Tempted
12 "lhe dê o benefício da dúvida"
Notas iniciais
***
Eu devo ser o cretino mais sem sorte do mundo! (Apesar de não acreditar em sorte). E Anastasia deve ser algum tipo de bruxa ou feiticeirazinha que veio parar nessa casa para me atormentar. A parte racional do meu cérebro dizia que era eu quem não deveria estar aqui, a final, eu não morava aqui, mas... Foda-se! Eu não conseguia imaginar como estar longe dela pudesse me trazer paz alguma.
Passei a hora do almoço tentando raciocinar sobre o que aconteceu, ou quase aconteceu, entre nós. Eu ainda podia sentir de novo, só de imaginar, os lábios de Anastasia se fechando em volta da ponta de meu dedo... E bastava pensar nisso para ter outra vez aquela vontade faminta de perder a cabeça e me deixar levar e, como eu disse, acabar indo para cima dela. Ela estava tão na minha, tão exposta (não só pelo fato de não usar mais nada além de roupas íntimas sob o lençol). Anastasia estava a ponto de ceder a essa atração que sentimos. Mas, droga! Nem eu tenho certeza de como me sentiria depois. Nunca fui amante de ninguém. Aposto que Anastasia também não. E tem certo peso ser de cara o amante da mulher do seu irmão, mesmo esse irmão não sendo de sangue e mesmo sendo Elliot.
Depois de passar um bom tempo andando de um lado para o outro, decidi tomar banho e vestir roupas limpas. Quando estava saindo do chuveiro meu celular tocou.
— Grey. – atendi.
— Sr. Grey. Aqui é Rebecca. – minha secretária informou do outro lado, desnecessariamente.
— Pois não?
— O senhor está atrasado três minutos para sua videoconferência, senhor. Eu devo informar aos sócios para esperarem? Devo cancelar a reunião? Houve algum imprevisto?
— Não, Rebecca, não cancele. Eu tive uma pequena intercorrência, mas nada demais. Informe que estarei entrando em contato em cinco minutos.
— Certo Sr. Grey.
Desliguei.
Lancei o celular a alguns metros de distância. Eu nunca, NUNCA, estive atrasado para nada que fosse relacionado ao meu trabalho. Detestei Anastasia por um breve momento por ser ela a culpada de afastar meus pensamentos das minhas obrigações, e por perturbar o equilíbrio sob o qual eu mantinha todas minhas coisas. Mas admito: logo em seguida a admirei por ter essa capacidade.
Assim, liguei o computador procurei afugentar a sensação que a lembrança de Anastasia provocava em mim. Pelas horas seguintes voltei a ser o Christian Grey, CEO. Era como voltar a colocar tudo nos eixos, sentir que eu estava no comando de uma grande empresa, que estava no comando de outras tantas. Sentir que eu tinha o poder e o dever de manter um mundo de coisas em ordem restituía minha sensação de poder e controle sobre mim mesmo. Não deixava de ser uma forma de prazer.
Apenas por um momento fui interrompido: quando Mia, que era a única na casa que entrava em meu quarto sem pedir permissão, apareceu para me mostrar os convites do casamento de Elliot. Queria saber se não estavam exagerados do ponto de vista masculino. Eu mal me dei o trabalho de abrir. Ela sabia que eu estava em conferência.
— Certo, então, seu chato! Vou lá falar com a Ana!
— Talvez não seja uma boa hora. Não a importune.
— Por quê?
Foi quando me arrependi de ter comentado. Tive que explicar para Mia em linhas gerais porque eu estava dizendo aquilo. Mas é claro, isso não a fez desistir de ir ver Anastasia, pelo contrário, só a incentivou mais. Eu tinha que voltar para a reunião e não perdi mais tempo, deixando-a ir. Assim, voltei para os “assuntos frios”.
Já pelo meio da tarde resolvi comer alguma coisa. Não tinha esperanças de encontrar Anastasia pela casa, já que ela mal estava conseguindo pisar, mas isso só me fazia ficar mais ansioso sobre revê-la. Eu definitivamente precisava ter uma conclusão para isso, uma compreensão maior de quais eram os limites dessa atração impulsiva que Anastasia despertava em mim e que, pelo que pude perceber, ela sentia também.
Eu nunca fui homem de levar problemas inacabados para casa, logo, esse assunto teria de ser esclarecido o mais rápido possível. Ora! Anastasia Steele era uma mulher! Independente da posição que ocupasse, era uma mulher, com seus atrativos que, com certeza, casaram perfeitamente com o que me atrai. Então havia nisso tudo uma parte lógica, para além da irracional. Eu só precisava ter certeza de como proceder a partir de agora. Eu teria de fazer algo para ter certeza.
***
POV Anastasia
— Vamos, atenda! – eu dizia para o telefone que só chamava repetidamente. — Vamos Elliot, seu idiota! – eu insisti pela milésima vez.
Eu estava me sentindo perdida. Perdida num âmbito em que ninguém, nem Mia ou Kate, poderiam me ajudar. Meu coração estava perturbado, absorvendo mal o impacto que aquele convite causou em mim. Por um momento parecia que ele estava me convidando para meu próprio casamento, como se eu já não fizesse mais parte do plano e precisasse voltar de novo, como se aquela Anastasia R. Steele do papel não fosse mais eu. E onde estava o amor do qual aquele parágrafo falava?
Não era como se eu não sentisse mais nada. Eu definitivamente estava sentindo alguma coisa, ou muitas coisas, mas nenhuma era objetivamente amor. Não da forma simples e fácil que eu sentia há uma semana atrás, como quando eu pisei pela primeira vez nessa casa ou como senti em Paris. Tudo dentro de mim agora estava uma bagunça e eu estava me sentindo muito, muito mal. Precisava voltar para o começo e procurar minhas certezas. E o começo era Elliot, mas o idiota não me atendia.
— Elliot, droga, cadê você? – perguntei em prantos de novo enquanto a ligação caía na caixa postal mais uma vez. — Elliot, as coisas não estão muito bem. Eu preciso que volte. Preciso que volte o quanto antes.
Deixei o recado gravado e desliguei. Não era possível que até à noite ele não visse. Mesmo que tivesse assuntos para resolver, imagino que em algum momento ele fosse parar para dormir e, antes disso, se lembrasse de mim.
Assim, larguei o celular e me sentei à mesa perto da cama. Tudo que eu tinha à minha disposição era um notebook e alguns livros o que imediatamente me lembrou o meu trabalho. Enxuguei as lágrimas e liguei o computador. Precisava encontrar algo do qual eu não tivesse dúvidas ou medo, e com certeza meu trabalho se encaixava nisso. Chequei meu email e nosso cliente havia respondido. Ele mandou de volta seu material editado por nós com as devidas observações. Abri uma cópia e comecei a analisar o conteúdo. Aos poucos minha mente foi se abrindo como um céu depois da chuva e, logo, todas minhas forças estavam voltadas para a edição.
Trabalhei naquele material pelo resto da tarde. Ao fim, enviei para o Sr. Palmer a versão do nosso cliente e a versão modificada por mim, pedindo desculpas pelo atraso e explicando meu acidente de hoje de manhã. Cerca de dez minutos depois recebi um email:
“Cara Srta. Steele,
Pelo visto nosso cliente não fez muitas objeções quanto à edição. Bom trabalho. Vou analisar as novas propostas feitas pela senhorita e liberar eu mesmo a atualização para nosso cliente, não se preocupe. Pode tirar até o fim de semana de folga. Sinto muito pelo seu acidente. Desejo melhoras
Palmer.”
O que? Folga até o fim de semana? Não! Eu quero meu trabalho! Preciso do meu trabalho!
Rapidamente digitei uma resposta:
“Caro Sr. Palmer,
Agradeço pelos seus votos e preocupação, mas gostaria de dizer que o que houve com meu tornozelo de forma alguma me impede de trabalhar. Não me entenda mal, pois lhe sou muito grata. Mas eu gostaria de ficar no nosso projeto atual até o fim.
Steele”.
“Se eu fosse meu chefe, eu ficaria orgulhosa de mim”, pensei e achei graça. Pelo menos pude achar graça de alguma coisa. Passados alguns minutos, Sr. Palmer me respondeu:
“Cara Srta. Steele,
Se você realmente insiste... Faça-me um relatório do projeto.
Palmer”.
Sorri novamente e coloquei a mão na massa. Aquilo levou as últimas horas da tarde num piscar de olhos. Assim que terminei, enviei para o Sr. Palmer. Já tinha anoitecido. Comecei a entreouvir, também, certa agitação pela casa. Menos de cinco minutos depois, a porta do meu quarto se abriu e Sra. Grey entrou.
— Anastasia! – ela exclamou arregalando os olhos para a atadura em volta do meu tornozelo. — Pelo amor de deus, o que houve com você!
Fui impelida a contar a história toda novamente, mas dessa vez ela parecia mais distante de mim, como se meu surto emocional desta tarde tivesse trazido à tona outra Anastasia. Uma que ainda não sabia definir o que estava sentindo, mas que dessa vez não estava mais a ponto de lágrimas.
— Nunca mais abuse de construções de madeira de mais de dez anos! – Sra. Grey falou ao final da minha história. — Assim que cheguei em casa e Mia me falou do acontecido eu quase tive um surto! O que sua mãe iria dizer se algo de grave acontecesse a você enquanto estava sob nossos cuidados?
Eu ri. Essa preocupação eu realmente ainda não tinha tido.
— Sra. Grey, eu não sou mais uma garotinha. Foi imprudência de minha parte.
— E foi mesmo! Mas felizmente já passou. Será que eu poderia dar uma olhada?
— Ah, claro!
Saltitei da mesa para a cama e sentei, esticando as pernas sobre o colchão. Sra. Grey delicadamente desenrolou as ataduras e atestou sua opinião.
— Deve ter batido forte mesmo. Mas não parece que houve danos mais graves. Você tomou algum remédio?
— Anti-inflamatório. Acho que já fez um pouco de efeito.
— De fato. E você também passou pomada. Bom, muito bom. Receio que não haja mais nada a fazer se não esperar desinchar totalmente. Se continuar sentindo dor ao pisar, aí sim vamos começar a nos preocupar, certo?
— Sim. Obrigada Sra. Grey.
— De nada querida. – Ela sorriu e enrolou de volta a atadura. — Então... Eu vou jantar porque não tive um plantão dos mais fáceis. Se precisar de alguma coisa não hesite em me chamar. Vou ligar para Carrick.
— Boa sorte! – falei antes de conseguir me refrear.
— Por quê?
— Elliot me ligou ontem avisando que os problemas por lá estavam sérios, que só vai poder voltar no fim de semana. Hoje liguei para ele a tarde toda e não recebi retorno.
Vi Sra. Grey assumir uma expressão tensa, mas logo depois ela se esforçou para me dar um sorriso.
— Bom, aposto como eles estão apenas tentando ser cautelosos. Vou tentar ligar do mesmo jeito. Se eu tiver novidades, aviso você.
E assim fiquei sozinha de novo. Liguei para cozinha para dispensar meu jantar. Não estava com o mínimo apetite. Como Sr. Palmer não me mandou mais email algum, desliguei o computador e fui para a cama. Definitivamente havia sido um dia e tanto. Tudo que eu precisava era dormir. Consegui usufruir umas duas horas de sono antes de ser acordada por um pesadelo onde eu estava me afogando e um leão aparecia à borda do lago, apenas esperando eu me decidir entre ficar na água e me afogar ou ir até a borda e me deixar à mercê de sua misericórdia. Quando o leão deu um passo para dentro do lago, eu acordei.
Estava levemente suada então saltitei até o banheiro do quarto e umedeci minha testa e nuca. Aproveitei para saltitar até o guarda roupa e pegar uma camisola mais fresca. Ouvi um ruído do lado de fora do quarto e me apressei em desligar a luz e voltar para a cama. Com certeza minha movimentação deve ter provocado algum ruído e perturbado o sono de alguém. Assim que deitei, alguém bateu na porta.
— Quem é? – Perguntei. Um leve formigamento vibrou em meu estômago.
— Sou eu. – Christian se anunciou entrando em meu quarto.
A luz que entrava da janela me permitia visualizar fracamente sua imagem, prateada pelo luar. Ele estava novamente usando apenas uma calça de moletom e trazia alguma coisa na mão.
— Posso entrar? – ele perguntou, mas não esperou resposta. Talvez eu nem conseguisse falar.
Christian caminhou até a lateral da cama, onde esteve hoje mais cedo, deixando a porta atrás de si fechada. Ele não acendeu a luz, o que só me deixava ainda mais sem reação.
— O que você está fazendo aqui? – perguntei e minha voz saiu um sussurro.
— Precisava falar com você.
— Ah, é mesmo? E não dava para esperar até amanhã pelo menos?
— Não. – ele respondeu secamente. — Anastasia...
— Christian... – pensei em interrompê-lo, mas seja lá o que eu tinha pensado em dizer, se esvaiu no momento em que eu me deliciei com o modo como ele disse meu nome.
— Eu não consigo esperar. Na verdade tem muitas coisas que eu não consigo desde que pus os pés nessa casa com você aqui. Mas antes de falar disso, eu quero que tome este leite.
Ele estendeu a mão em que trazia algo que eu não havia reconhecido à fraca luz e, de fato, era um copo de leite. Eu ri.
— Quanta consideração! – disse ironicamente.
— Está zombando de mim Srta. Steele? – ele perguntou largando o copo no meu criado mudo.
— Só me questionando por que você se deu ao trabalho?
— Porque desci para jantar e você não estava lá. Também soube que não comeu no quarto. Fiquei pensando se agora estaria tentando se matar por desnutrição.
— O que? – ri mais um pouco.
O formigamento em meu estômago estava virando um verdadeiro terremoto. Christian era inacreditável.
— Pelo menos está sorrindo. Acho que é a primeira vez que a faço rir, — Christian comentou quase que para si mesmo.
— Obrigada pela consideração. – me forcei a dizer já que um silêncio tenso e um pouco constrangedor se instalou depois do que ele disse. — Mas eu gostaria de saber o que você tem a dizer que não pode esperar até amanhã.
— Certo. Mas não deixe de se alimentar. – Christian disse e eu rolei os olhos. — Não faça isso de novo, Srta. Steele, ou eu posso perder meu autocontrole. – ele ameaçou em um tom de voz que despertou alguma coisa em meu baixo ventre.
— Então... – arranhei a garganta. — Você estava falando das coisas que não consegue fazer desde que coloquei os pés aqui... – introduzi para tentar tirar aquele seu olhar fixo sobre mim, mas não adiantou de nada. Eu podia ver os olhos de Christian brilhando à luz fraca que vinha de fora.
— Anastasia, tudo o que eu disser esta noite precisa ser considerado esta noite. – Christian começou a falar num tom mais grave e urgente. — Preciso de uma resposta. Preciso... Entender... Porque desde que a vi pela primeira vez, meus dias têm sido um inferno!
Arregalei os olhos. Por essa eu não esperava.
— O que você quer dizer?
— Tem... alguma coisa acontecendo... – Christian continuou. — Eu não sou, como disse naquela nossa conversa na biblioteca, do tipo de homem que simplesmente se entrega às paixões, sem calcular as consequências, mas não quer dizer que não cedo a elas quando tenho certeza do que eu quero. Ultimamente tem sido bem difícil manter controle sobre tudo. Hoje pela primeira vez na vida me atrasei para uma videoconferência de trabalho e eu queria deixar uma coisa bem clara: a culpa é toda sua.
Engoli em seco. Meu coração começou a acelerar sem freio e a latejar nos meus ouvidos.
— D-desculpa... – falei, mas Christian mal pareceu ouvir e continuou:
— Eu não tenho mais o controle da minha mente, eu não tenho mais o controle sobre meu corpo, eu não tenho mais o controle sobre as minhas paixões. – Ele falou enfaticamente, seu corpo se reposicionando alguns centímetros mais perto de mim, me colocando dentro da aura de seu perfume. — Eu estou ficando sem domínios por sua causa.
— Christian, eu sou...
— Eu sei que você é a noiva do meu irmão, sabe-se lá como, raios, isso aconteceu. Eu sei! Mas quer a verdade? No momento estou pouco me importando!
— Você deveria pelo menos se perguntar se eu me importo! – consegui dizer, respirando mais vezes que o normal.
— Eu sei que se importa. Eu sei que você não é o tipo de mulher que age contra a própria moral. Você tem escrúpulos. Mas, Anastasia, neste momento, apenas nesta noite, poderíamos esquecer isso para poder encarar o que está acontecendo entre nós de forma mais clara?
— Eu não sei se é uma boa ideia. O que você quer dizer com isso?
— Quero dizer que estou a fim de simplificar as coisas para nós dois. Porque se você se esconder atrás do título de noiva do Elliot, eu não vou poder tocá-la. Eu não vou poder dizer tudo o que tenho a dizer. Mas se for só a Anastásia...
Oh meu Deus! Não consigo mais realinhar pensamentos e emoções. Christian estava me deixando à flor da pele.
— Se eu for só Anastásia... – incentivei.
— Se você fosse só Anastásia, seria muito mais simples. Significaria que eu estou perdidamente atraído por uma mulher bem sucedida, inteligente e linda! Uma mulher que, acidentalmente, eu conheci nua bem ali, na banheira do quarto ao lado e que, desde então, tem assombrado meus pensamentos dia e noite, porque ela é simplesmente fascinante. E não haveria nada de estranho nisso.
— Christian! – arfei, não sabendo se estava mais envergonhada ou admirada. — Pare.
— Não, Anastasia, não. Você tem essa capacidade de fugir do meu controle, de ficar entrando e saindo do meu domínio, me deixando instável e sem equilíbrio. Há algumas noites dormir tem sido bem difícil e só o trabalho me volta aos eixos. Mas assim que acaba, volto a parecer uma bomba relógio prestes a explodir. E eu acho muito pouco honesto de nossa parte tentar fingir que de fato isso não acontece, tentar fingir que o que aconteceu hoje mais cedo não foi nada!
Depois de disparar tudo isso, Christian parou e tomou fôlego. Reposicionei-me sentada rente ao espelho da cama para ver se meu cérebro oxigenava melhor.
— Christian... Eu... Admito. – falei. Minha voz oscilando. — Não posso dizer que não há nada acontecendo. Mas não posso me dar ao luxo de acreditar que sou “só Anastasia”, porque, no fim das contas, admitir que exista essa... Hum... Atração entre nós não muda o fato de que estou em um compromisso que torna isso tudo muito impróprio!
— Eu já pensei nisso. Pensei a tarde toda, mas ouça... – Christian chegou ainda mais perto, suas mãos alcançando meu rosto da mesma forma como fez hoje mais cedo. O calor de sua pele me fez sentir como metal derretido e eu quase gemi. — Só podemos fazer isso enquanto há tempo. Uma semana a mais e você vai estar oficialmente noiva de Elliot, para a sociedade toda saber. Mas aqui e agora, por favor, lhe dê o benefício da dúvida. Não por mim, mas por você mesma. Anastásia... – Christian chamou quando desviei os olhos, que estavam começando a ficar embaçados por lágrimas. — Você pode ter uma escolha. Você a tem. Você... Tem a mim. Bem aqui.
***
POV Christian
Anastasia deitou o rosto e minhas mãos e uma lágrima escorreu de seus olhos. Eu sabia. Eu sabia que não era só uma ilusão minha, que a atração toda que eu sentia não poderia ser unilateral. E Anastasia precisava saber o que estava acontecendo e quais eram nossas chances reais, uma vez que ela estava prestes a tomar uma decisão muito séria.
— Christian... – ela disse voltando o rosto para mim. — Eu não tenho mais certeza nenhuma. Eu não sei quais consequências isso tudo terá.
— Eu também não. – Admiti. O fio de esperança que Anastasia estava me dando só aumentava a adrenalina em meu sangue. — Mas peste atenção: nunca se julgue mal pelo que você sente. Sentir é uma das poucas liberdades que temos.
Acariciei seus lábios e novamente Anastasia fechou os olhos e pareceu a ponto de se entregar ao que sentíamos. Todas as implicações passaram momentaneamente pela minha cabeça, mas, fodam-se! Eu precisava beijá-la.
***
POV Anastasia
Christian estava me fazendo sentir como uma árvore de natal de novo. Mas não era uma excitação puramente carnal, como hoje de manhã. Ele estava me fazendo sentir viva, com sangue correndo nas veias e o coração latejando à flor da pele. Eu não precisava abrir os olhos para sentir sua proximidade. Seu corpo irradiava o calor pelo qual minha pele estava sedenta. Senti sua testa tocar a minha e sua respiração passar raspando em meus lábios, que se entreabriram quase que por vontade própria, desejosos.
— Você precisa me dar uma resposta Anastasia. Não vou fazer nada se não me responder, — Christian sussurrou, sua voz como um entorpecente perfeito para mim.
— Christian, eu...
De repente formos interrompidos pelo toque do telefone. Era um toque baixo, mas que quebrou rapidamente o fluxo do momento. Foi Christian quem saltou para fora da cama e me trouxe o aparelho da mesa. A luz da tela iluminou seu rosto rapidamente e, merda!, como ele era lindo! Mas também não parecia muito feliz. Quando peguei o celular entendi por quê: era Elliot.
Segurei o aparelho e coloquei no mudo enquanto continuava a chamar.
— Você não vai atender? – Christian sussurrou sentando à minha frente na cama.
Olhei para a chamada só mais uma vez e então de volta para Christian. Ele esperava minha resposta olhando profundamente para mim. Ele era tão lindo...
— Não. – respondi.
Coloquei o celular no criado mudo com a tela virada para baixo e me inclinei para frente, alcançando Christian e dando aos meus lábios o prazer de ter os dele o mais próximo possível. Céus! A sensação era muito melhor do que eu poderia ter imaginado! Christian era macio e gostoso enquanto sua mandíbula era forte e tensa. Minhas mãos envolveram sua nuca e eu não me senti em condições de me afastar nem um centímetro se quer.
Eu definitivamente estava me sentindo viva, incandescendo de dentro para fora.
Foi como se ele estivesse esperando por aquilo também, pela forma como uma de suas mãos se prenderam em meus cabelos e a outra se posicionou sobre minhas costas, puxando-me para ele. Seus lábios se apertavam contra os meus com força, quase a ponto de doer, enquanto ele se inclinava para mim, recostando-me contra os travesseiros.
De repente foi como se tivéssemos entrado num mundo paralelo, onde nada mais importava.
Em um segundo Christian estava posicionado sobre mim, suas mãos segurando as minhas contra o colchão enquanto sua língua não me dava sossego. Oh, céus! Ela era macia e quente, movimentando-se languidamente dentro da minha boca. Meu corpo aqueceu rapidamente e, àquela altura, já apresentava todas as reações possíveis ao dele.
Senti o joelho de Christian se posicionar entre os meus e arrastar uma das minhas pernas para o lado. Ele repetiu o movimento com o outro joelho sobre minha outra perna. Eu cedi me sentindo vulnerável ao meu próprio desejo. Enquanto isso, a boca de Christian descia pela minha garganta. Eu estava tão quente que seu toque parecia arder em minha pele, me fazendo arfar e arquear as costas em busca de ar. Nossas mãos ainda estavam dadas, as dele pressionando as minhas contra a cama, de forma que eu não tivesse saída.
Lembrei rapidamente do leão do sonho de agora a pouco enquanto olhava para baixo e via o topo da cabeça de Christian na altura do meu peito, onde ele continuava a me dispersar beijos, que aos poucos foram ficando mais lentos e longos.
Suas mãos soltaram as minhas, mas eu não tive forças para movê-las. As dele foram descendo, alisando a lateral do meu corpo, forçando a camisola para baixo. Movi os ombros para a alça escorregar e pouco depois meus seios ficaram a mostra. Christian, então, parou e se sentou na cama, no espaço entre minhas pernas.
— Anastasia... – ele suspirou. Sua voz estava carregada de tesão.
— Christian... – respondi me remexendo mais para cima na cama. Por um momento a fumaça que embaçava meus pensamentos baixou e eu comecei a me preocupar com o que estávamos fazendo. Mas a confusão ainda era grande para conseguir expressar alguma ideia. A pulsação que eu sentia entre minhas pernas também não ajudava em nada a pensar direito. E havia uma sensação faminta e primitiva, que parecia me isentar de qualquer culpa. Sorri.
Christian deve ter interpretado como uma reação positiva, porque sorriu de volta. Seu olhar sobre mim era predatório. Ele ficou um tempo me olhando e eu admirando sua forma maciça e máscula à frente. Quase esqueci que meus seios estavam de fora, despertos e pesados.
Christian deslizou as mãos para cima e para baixo ao longo das minhas coxas, aumentando minha expectativa e desejo a cada movimento.
— Você é muito bonita... – ele sussurrou.
Sua voz foi como lava, entrando por meus ouvidos e derretendo todos os pensamentos racionais dentro da minha cabeça. Remexi-me de novo, buscando mais ar enquanto Christian erguia uma de minhas pernas e dispersava beijos ao longo do seu comprimento. Ele alcançou meu tornozelo machucado e parou, continuando pelo meu pé, massageando e me fazendo gemer.
Eu não sabia em que momento tinha fechado os olhos, mas quando os abri, notei a protuberância logo abaixo do cós da calça de Christian. Oh, droga! A expectativa subiu em mim e eu choraminguei:
— Christian!
Ele me olhou e sorriu. Sabia o que meu corpo queria. Mas ele também sabia o que estava fazendo.
— Tudo a seu tempo baby...
Christian sorriu de novo e reposicionou meu pé sobre o colchão, pegando agora meus joelhos e erguendo-os em direção ao meu peito. Devo ter expressado alguma surpresa, porque ele falou:
— Não tenha pressa, não se preocupe com nada. Apenas sinta. – ele disse mantendo minhas pernas encolhidas, seguras apenas por uma de suas mãos.
A posição quase fetal me impedia de ter uma visão do que acontecia debaixo das minhas pernas, mas era fácil sentir. Christian puxou minha calcinha e a fez subir para as coxas. O afastamento do tecido me deixou exposta e ainda mais excitada. Foi quando senti um dedo de Christian subir e descer por meu sexo. Estava mais liso do que achei que pudesse estar. O toque lá em baixo fez meu prazer subir a um nível quase insuportável.
— Merda, Anastásia! Que gostosa você é! – ouvi Christian sussurrar na forma de quase um rosnado.
Seu dedo deslizou mais algumas vezes por mim e eu quase... quase... Mas quando estava bem lá, ele parou. Christian soltou meus joelhos e minhas pernas caíram, bambas, uma para cada lado, devolvendo-me a visão de Christian que agora lambia os dedos.
— Eu quero você. – ele falou. Soou uma certeza, não um pedido. Mas mesmo assim acenei com a cabeça.
Ele, então, deslizou minha roupa íntima até que ela saísse e ficasse perdida em alguma parte da cama. Minhas pernas se abriram instintivamente enquanto minhas mãos se agarravam à colcha.
Christian não tirava os olhos de lá... Todo meu ser estava concentrado ali também. Eu era cem por cento necessidade, tensão, desejo. Assisti Christian descer o cós da calça de moletom e me proporcionar a visão de seu pênis inchado e tenso. Ele o segurou com uma mão, que subiu e desceu ao longo de seu comprimento uma... Duas... Três vezes.
— Christian! – choraminguei de novo. Ele olhou para mim outra vez.
— Eu sei... Também quero muito você, Anastásia...
Ele, lentamente, o que pareceu uma eternidade, se inclinou sobre mim. Sua mão ainda em seu membro, que agora roçava meus tecidos úmidos e quentes, à procura de uma entrada. Movi os quadris para ajudá-lo a encontrar o caminho certo e então ele se colocou para dentro, apenas uma pequena parte. Christian me impediu de colocar mais.
— Calma, baby. – Ele falou.
Posicionei uma de minhas mãos sobre seu rosto e ele beijou minha palma.
Foi uma das piores/melhores torturas que eu jamais poderia sentir. Christian foi se colocando dentro de mim muito lentamente, me permitindo sentir centímetro por centímetro do meu corpo se alargando e engolindo-o. Eu achei que apenas essa longa “caminhada” era suficiente para me fazer... Mas me contive. Eu queria mais. Mais.
Já dentro de mim, Christian se posicionou colando seu peito no meu e me beijou. Ele começou a empurrar. Quase não tirava e já estava empurrando de novo, para dentro e para dentro, cavando em mim. Ele ocupava todo o espaço e eu sentia contrações involuntárias pressionarem, fazendo parecer ainda maior e mais volumoso.
— Faz isso de novo, Anastasia – ele sussurrou com o rosto colado ao meu.
Eu não sabia se sabia fazer aquilo, exatamente. Acho que era mais meu corpo tentando comportá-lo dentro de mim. Mas aconteceu de novo e eu o apertei. Ele estava tão duro.
— Ah... Christian!
Comecei a mover os quadris contra dos dele, fazendo meus seios se esfregarem em seu peito enquanto ele me beijava, num instinto animal. Todo meu desejo subindo e descendo em ondas.
— Que gostoso, Christian...
— Você está pronta, baby? – Ele perguntou.
Acenei com a cabeça, seja lá o que exatamente ele estivesse perguntando. Eu não conseguia mais pensar.
Christian ergueu o tronco e pegou minhas mãos, beijando a palma de cada uma delas e depois, segurando meus pulsos com uma mão, ergueu meus braços acima da cabeça.
— Segure aqui, ok? – ele falou posicionando minhas mãos na armação do espelho da cama. Obedeci sentindo a expectativa crescer ainda mais.
Parei de ter qualquer atividade cerebral racional e tudo que eu consegui fazer foi sentir.
Christian segurou um dos lados dos meus quadris contra o colchão, apoiando-se sobre o outro braço e começou a meter em mim com força. Muita força e muito rápido. Num surto irrefreável de energia que me fez perder a cabeça. Cada pancada fazia minhas terminações nervosas vibrarem enviando ondas de prazer que quase chegava a ser doloroso suportar. Meus seios balançavam em círculos, desprotegidos e vulneráveis.
— Christian! – gemi sem me importar em demonstrar o quanto ele estava me dominando.
Apertei a borda do espelho da cama ao ponto de não sentir meus dedos.
Christian continuou no mesmo ritmo forte e rápido, que logo provocou espasmos pelo meu corpo todo e eu quase gritei. Ele se abaixou e colocou a boca sobre minha, abafando meus ruídos enquanto eu chegava lá.
— Porra Anastasia! – ele xingou socando ainda mais forte até parar abruptamente, se retirando de mim.
Abri os olhos a tempo de vê-lo gozar sobre os lençóis. Foi a cena mais sexy que já presenciei em toda minha vida, enquanto continuava a sentir os efeitos do que ele me proporcionou.
— Como... Como sabia que eu não estou usando remédio? – consegui perguntar num fio de voz.
— Eu não sabia. – ele respondeu arfando. — Mas não poderia arriscar, não é?
Afirmei com a cabeça. Mas mesmo agradecida por ele ter se preocupado com nossa segurança, não pude deixar de sentir que queria que ele tivesse gozado em mim. Eu sentei na cama, fechando as pernas, tentando aplacar a sensação de vazio que havia ficado por ali. Eu estava levemente dolorida.
— Vou dar um jeito nisso aqui. – Ele falou enrolando o lençol. — Não saia daqui.
Plantou um beijo sobre minha testa e foi para o banheiro.
Depois de alguns segundos de puro entorpecimento, comecei a me perguntar que, diabos, nós tínhamos feito!
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