terno, doce e suave como o beijo de boa noite de uma mãe em seu filho.
–Acho que é hora de voltar para casa. – Carolina falou virando a prancha e começando a nadar de volta para a praia, Daniel a acompanhou. Já na areia ela parou de frente para ele mordendo de leve o lábio inferior. Levantou a cabeça e o olhou nos olhos – Obrigada.
–Tudo pelo seu riso. – Ele disse olhando nos olhos dela e depois acrescentou divertido – Quando precisar gritar novamente conte comigo, foi realmente bom apesar de você quase ter me deixado surdo.
Carolina ia protestar mas ele piscou o olho mostrando que era só uma brincadeira e ela balançou a cabeça com um pequeno sorriso, virou as costas e saiu andando. Quando já estava a uns cinquenta metros ele gritou e ela se virou.
–Até mais, Doce Carolina! Foi um prazer gritar com você!
Sem perceber outro sorriso se formou nos lábios dela e ela voltou a caminhar enquanto as estrelas começaram a brilhar no céu.
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