Tempestuoso

13 Sem Pé e Cabelos


Notas iniciais
Demorou por dois fatores: desanimo e crise criativa. Lea Michele - Cannonball https://www.youtube.com/watch?v=H-KhJmh074A Betado pela Raii, sem você o cap. não sairia. Bjs para Fucsia.

Umas das consequências de várias coisas acontecerem ao mesmo tempo, é de que você fica tão mentalmente saturado que o tempo parece decorrer mais rápido do que normalmente. Quando Sam me contou que Emy estava doente, com câncer, pensei que seria o seu fim. É o natural, porém estava bem enganado. Passei a ligar todos os dias para ela ficando consequentemente informado do seu tratamento.

A primeira boa notícia veio algumas semanas depois, na biopsia detectaram que o tumor era benigno, ou seja, não era tão agressivo. O mesmo não poderia ser dito da quimioterapia, teve dias após as sessões que nossas conversas não duraram mais do que poucos segundos por seu cansaço. O tratamento também gerava a queda dos seus cabelos e isso a deixa bem deprimida.

Meu pai, mesmo que ausente, tinha contratado uma garota das redondezas para que cuidasse dela e também da casa, já que esta estava incapacitada de realizar qualquer tarefa doméstica e talvez também de cuidar de si.

Assim como eu, Sam queria poder sair todos os finais de semana para ficar com ela, no entanto, esse desejo jamais se realizaria. Guiada pelas ideias maquiavélicas, a nossa diretora regente adotou o pensamento de que era melhor ser temida do que amada e manteve-se irredutível as nossas súplicas. Alegava que não poderia abrir concessões especiais a uma dupla específica de aluno, sem fazer isso para outros alunos. Nem mesmo deixou-me sair com Vick no aniversário de nossa mãe, nos ausentando do seu túmulo nesta data desde que morrera.

Pela primeira vez em minha vida, desejei que algo de ruim acontecesse com alguém.

Outra pessoa que teve ventos favoráveis fora Vick. Pouco à pouco, reconstruía-se, apesar de no fundo dos seus olhos ser possível enxergar uma certa tristeza, pelo menos eu conseguia enxergar isto. Seu primeiro passo para recuperação fora voltar a frequentar o refeitório e os treinos de natação. No primeiro caso, que era quando eu podia vê-la, inicialmente mantinha-se inexpressiva, depois começara a esboçar fracos sorrisos com as brigas entre Lucy e Mirna. Os sorrisos foram aumentando até que a expressão de superioridade retornará. Agora em companhia de Cami, além das gêmeas, andava pelos corredores como se fosse melhor e estivesse acima de todos. Era comum vê-la fuzilar o ex-namorado, porém a distância com os decretos da diretora, a relação deles estava fria como as calotas polares. O mesmo não se poderia ser dito de Cami, comumente a vi olhar Marc de modo suspeito.

Marc continuava a carregar uma aura pesada, conseguia disfarçar bem na maior parte do tempo, somente nos momentos solitários é que o via com uma expressão amarga e dura. Poderia compadecer-me com ele, porém não conseguia e nem merecia.

Com o decreto de restrição ao contato entre alunos, tive que recorrer a companhia distante do meu amigo online. Passava boa parte do meu pouco tempo livre conversando com Mick. Eu não perdia a oportunidade de lhe pedir que se revelasse, em quase todas nossas conversas eu insinuava esse desejo e em todas elas não conseguia o resultado desejado. Fiquei atento ao meu entorno para tentar descobrir sua identidade, ele tinha me comentado que havia falado comigo algumas vezes e que em alguns momentos enquanto conversávamos pelo celular, ele estava bem próximo de mim. Dos meus conhecidos os únicos ao alcance da minha visão que sempre estavam com o celular quando conversávamos era: Alex, Mikael e Yerik.

Considerava, o segundo muito improvável, mal nos conhecíamos para falar a verdade. Me sobravam então somente duas opções. Preferi por não pensar muito no assunto, porque tinha outros problemas mais importantes e a companhia anônima de Mick me bastava por enquanto, se investigasse mais afundo poderia perdê-lo.

No coral, a situação estava mais calma. Havíamos vencido as Seccionais, e as Regionais só seriam em abril, portanto, teríamos um bom período de preparação. Consequentemente, a Sra. Underwood optou em continuar com as lições semanais e os treinos de alcance vocal individual, no lugar de preparar a nova apresentação.

Isso não acontecia com as demais matérias, as provas e trabalhos se tornaram mais frequentes do que nunca considerando que estávamos do fim do primeiro semestre. O Teatro se mostrou o mais trabalhoso de todos. A noite de abertura estava em contagem regressiva, a pressão que a Srta. Margot colocava nos atores, só não era maior as que colocava na parte técnica, atrasados no cenário e faltava pouco mais de uma semana para estreia, a professora fazia um inferno na cabeça deles.

Ensaiávamos uma cena entre Cossete e Marius, quando parte do cenário quase caiu sobre eles.

— Mas o que pretendem?! – Gritou a Srta. Margot, estava bem estressada. – Querem matar meus protagonistas?

— Não, Srta. Margot! – Alguém gritou das coxias.

— Pois não é o que parece. Estamos a menos de uma semana da estreia e nenhum dos cenários está pronto e muito menos estamos aptos a qualquer cena. – Essa última parte foi um tapa na cara dos atores.

Intercalamos algumas cenas antes da Srta. Margot nos criticar ainda mais e dar por encerrado o ensaio. Optei por esperar os demais atores irem se trocar primeiro para poder ter uma privacidade maior quando fosse minha vez.

— Desculpe-me. – Falei automaticamente quando ia entrar no camarim e vi Georgina.

Ela parecia concentrada em limpar o rosto com um algodão sentada na frente do espelho.

— Não precisa se preocupar, já estou de saída. – Falou passando o algodão pela última vez no nariz.

— Tudo bem, fique o tempo que desejar. – Falei.

— Também quis uma privacidade maior para se trocar? – Perguntou.

Acenei positivamente com a cabeça, ela me via pelo reflexo do espelho. Não demorou muito para que pegasse sua mochila e fizesse indicação de que sairia enquanto eu esperava parado no batente da porta.

— Faz tempo que não nos falamos. – Ela parou na minha frente.

— Sim, faz tempo.

— Como está? Não esqueci da sua gentileza no primeiro dia de aula.

— Estou bem e aquilo, nem se preocupe, faria isso para qualquer uma. Não que você seja qualquer uma. – Ela riu do meu nervosismo. – Como você está?

— Bem, na medida do possível.

— Soube que terminou o namoro. Eu sinto muito. – Não consegui conter aquelas palavras. – Desculpe-me se pareço intrometido. – Completei.

Georgina fez uma expressão azeda.

— Yerik era legal, mas também meio babaca. Sentia que ele gostava de outra pessoa. – Engoli em seco. – Não era uma entrega mútua e se vou namorar alguém tem que existir uma reciprocidade equivalente, não acha?

— Sim, eu acho. – Soei confuso. — Vocês estão bem? Como lidou com isso? – Percebi que estava sendo evasivo.

— Estou, mas no começo foi difícil. Agora com as novas regras fica mais fácil, mas não é legal ver seu ex-namorado pegando geral na escola. Não é explícito, mas fico sabendo dos boatos. Dá uma certa insegurança.

— Yerik não é legal. – Foi o que consegui dizer.

— Não mesmo, no entanto, tem suas qualidades. Não acho legal se comportar como a ex que fala mal. Acho melhor eu ir, porque se alguma Irmã nos pegar conversando vamos nos dar mal.

Ela passou por mim e quando eu estava prestes a fechar a porta, gritou.

— Ela fala de mim?

— Ele e eu não conversamos, então não tenho como te dizer isso.

A deixei com uma expressão desgostosa ao fechar a porta, me troquei com tranquilidade e voltei para o palco ao terminar. Queria só sentar no seu centro e absorver tudo o que poderia me oferecer, me perder em meus pensamentos e sonhar. Mesmo que gerasse muito estresse, quando eu atuava ou cantava me sentia estranhamente satisfeito. Minha vontade de fazer isso naufragou quando vi o Jesse ensaiando alguns passos de dança sozinho pela fresta da cortina.

Aproveitando-me que não tinha sido notado, me camuflei entre as cortinas, deitando-me no chão e só deixando minha cabeça do outro lado. Jesse vestia-se com roupas largas, pelo menos dois números acima do seu e usava óculos como os meus, seria parecido comigo se não fosse os olhos azuis-esverdeados, muito bonitos, o cabelo escuro e sua altura, era alto mesmo quando comparado com os outros garotos. Ele era bem talentoso, seus movimentos eram firmes e graciosos.

Em um momento do seu ensaio, após esquentar o corpo, ele tirou a blusa de moletom e revelou sua musculatura. Usando uma regata por baixo, que deixava amostra seus ombros bem trabalhados e marcando os músculos do tronco. Seu físico de certa forma me lembrava um pouco o de Yerik, porém este fazia parte da equipe de natação e até onde eu sabia, Jesse não fazia parte de nenhuma equipe esportiva. Entreguei minha localização quando ele jogou a blusa em cima da minha cabeça, me causando um espirro.

— Quem está aí? – Olhou para minha direção com uma expressão assustada e muito vermelho.

Mal respirava na esperança que não me localizasse, ao menor movimento as cortinas me trairiam. Demorou um pouco até me localizar.

— Blake? – Ele mais perguntou do que afirmou.

— Me pegou. – Sorri sem dentes, tão rubro quanto ele. – Desculpe atrapalhar o seu ensaio, já vou indo. – Falei me levantando.

— Não, se quiser pode usar o palco. Já estou de saída. Estava me espionando?

— Não, não estava e nem você está de saída. – Eu ri. – Desculpe bisbilhotar, só que você dança bem. – Deixei escapar.

— Ahhh. – Ele mordeu internamente a bochecha deixando os lábios tortos. – Só estou treinando, não danço bem.

— Está mentindo, acabei de vê-lo. Acho que teria se saído melhor como o Marius. – Falei, lembrando-o de quando fizemos o teste pelo mesmo papel.

— Não acho. – Continuou a morder a bochecha. – Deveria ter sido você, se não fosse o Yerik.

— Não com o seu talento com a dança. Não sei praticamente nada de dança, por sorte meu personagem não faz muito uso, só o pouco que tem já me complico.

— Se quiser posso te ajudar. – Ofereceu.

— Adoraria. – Sorri.

Nos encaramos por poucos segundos antes de deixá-lo só.

— Até breve. – Falei acenando.

— Até. – Ele também acenou.

Não era somente eu que observava o Jesse, constatei isso quando peguei Yerik também escondido. Ele estava escondido também perto das cortinas, só que melhor posicionado que eu.

— Ei, Bleika... que susto. – Disse ao perceber que tinha sido descoberto.

Olhei-o com estranheza, desde que o tinha pego transando no quarto nunca mais havíamos trocado uma palavra se quer. Deve ter conseguido interpretar minha expressão e por isso contraiu-se.

— Desculpa. – Ele falou, não sabia exatamente pelo o que pedia.

—x-

Cheguei ao refeitório, estava abarrotado de gente, caminhei até a fila para alimentar-me, ela estava imensa, fui olhando ao entorno na procura de um lugar para me sentar. Após um tempo nela e de enfim servido, ainda não tinha localizado um lugar. Sam e Beth me olhavam solidárias, Alex não estava presente e minhas opções de conhecidos não eram exatamente opções para compartilhar a mesa, a não ser por Jesse.

— Com licença. – Pedi, quando cheguei na sua mesa. — Posso me sentar com você? – Assim como eu, ele também estava solitário.

— Claro. – Gesticulou oferecendo um lugar.

Me sentei e encarei-o, estava entretido com um livro de astrologia, automaticamente me lembrei de Beth.

— Você gosta? – Apontei para o livro tentando puxar assunto.

— Bastante. – Ele sorriu logo voltando a atenção para o livro.

Dei atenção para minha comida deixando-o totalmente absorto em sua leitura.

— Minha amiga também. – Falei depois de um tempo.

— Beth? – Não me olhava.

— Sim, ela gosta de ficar baseado a vida de Sam e a minha no nosso signo e mapa alguma coisa...

— Mapa astral. – Completou.

— Isso mesmo.

— Também tenho essa mania. – Olhou para mim pela primeira vez. – Mas só com quem sei o mapa completo.

— Não entendo absolutamente nada disso.

— Qual é o seu signo? Para começar. Você sabe, né?

— Sei sim, andando com a Beth seria impossível não saber. É Câncer.

— Interessante, oposto ao meu.

— Qual é o seu?

— Capricórnio.

— Ser oposto é ruim?

— Não, muito pelo contrário, é completar. O que falta em um, o outro completa.

— Legal. – Sorri.

— Não me deixe ir muito longe com esse assunto, se não me estendo. Charlotte chegava a me bater até parar.

— Ela não parece uma pessoa muito calma.

— E não é. Abi é muito mais fácil de conviver.

— Ela é fofa.

— Você também. Formariam o casal mais água com açúcar da escola. – Eu ri envergonhado.

— Eu gosto da Sam. – Falei.

— Ahh, sim. Mas não estava sugerindo a Abi para você não. — Sorri sem graça pela gafe. — Ela tem um crush por mim.

— Se sabe como lida com isso?

— Naturalmente. Solto indiretas de que não estou interessado. Não tenho interesse em me relacionar com ninguém agora.

— Entendi...

— Mas sinto falta dela e da Charlie, estranhamente silencioso e solitário. Sente o mesmo, imagino?

— Essas sensações não são tão ruins. Esse é o meu primeiro ano em uma escola, antes estudava em casa, então ficar sozinho já costume.

— Por que estudava em casa?

— Meu pai preferiu assim depois de um acidente.

— Está conseguindo se adaptar?

— Estou, nem é tão assustador como eu pensava.

— A tendência é piorar, mas no seu caso você é favorecido.

— Como assim favorecido?

— Sua irmã.

— O que a Vick tem a ver com isso?

— É bem mais fácil.

— Não estou entendendo.

— Não sofre implicância de ninguém porque respeitam sua irmã. Você seria um alvo fácil com o grupo que anda e por ser novato. Sam é mal falada e Beth é estranha.

— Minha irmã não me ajuda de forma alguma...

— Pode ser que não diretamente, mas indiretamente sim.

— Eu não acho.

Levando em conta tudo que acontecera nos últimos meses, a visão de uma Vick protetora soava tão estranho quanto a Irmã Nancy distribuindo doces no Dia das Bruxas.

— Só começar a observar, digo por experiência própria.

— Eu tenho curiosidade sobre isso. Já vi que os garotos gostam de implicar contigo, como se mantem firme?

— As pessoas que implicam comigo se consideram superiores a mim e tentam provar me diminuindo. Não me importo, porque só faltam mais dois anos para acabar tudo isso e começar a faculdade e sabe como eu estarei?

— Não sei.

— Em uma boa faculdade, pode ser que alguns também estejam, mas olharão para o passado e o futuro de forma diferente de mim. Encararão o passado com glória e o futuro com incerteza e possível fracasso, não quero isso, quero o contrário. Me orgulhar em não dizer que o ensino médio foram os melhores anos de minha vida.

—x-

O penúltimo ensaio antes da estreia foi o pior de todos. No auge do estresse da Srta. Margot cometi um erro na execução de um passo que gerou um longo discurso crítico que ressaltava, das piores maneiras possíveis, a minha habilidade semidesenvolvida de coordenação motora.

Mesmo após horas terem passado, o que a professora falará não saía da minha cabeça, então tomei a decisão de pedir ajuda a Jesse. Sai do meu quarto e vaguei pelos corredores buscando o quarto de Jesse, finalmente, o encontrei ao passar em frente ao centésimo quarto e ler na plaquinha metálica de identificação: Jesse Daniel Muller e Marc Antonio Cruz. Primeiramente foi um choque descobrir que os dois dividiam o mesmo dormitório, nunca demonstraram isso, a relação deles era muito impessoal e de perto parecida com o relacionamento de Yerik e eu tirando a parte que envolvia desejo pelo outro.

Bati na porta na esperança de que não fosse Marc a me atender, por mais que sentisse pena dele pelo o ocorrido com a minha irmã, não mudava todo o seu histórico cretino. Infelizmente, o meu desejo não se concretizou e foi ele que atendeu. Encarou-me com estranheza, no mínimo tentando entender a minha presença ali.

— Sua irmã tem algum recado? – Perguntou rabugento.

— Não. Quero falar com o Jesse.

Pude notar que ficou ligeiramente decepcionado em perceber que Vick não estava mais correndo atrás dele.

— Está aqui dentro.

— Pode chamá-lo?

— Não, faça você mesmo.

Com o seu grande porte, Marc tapava boa parte da visão do quarto. Ele estava sem camisa e de shorts curtíssimo, não era muito adepto da depilação, isso fica evidente ao ver os pelos negros na sua perna e peitoral. Liberou a passagem e a visão do quarto. Jesse estava sentado na frente de uma escrivaninha compenetrado em algo, optei por bater no batente da porta para chamar sua atenção.

— Marc, por favor, me deixe estudar. – Ele falou sem olhar após eu bater.

— Não é o Marc. – Falei.

Automaticamente virou-se e olhou para mim.

— Blake! Me desculpe, mas o que quer? – Tentou soar o menos rude possível, sendo infeliz na tentativa.

— Queria ensaiar de última hora, não estou conseguindo dançar e cantar. – Falei. – Mas se está ocupado não precisa. – Fiz menção de ir embora.

Marc riu e eu olhei feio para ele.

— Não, espera. Eu vou.

Fomos até o auditório, onde começamos a nos alongar.

— Obrigado. – Falei.

Jesse forçava o meu alongamento, era dolorido, mas eu sabia que era necessário.

— Vamos tentar algo? – Ele sugeriu.

— Pode ser...

— Espero que conheça essa música... – Disse direcionando-se ao pequeno aparelho de som e ligou-o. – Vamos fazer um dueto, tenta dançar o que conseguir e cantar ao mesmo tempo. Eu vou te acompanhar. – Completou ao perceber minha expressão assustada.

Breakdown

Breakdown

Breakdown

Começou a cantar cabisbaixo ao toque da canção, limitei-me a observá-lo e fazer a segunda voz:

I was scared to death, I was losing my mind

(Breakdown)

I couldn’t close my eyes, I was pacing all night

(But now)

I think I found the light at the end of the tunnel

(Had my doubts)

I couldn’t find the truth I was going under

Arrisquei-me nos primeiros paços tentando sentir a melodia e fazer os movimentos fluírem com naturalidade como acontecia com Jesse.

But I won’t hide inside

I gotta get out, gotta get out

Gotta get out, gotta get out

Lonely inside, and light the fuse

Deixou-me cantar solo:

Light it now, light it now, light it now

Caminhou até mim e guiou meus passos:

And now I will start living today

Today, today, I close the door

I got this new beginning and I will fly

I’ll fly like a cannonball

Like a cannonball

Like a cannonball

I’ll fly, I’ll fly, I’ll fly like a cannonball

Trocamos as vozes e ele passou a ser a segunda. Eu era muito duro e seco nos meus movimentos, vacilava facilmente nas notas tentando fazer duas coisas ao mesmo tempo.

(Freedom)

I let go of fear and the peace came quickly

(Freedom)

I was in the dark and then it hit me

I chose, suffering and pain

In the falling rain, I know

I gotta get out into the world again

But I won’t hide inside

I gotta get out, gotta get out

Gotta get out, gotta get out

Lonely inside and light the fuse

Light it now, light it now, light it now

And now I will start living today

Today, today, I close the door

I got this new beginning and I will fly

I’ll fly like a cannonball

Like a cannonball

Like a cannonball

I’ll fly, I’ll fly, I’ll fly like a cannonball

Breakdown

I was scared to death, I was losing my mind

Breakdown

I gotta get out into the world again

And now I will start living today

Today, today, I close the door

I got this new beginning and I will fly

I’ll fly like a cannonball

Like a cannonball

Like a cannonball

I’ll fly, I’ll fly, I’ll fly like a cannonball

Cantamos o último verso juntos, para eu, logo em seguida, tropeçar nos meus próprios pés, tentar buscar equilíbrio segurando nele e causando nossa queda. Ele caiu em cima de mim, senti uma leve dor por seu peso, mas ela se tornou insignificante ao olhar nos olhos deles e me perder naquela mistura de verde e azul. Senti meus lábios estranhamente secos, desejei que Jesse os umedecesse para mim, porém afugentei esses pensamentos e eu mesmo passei a língua por eles. Isso o instigou e seus olhos se direcionaram a minha boca como o seu corpo começava a fazer contra mim. Inevitavelmente fechei os olhos já me arrependendo quando fomos interrompidos.

— O que estão fazendo? – Identifiquei o falante pelo sotaque.

Assustei-me, levantei-me abruptamente empurrando Jesse para lado durante o processo, machucando-o.

— Nada! – Respondi exaltado e ofegante. Já podia sentir o vermelhidão se apossar do meu rosto, como já se apossava do rosto do meu parceiro.

— O que faziam um sobre o outro deitados no chão? – O sotaque de Yerik parecia cada fez mais arrastado.

Ele estava na primeira fileira da plateia.

— Nós caímos... – Jesse recobrava a postura, lhe ofereci uma mão para levantar-se e ele aceitou.

— Conveniente caírem um bem em cima do outro.

— O que está insinuando? – Perguntei-lhe com uma expressão perturbada.

— Nada. – Jesse interveio antes que ele respondesse, esse já estava com a boca entreaberta pronto para responder. – Yerik está brincando.

Analisando a fisionomia raivosa de Yerik não se diria isso.

— Ele sabe que não gosto de brincadeiras com ele. – Soei hostil.

— Prefere que outros façam.

— Sabe que não gosto do seu tipo de brincadeira.

— Mas faz ela com Jesse como acabei de constatar.

— Cala boca. – Gritei ofendido.

Finalmente tinha compreendido o que suponha.

— Jamais suponha isso. – Pulei do palco irado e caindo em cima dele.

— Se está tão nervoso, é porque... – Não deixei que ele terminasse.

A minha queda sobre ele foi desajustada, por isso, ao invés de machucá-lo acabei machucando a mim. Recuperando-me, subi no tronco deitado dele e puxei torcendo sua camisa com força.

— Não ouse... – Quase gritei.

— Quer me bater? – Um sorriso brotou dos seus lábios. – Então puxa minha camiseta com força. – Colocou suas mãos sobre a minha, colocando mais força contra si.

Não falei nada, minha respiração estava descompassada e pesada. Olhei para as nossas mãos se tocando, ele percebeu isso e aliviou a pressão sorrindo e fazendo uma caricia.

— Blake, tenha calma. – Jesse gritou do palco.

O som da sua voz me sobressaltou, fazendo-me levantar de Yerik. Sabe aquela sensação que temos ao perceber que cometemos uma burrada? Foi o que senti. Meus olhos se revezaram entre encarar Jesse e Yerik, o primeiro estava atônito e o segundo ainda sorria.

— Me desculpa. – Sussurrei correndo para longe do auditório.

Os dias se passaram sem que tivesse coragem para encarar nenhum dos dois.

Na volta da biblioteca, onde estudara para a última prova daquele ano, estava virando na bifurcação do corredor das alas quando fui agarrado por dois pares de mãos afiadas, eram as gêmeas. Levaram-me por um caminho desconhecido até pararem perto de uma tapeçaria e colarem-me contra ela. A peça estava bem empoeirada, pois assim que tive o contato com ela meu nariz começou a coçar e quis espirrar.

— O que aconteceu? – Perguntei preocupado, espirrando em seguida. – Vick está com problemas? – Foi o primeiro motivo que me passou pela cabeça por estarem agindo daquela forma.

— Não tem a ver com a Vick. – Uma delas falou.

— Com nós mesmo. – Completou a outra.

Eu não conseguia distingui-las, estavam com o uniforme invernal das animadoras da escola. Supus que Lucy fosse a que usasse arco de ursinho na orelha com o cabelo preso, não parecia muito de feitio de Mirna usar tal acessório.

— Queríamos te pedir um favor.

— Se tiver ao meu alcance ajudarei.

— E está. – Mirna falou convicta.

— Conhece o Peter? – Lucy perguntou.

— O do Coral?

— Esse mesmo.

— E o Steve, que anda com ele? – Mirna perguntou.

— Acho que sim...

— Nós queríamos que arrumasse uma maneira de apresentá-los para nós.

— Tipo um encontro?

— Exatamente e sondá-los para saber o que acham da gente.

— Não faço a menor ideia, mal falo com eles. Acho que até não gostam de mim, por causa da Sam.

— Seja sutil, acreditamos que você consegue.

— Não sei não.

— Seja o nosso cupido. – Lucy falou animada. – Você já tem os cachinhos e a pele de bebê. – Apertou minha bochecha.

— Foi por isso que pediram para mim?

— Sim. – Lucy respondeu.

— Não. – Mirna a contrariou. – Escolhemos você porque é o único que conhecemos amigavelmente naquele clube e Lucy concordou por sua aparência, ela acredita que você é um.

— Eu não sou. – Balancei a cabeça em negativo

— Vai nos ajudar, né Blake? – Lucy pediu.

Pensei nas outras opções de pessoas que poderiam ajudá-las, Camille andava com elas, porém não tinham aparente confiança para pedir tal coisa e com Marc não falavam mais.

— Está bem. – Me dei por vencido.

— Eba. – Lucy pulou em mim, depois saltitando ao meu redor. – Ele não é o melhor cupido de todos, Minnie?

— Ótimo. – Mirna foi menos expressiva do que a irmã. – Ele é sim. – Revirou os olhos.

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— Está tensa? – Perguntei para Sam.

— Sim, óbvio que estou. É a primeira vez que minha avó assiste e também a última. – Minha expressão deve ter denunciado o que eu pensara, pois Sam completou em seguida. – Estou me formando.

— Verdade.

Finalmente havia chegado a noite de estreia, seria uma apresentação única.

— Também está tenso. – Não me perguntou. Balancei a cabeça positivamente – Dá para perceber por suas mãos e pernas. Você está com as mãos presas entre as pernas e essas você não para de mexer.

— Minha primeira peça.

— De muitas, você é talentoso. Deveria seguir carreira.

— Não possuo carisma e sou muito envergonhado.

— Quando está atuando ou cantando não transparece nada disso. Vergonha se perde e o carisma você tem, só não percebe isso.

Como despedida me deu um selinho e se afastou.

— Seu cabelo está diferente. – Falei alto enquanto se afastava, fazendo-a parar abruptamente.

— Na peça verá o porquê. – Piscou, misteriosa.

Caminhei até o extremo do palco olhando pelo vão lateral da cortina a planeia. Era praticamente véspera dos feriados de final de ano e eu esperava que a quantidade de pessoas não fosse tão considerável, no entanto, acabei me enganando. O auditório estava abarrotado de gente, com quase toda a sua limitação.

A Srta. Margot fez um discurso calmo para o público antes de começar o espetáculo, enquanto isso nos bastidores tudo fervia para acertarem os últimos ajustes e se posicionarem para suas cenas.

Fiquei boquiaberto como o público após ver cena durante a apresentação de Lovely Ladies. Era nesse número que começava a degradação do personagem de Sam, iniciando com a venda dos seus cabelos. Durante os ensaios, Sam colocava uma peruca para aparentar o corte curto e rente do personagem, auxiliadas pelos demais em cena. O que ninguém previu era que Sam já usava uma peruca, mas uma peruca longa. Ela tinha cortado cabelo bem curto como da personagem.

Apurei a visão na plateia para localizar Emy, não foi difícil encontrá-la estava na terceira fileira, em mãos estava uma peruca de cabelos escuros, descobrira qual fora o destino das madeixas de Sam. Seus olhos brilhavam de emoção, chorava, mas de felicidade.

A peça seguiu sem outras surpresas. Nos segundos antecedentes a minha entrada tive sensações muitos distantes, mas que ressaltavam o meu nervosismo: ora meu coração parecia tão acelerado que poderia estar subindo pela minha garganta e saindo por minha boca pela quantidade de palpitações, ora parecia congelar e ficar imóvel como uma pedra. O primeiro passo para o palco foi como se uma onda elétrica passasse pelo meu corpo.

Mais rápido do que eu esperava, a peça chegava na sua última canção, só os mortos cantavam. Ficávamos em uma espécie de barricada de móveis amontoados, no nosso caso em uma estrutura de madeira com uma tela pintada para que representasse essa barricada. Na minha direita estava a Sam como a Fantine e a esquerda Maggie como a Eponine, ela atuará excelentemente bem.

No fim, todos do elenco se reuniram no palco e agradeceram ao público na mais conhecida saudação teatral de agradecimento ao som de assobios e aplausos. Olhei para Sam e trocamos sorrisos, estava muito diferente sem os cabelos, mais bonita.

Notas finais
Sempre imaginei Sam com cabelos curtíssimos, só estava esperando a ocasião especial para passar a maquininha. Prox. Cap será no Natal, ou seja, só postarei no Natal. KKKKKK Com ajuda de amigos, "criei" um tumblr da fic: http://mystormystory.tumblr.com/ Está incompleto. Daqui a pouco chega ao seu primeiro aniversário, quero até o dia 1 de setembro, meu niver, ter postado o cap. 15. Se este fosse narrado por outra pessoa, qual seria? Obs: 100 mil? Isso mesmo pessoal. Bjs