Templo das Bacantes Vol. 3

35 Amor à flor da pele - Parte 2


Notas iniciais
Seguinte... a capa do capítulo esta PUTA QUE PARIU QUE COISA LINDA.



Era alta madrugada quando o esportivo de luxo adentrou os portões da mansão, e diferente de como costumeiramente fazia, o condutor dessa vez não se dirigiu à garagem para deixa-lo estacionado ao lado dos outros inúmeros automóveis igualmente ou bem mais caros, mas quedou-se bem em frente à entrada principal da residência.

Quando a porta do motorista se abriu, dela saltou um homem de porte imponente que trajava um terno preto já bem amarrotado, ainda assim muito elegante; rapidamente ele contornou o veículo e abriu a porta do carona de onde saltou outro belo homem de terno azul marinho igualmente amarrotado, mas arruinado por manchas de sangue já seco.

— Chefe, chegamos! — o motorista avisou conforme ajudava o passageiro a firmar os pés no chão, uma vez que cambaleava de um lado a outro feito um galho quebrado sacudido pelo vento.

— Eu disse que non precisava me trazer para casa, Andreas! Merde! Homem teimoso! — Camus reclamou tateando o chão com o bico do sapato caprichosamente engraxado para ter certeza de que pisava em solo firme e não em nuvens de algodão.

— Não me custava nada trazê-lo em segurança, homem. — Andreas respondeu prestativo, agora o segurando pelos ombros o orientando para que ficasse com a postura ereta.

— Tu fais chier*... — ralhou o aquariano piscando os olhos enquanto tentava abotoar o paletó, nem se dando conta de que este tinha perdido todos os botões. — Acha que eu non sou capaz de dirigir meu próprio carro?... Me solta! — deu um safanão na mão dele o afastando. *(Você é chato para caralho.)

— Não, meu Vor! — Andreas mentiu descaradamente. Estava mais do que óbvio para ele e para qualquer um que Camus não tinha condições nem mesmo de pilotar uma bicicleta de rodinhas na descida, quanto muito um carro esportivo potente como aquele; claramente ele jamais diria isso a ele, tampouco o deixaria desconfiar. O humor do Vor estava terrível e provoca-lo nessa situação seria suicídio declarado. — Acontece que o delegado de merda que a gente quebrou na porrada ainda está aí, no porta malas.

Camus olhou para ele com um olhar surpreso e assassino.

— Mas que merde, Andreas!

— Por isso mesmo. Achei que fosse querer que eu desse um jeito nele ainda hoje e depois mandasse lavar seu carro para apagar as evidências... Amanhã pela manhã ele já estará na sua garagem, limpo como xoxota de virgem! — Deu uma risada seguida de um tapa no ombro de Camus que o fez perder o equilíbrio já prejudicado e quase ir ao chão. Por sorte o segurou a tempo. — Opa! Não cai não, chefe... O motivo por eu ter te trazido foi só para adiantar as coisas. Logo o presunto vai feder, né.

Andréas blefava, pois que já havia dado sumiço no corpo horas antes. Usara aquilo como desculpa para justificar ter pego as chaves do carro e dirigido até ali, agora torcia para que Camus acreditasse e não fosse conferir o porta malas. Só queria mesmo entregar o chefe são e salvo em casa.

Aquário ficou por um momento imóvel e calado, enquanto olhava de esgueira para o homem ao seu lado, com as sobrancelhas bifurcadas arqueadas e os lábios comprimidos. Seu olhar se estreitou por um momento e Andreas então não soube dizer se ele tentava focar a visão em sua face ou se estava desconfiado.

— Bom!... Bom, Andreas, bom! — disse Camus quebrando o silêncio e batendo descoordenadamente o dedo indicador na testa. — Sempre pensando à frente! Muito bom!... É por isso que eu o escolhi para estar ao meu lado, Andreas! Você é muito eficiente!

Andreas sentiu-se simultaneamente orgulhoso e culpado, principalmente por estar usando a elogiada inteligência para enrolar o chefe o mandando para casa antes que seu estado piorasse.

— É uma honra ter a sua confiança, Vor.

— Oui, Oui... — Camus abanou a mão indiferente. — Agora pode ir! Vá alimentar as baleias. Boa noite, Andreas.

Mal terminou de falar e o Cavaleiro de Aquário deu as costas ao capanga, seguido em direção à porta de entrada, cambaleando e tropeçando nos próprios pés. Andréas o acompanhou com os olhos por todo o percurso para se certificar de que ele entraria, mas assim que viu a porta sendo aberta por Fyodr, que o recebeu e o colocou para dentro em segurança, enfim sossegou e retornou ao carro. Chefe nervoso, bêbado e drogado seguro. Missão cumprida.

Dentro da mansão Camus dispensou a ajuda do mordomo e silenciosamente caminhou pelos corredores em direção à sua suíte. Apoiava-se nas paredes vez ou outra para não cair, tendo a impressão de que aquele percurso era muito menor quando se estava sóbrio, ainda que não admitisse de jeito nenhum estar bêbado como um gambá. De fato ele podia reter qualquer substância entorpecente que circulasse em seu corpo, a perícia excepcional com que manipulava seu Cosmo lhe conferia essa habilidade, logo não mentiu para Andreas, e não podia considerar mentir para si mesmo, uma vez que se quisesse ficar sóbrio bastava-lhe acender seu Cosmo. Mas naquela noite o que o fizera aceitar que um subalterno o trouxesse para casa não foi a impossibilidade de dirigir seu próprio carro e sim a imensa vontade de permanecer fora de si.

O dia de Camus fora um completo desastre.

Sua posição como Vor ainda não estava totalmente firme, já que era um homem muito jovem para um cargo de tamanho peso. Além disso, tinha o fato de ser estrangeiro, o que quadriplicava suas dificuldades em manter seus homens e aliados fiéis a si e o império do crime sob suas rédeas. Outro problema era sua viagem à Sibéria. De fato deixar Moscou agora não era o ideal, mas ele já tinha adiado o inadiável o máximo que conseguiu. Hyoga já estava atrasado em seu treinamento, e o peso do dever sob seus ombros era imenso. Camus, portanto, nos últimos meses trabalhava feito louco para conseguir conciliar as duas funções, a de Mestre e a de Vor.

Mas o destino parecia não querer colaborar com ele. Todos os tipos de problemas, dos mais simples aos mais absurdos, surgiam do nada e lhe exigiam medidas extremas e resoluções rápidas; naquele dia não foi diferente. Parecia até que o mundo resolvera girar em função de “lhe foder”, e sem cuspe de misericórdia. Logo pela manhã ele acordou com a notícia de uma rebelião no presídio onde estava grande parte dos líderes de outras células da Vory v Zakone, e seu dever como o Vor dos Vorys era garantir a segurança e sobrevivência de seus homens no meio de uma guerra entre facções rivais e a polícia. Enquanto ainda lidava com o problema da rebelião, um de seus inúmeros celulares tocou lhe avisando que um mandado de busca e apreensão foi enviado a um dos prédios comerciais da máfia onde era lavado grande parte do dinheiro do crime; um policial infiltrado conseguiu reunir provas e agora o prédio tinha sido fechado e pelo menos vinte dos seus homens presos. Isso por si só lhe rendera uma dor de cabeça sem precedentes, pois que entre eles haviam laranjas, estelionatários e figuras públicas que sob tortura com certeza o entregariam. Só o dinheiro que gastaria para molhar a mão das pessoas certas e pagar advogados para resolver a situação poderia facilmente levar todo seu império à falência, claro, isso se não soubesse lidar com a situação de maneira fria e cuidadosa. Felizmente ele era frio e calculista o bastante para sair de situações como aquela, mas tudo isso junto foi a gota d’água que fez seu aquário transbordar.

Camus desejava ser qualquer outra pessoa no mundo naquele dia, menos ele mesmo.

Já que isso não era possível, havia sempre a opção de entorpecer-se até que sua mente esquecesse de si mesmo.

Fora por isso que regado a muita vodca pura ele deliberadamente escolheu acompanhar seus homens até um bordel, onde cheirou quantidades absurdas de pó branco da melhor qualidade servido diretamente nos corpos de miseráveis prostitutas russas.

Se Andréas não o tivesse tirado dali com aquela desculpa esfarrapada que criara e muita paciência, provavelmente não voltaria para casa naquela noite; ficaria ali, jogado em algum sofá de couro fedendo à cigarro e sexo enquanto alguma vagabunda qualquer se esfregava em seu corpo drogando-o constantemente até que ele estivesse à beira da inconsciência.

No entanto, como ainda lhe restava um fio de consciência, assim que entrou em sua suíte luxuosa, sem nem acender as luzes, pois que já tinha cada pedacinho daquele espaço tão íntimo gravado na memória, aos tropeços Camus pegou o rumo do pequeno bar que havia ali; queria continuar no aconchego de seu quarto o que havia começado na boate, mas se deteve logo nos primeiros passos quando um perfume suave e muito bem conhecido sobrepujou toda a confusão mental. Imediatamente ele virou-se para a direção da enorme cama e mesmo na penumbra conseguiu ver a silhueta do homem que dormia suavemente sobre os lençóis macios. Seu coração deu saltos dentro do peito na mesma hora e um sorriso de genuína satisfação iluminou seu rosto corado pela bebedeira.

— Ma belle rose... — murmurou feliz.

Camus havia sentido o Cosmo de Afrodite ali em Moscou muitas horas antes, ainda pela manhã, mas seu dia fora tão atribulado que não tivera nem mesmo tempo de fazer uma ligação para ele. Sabia que nas últimas semanas o pisciano estava vindo mais à Rússia para estar com Hyoga por conta da proximidade da viagem à Sibéria, e nem sempre podiam se ver. Ele achou que por conta da demora em voltar para casa Afrodite tinha voltado à Grécia, como às vezes acontecia. Mas ele estava ali, em sua cama, dormindo feito um anjo.

— Mon amour! — Aquário sussurrou com voz embriagada já caminhando eufórico até o leito. Afrodite era absolutamente tudo o que precisava naquele dia maldito.

Camus subiu na cama do jeito que estava, de terno e sapatos, e sentindo uma alegria que poucas vezes ele sentia, engatinhou sobre o colchão até por fim jogar todo seu peso em cima daquele corpo estupendo e perfumado que dormia.

— Aaaah... meu peixinho! Você estava aqui esse tempo todo... — sussurrou e em êxtase absoluto enfiou a cara nos cabelos azuis perfumados aspirando o perfume de rosas que tanto amava, enquanto chafurdava entre eles em busca da pele quente e alva. Quando encontrou beijou tudo que seus lábios alcançavam, pescoço, ombros, nuca... Suas mãos levemente descoordenadas corriam cobiçosas pelo corpo esbelto e torneado, apalpando, apertando, arranhando a carne macia, até que subitamente se detiveram nas nádegas ao tocarem algo bem diferente da textura aveludada da pele.

Nessa hora Camus sorriu faceiro. Afrodite usava uma calcinha de rendas, minúscula e sem vergonha, que por conta da escuridão do quarto não havia notado. O francês então gemeu baixinho mordendo os lábios enquanto enrolava os dedos na peça, a puxando para cima para que se enterrasse toda entre as nádegas do pisciano, que desperto pelos toques, os beijos e o cheiro forte de álcool e cigarro, remexeu-se preguiçosamente debaixo dele, já sentindo a pele toda arrepiada.

— Hum... até que enfim você chegou — disse Afrodite com um sorriso manhoso no rosto que esfregava contra a fronha macia do travesseiro, desfrutando já excitado das carícias que o ruivo fazia em seu corpo. — Eu estava sonhando que um caminhoneiro cafuçu, recém saído de um puteiro de beira de estrada e cozido no baygon e no padê, tinha se jogado em cima de mim... mas que bom que não era sonho e sim você, mon amour.

— Oui, sou eu, ma belle...

Peixes riu e em seguida fez uma tentativa de virar-se de frente para Camus, mas este o segurou com força pelos ombros e o espremeu contra o colchão, o fazendo ficar na posição em que estava.

— Non... Fique assim — disse ele esfregando e pressionando o quadril contra a bunda do sueco.

Afrodite gemeu languido debaixo dele. Adorava aquela postura dominante e rude do aquariano.

— Onde você estava até essa hora? — Peixes perguntou com a cara socada no travesseiro. Camus quase não ouvia sua voz.

— Trabalhando... Me desculpe... Se... se eu soubesse que tinha ficado em Moscou eu teria voltado mais cedo para casa para fazer isso...

— Hum... isso o quê? — perguntou o pisciano com sum sorriso safado no rosto, empinando a bunda e gemendo para provoca-lo.

— Te foder até a morte!

Logo em seguida daquela resposta dita em voz rouca e tom terrivelmente obsceno, Camus mordeu a nuca de Afrodite e às pressas, ainda que com bastante dificuldade devido à falta de coordenação motora, tentava baixar o zíper da calça.

— Ah! Porra! — ralhou quando já nervoso finalmente conseguiu puxar o pênis rijo para fora da cueca. — Você é tudo o que eu preciso hoje, Afrodite... Ah, Dieu!... Preciso que me enlouqueça até que me faça esquecer meu próprio nome!

Nesse ponto, tomado por um frenesi luxurioso insano, completamente entorpecido, porém já muito excitado, Camus usou seu corpo para prender as pernas e os braços de Afrodite com força, o mantendo imóvel debaixo de si. Suas ações eram afoitas e desajeitadas, não havia tempo sequer para tirar as roupas, como se tivesse a necessidade urgente de se enterrar inteiro dentro daquele homem ou caso contrário morreria.

Então, depois de uma palmada forte e dolorida na bunda do noivo ele agarrou a parte de trás da calcinha, grosseiramente a puxou para o lado e sem qualquer aviso ou preparação posicionou o pênis entre as nádegas dele e o penetrou de uma só vez. Duro e seco.

— Aaaaaah, putain, Aphrodite! (Aaaaaah, porra, Aphrodite!)

Debaixo dele, Peixes afundou o rosto no travesseiro para abafar o grito que escapou de sua boca, e por mais brutal e violento que aquele ato pudesse parecer, os dois homens sobre a cama partilhavam do mesmo êxtase.

Camus arremetia-se dentro daquele corpo feito uma besta descontrolada, rosnado, gemendo e arfando, enquanto lhe puxava os cabelos, o mordia e o sacudia com cada vez mais força e vigor, e Afrodite por sua vez se deixava levar, mantendo-se imóvel e à mercê dele tal qual uma boneca de pano. E pelos deuses! Como adorava ser tomado daquela forma por Camus. O prazer que sentia em ter aquele homem forte e perigoso em cima de si, cheirando a todo tipo de subversão, desde álcool a sangue e pecado, urrando e gemendo obscenidades em sua língua mãe enquanto metia aquele pau duro e grosso em sua bunda não poderia ser medido em palavras. Ele simplesmente ia ao delírio quando Camus era violento daquele jeito. E era incrível como um homem que a poucos minutos mal podia se manter de pé agora o fodia com tamanho vigor.

— Aaah isso Camus... me fode assim, seu mafioso malvado... bandido bêbado aaah... — gemia Peixes convulso em delírios, o que instigava absurdamente o aquariano, cujas estocadas se tornaram tão fortes e violentas que o barulho da carne se chocando e da cama rangendo ecoava alto pelo quarto.

E foi assim que entre beijos, mordidas e gritos de prazer delirante, Camus e Afrodite passaram longos minutos, primeiro na cama, depois no chão e até pelas paredes da suíte, feito dois gatos selvagens em pleno ato de acasalamento.

Haviam perdido completamente o controle de si mesmos e de seus desejos, exatamente como o aquariano ansiava.

***

A certa altura — ele não saberia precisar aproximadamente quanto tempo transcorrera nem se quisesse — num rompante de consciência Camus se deu conta de que estava nu e com metade do corpo debruçado sobre o balcão de madeira do minibar.

Ele também não saberia dizer como foi que chegou ali, tampouco em que momento seu terno fora trocado pela calcinha minúscula que Afrodite usava antes.

Confuso Camus passava as pontas dos dedos pela renda da peça que lhe apertava o pênis duro e os testículos causando um certo incômodo, mas também lhe pondo absurdamente excitado. Apertando os olhos como que para buscar qualquer vestígio de lucidez, ele levou a mão ao rosto e então surpreendeu-se ao tocar os lábios, que estavam lambuzados por uma textura pegajosa com cheiro doce de morango.

Batom? Ele pensou absorto.

Sem aviso um tranco forte lançou seu corpo para frente, então em reflexo ele agarrou-se ao balcão de madeira porque seus tornozelos fraquejaram ameaçando virar; só assim ele percebeu que seus pés estavam apertados nos saltos altíssimos dos scarpins de Afrodite.

— Aaaaaaa Dieu... Délicieux, Aphrodite! — gemeu alto e em sincronia com as estocadas vigorosas que Afrodite dava em sua bunda, recobrando a consciência.

De repente, Camus sentiu seus dois punhos serem tomados por mãos fortes e seus braços levados para trás das costas, posição que o forçou a ficar com o peito e o rosto totalmente colados no balcão do mini bar.

— Você gostou dos meus sapatos? — Peixes sussurrou a pergunta inclinando-se sobre ele.

— Oh... oui je l'ai aimé... hum... (Sim, eu adorei eles.)

— Ah, porra... você tá um tesão com eles, Camus — Afrodite sussurrou antes de abrir a boca e morder a carne suada das costas do aquariano, sem deixar de empurrar-se para dentro dele com ainda mais força e excitação. — Está uma verdadeira princesa... A princesa vadia e suja du papa!

— Oui, papa... Baise moi! Putain de merde c´est délicieux! Aaaah... papa... (Sim, papai! Me fode. Porra que delícia!)

Camus gritava sem nenhum pudor, e toda aquela depravação punha Afrodite enlouquecido por um prazer tão violento que chegava a entorpece-lo. Era como se sua razão e raciocínio fossem minados a cada nova investida que infringia àquele corpo em chamas, e tudo que restasse fosse a terrível necessidade de satisfazer a luxúria de ambos.

— Isso, Camus, pede... — disse ele soltando os punhos do ruivo e endireitando a postura para que pudesse ter uma visão privilegiada de seus pênis entrando e saindo de dentro dele. — Pede para o seu papai te foder, princesa vadia.

Junto da ordem veio um tapa forte na bunda.

— Oh baise moi, Aphrodite! Plus fort! — Camus implorou contraindo as nádegas quando mais tapas vieram fazendo levantar vergões rosados em sua pele. — Je suis ta pute, papa. (Me fode, Afrodite. Mais forte. Eu sou sua puta, papai.)

— Ah, sim, você é a minha vadia, Camus.... Minha vadia suja da bunda gulosa, do jeito que eu gosto.

— Oui, je suis! (Sim eu sou.)

Peixes tinha os olhos azuis brilhantes fixos nas nádegas vermelhas de Aquário, então inclinou-se novamente sobre ele e deslizou a mão até o meio de suas pernas, a enfiando dentro da calcinha e segurando-lhe o pênis turgido com relativa força.

— Olha como você fica duro quando eu te bato e te como desse jeito... quando eu te deixo todo marcado assim — disse, e deu outro tapa forte por cima dos vergões.

— Oh Dieu! — Camus gritou enlouquecido. — Oui... Veuillez me marquer, Aphrodite... laisse moi avec ta marque aaaaaaaah... (Sim, me marque, por favor, Afrodite. Me deixe sua marca.)

Camus contraiu-se todo quando Afrodite começou a masturba-lo quase na mesma cadência que o penetrava, e se pudesse morrer de prazer ele tinha certeza que estava bem próximo da morte. Sua bunda doía pelas investidas incessantes, a garganta estava seca, a pele das nádegas ardia, seu corpo todo estava trêmulo e quente e a sensação dos pés apertados dentro daqueles sapatos de mulher lhe causavam um frenesi inexplicável.

Sentia que a qualquer momento seu corpo pudesse colapsar, mas ele nem ousava pensar em parar, porque naquela situação deprimente e humilhante era que encontrava o prazer indizível que fazia seu peito queimar como brasa.

O Santo de Aquário já nem se lembrava mais de quem era, exatamente como queria. Nesse momento ele existia apenas para satisfazer os desejos mais profanos de sua alma, e a única pessoa no mundo que entendia suas necessidades, e que podia fazê-lo sentir tais coisas, era Afrodite de Peixes.

— Você... aaahh... você quer que eu te marque? — Peixes sussurrou roçando os dentes nos ombros dele. Deu uma mordida bem ali e o sentiu ter um espasmo em resposta.

— Oui, je le veux! (Sim, eu quero.)

— Mais ainda?

— Oui aaaaah... plus! (Sim, mais!)

Com algum esforço, Camus conseguiu se inclinar para o lado e olhar para os próprios pés calçados no sapato feminino, e essa simples visão, ainda que embaçada pela bebedeira e a penumbra do quarto fez seu pênis, já bastante sujo com os prazeres anteriores, pulsar forte na mão de Afrodite, que aproveitou-se do estímulo repentino, ainda que desconhecesse de fato a causa, para fazê-lo gozar mais uma vez; então, quando o percebeu arquear as costas e uivar de prazer pelo orgasmo avassalador que se avizinhava, sentiu um êxtase tão violento que rasgou a calcinha que ele usava e desferiu mais meia dúzia de tapas estalados naquelas nádegas obscenamente redondas, indo ao delírio cada vez que o sentia contrair-se e seu corpo sugar seu pênis, o esmagando deliciosamente dentro dele.

Quando enfim o prazer de ver Camus completamente desfeito em suas mãos arrebentou-se também para Afrodite num orgasmo intenso e arrebatador, este derramou-se dentro dele enquanto alucinado o marcava para sempre, exatamente como ele lhe pedira.

***

Horas depois...

Foi com imensa dificuldade que Camus piscou os olhos avelãs sentindo as pálpebras pesadas como nunca; era como se lhe tivessem derramado super cola sobre elas. Na boca um gosto amargo e azedo o fez molhar os lábios com a língua fazendo uma careta, enquanto se movia com extremo cuidado para tirar o corpo de Afrodite de cima do seu braço dormente.

Em meio aquele despertar confuso, não precisou nem olhar no relógio para saber que já passava do meio dia. Eles dormiram como pedra, e foi com muita relutância que forçou-se a decidir levantar.

As marcas da madrugada de amor estavam espalhadas por toda parte, tanto ali na cama ao seu redor quanto em seu corpo. Contudo, os arranhões, mordidas e chupões em suas coxas e abdome não lhe deixaram nada surpreso. O que o surpreendeu de fato foi a algema de pelúcia ainda presa em um de seus punhos e uma meia 7/8 vermelha que vestia uma de suas pernas. Ele respirou fundo esfregando o rosto. Eram inacreditáveis os caminhos para onde Afrodite conseguia guia-lo quando faziam sexo.

Pela cama e pelo chão haviam vários apetrechos sexuais, alguns para lá de estranhos, como um ovo esquisito que agradeceu aos deuses por não se lembrar que tipo de uso fizera daquilo, e algumas roupas femininas do acervo de Maman Di. Sinceramente, ele não queria pensar muito em nada daquilo. Usaria o que lhe restara da dignidade para tomar um banho caprichado e beber água, já que a ressaca de todo o álcool e cocaína que ingeriu na noite anterior fazia sua cabeça latejar com uma dor excruciante.

Com muito cuidado para não acordar Afrodite, Camus lhe deu um beijo no rosto e escorregou para a beirada da cama, onde livrou-se da meia de seda e da algema as jogando no chão, depois a passos silenciosos caminhou até o enorme banheiro.

Quando acionou o interruptor a forte luz quase o cegou o obrigando a cobrir os olhos com as mãos.

— Urgh, Caralho!... — esfregou os olhos irritado. — Eu trepei ou enfrentei dez espectros de Hades a noite toda? Merde!

Apesar do resmungo e da enorme dor por todo o corpo Camus estava nas nuvens, bastante feliz e satisfeito.

Já mais acostumado com a luz ele foi até o lavatório a fim de lavar o rosto para ver se despertava de uma vez. Todo a ação fora monótona e automática: abrir a torneira, jogar a água fria no rosto, uma, duas, várias vezes, depois enxugar-se com a toalha.

Sentia-se já bem desperto e com a mente completamente lúcida quando olhou no espelho à sua frente para avaliar os estragos que Afrodite lhe fizera, mas de repente um detalhe captado pela visão periférica chamou imediatamente sua atenção.

Como seu banheiro era todo espelhado havia outro grande espelho atrás de si, e foi por ele que viu uma coisa que fez seu coração parar de bater por alguns instantes.

Seu rosto então perdeu completamente a cor, seu sangue todo o calor, e ele sentiu sua alma gritar aterrorizada e incrédula.

Um soluço forte, misto de indignação e pavor, entalou em sua garganta enquanto as mãos suavam frio e tremiam descontroladamente.

— Non... Non! Non! Non! Non! Non! Noooooooooon!

Ele murmurava, com os lábios cianóticos e trépidos, quando com os olhos arregalados virou-se de costas para o espelho do lavatório e contorceu-se todo até conseguir olhar com atenção para a própria bunda.

Ao se dar conta do que via, a temperatura do banheiro caiu vertiginosamente, congelando o grande espelho em instantes.

Os olhos estupefatos de Camus ficaram ainda maiores.

A boca aberta com o queixo caído perdera a voz, e o coração agora disparava, bombeando adrenalina para todo o seu corpo.

— AFRODITE DE PEIXES, SUA ARROMBADA DE MERDA!

Camus berrou, enquanto a mil por hora já atravessava a porta do banheiro voltando ao quarto; tremia e bufava feito um urso enfurecido.

Em meio à penumbra, os olhos do aquariano emitiam faíscas azuis, resultado do descontrole de seu Cosmo agitado, e então quando chegou ao leito e viu que Afrodite ainda dormia um sono pesado, ensandecido ele agarrou o box acolchoado da parte de baixo da super king size e com um só solavanco bruto e violento lançou tudo para cima, cama, colchão, lençóis, travesseiros e cavaleiro de Peixes.

— LEVANTA DESSA PORRA, SUA FUDIDA!

O berro de Camus, o barulho da quebradeira e o grito de susto de Afrodite, que acordava agora em meio aquele pandemônio todo, felizmente também não puderam ser ouvidos por conta do isolamento acústico. Desde que assumira o romance com o pisciano, Aquário conhecia muito bem a necessidade de isolar a acústica de alguns cômodos da sua casa; nunca foi tão grato a si mesmo por isso como agora.

— EU VOU TE MATAR, AFRODITE! EU VOU TE MATAR!

Ainda sem saber que cataclismo fora aquele que o tirou da cama daquele jeito, muito menos o que tinha deixado o francês tão irado, em meio à bagunça caótica de madeira quebrada, espuma rasgada e travesseiros espalhados, no chão Peixes tentava se livrar dos lençóis enroscados em seu corpo o mais rápido que conseguia, e quando finalmente descobriu a cabeça e olhou para Camus seu peito gelou.

A sensação era de estar olhando para um urso de pelo vermelho, com sangue nos olhos e fogo nas ventas, enfurecido e prestes a arrancar sua cabeça com uma só bocada.

Afrodite teve certeza de que tinha feito alguma merda, só não sabia qual merda fora a dessa vez.

— Mulher, você tá louca? O que foi? — Ele perguntou. Não queria, mas perguntou. E já tinha medo de ouvir a resposta.

— LOUCA?! NON... — Camus berrou, com o rosto contorcido de raiva e jogando os cabelos para trás dos ombros num gesto todo afetado. — LOUCA É VOCÊ, BICHA BAGACEIRA RETARDADA! EU TÔ É POSSUÍDA PELOS SETE PRÍNCIPES DO INFERNO, SUA FODIDA!

— AQUENDAAA! — Peixes soltou os lençóis e bateu três palmas no ar também jogando os cabelos para trás dos ombros. — Posso saber por que está me ofendendo desse jeito, bonita?

Num carreirão, e chutando tudo que via pela frente, Camus correu até o interruptor e acendeu as luzes do quarto; quando voltou até a cama em ruínas no chão virou-se de costas para Afrodite e apontou com o dedo trêmulo para a própria bunda, mais precisamente para a nádega esquerda.

— OLHA PARA ESSA MERDA! OLHA BEM PARA ESSA MERDA! ISSO PARECE LOUCURA PARA VOCÊ, AFRODITE?

E ali estava o motivo de toda aquela fúria de Camus. Bem diante dos olhos arregalados e assustados de Afrodite, que não tinha se dado conta na noite anterior, em meio ao frenesi do sexo e às bobagens que o aquariano lhe dizia, que tinha ido tão longe.

Na vaga lembrança do pisciano ela lhe parecia bem menor, bem mais discreta e inofensiva.

Ledo engano.

— ANDA, SUA ARROMBADA, ME RESPONDA! QUE PORRA É ESSA AQUI NA MINHA BUNDA, AFRODITE?

— É... uma tatuagem — disse ele tão somente, levantando os olhos para o rosto em chamas do aquariano.

— TATUAGEM O TEU CU, AFRODITE! — Camus hiperventilava, enquanto esfregava os dedos com força sobre a rosa negra em belíssimos detalhes que ocupava quase metade de sua nádega esquerda. — VOCÊ CRAVOU UMA ROSA PIRANHA DEBAIXO DA MINHA PELE, NA MINHA BUNDA, AFRODITE! NA PORRA DA MINHA BUNDA!

Peixes estava atônito.

— TIRA ESSA PORRA DAÍ AGORA! A-GO-RA!

Com o rosto lívido e trêmulo, Afrodite alternava o olhar ora para Camus, ora para a rosa na bunda dele.

— Tirar? — perguntou parecendo surpreso.

— É, Afrodite. Além de demente você ficou surda? — disse ele, finalmente parando de gritar, então fez uma pausa e respirou fundo esfregando as sobrancelhas com uma das mãos na tentativa de se acalmar, ou tinha certeza de que teria um piripaque a qualquer momento. — Vai, arranca essa merde da minha bunda agora, porra!

— Eu...

— Viado, eu non estou com tempo e nem com paciência... Anda logo!

— Mas...

— Anda, Afrodite. Tira essa rosa da minha bunda!

— Não dá para tirar. — respondeu num fiapo de voz.

Camus virou-se de frente para ele e os dois se olharam por um segundo tenso que pareceu uma eternidade.

— Como é que é? — A face do ruivo se deformou mais uma vez.

— É sendo, Camus.

— Como que não dá para tirar, sua fodida de merde? É o seu Cosmo, é a sua Rosa Piranha, se você colocou ela aí, você pode tirar.

— Não posso... é, é uma tatuagem, Camus. É para sempre. — Afrodite respondeu nervoso já tremendo devido ao frio intenso dentro do quarto. — Eu sei pôr, mas não sei tirar.

— O quê?

— Acontece que quando criei a técnica não pensei nessa hipótese de destatuar alguém.

— Afrodite...

— O... o pigmento... ele está dentro das suas células agora, e ele é feito com o meu Cosmo...

— E o que isso significa? — perguntou temendo a resposta.

— Ué, significa que essa tatuagem é viva e por isso vai se defender na iminência de um ataque contra ela... Ninguém pode tirar essa rosa daí, nem eu — concluiu mordendo a unha do dedo mindinho.

— Afrodite... — Camus fechou os olhos sentindo-se tonto. Por um momento pensou em usar seu Cosmo para anular o “corpo estranho” em sua pele, como fazia com os entorpecentes e as toxinas altamente venenosas do noivo, mas entendeu perfeitamente o que Peixes quis dizer com “defender-se na iminência de um ataque”, afinal era uma Rosa Piranha ali, bem em sua bunda. Que perigo!

— Por que está tão bravo? Ah, tá boa! Você... você já tem tantas tatuagens, Camy, uma a mais ou uma a menos... — riu sem graça e deu de ombros.

Enfurecido Camus avançou um passo até estar a um palmo dele, mas parou antes de alcança-lo. Estava tão nervoso que temia agredi-lo a qualquer instante. E se de fato desse uma surra em Afrodite sabia que dessa vez não pararia até mata-lo.

— Uma a mais, uma a menos? — rosnou o fuzilando com os olhos.

— É. — Afrodite riu sem graça.

— Você tem noção de que cada tatuagem no meu corpo tem um significado? Que o desenho e o local gravados podem valer a vida ou a morte de alguém?

— Claro que eu tenho.

— É? E você faz o quê? Você tatua uma rosa na minha BUNDA! — Camus bufava agarrado aos próprios cabelos. — O pior lugar de todos, sua fodida! Dieu, eu quero te matar, Afrodite!

— Ah, que exagero, Camus. Não é como se qualquer um fosse ver a sua bunda, tá boa?

— ESSE NON É O PONTO, SUA LOUCA! — Aquário gritou agachando-se para ficar cara a cara com Peixes, então baixou o volume da voz, porém manteve o tom furioso: — Você violou o meu corpo, sua desgraçada!

— Ah, não! Não! Nem pense em usar esse argumento!

— Como que non, infeliz? Você fez uma tatuagem em mim SEM A MINHA PERMISSÃO!

— Sem sua permissão o meu edi! Você me pediu, você me implorou para eu te marcar.

— Eu pedi?

— Foi sim, bonita.

— Dieu, qual é o seu problema? Eu estava trepando e falando merda. Eu nunca te pedi uma tatuagem, e mesmo se eu tivesse falado especificamente: Tatue a minha bunda, Afrodite, você non deveria considerar, porque eu estava DROGADO, AFRODITE! EU ESTAVA DROGADO! — berrou indignado com tamanha cara de pau.

— Ora essa, eu também estava drogado... Drogado de amor... drogado de tesão.

Um silêncio perigoso se fez entre eles.

— Eu vou... eu vou te esganar, Afrodite!

A sentença saiu baixa e entre dentes. Camus encarava o sueco com tanto ódio que sua pálpebra direita começou a tremer involuntariamente e as mãos formigarem, e por mais que ele tenha lutado consigo mesmo para conter sua raiva, no momento seguinte ele já tinha avançado sobre Peixes, o derrubado no chão e agora com ambas as mãos lhe apertava o pescoço tentado esgana-lo enquanto pressionava sua cabeça contra o chão.

— Aaaaaaah nãooo — Peixes tentou gritar agarrando os punhos dele.

— Eu quero te matar!

— Argh... eu sei... que você quer... — disse Peixes num chiado, sentindo o frio penetrar aos poucos em sua garganta e a respiração começar a falhar. — Posso sentir... nos seus dedos gelados... mon amour... mas... se me matar vai ficar sem tatuagem e sem o seu papaizinho, princesa!

— Afroditeeeeeee — Camus gritou apertando ainda mais os dedos no pescoço dele. — Non me provoca que estou às vias de te dar uma Execução Aurora agora mesmo!

— Aaaah eu não fiz por mal, Camy... foi... foi o... foi o meu...

— NON FALAAAA!

— Foi o meu coágulo...

— EU DISSE PARA NON FALAR!

— Eu não fiz por mal, Camus... DESCULPAAAA.

Com um solavanco forte, Camus bateu a cabeça de Afrodite contra o chão, que soltou um gemido dolorido, e em seguida soltou seu pescoço.

Ele então rolou para o lado deixando-se cair entre os restos da cama destruída e ocultando parte do rosco com o braço. Respirava com dificuldade, cada vez mais e mais, assim como o quarto ficava mais frio a cada minuto transcorrido.

Alguma parte dentro de sua mente ainda se negava a acreditar que agora teria uma Rosa Piranha tatuada na nádega esquerda para sempre.

— Dieu! Maldita hora que eu entrei naquele quarto... Maldita hora que eu aceitei uma fodida como você na minha vida!

Do lado dele Afrodite se recuperava tossindo e recobrando o ar.

— Você non mudou nada, Afrodite... Nunca vai mudar... Você non me respeita, de nenhuma maneira... Merde de vida! — murmurava para si mesmo inconformado, jogado no chão como se tivesse perdido as esperanças na vida. O ódio e a raiva agora tinham se tornado desespero e desconsolo.

— Camy... — Peixes olhou para ele sentindo-se culpado, mas não sabia exatamente o que dizer ou o que fazer, já que tudo que fazia para consertar as coisas sempre terminava por piora-las.

— Você me fodeu Afrodite... Ah, você me fodeu pra caralho dessa vez... Dieu, mon coeur... Oh, mon coeur! — Ele gemia com ambas as mãos no peito e os olhos fechados.

— Camy... me perdoa.

— Você non tem noção do que você fez... Eu preciso frequentar saunas com os membros da Vory... preciso frequentar clubes, aceitar convites para resorts paradisíacos... preciso ficar de trajes de banho ou mesmo pelado na frente deles para exibir os títulos de poder gravados na minha pele, tudo aquilo que faz de mim o Vor dos Vorys... e agora tem uma rosa na minha bunda...

— Eu... eu não pensei nessas coisas...

— Claro que você non pensou... Você nunca pensa... Sabe que Vor russo nessa porra de mundo tinha a bunda tatuada? Nenhum, porque só estupradores e escravos sexuais da máfia é que têm a bunda tatuada, non o Vor... e agora eu tenho uma rosa na minha bunda... com o seu Cosmo... Oh, mon coeur, mon coeeeeeur! — gemeu apertando o peito e rolando de um lado para o outro.

Desesperado Afrodite engatinhou para perto dele.

— Mon amour, o que está sentindo?

— RAIVA! DESGOSTO!... Oh, Dieu, mon coeur!

— Calma, Camy, o meu Cosmo em você não é babado. O pigmento só vai reagir se tentar remover a tatuagem. Juro que é indetectável — disse estendendo a mão para toca-lo, mas Camus lhe deu tapão forte antes que conseguisse.

— Non me toque!... Non se atreva a chegar perto de mim!

Os olhos perigosos de Camus faiscavam encarando o sueco. Irritado, e com a raiva se espalhando pelo corpo novamente, o aquariano se levantou de supetão e com passos duros foi até o closet, de onde saiu menos de um minuto depois trajando um roupão de banho.

— Ei, onde você vai? — perguntou Afrodite também se levantando. — Camy volta aqui, vamos conversar. Você não está bem.

— Eu vou para qualquer outro lugar onde você non esteja! — respondeu rude. — Non consigo olhar na sua cara, Afrodite! Você como sempre agiu sem medir as consequências... Non... Eu non tenho nem mais palavras para manter esse diálogo... Non venha atrás de mim e non fale comigo por tempo indeterminado, ou eu juro que farei valer minhas ameaças!

Aquário deixou o quarto batendo a porta com tanta força que quase a destruiu, e Afrodite deu graças aos deuses que Hyoga naquela hora estava no colégio, pois não saberia o que dizer a ele, já que não sabia definir nem para si mesmo o que tinha acabado de acontecer.

Fez uma tatuagem na bunda de Camus, no auge do tesão, e o francês tinha toda a razão de querer lhe esganar por isso, mas o problema maior, aquele que fazia seu sangue gelar e ele desejar que Camus de fato cumprisse a ameaça e o mandasse rebolar no colo do Hades não era a tatuagem que fizera no noivo, mas a que fizera em Hyoga.

Sim, Afrodite sabia que estava lascado.

***

Nosso grupo no face "Fics trio ternura"

Tumblr da Rosenrot com várias fanarts da fic e com as capas e seu Twitter

Notas finais
ÉÉÉÉÉ FUDEU NÉ... Dite fez merda de novo. E merda fedida. Pra vcs ter idéia o Camus está tão puto, mas tão puto que não bateu nele... isso não é bom sinal não. Sabe quando a pessoa ultrapassa tanto os limites que deixa a outra sem ação? pois é. O próximo capítulo marca o termino do segundo arco desse volume(e oficialmente chegamos na metade do volume) e estamos preparando uma coisa legal, quem estiver no grupo do trio poder´pela primeira vez acompanhar o making of de como nós 3 escrevemos os capítulos *-* beijoooos Nota importante: Camus mandando alimentar as baleias é uma singela homenagem ao Félix Felice... (entendedores entenderão uhhu)