Notas iniciais
Olá meus amores. Desculpem o atraso do capítulo mas é que as coisas estão meio atribuladas, por isso farei 1 aviso importante A Ivi, nossa parceira e coautora está com a vida pessoal muito ocupada e por isso ela não tem conseguido escrever com o casal dela (Geisty e Saga), como somos um trio quando uma cai as outras catam hahahah por isso enquanto ela não conseguir voltar a escrever, Eu e Rosenrot é que vamos escrever Geitsy e Saga com base no que já temos do rpg e com orientação dela. O aviso é porque isso significa que a forma de escrita obviamente irá mudar, pois por mais que escrevamos com carinho e dedicação nunca ficará igual ao modo como ela faz, já que nossos personagens são parte de nós. Espero que compreendam . beijos.

Após seis anos de um governo ditado a mãos de ferro, Gêmeos reestruturou por completo a Ordem do exército de Atena, desde a sua base de formação, aspirantes à cavaleiros e soldados, até o topo da mais alta patente, exigindo que cada Santo de Ouro treinasse um aprendiz escolhido por si, podendo isentar-se da tarefa somente em caso de não aparecer nenhum guerreiro apto à sobreviver a seu treinamento. Como era o caso do Cavaleiro de Peixes, cujos dois aprendizes selecionados após inúmeros desafios não sobreviveram nem mesmo ao treinamento básico, a manipulação das toxinas letais de suas rosas.

Embora os cavaleiros de Ouro fossem, em sua grande maioria, ainda muito jovens, Gêmeos parecia ter pressa em renovar a patente mais poderosa, a elite, de sua armada.

O Grande Mestre sabia que embora os Santos de Ouro lhe devessem obediência esses mesmos não lhe deviam o devido respeito e temeridade que seu posto como Regente exigia, por motivos consideravelmente óbvios. Somado a isso, ainda tinha o fantasma de Saga...

Sempre Saga.

Gêmeos sabia que era o espectro de Saga, sua remota memória, que mantinha os cavaleiros de Ouro subordinados a si e ao Santuário. Contudo, a subserviência deles lhe impunha limites que o impediam de governar como desejava, e era justamente esses limites que queria derrubar, embora tivesse consciência de que não podia, nem conseguiria, livrar-se deles à força. Havia tentado no passado, e falhado. O Satã Imperial que desferiu em Shaka de Virgem apenas incitou ainda mais os Cavaleiros de Ouro contra si, e um levante dourado era tudo que precisava evitar.

Por isso Gêmeos seguia seu plano com a frieza e paciência que só os melhores estrategistas possuem.

Faria os cavaleiros de Ouro treinarem aprendizes jovens e poderosos o suficiente para serem seus sucessores, os doutrinaria segundo suas ideologias, e quando fosse o momento certo eliminaria um por um dos Santos de Ouro renovando sua armada. Teria guerreiros inteiramente devotos a si. Guerreiros que não iriam se opor a lutar a seu lado quando Atena retornasse para tomar-lhe o que considerava seu.

No entanto, o caminho que Gêmeos obrigava todos no Santuário a trilhar para que conseguisse concretizar seus planos e alcançar a conquista absoluta da Ordem de Atena, e consequente do mundo, era vil e cruel.

Gêmeos precisava dos guerreiros mais fortes, os mais destemidos e violentos, por isso não se importava em descartar os mais fracos.

No seu governo o sangue e a dor eram as palavras de lei.

Os treinamentos impostos aos aspirantes a cavaleiros de Prata e Bronze, e também aos soldados, seguiam alguns dos moldes espartanos, porém eram muito mais truculentos, além de regados a uma violência ímpar.

Os rapazes e garotas chegavam ainda bem jovens ao Santuário e lá recebiam, além do treinamento bélico, aulas de línguas e filosofia, mas a mando do Patriarca essas foram reduzidas à metade.

Era parte da estratégia formar guerreiros obedientes e pouco pensantes. Só assim não contestariam a ideologia megalômana e distorcida do Patriarca tampouco os métodos desumanos de treinamento aos quais eram submetidos.

Nas ruinas, ao lado da grande Arena, um enorme fosso havia sido aberto, e em seu fundo centenas de grossas estacas de ferro foram fixadas no chão. Essa terrível prova destinada apenas aos aspirantes a soldados do Santuário fora apelidada por eles de Garganta de Tifão, pois, tal qual o horrendo monstro mitológico, apenas a menção de seu nome infringia pavor.

De pé na borda do fosso, cada soldado tinha uma rocha presa à sua cintura por cordas, então eram empurrados para dentro da cratera. Se conseguissem diminuir o impacto do solavanco escorregavam rente à parede do fosso, mas então tinham que escala-la para subir de volta ao topo. Eram pouquíssimos os que conseguiam retornar à superfície. A grande maioria era empalada pelas estacas e ali mesmo ficava por dias para servir de exemplo, até que as carcaças comidas pelas aves de rapina eram recolhidas e restasse apenas o sangue fétido acumulado no chão.

Havia por todos os lados outras provas de igual terror e risco iminente à vida.

Muitos eram os que, não suportando tal horror, tentavam fugir. Porém não havia volta.

Uma vez dentro do Santuário se sagrava cavaleiro ou soldado, de outro modo a única saída possível era carregado para fora pelas asas da morte.

E essas tinham nome. Algol de Perseu.

O temível cavaleiro de Prata, que jurou fidelidade cega ao Patriarca, era o encarregado de tratar dos desertores.

Todos os dias, crianças assustadas eram transformadas em pedra por seu Escudo da Medusa e tinham o desespero em seus rostos eternizados.

Todos os dias também, jovens tinham sua bravura e resistência à dor testadas incansavelmente a fim de serem preparados para os rigores da guerra, e aqueles que conseguiam sobreviver a toda essa provação, quando completassem 18 anos tinham a permissão de frequentar o Templo das Bacantes para gastar o parco soldo que passavam a receber por seus serviços.

Aliás, o Templo das Bacantes eram o principal financiador de toda essa máquina de guerra. A fonte que garantia a alimentação e os desdenhosos cuidados médicos aos feridos.

A maioria dos cavaleiros de Ouro não era conivente com nada daquilo, tampouco as amazonas de Prata, porém pouco podiam fazer, visto que de comum acordo aceitaram não confrontar o Patriarca na esperança que Saga recobrasse sua consciência, e também porque não podiam interferir na Ordem de Atena, a qual perdurava desde as Eras mitológicas. O Patriarca, tirano ou não, era a autoridade máxima na ausência da deusa. Essa era a vontade dos deuses, e assim teria que ser até que Atena desse seu parecer.

Mesmo assim, muitos cavaleiros tentavam burlar algumas regras e ainda fazer o que achavam correto. Como Aiolia de Leão e Marin de Águia, que às escondidas ajudaram muitos garotos e garotas a fugirem de todo aquele terror.

E assim era a quase seis anos.

Diante do horror inevitável os corações se endureciam, as esperanças tornavam-se finos fios invisíveis, e a espera massacrava.

Era nesse cenário de horror que agora se encontravam alguns dos cavaleiros de Ouro e seus aprendizes.

Era domingo. Dia escolhido pelo Patriarca para o treinamento assistido na grande Arena.

Do alto da tribuna Gêmeos assistia imponente a seus cavaleiros e amazonas em plena atividade. Mesmo estando a metros distante podia ouvir nitidamente o estalar dos chicotes que vinham do outro lado da Arena, da Garganta de Tifão. Em seguida deles vinham os gritos, e a cada novo clamor seus lábios por debaixo da horrenda máscara azul profundo se esticavam num sorriso de deleite.

O ar naquele pedaço do Santuário era carregado de um forte odor ferroso de sangue e azedo de suor. Aquela tarde abafada de outono contribuía para deixa-lo ainda mais proeminente.

Mas ele gostava! Ah, como ele gostava!

Sentado em um trono de ouro forrado em veludo, vestido com seu manto negro ele era rodeado por servas que pareciam diminutas diante sua figura imponente e soberana. Essas lhe serviam vinho e frutas frescas e o abanavam com enormes leques feitos com plumas de avestruz.

Lá embaixo porém, na arena, o calor não tinha refrescos, e pelo menos para uma dupla de mestre e aprendiz esse era particularmente incômodo.

Debaixo do sol forte o Cavaleiro de Aquário instruía seu pupilo naquele que era um treinamento diferenciado, pois que era isento do rigor que costumeiramente lhe impunha já há cinco anos quando começou a treina-lo.

Há algumas semanas, o Cavaleiro de Áries havia solicitado a Camus aquela gentileza, e agora, em conjunto com ele, os dois mestres de Ouro acompanhavam o desempenho de seus aprendizes enquanto lhes transmitiam seus ensinamentos.

Por não confiar no Patriarca, e nem em nenhum de seus subalternos, Mu evitava que Kiki treinasse, ou mesmo tivesse algum contato, com outros jovens durante os treinamentos. Eram tempos ruins e a melhor opção era não correr riscos.

Somado a isso, por ser Muviano Kiki possuía o desenvolvimento corporal mais lento. Com seis anos já havia alcançando a idade para iniciar os treinamentos à aspirante de cavaleiro, mas sua aparência e força física eram equivalentes as de uma criança de pouco mais de três anos. Sendo assim, Mu considerou que pela segurança do filho seria mais adequado que treinasse periodicamente com alguém que entendesse os diferenciais de sua raça, por isso mesmo Hyoga estava ali. O filho de Camus além de um bom amigo compreendia e respeitava as particularidades do pequeno lemuriano serelepe.

Todavia, o que faltava em estatura e força física a Kiki lhe sobrava em astúcia e agilidade.

Sob a vigilância e instrução do pai e mestre o lemurianinho de cabelos espichados cor de fogo dava trabalho ao amigo russo, fosse desviando das sequências alucinantes de socos e chutes que ele lhe desferia, saltando ágil no ar feito um cordeiro montanhês, ou o provocando com caretas engraçadas que o faziam rir e se desconcentrar.

— O Hyoga é forte, mas é muito lento! Não péga o Kiki! — dizia aos risos, encarando mais como uma brincadeira aquele treino do que de fato como um embate.

Ali também estava Camus, que assim como Mu trajava um uniforme comum para os treinamentos físicos e os observava atento.

— Vai deixa-lo te provocar assim, Hyoga? — o aquariano inquiriu com voz firme, parado atrás de Hyoga com os braços cruzados.

Ofegante e incomodado com o calor o garoto russo interrompeu a sequência de golpes para recuperar o fôlego e enxugar o suor que lhe escorria pelo rosto vermelho.

— Eu não posso usar muita força, mestre. — Hyoga se justificou, usando o tratamento exigido por Camus. Quando estavam em treinamento o aquariano lhe exigia que o tratasse apenas por mestre e esquecesse os laços de sangue. — E ele é de fato... muito rápido!

— Isso non é justificativa. É um pretexto! — Camus retrucou severo. — Se o seu adversário é mais rápido então cabe a você fazer com que ele desacelere.

Hyoga lançou um olhar confuso ao pai, que lhe sussurrou uma dica, ainda que aquela metodologia não fosse muito do seu feitio, mas aquele também era um treino diferente e descontraído.

— Ative seu Cosmo e mire nos pés.

Os olhos atentos de Hyoga se arregalaram no mesmo instante.

Como não havia pensado nisso antes?

— Ei! Quem cochicha o rabo espicha! — Kiki provocou fazendo outra careta.

O adversário do pequeno lemuriano, no entanto, não se abalou com a terrível ameaça de sua carranca intimidadora. Com um sorriso confiante no rosto Hyoga avançou novamente, e dessa vez o resultado foi bem diferente dos anteriores.

Já prevendo que o ruivinho fosse saltar no ar para se esquivar, ao em vez de ataca-lo Hyoga lançou uma rajada de Cosmo congelante no chão que prendeu Kiki pelas solas das sandálias. Imediatamente em seguida o próprio Hyoga se lançava ao chão deslizando em velocidade dobrada até o lemuriano, então tocou em suas pernas criando uma fina camada de gelo sobre cada uma.

Preso ali Kiki não foi capaz de desviar do golpe que o atingiu em cheio no queixo o fazendo dobrar os joelhos e cair sentado.

— Aiii! — fez o Cavaleiro de Áries assistindo à cena enquanto fechava um dos olhos e encolhia os ombros. — Hmmm... Essa deve ter doído.

Sobre Kiki, Hyoga agora lhe apontava o punho, vitorioso e ameaçador.

— Quem é o lento agora, heim? — disse o loirinho triunfante encarando os olhões lilases do amigo.

— Isso não é justo! O Hyoga robô! — o ruivinho resmungou fazendo um bico enquanto tentava empurrar o amigo de cima de si e olhava para Mu. — Papai, o Kiki não sabe usar o Cosmo ainda!

— Isso não é justificativa. É um pretexto! — Mu repetiu a fala de Camus ao se aproximar dos garotos no chão. — Um cavaleiro não pode iniciar uma luta confiando apenas em seu Cosmo.

Com toda a paciência do mundo o ariano se agachou ao lado deles para que ambos escutassem suas palavras.

— Nós, Cavaleiros de Athena, somos guerreiros completos. Isso significa que mesmo privados de nossos Cosmos ainda devemos ser capazes de lutar usando nossas outras habilidades. É por isso que treinamos também o físico. Veja, até mesmo seu Baba, que é o cavaleiro que possui o maior Cosmo entre todos nós, portanto raramente precisa usar força física, é um exímio lutador. — girou ligeiramente o corpo para o lado apontando para a direção onde Shaka treinava seus dois discípulos e mantinha o maior deles, Ágora, que tinha duas vezes o seu tamanho e compleição física, imobilizado no chão. — Hyoga traçou uma estratégia e usou uma vantagem contra você: o Cosmo gelado dele. Ele te pegou de surpresa, mas ainda assim você deveria ser capaz de se esquivar.

Kiki olhou para o pai, depois para o colega em cima de si, então tentou empurra-lo mais uma vez. Não obtendo resultado pelejou para puxar os pés preso por aquela armadilha de gelo, mas todos seus esforços foram em vão.

— Não dá, papai. O Kiki tá preso! Preso de tudo! O Hyoga é muito mais forte e maior que o Kiki. — choramingou injuriado.

— Você está se esquecendo da sua verdadeira força, Kirian! — Mu disse sério, e encarando os olhos do filho projetou sua voz diretamente à mente dele: — “Você não é pequeno, e você não é fraco. Você é um Muviano! Sua grandeza está na capacidade da sua mente, em sua herança genética.”

Dito isso o Cavaleiro de Áries levantou-se e se afastou alguns passos.

— Mostre a ele do que realmente é capaz, Kirian! — ordenou.

Imediatamente após a ordem do pai o ruivinho encarou seu adversário com os ânimos renovados, mas logo em seguida fechou os olhos contraindo as pálpebras com tanta força que as pintinhas em sua testa quase se uniram, então arremessou Hyoga para longe de si com uma onda de choque telepática.

O russo voou pelos ares caindo de bunda no chão alguns metros à frente, e antes mesmo que tentasse se levantar sentiu o peso de Kiki sobre sua barriga, que havia escapado da armadilha de gelo se teleportando.

— O Hyoga não vai mais conseguir prendê o Kiki! — disse sorrindo triunfante e balançando a cabeça ao modo indiano tal qual o gesto que Shaka fazia toda vez que saía por cima de alguma discussão conjugal.

O loirinho riu de volta ainda estirado no chão.

— Não. Mas eu prendi as suas sandálias! — disse.

Kiki arregalou os olhos ao se dar conta de que havia se teleportado sem o calçado.

Mas já era tarde. Hyoga agora o atacava fazendo cócegas em seus pés e sem nenhuma misericórdia.

— Não! Nãooo! Isso é golpe baixoooo! — gargalhava o pequeno lemuriano rolando para o chão.

Observando a cena Camus e Mu trocaram um olhar cúmplice e suspiraram resignados.

No fundo crianças sempre seriam crianças.

— Desculpe Camus. Ele ainda não controla muito bem os poderes e nem a vontade de fazer bagunça. — Mu deu de ombros enquanto golpeava o gelo no chão com os pés o quebrando para recolher as sandálias do filho.

— Podia ser pior. Ele poderia ter esquecido as calças. — o aquariano respondeu já se adiantando em pôr ordem àquela pequena bagunça. — Ok, já chega de farra vocês dois. Se recomponham e vamos recomeçar.

A seriedade de Camus deixou Mu sem saber se aquilo havia sido uma piada. Mesmo assim ele riu.

— Sim, mestre! — respondeu Hyoga prontamente reassumindo a posição de ataque, enquanto Kiki corria para Mu.

— Papai, as sandálias do Kiki! Depressa, antes que o Baba veja que ele tá de pés nus na friagem e dê um sermão nele. — disse ofegante.

— Ah, fosse bom ter alguma friagem nessa fornalha a céu aberto. — reclamou o ariano, depois baixou o olhar para o filho escondendo as sandálias atrás das costas. — Que sandália, cavaleiro? Você as perdeu em batalha. Deve zelar por sua armadura tanto quanto ela zela por ti. Da próxima vez, concentre-se mais quando for fazer o teleporte. Já te disse que um cálculo errado pode ser fatal. E não se preocupe com seu Baba. Ele está bem ocupado passando sermão no B1 e no B2. — deixou escapar um risinho.

***

Bem afastados deles, quase do outro lado da grande Arena o Santo de Virgem soltava os braços de Ágora, os quais mantinha imobilizados usando apenas uma das mãos, para retomar sua postura altiva à frente deles.

Os treinamentos físicos não eram do gosto de Shaka de Virgem, no entanto, uma vez por semana ele descia à Arena para supervisionar a evolução dos discípulos e lhes ensinar novas técnicas de combate, preferencialmente quando Mu também levava Kiki para lá. Era uma forma de ficar de olho na cria.

Não que Shaka não tivesse certeza de que o filho estava protegido sob a guarda do Santo de Áries, mas porque imaginava que o pequeno se sentiria mais seguro naquele ambiente hostil e violento estando ali os dois pais.

— Reassumam suas posições! — ordenou em voz troante e autoritária. Vestia um traje comum de treinamento, sandálias, calça, camisa e um lenço laranja preso entre o ombro e a cintura. — Elevem seus Cosmos novamente, o concentrem em seus punhos e me ataquem! Usem a velocidade a seu favor, façam dela sua aliada e o poder de seus golpes dobrará! Vamos! Ataquem!

Com gritos ferozes cheios de motivação Pavão e Lótus partiram ao ataque dando o melhor de si. Enquanto um saltava para as costas do Cavaleiro de Virgem, o outro já se arremessava aos berros sobre ele visando golpeá-lo no rosto, mas o cerco só durou o tempo de Shaka, em uma fração de segundos, esquivar-se de ambos saltando para cima enquanto um se chocava com o outro indo parar ambos no chão.

— Patéticos! — vociferou o indiano levitando lentamente até seus pés tocarem o solo arenoso. — Levantem-se! Vocês não vão sair dessa Arena até que tenham me acertado um mísero golpe. Incompetentes! Eu vou destruir as armaduras de vocês, já que não são dignos de usá-las!

— Perdoe-nos mestre! — rogou Shiva se levantando e dando a mão à Ágora para ajudá-lo a ficar de pé. — O senhor é rápido demais.

— Ah! Está dizendo que a culpa da incompetência e debilidade de vocês é de Shaka? Ele é um mestre medíocre então? — disse zangado, embora estivesse se divertindo deveras.

— Não mestre, de modo algum! Misericórdia! — disse Ágora em desespero.

— A culpa é nossa, mestre! Nossa! Somente nossa! — reforçou Shiva.

— Mas é óbvio que é... No chão! Os dois! — Shaka elevou a voz apontando para o solo. — 200 flexões. Contem em voz alta para eu ouvir, e depois me ataquem com seus Cosmos ativos. Pavão use sua técnica! De mil braços é impossível que pelo menos um não seja capaz de me acertar... Vocês são ridículos!

— Sim mestre! — ambos responderam em uníssono já se lançando ao chão dando início às flexões. — Um, dois, três, quatro, cinco...

Enquanto contavam eram observados por Shaka, que desviou sua atenção deles apenas por um momento quando virou-se para trás para conferir a quantas andava o treinamento de Kiki e Hyoga. Viu quando o pequeno lemuriano se esquivou do Pó de Diamante do garoto russo e ao em vez de contra atacar foi comemorar a proeza junto do pai. Obviamente Hyoga aproveitou-se do deslize para passar-lhe uma rasteira e lança-lo ao chão, e Shaka sorriu discretamente da inocência do filho.

Mas Virgem não estava ali para acocorar seu pequeno.

— Shaka nem cara mais tem. Vocês gastaram toda ela de tanto a esfregarem no chão desse Santuário... Chamam isso de flexão? Não estou vendo o queixo de vocês tocar o solo! — disse, depois virou de frente para eles novamente.

— Cinquenta e cinco, cinquenta e seis, cinquenta e sete... — os dois seguiam contando. “O mestre é mesmo uma divindade! Até de costas e de olhos fechados é capaz de enxergar nossas falhas. Que abençoados somos por tê-lo como nosso mestre.” Pensou Shiva.

Pobres coitados.

***

Na área onde Mu e Camus treinavam Kiki e Hyoga, ocupando também aquele espaço um pouco mais ao lado estavam Shina, que treinava o jovem Cassius, Algol, Misty, Asterion e Dante, cada um com mais quatro aspirantes a cavaleiro de Prata.

Excepcionalmente nesse dia Geisty não havia descido à Arena, pois ela e Afrodite, que esperava pela chegada de um novo discípulo, haviam ficado no Templo das Bacantes para uma reunião com os novos funcionários. Peixes havia marcado esta propositalmente naquele domingo para evitar estar na Arena junto de Hyoga. Era complicado ter de fingir ser homem e mulher ao mesmo tempo, especialmente na frente dos outros cavaleiros e mais um tanto de gente que sempre ia até a arena para assistir aos treinos.

Lá pelas tantas Algol, o cruel e temível Cavaleiro de Prata de Perseu, traçou um círculo no chão e propôs um duelo a seus dois melhores aprendizes. Queria testá-los ao limite, saber até onde iria suas ânsias por se tornarem cavaleiros de Atena, mas seus modos eram bárbaros.

Algol os fez lutar um embate feroz, cuja única regra era que somente um poderia sair vivo.

Assim, como nas antigas arenas romanas que serviam de palco para os sangrentos espetáculos dos gladiadores, também ali logo um círculo se formou em torno dos dois rapazes que se digladiavam. Uns os incitavam com gritos e silvos grotescos, outros estavam tão assustados que as vozes nem lhes saiam da garganta seca.

Um pouco mais à frente, Mu e Camus olhavam curiosos para aquela turba amontoada ali, sem saber exatamente o que ocorria. Não era de costume cavaleiro algum interferir no treinamento de outro, independentemente de sua patente, por isso ambos tentavam concentrar suas atenções aos filhos que treinavam bem próximo à multidão. Infelizmente a barbárie e brutalidade haviam virado rotina no Santuário de Atena, e a cada dia eles se acostumavam mais com ela.

Mas, aos olhos de uma criança de seis anos criada sob a proteção incansável dos pais aquela selvageria desumana assustava. E muito!

Durante todo o tempo em que treinava com Hyoga, os gritos vindos daquele conglomerado de pessoas inflamadas pela violência capturavam a atenção de Kiki a ponto de deixa-lo tão perturbado e distraído que não fora capaz de se esquivar quando o discípulo de Algol que havia vencido o duelo fora arremessado sobre ele.

Por sorte, Hyoga sim estava concentrado, e seu reflexo fora tão rápido quanto preciso.

Quando sentiu o golpe desferido pelo Cavaleiro de Perseu contra o próprio discípulo, Hyoga saltou até Kiki e rolou com ele no chão impedindo que o rapaz caísse sobre pequenino.

Mas o que se seguiu foi ainda mais terrível para Kiki que ser atingido pelo rapaz.

Ainda no chão, abraçadas as duas crianças agora olhavam para o jovem caído a seu lado. Ele não tinha mais que 15 anos, mas seu semblante duro e assustado deixava claro que já vira mais horror sobre a Terra que muitos olhares que cruzaram muitas mais primaveras. Seu rosto estava todo ferido. Os lábios cortados vertiam sangue, o nariz havia sido esmagado, os olhos inchados gritavam de desespero.

Por alguns segundos eles se encararam, olho no olho. Em silêncio. Estavam tão próximos que a respiração ofegante e forte do gladiador fez respingar gotículas de sangue no rosto lívido de Kiki que parecia paralisado, acometido por um terror singular jamais sentido antes. Então eis que de repente os olhos do condenado vencedor se ergueram mudando seu foco, e imediatamente em seguida esses, que antes eram de um amarelo âmbar vivo, escureceram e se tornaram pedra.

Como eles a pele judiada e os cabelos cacheados do garoto também aos poucos foram ganhando uma coloração cinza fúnebre, e suas texturas pouco a pouco foram tomadas por uma rigidez extraordinária.

Toda a dor e desespero do jovem aprendiz de Algol de Perseu foi eternizada em seu rosto petrificado.

Kiki ainda tinha os enormes olhos lilases pregados naquela escultura medonha quando sentiu-se ser erguido do chão.

Tão perturbado estava o pequeno que nem havia se dado conta de que Hyoga já se levantara e que agora Mu o punha de pé, enquanto ali em torno deles um grupo de cavaleiros discutia.

— Tá maluco? Por que você fez isso, Algol? — Shina questionava o cavaleiro de Prata, que a encarava odioso.

— Eu não tenho que te dar satisfações dos meus métodos, amazona. Não se meta! Ele se negou a executar o perdedor do duelo. Pagou com a própria vida sua desobediência e covardia. — disse Algol justificando seus atos.

— Eu só vejo um covarde aqui. E não é esse garoto que você acabou de matar. Cretino. — disse Shina. — Venha, Cassius. Por hoje chega dessa merda.

— Você é uma frouxa. Não é digna da armadura que veste! — Algol bradou em voz alta vendo a amazona sair dali lhe mostrando o dedo do meio, então ao olhar em volta notou os olhares recriminatórios dos Santos de Áries e Aquário sobre si. — O quê vocês estão olhando? Cuidem das crias de vocês e não se metam. — soltou uma bufada sinalizando para que os aprendizes voltassem ao treino.

Mu bem que queria responder, mas exatamente como Algol dissera sua cria precisava de atenção.

Diferente de Hyoga, que não se abalara porque já estava mais do que acostumado com a violência e a morte, pois que crescia rodeado por ela, fosse ali no Santuário ou na Rússia no seio da truculenta Vory v Zakone, Kiki se encontrava extremamente assustado. Seu diminuto corpinho tremia por inteiro. Seu olhar aterrorizado estava úmido. Não chorava, mas agarrara-se às pernas do pai em busca de alento e proteção.

Por conta de seus dons raciais o pequeno lemuriano não apenas tinha testemunhado a morte do rapaz, mas a tinha sentido. Seus olhos muvianos vislumbraram em horror a aura amedrontada do jovem discípulo de Algol sentido nela todo seu terror e dor. E mesmo depois da morte dele essa ainda pairava sobre seu corpo petrificado como se relutasse em deixa-lo. Até momentos depois extinguir-se por completo.

Era quase como se Kiki tivesse passado ele mesmo por aquela terrível experiência. Uma criança que desde que nascera só sentira o amor e a proteção sendo emanados de todos que o rodeavam.

Sabendo disso, com bastante calma e paciência Mu se inclinou e tocou suavemente os cabelos cor de fogo do filho, lhe fazendo uma de carícia.

— Calma filhotinho. Já passou meu amor. — disse com doce voz.

— Ele morreu papai! — Kiki murmurou apertando com ainda mais força as pernas do ariano, que ficou sem saber o que dizer. — Ele morreu... Que dó, papai, que dó dele!... Doeu muito, o Kiki sentiu! — levantou a cabeça e olhou dentro dos olhos do pai. — Por que? Por que fizeram isso com ele?

Mu pensava no que responder quando uma enorme sombra se projetou sobre eles.

— Porque na guerra quem poupa a vida de um inimigo condena a si próprio e à todo o grupo.

Quem falou foi o próprio Patriarca em pessoa, que havia descido à arena assim que percebeu as intenções do Cavaleiro de Prata de Perseu. Seu rosto carregado agora livre da máscara exibia a boca encurvada e severa, e os olhos jades nadavam num oceano rubro de ódio. Esses encaravam firme Algol, que prontamente lhe fez uma reverência.

— Excelente iniciativa, Algol de Perseu. Não podemos ter no exército de Atena guerreiros apegados à misericórdia ou mesmo à dúvida. — disse.

— Obrigado, Grande Mestre. — disse o cavaleiro de Prata, em seguida o Patriarca lhe fez um gesto o dispensando dali.

Nessa hora, Camus, que estava ao lado dele, não conseguiu deixar de refutar.

— Non estamos em guerra. Non ainda. E aquele garoto non era um inimigo.

Gêmeos voltou o rosto grave para o aquariano.

— Ora, veja só! Se não é o maior predador da Bratva condenando uma execução! — disse em tom de deboche. — Você está treinando o seu filho, Aquário, e o conhecendo como o conheço acredito que não o esteja poupando de nada, afinal ambos sabemos que quanto mais se sua no treinamento, menos se sangra na guerra*. Aliás... quero parabeniza-lo pelo trabalho que vem fazendo com seu pupilo. Quando soube que viriam à Arena hoje eu fiz questão de acompanhar seu treinamento pela tribuna... Se continuar assim, não tenho dúvidas de que Hyoga seja apto a conquistar a lendária armadura de Cisne. — fez uma pausa e então voltou a olhar para Kiki, que se escondia atrás das pernas de Mu, e nessa hora sua boca grossa esticou-se toda num riso repugnante de escarnio: — Já não posso dizer o mesmo do seu discípulo, Áries.

Mu ergueu os olhos para Gêmeos o encarando.

— Qual o problema desse garoto? — o geminiano prosseguiu com a zombaria. — Seu pupilo mais parece um cordeirinho assustado do que um aprendiz de cavaleiro.

Tentando manter seu auto controle Mu inclinou-se ligeiramente levando a mão para trás a pousando sobre a cabeça de Kiki para tranquiliza-lo, sem desviar os olhos do rosto duro do Patriarca.

— Ele está apenas assustado com o que viu, Grande Mestre. Nossa raça é sensitiva, como você deveria saber, e Kiki é ainda muito pequeno para lidar com certas situações. — o ariano respondeu em tom ríspido.

— Hum... Sei. — Gêmeos debochou arqueando as sobrancelhas. — Realmente, seu filho é muito pequeno, Áries. Tem seis anos, mas mais parece um bebêzinho. Tem certeza de que essa criança não tem algum tipo de retardo?

O grego parecia ter prazer em provocar aquele cavaleiro em particular.

E por mais que Mu tentasse não cair em suas provocações, daquela vez Gêmeos extrapolara. Ouvir aquele insulto fez seu sangue ferver nas veias e sua fisionomia se fechar em fúria. Maldito! Ele pensou. Como aquele demônio inescrupuloso ousava ofender uma criança daquela maneira? Sim, apenas ofender e provocar gratuitamente, pois tinha consciência de que Gêmeos conhecia muito bem as peculiaridades da raça lemuriana, e Kiki, um Muviano que com apenas seis anos de idade já controlava o teleporte e desenvolvera a telepatia e a telecinese, deveria ser considerado um verdadeiro prodígio.

Indignado Mu inconscientemente elevava seu Cosmo já fechando os punhos enquanto rangia os dentes. Iria responder àquela pergunta imbecil, àquele insulto, com um soco bem dado bem no meio da fuça daquele demônio arrogante, mas quando estava prestes à perder o controle e partir para cima dele em defesa de sua cria eis que sentiu o toque pesado da mão de Aquário em seu ombro lhe chamando a atenção.

— Non! — Camus sussurrou se colocando na frente de Mu para o encarar nos olhos e através do olhar e da palavra sussurrada o trazer de volta à razão. — É isso que ele quer. Non caia na armadilha dele.

Mu encarou o aquariano por um momento e então respirou fundo, e essa foi a deixa que Camus encontrou para virar-se de frente para o Patriarca e dar um jeito de cortar logo o assunto desviando seu foco.

— Non se engane pelas aparências, Grande Mestre. — disse o ruivo em tom tranquilo e até jocoso, sem perder a oportunidade de alfinetar o geminiano. — Talvez, na condição atual em que se encontra o senhor Non se lembre, talvez nem saiba, mas quando éramos todos aprendizes e treinávamos nessa mesma arena Mu já era um cavaleiro de Ouro. Era bem mais velho que todos nós, porém ainda assim parecia um fedelho apenas... Kiki possui grandes talentos. Mas... voltando ao assunto do meu pupilo, eu estou certo de que ele seja totalmente apito a conquistar a lendária armadura de Cisne sim. O estou treinando justamente para isso. O cosmo de Hyoga está cada vez mais forte e em breve já poderei entrar na etapa final de seu treinamento. — pousou a mão sobre o ombro de Hyoga que disciplinadamente permanecia parado a seu lado com as mãos atrás das costas, as pernas afastadas e a cabeça erguida.

Gêmeos dirigiu um último olhar a Mu sem desmanchar o irritante sorriso cínico dos lábios, então deu as costas aos dois cavaleiros e iniciou um caminhar lento.

— Eu me lembro de tudo sim, Aquário, apenas não considero uma grande proeza... Quanto a seu pupilo eu não tenho dúvidas acerca de seu progresso. Testemunhei pessoalmente do que ele é capaz. Já quanto ao aprendiz de Áries... Creio que esteja sendo apenas... otimista. Está mais do que óbvio que é uma criança limitada.

Diante daquelas insalubres palavras Camus imediatamente segurou no ombro de Mu mais uma vez, que tremia em demasia tentado conter o próprio impulso de voar na garganta do Patriarca.

— Non perca a cabeça. Non faça isso na frente do seu filho. — o francês sussurrou para o lemuriano.

— Eu não vou perder... Não se preocupe, eu só EEEEEEEEEEHHHIII!!

Áries respondia a Camus quando de repente algo, na verdade alguém, se chocou contra eles na hora em que passou por ali desembestado e enlouquecido feito um búfalo desgarrado do bando. Ambos quase foram ao chão sem tempo ao menos de ver o que lhes atingiu.

De fato Mu não perdeu a cabeça.

Mas Shaka de Virgem sim.

— SEU BOSTA! — o indiano vociferou contra o Patriarca no mesmo instante em que espalmava as duas mãos em suas costas largas e lhe dava um empurrão. — Repita o que você disse, excomungado!

Com o forte tranco e a surpresa Gêmeos chegou a se desequilibrar, mas se manteve de pé e sua reação foi imediata. Virou-se de frente para Shaka e com uma rajada de Cosmo o empurrou de volta o lançando ao chão.

— Seu maldito! Se encostar as mãos em mim novamente, Virgem, vai ficar sem elas! — rosnou enfurecido. Os olhos faiscando uma chama rubra do mais legitimo ódio enquanto já se colocava em posição de ataque, pronto para o embate.

— Shaka!... O que pensa que está fazendo? — disse Mu alarmado enquanto ajudava o virginiano a se levantar do chão. — Pelos deuses! Se controla! Não vale a pena.

Ao lado deles Camus levava a mão ao rosto apertando o centro dos olhos.

— Oh, Dieu! Merde! — resmungou baixinho para si mesmo, já prevendo a desgraça que tentara tanto evitar.

Mas felizmente a desgraça anunciada não aconteceu.

E tudo por conta de um nariz escorrendo.

Tudo acontecera muito rápido.

Na verdade levara apenas dois minutos e alguns segundos. O tempo exato que Shaka de Virgem levou para perceber o que acontecia do outro lado da arena e corresse para junto do filho e do marido.

Quando chegou ali Virgem ouviu as últimas palavras ditas pelo Patriarca, e seu sangue entrou em ebulição dentro das veias.

Estava prestes a lançar-se novamente para cima do geminiano, já se desvencilhando das mãos de Mu que o seguravam com força, quando de súbito sentiu um leve puxão em sua roupa.

Ao abaixar a cabeça abriu os olhos e viu a face assustada de Kiki, com seus olhões lilases marejados a olharem para si suplicantes.

— Baba, para de briga. — pediu a vozinha infantil. — O Kiki quer ir no banheiro soar o nariz. Leva ele, Baba.

— Por Buda! — exclamou o virginiano imediatamente agachando-se em frente ao filho para segurar em seu rostinho com ambas as mãos trêmulas. — Você está sangrando! MU!

Quando Áries se voltou para eles e olhou para Kiki tomou um susto.

O nariz do pequeno lemuriano sangrava abundantemente, a ponto do sangue escorrer-lhe pelo queixo e pescoço já ensopando a camisa.

— Pelos deuses! — disse ao se abaixar ao lado do marido para examinar o nariz do pequeno. — Você bateu o nariz no chão, filho? Bateu a cabeça?

— Não papai. O Kiki não bateu nada. — respondeu o ruivinho que mantinha a cabeça levantada, pois Shaka a segurava nesse posição.

— Por que ele está sangrando assim, Mu? — Virgem olhou alarmado para o ariano.

— Eu não sei... — Áries respondeu, igualmente apreensivo. — Me dá seu lenço. Temos que estancar isso.

Shaka na mesma hora arrancou às pressas o lenço laranja que usava e o entregou a Mu.

— Aqui, filhote, aperta forte contra o nariz... Assim. — instruía o ruivinho pressionando o lenço contra seu rosto.

Ao lado deles Hyoga chegava curioso e assustado.

— Será que eu bati nele muito forte, senhor Mu? É culpa minha? — perguntou preocupado com o amiguinho.

— Não, Hyoga. Não bateu não. Eu acompanhei todo o treino de vocês. Não fizeram nada do que já não tenham feito nas outras vezes. — disse Mu o tranquilizando, depois olhou para ele e lhe fez uma carícia nos cabelos loiros. — Você foi muito cuidadoso com ele, como sempre é. Não é sua culpa.

— Eu protegi a cabeça dele quando rolamos no chão. Ele não bateu ela no chão. — reforçou Hyoga.

— Eu vi! Você foi muito esperto! Não se preocupe, isso não têm nada a ver com o treino de vocês... Não era para isso estar acontecendo.

Muito preocupado Mu se levantou já com o filho no colo e encarou o Patriarca, que assistia à cena com uma fisionomia de total indiferença.

— Com licença, Grande Mestre, mas tenho um assunto bem mais importante a lidar do que responder aos seus insultos. — disse Mu, que com a outra mão segurou Shaka pelo braço o puxando para junto de si. — E você vem comigo.

Sem fazer nenhuma objeção o virginiano deu as costas a Gêmeos mais que depressa e seguiu caminhando ao lado de Mu.

— Onde pensa que vai, Virgem? — o Grande Mestre vociferou. — É preciso apenas um de vocês para socorrer a criança. Além disso, os seus discípulos estão saudáveis e aptos para prosseguirem com o treinamento, e nós temos um assunto a resolver aqui, suponho. Seu cretino de bosta.

Shaka então parou e virou-se para ele. Seus olhos azuis celeste se estreitaram enquanto o mediam de cima à baixo.

— Vá a merda, Gêmeos!

Foi tudo o que Shaka disse antes de seguir com Mu para fora da Arena.

Parado ali o Patriarca rosnou enfurecido.

— Eu ainda acabo com a raça desse sujeitinho intragável. — murmurou.

Camus, que não estava acostumado a apaziguar ânimos, mas sim inflama-los, contrariando a si mesmo foi até ele colocando-se à sua frente. Gêmeos era um homem tão poderoso quanto perigoso, ardiloso e astuto. E lidar com ele exigia perícia e um tanto de sangue frio, ou o que já era ruim ficava ainda pior. E parecia que Shaka de Virgem não aprendia nunca a lição.

— Releve, Grande Mestre. Eles estão nervosos pelo pequeno. — disse o aquariano. — Se não se importar por ser domingo, e não for atrapalhar sua agenda de compromissos, eu queria aproveitar essa tarde ainda para discutimos aquela negociata com o juiz que está tratando do processo movido contra um dos nossos cassinos em Atenas. Eu acho que já chegamos a um acordo.

Ainda injuriado Gêmeos olhou para ele contraindo o rosto.

— Suba ao meu Templo as 19:00 horas. Mas já vou avisando de ante mão que não pagarei nenhum centavo a mais da proposta inicial.

— Non será preciso. Eu o convenci a aceitar a propina proposta por nós.

— Excelente.

Dito isso o Patriarca lhe deu as costas e se retirou em direção a tribuna.

Quando restaram ali apenas mestre e aprendiz, Hyoga finalmente relaxou sua postura e tocou na mão de Camus. Agora que o treino havia acabado eram apenas pai e filho.

— Pére.

— Oui?

— O Kiki vai ficar bem? — perguntou aflito. — Eu sei que o senhor Mu falou que não fui eu, mas estou preocupado.

Camus encarou o filho e lhe bagunçou os cabelos loiro.

— Non fique. Tenho certeza que foi apenas um susto. Bom... já que terminamos o treino mais cedo hoje... — fez uma pausa e se abaixou para poder falar baixinho, rente ao rosto do loirinho. — Que tal irmos para casa, então tomamos um banho e convidarmos nossa Peixinha para dar uma fugidinha do Santuário? Podemos jantar juntos no Vênus! Às 19:00 eu venho para a reunião com o Grande Mestre, que será rápida, e volto para lá. O que acha?

Imediatamente Hyoga abriu um sorriso imenso e abraçou o pescoço do pai.

— Eu acho perfeito, pére! — lhe sussurrou de volta.

— Então non vamos perder tempo.

Animados, pai e filho deram as costas para a Arena e voltaram às Doze Casas subindo as escadarias apressados, visto que nada no mundo deixava aqueles dois aquarianos mais felizes que estar junto de Afrodite.

*Frase de autoria de George S. Patton

Nosso grupo no face "Fics trio ternura"

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