Tengen Toppa Gurren Lagann - Renascimento
12 Capítulo 12: Promessas entre pai e filho
Luno abriu os olhos e percebeu que estava em um lugar estranho. Eram paredes brancas como neve. Uma sala muito bem cuidada e praticamente intocada. Achou muito estranho estar em um lugar daqueles. Procurou por alguma saída, quando viu uma cadeira, com alguém sentado. Usava um vestido de noiva, branco e reluzente, camuflando-se naquele ambiente. Quando chegou mais perto, viu que era Solvie que estava na cadeira. Ele ficou assustado e foi falar com a mãe:
– Mãe, o que está fazendo aquí? Que lugar é esse?
Nenhuma resposta. Solvie não estava bem. Luno percebeu isso e perguntou:
– Mãe, o que aconteceu com você...?
Nenhuma resposta novamente. Ela parecia vazia por dentro. Não tinha brilho algum nos olhos e olhava para baixo apenas. Parecia uma boneca, com os lindos cabelos cuidados e um vestido de princesa. Era como se algo tivesse lhe sugado a vida e deixado apenas a casca oca de algo que um dia foi vívido. Luno ficou chocado ao ver aquílo. Quando no silêncio daquele salão vazio ouviu uma voz muito baixa vinda dos lábios de Solvie:
– Se foram para sempre...se foram para sempre...
Luno ouvia aquelas palavras e começava a fazer perguntas a Solvie, que apenas repetia as coisas que falava:
– Quem se foi, mãe?! Quem?!
Ouviu-se então uma outra voz vinda de trás de Luno:
– Vocês. Filhos ingratos que sequer conseguem cumprir os deveres com quem ama.
Aquela voz era familiar. Luno encheu-se de raiva e rapidamente virou, correndo em direção ao homem, Simon, que estava falando. Começou a correr a toda a velocidade para lhe desferir um soco:
– Seu desgraçado filho-da-mãe!!!
Quando iria acertar Simon, ele desaparece em uma sombra que surgira do nada e reaparecia, agora do lado de Solvie e com Lily, apavorada, também em um vestido branco e do lado dele. Simon continuava a falar seus insultos:
– Está bem na minha frente e não consegue sequer me tocar. Você é patético, digno de pena e desgosto.
– Cale a boca! O que você fez com a mamãe e que lugar é esse?! Fale logo ou eu vou te arrebentar!!
Simon ria da ultima frase:
– Ahahahaha! “Me arrebentar”? Quem diabos você pensa que sou? Eu sou aquele que vai destruir toda a raça Espiral e trazer segurança novamente a esse Universo.
Luno se irritava cada vez mais e mais:
– Seu...!
Antes que pudesse continuar, foi interrompido pelas explicações de Simon:
– Esse lugar é o mundo em que você vive. Um mundo vazio, inváriavel e inutil. É a mente de sua mãe, que não vê mais razão em querer continuar. É a mente da sua irmã, que perde as esperanças de poder ser alguém para aqueles que ela ama. É a sua mente, que vive em ilusões e fantasias para fugir da realidade que o assola, dos seus objetivos banais e do seu medo de ser incapaz e virar apenas uma incógnita, sem valor para ninguém. Vocês caminham para o fim sem nenhuma objeção. São vendados pela esperança de poder melhorar tudo, quando na verdade são como gado seguindo para o abate. É esse mundo que você quer defender, Luno? Um mundo oco, sem vida e sem objetivo?
Luno não conseguia entender o que Simon queria lhe dizer. Era complexo demais para que fizesse sentido. Enquanto ele tentava não se levar pelas palavras de Simon, Lily gritava para ele:
– Luno, não ouça o que ele está falando! Ele só quer te confundir!
– Ora, minha filha, por que falar essas coisas? Isso é apenas a verdade. Não importa o que vocês façam, a verdade sempre irá passar por cima de vocês.
Ele pegava o rosto de Solvie pelo queixo, delicadamente, e olhava para aqueles olhos opacos e para aqueles lábios sem coordenação, falando:
– É uma pena que tudo tenha que tomar esse rumo. Adoraria estar continuando a viver em um mundo onde as pessoas pudessem confiar na esperança. Eu vivi todo esse caminho que vocês hoje percorrem e vejam onde eu estou. Vocês irão se tocar que esse caminho leva apenas a um fim e irão contra a sua própria raça e a história irá se repetir e perpetuar, até o dia em que a vitória seja dos Anti-Espirais ou até o dia em que for tarde de mais para o Universo.
Luno ouvia tudo aquilo com atenção, quando abriu os olhos e falou em tenaz confiança:
– Você está errado. Nos sempre poderemos seguir sem medo, pois a nossa força está na nossa esperança. Mais do que isso, está na nossa capacidade de confiar uns nos outros. Você apenas confia em você mesmo e nas suas besteiras sobre o Universo. O nosso mundo pode ser tudo isso que você falou, mas tem uma coisa que o nosso mundo tem e o seu não.
Simon parecia se interessar por aquela conversa:
– E o que seria?
– Um futuro.
– O futuro do seu mundo é a ruína e a destruição.
– O meu futuro é a paz e a felicidade. Um mundo como o seu será um mundo morto e sem sentimentos. Será um mundo onde as pessoas não aprenderão a viver como se deve...
Ele enchia os pulmões de ar, e gritava, com toda a força do seu corpo e de seu coração:
– ...SERÁ UM MUNDO ONDE AS PESSOAS APENAS VIVERÃO PARA AGUARDAR A MORTE, POIS A VIDA SE TORNARÁ SEM NENHUM SENTIDO PARA ELAS!! É ESSE O MUNDO QUE VOCÊ QUER, SIMON?!?!
Simon ficou quieto, enquanto olhava para Luno ofegando de tanto gritar. Ficou incomodado por ouvir as palavras de Luno, que o atingiram, mas em pouco tempo a irritação tornou-se adrenalina e ele abriu um sorriso parecido com o de Luno, porém mais sinistro:
– Hehehe...AHAHAHAHAHAHAHA!!
Gargalhava com muito gosto. Luno não entendia o motivo, o que o fazia ficar com mais raiva, achando que fosse mais uma maneira de deboche. Simon parava repentinamente e continuava a falar:
– Como esperado do meu garoto! Sabia que esfregar a verdade na sua cara não ia te deixar para baixo! Devo lhe dizer, me sinto na obrigação de te mostrar toda a besteira que você está fazendo continuando a ir contra mim, mas de maneira alguma eu quero que você desista. É você que vai fazer tudo isso ser desafiante e divertido.
Luno não conseguia entender Simon falando daquele jeito mas ao mesmo tempo compreendia aquilo que ele estava querendo dizer. Aquele sentimento carregado em usas palavras. Simon soltava Lily de seus braços e andava em direção a Luno, com os passos ecoando em cada canto, junto a sua voz:
– Você fez uma promessa para defender esse mundo, não fez? Prometeu cumprí-la, mesmo que custe sua vida. Isso é admirável e me enche de orgulho, porém me deixa bastante triste. Até porque...
No meio das passadas, ele instantemente aparecia do lado de Luno, falando baixo em seu ouvido:
– ...Eu também fiz uma promessa e pretendo alcançá-la até o final. Não posso deixar ninguém atrapalhar o meu caminho.
Ambos ficaram parados, de cara para os ombros do outro. Era como se o tempo parasse naquele instante. Solvie e Lily eram como parte das paredes do grande cenário vácuo que continha apenas Luno e Simon. Pai e filho, se rejeitando e se atraindo ao mesmo tempo. Luno abriu um sorriso e começou a propor ao pai:
– Então eu tenho mais uma promessa para você.
Simon estava empolgado:
– Sou todo ouvidos. Pode falar.
– Eu prometo que não vou fugir, fraquejar nem coisa do tipo na hora da luta. Você espera de mim um desafio. Pois bem, um desafio eu vou lhe dar. Do jeito que você gosta e do jeito que você merece. Mas em troca, me responda uma coisa.
Simon estava muito animado ao ouvir aquilo, mas ficou intrigado pela pergunta. Estava curioso para que o filho lhe fazia essa surpresa, quando ela foi dita:
– Se você me vencer e exterminar os seres Espirais do universo, o que pretende fazer depois?
Simon achou aquilo interessante e expressou sua incerteza com muita certeza:
– Heh. Sei lá. Não é como se fosse me sobrar muita coisa para fazer depois.
– Hehe. Foi o que eu pensei. Acho que somos pai e filho, afinal.
Simon estava bastante surpreso com toda aquela conversa. Se sentia como o homem que foi quando lutou contra aqueles que agora apoiava. Era como se estivesse revivendo aqueles velhos tempos, mas agora lutando contra aqueles que adimirava, o que lhe dava ainda mais confiança e vontade de lutar do que contra um inimigo que deseja afastado.
Simon se afastava e aparecia do lado de Lily e Solvie em questão de milésimos de segundo. Ele começou a falar, agora com mais leveza em sua voz:
– Está na hora de eu ir. Foi uma boa conversa que tivermos agora. Esta será a ultima vez que nos veremos antes do tão esperado dia. Espero que você cumpra sua promessa no campo de batalha, pois pode ter certeza que eu vou estar lutando sério pela minha. Me prove que você quer realmente proteger este mundo!
Enquanto Simon falava, uma aura negra encobria Lily, Simon e Solvie. Aos poucos, ia os consumindo e os apagando de vista. Lily começou a ficar desesperada e gritava para o irmão:
– Luno, socorro!! Me tira daqui, maninho!!
Luno estava animado com o que Simon lhe dissera, mas em um instante aquilo mudou. Ele correu, mais desesperado que Lily, tentando alcançar os 3:
– Simon, deixe elas irem!! Lily, mãe!! Eu vou salvar vocês!!
Lily esticou os braços para que o irmão pudesse pegá-la, enquanto Solvie ainda estava parada e sem vida. Lily gritava, enquanto chorava de medo que fosse levada por Simon. Soltava seu ultimo grito, como o uivo do cão que não iria resistir ás suas feridas:
– MANINHO, ME TIRA DAQUI!!!
Ele continuava correndo desesperado para salvá-la:
– Eu vou salvar você!! Aguente firme Lily!! Lily...!
Estava quase pegando as mãos da irmã. Faltavam milímetros para tocá-la. Gritava seu nome, como se ele fosse ajudar a alcançar sua irmã, como ultimo recurso:
– LILY!!!!!!
De repente, sentiu uma forte dor. Recebeu uma fortíssima pancada no rosto, que o arremessou ao chão. Estava tonto pelo impacto e não conseguia ver as coisas claramente, mas arranjou forças para levantar e ver o que estava acontecendo:
– Lily, eu vou...!
Mal virou o rosto e recebeu mais uma forte pancada e agora sua cabeça estava prensada na parede. Não fazia a menor ideia do que estava acontecendo, quando ouviu uma voz muito raivosa, que Luno notou na hora que era de Viral, quase gritando:
– Ei ei ei, será que da pra você calar a porcaria da boca?! Você ficou a droga da noite INTEIRA gritando “Lily Lily Lily”! Se você quer que agente saia vitorioso, então FECHA ESSA MATRACA E DEIXA OS OUTROS DORMIREM!!!
Luno empurrou o pé de Viral para longe e olhou a volta. Estava no quarto com ele. Não tinha percebido que estava acordado:
– Já é de manhã...? Caramba, nem percebi. – Ele bocejava ao terminar.
– Sim, já é de manhã e eu não dormi nada essa noite por culpa sua!! Eu estou cheio de coisas pra fazer, tenho que me preparar para a luta e você tem a cara-de-pau de me incomodar e ficar tranquilo por isso!
– Ei, Viral, me desculpe. Eu realmente não queria te incomodar, mas o que eu posso fazer se eu falo enquanto durmo?
Viral ainda estava irritado. Luno sabia que ele ficaria assim o resto do dia:
– Coloca um esparadrapo na boca! Quem sabe assim você não desiste de falar uma vez por todas. E vou já te avisando, se eu ouvir você falando enquanto dorme de novo, pode ter certeza que quem vai colocar um esparadrapo na sua boca serei eu!
Luno não queria ficar ouvindo mais e mais sermões de Viral, mas não perdia a chance de devolver:
– Ok, ok, já entendi! Não precisava ter que me dar chutes na cara pra eu me lembrar de alguma coisa que você fala, sabia?! Agora vai escovar essas presas porque eu sinto o cheiro de carniça daqui.
– Ora, seu...! – Estalava os punhos enquanto chegava mais perto de Luno.
Viral ia lhe dar mais um soco, quando Lily apareceu correndo e abriu a porta do quarto bruscamente. Ambos pararam e olharam para ela. Se não fosse por Lily, Luno teria que fazer mais um tratamento na maquina de Leyte, ele pensou. Viu que ela estava assustada, e quando viu Luno, começou a chorar:
– Maninho...Maninho...!
Ela corria em direção a Luno, que ainda estava caído no canto do quarto. Ela se jogou no corpo do irmão, abraçando e segurando cada pedaço da roupa dele que desse:
– Você está bem, graças a Deus! Achei que nunca mais iria te ver!
Luno ficou confuso, e perguntou para a irmã:
– Eu? Sumir? Do que você está falando, Lily?
– De Simon. Ele estava comigo e com a mamãe, falando com você naquele salão branco, quando ele começou a nos levar em alguma sombra.
Luno ficou assustado. Não conseguia imaginar que ele e sua família estavam todos interligados por um único sonho:
– Então quer dizer que...!
– Sim. Simon deve ter planejado essa visita. – Ela se soltava do irmão, agora frente-a-frente com ele.
– Mas a mamãe devia estar inconsciente. Vamos perguntar a ela o que ela sonhou.
A irmã concordou. Ambos se dirigiram para o quarto das duas, e quando viram, Solvie estava sentada na cama, alegre e sorridente:
– Ah, bom dia Luno. Bom dia Lily. Como passaram a noite?
Luno foi brusco e perguntou sério, ignorando a mãe:
– Mãe, nos diga o que você sonhou essa noite.
Solvie não estava entendendo aquilo tudo:
– Hmm...? Pra que você precisa saber? E por que vocês estão tão sérios? Aconteceu alguma coisa?
Luno estava impaciente:
– Mãe, não temos tempo para essas coisas. Responda a minha pergunta logo!
Solvie estava assustada com a atitude rude do filho. Começava a se preocupar ainda mais:
– Filho, você esta agindo estranho...está me deixando com medo...
Lily, não gostava de ver Luno nem a mãe daquele jeito e tentou melhorar a situação:
– Luno, pare com isso! Só vai deixar a mamãe preocupada! Mãe, algo muito estranho aconteceu essa noite e precisamos que você nos diga o que sonhou. Pode estar relacionado com os Anti-Espirais.
– O-Ok...se você diz.
Lily suspirou e começou a falar tudo aquilo que se lembrava:
– Foi um sonho muito bonito, na verdade. Sonhei com o dia em que eu e Simon nos casamos. Foi exatamente como no dia. Fomos a uma pequena capela, em um vilarejo subterrâneo, longe da cidade, que ele conhecia. Qual era o nome mesmo...? Adai...? Isso, Adai. Lá estava eu, vestida de noiva, Simon de smoking branco também, meus pais e alguns amigos também. Um senhor muito, muito velho celebrou a cerimônia. Era o líder do vilarejo, eu acho. Trocamos alianças, nos beijamos, comemoramos todos juntos. Ai, foi tudo maravilhoso para mim. Do jeitinho que eu me lembro!
Luno quase dormia, enquanto Lily estava encantada com a história. Sonhava em querer viver um dia parecido com alguém que ela amasse. Antes que ela acabasse como a mãe, perdida em pensamentos fantasiosos e com o rosto levemente vermelho, ela queria saber mais sobre o sonho:
– Isso é muito bonito, mamãe, mas eu preciso que você nos conte o resto do sonho.
– Ah sim, me desculpe. Eu sempre fico desse jeito quando lembro dessa época. Continuando, foi tudo como no dia, conversamos um pouco, festejamos e quando achamos que já era hora de ir, minha família e amigos voltaram para casa, enquanto eu e Simon fomos para Jeeha, um outro vilarejo subterrâneo. Lá é a terra natal de Simon e ele disse se poderíamos passar a lua-de-mel lá, pois ele estava com saudades. Eu concordei, e fiquei com vontade de conhecer o vilarejo. Nem parecia que era um. Era gigantesco, profundo e amplo, com alguns Gurren Laganns expandindo ainda mais o lugar. Era bem iluminado, parecia que a cidade inteira era um cassino. Não que eu goste de cassinos, mas achei muito bonito. Simon me dizia que melhorou muito, desde a ultima vez que ele saiu, quando ele era criança. Naquele dia fomos para um hotel que tinha lá e passamos noites e dias...mas no sonho foi diferente.
Lily percebeu como a mãe tinha um talento para se distrair enquanto falava as coisas. Ela se lembrava de tudo, menos das partes mais importantes. Quando ela retomou sobre o sonho, pediu para que continuasse, quando Solvie voltava a falar:
– Bem, ele me levou em um lugar bastante profundo do vilarejo. Eu perguntei onde era alí, e ele disse que era a casa onde ele e o irmão viviam. Já tinha quase me esquecido que Simon foi um dos líderes da Brigada Gurren e que tinha um irmão, que a fundou. Ele queria que eu conhecesse e eu também estava curiosa. Perguntei o que mais eu veria lá dentro e ele simplesmente falou, um pouco angustiado...
“Meu mundo sem você nele...”
– ...Eu mesma fiquei um pouco angustiada com isso. O humor de Simon mudou na hora e ele parecia sentir remorso e culpa. Eu percebi que ele estava a ponto de chorar, mas segurava com todas as forças. Ele abriu a pequena porta, quando de lá de dentro, saiu um clarão, que me cegou por completo.
Luno despertou ouvindo aquílo. Sentia que o que a mãe falou levaria a alguma pista daquele quebra-cabeça e quis saber mais:
– Depois desse clarão, o que mais você consegue se lembrar do sonho?
Solvie fazia força para tentar se lembrar:
– Bem...depois disso, ficou tudo branco e eu não conseguia nem ver nem ouvir nada. Mas era estranho. Apesar que nada acontecia, tinha algum tipo de atmosfera pesada e triste. Era tão bizarro e melancólico que parecia um funeral, mas quem tinha morrido era...eu...
Luno e Lily se surpreenderam e entenderam o segredo daquilo tudo. Olhavam um para o outro e concordavam com as cabeças. Solvie não entendia, quando agora pareciam concordar ainda mais:
– Então é isso. Parece que não foi nenhum sonho comum afinal.
– Sim. Simon que nos colocou juntos naquele lugar.
Enquanto concordavam, alguém batia na porta do quarto. Lily foi atender e viu que era Yoko. Ela entrou e disse:
– Bom dia, pessoal. Solvie, será que você poderia me emprestar o Luno só um pouquinho? Eu gostaria de levar ele pra um lugar que eu acho que ele tem que ir antes que o dia acabe e não sobre mais tempo para ele ir. Por favorzinho? Juro que não vou fazer nada de errado com ele. – Ela juntava as mãos e e olhava para Solvie, fazendo cara de coitada.
– Ah, mas claro, senhorita Yoko. É bom que o Luno relaxe um pouco hoje, já que amanhã será um dia problemático. – Sorria e falava com animação.
Lily ficava vermelha de vergonha e já não via alguma coisa certa naquela história:
– E-E-Espera aí!! Você vai deixar o Luno sozinho com essa mulher?! E se ela não estiver bem intencionada?!
– Filha, que rude! Comporte-se na frente da senhorita Yoko! Ela só quer levar Luno com ela para algum lugar, só isso. E o que você quer dizer com “não estiver bem intencionada”?
– B-Bem... – Lily ficava ainda mais vermelha.
Luno não estava com muito humor para ficar ouvindo aquelas conversas e se apressou:
– Bem, isso era tudo que nos queriamos saber. Obrigado mãe. Vou indo com Yoko para onde ela quer me levar. Só vou no outro quarto me arrumar.
Solvie se lembrou que ainda não sabia o porquê de todo aquele questionário dos irmãos e voltou a perguntar:
– Mas será que da pra você me explicar o que está acontecendo?
– Não posso agora. Lily pode explicar tudo para você enquanto isso.
Ele andava para fora do quarto. Solvie apenas se despediu:
– Ok então. Tchau filho. Até mais, senhorita Yoko. Cuide bem dele, está bem?
– Deixe o “senhorita” de lado. Me deixa sem graça. Só Yoko já ta bom.
E se foram. Solvie estava feliz por poder confiar o filho a alguém como Yoko. Se sentiam já como melhores amigas.
Luno rapidamente se arrumou, e os dois andaram até fora do quartel para irem na moto flutuante de Yoko. Os dois subiram e Yoko colocou seus óculos laranja no rosto. Ligou os motores e começaram a flutuar cada vez mais alto. Quando alcançaram a altura de poder ver a Cidade Kamina quase que inteira, Yoko acelerou e como uma bala, voavam rapidamente pelo céu. Luno podia pilotar um Gurren Lagann, mas estar completamente exposto naquela altura fazia ele ficar com medo, suficiente para agarrar Yoko. Apesar que não estava muito confortável, achou impressionante voar daquele jeito. Era diferente que ver tudo aquilo do Gurren Lagann. Sentir o vento e tudo mais. Ele achou aquela sensação muito boa. Ele também estava curioso e decidiu perguntar:
– Para onde nos estamos indo, afinal?
– Logo logo você já vai saber.
Luno esperava por algo bom. Não sabia para onde iriam, mas sentia que valeria a pena. Ele olhava para o Sol, que brilhava intensamente no céu, estendia sua mão aberta, como se pudesse alcançá-lo e se lembrava do que Simon lhe dissera no sonho.
“Espero que você cumpra sua promessa no campo de batalha!”
Luno se sentia ainda mais confiante para a luta. Nunca imaginaria os sentidos que aquilo tomou em tão pouco tempo. Ele sentia vontade de rever Simon e poder finalmente saciar seu desejo de poder lutar. Ele entendia agora o que estava movendo seu coração e sua alma para o combate. Não era o Gurren Lagann. Não era a raça Espiral. Não era Lily nem Solvie, mas sim as promessas que fez a elas, a todos aqueles que confiam nele e principalmente a Simon. Ele ainda não concordava com os caminhos e com as decisões que o pai tomou, mas agora entendia seus verdadeiros motivos para continuar tudo aquilo. Entendia que a natureza do pai era a mesma dele. Ambos não estão lá pela vitória. Estão lá pelo combate, como dois homens, duas almas, duas forças colidindo por pura provação e devoção. Luno fechava as mãos, como se tivesse pego o Sol em seus punhos e pensava:
– *Não se preocupe, Simon. Cumprirei minhas promessas, mesmo que custe minha vida!*
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