Tempo Perdido
10 Diário
Assim que acordei por volta das duas da tarde, tinha uma ideia em mente.
Então liguei para Enzo que me atendeu rapidamente.
–Estou bem Enzo, foi apenas um susto. — garanti assim que ele me questionou como eu estava. — Queria lhe fazer uma pergunta. O casarão onde eu moro era a casa onde Águida morava em 1738?
Após sua resposta agradeci e fui tomar um banho colocando uma roupa leve antes de descer gritando Karen e Frankie.
–Já cansei de ser enganada por não conhecer as pessoas daqui. E a partir de hoje isso vai mudar, por que a única que sabe o que aconteceu em 1738 foi minha antepassada. — disse seria olhando para as duas. — Se tem alguém atrás de mim por causa desse diário tenho que descobrir por que.
–E o que vamos fazer Águi?
–Vamos colocar esse casarão a baixo, mas vamos achar esse diário. — disse e as duas concordaram.
–Agora, se eu fosse uma garota de 17 anos que se apaixonou por um rapaz de 21 anos que não era aprovado pela família, onde eu esconderia os presentes que ganhei dele? – Karen questionou pensativa.
–Tinha que ser em um lugar em que minha família não pudesse saber, e onde eu pudesse ver quando eu quisesse. — Frankie disse pensativa.
–Meu quarto. — disse e corremos para o segundo andar.
Começamos a procurar em todos os lugares possíveis e impossíveis e nada.
Passamos uma hora e meia procurando e nada, aquilo me frustrou.
–Onde essa garota colocou esse diário?!- disse furiosa me deitando na cama. — Não tenho ideia amiga, mas não vamos desistir.
–É Águida, vamos procurar nessa mansão toda. — Frankie garantiu.
–Acho melhor você descansar, depois voltamos e procuramos de novo. — Karen garantiu antes de sair com Frankie.
Exausta me acomodei na cama com a cabeça para o lado de fora olhando o teto enquanto segurava meu colar, assim que olhei para o guarda roupa vi que embaixo dele no chão havia um alto relevo.
Me levantei rapidamente e fui até o guarda roupa tateando todo o chão, até que senti algo entre a madeira do guarda roupa e do chão. Devagar puxei algo retangular que estava embrulhando em um pano preto.
Me sentei no chão e desamarrei o nó complicado, não demorou muito para que o retângulo se revela-se. Era um caderno vermelho como sangue com uma fita de cetim da mesma cor.
Curiosa comecei a folheá-lo vi meu nome escrito nele em uma caligrafia elegante.
Eu havia encontrado o diário que quase havia me matado.
–O que você vai fazer com ele? — Karen questionou preocupada assim que as chamei no meu quarto.
–Não sei, estou com medo do que eu possa descobrir. — disse assustada.
–Você precisa saber, só assim saberá como se defender. — Frankie disse seria.
–Frankie tem razão Águi, assim você vai saber onde deve pisar e a quem pedir ajuda. — Karen me incentivou e respirei fundo antes de abri-lo.
“Em algum lugar, 1738
Aqui estava eu sendo afastada de minha terra natal.
Mamãe dizia que a Espanha não era mais um lugar seguro para os Defilippo. Como se eu não soubesse dos problemas de jogo que papai tinha, pelo que escutei uma noite quando desci para tomar agua, parece que papai não tinha mais o que apostar e apostou a minha honra.
O que deixou mamãe horrorizada, no outro dia já estávamos de partida para SantaRossa, a terra natal de nossa mãe.
Meu irmão Enzo estava eufórico pelas aventuras que poderíamos ter em outra terra, mas eu duvidava. Meu irmão não sabia que estávamos fugindo dos credores de papai que estavam querendo cobrar sua dívida.
Depois de muito sacudir em uma carruagem desconfortável, chegamos a casa dos Della Negra. Tia Lívia era mais velha que mamãe, mas as duas se pareciam um pouco. Assim que saímos da carruagem ela veio nos receber.
–Ah Laura é tão bom vê-la. — tia Lívia disse abraçando mamãe.
–É bom vê-la também minha irmã. — mamãe disse sorrindo.
–Águida e Enzo, vocês já estão enormes. — titia disse e nos abraçou.
–E como minha irmã. Águida acabou de fazer 17 anos e Enzo tem 16. — mamãe disse orgulhosa.
Eu era a mais velha, mas Enzo sempre se comportava como o mais velho.
–O tempo passa rápido, logo Enzo estará na idade de casar. Já Águida está mais do que no tempo. — titia disse seria.
–Não sou a favor de meninas que ainda não “desmamaram” se casarem. E além do mais prometi a minha Rosalinda que ela só se casaria quando amasse alguém. — mamãe disse seria.
–Você pode ter prometido minha irmã, mas sabemos que a vida não é como queremos ou prometemos, principalmente para nós mulheres. — ela alertou seria.
–Com minha filha será diferente. — mamãe disse seria enquanto me puxava para a casa onde iriamos morar a partir de hoje.
A casa pertencia aos meus avôs e foi deixada para mamãe para que ela pudesse voltar para sua terra já que ela era italiana e papai um comerciante espanhol. ”
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