Tequila Com Limão

14 Respirando


Notas iniciais
Oi pessoas bonitas que moram no meu coraçãozim *-* Adivinhem o que estou comendo enquanto venho trazer-lhes mais um capítulo quentinho de tequila? Um passatempo, isso mesmo, aquela delícia de bolachinha maravilhosa que com coca-cola me leva a loucura (só me falta a coca no momento) então, agora que deixei vocês com fome, podem devorar o próximo capítulo! MUHAHAHAAH nos vemos lá em baixo! :)

Capítulo 13 – Respirando

Na segunda-feira de manhã, Carolina abriu os olhos e respirou fundo, não tinha a mínima vontade de ir para a escola, pelo menos aquele era o último ano e só faltavam mais alguns meses, ficou pensando nisso um pouco até perceber que tinham se passado quase quinze minutos e que ela estava bastante atrasada. Vestiu uma calça jeans e uma camiseta do Led Zeppelin, calçou seus tênis e pegou a mochila, ia abrir a porta quando sua tia Ane bateu.

–Carol, você está atrasada, achei que já tivesse saído... – A tia falou.

–Sim, desculpe, já estou indo. – Ela respondeu acenando com a cabeça.

–Tome um café primeiro, vou ligar para a escola e avisar que chegará alguns minutos atrasada, não se preocupe. – A tia sorriu e desceu para a sala.

Carolina tomou uma xícara de café e depois saiu dizendo tchau para a tia, estava acostumada a ir a pé para a escola agora e apesar de estar atrasada estava caminhando normalmente. Uns minutos a mais uns a menos, que diferença faria? O mundo não iria acabar só porque ela chegaria um pouco atrasada na escola. Ao perceber isso Carolina se sentiu um pouco mais livre, era acostumada a ter tudo programado, nunca chagava atrasada na escola, sempre fora responsável, não bebia, não fumava, muito menos usava drogas, não infringia as regras. De alguma forma chegar atrasada, apesar de bobo, lhe pareceu uma coisa boa. Diferente do seu antigo ''normal''. E ela adorou. Ela não tinha problemas com ser responsável, não achava aquilo ruim, simplesmente gostou de fazer algo diferente, sem se preocupar com o que aconteceria em seguida.

–Ei, Carolina! – Ela ouviu uma voz chamá-la do outro lado da rua, estava quase em frente a escola já. Ergueu os olhos e viu Daniel. Parou na calçada. – Onde está indo? – Ele perguntou já atravessando a rua.

–Para a escola. – Ela respondeu apontando o colégio.

–Uhm, sério? Em que ano você está? – Ele perguntou virando um pouco a cabeça de lado, ela percebeu que ele tinha a mania de fazer aquilo.

–Terceiro. – Respondeu olhando para ele agora, porque ele estava ali? – O que você está fazendo aqui?

–Indo trabalhar. – Daniel deu de ombros. – Trabalho em uma construtora algumas quadras daqui... Como eu nunca vi você indo para a escola antes?

–Ah, eu estou atrasada hoje, uma meia hora já. – Ela disse consultando o celular.

–Você não parece preocupada com isso. – Ele ergueu uma sobrancelha.

–Não estou. – Ela deu de ombros.

–Então não preciso deixar você ir não é? Podemos ficar conversando aqui? – Ele sorriu.

–Você não disse que tinha que trabalhar? – Agora quem ergueu a sobrancelha foi ela.

–Certo. – Ele riu. – A gente se vê algum dia de novo? Quer ir ao bar na sexta? Vou estar tocando...

–Eu, hum... Não sei, vou ver. – Ela falou ainda um pouco confusa, tinha sido pega de surpresa por Daniel ali na rua e agora ele já estava lhe convidando para ir ao bar vê-lo tocar.

–Ok. Vejo você qualquer hora então. – Ele sorriu. – Boa aula.

– Obrigada. Bom trabalho para você. – Ela falou e logo em seguida virou e foi para a escola.

No intervalo da aula Nathália foi falar com Carolina, não haviam se falado desde a primeira vez que tinham conversado, Nathália quis dar espaço para Carolina se aproximar caso quisesse, mas aquele dia percebeu que a garota chegou atrasada e foi falar com ela.

–Olá. – Nathália disse parando em frente a mesa que Carolina ocupava na cantina. – Posso sentar aqui?

–Oi, claro. – Carolina assentiu. Ela sempre pegava uma mesa bem ao canto no refeitório, assim ninguém a incomodava ou sentava com ela. Ela preferia ficar sozinha, mas gostou de ver Nathália outra vez.

–Se você quiser a matéria da primeira aula depois emprestada, pode pegar comigo, vi que chegou atrasada... – Nathália disse mordendo seu sanduíche.

Era tão bom que alguém conversasse com ela como se ela fosse uma pessoal normal e não uma órfã que precisava de pena. Desde o acidente todos a tratavam como se ela fosse quebrar com qualquer palavra mais dura, aquilo era horrível, só fazia com que Carolina se sentisse ainda mais afastada de tudo. Algumas pessoas haviam conversado com ela na escola durante a semana e todas eram tão cuidadosas com o que diziam que chegava a irritá-la, os próprios professores a tratavam com mais cuidado que o normal. Ela detestava que a vissem como uma pobre vítima, fingindo que sabiam o que ela sentia. Ela estava sofrendo, sim, mas não precisava da compaixão de ninguém.

–Obrigada. Vou querer sim. Dormi demais...

As duas comeram e conversaram um pouco durante o lanche, depois foram juntas para a sala de aula. Nathália gostava muito de livros e filmes, assim como Carolina e elas se mantiveram nesses assuntos, o que para Carol foi realmente bom, ao lado de Nathália ela sentia que podia respirar, a garota não tentava cuidar o que dizia, como se falar sobre a morte de algum personagem de livro ou filme fosse fazer com que Carolina chorasse.

Depois das últimas aulas, Carolina saiu da escola e voltou para casa. Assim foi durante o restante da semana, ela não encontrou mais com Daniel e só falou mais uma vez com Nathália, para agradecer por ela ter-lhe emprestado o caderno para copiar a matéria e devolvê-lo. Não queria se envolver, mesmo sabendo que Nathália a compreendia.

Na sexta-feira estava deitada em sua cama quando seu celular tocou, pego o aparelho e a tela mostrava o nome e uma foto de Sam, atendeu.

–Sam? – Carol atendeu feliz.

–Ei, Carol. Como você está? – A amiga perguntou do outro lado da linha.

–Tudo indo.

–Como assim tudo indo? Quero mais do que isso? E o gatinho? Encontrou ele de novo? Já saíram alguma vez? Você não liga para me dar as notícias! – Ela reclamou.

–Encontrei ele na praia e na frente da escola esses dias... E não, não saímos e nem vamos sair, Sam, pare com isso.

–Por que não? Carol você precisa se divertir, me passe o número do celular dele, preciso dar alguns conselhos ao Daniel. – Ela falou rindo.

–Não tenho o número do celular dele e me divirto muito sozinha, agora mesmo estava apreciando a textura do meu travesseiro.

–Você me deprimi, Carolina. – Sam falou do outro lado da linha fazendo uma careta. – Estou falando sério, quero que se divirta e o Daniel é super gato, e está afim de você...

–Ah, você percebeu que ele está afim de mim só porque ele veio falar comigo aquele dia no bar? – Carolina virou os olhos. – Eu não estou afim dele, Sam, e você sabe que não quero novas amizades e não tenho a mínima vontade de sair de casa, estou muito bem assim, não tem porque se preocupar.

–Carol! – Sam protestou. – O que eu falei sobre viver e não sobreviver?! Você sabe que estou umas doze horas longe de você, como acha que me sinto sabendo que não posso ir aí e chutar essa sua bunda da cama? – Carolina deu uma risada leve – Ah, você está rindo agora?! Pois saiba que não posso ir até aí lhe dar um chute mas posso te ligar a noite toda até você decidir levantar a bunda da cama e ir ver o Daniel tocar no bar.

–Como você sabe que ele me convidou para ir ao bar vê-lo tocar? – Carolina ficou confusa.

–Ele te convidou para ir vê-lo tocar? – Sam gritou do outro lado. – Eu não sabia! Ele convidou você, Greg e eu aquele dia, para irmos vê-lo outra vez, não lembra?

–Ah. – Carolina fez uma careta, sabia que a amiga não iria parar agora até que ela saísse de casa.

–Já levantou da cama e está colocando alguma roupa bonita? Eu espero que sim, ou senão...

–Ok, Sam, você venceu. – Carol disse levantando da cama. – Pronto, já estou em pé.

–Certo, vou desligar então, você vai se arrumar e vai ir até aquele bar. – Ela fez uma pausa. – E me ligue depois, quero os detalhes do beijo.

A amiga desligou antes que Carolina respondesse. Carol fitou o celular com uma sobrancelha erguida depois sorriu. Sentia falta da sua melhor amiga maluca. Sam tinha o dom de animá-la quando seu travesseiro parecia o melhor lugar do mundo.

Pegou uma calça jeans e a vestiu, colocou uma blusa preta sem detalhes e se olhou no espelho. Nada de maquiagem ou qualquer coisa a mais, só lavou o rosto no banheiro e acrescentou um pouco de perfume, colocou um tênis e desceu.

–Tia, vou sair. – Avisou.

–Onde você vai? Quer que seu tio lhe leve?

–Em um bar-karaokê, fica na rua da praia... Não precisa, vou andar.

–Oh! – A tia ficou surpresa e depois sorriu. – tudo bem, querida, mas leve dinheiro para o táxi na volta pelo menos é perigoso andar de noite sozinha... – A tia lhe deu algumas notas que tirou de um pote.

–Obrigada. – Carol agradeceu e saiu.

Andando algumas quadras, logo chegou até a rua da praia, viu o mar bonito a sua frente, o sol já tinha se posto mas não estava totalmente escuro ainda. Caminhou até o karaokê e entrou indo sentar na mesma mesa em que havia sentado com Sam e Greg no outro dia. Olhou um pouco ao redor mas não viu ninguém conhecido, se sentiu estranha por estar sentada sozinha ali quando nas outras mesas todas as pessoas tinham companhia, ou eram casais de namorados ou grupos de amigos, só ela estava só, mas não se importou com isso, na verdade percebeu que deveria se acostumar, pois era assim que iria ser dali para a frente.

O garçom deu um cardápio a ela e ela dispensou pedindo somente uma coca-cola. No palco uma garota com um rabo de cavalo tocava violão e cantava Perfeita Simetria do Engenheiros do Hawaii, Carolina se pegou escutando a música e voltando ao passado quando sentava com os pais e os amigos na praia, em volta de uma fogueira e o pai tocava violão enquanto todos cantavam juntos, e aquela música ela adorava. Depois daquela música outras vieram e ela gostou de ouvir.

–Você veio! – Carolina ergueu os olhos e viu Daniel parado a sua frente, de onde ele havia saído? Há poucos minutos ela tinha olhado para o palco, procurando-o teve que admitir para si mesma, mas não o tinha visto.

–Sam me obrigou. – Carolina deu de ombros.

–Sam é a garota que estava com você da última vez, né? E Greg? Onde eles estão?

Carolina ficou surpresa que ele lembrasse tanto de Sam quanto de Greg.

–Eles não são daqui... Tinham vindo me visitar. – Ela respondeu enquanto Daniel sentava na cadeira a sua frente e se perguntou quando havia ficado tão confortável com ele por perto? E como ela deixou que isso acontecesse?

–Que bom que veio, fiquei muito feliz.

–Não vim por sua causa. – Ela disse sabendo que aquilo não era totalmente verdade, mas Carolina queria se proteger.

–Uau, nossa. – Ele ergueu as mãos. – Você percebe que mudou de um instante para o outro?

–Não, não realmente. Não sei porque sentou comigo, não lhe convidei.

Daniel franziu a testa intrigado com aquela garota, nas duas últimas vezes que haviam se visto ela parecia um pouco mais relaxada com ele, estava até um minuto atrás e de repente se fechou novamente em seu mundo. El e a observou por uns instantes e depois levantou.

–Bom, desculpe então, não queria incomodar, só dizer um oi e que gostei de ver você novamente.

–Por quê? – Ela perguntou erguendo os olhos para ele, por que ele havia gostado de vê-la novamente?

–Não sei. Só gostei. – Ele deu de ombros. – Espero que fique mais um pouco, vou tocar logo.

Dizendo isso Daniel deu um sorriso fraco para Carolina que fez com que ela se sentisse mal por tê-lo tratado daquele jeito idiota, virou as costas e foi em direção ao lado do palco, pegando o violão e sentando-se no banquinho no centro do palco depois que a garota que tocava terminou sua música.

Em cima do palco, Daniel ergue os olhos para encontrar os da garota que estava intrigando-o tanto. Carolina estava olhando para ele e baixou os olhos assim que os dele encontraram os seus.

Aos poucos o som dos dedos dele nas cordas do violão começaram a irradiar pelo local, quando tocava Daniel se sentia tão livre, com sua alma exposta, mas gostava daquilo, sabia que se fechar em uma bolha não melhorava as coisas, sentir, de todo o modo, sentir tudo ao seu redor era o que o fazia vivo, era o que lhe trazia paz. Começou a cantar.

–Long as I remember (Desde que me lembro)

The rain been comin' down (A chuva vem caindo)

Clouds of myst'ry pourin' (Nuvens de mistério vertendo)

Confusion on the ground (Confusão sobre a terra)

Good men through the ages (Bons homens através dos tempos)

Tryin' to find the sun (Tentando encontrar o sol)

And I wonder (E eu me pergunto)

Still I wonder (Ainda me pergunto)

Who'll stop the rain (Quem vai parar a chuva?)''

Carolina reconheceu a música logo que Daniel começou a dedilhá-la. Ela adorava Creedence Clearwater Revival, Daniel também adorava. Ouvindo ele cantar Who''l stop the rain Carolina lembrou de outra noite na praia com seus pais, todas as vezes que lembrava aqueles momentos sentia vontade de chorar, mas pela primeira vez, ouvindo Daniel cantar uma das músicas que sua mãe mais gostava, não houve aperto em seu peito. Seus pais estavam mortos, mas naquele momento, ela pode senti-los em seu coração.

Carolina olhou para o palco enquanto Daniel iniciava a segunda parte, ele estava de olhos fechados com uma expressão triste em seu rosto, parecia tão ligado a música que Carolina se perguntou se ele já havia perdido alguém, como ela perdeu. No final da música Daniel abriu os olhos, encarando diretamente Carolina, ela sentiu seu coração acelerar, era como se ele tivesse tocado sua alma naquele instante e aquilo a assustou profundamente. Não queria fazer novas amizades, não queria criar laços. Não podia se apaixonar. E mesmo assim, continuava olhando Daniel nos olhos.

Notas finais
Olá novamente! Não esqueçam de deixar sua escritora querida e esfomiada feliz, para isso é fácil fácil, recomende, favorite e comeeente a Tequila *---* E da próxima eu penso se dou uma bolachinha para vocês u.ú IASDHASIUDHS beeijo gente