Tentativas de Poesias
14 Minoria
É aquela piada na sua boca
Toda vez que seu amigo vem de rosa.
É aquela sua amiga louca
Que qualquer coisa fica nervosa.
A pele escura pulsante,
Um som de asneira,
E aquela tua voz irritante
Dizendo "mas é só brincadeira".
É aquela mulher tao jovem
Que ja foi expulsa da familia.
São as dores que nos movem
Nas noites de vigília,
São os fetiches alheios
Selecionadas de acordo com tua beleza,
São todos aqueles anseios
De tentar esconder tua tristeza.
É a lagrima da mãe ao descobrir,
É a tua amiga que não quer mais te encontrar,
É a "sapatona" que você tem que ouvir,
A corrente que precisa carregar.
E tem a negra, a guerreira.
Aquela "globeleza" uma vez por ano
É uma luta pela vida inteira
Pra tentar ser tratada como um ser humano.
Um branco, um nobre, uma pessoa,
Não é questão de caráter ou escolha.
É a raiz de tempos tão antigos,
É a rotina de tentar desconstruir os amigos,
É o político tentando acabar com você.
É a rotina de tentar sobreviver.
No trabalho, a mesma coisa:
A lésbica esconde,
A negra obedece.
Um lugar tão preconceituoso,
Mas por dinheiro a gente esquece.
Uma olhar asqueroso no final do corredor,
Uma fofoca de fim de semana,
O jeito e aguentar a dor
E fingir que ta tudo bacana.
Fingir que não escondem a carteira quando ela se aproxima,
Fingir que não a xingam quando se despede da namorada,
Aceitar que ela nunca estará por cima
E que a outra nunca sera respeitada.
Mas é assim, elas tem que lidar.
Na verdade é uma dádiva poder trabalhar.
Mesmo quando a confundem com a faxineira
E quando seu relatório "não é bom o suficiente".
O dia inteiro ouvindo como é grosseira
Quando nunca quis ser diferente.
Todo mundo adoraria nascer hétero e branco,
Mas infelizmente não é assim,
Temos que nos equilibrar nos barrancos
Pelo menos até o nosso fim.
A única igualdade verdadeira então
É quando são só ossos num caixão.
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