Tempo Perdido
11 A luz de um olhar
Notas iniciais
SantaRossa, 1738
SantaRossa era um lugar quieto e pacifico, um lugar que não estava habituada. Afinal, eu era espanhola tinha “fogo nas veias” como todos diziam dos espanhóis e esse fogo estava sendo apagado pelo ar italiano que eu respirava.
Aquele lugar estava me enlouquecendo.
O domingo havia chegado e significava dia de missa, assim que a missa havia terminado fui me confessarão padre Brunini para lhe contar minhas aflições. Talvez ele me desse uma luz. Mas assim que terminei de falar, ele me mandou rezar mil ave marias e mil pai nossos para deixar de ser egoísta e pensar no bem da comunidade.
Assim que chegamos em casa mamãe anunciou que convidou as famílias mais influentes para um jantar em nossa casa, para apresentar os Defilippo a sociedade de SantaRossa.
Sua animação me deixou desconfiada demais, como se ela estivesse “tramando” algo em breve o que me deixou nervosa.
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Coloquei meu melhor vestido como mamãe pediu e desci para a sala, logo minha tia nos apresentou Os Valentini e os Benaducci, as duas famílias mais importantes de SantaRossa.
Assim que permaneci na sala tempo o bastante que mandava a etiqueta, sai para dá uma volta no jardim.
Minha família parecia feliz ali, pincipalmente mamãe, afinal papai havia deixado de lado a jogatina, mas eu duvidava.
Ele sempre dizia que ia parar, mas nunca cumpria sua promessa e sabia que dessa vez não seria exceção.
–Srta. Defilippo? — ouvi alguém me chamar e parei de andar antes de virar para ver quem era.
–Sim Sr. Benaducci? — disse seria olhando para ele.
Não sabia explicar, mas algo me dizia para me manter longe dele, se minha avó estivesse viva ela diria que era meu sexto sentindo me alertando.
–Sua mãe pediu que eu lhe chama-se senhorita. — ela disse sorrindo e me ofereceu seu braço.
Ignorei seu gesto e segui em frente indo pela cozinha para tomar uma agua.
–Há filha que bom que você entrou, até pedi para o Sr. Benaducci lhe chamar. — mamãe disse sorrindo enquanto um rapaz de olhos azuis segurava um jarro de flores pesado para ela.
–Eu o encontrei no meio do caminho mamãe. Será que eu poderia me reconhecer? Estou com dor de cabeça.
–Ainda não querida, seria falta de educação com nossos convidados. — mamãe me repreendeu. — Rosalinda, gostaria de lhe apresentar o Sr. Miguel Valentini. Eu e a mãe dele fomos amigas quando tínhamos a sua idade filha.
Olhei para o Sr. Valentini que sorriu amável antes de colocar o vaso de flores em cima da mesa para beijar minha mão educadamente.
–É um prazer conhece-la Srta. Defilippo. — ele disse suave enquanto me olhava com seus olhos azuis cristalinos.
Naquele momento senti um arrepio estranho misturado com uma sensação de confiança inexplicavelmente forte. Assustada pelo diluvio de sentimentos me soltei do Sr. Valentini.
–Pedi para o Sr. Valentini levar Enzo para conhecer a cidade, afinal seu irmão precisa de companhia e de uma influência saudável. — mamãe começou a falar animadamente como se não tivesse percebido minha reação. – Mesmo o Sr. Valentini sendo alguns anos mais velho que seu irmão sei que eles podem ser bons amigos.
–É o que espero Sra. Defilippo. — ele disse suave enquanto olhava para mim.
–Isso me agrada muito, agora está na hora de irmos para a sala.
–Claro, eu as acompanho. — ele disse oferecendo seus braços a nós.
Sem relutar aceitei seu braço e assim que senti novamente seu calor em contato com a minha pele, senti como se tivesse borboletas no estomago.
Uma sensação muito estranha.
E pude ver o olhar de raiva do Sr. Benaducci quando me viu entrar de braços dados com o Ser. Valentini.
Um olhar de puro ódio.
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