Tempestuoso
23 Tempo de Dizer Adeus
Notas iniciais
Eu estava pronto para levantar, sair da sala e ir consolá-la, quando Sam saiu correndo pelo corredor, como eu estava dentro da sala não pude ver para onde foi. Olhei para Beth e falei:
— Acho que Sam estava chorando.
— Vou ir ver o que aconteceu...
Quando Beth fez menção de se levantar, a Sra. Underwood falou:
— Srta. Grant, se pretende sair da sala, espero que nem volte mais esse ano, não esqueci que faltou nas últimas aulas. – A Sra. Underwood estava com um humor péssimo naquele dia. — Ótima apresentação, Srta. O’Malley.
Maggie veio em nossa direção com uma expressão quase tão irritada quanto a da professora, ela tinha motivo, Sam interrompera umas três vezes a sua apresentação antes de sair e atender o telefone, e para ela, nada era mais importante que o seu momento de brilhar e ser o centro das atenções.
— Qual é o problema de vocês? – Seu tom era passivo agressivo. – Não podem nem me apoiar quando estou arrasando? E cadê a Sam? Eu vou matar ela.
Apontei para porta no exato momento que a professora pediu silêncio e chamou pelo próximo aluno.
“O que aconteceu? ” — Perguntou com os lábios sem falar.
Levantei em ombros sem ter respostas. As apresentações seguiram sem interrupções ou outras surpresas, poucas pessoas, além dos veteranos se candidataram a cantar. Ao final, a Sra. Underwood anunciou que só na próxima semana iria anunciar o ganhador ou ganhadora do solo, como se todos já não soubessem que era da Olivie, além de também pedir para que alguém avisasse a Sam para ir conversar com ela.
— Para onde será que ela foi? — Perguntei para minhas amigas assim que saímos da sala.
— A questão é o que fez ela ficar assim… — Beth pareceu preocupada.
— Será que foram alguns dos babacas ameaçando ela? — Maggie tentou adivinhar.
— Não sei… Depois de hoje, acho que ela tem segurança contra eles, deve ter sido alguma outra coisa. Eu vou mandar mensagem para ela. — Beth pegou seu celular digitando.
Eu estava na metade corredor quando Vick veio ao meu encontro, ela parecia séria r estranhamente desconfortável.
— Oi. — A cumprimentei.
— Já está sabendo? — Foi seca como de costume.
— Do quê?
Ela ficou em silêncio, Vick não era uma pessoa que ficava em silêncio, isso me deixou em alerta.
— Cadê, Samantha? — Voltou a perguntar.
— Não sei, ela saiu correndo na aula… Aconteceu alguma coisa? Pode me falar…
— Emily piorou, está em estado grave no hospital. — Ela me interrompeu, vomitando aquelas palavras.
— O quê!?
— Papai acabou de me ligar avisando…
— Mas...
Eu não conseguia formar uma palavra sequer, Emily era minha mãe, minha avó e uma das pessoas que eu mais amava naquele mundo, a ideia de perdê-la me deixou sem chão. Meus olhos se encheram de lágrimas, sem que eu pudesse perceber eu já estava ajoelhado no chão chorando.
Senti mãos me tocarem para me fazer levantar, agora fazia sentido a corrida e o choro de Sam.
— Preciso ir vê-la, antes que seja tarde demais. — Falei olhando para o chão.
— Blake, fica calmo, ela não morreu. Só teve algumas complicações e teve que ser internada. — Vick falou, levantando o meu rosto e olhando diretamente nos meus olhos. — Se acalma.
— Eu quero vê-la.
— Não acho que você vai poder, só familiares são permitidos nesse momento e nem sei se o papai e a Sam vão conseguir vê-la.
Vick se levantou e estendeu uma mão para mim, eu aceitei e fiquei de pé.
— Sam foi para o hospital? — Beth perguntou, fazendo me lembrar da sua presença e a de Maggie.
— Sim, meu pai ligou para ela e a pegou agora lá na entrada. — Vick respondeu. — Só vim avisar ao Blake.
— Obrigado. — Falei fungando.
Maggie passou o braço em mim e acariciou meu ombro.
— Vai ficar tudo bem. — Ela sussurrou no meu ouvido.
Com o tempo, eu aprendi a odiar a frase: “vai ficar tudo bem”, lembro me desde que me entendia por gente que as coisas nunca ficavam bem e as pessoas só diziam isso para criar uma falsa sensação de segurança e esperança. Um exemplo claro disso era o falecimento da minha mãe, nunca ficou tudo bem depois de sua morte, não tinha um dia se quer que eu não me senti só e com um imenso buraco dentro de mim e acreditava que Vick sentisse o mesmo, mas lembro de todos falam que ia ficar tudo bem, uma mentira.
— Papai vai te avisar quando tiver mais notícias, preciso ir correndo para o treino de natação. Só vim te contar mesmo. — Vick me deu um rápido beijo da bochecha, me assustando com a atitude e saiu correndo.
— Que amor. — Maggie sussurrou em ironia.
Percebi Beth lhe censurar com o olhar.
Aos poucos, eu ia me acalmando, ou melhor, fingia me acalmar para despreocupar Maggie e Beth, sabia que conseguia enganar a primeira, mas a segunda... Beth fez questão de segurar minha mão durante toda a ida ao refeitório e na volta, após jantarmos. Ela tinha um olhar com misto de preocupação e ansiedade, eu não era o único ocupando seus pensamentos, deveria estar pensando na outra pessoa que eu também não parava de pensar: Sam.
A grande atitude de Sam não tinha surtido muito efeito, pois durante toda nossa refeição foi possível ouvir comentários e buchichos sobre ela. A situação abria-me o apetite, por mais que desejasse ir para o meu quarto chorar, acabei repetindo a refeição duas vezes mais sobremesa. Eu sempre acabava comendo mais em situações assim...
— Vejo que está com um grande apetite. – Maggie comentou.
Ela era bem controlada com sua alimentação, não era somente genética o seu corpo esguio e magro de bailarina.
Não lhe respondi, pois estava com a boca cheia. Seu comentário me deixara extremamente desconfortável, me lembrara dos comentários do meu pai e irmã quando eu engordara após a morte de minha mãe.
Fiquei sozinho somente após a bifurcação dos dormitórios, essa separação me fez lembrar de contá-las sobre a volta da Irmã Nancy, a severa e separatista diretora afastada e tia-avó do Alex. O corredor aparentemente vazio fui atrativo para o meu choro, eu já estava segurando a algum tempo, não pude deixar de aproveitar a situação.
Estava quase na porta da Ala masculina quando alguém segurou minha mão, não vi de imediato quem era, pois caminhava de cabeça baixa, olhando para o chão.
— Por que choras? – A voz metálica do Alex me surpreendeu.
Sendo uma das raras vezes, desde que eu conhecia, o seu olhar não transmitia frieza ou indiferença, parecia preocupado comigo. Eu não gostava daquele tipo de olhar, mas o dele era diferente, de certa forma até acolhedor, parecia que eu finalmente era importante para alguém que sempre parecia não se importar com nada.
Por impulso, o abracei. Envolvi meus braços no seu pescoço e deitei minha cabeça no seu ombro, inicialmente não tive uma recepção, ele ficou com os braços parados enquanto eu me entregava a ele, porém passado, acho que seu susto, ele retribuiu o abraço. Não sei quanto tempo se passou, quando finalmente falei alguma coisa.
— Me desculpe. – Falei, me afastando dele e limpando o rosto.
— Não, tudo bem...
— Se alguém visse.... Não quero que ninguém pense nada sobre...
— Já falei que está tudo bem. – Ele me interrompeu seco. – Não tem ninguém aqui. – Apontou para o corredor deserto, de onde eu viera.
Fiquei novamente em silêncio, cabisbaixo, enxugando o rosto com a manga do uniforme.
— Você não respondeu minha pergunta.
— Não importa. – Falei, indo em direção a porta.
— Importa sim. – Ele impediu a minha passagem. – Você está chorando, me abraça...
— Não quero te aborrecer, já deve ter seus próprios problemas...
— Me diz, logo. – Falou novamente seco. – E olhe para mim, quando conversamos. – Ele ergueu meu rosto pelo queixo.
— Minha babá, está muito doente no hospital e o estado dela piorou muito.
— Está chorando pela sua babá?
— Ela não é só minha babá, foi ela que me criou depois que perdi minha mãe e foi minha única amiga por anos. – Sua pergunta me irritara. – Como sua tia, é para você. – Tentei elucidar o meu sentimos por ela para ele.
— Não gosto da minha tia. – Novamente, seu olhar transmite emoção, dessa vez algo tão sombrio que até me arrepiara.
— Agora, preciso ir. – Falei novamente.
— Vai para onde?
— Para o meu quarto, chorar na minha cama até cair no sono. – Respondi com sinceridade.
Depois disso, ele não pareceu oferecer mais resistência. Porém, novamente me impediu a passagem, estava pronto para ralhar quando ele me tocou, segurando o meu rosto com uma das mãos e com o polegar limpando uma lágrima que insistia em escorrer pela bochecha.
— Fique bem. – Sussurrou.
Abri finalmente a porta e fui para o meu dormitório.
Os dias seguiram em uma velocidade assustadora, era época das provas prefinais, quem conseguisse passar nelas não teria que fazer as difíceis, que eram as finais, por isso a perda da noção do tempo. Além é claro, que também era tempo da chegada das cartas de admissão ou rejeição das faculdades, o clima era de nervosismo por todo St’Agnes, para o coral era pior devido ser às vésperas das Regionais. Como imaginado, Olivie conseguira o solo que tanto deveria querer, mas se enganou quem achava que ela seria a estrela da apresentação, pois a Sra. Underwood tomara o devido cuidado em dar destaque a todos os veteranos e não somente a ela.
Para o desespero de todos, a Irmã Nancy retornou à direção escolar e restituiu suas ridículas normas disciplinares, abolidas na sua ausência, como a segregação de meninos e meninas. Consequentemente, eu acabei tendo que ficar separado de minhas amigas e sozinho se não fosse por Alex e Yerik. O segundo, parecia estar se esforçando em se redimir dos erros do passado, mas eu percebia que esse esforço tinha uma linha limite bem definida, ele só me fazia companhia quando sabia que seus colegas dos times esportivos não estivessem por perto, como eu falei, um esforço muito bem calculado.
Alex era quem ficava a maior parte do tempo comigo, ele parecia ser genuíno em me querer por perto. Acima de todos, ele é quem parecia estar mais atormentado com o retorno da sua tia-avó, ele se tornara mais nervoso, parecia mais pálido que o normal e eu suspeitava que ele estivesse mais desastrado, já que o percebia com frequência com machucados. Aprendi que não deveria fazer muitas perguntas sobre isso, pois suas respostas poderiam ser bem grosseiras, em contraponto, sempre que possível ele gostava de me fazer um carinho ou roubar um selinho muito rápido. Admirava-me seu respeito pelo meu limite, mas isso era devido a sua situação parecida com a minha. Às vezes, ele parecia tão distante e frio quanto o seu olhar, sorrisos, eram raramente frequentes, mas de certa forma ficamos próximos como amigos.
Encontrar Sam no dia seguinte foi bem difícil, as olheiras marcadas deixaram claro o quanto ela chorara no hospital. Como Vick me falara no dia anterior, ela repetiu: que Emily tinha sido internada, que o seu estado era delicado e que o câncer estava agressivo e resistente a quimioterapia. Nós choramos juntos enquanto ela contava, eu sabia o quanto deveria ser mais difícil para ele, do que era para mim, Emily era a sua única família.
Aos poucos eu fui ficando menos sensível a esse fato, porém o mesmo não aconteceu com ela, parecia piorar conforme os dias passavam, como se desgraça pouca fosse pouca, ainda tinha que ouvir os comentários ofensivos sobre sua condição soropositiva. Eu não sabia como conseguia se manter firme, apesar da aparência dizer o contrário. Sua cabeça só pensou em outra coisa, além da avó, quando ela percebeu que sua carta de admissão ou rejeição ainda não chegara, como a da maioria dos outros alunos.
— Será que escrevi meu nome errado? — Caminhávamos, na distância limite permitida, para os dormitórios, vindos do auditório, onde realizamos o último ensaio antes das Regionais que seriam no outro dia, em Washington DC. — Por isso que não me enviaram a resposta ainda, mas para outra pessoa.
— Claro que não, você está viajando. — Beth respondeu.
— Se a Beth que está te dizendo isso, é porque você realmente está viajando. — Maggie completou.
Rimos da sua piada.
— Aposto que a gente vai chegar no seu dormitório e a carta vai estar no chão… — Beth soou esperançosa.
— Se tiver lá, só vou abrir quando estivermos todos juntos, se for rejeitada pelo menos vocês me consolam e se passar, a gente pira junto. — Sam falou.
— Eu não teria essa paciência, rasgaria o envelope na hora, capaz da carta ir junto no processo.- Maggie como sempre era impaciente.
— Eu não sei o que faria, acho que pediria para alguém abrir para mim. — Falei.
— Você acha que foi bem? — Maggie perguntou.
— Não sei, estava passando tantas coisas na minha cabeça, quero dizer, não faço ideia. Só sei, que se não conseguir a bolsa serei uma sem teto em julho.
— Ei. Você pode morar comigo.
— Com o seu pai, né. Porque você volta para o St’Agnes no final de agosto e eu só estaria substituindo minha avó, não quero isso para mim ou viver de favor. Preciso passar e virar uma juíza da suprema corte.
— Pensando alto. Isso aí, garota. — Maggie comentou.
— E você, Blake? Já pensou o que quer fazer depois que se formar.
— Não sei, nunca parei para pensar direito.
Menti, na realidade já tinha pensado muito no assunto, mas o que eu queria teria que seguir por um caminho difícil e cheio de obstáculos, sendo um deles até a minha personalidade. Eu queria ser ator, mas ator da Broadway, performar e cantar nos grandes espetáculos na Times Square, em Nova York. Porém, eu sabia que não teria apoio de ninguém para esse sonho e acabaria tendo que fazer o que meu pai decidisse por mim. Eu amava cantar, gostaria de investir nisso, assim como sabia que meu pai não me apoiaria, sabia que se minha mãe estivesse viva, ela me apoiaria.
— E vocês, já pensaram no que querem fazer? — Perguntei.
— Eu já sei o que eu quero, desde os meus cinco anos. Eu quero ser bailarina no Bolshoi, no russo mesmo, em Moscou. — Maggie respondeu.
— Uau!
— Você achou que eu iria sonhar pequeno, se sei da minha capacidade.
— E você, Beth?
— Não sei, a natureza vai me dizer o que fazer quando chegar a hora...
— Vai acabar vendendo artesanato em feiras locais. — Maggie a interrompeu.
— Até que seria uma boa ideia. — Beth pareceu cogitar a ideia.
— Eu estava brincando, você não pode fazer isso consigo mesma. — Maggie começou a gritar.
As duas ficaram discutindo o restante do caminho até chegar na bifurcação e eu seguir na direção oposta à delas. O corredor estava cheio de garotos, eles corriam barulhentos, agitados dos treinos esportivos e mortos de fome, um em particular chamou a minha atenção, Mikael. Ele se escorava na parede para caminhar devido a sua dificuldade de locomoção, tinha uma expressão de dor.
— Ei, tudo bem? Precisa de ajuda. — O cumprimentei.
Assim como havia prometido na enfermaria, sempre que o via, o cumprimentava.
— Oi, Blake. Como está? Não preciso de ajuda não, só estou com um pouco de cãibra pós-fisioterapia.
— Tem certeza?
— Tenho. — Ele sorriu torto, deveria estar mascarando a dor.
Seu olhar ainda me encantava toda vez que via, sempre muito doce e gentil. Ele poderia até parecer um anjo com os cabelos ondulados loiros e os olhos azuis, se não fosse pelos traços fortes masculinos, como o maxilar marcado. Percebi que eu o achava bonito, não pude evitar de ficar constrangido.
— Está com vergonha? — Ele perguntou.
— Não, apenas com calor. — Tentei disfarçar. — Essa primavera está muito quente. — Mudei de assunto.
— Sim, realmente. — Ele não pareceu convencido, pois ainda continuava rindo.
— Eu sei que você está com dor, será que se eu dar um apoio para você até o quarto, não ajuda um pouco?
Ele ficou pensativo antes de responder.
— Vou aceitar, para não parecer mal-educado, minha mãe ficaria com vergonha de mim, se parecesse.
Eu ri enquanto passava seu braço pelo meu ombro e passava o meu pelas suas costas, ele era tão magro quanto eu, quando chegara no St’Agnes, pois já tinha engordado uns cinco quilos.
— Não tenha medo de se apoiar. — Falei.
— Tudo bem.
Andar com Mikael não foi a tarefa mais fácil do mundo, apesar dele ser mais magro do que eu, ele era um pouco mais alto e eu não era um exemplo exímio de força, por isso, a caminhada era lenta.
— Aprecio de coração a sua solidariedade com o moribundo. — Falou.
— Ei! — O censurei. — Você não é moribundo.
— Tens razão, não sou moribundo, sou repelente de pessoas, porque ninguém chega perto de mim, acham sempre que vou ficar pedindo favores.
— Isso é horrível.
— Mas já estou acostumado.
Continuei o dando ajuda até chegar à porta da nossa ala.
— Posso te fazer uma pergunta? Ela pode ser um pouco invasiva.
— Pode.
— Qual é a doença que você tem, que te faz fazer fisioterapia?
— Ahh, isso. Bom, eu tenho esclerose prematura, eu tento controlar e retarda os efeitos com medicamentos e a fisioterapia.
— Entendi, desculpe-me se foi indelicado.
— Relaxa. – Ele riu. – Eu também perguntaria se fosse no seu caso.
Voltamos a andar, dessa fez a meta era o elevador dos dormitórios, por sorte, descobri que Mikael dormia no mesmo andar que o meu.
— Sabe que eu estava pensando, o seu nome e seu jeito, me é familiar. – Comentei.
— Ah é? Quem te lembra?
— Ninguém especificamente.
— Quando decidir quem é, pode me falar, vai ver eu conheço também.
Mikael, me lembrava muito o Mick, pela primeira vez desde que entrara no St’Agnes, achei que tivesse perto de descobrir a identidade do meu amigo virtual, no entanto, manteria essas suspeitas guardadas para mim, na mesma forma que guardava essa amizade.
— O que está fazendo, Bleika? – Yerik falou quando passávamos pela sala comunitária.
Ele estava sentado, sem camiseta, em uma das poltronas, perto das grandes janelas, por onde eu podia sentir passar uma brisa úmida do começo de noite primaveril.
Sua chamada, me pegou desprevenido, me assustando.
— Parece que está aprontando com um amigo... – Falou enquanto se levantava. Seus olhos estavam vermelhos, devido ao forte cloro das piscinas, seus cabelos estavam molhados para trás. – Quer ajuda? – Ele sorriu.
— Não obrigado, estamos bem. – Respondi, incentivando Mikael a andar.
Entramos no elevador e antes que a porta fechasse, Yerik entrou junto.
— Vou aproveitar a viagem. – Ele continuava sorrindo. – Sou Yerik, alias. – Cumprimentou.
— Mikael.
— Nunca te vi...
— Minha especialidade, desaparecer na escola.
— Mas, Bleika consegui te ver.
— Ele é muito gentil.
— Vejo que daqui a pouco vai ter mais amigos do que eu, Blake.
— Claro. – Lhe respondi revirando os olhos.
Assim que o elevador abriu tentei ser o mais rápido possível em sair e levar Mikael até seu quarto, que por sorte, era do lado do elevador.
— Muito obrigado, Blake, pela ajuda e companhia. – Ele me agradeceu. – E foi um prazer te conhecer, Yerik. – Este pareceu fazer questão de me esperar.
— E um prazer agora te ver. – Ele riu.
Lhe fiz uma expressão feia.
— Imagina. – Falei.
Estava quase nosso quarto quando escutei ele gritar por mim, voltei correndo.
— O que aconteceu? – Perguntei assustado, pensando que ele tivesse caído ou algo do tipo.
— Nada. – Ele se divertiu com o meu desespero exagerado. – Só me lembrei de uma coisa, nunca mais vi sua amiga buscando os remédios dela.
— O que? Não entendi.
— Você sabe se sua amiga, Sam está pegando os remédios dela com outra Irmã ou fazendo diferente, porque eu nunca mais a vi indo buscar na enfermaria e a enfermeira comentou o mesmo comigo.
— Não sei nada sobre isso. – Falei pensativo, coçando a cabeça.
— Bom, era só isso. Tenha um boa noite. – Ele fechou a porta.
— Aconteceu alguma coisa? – Yerik apareceu atrás de mim.
— Acho que Sam não está tomando seus remédios.
Não sei qual foi o motivo, mas Yerik imediatamente me abraçou, eu estaria mentindo se dissesse que foi ruim, seu corpo estava fresco, devido à proximidade ao ar externo na janela, podia sentir cada musculo desenhado pela natação. Porém, o acabei afastando de mim.
— Por que me abraçou?
— Senti vontade. – Ele riu malicioso.
— Falei uma coisa séria para você. – Andei em direção ao nosso quarto. – Não é brincadeira.
— Tudo bem.
Fiquei esperando ele passar pelo portal da porta do quarto para fechá-la. Aos poucos ia me descontrolando.
— Não está tudo bem, você sabe que pela situação dela como ela ficaria vulnerável sem a medicação.
— Você está tão agitado, nunca te vi assim...
Mil pensamentos me ocorriam por minuto, eu andava de um lado para o outro no pequeno quarto.
— Tudo parece estar dando tão errado na minha vida. – Parei e sentei na cama.
— Você precisa se acalmar. – Ele se sentou ao meu lado.
— E se ela desistiu de tudo e está fazendo isso para ficar mal...
— Ela não faria isso. – Ele me interrompeu, pegando na minha mão.
Seu toque era gelado, mas ao mesmo tempo acolhedor.
— Você não sabe, nem eu sei. – Eu ficava com a voz a nasalada conforme aumentava a vontade de chorar, eu me segurava para não. – Ninguém sabe pelo o que ela está passando, com a Emily doente e o ódio por ser soropositiva, é muita pressão em uma cabeça só, eu nem me vejo conseguindo passar por tudo isso sem desistir.
— Eu não o conheço, mas sei que ela é forte e inteligente o suficiente para não parar de tomar os remédios por causa disso, deve ter alguma outra razão, fale com ela e ela deverá te dar alguma explicação.
— Espero que você esteja certo. – Falei o abraçando abruptamente.
Agora ele estava quente, mas um quente que me fazia ter vontade de manter o abraço para sempre. Ele estava sem o seu perfume costumeiro, sem cheiro.
— No final, eu estava certo em te abraçar, só calculei a hora errado do abraço. – Não pude evitar de rir com aquela observação.
Ficamos por um tempo assim, eu podia ouvir o soar do seu coração no seu peito.
— Obrigado. – Falei desfazendo o abraço.
— Por nada. – Respondeu, se levantando. – Vou tomar banho para o jantar, nunca tomo banho direito depois do treino no vestiário, o cloro me deixa com cheiro de nada.
Nos encaramos por um tempo, ele pareceu esperar que eu falasse alguma coisa e eu o mesmo, até que foi-se pegar suas roupas e o celular para o banho. Por um momento, cogitei que ele fosse fazer alguma gracinha, no entanto, entrou no banheiro e fechou a porta. Aproveitei o momento e peguei meu notebook para conversar com Mick e ter uma segunda opinião sobre Sam.
Por sorte, ele tinha acabado de ficar online.
Blake McCarthy:
Oi.
Mantínhamos o contato frequente, então ele sempre estava atualizado sobre as coisas que aconteciam na minha vida. Eu já tinha me acostumado com o fato de que ele seria para sempre secreto, mas falar com Mikael reacendera minhas expectativas de conhecê-lo.
Mick:
Oi, fofo.
Como está?
Blake McCarthy:
Estou bem. E você?
Mick:
Levando como sempre. E como está a situação
com Emily? Ela melhorou?
Blake McCarthy:
Está na mesma desde o dia da internação.
Tenho fé que ela vai melhorar e logo vai estar
falando que você é um maníaco como sempre.
Só fiquei sabendo de uma coisa que se for verdade,
vai ser algo muito ruim...
Mick:
Pode me falar, o mistério vem com confidencialidade.
Blake McCarthy:
Um amigo meu, me contou que a Sam parou de tomar
os remédios. Não sei o que fazer, devo confrontá-la?
Tipo, agora nesse momento tão difícil? Porque se ela parou
de tomar o remédio, ela vai estar colocando sua vida em risco...
Mick:
Aposto que você está surtando com isso.
Blake McCarthy:
Pode apostar que estou.
Mick:
Então, PRIMEIRO: Se acalma.
SEGUNDO: essa pessoa que te contou, ela é confiável?
Não está só fazendo fofoca?
TERCEIRO: SE for verdade, você tem que falar com ela e entender
o que está acontecendo, antes de falar que ela está desistindo
de qualquer coisa.
Blake McCarthy:
Me aconselharam isso, o Yerik, você acredita?
E a pessoa que me contou sobre ela não teria motivo para
mentir, por isso posso confiar.
Mas como eu falo com ela sobre?
Mick:
Finalmente ele dando uma dentro.
Você arruma um jeito, sei que é bem gentil e amável,
vai saber o que dizer...
Fale o quanto antes...
Blake McCarthy:
Pretendo falar com ela, logo de manhã.
E obrigado por dizer que sou amável e gentil.
Mick:
Mas você é, principalmente pessoalmente.
Blake McCarthy:
Como assim pessoalmente? Tem me visto? Falado comigo?
Mick:
Tenho, até com frequência.
Blake McCarthy:
Você poderia se revelar...
Parece que gosta de me ver de bobo.
Mick:
Não é que eu goste, mas sei que você ainda não está pronto
para me ter em sua vida, principalmente agora, Mick real vem com
o pacote completo de problemas, que eu não quero que você tenha
que lidar.
Blake McCarthy:
Você o quanto isso é injusto, você conviver comigo todos os dias
e apenas um saber quem é o outro de verdade.
Mas bem que você poderia me dar uma dica sobre quem você é?
Mick:
Bom, estou mais próximo do que você imagina.
Dito isso, ele parou de ficar online, fiquei olhando para tela tentando entender o que aquelas últimas palavras queriam dizer.
— Com quem falar? – Yerik apareceu atrás de mim, olhando para a tela do notebook e quase apoiando sua cabeça no meu ombro, me assustando.
— Que susto! – Falei, fechando a tela do computador.
— O que foi? Não me ouviu sair do banheiro.
Estava tão distraído com a conversa que nem percebera que o barulho do chuveiro havia cessado.
— Não. – Lhe respondi me ajeitando na cama.
— Não me respondeu, com quem estava conversando?
— Com um amigo meu.
— Amigo, é... – Soou malicioso.
— Sim, um amigo, meu melhor amigo na realidade, nunca te falei nele?
— Assim você me magoa, pensei que eu era o seu melhor amigo. – Fingiu cara de tristeza enquanto caminhava até a sua cama, felizmente ele havia adquirido o habito recentemente de se trocar no banheiro.
— Você nunca foi meu melhor amigo, na verdade, você só é meu colega de quarto. Mas enfim, nunca te falei dele?
— Não.
— Bom, é um amigo virtual que tenho a anos e nunca nos conhecemos, na realidade, nem sei sua verdadeira identidade.
— Isso me cheira a maníaco sexual. – Falou rindo.
— Mas ele não é.
— Ele estuda aqui...
— Ah é? – Ele parecia se divertir com o que eu falava.
— É a pessoa que eu mais confio...
Ele continuou rindo.
— Por que está rindo? – Perguntei irritado.
— Nada. – Ele respondeu sorrindo, caminhando em direção a porta. – Parece até você é apaixonado por ele.
— Eu não sou! Ele só é o meu maior confidente e a minha pessoa especial.
— Deveria conhece-lo pessoalmente, se é tão especial. – Arqueou uma sobrancelha. – Estou indo jantar. – Avisou antes de sair, reparei que estava com o celular na mão.
Eu sabia que ele não me convidara para ir junto, era porque estaria com seu grupinho de idiotas. Mas o detalhe do celular me chamou a atenção, seria ele o meu amigo virtual e estaria fazendo um jogo comigo durante todo esse tempo, no entanto, as personalidades não batiam, porém, a sua chegada suspeita depois daquela mensagem do Mick era desconfiável.
—x-
Na manhã seguinte, acordei já decidido que iria conversar com Sam sobre aquele suporto abandono das medicações durante o nosso trajeto até Washington D.C., para as regionais do Coral. A Sra. Underwood havia combinado com todos de se encontrar bem cedo, antes da hora do café da manhã, na entrada principal para pegarmos o ônibus que nos levaria ao nosso hotel naquela cidade, teríamos que sair nesse horário para podermos ensaiar e descansar para o próximo dia, que seria o real dia de competição.
Tive dificuldade para levantar e depois para acordar Yerik, não levávamos muita coisa, apenas três mudas de roupa para os três dias fora. Não éramos de falar muito pela manhã, por isso fizemos o trajeto em silencio. Ao chegarmos ao ponto de encontro éramos os últimos que faltavam, o coral estava completo com a Sra. Underwood, com uma Irmã que também nos acompanharia e a Diretora Nancy com outras duas Irmãs, as inspetoras chefes.
— Finalmente, as bonitas chegaram. – Steve foi o primeiro a nos ver.
— Blake! – Sam gritou o meu nome assim que me viu, estava segurando uma carta.
Assim que vi a carta, meu coração acelerou, era a resposta dela da faculdade.
— Chegaram os últimos que faltavam. – A Sra. Underwood falou assim que chegamos. – Muito bem, Sr. McCarthy e Sr. Stanilau.
— Decepcionante. – A Diretora Nancy falou. – Rapazes do St’Agnes chegando atrasado em um compromisso. Vão carregar o nome e legado dessa instituição para fora e assim que se comportam. – Ela balançava a cabeça em reprovação, a boca murcha estava bem esticada.
Era a primeira vez que a víamos pessoalmente, após o seu retorno. Nem eu ou Yerik tínhamos coragem de retrucar.
— Decepcionante. – Steve falou.
— Degradante. – Peter continuou.
— Inapropriado. – Steve.
— Expulsos.
— Estão.
A Diretora não precisou dizer nada para fazer eles pararem de falar, apenas o seu olhar de reprovação fez o serviço. Lhe pedimos licença e nos misturamos com o grupo, enquanto ela conversava com a Sra. Underwood sobre os últimos detalhes antes de partirmos.
Devo quase ter corrido para alcançar o meu grupinho e falar com elas.
— Caralho, você demorou para porra! – Maggie falou, por sorte, estávamos a uma distância razoável da Diretora.
— Bom Dia. – Beth me cumprimentou, ela era que parecia mais tranquila de todos, reparando na natureza do jardim de entrada.
— Bom dia, meninas. Acordei atrasado e tive que acordar Yerik, ele deu trabalho...
— Abre logo! Agora ele está aqui. – Maggie me interrompeu falando para Sam.
Sam olhou para mim, esperando um consentimento para abrir a cartar, a incentivei e ela começou a destraçar o papel.
— Por que não me mandaram mensagem falando? – Apontei para o meu celular.
— Porque entregaram hoje. – Beth respondeu. – E nos veríamos cedo.
— Meu Deus! Como você demora. – Maggie estava desesperada, quase pegando a carta da mão de Sam.
— Sai! – Sam quase gritou com ela.
Quando finalmente abriu e começou a ler o conteúdo, ficamos em silencio, esperando a sua reação. Seus olhos desciam a carta em uma velocidade impressionante, procurando a palavra-chave, que definiria o seu futuro, no meio de tanto protocolo padrão. Aviso padrão para que está lendo e faz essas cartas, por favor, escreva bem grande APROVADO ou REPROVADO, o suspense pode matar alguém qualquer dia.
— Eai? – Perguntamos juntos
— Eu consegui. – Ela falou primeiro baixo. – Eu consegui. – Repetiu com lagrimas nos olhos. – Eu consegui. – Ela começou a gritar.
Imediatamente, nos abraços e começamos a gritar e pular, sem nos importar com o local que estávamos ou com quem nos observava. Era o primeiro momento genuinamente feliz e de sucesso depois de um longo tempo de sentimentos ruins.
Não sei quanto tempo levou para percebermos a diretora gritando com nós, até pararmos de pular e gritou.
— Mas que comportamento mais inadequado é esse! – Ela estava vermelha de raiva. – O que está acontecendo, se expliquem!
— Eu acabei de entrar na faculdade de direito. – Sam lhe respondeu contente, estendendo a carta de admissão. – Vou me mudar para a Califórnia. – Sorria radiante.
A Universidade que ela queria ficava ao norte na Califórnia, na Costa Leste, bem longe de onde estávamos na Pensilvânia.
— Minhas felicitações Srta. White, é sempre um orgulho para a Instituição a admissão de nossos alunos em Universidades de prestígio, mas comporte-se, ainda não se mudou para lá ou para Califórnia, por tanto, ainda tem que seguir o protocolo disciplinar daqui.
— Sim, Irmã Nancy. – Sam se conteve um pouco, o sermão não tinha lhe tirado a felicidade e animação por completo.
— O mesmo para seus colegas. – A Irmã nos encarou. – A distância mínima ainda continua valendo quanto estiverem aqui.
Dessa vez percebi que olhava diretamente para mim e a minha proximidade de Maggie, por isso, logo me afastei dela, com uma distância para lá de suficiente as necessidades da diretora.
A Sra. Underwood se aproximou e sussurrou para nós pelo canto da boca, para a superiora não perceber.
— Não se preocupem, no ônibus todos comemoramos.
Não demoramos muito tempo para partir e como prometido, no ônibus começamos a namorar. Eu e Maggie sentamos juntos e Sam com Beth ao nosso lado.
— A atenção de todos! – A Sra. Underwood falou assim que estramos na via em frente ao St. Agnes. – Gostaria que todos parabenizassem a nossa amiga, Samantha White pela admissão da Universidade da Califórnia, uma salva de palmas.
Todos sem exceção bateram palmas, incluindo as pessoas que não gostavam da minha amiga. Era um momento genuinamente feliz e de realização pessoal. Pelo trajeto a dentro, era perceptível sua felicidade no sorriso insistente. Foi um dos poucos momentos sem atritos com o grupo todo reunido, tudo mundo estava animado demais com a competição para arrumar confusão, cantamos e brincamos de tal forma que mal notamos o tempo passar e antes que percebemos chegamos ao nosso hotel na cidade.
Ao todo, tínhamos alugados cinco quartos, dois para os meninos, dois para as meninas e um para a Sra. Underwood e a Irmã. Acabei por dividir o quarto com Harry, Yerik e Jessie, tinha ficado imensamente grato por ter o primeiro conosco, devido ao histórico não tão legal com os outros dois.
— Fico feliz, que Sam tinha passado na faculdade. – Harry puxou assunto enquanto nos acomodávamos no quarto.
— Eu também. – Lhe respondi desconfiado.
Durante todo o meu tempo até então no Coral, mal tínhamos trocados meia dúzia de palavras, por isso, estranhei essa aproximação.
— Ela está bem?
— Quem?
— Sam. – Ele suspirou o nome dela.
Agora pareceu ter sentido aquela conversa, Harry era apaixonado por Sam desde antes de eu entrar no St’Agnes, ele estava tentando saber mais sobre ela, já que agora o contato entre eles era quase nulo.
— Gostaria de ter ficado do lado dela, quando ela passava por tudo.
— Ela está sendo bem cuidada, Beth e Maggie são ótimas amigas. – Lhe respondi sorrindo.
De certa forma, eu me compadecia com a situação dele, por mais que eu nunca tenha conhecido o amor, era impossível, nem ao menos sofrer vendo um amor não correspondido. Eu não achava que tinha culpados nessa situação, apenas incompatibilidade, ele amava Sam e ela não.
— Fico feliz. – Ele sorriu triste.
— Você é veterano, não é? – Lhe perguntei.
— Sim.
— Você já conseguiu entrar em alguma?
— Vou me mudar para Seattle, fazer medicina.
— Parabéns.
— Obrigado.
Não voltamos a nos falar, pois logo a Sra. Underwood apareceu na porta e nos chamou para jantar no restaurante do hotel. O hotel também estava recebendo nossos concorrentes, por isso, o lugar estava lotado quando chegamos. Por experiência, a Sra. Underwood já havia reservado uma mesa para todos, que ficava exatamente entre os outros corais, seria nossa primeira interação antes das apresentações.
Nesse dia, descobri que nada mais uni as pessoas do que um inimigo em comum ou uma ferida em comum. Engana-se, quem acha que as competições de coral são amistosas, muitas vezes um coral esta sabotando o outro nos bastidores ou se digladiando. Ao nos acomodarmos na nossa mesa, nos vizinhos deixaram bem claro nas expressões deles que não éramos queridos no recinto, incluindo os seus responsáveis.
— Olha esse pessoal, um bando de gente com cara de cu. – Camille falou alto o suficiente para todos ouvirem.
— Srta. Bernard, controle-se. – A Sra. Underwood a repreendeu. – Viemos jantar, não arrumar confusão com os outros competidores.
— Claro, claro... – Cami soou sarcástica.
Alguns de nós começou a rir.
O jantar seguiu normalmente até a chegada da sobremesa, quando a equipe a nossa direita decidiu começar a nos irritar e a Sra. Underwood foi para o quarto e nos deixou aos cuidados da Irmã. Eles começaram a cantar, alto de tal forma que era impossível manter a conversa sem cantar.
— Podiam calar a porra da boca, cantam mal assim não sei como chegaram nas regionais, INFERNO! – Cami gritou na mesa.
— Santo Deus. – A Irmã a olhou ofendida com o vocabulário.
Mas quem pareceu se indignar mais com o comentário de Cami foram o pessoal da mesa do lado.
— O que você falou? – Um menino perguntou cheio de marra, ele parecia ser mais velho.
— Isso mesmo que você ouviu? Por quê? – Camille não era de fugir de brigas. – Ficam cantando, atrapalhando tudo mundo, como se fossem bons nisso.
— Acho que você é quem deveria fechar a boca, deve estar se sentindo intimidada. Isso é normal com quem enfrenta a gente.
— Ahhh, por favor, olhe para vocês e para outra equipe, podem pegar as malas e irem embora, vai ser menos humilhante desistir do que ser massacrado no palco amanhã.
— Massacre? – Uma menina da outra equipe falou. – Você tirou suas falas do filme das meninas malvadas? Apenas não. – Ela balançou a cabeça em reprovação. – Voltem a cantar no coral da igreja que é melhor para vocês, mas duvido que possam pelo nível de gente que parece ter aí.
Todo mundo engoliu em seco, eu sou o tipo de pessoa que foge de briga, mas pelo o que eu percebi, aquela menina tinha provocado tudo mundo para uma.
— Eu pesquisei sobre nossos rivais, faz o que, sete anos que vocês não passavam das distritais? E dez que não das regionais? Creio que a Irmã com vocês devia ser aluna no ultimo nacional. – O primeiro garoto falava. – Não veiam aqui se achando os melhores, porque o coral de vocês não é o melhor, a anos.
— E o que a gente tem a ver com as equipes passadas? – Maggie se levantou, imaginei que ela fizesse isso, costumava ser briguenta.
— A gente está aqui como vocês, sabemos que somos melhores que você, sabemos que vamos para nacionais e só isso nos importa, agora se vocês calaram a porra da boca, gostaríamos de comer nossa sobremesa em paz. – Marc se levantou e falou, por mais que ele fosse alto, sua voz não era de impor muito respeito.
— Você parece que tem a voz de uma criança. – A menina da outra equipe começou a rir.
— E você tem a cara de uma vagabunda favelada, se quer rir da cara do meu amigo, eu vou ter que rir na sua cara quando eu estiver socando ela.
— O que? – Ela mal teve tempo de ter reação quando Cami deu um soco na cara dela, a fazendo cair no chão.
Depois disso foi a maior confusão, uma equipe começou a brigar com a outra, nada de muito sério aconteceu com ninguém, na realidade a briga era até engraçada para quem assistia, no caso, eu, Beth e a Irmã. Tadinha, essa, gritava pedindo ajuda desesperada.
Para não dizer que sai ileso, meu cabelo saiu sujo de glacê quando um menino magrelo tentou me acertar antes de ser arremessá-lo pelo Yerik para o outro lado do salão. Deveria agradece-lo depois.
A confusão só acabou quando os seguranças do hotel chegaram e separaram tudo mundo ameaçando chamar a polícia. O estrago maior foi quando recebemos o sermão de três horas da Sra. Underwood, ela quase que desistiu das regionais, e o castigo da Irmã, teríamos que ajudar na limpeza e manutenção da escola aos finais de semana até o final do ano letivo.
Fomos dormir com um gosto agridoce na boca, com o a sensação ruim do castigo e boa de ter brigado em equipe.
—x-
No outro dia, foi uma correria para ajustar os últimos detalhes para apresentação e sem que percebêssemos já estava na hora de irmos para o teatro aonde seria a competição. Por sorte, não encontramos ninguém dos outros grupos até chegar lá, a rixa do dia anterior permanecia clara na expressão deles.
Não nos abalamos com isso, estávamos focados em ganhar, do que lidar com brigas do dia anterior e isso era surpreendente, sabendo que tínhamos Camille, Maggie, Peter e Steve na equipe e eram pessoas bem impulsivas e provocativas.
Éramos a equipe do meio, que era uma posição confortável, já que não iniciava e nem terminava. A primeira equipe se apresentou empolgando os jurados e os presentes, isso nos deixou ainda mais nervosos, teríamos que ser melhores que eles.
— Estamos treinando duro e somos melhores que eles, então se sintam pressionados, eles é que tem que sentir. – Marc incentivava a equipe nas coxias, era nítido seu espírito de liderança.
— Merda, merda, merda! – Maggie andava de um lado para o outro falando sozinha. – Você é maravilhosa garota.
— Como é humilde. – Jessie comentou ao observa-la.
— Equipe. – A Sra. Underwood, nos chamou antes de nos posicionarmos no palco. Fizemos um circulo de modo que todos pudessem ver um aos outros. – Independente de resultado, ou de como saírem no palco daqui a pouco, se sintam orgulhosos do trabalho que vem fazendo, do tempo que se dedicaram aqui. Acredito do potencial de vocês para ganharmos as nacionais, é a melhor equipe que eu trabalho em anos, mas não se sintam pressionados, porque acima de tudo, o coral é feito para vocês se divertirem e se expressarem. Então, se divirtam no palco.
Marc puxou um grito em equipe, demos um abraço grupal e fomos para o palco.
Oh yeah baby, like a fool I went and stayed too long
Now I'm wondering if your love's still strong
Oo baby, here I am, signed, sealed delivered, I'm yours
Then that time I went and said goodbye
Now I'm back and not ashamed to cry
Oo baby, here I am, signed, sealed delivered, I'm yours
Here I am baby
Oh, you've got the future in your hand
(Signed, sealed delivered, I'm yours)
Here I am baby,
Ah, you've got the future in your hand
(Signed, sealed, delivered, I'm yours)
I've done a lot of foolish things
That I really didn't mean
Hey, hey, yea, yea, didn't I, oh baby
Seen a lot of things in this old world
When I touched them they did nothing, girl
Oo baby, here I am, signed, sealed delivered, I'm yours, oh I'm yours
Oo-wee babe you set my soul on fire
That's why I know you are my only desire
Oo baby, here I am, signed, sealed delivered, I'm yours
Here I am baby
Ah, you've got the future in your hand
(Signed, sealed delivered, I'm yours)
Here I am baby,
Ah, you've got the future in your hand
(Signed, sealed, delivered, I'm yours)
I've done a lot of foolish things
That I really didn't mean
I could be a broken man but here I am
With your future, got your future babe (here I am baby)
Here I am baby (signed, sealed delivered, I'm yours)
Here I am baby, (here I am baby)
Here I am baby (signed, sealed delivered, I'm yours)
Here I am baby, (here I am baby)
Here I am baby (signed, sealed delivered, I'm yours)
Ao final da primeira parte, parei, respirei e olhei para plateia. Aquela sensação era pela qual eu gostava de cantar, eu poderia ser tímido e pequeno, mas no palco eu me sentia grande.
Arrumei a postura e posicionei para continuar o número.
Do you believe in magic in a young girl's heart
How the music can free her, whenever it starts
And it's magic, if the music is groovy
It makes you feel happy like an old-time movie
I'll tell you about the magic, and it'll free your soul
But it's like trying to tell a stranger 'bout rock and roll
If you believe in magic don't bother to choose
If it's jug band music or rhythm and blues
Just go and listen it'll start with a smile
It won't wipe off your face no matter how hard you try
Your feet start tapping and you can't seem to find
How you got there, so just blow your mind
If you believe in magic, come along with me
We'll dance until morning 'til there's just you and me
And maybe, if the music is right
I'll meet you tomorrow, sort of late at night
And we'll go dancing, baby, then you'll see
How the magic's in the music and the music's in me
Yeah, do you believe in magic
Yeah, believe in the magic of a young girl's soul
Believe in the magic of rock and roll
Believe in the magic that can set you free
Ohh, talking 'bout magic
Do you believe like I believe (Do you believe in magic)
Do you believe like I believe (Do you believe, believer)
Do you believe like I believe (Do you believe in magic)
Todos os garotos saíram do palco, incluindo-me, deixando somente as garotas. Agora seria o número feminino, antes do solo, era a minha parte favorita da apresentação.
As meninas com os vestidos tubinhos pareciam ter saído direto de uma girl group seiscentista com a coreografia característica.
Stop! In the name of love
Before you break my heart
Baby, baby
I'm aware of where you go
Each time you leave my door
I watch you walk down the street
Knowing your other love you'll meet
But this time before you run to her
Leaving me alone and hurt
(Think it over) After I've been good to you ?
(Think it over) After I've been sweet to you ?
Stop! In the name of love
Before you break my heart
Stop! In the name of love
Before you break my heart
Think it over
Think it over
I've known of your
Your secluded nights
I've even seen her
Maybe once or twice
But is her sweet expression
Worth more than my love and affection ?
But this time before you leave my arms
And rush off to her charms
(Think it over) Haven't I been good to you ?
(Think it over) Haven't I been sweet to you ?
Stop! In the name of love
Before you break my heart
Stop! In the name of love
Before you break my heart
Think it over
Think it over
I've tried so hard, hard to be patient
Hoping you'd stop this infatuation
But each time you are together
I'm so afraid I'll be losing you forever
Stop! In the name of love
Before you break my heart
Stop! In the name of love
Before you break my heart
Stop! In the name of love
Before you break my heart
Baby, think it over
Think it over, baby
Ooh, think it over baby
Todas as garotas saíram do palco, sobrando apenas Olivie. Seria o seu grande número solo para finalizar nossa apresentação. Ela era o nosso trufo para fechar com chave de ouro e consequentemente passar para as nacionais. Apresentaria uma música que valorizava bem seus talentos vocais, não era para qualquer um, e também tinha sido lançada nos anos sessenta.
A vi respirar fundo, pelas coxias, antes de começar a cantar.
Don't tell me not to live
Just sit and putter
Life's candy and the sun's
A ball of butter
Don't bring around a cloud
To rain on my parade
Don't tell me not to fly
I've simply got to
If someone takes a spill
It's me and not you
Who told you you're allowed
To rain on my parade!
I'll march my band out
I'll beat my drum
And if I'm fanned out
Your turn at bat, sir
At least I didn't fake it
Hat, sir, I guess I didn't make it!
But whether I'm the rose
Of sheer perfection
Or freckle on the nose
Of life's complexion
The cinder or the shiny apple of its eye
I gotta fly once
I gotta try once
Only can die once, right, sir?
Ooh, life is juicy
Juicy, and you see
I gotta have my bite, sir!
Get ready for me, love
Cause I'm a "comer"
I simply gotta march
My heart's a drummer
Don't bring around a cloud
To rain on my parade!
I'm gonna live and live now
Get what I want, I know how
One roll for the whole shebang
One throw, that bell will go clang
Eye on the target, and wham
One shot, one gun shot, and bam
Hey, Mister Arnstein, here I am!
I'll march my band out
I'm beating my drum
And if I'm fanned out
Your turn at bat, sir
At least I didn't fake it
Hat, sir, I guess I didn't make it
Get ready for me, love
'Cause I'm a "comer"
I simply gotta march
My heart's a drummer
Nobody, no, nobody
Is gonna rain on my parade!
Assim que fecharam as cortinas, corremos dos bastidores para abraçar Olivie, ela poderia não ser a pessoa mais legal do mundo, mas eu considerava uma das melhores cantores, seu talento era inegável após aquela performance de tirar o folego.
Estávamos satisfeitos e confiantes com a nossa apresentação, tivemos que espera o outro coral se apresentar, os juízes deliberarem para sabermos o resultado. Por mais, que estivéssemos felizes com o trabalho, deu um frio na barriga na expectativa do anuncio do vencedor. E quando foi anunciado, não conseguimos conter a felicidade na voz, parecia que estávamos fazendo uma nova performance no palco, pode até ter parecido um pouco desrespeitoso com os outros grupos presentes, mas aquele momento era nosso.
— Agora, as Nacionais! – Marc gritou erguendo o nosso troféu.
—x-
Os dias voltaram a passar em uma velocidade impressionante, tínhamos quase um mês e meio para as nacionais quando vencemos a regionais, e de repente faltavam apenas duas semanas e consequentemente, apenas três semanas para o final daquele ano letivo.
Por mais que eu gostasse muito de casa, a expectativa de retornar para lá sem Emily, me entristecia. Ela continuava na mesma no hospital, cada semana que permanecia viva era um motivo para comemorar e também para continuar se preocupar, eu rezava todos os dias para que ela acordasse, mas minhas preces pareciam ser ignoradas.
Outro ponto que me entristecia era que eu já tinha acostumado a conviver com minhas amigas e um quarto solitário durante o verão não parecia convidativo. Sentiria falta delas, todas iriam viajar, por mais que prometessem nos falarmos, e no caso de Sam, se mudaria.
Eu ainda não tinha a confrontado para saber se tinha parado de tomar seus medicamentos, mas tinha quase certeza que sim devido a sua aparência. Ela estava cada dia mais com um aspecto doentio, com a pele pálida e o corpo sem vida, também tinha perdido um pouco de peso e a tosse voltara a ficar violenta. Ela justificava seu estado a preocupação com a avó, o que faria sentido, mas o que Mikael me dissera, ainda martelava em minha mente.
Eu adiei a conversa o máximo que pude, até que combinei de encontrá-la pela manhã, antes do horário de café, no nosso banco favorito no bosque, era um lugar um pouco mais isolado e longe das vistas das irmãs, as regras de segregação estavam ficando cada vez mais incisivas.
Por ser quase verão, o dia estava quente já pela manhã. Os insetos vagavam pelas poucas flores que floresciam no bosque quando a escutei cantar, em tom baixo, ela tinha chegado mais cedo que eu. Sua voz soava frágil, como se estivesse à beira de um colapso, porém ainda era bonita.
Moon river, wider than a mile
I'm crossing you in style some day
Oh, dream maker, you heart breaker
Wherever you're going
I'm going your way
Two drifters, off to see the world
There's such a lot of world to see
We're after the same rainbow's end
waiting, round the bend
My Huckleberry friend
Moon River, and me
Moon river, wider than a mile
I'm crossing you in style some day
Oh, dream maker, you heart breaker
Wherever you're going
I'm going your way
Two drifters, off to see the world
There's such a lot of world to see
We're after the same rainbow's end
waiting, around the bend
My Huckleberry friend
Moon River, and me
— Olá, Holly. – Falei quando ela terminou de cantar.
— Preferia que me chamasse de bonequinha de luxo. – Ela sorriu ao me ver.
— Soa um pouco estranho falar isso. – Sorri.
— Agora me diz, o que é tão urgente que precisa me contar sem as meninas no meio do bosque a essa hora da manhã, sabe como estou precisando de sono de beleza. – Brincou com a sua aparência.
Eu havia mentido para ela, dizendo que precisava lhe contar algo urgente.
— Bom. – Me sentei ao seu lado e suspirei. – Eu preciso te fazer uma pergunta.
— Sim Blake, eu e Beth estamos juntos. – Ela me interrompeu.
— Eu sei, você já me falou, não?
— Sim, mas tenho medo que você jogue na lixeira da sua cabeça informações como essa, você costuma trabalhar na negação.
— Eu sei, mas eu também percebo a relações de vocês, mas não é esse o assunto... – Balancei a cabeça.
Fiquei em silencio para tomar coragem e perguntar.
— Você está sério agora, parece ser...
— Você parou de tomar seus remédios contra o vírus? – Lhe interrompi perguntando de supetão.
Desejei que ela falasse que eu estou maluco, mas ela ficou em silencio, tive que me controlar para não chorar, as vezes eu odiava ser emotivo.
Ficamos em silencio olhando para o horizonte, algo dentro do meu peito se apertava, queria gritar com ela por estar fazendo aquilo.
— Por que? – Minha voz soou tão frágil quanto a dela.
— Eu não sei... – Ela suspirou, evitando me encarar. – Não sei porque faço isso.
Sam começou a chorar.
— Não chore. – A puxei para o meu colo.
— Acho que só cansei e decidi desistir de tudo. – Começou a soluçar.
Não consegui me controlar e também comecei a chorar.
— Eu não consigo imaginar o quanto tem sido difícil para você em todo esse tempo, mas por favor, não desista. Emily não iria querer que você desistisse.
Citar o nome de Emily foi um catalizador para aumentar nossos choros.
— Eu sei, eu sei...
— Você tem um lindo futuro fora daqui, em um lugar melhor. – Lhe afaguei o rosto. – Você é melhor que tudo isso.
— Eu não acredito.
— Eu acredito em você! Você é a melhor pessoa que eu já conheci, me fez sair do buraco que eu achava não estar, você me ensinou a viver.
— Eu estou tão envergonhada.
— Não fique, por favor, apenas volte a tomar seus remédios e a ficar saudável. Califórnia te espera daqui um mês e você tem que estar bem para poder conquista-la. – Sam se mudaria para o campus uma semana após o termino das aulas.
— Sim. – Ela fungou.
Lhe puxei para um abraço forte.
— Não conte para ninguém o que eu fiz. – Ela falou ainda quando estávamos abraçados.
— Só se prometer que nunca mais vai desistir.
— Eu prometo.
Desfazemos o abraço e entrelaçamos nossas mãos.
— Como descobriu? Pela minha aparência? Beth já estava desconfiada por isso. – Me perguntou.
— Não. Um amigo meu que frequenta a enfermaria percebeu sua ausência.
— Um amigo? – Ela franziu a sobrancelha como se estivesse tentando lembrar dele. — Mikael?
— Isso.
— Ele é bem gentil, mas agora acho ele fofoqueiro.
— Ainda bem que ele me contou, isso já faz um mês e meio, foi antes das regionais. Fiquei esse tempo todo criando coragem para falar sobre, ia no dia que viajamos, mas você estava muito feliz para eu estragar o momento.
— Fico muito feliz pela consideração.
— Faz muito tempo que você parou de tomar os medicamentos?
Ela ficou em silencio, novamente o silencio respondeu melhor que com palavras e novamente era algo ruim.
— Quanto tempo? – Repeti a pergunta.
— Desde que a escola ficou sabendo de mim, eu fiquei com vergonha de ir buscar os remédios, todos pareciam que estavam me monitorando vinte quatro horas por dia. Não queria me sentir mais exposta, do que já estava e aí veio a internação da vovó, então, desisti.
— Isso já faz quase três meses! Isso não é muito ruim? Ficar todo esse tempo.
— É sim.
—x-
Eu iria descobrir o quanto era ruim na madrugada do outro dia.
— Bleika, acorde. – Ouvi a voz do búlgaro me chamar.
Ele acariciava-me o rosto, tentando me acorda da forma mais delicada possível.
— O q-u-e!? – Falei sem racionar, assustado com o seu toque e sem enxergar nada direito pela ausência dos óculos.
Estendi o braço e peguei os óculos, assim que regularizei a visão, novamente, fui surpreendido. Maggie e Beth me encaravam, acompanhadas por um Yerik de pijamas.
— O que vocês fazem aqui?
— Blake. – Maggie foi a primeira a falar.
— Sam foi para o hospital. – Ela estava vermelha de choro. – Ela teve uma parada respiratória.
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