Tempo da Bruxa
2 Doença
O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida; de quem me recearei?
Quando os malvados, meus adversários e meus inimigos, se chegaram contra mim, para comerem as minhas carnes, tropeçaram e caíram.
Ainda que um exército me cercasse, o meu coração não temeria; ainda que a guerra se levantasse contra mim, nisto confiaria
…
O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida; de quem me recearei?
Quando os malvados, meus adversários e meus inimigos, se chegaram contra mim, para comerem as minhas carnes, tropeçaram e caíram.
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O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida; de quem me recearei?
— O que está fazendo? — Nora se esforça para proferir as palavras. Não tem fôlego, nem disposição, o suficiente para que possa demonstrar pela entonação de voz o seu desprezo pela reza cristã.
Nora se esforça para olhar para a mulher sentada próxima a janela, com a bíblia aberta no salmo enquanto segura com verdadeira devoção o terço dourado. Ela não reconhece a mulher, nem poderia. Contudo, a mulher esguia arregala os olhos ao vê-la — ou ao menos ver o corpo de Madalena — desperta.
— Oh, Madalena! — A mulher corre em direção da cama, agarrando a mão trêmula e beijando os dorsos. Nora geme porque sente todo o corpo doer novamente. Há um gosto azedo na boca que quase a faz vomitar. O corpo está úmido, e Nora tem certeza que estava extremamente febril porque sente as toalhas molhadas dispostas na testa e na nuca. — Deus seja louvado! — Nora não tem forças de revirar os olhos. — Minha Madalena! — A mulher beija novamente o dorso da mão do corpo de Madalena. — Quando soube do seu estado, voltei correndo. Eu não devia ter partido. Você não estava bem. Eu sabia. Me disse que estava bem, mas não estava…
Nora fecha os olhos porque não suporta a claridade. Os olhos ardem, e a cabeça dói.
— Quanto tempo?
— Quanto tempo? — A mulher exaspera. — Oh, Deus! Está de cama a semana inteira!
— A semana inteira?! — Nora arregala os olhos — Não me lembro de nada.
Isso a perturba. A última lembrança que tem é de ter desmaiado de fraqueza após encontrar com Dante no corredor. Depois disso, o sono foi tão profundo quanto pensa ter sido a sua morte. Durante toda a semana Madalena retornou? Elas estão brigando pelo corpo frágil e doente?
— Não, é claro que não! Estava febril. Fora de si. Temi que tivesse enlouquecido.
— Enlouquecido?!
— Sim! Madalena, pensei que estivesse até mesmo possuída. — A mulher se afasta um pouco. — Mas os médicos garantiram que estava delirando devido à febre intensa. Ainda assim, fiquei com medo. Você balbuciava coisas incompreensíveis. Nem parecia falar na mesma língua. — Nora morde o lábio. — E quando as palavras soavam mais claras, as frases eram dispersas.
— Frases dispersas?
— Oh, sim. Minha querida, eu temi por sua alma. Estou rezando por você desde então. — A mulher quase soluça tamanha tristeza. Nora desconfia que tantas rezas não fizeram bem ao seu ânimo. Porém, lembra-se de que é, na percepção de todos, Madalena. Por isso, não repreende a tola. É o suficiente para ela se acalmar e prosseguir: — Temi muito também por sua vida. Pensei que estivesse tão doente que não acordaria mais. O seu marido… Que Deus o guarde, eu não sei se ele…
— Adrian?!
— Sim, sim. Sua Graça trouxe os melhores médicos para vê-la. Eu o alertei… — O coração de Nora dispara. Ela não se lembra da última vez que o viu. Na verdade, ela não se lembra de muita coisa. Tem percebido que morreu há uns anos. Agora não sabe quantos anos, muito menos porquê. Isso a perturba tanto que quase causa vômito. Durante todo o seu percurso na Terra, Nora ouviu falar que os espíritos injustiçados dificilmente esquecem a dor que lhes foi causada antes da morte. Por isso, muitos não encontram paz para partir. Nora sabe que não pode ter morrido por causas naturais; doenças e o tempo se tornaram coisas insignificantes para a sua existência amaldiçoada. A sua morte foi causada. Acidental, presume. Se não fosse acidental, ela se lembraria de tudo. — Mas Sua Graça não é um homem muito crédulo. Isso me preocupa um pouco. Temo que Sua Graça a afaste do caminho. Por isso, ele trouxe tantos médicos. Alguns disseram…
A mulher continua falando. Ela é um tanto quanto jovem, e Nora presume que trata-se de uma dama de companhia de Madalena. Incapaz de se casar e gerar a própria família, a mulher dedicou-se ao compromisso de cuidar de Madalena de forma tão excessiva que sufoca a Nora com poucos minutos de convivência.
As hipóteses do adoecimento de Madalena são variadas. Há suposição de infecção, gripe, pneumonia e até mesmo peste. Nora não sabe o que pensar. Ela não pode adoecer, nem envelhecer. Contudo, Madalena pode.
Há quanto tempo Madalena está doente?
A mulher continua supondo causas, desta vez de origem espiritual. Há temores acerca de inveja, obsessão e até mesmo pecados não confessados. Ela frisa que os pecados não confessados são os piores. Preocupa-se com a aparente descrença de Adrian Palucci, que pode ter causado abertura para aproximação de demônios. Por fim, a mulher chega no auge ao temer que trata-se de uma possessão demoníaca.
Possessão, Nora concorda. Demoníaca? Ela não se descreveria desta forma. Há muitas coisas piores vagando por aí.
— Ainda penso que devíamos chamar o bispo. Apenas um…
— Lady Rossi… — A repreensão assusta ambas. Nora reconhece a voz com facilidade e surpreende-se ao vê-lo. Não sabe quantos anos se passaram, mas Adrian pouco mudou. Não há a típica perda de vitalidade associada ao avanço da idade, principalmente em nobres da região. A pele ainda é firme e marrom-escura. Não há manchas associadas às doenças. O cabelo é cheio e preto. Há marcas de expressão ao redor dos olhos e na testa. São discretas, e Nora desconfia que sempre estiveram ali. Ela segura o ar no peito, sentindo-o queimar, enquanto ele aproxima-se da cama. — Lady Rossi, tenho certeza que a orientei a me chamar quando Vossa Graça acordasse. Não acredito que enchê-la de temores seja o ideal.
Nora faz um esforço considerável para sentar-se na cama e observar Adrian. O seu desejo é levantar-se e envolvê-lo em um abraço apertado e saudoso. O que a impede não é tanto a fraqueza do corpo de Madalena; é mais a distância incômoda que ele mantém dela. Adrian para próximo da cama e confere se ainda está com febre.
E isso é tudo.
Não há nenhum tipo de cordialidade que espera-se de um marido.
— Vossa Graça, — Lady Rossi começa a falar. — sabe o que eu penso sobre esse adoecimento inesperado de Sua Graça. Sua Graça estava saudável como sempre foi. Prostrou-se de repente e de forma tão grave. Não creio que seja apenas uma pneumonia.
Nem Nora acredita nisso.
— E o que poderia ser? — A Lady prepara-se para responder. Adrian levanta a mão e a interrompe. — Sinto que a senhorita deseja inventar justificativas quase mirabolantes para adoecimentos que são naturais a nós, meros mortais. — Lady Rossi abaixa o rosto em sinal de respeito a repreensão do duque. — Eu prefiro acreditar na ciência e nos anos de estudo dos médicos antes de submeter minha esposa a métodos questionáveis. — Adrian olha para Nora. E vê apenas a Madalena. Ele pende a cabeça e avalia. — Como se sente?
Os lábios dela estão grudados. Há lágrimas discretas que surgem nos cantos dos olhos. Nora não sabe organizar a mente para nem sequer fingir ser Madalena. Ela só pensa em quanto tempo esteve morta e porque morreu. Esse era o seu castigo; nunca morrer. Agora parece um tanto quanto cruel que a morte tenha lhe alcançado quando a vida era tão doce.
Adrian pouco mudou externamente. Porém, o distanciamento emocional com que ele trata toda a questão demonstra bem como a vida transformou-se para ele. Todo o afeto conquistado e retribuído dissipou-se. Nora observa, pela primeira vez, que Madalena e Adrian nem sequer compartilham a mesma cama. Esse hábito é um tanto quanto comum, mas nunca foi para eles.
As lágrimas escorrem. Nora sente alívio por estar de volta. Porém, Madalena é como uma prisão.
— Por que chora, milady? — A Lady questiona.
Ela gesticula com as mãos trêmulas. Adrian franze o cenho e inclina a cabeça, avaliando.
— Eu disse ao senhor. — Lady Rossi repreende. — A sua esposa não está bem.
Adrian não alcança Madalena como alcançava Nora em todas oportunidades. Se fosse o seu corpo antigo, Adrian estaria avaliando-a por inteiro. Nem sabe porque o distanciamento causa tanto sofrimento. Devia alegrar-se ao perceber que a sua substituta não é equiparável. Porém, Nora está em casa de novo. E nada é como o lar que construiu. Ela precisava ser aninhada e acalmada. Ela deseja, antes de tudo, ser reconhecida e velada. De repente, teme que a maldição que lhe foi rogada não afetou apenas o corpo que ocupava. Teme que a maldição também tenha afetado a sua alma, a impedindo de partir de verdade. Ela será reduzida a ocupar corpos que não a pertencem para sempre?
— Estou bem. — Nora responde, enfim. — Só assustada. Não entendo o que está acontecendo.
Adrian suspira; Nora não sabe identificar se é alívio.
— Vou chamar o médico. É necessário que seja avaliada novamente. — Nora o encara. Ele murmura as palavras como julga os desconhecidos. — Lady Rossi, faça a gentileza de acompanhar Sua Graça em um banho relaxante. Aposto que Madalena se sentirá melhor se sair um pouco deste quarto.
Adrian oferece a Madalena um sorriso fraco e se ausenta. Nora, então, permite que a Lady Rossi cuide dela com todos os seus excessos porque precisa guardar a pouca energia.
***
O canto dos pássaros no final da tarde é a única que permaneceu. Enquanto apreciam o chá quente, Lady Rossi atualiza Nora sobre todas as pessoas que visitou enquanto viajava. Nora não reconhece a maioria. E a parte que reconhece sempre lhe foi desinteressante. Ela aproveita-se da aparência abatida para ausentar-se emocionalmente da conversa. Lady Rossi eventualmente percebe o seu desinteresse e tenta encantá-la com um novo assunto.
Nora, por sua vez, está ocupada absorvendo tudo. Adrian definitivamente se casou com Madalena Savoy. Nora lembra-se vagamente de ter se encontrado com a família Savoy em algumas oportunidades. Na posição de Grão-Duque da Toscana, Adrian sempre teve obrigações sociais e políticas. E a família Savoy sempre foi expressiva na região. Se não fosse pela forte atuação da família Palucci nas últimas décadas, não há dúvidas que os Savoy teriam a honra de governar no ducado — ainda que indiretamente.
Portanto, Adrian sempre teve a obrigação política de manter as relações com a família de Madalena bem estreitas. Nora, por outro lado, nunca preocupou-se em estender a cordialidade do marido. Ela bem compreendia a dinâmica social necessária para a manutenção de ambas as famílias, mas o ducado de Florença nunca foi uma prioridade. Não após vagar por tantos lugares. A percepção de Nora era, e ainda é, clara: Toscana e até mesmo Florença, embora abençoada com a arte e a presença ilustre de grandes talentos, é apenas mais um lugar no mundo. E ela conheceu vários.
Madalena era jovem quando Nora aceitou acompanhar Adrian em uma breve viagem às propriedades Savoy. Madalena passou totalmente despercebida porque não foi abençoada pelas deusas com grande beleza, nem mesmo charme.
E Madalena era uma presença imperceptível. O rosto era comum, e a pele dourada. O cabelo de fato era sedoso e bem cuidado. A cor, por outro lado, era um sinal de má sorte. Não era um louro dourado como o ouro, nem mesmo um louro claro e resplandecente. Era louro como o trigo; simplesmente amarelo.
E a jovem pouco falava. Quando falava, o seu interesse era restrito à música e à Igreja, honrando a tradição da mãe. Nora a detestou naquele momento e nunca mais prestou atenção nela.
Agora, entre todas as opções, Nora não sabe como Adrian a escolheu como esposa. Há uma diferença óbvia de idade e experiências, embora não tão discrepante. Há desencontros enquanto estilos de vida e até mesmo fé. E também há, é claro, a delicada relação comercial e política das famílias.
A raiva queima no peito. Nora perturba-se o suficiente por não saber como morreu. É ainda mais inquietante perceber que o marido casou-se de novo com uma mulher tão insignificante e crédula em costumes que contrariam não apenas a variedade de verdade que pode ser encontrada no mundo, mas também a própria existência deles.
A mágoa de Nora aumenta quando ela percebe que todo o seu jardim se foi também. No lugar das ervas, flores e outras plantas com propriedades tanto místicas quanto medicinais, há rosas e tulipas. Ela aprecia as flores, é impossível não admirar o trabalho assíduo do servo. Contudo, o seu trabalho anterior também foi árduo. Trabalhar com plantas não é fácil em nenhuma circunstância. E há um grupo de plantas que demanda energia, estudo e tradição que levam anos para serem construídos — Nora levou quase uma vida completa.
E agora tudo está desfeito.
— Bom… — Adrian murmura, chamando a atenção de Nora. Ela não sabe por quanto tempo esteve dispersa. Foi o suficiente para deixar o seu coração pesado, substituindo a dor da partida pela mágoa. Ela estreita os olhos e encara ele. — As notícias são positivas. O médico garantiu que o pior da doença já passou. Agora, precisa se alimentar para se recuperar. — Nora não se sente melhor. — Tenho certeza que a Lady Rossi garantirá que a sua recuperação será tranquila e breve.
A Lady Rossi se compromete a cuidar dela. Nora tenta descobrir se Madalena sempre teve a saúde frágil, justificando a reação quase casual do homem. Ela até mesmo prepara-se para confrontá-los sobre o assunto, mas vê Dante montando o cavalo e partindo ao fundo do jardim.
— Ei. — Nora levanta-se, esquecendo da proximidade da mesa e de todos os detalhes estéticos do vestido excessivo que a Lady Rossi escolheu. — Onde Dante está indo?
Adrian acompanha o olhar dela enquanto a dama trata se secar o chá entornado na toalha de mesa.
— Madalena… — Adrian repreende. — Por favor. Eu já lhe adverti e garanti. Dante é o meu filho. Não gaste a sua energia, que agora é tão reduzida, se preocupando com ele.
Nora encara Adrian. Nada mais precisa ser dito para provar a sua desconfiança sobre a relação de Madalena com Dante. Ela imediatamente preocupa-se com Selena.
— Lady Rossi, — Nora chama, severa. Adrian mantém o olhar fixo. — Faça a gentileza de buscar a minha bíblia e o meu terço. — Nora nunca teve uma bíblia, menos ainda um terço. A lady obedece. Adrian permanece parado, a avaliando. Nora desvia o olhar porque desconfia que Madalena nunca encararia Adrian com tanta mágoa. — Vossa Graça tem total razão. Preciso me recuperar, me cuidar melhor. — Adrian estreita os olhos, da forma que sempre fez quando desconfiado. — E Vossa Graça sabe o quanto o nosso Deus nos fortalece. Preciso de um momento a sós com Ele.
Adrian revira os olhos antes de se afastar. Nora espera ele adentrar o palacete e se apressa para subir ao quarto de Dante, determinada a entender o que está acontecendo com o garoto.
O quarto de Dante também foi transformado. A cama pequena e infantil foi substituída por uma cama grande e espaçosa. Todos os brinquedos foram retirados, assim como os jogos de tabuleiro. O ambiente é sóbrio e quase indiferente.
Nora para no centro do quarto e olha ao redor, incrédula. Dante sempre foi uma criança criativa e expressiva. E o quarto dele não parece nem mesmo ser ocupado por alguém.
Ela senta-se à cama e encara a parede que antes era coberta por desenhos feitos com carvão. À medida que Dante evoluiu no desenho, o simples giz preto foi substituído por carvão e giz branco, que só são acessíveis aos nobres e aos artistas. Para Nora, Dante é os dois.
Nora franze o cenho e coça o rosto. Os olhos pesam, e ela sabe que não conseguirá ficar tanto tempo acordada. O corpo está cansado, quase sugado. Nora não sabe se o cansaço extremo se dá devido a doença.
A verdade é que ela viveu por 29 anos como um ser humano comum; sujeita às dores, doenças e envelhecimento. Então, quinze dias antes de completar 30 anos, ela se tornou uma aberração; um desafio à ordem perfeita da natureza. E por mais de três séculos, Nora nunca mais ficou doente.
A resistência à doença e ao tempo não lhe deixam imunes à dor eventual de existir. Porém, após tantos anos vagando pela Terra, a percepção de dor altera-se; o corpo é o mesmo, enfeitiçado, a mente, por outro lado, transforma-se.
Portanto, ela não sabe se a fraqueza insuportável do corpo é normal para os humanos.
Nora afasta os pensamentos e levanta-se. Dos 387 anos que andou pela Terra, apenas os últimos seis anos foram fáceis. Esses anos foram fáceis porque ela estava tranquila pela primeira vez na vida. Não havia nenhuma grande guerra para lutar; nem ninguém para salvar. A sua alma estava condenada, ciente e em paz. Ela não estava mais sobrevivendo. Ela estava vivendo; ela tinha um companheiro agradável e sagaz; um filho criativo e amoroso e uma bebê gordinha e risonha. Nora passava os dias desenhando com Dante, correndo com os cachorros e aninhando Selena.
De repente, não havia mais nada.
E agora parece tudo destruído. O jardim, a casa e a família.
Nora começa a vasculhar os móveis sem nenhum tipo de cuidado. Ela não se importa que Dante perceba que teve as coisas reviradas. Ela precisa achar qualquer coisa que a faça sentir que conhece aquelas pessoas ainda.
Não há nada nas gavetas dos móveis, nem mesmo debaixo do colchão. Não há nada atrás dos quadros e dos tapetes. A angústia a domina, e Nora sente as lágrimas caírem no rosto. Os olhos tornam-se embaçados, e a cabeça dói de novo. Nora sente-se frágil, imprestável e emocionada.
Ela esfrega as lágrimas com força, causando ardência, e olha ao redor. A luz do dia se dissipa aos poucos. Nora quase desiste. O pensamento acaba assim que ela visualiza o baú decorado e o reconhece.
Dante guardava livros, roupas favoritas e outros brinquedos no baú. Nora aproxima-se e retira todos os objetos de cima do baú, abrindo-o. Não há mais desenhos soltos e brinquedos. Há pilhas de livros e pilhas de caderno. E Nora reconhece a maioria dos livros e alguns cadernos.
São os seus grimórios. Ela alcança um dos grimórios e o abre ao mesmo tempo que Dante resmunga:
— O que está fazendo no meu quarto?!
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