Tempestuoso
37 Um Ótimo Dia para o Fim do Mundo
Notas iniciais
Eu torcia para que minha vida seguisse na maior paz e tranquilidade como haviam sido os últimos dias, mas nem tudo acontecia na forma que nós queríamos... A calmaria sempre antecede a tempestade.
Lembro-me perfeitamente do dia em que parte de mim foi morta e tudo virou um inferno.
—x-
— Você vai me ver nos vestiários antes da competição? — Yerik me perguntou, suas mãos percorriam meu corpo suado, na realidade, nossos corpos estavam suados, tínhamos acabado de fazer amor, ainda podia senti-lo como se estivesse dentro de mim e podia sentir o melado do seu gozo entre as minhas pernas e o meu entre minha barriga e o lençol da cama.
Mal tínhamos terminado e ele já pensava na possibilidade de fazer de novo.
— Não devia se poupar? — Argumentei.
— Não vou me cansar, se você ficar por cima. — Eu não podia ver seu rosto, mas apostar que estava com um sorriso malicioso.
— Não sei não... — Lhe respondi manhoso.
— Vai, por favor, me dará sorte.
— O que fazer amor antes da competição te dá de sorte? — Perguntei.
— Nada, mas me deixa excitado!
Yerik parecia ter um fetiche com a área de natação, depois que fizemos na beira da piscina após pararmos de brigar, sempre sugeria para darmos uma escapada durante a noite e repetir a experiencia. Mentiria, se não admitisse que a sensação perigo era boa, de poder ser quase pego, porém era medroso demais, por isso, só cedi apenas aquela vez e mais nenhuma depois.
— Você devia estar descansando agora e não tentando me convencer ao perigo. — Falei me virando.
— Sexo não me cansa, me revigora. — Como apostado, estava com sorriso safado. — E sei que gosta também. — Falou baixo, como se houvesse alguém no quarto, além de nós, que pudesse ouvir. Sempre que soltava um comentário malicioso sobre mim, em maioria verdadeiro, era como se liberasse chamas para o meu rosto, que ficava vermelho de vergonha. — Viu como estou certo. — Sua mão que me acariciava suavemente, puxou-me para junto dele. — Por favor... — Sussurrou entre nossos lábios que estavam perigosamente próximos.
Balancei a cabeça positivamente, eu sempre fazia o que ele pedia, independentemente de ser de primeira ou após um pouco de insistência, o que fazia só para não parecer tão óbvio o quanto sempre queria agradá-lo, ele era a pessoa que eu mais amava no mundo e na maioria das coisas que queria, eu também queria. Além de ter aprendido a lição com Alex só com seus pressentimentos.
— Sabia que iria aceitar, seu safado! — Riu de mim.
Fiquei ainda mais vermelho e comecei a fazer cócegas nele, um confronto escandaloso iniciou-se ali e eu perdi vergonhosamente, tive que me segurar para não me urinar, mas consegui manter a compostura no final, retificou, tentei manter minha compostura até o final.
— Eu te amo. — Falei encarando profundamente os seus belos olhos azuis celestiais, que estavam distorcidos pela ausência dos meus óculos, o que provavelmente contribuíra em parte com a minha derrota; e escuros pela luz da manhã que nascia no horizonte.
Era minha culpa do sexo de madrugada, era meu horário favorito para fazê-lo.
— Eu também te amo.
Seu amor sobre mim era como voltar para casa depois de anos distante, como encontrar um amigo que não via a muito tempo, me aquecia e esquentava por dentro, era tão bom, que mal conseguia descrever. O mais incrível de ser correspondido, não eram as palavras, mas o que seus olhos me respondiam, podia ver a sinceridade e todo sentimento, não poderia sentir-me mais feliz.
Quase transamos novamente, porém o convenci de não o fazer, a muito custo, até para mim. Ele saiu primeiro do que eu, falou que teria encontro com a equipe pela manhã logo após o café e fiquei muito preguiçoso para sair tão cedo e acompanhá-lo.
— Você tem conseguido falar com Beth? – Maggie me perguntou depois do café da manhã, estávamos caminhando pelo jardim da entrada, estava um calor insuportável e o cheiro das flores era inebriante.
Alguns pais de alunos passavam por nós, devido a competição muitos chegavam para assistir, dentre esses incluía-se meu pai.
— Não falo com ela tem um tempão. – Falei enrugando a testa.
— Estive tentando falar com ela a semana toda, mas ela não está online faz dias.
— Acho que ela deve estar em algum lugar sem sinal ou algo do tipo, sabe como que ela é desapegada dessas coisas.
— Só queria alguém para conversar, você anda tão distante ultimamente e precisava desabafar sobre algumas coisas.
Agora, aquela conversa começou a fazer sentido, não fiquei surpreso com a sua alfinetada, assim que citou Beth e lembrei-me do tempo que não conversava com ela que me toquei que não falava muito com mais ninguém além de Yerik e Emily, que visitávamos religiosamente todas manhãs dominicais, até um carinho por ele, Emily já nutria e sua melhora era lenta, porém gradativa.
— Me desculpe.
— Não, mas eu sei que não foi intencional. – Ela riu.
— Ainda quer desabafar?
— Isso foi incrivelmente natural. – Foi irônica, revirando os olhos. – Minhas mães aceitaram meu irmão mais velho de volta em casa.
— E qual seria o problema?
Ela ficou meio receosa e poupou as palavras.
— No melhor dos eufemismos, ele é muito problemático. – Como ela não quis falar, não quis insistir. – Foi até preso e tudo mais.
— Não acredita em reabilitações?
— Bem improvável, a natureza não se muda e ele sempre foi ruim, foi ele que me deu o primeiro gole de bebida. – Ela tinha tido problemas com ela no passado.
— Mas você está aqui, não é? – Isso iria soar um pouco egoísta. – Não vai estar perto dele.
— Não é comigo que me preocupo, é com minhas mães, elas são ingênuas.
Não sabia o que dizer, era uma situação complicada e meus preceitos morais tendiam mais ao lado das mães dela, acreditava nas reabilitações das pessoas, de recomeços e novas possibilidades, no entanto, não poderia dizer isso a ela, deveria apenas apoia-la.
Encontramos uma boa sombra de uma árvore e sentamos no gramado, a movimentação era intensa no nosso grau de visão. Via as amigas da minha irmã, junto com Camille treinavam a torcida, no outro lado, Marc corria com os caras do futebol, lembrei que eles eram uma grande questão ano passado, mas hoje me dia eram uma parte irrisória do meu dia-a-dia.
— Você quase não fala mais com Alex e Georgina. – Ela comentou quando os viu passar.
— Alguns desentendimentos, mas nada sério.
Ficamos em silêncio, a natureza e as pessoas eram nossa trilha sonora, era relaxante, acabamos até cochilando em alguns minutos.
— Blake? – Ela me chamou.
— Oi? – Perguntei sonolento.
— Não está dormindo, está?
— Não mais. – Falei sorrindo.
Estávamos deitados e olhando para a copa da árvore e pelos raios solares que lhe cortavam.
— Você acha que tenho futuro?
— Bastante, todo mundo tem.
— Não, eu digo futuro como artista, no teatro ou algo do tipo?
Não precisei pensar muito.
— Maggie você é uma das pessoas mais talentosas que já conheci, se alguém tem chance de ser uma artista, esse alguém é você, até melhor que alguns já é. — Ela riu. – Por que essa pergunta agora?
— Por nada, já sabia de tudo isso, só queria confirmar. — Bufei, fingindo estar irritado. – Acho você também talentoso, quase tão bom quanto eu.
— Obrigado pelo carinho.
— Ser o segundo ainda é uma boa posição, só não que o primeiro. – Não pude evitar de gargalhar.
— Muito obrigado.
— Vamos fazer um trato?
— Qual?
— Que nunca vamos desistir desse nosso sonho, de sermos artistas, mesmo que tenhamos que desviar por um tempo, mas que sempre voltaremos assim.
Eu culparia o momento, porém, no fundo desejava isso tanto quanto ela. O palco era um dos poucos momentos que conseguia fugir do caos, que às vezes, eram minha cabeça, me sentia grande e orgulhosa, acreditava no meu potencial e queria ter uma carreira brilhante em musicais e até mesmo ganhar um Tony.
— Combinado. – Entrelaçamos os dedos e ficamos em silêncio.
Passado mais um pouco de tempo e alguns cochilos decidimos ir para o complexo de piscinas e arrumar bons lugares para assistirmos, porém no trajeto encontrei com meu pai.
— Bom dia, pai. – O cumprimentei.
— Pensei que não assistiria a competição da sua irmã. – Respondeu seco.
— Jamais perdi nenhuma.
Com essa pequena amostra do seu humor, procurei distanciar-me ao máximo dele.
As arquibancadas estavam lotadas, vi a movimentação de pessoas desconhecidas que deveriam ser das torcidas dos times rivais. Ao todo, eram sete escolas competindo, vi o numero pelo enorme telão que mostraria as braçadas dos competidores, admito que estava ficando ansioso pelas pessoas que tanto amava. Olhei no relógio e só faltavam dez minutos para o início, precisava ver Yerik ou ele ficaria desapontado.
No pequeno trajeto ninguém reparou para aonde eu ia, nem mesmo minha irmã que a abracei por trás lhe desejando boa sorte.
O vestiário estava bem molhado e bagunçado, não haviam mais atletas lá dentro, todos já estavam com suas equipes e técnicos se alongando, exceto por um. Assim que passei pela porta, fui agarrado, arrastado até o box de um dos chuveiros, o mais distante da porta e que teve sua porta fechada.
— Pensei que tinha desistido. – Yerik falou me beijando desesperado.
— Quase me esqueci. – Admiti, tentando acompanhá-lo.
— Que péssimo namorado você é. – Riu.
Como estava só de sunga, foi fácil sentir a sua ereção na minha coxa e ter todo o seu corpo pressionando o meu, despertar a minha.
— Precisamos ser rápidos. – Voltou a falar apressado e atrapalhado ao tentar tirar a minha roupa.
Após alguns segundos estava nu e ele com a sunga toda deslocada para deixar o que necessário deixar amostra para o que iriamos fazer.
— Depois que eu ganhar uma medalha quero inverter isso. – Falou me pressionando contra a parede, porém com o cuidado de colocar mão sobre meu peito e evitar o contato direto com o azulejo gelado.
Gostávamos de trocar os papéis com frequência, apesar de preferirmos mais quando ele dominava, levou seus dedos até meus lábios, os chupei antes de tê-los introduzidos em mim. Foi desconfortável só para entrar, não estava tão apertado devido as praticas de mais cedo. Yerik não ficou muito tempo nos dedos, pois não o tínhamos, me penetrou de supetão tirando-me o ar e gemidos.
Ele colocou a mão na minha boca para abafar e mordeu meu ombro para causar o mesmo nos seus, seu ritmo era frenético e certeiro. Transavamos quase todos os dias, conhecíamos nossos corpos nesses cinco meses juntos e como levar um ao outro ao êxtase. O som de pele batendo preenchia o ambiente, qualquer um que entrasse naquele momento saberia que alguém fazia sexo ali.
Gozei ao senti-lo gozar dentro de mim, não era com frequência que transavamos sem camisinha, na realidade, evitávamos ao máximo, porque eu sempre ficava neurótico com as doenças. Empurrei-o para atrás com a bunda, ainda estava dentro de mim, ele saiu e vi no chão pingar as provas do nosso crime. Nossas respiração pesadas substituíram o som dos nossos corpos, sem falar nada, ele ligou o chuveiro limpou o necessário, o que incluía minha bunda e me beijou.
— Isso foi otimo. – Falou apressado ao sair do box. – Te amo e vou lhe trazer a medalha.
Eu ri balançando a cabeça, apontei para o seu pênis semiadormecido e fora da sunga.
— Vai ficar se exibindo por aí?
Ajeitou-o na sunga.
— Não, é só seu.
— Mas já meio duro?! – Falei constrangido. – Tá marcando.
— Até lá já ficou normal.
Quando pensei que iria sair, veio correndo na minha direção e me beijou com força, se não tivéssemos uma competição poderia tê-lo tomado ali mesmo como fizera comigo.
— Vai logo! – O empurrei.
Ele riu e saiu correndo.
— Boa sorte! – Gritei.
Apesar de ser ele quem competiria, precisava ser rápido ou perderia sua performance. Comecei a me secar e me vestir rapidamente e ouvi a porta se abrindo.
— Amor, você vai se atrasar para... — Comecei a falar sorrindo.
Quando olhei para trás não era Yerik que entrara no vestiário, meu pai me encarava com ódio, seu olhar pesava em mim como se eu fosse a pior coisa do mundo. Meu sorriso desapareceu.
— Amor? — Sua voz saiu como um grunhido. A forma que ele estava, deixou claro que eu chegara ao meu fim.
Me recolhi e dei um passo para trás, cobrindo-me com minhas roupas, por sorte, estava pelo menos de cueca. Na minha cabeça, iniciou-se uma contagem regressiva para uma explosão, como parecia estar prestes a acontecer, tentei controlar minha respiração, mas estava ofegante, usei da minha máxima capacidade de pensar em uma desculpa para estar falando amor para a pessoa que ela sabia que tinha acabado de sair do vestiário e conseguir convence-lo da veracidade desses fatos.
— Pai... — Eu comecei a falar, minha voz saiu sem vida e tremula, nunca fui o melhor dos mentirosos, um omisso talvez.
O que poderia falar para ele? Ele pareceu tão calmo quanto descontrolava, eu estava completamente atento a qualquer gesto corporal seu, a expectativa sobre o que viria, me corroía, poderia ser pior que o ato, o terro psicológico. Aproximou-se de mim, também analisava meticulosamente minhas reações, conhecíamos bem, porém, eu não sabia o que viria, nunca estivera em uma situação como aquela.
O primeiro tapa foi tão forte que me jogou no chão molhado de maneira tão bruta, arremessando meus óculos para pelo menos três metros de distância de mim, o impacto de sua mão fora tão dolorido, quanto o do piso. Eu fiquei estático, inercio, confuso com o som que estava minha cabeça, meu ouvido esquerdo apitava, tudo parecia distante e desequilibrado.
— O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO DA SUA VIDA! — Finalmente gritou, sua voz inicialmente pareceu distante, mas após puxar meus cabelos pareceu desentupir meus ouvidos.
Coloquei as mãos nos meus cabelos, tentando soltar suas mãos dele e aliviar a dor insuportável que sentia, no entanto, ele era mais forte, todo mundo sempre era mais forte do que eu. Sentia meu rosto latejar, assim como minha nuca, deveria estar inchando. Por um dos espelhos no vestiário, olhei para meu pai, ele parecia uma fera, estava vermelho e com as veias ressaltadas, em nada lembrava a figura centrada e distante que sempre transparecia ser.
Eu estava segurando os gritos até ter arrastado pelos cabelos até os bancos que usávamos de auxilio para nos trocarmos na região dos armário, gritei na intensidade que meus pulmões aguentavam, doía tanto que comecei a chorar, espernear e a me contorcer, só queria suas mãos longe de mim. Se com os berros esperava ser ouvido por alguém, demoraria pelo menos duas horas até alguém conseguir ouvir, devido aos ruídos externos da torcida e da competição, assim como servira para abafar meu sexo, o vestiário também abafaria minha surra.
— O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO DA SUA VIDA?! — Ele novamente gritou. — EU TE DEI TUDO E É ASSIM QUE VOCÊ ME AGRADECEU! PORCO!
— Pai, eu não sei do que você está falando. — Fiz me desentendido, engasgado pelo choro, não sei como consegui forças para mentir mais e tentar convence-lo.
— PARA DE CHORAR. — Gritou na minha cara, senti sua saliva esguichar pelo meu rosto. — VOCÊ ESTÁ ME ENTENDENDO?! — Segurou minha mandíbula com força, induzindo ao contato visual direto. — VOCÊ É UMA V-E-R-G-O-N-H-A e NÃO SE FAÇA DE DESENTENDIDO, NUNCA SOUBE MENTIR! — Puxou meu cabelo, um gemido de dor escapou pela minha boca. — JÁ SE COMPORTA COMO UMA VADIAZINHA, ACHA QUE EU NÃO IA DESCOBRIR AS NOJEIRAS QUE ESTAVA FAZENDO NESSE COLÉGIO?! ACHA QUE EU SOU BURRO? PAGO UMA FORTUNA PARA VOCÊ DAR O RABO! AQUELE QUE TAVA AQUI ERA O SEU MACHINHO!? BEM QUE DESCONFIEI NAQUELE DIA!
Não lhe respondi, tentava controlar meu choro, sabia que isso o irritava ainda mais e precisava tentar acalmá-lo para poder chegar a algum lugar, nem tudo estava perdido, os últimos resquícios de esperança, apegava-se a isso.
— ME RESPONDE! — Novamente gritou diretamente na minha cara.
— Pai... — Só isso saiu da minha boca.
Em compensação recebi dois socos seguidos no olho esquerdo, ele me segurava pelo pescoço para não fugir, como se eu fosse tentar, não conseguia nem reagir, quanto mais tentar fugir.
— SE DEFENDA! AJA COMO UM HOMEM, NEM ISSO VOCÊ CONSEGUE! — Minha com passividade piorava a situação.
— NÃO É O QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO.
— NÃO É O QUE EU ESTOU PENSANDO?! – Minha fala o inflamou ainda mais, recebi mais uma enxurrada de socos no rosto, por um instante, pensei que iria desmaiar pois tudo se tornou escuro. – ESSA MERDA AQUI, É O QUE?
Ele segurou seu celular na minha cara, exibia um vídeo erótico gay, demorei um tempo para perceber que se tratava de mim e de Yerik, no caso apenas de mim e não de um pornô amador como imaginei ser inicialmente. Estávamos nas piscinas, eu o chupava, tinha um corte brusco e mudava para mim sentado sobre ele, fazendo amor, referia-se ao dia que fizemos as pazes depois de brigar. O vídeo estava editado de tal forma que só mostrava o corpo do Yerik e toda a parte que revelaria sua identidade fora cortada, como se não tivesse sido enquadrado no ângulo da lente da câmera, era apenas eu sendo exposto.
O que falaria para o meu pai depois daquilo, não tinha como mentir ou negar, era eu fazendo sexo com outro homem. Não tive reação, ou melhor, minha reação foi ficar estático, a resposta perfeita para suas perguntas.
— Por favor... – Murmurei.
Recebi um soco tão forte na boca que senti tudo se dilacerar por dentro.
— EU NÃO ACEITO FILHO VIADO!
Meu pai ajoelhou-se sobre mim e ficou por um bom tempo me socando, não sei ao certo quanto demorou, mas pareceu uma pequena eternidade.
— Deveria ter te dado essa surra antes quando começou a ficar muito bichinha! A estúpida da sua mãe que dizia que era apenas o seu jeito, não a devia ter escutado, assim como no dia que morreu, se tivesse feito o que eu queria, não estaria morta!
— Não, pai..., por favor. — Solucei, me arrastando o mais rápido possível dele pelo chão, podia ter levantado, mas essa possibilidade parecia tão difícil.
— Isso será para o seu próprio bem. — Pela primeira vez naquele vestiário ele não gritou.
Me arrastei novamente pelo piso de porcelanato, mas mal tinha afastado dele quando fui puxado pelo calcanhar.
— PAI! — Gritei ao ter o corpo arrastado para trás, estiquei as mãos para tentar me prender em algo e impedir a ação, mas não tinha nada ao alcance. -POR FAVOR! — Eu estava tão apavorado, não podia estar sentindo isso por causa da pessoa que mais deveria me amar.
A primeira estalada do seu cinto de couro pegou na região das minhas costelas, eu apenas gritei pela dor, não seria apenas uma, foram várias em sequência, eu mal conseguia chorar por uma ao ser tomado pela dor na próxima, eu não o encarava, tentava me defender com os braços, mas era uma tentativa falha, pois toda vez que acertava meu braço, abaixava a guarda e recebia mais cintadas pelo corpo.
Não sei quanto tempo ele ficou nisso, mas quando parou para respirar, sua camisa branca estava transparente de tanto suor pelo esforço. Meu corpo ardia em carne viva, o simples movimento fazia a pele arder mais do que tudo, eu não podia mais permanecer ali e apanhar mais.
— EU AINDA NÃO TERMINEI COM VOCÊ! — Gritou, ao me ver levantar.
Temi por outro surto de raiva, então recolhi minhas últimas forças e resquícios de coragem e saí correndo daquele lugar, sentia o gosto amargo do meu sangue na minha boca e escorrendo pelo meu rosto, que sentia ser apenas uma bola de carne sem definição alguma. Não sabia para onde estava indo até ouvir o barulho da torcida ao sair diretamente aonde estava tendo o torneio.
Foi como se todo mundo começasse a brincar da brincadeira do silêncio ao mesmo tempo, todos ficaram em completo silêncio ao me perceberem, minha aparência não devia ser a das melhores, aliada ao fato de eu estar de cueca também não era algo discreto.
Eu estava tão desesperado que uma plateia era o que menos me importava, queria fugir do meu pai e da sua surra, Yerik me ajudaria, pensei. Torci também que alguém viesse ao meu socorro, olhei para os vultos das pessoas a procura de solidariedade, mas ninguém se manifestou, estavam mais preocupados com minha aparência que necessariamente comigo.
— Yerik. — Murmurei, olhando para regiões onde ficavam as baterias, ele deveria estar ali após competir.
Eu reconheceria o seu corpo de olhos vendados, caminhei em sua direção, estava mancando e com a respiração ofegante, me perguntei porque ele não vinha até mim. Minha resposta chegou com o meu nome.
— BLAKE! — Meu pai apareceu gritando, estava ainda com o cinto nas mãos.
Tremi só em ver seu vulto, comecei a caminhar para trás, mas tive que parar ao chegar à beira da piscina, caminhou lentamente para mim, porém parou abruptamente, deixando o cinto cair no chão, olhava para cima da cabeça. Logo, um coro de vozes iniciou-se, a inquietação fez-me virar-me para trás e ver o mesmo vídeo que estava no celular do meu pai ser exibido no telão do complexo.
Meu corpo todo se arrepiou, ouvi meu gemido no vídeo e algumas risadas vinda da arquibancada, ninguém parecia disposto a tira-lo do ar. Olhei novamente para meu pai, desesperado, esperando mais um ataque de fúria e uma surra com plateia, mas para o meu engano, não fui agredido da forma que imaginei. Ele apenas me encarou com nojo e me empurrou na piscina.
Meu corpo afundou como uma pedra no oceano, eu queria morrer, já parecia que estava no inferno, se tivesse uma forma de acabar com tudo, mesmo que fosse com a morte, eu aceitaria. A água foi a cereja do bolo do dia, foi pior do que ter apanhado do meu pai o ter sido exposto para uma centena de pessoas. A imensidão azul poderia ser um agradável final, mas até a água me rejeitou, fui impulsionado de volta a superfície, não me levaria tão fácil, precisava sofrer para merecer o fim em suas mãos.
Eu queria desistir, mas meu corpo tolo insistia em tentar lutar, lembro-me da vã tentativa de nadar, mas não praticava isso a mais de dez anos, falhei miseravelmente. A situação me transportou imediatamente à memorias do passado. "Blake", a voz da minha mãe gritando por mim, toda vez que estava desistindo ou escorregando o pedaço de barco que nos mantinha boiando no mar, ecoava na minha mente, deveria ser alucinação por estar engolindo muita água.
— MÃE! — gritei. — Me leve, por favor.
Estava quase perdendo a consciência quando senti um braço me envolver.
— BLAKE! — Vick gritou comigo, não estávamos mais na piscina, estávamos na sua beira, ela tinha me salvado. — Respira com calma. – Implorando.
Uma pequena multidão se formava em volta de nós, rostos conhecidos, mas nenhum era o do meu pai ou do Yerik. Todos me encaravam com atenção e expectativa, o treinador da equipe e o salva vidas da escola, pareciam o mais preocupado de todos, era obvio que estariam assim...
— Respira! — Ela gritou novamente, a encarei, ela estava ofegante e com os olhos marejados, estava chorando.
Obedeci ao que ela pediu, sempre obedecia a todos, ao fazer isso, vomitei um pouco de água, a sensação foi terrível, queimou minha garganta como se tivesse ingerindo álcool puro. O ato fez com que alguns respirassem com tranquilidade, como se estivesse prendendo a respiração na expectativa da minha morte ou não. Vick me abraçou, eu devia ter me sentido acolhido ou algo, mas não senti nada. Comecei a me contorcer nos seus braços, o choro saiu dos meus olhos sem qualquer permissão, assim como os gritos dos meus lábios. Parecia que estava tendo um ataque epilético, mas era apenas meu corpo reagindo a tudo que aconteceu, todo mundo se assustou, eu tremia como se estivesse tendo um terremoto dentro de mim, como se algo estivesse me ferindo por dentro, embebido de ácido, era tudo demais para mim.
—x-
Acordei na enfermaria, de alguma forma havia perdido minha consciência durante minha angustia, Maggie estava sentada do meu lado, era apenas ela, nenhum sinal de outras pessoas importantes. Mal pude saborear da minha ignorância gerada pelo estupor do despertar que logo fui afogado com os acontecimentos.
— BLAKE! – Maggie gritou ao me ver acordado.
— Onde estão? – Minha voz soou baixa.
— Quem? – Seu olhar era um misto de preocupação e condescendência.
— Yerik, Vick e meu pai? – Perguntei praticamente gritando.
— Eu não vi o Yerik, seu pai levou sua irmã quando te trouxeram para aqui. – Ela ficou acuada com a minha agressividade.
— Preciso ir. – Falei mais calmo.
— Para onde?
— Eu preciso ir. – Repeti.
Vi que do lado da minha cama estava minhas roupas, as coloquei rapidamente, não estava raciocinando, agia por impulso, pela necessidade e só queria algo, meu namorado.
— Não acha melhor ficar aqui e esperar acalmar as coisas?
— Não.
— Deveria escutar sua amiga. – Uma voz conhecida falou, olhei para o lado e era o Mikael.
— Não se meta. – Resmunguei.
Nem ele e nem Maggie tentaram me impedir de sair quando terminei de me vestir e saí da enfermaria, por sorte estava com meus pertences pessoais. Peguei o táxi na entrada do colégio, nenhum segurança ou Irmã pareceu interessado em querer me impedir de sair, acho que devido a minha aparência e aos boatos sobre o acontecido que deveriam estar circulando como uma doença contagiosa pela escola, os inibiam de se quer olhar para mim por mais do que míseros segundos. Senti até que me queriam ver o mais longe possível dali, não seria uma surpresa, qual internato católico iria querer um aluno gay matricula na sua instituição?
Falei para o taxista o endereço que com muito custo demorei para recordar. A páscoa parecia algo tão distante, como se até fosse em outra vida e não a menos de um mês atrás, quando a dor não existia e não me tomava corpo e alma. Deveria ser uma corrida demorada até a casa de Yerik, mas com o caos que me borbulhava em mente, cheguei ao destino ao piscar de olhos. Os céus deveriam refletir o meu rosto, estava carrancudo com nuvens carregadas, prestes a derramar uma chuva pesada, fria, bem diferente das refrescantes de primavera, comuns daquela época. Paguei o taxista, por sorte tinha uma pequena reserva de dinheiro da minha mesada, o motorista foi embora e creio que nem tenha reparado no meu estado deplorável.
Tive que respirar fundo, ver Yerik quebraria qualquer mínima resistência ou consciência que conseguia manter, ele era o meu porto seguro, me explicaria porque sumiu e que tudo ficaria bem, estava convicto desse seu superpoder de tranquilizar-me. Toquei a caminha duas vezes, percebi que as janelas estavam fechadas com cortinas, pensei que quem me atenderia fosse a pequena Tanya, mas quem apareceu foi a Sra. Stanilau com uma expressão de desprezo, acharia normal tal recepção se não fosse pela atual conjuntura. Ela com certeza deveria estar na arquibancada quando tudo aquilo aconteceu, não perderia a competição de Yerik, era orgulhosa com os talentos do seu filho e mais certo do que isso, era sua religiosidade do oriental europeu, duvidei muito que gostasse de homos.
— O que faz aqui? – Soou tom era análogo a sua expressão.
Sentia-me como um verme, como um rato que parecera na sua lixeira e tivesse sido visto roendo sua comida podre.
— O Yerik está? – Até hoje, me pergunto como consegui falar aquilo, mexer os músculos da face era dolorido, era primeira vez que falava desde a enfermaria.
— Para você, nunca mais. – Sua voz saía rasgada, quase como um grunhido, me perguntei se estava com vontade de pular no meu pescoço como meu pai fizera, não tinha muito o que se fazer depois do seu estrago, talvez isso a frustrasse mais ou a motivasse a continuar o serviço já finalizado.
— Sinto muito... – Comecei a falar, minha voz estava tão frágil como uma taça rachada, ao menor esforço não sobraria nada.
— Nem comece. – Cortou-me com um gesto de mão, era do tipo de pessoa que não precisava se alterar para impor sua autoridade. – Eu te recebi em casa como um convidado e tão tola não poderia ser, estava colocando uma víbora dentro de casa e a deixando descansar ao lado do meu filho! Como uma estúpida ingênua.
Eu quis chorar, mas tinha que tentar sanar aquele conflito, eu só tinha ao Yerik naquele momento, se a mãe dele me odiasse, ele não teria como me ajudar. Se minha situação não tinha jeito, pelo menos um laço tentaria manter, até onde sabia, apenas eu fora identificado.
— Eu... – Tentei novamente falar.
— EU SEI QUEM ERA COM VOCÊ NAQUELE VÍDEO NOJENTO! – Ela gritou, isso me surpreendeu. – Ou acha que sou tão burra para não perceber o corpo do meu filho, para não ver o seu sinal nas costelas?! Dei tantas vezes banho nele que dificilmente esqueceria o sinal, o pai dele também tinha.
Perdi todo o ar dos meus pulmões, paralisei, não tinha mais o que se fazer, tudo estava perdido. Perdi o mínimo controle que me restava para não chorar, tanto pela fraqueza quanto pela dor facial que me causava ao fazer, meu choro saiu feio, humilhante, descontrolado e dolorido.
— Patético.
— Por favor, Sra. Stanilau... – Falei quando a vi fechar a porta. – Por favor, por favor, por favor. – Implorei, batendo na sua porta. – Me deixe falar com ele. – Funguei.
A cena não era nada bonita ou algo para se orgulhar, porém, eu não tinha mais nada ou ninguém, lutaria pelo menos um pouco mais por Yerik e não mais nada para me importar com algum orgulho ou dignidade, estavam no lixo, exposta para todo um colégio. Fiquei batendo em sua porta incessantemente por alguns minutos, até ouvir alguma movimentação e sussurros vindo logo do outro lado da porta.
— VAI EMBORA! – Ela gritou, a ignorei, continuando a bater e gritar pelo nome do meu namorado.
— Blake! O que você pensa que está fazendo?! – Só o som da sua voz conseguiria fazer-me sentir minimamente aliviado. – Quer chamar a atenção de todos os vizinhos?!
Yerik pareceu com o cabelo molhado no portal da porta, seu rosto estava um pouco inchado e avermelhado do lado esquerdo, tirando isso, estava exatamente do jeito que o vira sair do vestiário e ao mesmo tempo não. Se inicialmente, não percebi o seu tom irritado, seus olhos entregaram exatamente o que sentia, nunca mentiam e orgulhava-me da leitura que tinha sobre eles, conseguia enxergar sua alma.
Não consegui segurar as lágrimas ao vê-lo, era exatamente quem eu precisava, do apoio de quem eu necessitava. Eu sorri para ele, acreditando que talvez nos seus braços encontrasse alguma solução para o mundo que caía sobre minhas costas, mas não recebi retribuição.
— Preciso de você. – Foi o máximo que consegui dizer de forma anasalada, tentado abraçá-lo, mas fui impedido pelo próprio.
— Blake. – Falou meu nome de maneira correta, era sempre um alerta. Me empurrou para longe da porta e a fechou atrás de mim. – Acho que não vou poder fugir dessa conversa, é até melhor para deixar tudo cem por cento claro. – Seu tom de voz despertou algo tão ruim dentro de mim, como a premeditação que tivera ao saber que apanharia do meu pai antes do primeiro golpe.
— Não tenho para onde ir. – Sussurrei.
— Você não poderá ficar aqui também, se veio para isso. – Ele se sentou em um dos bancos da varanda, sem ao menos conseguir me encarar.
— Eu não vim só pra isso, eu realmente preciso de você. Onde você estava quando eu acordei na enfermaria? – Me sentei ao seu lado, imediatamente ele levantou.
— Pensei que assim a mensagem seria óbvia. – Geralmente odiava subjetividade, mas temia tanto o que ela disfarçava que não queria saber a sua exatidão, pois no fundo compreendia o rumo da conversa. – Não posso estar com você, não posso... – Balançou a cabeça negativamente, reafirmando-se. – Não posso perder tudo, ainda não é o fim para mim...
— Yerik, o que você está falando? – Limpei meu rosto delicadamente com a manga da blusa.
— Exatamente o que está pensando, quer que eu seja cruel? – Finalmente me encarou. – Por favor, pense um pouco mais e terá suas respostas, não me obrigue a tornar o seu dia pior do que ele já está sendo.
Balancei a cabeça negativamente.
— Por que você não me tocou ou me abraçou até agora? – Futuramente, me condenaria por tamanha ingenuidade.
— Porque eu não quero, não quero mais. Sua vida está acabada, Blake, não sei como vai conseguir passar isso, mas não posso me deixar ir pelo mesmo caminho que o seu. — Toda aquela premeditação deveria ter me preparado, pois não foi uma surpresa ouvir tudo o que ouvi. – Tirando minha mãe, ninguém tem certeza que sou eu naquele vídeo, é só tatuar algo em cima do meu sinal e nunca saberão que sou que está com você. Não posso ficar com você, isso não funciona, dava certo porque era uma parada só nossa.
— Você falou que me amava. – Falei magoado.
Percebi o respirar fundo.
— O amor não é para sempre e nem tão forte para colocar tudo a perder.
— Mas...
— Antes era diferente! Falamos as coisas sem saber o futuro. Antes ninguém sabia, minha mãe sabe e está pensando em me colocar em um tratamento de cura gay da igreja.
— Você irá participar?
— Se for necessário sim! Você é tolo se achou que isso iria dar certo para sempre.
Não conseguia mais encará-lo, não estava com raiva, estava tão machucado. De uma forma mais profunda que meu pai ficaria orgulhoso dele por conseguir ser mais eficiente que ele. Então, um término era daquela forma? Doía assim?
Nem em meus piores momentos de negação pensei em cura gay, todos conheciam a fama daqueles lugares e de como saí depois dele, como se tivessem feitos uma lobotomia.
— Me desculpe vir aqui. – Falei.
— Apenas não volte mais.
— Pensei que ao menos queria me ver.
— Não precisava te ver, eu presenciei tudo, esqueceu?
— Pensei que estaria lá quando acordei, que seria a pessoa que estaria segurando minha mão. – Uma lágrima solitária escorreu pelo meu rosto.
— EU SOU O ATLETA PRODÍGIO DA ESCOLA! NÃO POSSO DEIXAR MINHA SEXUALIDADE ACIMA DISSO! – Gritou comigo. – Se me ama, deveria estar feliz, por mim.
— Eu, eu, eu... – Gaguejei.
— Preciso que vá embora, o seu lugar não é aqui. – Falava tudo aquilo como se fosse nada. – E se quer um conselho, tente-se acertar com o seu pai, talvez ele reconsidere tudo. — Não conseguia acreditar no que ele falava, como conseguiria se quer olhar para o meu pai, não depois de tudo e mesmo se eu quisesse, ele jamais me aceitaria. – Quando voltarmos a escola, por favor, mantenha-se distante possível para não gerar mais boatos.
Balancei a cabeça positivamente.
Yerik fez menção de voltar para casa, quando tudo pareceu ser real, não existiria mais ele na minha vida, qualquer coisa que tivéssemos construídos nesses últimos cinco meses tinha sido morta. Era inacreditável como tudo era tão solido quanto um castelo de areia, como um graveto seco.
— Pode me dar um último beijo. – Praticamente implorei, se fosse para termos um último contato que ficasse marcado na minha memória.
— Acho que não seria apropriado.
Yerik fechou a porta como se tivesse acabado de dispensar um mero vendedor de rua insistente, som da madeira serviria como uma nova melodia aos meus tormentos, rejeição.
Minha garganta estava tão seca que parecia que tinha engolido toda a areia do deserto do Saara, enquanto meu rosto parecia ter tomado uma chuva tropical de tão molhado por minhas lágrimas que estava, desconfiei que as áreas inchadas também estivessem liberando alguma secreção. Não tinha mais o que fazer ali, já fora tudo muito humilhante e sem qualquer resultado, estava por mim e apenas por mim. Caminhei para longe daquele lugar que me abominava, Yerik estava certo, não podia levá-lo para o buraco comigo, seria mesquinho.
Não podia ser diferente, o céu desabou sobre mim, como sempre acontecia na minha vida, meus piores momentos sempre seriam acompanhados com interações com água, seria meu eterno trauma. Caminhei por alguns quarteirões até chegar a um parque infantil, estava vazio, que família estaria com uma criança em plena tempestade de verão, me sentei em um balanço, era baixo para mim, mas mesmo assim permaneci nele sem me mover.
Meu pai me odiava, gostaria que estivesse morto a ter que me ver novamente, nossa relação estava mais morta que minha mãe ou Sam. Sam estava morta, assim como minha mãe, Emily tinha uma batalha pior que a minha e Vick... Bem, Vick tinha outras preocupações maiores do que lidar com o irmãozinho gay expulso de casa, deveria estar enfrentando seus próprios dilemas morais agora, era dependente do meu pai.
Yerik... Ele era uma mentira, não, não sei se era uma mentira, mas... Apenas, supere repeti para mim mesmo.
Meu celular vibrou no meu bolso, Maggie ligava para mim.
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