Tempestuoso
20 Sam - Segredo
Notas iniciais
Eu acordei em um ambiente diferente do que me encontrava anteriormente, preso ao meu rosto estava uma máscara de gás de um inalador que jogava incessantemente um gás branco nos meus pulmões, na tentativa, de purifica-los.
— Ela acordou. – Alguém falou enquanto eu ainda adaptava a minha visão a claridade. – Sam? – A mesma pessoa me chamou.
Atordoada, busquei pela localização do dono daquela voz. Blake estava com Beth no meu lado esquerdo, eu estava deitada/inclinada em uma maca na enfermaria.
— A enfermeira falou que você está com os pulmões ruins. – Como sempre, Blake se demonstrava bem preocupado.
— Estou melhor. – Minha voz saiu abafada pela máscara.
— Não está. – Beth falou atrás dela, ela estava emburrada, com uma expressão zangada.
— Recomendaram você ir a um médico o mais rápido possível... – Ele prosseguiu.
Eu sabia que minha amiga não estava exatamente com raiva de mim, mas irritada com o meu desleixo com a minha saúde, ela era uma das poucas pessoas que sabiam do real grau de gravidade e debilidade dela.
— Eu irei. – Concordei.
Todos ficaram calados em um silencio desconfortável, Beth continuava me encarando raivosa, eu cedia ao seu olhar e Blake nos olhava um por vez, sem entender o que nossas atitudes realmente significavam.
— Antes que você pergunte o que aconteceu depois que você desmaiou, já lhe digo que nada. – Blake quebrou o silencio. – Apenas te trouxemos para cá e isso faz meia hora.
— Vocês? Como conseguiram me carregar até aqui? Peso quase 60 kg e aposto que vocês não conseguiriam juntos.
— Yerik lhe carregou até aqui. – Beth me respondeu.
A simples menção do nome do búlgaro afetava diretamente o meu amigo, percebi que o desconfortava e lhe causava leve rubor toda vez que isso acontecia, sendo pior quando se falava diretamente dele ou com a presença dele. Do fundo do meu coração, eu desejava que eles dessem certo, porem isso nunca iria acontecer. O Blake precisava de alguém corajoso, e no fundo eu sentia Yerik como alguém covarde, precisaria de um esforço muito grande e paciência da parte dele para lidar com o menor.
— Isso foi legal. – Comentei olhando diretamente para Blake.
— Eu sei. – Beth também começou a encará-lo. – Por que me encaram? – Ele se virou para a janela atrás de si para evitar nossos olhares.
Beth e eu rimos.
— Você nem consegue disfarçar. – Ri, sendo falhamente ignorada por ele. Suas orelhas ficaram vermelha.
A enfermeira escolar entrou na enfermaria e imediatamente dispensou meus amigos, sobre a alegação de que era tarde demais e eles precisavam jantar, antes de se recolherem. Sem outra alternativa, eles se despediram de mim e partiram.
— Você não vai escapar de mim, amanhã. – Beth sussurrou para mim antes de sair, com o retorno do seu olhar repreendedor.
— Não me deixem. – Lhes pedi dramaticamente enquanto fechavam a porta.
— Srta. White, precisamos conversar... – A enfermeira chamou minha atenção, esvaindo com qualquer resquício de felicidade do meu rosto.
Eu conhecia bem o que viria depois de “Srta. White, precisamos conversar...” dito por um profissional de saúde, desde que eu me entendia por gente, já conhecia esse tipo de frase. Suspirei e me preparei para o que viria a seguir....
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— Você precisa cuidar de sua saúde com seriedade.
Beth falou assim que me encontrou, ela me esperava na porta do meu dormitório, já pronta para as aulas, apesar de faltar ainda 2 horas para início delas. Se por um momento pensei que a conseguiria evitar, estava grandiosamente enganada.
— Pensei que me pouparia até o café da manhã. – Ri desconfortável. – Você sabe como soa estranho você falando sobre seriedade quando está cheia de adereços naturais. – Apontei para as suas pulseiras, colares de anéis de madeira, couro e pedras naturais e rústicos.
— Isso é preconceito, e eu não poderia falar sobre esse assunto na presença do Blake. Já não acho muito legal esconder isso dele, mas é uma decisão sua, porém não quero ficar esfregando o assunto na cara dele e tendo que mentir ou disfarçar depois.
— Acha que vai poder falar com a minha colega de quarto dormindo?!- Lhe falei enquanto abri a porta do quarto.
A pergunta lhe pegou desprevenida, aproveitei a sua expressão de “o que eu posso dizer para validar o que iria fazer” e lhe dei um rápido beijo.
Ela sabia que eu não me referia simplesmente a uma colega de quarto, mas a uma colega de quarto que me detestava e que provavelmente fingira ser minha amiga nos últimos 3 anos, até revelar-se no último ano.
Olive dormia tranquilamente em sua cama em um sono profundo, pelo horário sabia que ela acordaria depois de meia hora.
— Viu como eu estava certa. – Sussurrei para Beth.
Ela segurou meu braço e indicou com a cabeça a porta do banheiro e me puxou até lá.
— Podemos conversar aqui. – Ela falou assim que fechou a porta atrás de nós.
— Ela ainda pode escutar. – Sorri.
— Eu sei o que você está fazendo, falando qualquer coisa para fugir do assunto, mas não vai conseguir.
— Eu sei. – Suspirei por vencida.
— Eu detesto ser chata, você mesmo falou o papel da pessoa séria e centrada não combina comigo, mas eu estou preocupada com você.
— Não deveria...
— Como não? Você é minha melhor amiga, temos até algo maior que uma amizade, como não preocuparia com você? Você desmaiou!
— Desmaios acontecem! – Elevei um pouco a voz.
— Shiuuu! – Beth me repreendeu. – Fale mais baixo, pode acordá-la. – Apontava para porta.
— Desculpe.
— Eu sei que desmaios acontecem, e você sabe muito bem disso. – Beth também compartilharia comigo os seus problemas pessoais. – E como sei bem disso, mas estamos falando de outra coisa. Você tem escutado isso desde o dia em que sua vó te resgatou da casa da sua mãe, então não preciso repetir... Você tem que se cuidar.
— Eu sei...
— Então, por que não faz? Você tosse desde o dia em que eu te conheci, isso a pelo menos 6 meses, não é normal, e não fez nada para tratar-se.
— Eu fui no medico na semana de festas.
— Está se tratando? — Não respondi, meu silencio serviu como resposta. – Não. Viu, não tem como te defender.
— Eu não sei nem o que te dizer. – Sentia a frustração e decepção em suas palavras, eu tinha lhe prometido que me cuidaria no dia que revelei a minha condição e não cumprira.
— Pode dizer que vai a um médico e vai cumprir direitinho tudo o que ele disser e continuará cuidando da sua saúde.
— Médicos são caros. – Coloquei uma meia desculpa na frente do real motivo de não ir me tratar.
— Eu já te falei que minhas mães não se incomodariam em pagar um médico para você.
— Eu não quero ninguém pagando médicos para mim, já basta a ajuda que o Sr. Carter fez todos esses anos com meus medicamentos e faz agora com a saúde de minha vó.
— Estamos falando de saúde, Sam. Não do financiamento de um carro ou de uma casa.
— Mesmo assim, não quero passar o resto da minha vida sendo dependente das pessoas.
— Se não se cuidar, não terá muito tempo de vida para poder se preocupar. – Ela imediatamente se calou depois de ter dito aquilo, ciente da gravidade de suas palavras. Surpresa e chateada, mantive-me calada. – Me desculpe.
— Você está certa. – Comecei a chorar, Beth imediatamente me abraçou, mantendo-me presa ao seu corpo. – Eu tenho tanto medo de morrer. – Desabei.
— Você não irá morrer. – Ela afagou minha cabeça.
— Mas você está certa, se eu não me cuidar, morrerei cedo.
— O que eu falei foi besteira. – Bateu na própria boca. – Estupida. – Xingou a si. – Palavras tem poder... – Ela também começou a chorar.
Sentamos no chão do banheiro com ela sentada no meio das minhas pernas e eu a abraçando por trás, seus ombros estavam molhados pelo meu choro.
— A enfermeira me deu alguns remédios para cuidar do meu pulmão. – Apontei para a sacolinha que eu tinha jogado em cima da pia sem perceber.
— Vai no medico quando? – Beth virou-se e me encarou.
Dei uma respirada profunda e lhe respondi.
— Muito em breve.
— Quanto breve? – Ela era insistente.
— Em no máximo duas semanas.
— Queria que fosse nesse final de semana, mas vou respeitar o seu prazo.
— Eu me comprometo em seguir todo procedimento que mandarem depois. – Eu não fazia mais por ela, mas por mim. O peso de suas palavras ainda borbulhava na minga mente.
— Não fuja. – Ela disse se referindo a uma extensão daquele prazo.
— Eu não vou. – Me fiz soar firme, sabendo que ela não me deixaria esquecer da consulta ainda nem marcada para daqui duas semanas.
— Eu gosto muito de você. – Ela alisou o meu rosto.
— Também gosto muito de você. – Afaguei l
he o pescoço próximo ao início do cabelo.
Ela se aproximou de mim e nós beijamos.
O alarme de Olivie soou nos separando.
— Acho melhor eu ir indo. – Beth falou se levantando.
— Pois é. – Ela me ajudou a levantar.
— Se cuida. – Me deu um último beijo, saindo do banheiro e posteriormente do quarto. – Bom dia. – A escutei dizer para minha colega de quarto, sem obter resposta.
Se fosse qualquer outra pessoa perguntaria sobre a presença de alguém no quarto tão cedo, mas como era Olivie ela ignorou. Era o que fazia com qualquer coisa relacionada a mim. Nos trombamos no portal do banheiro e seguimos nossos caminhos como se nada tivesse acontecido, todo esse ressentimento da parte dela me incomodava, mas não ao ponto de me esforçar a tentar resolve-lo.
—x-
Alguns dias se passaram e minha saúde melhora consideravelmente, tomava meus remédios corretamente todos os dias e em poucos dias teria minha consulta com o médico.
— Como está sua avó? – Beth me perguntou no refeitório enquanto jantávamos sozinhas.
— Ela está na mesma, não piora e nem melhora. – Falei lembrando da ligação que a tinha feito na noite anterior. – Conversei com os médicos dela também, eles acreditam que possa ter algo a mais além do câncer, mas nada confirmado, ainda estão fazendo exames para ter certeza.
— É horrível ter parentes doentes. Uma das minhas mães esteve doente do ano passado, agora ela está bem, mas foram tempos difíceis.
— Falando em suas mães, eu acho que o Blake nunca percebeu que você é filha de um casal lésbico.
— Mas eu também não sou de falar muito sobre elas...
— Porem falou algumas vezes, pelo o que conhecemos dele aposto que deve ter achado que escutou errado. Ele sempre vai tentar seguir pelo normativo. – Ri.
— Até quando, não sabemos... – Ela olhou além de mim, para onde o Blake estava sentado.
— Ele tem muito que aprender e amadurecer. – Falei olhando para atrás.
Ele estava sentado com Jessie, eles tinham se aproximado na última semana por causa do dueto que fariam no próximo dia no coral. Ambos sorriam, eram uma típica dupla invisível das escolas, poderiam passar despercebidos pelos outros colegas, se não fossem suas ligações com outras pessoas e exposições.
— Acho que eles poderiam dar certo. – Beth comentou distraindo me dos meus pensamentos.
— Se no caso Jessie gostasse dele e Blake do Jessie.
— Tem razão. – Ela instintivamente procurou por Yerik nas outras mesas, e o encontrou reunido com seus amigos da equipe de natação fazendo barulho.
Ele tentava disfarçar, mas eu percebia a frequência com que os olhos do búlgaro caiam na mesa do meu amigo. Beth e eu conversávamos com regularidade, pelas costas de Blake, sobre seus não relacionamentos.
— Bem que eles podiam se pegar os três de uma vez e fazerem um ménage bem gostoso. – Soltei gargalhando.
— De preferência com a gente assistindo. – Beth me acompanhou na gargalhada.
— Safadinha.
— Voyeur, no caso. – Continuamos rindo.
— Olhe. – Indiquei com a cabeça. – Não é apenas nós que estamos observando o Blake.
Alex fazia o mesmo que Yerik, só que conseguia disfarçar melhor que o outro. Ele estava sentado com o grupo mais religioso da escola, os que faziam parte do grupo de celibato e outras coisas católicas. O grupo se dividia em dois tipos bem específicos, os idiotas e os fervorosos. Os idiotas eram os mais bobinhos e inocentes, como o Blake, agradáveis por um tempo. Os fervorosos eram os responsáveis por compartilhar as fofocas por toda a escola e apontarem os pecados dos outros alunos, como se estivessem em um nível superior ao dos outros.
— Que grupo peculiar para uma pessoa sexualmente não padrão estar. – Beth comentou.
— Você sabe que provavelmente Blake estaria com eles agora, se não nos tivesse conhecido.
— Eu sei. – Soou tranquila. – O sol está prestes a entrar em aquário, não sei o que esperar.
— O que? – Falei sem entender sua última frase.
— Astrologia.
No outro dia durante o coral, Blake nos apresentou o esforço do trabalho de uma semana em conjunto com Jessie. Tínhamos ido para o auditório para as últimas apresentações da “semana feminista” da Sra. Underwood, era admirável seu esforço pela causa.
— Depois dessa semana nossos colegas de coral, com certeza nos trataram com igualdade. – cochichei no ouvido de Beth que sorriu.
Estávamos sentados nas primeiras fileiras, Blake e Jessie pegaram cada um banquinho e os colocou no centro do palco, percebi que seria uma apresentação mais intimista, um piado começou a tocar de fundo.
Blake:
I come home in the morning light
My mother says when you gonna live your life right
Oh mother dear we're not the fortunate ones
And girls they wanna have fun
Oh girls just wanna have fun
Jessie:
The phone rings in the middle of the night
My father yells what you gonna do with your life
Oh daddy dear you know you're still number one
But girls they wanna have fun
Oh girls just wanna have
Blake e Jessie:
That's all they really want
Some fun
When the working day is done
Girls-- they wanna have fun
Oh girls just wanna have fun
Some boys take a beautiful girl
And hide her away from the rest of the world
I wanna be the one who walks in the sun
Oh girls they wanna have fun
Oh girls just wanna have
That's all they really want
Some fun
When the working day is done
Girls--they want to have fun
Oh girls just want to have fun
They wanna have fun
They wanna have fun
Durante toda a apresentação, Blake intercalava em olhar para nós (eu e Beth) e seu parceiro, eles tinham uma química boa, consegui quase torcer para que se tornassem um casal. Foi uma performance muito bonita, a forma como deixaram a música mais calma e emotiva.
Quando acabaram, todos levantaram e lhes aplaudiram, alguns com um entusiasmo além do normal. Qualquer um poderia perceber a queda que Abigail tinha pelo Jessie, desde o dia em que ela entrara no coral no ano anterior. Ela conseguira fazer amizade com ele e junto com Charlotte fizeram um trio de amigos, até esse ano quando Jessie, as trocaras por Yerik. Amizades a parte, em todo esse tempo, eu nunca percebera qualquer reciproca da parte dele, enquanto em dela a paixonite parecia aumentar cada vez mais, ela se iludia.
— Eu dedico essa canção em especial para as minhas amigas, Beth e Sam. – Blake falou no microfone sorrindo. – Você sempre é uma pessoa forte e um exemplo para mim. – Lhe retribuímos o sorriso.
Ele se referia ao meu posicionamento perante o vídeo, eu não considerava minha reação perante ele um exato exemplo de resistência, mas realmente não me afetava mais como antes. Quem quer que tivesse o feito um dia iria pagar, por mim ou por qualquer outra pessoa. Até preferia não pensar muito no assunto, ajudava a superá-lo, meus anos de exposição anteriores me serviram pelo menos para criar uma certa resistência.
— Também dedico as minhas amigas Abi e Charli. – Jessie falou.
Abigail se derreteu toda em sua cadeira, enquanto Charlotte esboçou um singelo sorriso.
— E antes que eu me esqueça, essa música também vai para Maggie, apesar de não sermos amigos. – Blake falou pouco antes de sair do palco, surpreendendo a todos.
Imediatamente olhamos para a Margaret para observar a sua reação, ela era a mais deslocada do grupo. Não tinha amizade com ninguém, convivia pacificamente com todos na maioria do tempo, mas sempre estava sozinha, principalmente após seu termino com Alex e o escândalo do vídeo. Ela estava tão surpresa quanto os demais, era nítido em suas feições, ficou desconfortável com os olhares e se reprimiu no banco, algo incomum para ela que gostava de ser sempre o centro das atenções no coral.
Esse momento não durou muito tempo, pois a Sra. Underwood começou a falar sobre a apresentação e Yerik começou os preparativos da sua. Jessie foi se sentar com as suas amigas e Blake ao lado de Maggie, novamente para minha surpresa.
— O que ela está fazendo com ela? – Perguntei para Beth.
— Fazendo um esforço que todos deveríamos ter feito a muito tempo. – Ela mordeu a bochecha internamente, entortando a boca.
Não tive tempo de responde-la, pois Yerik começou a cantar atraindo minha atenção:
Pull up your pants
(Just Like Em')
Take out the trash
(Just Like Em')
You can dig cash like em'
Fast like em'
Girl you outta act like ya dig
(What I'm talkin' bout')
Security codes on everything
Vibrate so your phone don't ever ring
(Joint Account)
And another one he don't know about
Wish we could switch up the roles
And I could be that...
Tell you I love you
But when you call I never get back
Would you ask them questions like me?...
Like where you be at?
Cause I'm out 4 in the morning
On the corna roll'n
Do'n my own thing
Ohh
Minha primeira reação foi o choque, depois a compreensão do porquê do búlgaro ser tão requisitado, por ambos os sexos. Vestindo uma roupa social sem a camisa, somente com o colete, ele dançava com uma bengala transpirando sexo.
What if I?
Had a thing on the side?
Made ya cry?
Would the rules change up?
Or would they still apply?
If I played you like a toy?
Sometimes I wish I could act like a boy
Can't be get'n mad!
What You Mad?
Can't Handle that!
Can't be get'n mad!
What you mad?
Can't handle that!
Girl go head and be...
(Just Like Em')
Go run the streets
(Just Like Em')
come home late say sleep like em'
Creep like em'
Front with ya friends
Act hard when you're with em' like em'
(What)
Keep a straight face when ya tell a lie
Always keep an airtight alibi
(Keep Him In The Dark)
What he don't know won't break his heart
Wish we could switch up the roles
And I could be that...
Tell you I love you
But when you call I never get back
Would you ask them questions like me?...
Like where you be at?
Cause I'm out 4 in the morning
On the corna roll'n
Do'n my own thing
Yeah
What if I?
Had a thing on the side?
Made ya cry?
Would the rules change up?
Or would they still apply?
If I played you like a toy?
Sometimes I wish I could act like a boy
Can't be get'n mad!
What You Mad?
Can't Handle that!
Can't be get'n mad!
What you mad?
Can't handle that!
Can't be get'n mad!
What you mad?
Can't handle that!
Can't be get'n mad!
What you mad?
Can't handle that!
— Vamos poder quando jogar o dinheiro? – Camille soltou ao termino da apresentação dele.
Todos riram, incluindo a Sra. Underwood. Yerik estava com o corpo todo suado, o que potencializou ainda mais o que ele apresentava, seu corpo possuía uma definição magra com músculos firmes. Tentando disfarçar o máximo possível, bisbilhotei Blake, ele estava mais vermelho que os cabelos de Margaret, olhando fixamente para o outro.
— Aceito o dinheiro. – Yerik respondeu ofegante, com o sotaque afetado de costume.
— As prostitutas e strippers eslavas são bem conhecidas, aprendeu muito com elas? – Peter perguntou arteiro.
— No, com sua mãe. – Ele respondeu rindo, saindo do palco e se sentando em uma poltrona próxima a minha.
A Sra. Underwood começou a falar e eu não prestei muita atenção pois Yerik começou a puxar assunto comigo.
— Gosto da apresentação? – Ele perguntou.
— Foi boa. — Tentei não soar receosa, não era a primeira vez que ele tentava algum contato comigo com outras intenções. Não intenções amorosas, mas de recolher informações sobre o Blake.
— Só boa? Você não tirou os olhos de mim. – Era charmoso o seu sorriso e a forma que os caninos lhe pressionava os lábios toda vez que sorria, pena que as ações e personalidade estragavam todo o resto.
Por um momento pensei em lhe dar uma resposta atravessada, porém a lembrança de meus amigos me contanto que ele me carregando até a enfermaria me refreou.
— Foi legalzinha. – Ri.
— Eu vendi sexo.
Eu ri um pouco alto demais atraindo alguns olhares, incluindo do Blake que me encarou confuso por eu estar conversando com quem estava conversando.
— Obrigada. – Atrai atenção do búlgaro que olhava para meu amigo além de mim.
— Por que?
— Por ter me levado até a enfermaria no outro dia, meus amigos me contaram.
— Bleika lhe contou?
— Talvez. – Ri do seu entusiasmo pouco disfarçado. – Obrigado, foi uma grande gentileza.
— Não por isso, qualquer um faria o mesmo.
— Eu acredito que não, obrigada. Você gosta do Blake? – Fiz a pergunta em tom mais baixo.
— O que?! – Ele se assustou com a pergunta.
— Olha, se quer conquista-lo, faça mais ações como essas. O conquiste pela gentileza e ele será seu. – Lhe dei a dica.
— Eu não gosto dele desse jeito... Eu não sou gay. – O seu inglês se tornava cada vez mais difícil de compreensão conforme ficava mais nervoso.
— Não precisa me dizer nada, não precisa justificar nada para mim, mas deixo a dica no ar. – Falei voltando a minha atenção a Sra. Underwood.
— [...] encerramos assim essa tarefa semanal, que durou mais de uma semana, mas que serviu de grande aprendizado a todos. Infelizmente, como prometido caso alguém de vocês se recusasse a se apresentar seria expulso do clube e como todos perceberam...
— Estou aqui para a minha apresentação. – Marc falou direto do palco, interrompendo a professora. – Com o hino e como o feminista que você mais respeita. – Percebi que ele estava com um microfone preso no rosto.
Ele começou a cantar:
Girls, we run this mutha! Girls, we run this mutha! Girls, we run this mutha! Girls, we run this mutha! Girls, we run this mutha! Girls!
Who run the world? Girls!
Who run the world? Girls!
Who run the world? Girls!
Who run the world? Girls!
Duas dúzias de garotas apareceram das coxias, em sua maioria líderes de torcida e começaram a dançar atrás de Marc e lhe fazer coro, incluindo Camille que subira misteriosamente até o palco sem que ninguém percebesse.
Some of them men think they freak this
Like we do
But no they don't
Make your check come at they neck
Disrespect us?
No they won't
Boy don't even try to touch this
Boy this beat is crazy
This is how they made me
Houston, Texas baby
This goes out to all my girls
That's in the club rocking the latest
Who will buy it for themselves
And get more money later
I think I need a barber
None of these guys can fade me
I'm so good with this
I remind you I'm so hood with this
Boy I'm just playing
Come here baby
Hope you still like me
If you hate me
My persuasion
Can build a nation
Endless power
With our love can devour
You'll do anything for me
Who run the world?
Girls!
Who run the world?
Girls!
Who run the world?
Girls!
Who run the world?
Girls!
Who run the world?
Girls!
Who run this motha?
Girls!
Who run this motha?
Girls!
Who run this motha?
Girls!
Who run this motha?
Girls!
It's hot up in here DJ
Don't be scared to run this, run this back
I'm reppin' for the girls
Who taken' over the world
Let me raise a glass
For the college grads
Buddy one roll and
I'll let you know what time it is, check
You can't hold me
I broke my 9 to 5 better cop my cheque
This goes out to all the women
Getting it in
Get on your grind
To all the men that respect
What I do
Please accept my shine
Boy you know you love it
How we're smart enough to make these millions
Strong enough to bear the children
Then get back to business
See, you better not play me
Oh, come here baby
Hope you still like me
If you hate me
My persuasion
Can build a nation
Endless power
With our love can devour
You'll do anything for me
Who run the world?
Girls!
Who run the world?
Girls!
Who run the world?
Girls!
Who run the world?
Girls!
Who run the world?
Girls!
Who are we?
What we run?
We run the world
Who run the world?
Girls
As líderes de torcida fizeram jus a sua presença no palco, a apresentação foi elevada a outro nível comparada com as outras. Marc dançou como nunca no palco, deixando até a Sra. Underwood que tivera uma carreira fracassada em musicais boquiaberta. Sem exceções, todos levantaram e lhes aplaudiram por um minuto.
— Espetacular, Sr. Cruz. – A professora o elogiou. – Obrigado meninas, falarei depois com a treinadora de vocês, as elogiando sobre o que fizeram nesse palco. – Ela falou com as animadoras, que já saiam do palco em direção a saída do auditório, ficando apenas Camille.
Vi Blake cumprimentar as gêmeas Shelby, enquanto eram as últimas a sair.
— Obrigado, Sra. Underwood. Acharam mesmo que eu ia sair dessa porra, eu sou o rei dessa merda. – Marc falou rindo antes de sair do palco.
Muitos riram e alguns reviraram os olhos, eu fiz parte do segundo grupo.
— Sai daí, otário. – Steve gritou.
— Traz as líderes de torcida e já está se achando. – Peter completou.
— Mantenha a compostura, Sr. Cruz. – A Sra. Underwood o repreendeu, enquanto ele caminhava até as cadeiras. – Bom, dando prosseguimento no cronograma, teremos agora os preparativos para o baile de Saint Valentim, ou melhor, ao baile Sadie Hawkins, como sabem seremos a atração musical do evento...
— Ela não vai comentar nada sobre a postura dele. – Beth sussurrou no meu ouvido.
— Preferia que ele nem tivesse se apresentado, para ficar sendo debochado. Na realidade, eu achei essa tarefa um bom exemplo de “ativismo” para o movimento. – Carreguei minhas palavras de sacarmos.
— Não vai resolver nada, deixe a Sra. Underwood acreditar que fez um bom trabalho. – Beth fez uma caricia rápida na minha mão, sorri para ela em resposta.
— [..] estão todos dispensados. – foi o que eu escutei quando voltei a prestar atenção na professora.
—x-
Janeiro foi embora assim como a primeira semana de fevereiro sem levar o frio consigo, o acumulado de neve era tanto que muitos temiam o cancelamento do baile por conta disso. Nesse meio tempo, fui ao hospital e recebi o diagnostico quase já esperado, eu estava com princípio de tuberculose, o médico me recomendou um monte de remédios que eu tomava à risca, o que ele me garantiu que traria minha saúde ao mais saudável possível para a minha situação.
Eu não contei para ninguém, mas cantar estava quase se tornando insuportável, eu me dava o máximo, com dias razoáveis e péssimos. Acreditava que estaria recuperada para o baile e para regionais logo em seguida.
— A melhor coisa que a Sra. Underwood fez foi abrir para quem não era do coral poder cantar também no baile. – Blake comentou na noite das vésperas do baile.
Seguíamos apenas nós dois para ala dos dormitórios após o jantar, Beth tinha ido para o dormitório mais cedo para conversar sobre os problemas que elas estavam tendo com o irmão adotivo problemático dela.
— Foi uma salvação mesmo, minha voz está horrível, iria ter que força-la ainda mais.
— Você foi no medico alguns dias atrás, não foi? – Ele me perguntou.
— Fui. – Comecei a ficar nervosa com caminho que aquelas perguntas talvez levassem.
— O que eu quero dizer é que se tiver passando por algo pode contar comigo, mesmo que não queira falar. – Ele apertou a minha mão, como um afago e sorriu.
— Pode deixar. – Pisquei para ele retribuindo o sorriso, e apertando a sua mão. – Pena que não poderemos ficar de mão dadas por muito tempo daqui a pouco. – Mudei propositalmente de assunto.
— Por que? – Ele continuou segurando minha mão enquanto caminhávamos.
— Porque escutei boatos de que a Irmã Nancy está retornando. – Fui dramática ao dizer a frase, o fazendo rir. – É sério, falaram que ela está voltando e com ela, as suas normas arcaicas e medidas restritivas entre meninos e meninas.
— Alex não me falou isso, ele falou que as previsões são de que a tia-avó dele retorne só no próximo ano letivo.
— Que sorte a nossa, principalmente a minha, no caso, pois já estarei formada.
— É verdade, as vezes eu esqueço que você é três anos mais velha e se forma esse ano.
— Às vezes eu me sinto assim também. – Admiti, esse ano estava sendo o melhor da minha vida, ter conhecido Blake e Beth contribuirá mais de cem por cento com isso.
— Já passou em alguma universidade?
— Não, estou aguardado resposta das quatro que me inscrevi.
— Alguma da liga ivy?
— Apenas uma, a Universidade da Pensilvânia, mas pela demora isso não vai acontecer, não sem uma bolsa integral. As outras foram a Faculdade de William e Mary, a Universidade George Mason e a Universidade Estadual de Ohio. Sou mais otimista com as duas primeiras, por serem públicas e não muito longes, na Virginia.
— Nenhuma muito longe. – Ele comentou.
— Eu sonho de acordo a minha realidade, não sou uma aluna brilhante e nem tenho o melhor dos históricos escolares, por isso tento essas, mas que ainda estão bem colocadas no ranking nacional de direito.
— Eu acredito no seu potencial, para mim, Yale seria perfeito para você. – Apertei ainda mais a mão dele, em demonstração a sua fé em mim. – Meu pai fez a da Pensilvânia.
— Eu sei. Vovó praticamente me obrigou a me inscrever nela por causa disso e como já ia, nem me incomodei, mesmo tendo a certeza de que não conseguiria.
— Quando que chegam as cartas de admissão?
— Meados de maio. Mas mudando de assunto, como você se aproximou de Alex e de Maggie nesses últimos dias.
Blake andava com ambos, obviamente não ao mesmo tempo porque não se falavam entre si, com os dois. Almoçava com um e jantava com outro, pelo menos duas vezes na semana.
— Eu sempre gostei do Alex e nunca tive problema com Maggie. – Lhe fiz uma careta, pois aqueles dois não eram exatamente as minhas pessoas mais favoritas da escola. – Não me olhe assim. – Ele tentou se defender.
— Tudo bem, acho legal o que esteja fazendo pela Margaret, sendo amigo dela já que ela não tem nenhum.
— Ela tem a personalidade forte, tenho experiência nesse assunto, então não costuma me afastar como faria com a maioria.
— Como está sendo essa relação?
— Não muito fácil, mas eu me esforço. Sinto que ela é uma ótima pessoa, atrás de uma personalidade terrível. – Ele riu. – Isso soou tão errado.
— Mas tão verdadeiro. – Ri com ele. – E o Alex?
— Essa vai muito bem...
— Vocês estão ficando? – o Interrompi.
— Não, Sam! – Ele ficou vermelho. – Que ideia! Ele só está sendo um ótimo amigo, temos muitos pontos em comum de conflito e ambos se ajudam a se compreender.
— Isso é ótimo.
— É sim.
— Devo imaginar que esses pontos sejam segredo?
— Exatamente, então não tente tirar nada de mim.
— Por hoje você está a salvo, meu caro. Mas não lhe garanto que estará assim para sempre. – Ri.
Tínhamos acabado de chegar na bifurcação das alas e tínhamos que nos separar.
— Boa noite, Sam. Até amanhã. – Ele me abraçou, surpreendendo-me.
— Boa noite, Bleika. — Lhe correspondi o abraço, imitando a forma que Yerik o chamava, que estranhamente havia me ocorrido em mente.
— Não me chame assim. – Blake interrompeu o nosso contato.
— Porque eu não gosto.
— Você deixa outros te chamarem assim.
— Eu não deixo outros me chamarem assim, eu só deixo o Yerik.
— Então você só deixa o Yerik, só o seu búlgaro. – Tentei soar a mais maliciosa possível para provoca-lo.
— Não!
— Tchau, Blake. – Corri para Ala feminina antes que ele se confundisse em suas explicações.
Uma das desvantagens de se ter o cabelo tão curto era como sua cabeça se tornava vulnerável as intemperes do tempo, no caminho até a sala da ala, uma brisa gélida congelava minha nuca. Mas ter cabelos curtos tinha muitas vantagens também, como poder acordar mais tarde por não ter que se preocupar em penteá-lo, fato que influenciou muito na minha decisão.
Conforme pensava sobre facilidades da vida que me ajudam a ser preguiçosa fui seguindo o caminho instintivamente até meu dormitório, trajeto já memorizado tantas vezes nesses quatro anos. Só percebi que estava no meu quarto ao escutar Olivie praticando exercícios vocais.
— Uou! Me desculpe. – Falei ao assustá-la.
Ela não me respondeu, apenas pegou seu chá no seu criado mudo e bebericou um pouco em silencio.
— Queria entender como nossa amizade foi se tornar tanto ódio de sua parte. – Tive coragem de dizer depois quase setes meses de que ela parara de falar comigo.
Tinha sido exatamente assim, ela simplesmente parara de falar comigo no dia em que encerrei todos meus envolvimentos amorosos no começo de agosto. Terminei com todos os garotos que ainda tinha contato, incluindo Harry, que foi quem sofrera mais e sofria de todos. Até que ela começou a sair com ele, ou melhor, seguir ele, porque raramente era correspondida.
— Eu não te odeio, mas guardo ressentimento de três longos anos tendo você ficando com todos os garotos que eu chegava a gostar. – Ela me dirigiu palavras para mim, pela primeira vez depois de muito tempo.
— Como assim? – Não entendia suas acusações.
— Você sempre conseguia todos os meninos que queria, se isso aqui fosse o Upper East Side você seria a Serena e eu a Vanessa, nem a Blair seria.
Um fato a ser destacado era o quanto Olivie era fã dessa série, incluindo uma parede toda decorada com fotos e pôsteres dos seus personagens favoritos no seu lado do quarto.
— Você sabe que não é assim e nunca foi exatamente assim...
— Isso você tem razão. – Ela me interrompeu. – Foi pior, você conseguia exatamente os meninos que eu te dizia que gostava, depois de dizer ainda no caso.
Uma das coisas que eu admirável nela era o seu controle de voz. Ela estava agora me confrontando, mas sua voz permanecia no limite de tom aceitável de educação.
— Eu não fazia isso! – Me defendi aumentando meu tom de voz, por sorte não conseguiria gritar muito por causa do meu cansaço.
— Como não? – Seus olhos puxados me olhavam com desconfiança. – Foi assim com o Matt, Victor e Harry, principalmente com esse último. – Sentia o seu ressentimento no modo que enfatizava.
Ela começou a escovar os cabelos com os próprios dedos, não era uma tarefa muito difícil pois eram naturalmente lisos e só os ondulava com o babyliss todas as manhas para não ficarem na forma natural que detestava.
— Eu realmente não tenho ideia do que você está falando.
— Acho que vou precisar refrescar a sua memória então. Matt?
— Quem falou dele para você, quem o mostrou para você?
— Você, mas isso foi no primeiro ano e eu nem sabia que você gostava dele. E ele era um maior babaca e mais velho.
— Não, Samantha. Eu falei, lembro exatamente de ter lhe dito que tinha interesse nele. — Parei um momento, tentando puxar na memória esse momento. – Você não fez isso somente comigo, fez também com as outras garotas em todos esses anos, só que eu fui a última a me afastar, a trouxa que te aturou por mais tempo.
Ela não mentia, eu realmente tinha feito todas aquelas coisas e não tinha nem como me defender.
— Me desculpe, no entanto, no eu caso você nunca tomava a iniciativa com nenhum dos...
— E isso te dá o direito de dar em cima deles? Passar por cima de sua amiga, de mim?
— Não...
— O pior foi com o Harry. Eu te dei aval e pedi que não o magoasse, mesmo que toda vez que o visse com você me magoasse.
— Eu sinto muito, eu nunca...
— Que eu sentisse isso? Não acredito em você, mas isso realmente não importa mais.
— Claro que importa.
— Só tem uma coisa que me pergunto, por que o iludiu? Por que fez isso com ele? Sabendo que comigo ele poderia ser feliz e não sofreria.
— Quando eu fiquei com ele, eu era um outro tipo de pessoa, eu mudei. Eu tinha a necessidade de brincar com os garotos, eu não faço mais isso, era uma vingança pessoal pela forma que eles nos tratavam como mulheres.
— Harry nunca te tratou mal, ou qualquer outra pessoa, sempre foi alguém muito bom.
— Eu sei disso e por isso que terminei com ele, para que não criasse mais expectativas, além das que ele já tinha criado.
— Foi tarde demais, ele não mais o mesmo esse ano...
— Eu sinto muito por isso, mas realmente não posso fazer nada. Não posso permanecer com alguém que não gosto.
— Não devia nem ter começado qualquer coisa.
— Olivie, eu peço desculpas do fundo do meu coração por tudo que te fiz de ruim, mas não me desculpo por terminar com o Harry, até porque isso lhe deu abertura para se aproximar dele.
— Abertura que mais parece um furo de agulho.
— Isso eu já não tenho nada a ver e ainda diria para você partir para outra, assim como ele também deveria, porque ele está claramente não interessado em você e você fica tentando forçar uma coisa que aparentemente não vai acontecer.
Tais palavras pareceram ter lhe acertado como um tapa, pude sentir a fúria em seus olhos, poderia apostar que se levantaria e me estapearia ou que começasse a gritar, no entanto, ela simplesmente se levantou e saiu do quarto resmungando.
— vaca... convencida... – Consegui escutar e entender pouca coisa.
Revirei os olhos impaciente, deuses tinham sido testemunha que eu tentara, mas a obsessão dela por Harry a cegava a qualquer reconciliação. Tomei preparativos para dormir, precisava de uma boa noite de sono pois a próxima noite prometia.
—x-
A ala feminina acordou um completo caos, se as garotas costumavam se estressar com os preparativos de um baile normal, no baile Sadie Hawkings parecia piorar mil vezes mais, eu nunca tinha entendido o porquê, era apenas mais uma festa da escola. As meninas alegavam que teriam menos tempo que de costume.
Quando deu 18 hrs, eu poderia jurar que alguma delas seria arrastada até a enfermaria por um ataque nervoso. As 19 hrs, uma manada delas saírem ao encontro dos seus pares, a festa começava as 19:30 hrs. Beth e eu tínhamos combinado de pegar o Blake no horário de início para fugir do congestionamento de pessoas que seria a entrada e o caminho até o ginásio antes.
Para o desespero de todos, tinha nevado durante a manhã, mas por sorte havia esquentado durante a tarde e derretido um pouco da neve, o que ajudou os funcionários em abrirem caminho até o ginásio, que não existia até então pela neve.
Eu tinha me vestido com um simples vestido na cor purpura, com meias calça grossa preta. Fazia muito frio e eu não vazia muita questão de estar bonita, queria estar confortável para aproveitar a noite com meus amigos.
Assim que sai do quarto me encontrei com Beth que já me esperava no corredor. Ela vestia um lindo vestido solto verde esmeralda longo. Seu longo cabelo estava trançado com flores roxas.
— Você está muito bonita. – A elogiei.
— Você também, Sam.
Olhamos as duas para os dois lados, para ver alguém, o corredor parecia deserto e nos beijamos. Seu beijo era incrível, eu não conseguia me enjoar dele.
— Vamos. – Ela pegou na minha mão quando terminamos de nos beijar.
— Vamos. – Concordei.
Durante o trajeto até o ponto de encontro com Blake, lhe contei tudo que acontecera com Olivie na noite anterior, ela era uma boa ouvinte, por mais que parecesse que se distraísse com qualquer outra coisa durante minha fala.
— Boa noite meninas. – Escutei Blake dizer, sem perceber que já havíamos chegado.
— Ol... – O meu “olá” se perdeu quando vi quem estava com ele. – Margaret?
Maggie estava vestida um belo vestido azul marinho que valorizava sua bela e esguia silhueta, seu cabelo estava puxado ao máximo em um rabo de cavalo alto e liso. Meu amigo estava com um smoking preto padrão, com o cabelo cacheado penteado com gel.
— Boa noite. – Ela respondeu desconfiada. – Falei que era uma má ideia. – Ela sussurrou para o Blake na nossa frente.
— Não.
— Não se preocupe, está tudo bem. – Beth tocou no seu braço.
Maggie lhe olhou de uma forma nada agradável, deixado claro seu desagrado com o toque e Beth imediatamente a soltou.
— Convidei Maggie para vir com a gente já que ela estava sem par. – Blake começou a se explicar.
— Por opção. – Ela foi categórica, com sempre não querendo se mostrar vulnerável.
— Claro, claro. – Não consegui refrear meu sacarmos, fazendo com que Beth apertasse minha mão em censura.
— Não tem problema? – Blake perguntou.
— Não nenhum. – Beth respondeu.
— Vamos então. – Maggie começou a andar.
— Constrangedor. – Sussurrei para Beth.
— Comporte-se. – Ela me respondeu.
— Eu sou comportada.
Começamos a caminhar atrás dela.
— Estou tentando ser amigo dela, ela não queria ir ao baile. A sinto muito deprimida. – Blake nos contou no meio do caminho.
— Eu a sinto muito arrogante. – Sussurrei para mim mesma.
— Você fez bem, deveríamos ter tomado essa atitude a muito tempo.
— Como são bonzinhos. – Revirei os olhos.
Não sabia o porquê, mas eu possuía uma grande apatia por Margaret.
— Quanta apatia ein. – Beth se separou de mim. – Eu vou ir falar com ela, o clima daqui não está nenhum pouco legal. – Ela acelerou os passos para alcançar a da frene.
— O que? – Fiquei sem entender o que tinha acontecido.
— Ela ouviu seus comentários. – Blake parecia ter lido minha mente.
— Foram nadas demais.
— Beth é muito empática com os outros.
Bufei irritada.
— Agora ela está lá com a outra e me deixou sozinha.
Um sentimento de raiva crescia em mim, era ciúmes. Eu me conhecia o suficiente para perceber isso, a minha apatia por Margaret, nada mais era do que fruto do meu ciúme.
— Merda. – Soltei, escorregando no gelo pisado logo em seguida.
Cai de bunda no chão, molhando todo meu vestido.
— Você está bem? – Blake me perguntou, me aparando.
As duas na frente tinham parado por conta do barulho.
— Você está bem? – Beth perguntou para mim.
Fiz sinal positivo e me levantei, mais irritada do que antes.
— Gelo estupido da porra.
— Calma, Sam. – Blake tentou me acalmar.
Não lhe respondi, apertei o passo e passei bufando por ele e pelas demais na frente, chegando antes deles no ginásio. Em vão, pois os convites estavam com a Beth e tive que espera-los chegar.
— Apressadinha. – Beth riu de mim, sabendo que eu estava irritada.
Ela entregou os ingressos, incluindo o de Margaret, para a freira que guardava a entrada do ginásio e todos entramos.
O ambiente estava todo decorado em vermelho em comemoração ao dia dos namorados, que havia sido no dia anterior. Por onde se olhava, podia se ver corações e cupidos.
— Que decoração cafona. – Comentei.
— Achei fofa. – Blake falou.
Ele estava certo, era só meu humor que estava péssimo, Margaret percebeu isso e sorriu.
Demoraria um tempo até que fossemos cantar, por isso escolhemos uma mesa e colocamos nossas bolsas, no caso só eu, e ficamos sentadas, nesse caso eu e Blake, pois as outras duas foram para pista de dança.
— Que humor terrível, Sam. – Ele comentou.
— Nem fale, nem me fale. – Eu via as duas dançando e apertava meus punhos de raiva.
Eu estava tão focada nas duas e em suas ações e nem percebi o pessoal do coral se aproximando.
— Boa noite, florzinha. – Steve tocou no meu queixo para atrair minha atenção.
— Não me toque. – Bati em sua mão.
— Mal humorada. – Peter suspirou ao seu lado.
— Como de costume nesse ano.
Revirei os olhos, os ignorando.
Vi eles se aproximarem de Blake e lhe entregar um copo. Junto a eles também estavam, Joanne, Zach e Camille, pegaram uma mesa ao lado da nossa e começaram a conversa entre si. Devia ter se passado pouco mais de meia hora e Blake já estava no seu quinto copo do que eles lhe serviam contrabandeado dentro do terno de Steve. Eu deveria ter prestado mais atenção no meu amigo, mas meu foco era outro, deveria ter impedido que o embriagasse.
Após uma determinada música que o outro grupo do coral cantava terminou, me levantei pois depois da próxima seria a minha vez de cantar no palco. Não cantávamos o tempo todo, intercalávamos uma apresentação com uma playlist padrão de festa, feita pela comissão do baile.
Deixei meu amigo com aquele grupo e fui me encontrar com minhas companheiras de canto, dessa vez iria me apresentar com a Abigail, Georgina, que não era do coral, e infelizmente com a Olivie e Margaret. Elas já me esperavam do lado do palco.
— Ótimo agora que estão todas aqui é só seguir como ensaiado. – Margaret falou assim que eu cheguei.
Cumprimentei Abi e Georgina e ignorei as outras duas, como eu tinha dito meu humor estava péssimo, porem ele logo melhoraria assim que eu começasse a cantar como sempre acontecia. Não importa quão grande fosse o meu problema, era só eu cantar que eu me acalmava. O canto era a minha fuga, meu carpiem diem.
A música logo acabou, subimos ao palco, pegamos os microfones e começamos a cantar. Cantaríamos como um coro único, com pequenas partes de coreografia de pouco esforço.
Oh yeah yeah
Oh yeah yeah yeah
Ooh!
Oh yeah yeah
Oh yeah yeah yeah
Ooh!
Never had much faith in love or miracles
Never wanna put my heart on the line
But swimming in your world is something spiritual
I'm gonna get every time you spank the night
Cause your sex takes me to paradise
Yeah your sex takes me to paradise
And it shows, yeah, yeah, yeah
Cause you make feel like, I've been locked out of heaven
For too long, for too long
Yeah you make feel like, I've been locked out of heaven
For too long, for too long
Oh yeah yeah yeah
Ooh!
Oh yeah yeah
Oh yeah yeah yeah
Ooh!
You bring me to my knees
You make me testify
You can make a sinner change his ways
Open up your gates cause I can't wait to see the light
And right there is where I wanna stay
Cause your sex takes me to paradise
Yeah your sex takes me to paradise
And it shows, yeah, yeah, yeah
Cause you make feel like, I've been locked out of heaven
For too long, for too long
Yeah you make feel like, I've been locked out of heaven
For too long, for too long
Oh oh oh oh, yeah, yeah, yeah
Can't I just stay here
Spend the rest of my days here
Oh oh oh oh, yeah, yeah, yeah
Can't I just stay here
Spend the rest of my days here
Cause you make feel like, I've been locked out of heaven
For too long, for too long
Yeah you make feel like, I've been locked out of heaven
For too long, for too long
Oh yeah yeah yeah
Ooh!
Oh yeah yeah
Oh yeah yeah yeah
Ooh!
E como previsto, ao termino da canção eu já sorria, mesmo cantando com que eu estava cantando. Os aplausos me fizeram ficar ainda mais feliz, agradecemos o público e logo a playlist nos substitui.
Assim que sai do palco, me surpreendi com alguém me agarrando pela cintura, estava pronta para arranhar a cara do safado quando vi que era a Beth.
— Parabéns, Sam. Você estava fantástica. – Falou sorrindo, me abraçando pela cintura.
— Obrigada. – Sorri para ela.
— E também não está mais rabugenta. Você fica muito mais linda sorrindo. – Me fez ficar vermelha.
— Cantar me deixa leve e menos rabugenta. – Ri.
Ela me abraçou e me girou na pista. Ninguém desconfiava da nossa relação, parecia exatamente como qualquer outro casal de melhores amigas dentro daquela escola.
— Então deveria sempre estar cantando. – Beth parecia ter tirado a noite para me deixar envergonhada.
— Daqui a pouco é a nossa música. – Comentei.
— Eu sei, estou animadíssima, com a essa vibe que você está agora vai ser maravilhoso. Além do mais, tudo fica melhor quando fazemos com quem amamos.
— O que? – Parei de me mover abruptamente com as palavras que ela tinha dito.
— Disse que vai ser maravilhoso. – Repetiu.
— Eu sei, só não entendi a última parte.
— Disse que é melhor quando fazemos as coisas com quem amamos.
Mesmo repetida, tais palavras me causaram o mesmo impacto inicial.
— Você me ama? – Senti ficar emotiva.
— Claro que te amo, amiga. Nunca tinha lhe dito?
— Não. – Comecei a lagrimejar e ela me abraçou.
— Pensei que já tivesse dito, as pessoas têm tabu com “eu te amo”, mas acho palavras tão bonitas, que quando as sinto, tenho a necessidade de dize-las.
A apertei mais próxima a mim.
O seu primeiro eu te amo, reciproco sem laço familiar sempre te marcar. Eu já sabia que a amava a algumas semanas, mas nunca a tinha dito com medo, exatamente pelo motivo que ela dissera, tabu. Eu a amava como uma amiga intima e ela também, era como ir aos céus sem morrer.
— Eu também te amo. – Sussurrei em seus ouvidos, pude perceber que sorrira.
Em resposta, ela me abraçou ainda mais forte.
A música parou quase que abruptamente traindo a atenção de todos para o palco. Beth e eu nos soltamos e fizemos o mesmo.
— Desculpa, pessoal. Agora eu que vou cantar um pouquinho. – Um Blake visivelmente bêbado falou no microfone.
Imediatamente lembrei da minha negligencia com meu amigo mais cedo e me senti culpada.
— O que ele está fazendo? – Escutei as pessoas próximas da gente falar.
Coloquei a mão na testa com vergonha alheia.
— O que aconteceu com o Blake? Ele bebeu de novo? – Beth me perguntou.
— Aparentemente eu acho que sim.
— E você viu ele bebendo?
— Vi. – Conforme ela me perguntava as coisas eu me sentia cada vez mais culpada, mesmo sabendo que minha parcela de culpa nem era tão grande assim.
— E deixou?
— Sim. – Fiz cara de desgosto como par para a expressão de indignação dela.
— E como minha parceira, eu chamo Camille. – A loira apareceu atrás de Blake, ele voltara a falar no microfone.
— Temos que impedi-lo, antes que as irmãs vejam o estado dele e façam alguma coisa.
Fomos em direção ao palco, enquanto ele dava as instruções a banda presente que dava apoio para nossas apresentações no baile, da música que cantaria. Estava sendo uma tarefa complicada se aproximar do palco, por causa do agrupamento dos alunos próximos do palco, curiosos pelo o que poderia vir.
Quando finalmente chegamos ao pé do palco, já era tarde demais, ela já tinha começado a cantar, fiquei me questionando se os sumiços das irmãs seria algo ruim ou bom naquele momento, pois com certeza o impediria de se apresentar e cantar o que cantou.
Blake, Camille segunda voz:
(Last night)
Our lovers quarreled (I was thinking about you)
Hurts more than I can say (and it was kinda dirty)
Oh my (and the way that you looked at me)
Help me here (it was kind of nasty ah), help me here
(it was kind of trashy)
'Cause I can't help my mind from going there
Heard your boyfriend was away
This weekend
Wanna meet at my place?
Heard that we both got nothing to do
When I lay in bed I touch myself and think of you
Last night, damn
You were in my sex dreams
(You were in my)
Doing really nasty things
(You were in my dreams)
Damn, you were in my sex dreams
(You were in my)
Making love in my sex dreams
We could (I) be caught (just want this to be perfect)
We're both convicted criminals of thought
('cause I'm broken)
Let's white (by the one before) glove the bed
(he was kind of nasty ah)
Help me here (and I feel so trashy)
'Cause we can't hide the evidence
In our heads
Heard your boyfriend was away
This weekend
Wanna meet at my place?
Heard that we both got nothing to do
When I lay in bed I touch myself and think of you
Last night, damn
You were in my sex dreams
(you were in my)
Doing really nasty things
(you were in my dreams)
Damn, you were in my sex dreams
(you were in my)
Making love in my sex dreams
(Don't stop the party)
Making love in my sex dreams
(Let's keep it naughty yeah)
Making love in my sex dreams
(Watch me and to do) making love in my sex dreams
Tomorrow when I run into you
Tomorrow when I run into you
You can turn to stone all the color off
Then petrified by a woman
Love is all I am when I lay with you?
I think of him, I think of him
I can't believe I'm telling you this
But I've had a couple of drinks and "oh my God"
Last night damn
You were in my sex dreams
(you were in my)
Doing really nasty things
(You were in my dreams)
Damn you were in my sex dreams
(You were in my)
Last night (don't stop the party), damn
you were in my sex dreams
(Let's keep it naughty yeah) doing really nasty things
(Watch me and to do) damn
You were in my sex dreams
(Tomorrow when I run into you)
Making love in my sex dreams
Misteriosamente eles conseguiram cantar até o final, sem que nenhuma das irmãs aparecessem, suspeitei que estivesse fazendo o mesmo tipo de teste que fizeram na festa de recepção.
Blake definitivamente tinha o dom de cantar, que ficava ainda melhor quando estava bêbado tinha que admitir. Sua apresentação com Camille tinha seguido uma linha bem tênue entre um hetero descarado e um amigo gay íntimo. A forma que tocava Camille deu esse efeito, só o fazia ser afetado por quem o conhecia intimamente e pelo seu olhar diretamente focado a uma pessoa da plateia, Yerik. Me lembrei que semanas atrás ele tinha me dito do seu sonho erótico, não pude deixar de rir ainda mais da situação. Ele tinha sido tão direto que Jessie percebera e o búlgaro ficara mais vermelho que a decoração.
A primeira coisa que eu e Beth fizemos quando eles terminaram, foi arrastar Blake o mais longe possível do palco, sem lhe dar nem tempo de receber os aplausos de sua plateia. Ele tinha ido tão bem, que por sorte não seria motivo de chacota novamente, na realidade, talvez agora os garotos o respeitasse mais, já que só eu e Beth observara o objeto do seu olhar.
— Me deixem receber os aplausos. – Ele reclamou enquanto arrastávamos para a nossa mesa.
— Não, você está bêbado, precisa ficar em um lugar quieto até o efeito passar. – Beth pela primeira foi dura com ele.
— Eu ein... – Ele suspirou. – Está bem.
O jogamos em uma cadeira e sentamos nas outras do seu lado.
— Quem é que te embebedou? – Ela lhe perguntou.
Porém, antes que ele respondesse começou a tocar a música que antecedia a nossa próxima apresentação.
— Beth temos que ir. – A chamei.
— Claro. Blake não sai daí e não beba mais nada. – Ela o advertiu.
— Sim, senhora. – Ele lhe prestou continência.
— Espero que não aconteça nada enquanto a gente canta. – Ela me falou ao caminharmos até o palco.
— Não vai, é só uma música. O que pode acontecer nesse meio tempo?
— Ficaremos de olho nele no palco. – Tentei tranquiliza-la.
— Pode ser.
Não me respondeu, ficou silenciosa pensando nas possibilidades. Subimos no palco e esperamos a música antecessora acabar. Não precisei falar para a banda qual musica seria, pois ela já estava no cronograma, Blake tinha feito antes porque inventara de cantar de surpresa.
Yo, ayo tonight is the night that I'ma get twisted
Myx Moscato and vodka, I'ma mix it
Roll that spaceship, we about to get lifted
Live in the present and gift is for the gifted
This what you came, this what you came for
You get what you buy, this what you paid for
So make sure the stars is what you aim for
Make mistakes though
A iluminação do ginásio começou a piscar no ritmo da música, as pessoas na pista pareciam dançar em câmera lenta conforme eu cantava, ficava difícil localizar Blake dessa forma. Beth me fazia coro:
I never worry, life is a journey
I just wanna enjoy the ride
What is the hurry? It's pretty early
It's ok, we'll take our time
The night is still young
The night is still young
The night is still young
And so are we
Nessa parte da música, eu sentia uma vibração incrível, me sentia mais viva do que nunca.
The night is still young
The night is still young
The night is still young
And so are we
Ayo, drinks on you, or the drinks is on me
We ain't going nowhere like tanks is on E
We still getting money, what bank it's gon' be?
If he sexy, he planking on me
So when them big boys want all of that (Ay!)
Tell the bartender, say my order back (Ay!)
It's bottle service, he ordered that (Ay!)
Might let him take it home and slaughter that
He got friends for all of my friends
They ain't leaving 'till we say when
And we gon' hangover the next day
But we will remember this day
So drop the pop and get low
Or we can drop the top and just cruise
We fresh to death, down to the shoes
My only motto in life is don't lose
I never worry, life is a journey
I just wanna enjoy the ride
What is the hurry? It's pretty early
It's ok, we'll take our time
The night is still young
The night is still young
The night is still young
And so are we
Olhava toda a minha plateia que parecia estar mais envolvida na música do que eu. Aleatoriamente, minha visão recaiu em um canto mais afastado do ginásio, que só pela minha posição mais elevada conseguia ver e com um certo esforço pela escuridão, vi Blake dançando no meio do Jessie e do Yerik.
Seus corpos se encostavam quase de maneira sexual, admito ter ficado um pouco excitada com a visão. No entanto, o choque de ver o meu amigo naquela situação, mascarava qualquer outra sensação, era como ver um irmãozinho, que nunca tive, fazendo aquilo. Yerik estava atrás dele, segurando sua cintura, enquanto deixava sua cabeça abaixada, próxima o suficiente do seu pescoço, em uma distância que se tivesse barba estaria roçando. Na sua frente, Jessie segurava na cintura do Yerik, amassando Blake entre os dois, quase beijando-o.
Em momento algum parei de cantar, mas minha expressão deve ter chamado a atenção de Beth que olhou para mim, estranhando-me, depois olhou para onde eu olhava e fez a provavelmente mesma expressão que eu fazia.
The night is still young
The night is still young
The night is still young
And so are we
We're just getting started yeah yeah
We're just getting started yeah yeah
Can't you see the night's still early
And we gon' get wild and crazy
We're just getting started yeah yeah
We're just getting started yeah yeah
Can't you see the night's still early
And we gon' get wild and crazy
The night is still young
The night is still young
The night is still young
And so are we
The night is still young
The night is still young
The night is still young
And so are we
How dare we sit quietly
And watch the world pass us by
How dare we sit quietly
And watch the world pass us by
— Você viu aquilo que eu vi? – Falei imediatamente assim que parei de cantar, longe do microfone, para Beth.
— Eu vou busca-lo, aposto que vai se odiar quando souber o que fez hoje.
— Se ele ficar sabendo... – Comecei a segui-la, ela saía do palco e atravessava os alunos em direção ao local em que eles estavam.
— Nós contaremos para ele, antes que o outro conte.
— Será que devemos mesmo interferir ou contar para ele? – A puxei pelo braço a fazendo parar.
— Como assim?
— Você sabe como é o Blake, não acha melhor poupá-lo? Você lembra tudo o que a festa de Ano-novo gerou nele.
— Por isso mesmo. Primeiro que ele está bêbado, em um estado normal jamais estaria fazendo o que está fazendo. Segundo, não adianta poupa-lo agora e lidar com o problema depois. – Ela falou voltando a andar. – Não o trate como uma criança indefesa, se não, ele nunca irá amadurecer.
Ela tocou em um ponto que eu estava pensando muito nos últimos dias, na capacidade do Blake lidar com problemas além dos dele. Guardar um segredo tão grande sobre mim dele, por todo esse tempo, fazia-me sentir desonesta com ele, principalmente depois de ter contado para Beth e ouvir todos os seus desabafos sobre a sua sexualidade.
— Você está certa. – Pensei alto.
Quando dei por mim, Beth já estava distante de mim. Para chegar aonde eles estavam tinha que se passar por uma coluna que ocultava a localização deles. Quando cheguei neles, Beth já os tinha separa e segurava um Blake bobo alegre em seus braços.
— Vocês deviam ter vergonha... – Escutei ela falando.
Jessie e Yerik não pareciam ouvir direito que ela dizia, tanto pela música alta quanto pelo estado em que eles se encontravam. Beth não reparara, mas eles estavam tão bêbados quanto o Blake.
— Oiiii, Samy. – Blake sorriu para mim.
— Olá. – Ri de volta.
— Beth está brigando com eles, faz ela parar. – Ele falou se livrando dos braços da amiga. – A gente só estava brincando. – Ele veio na minha direção caindo.
— Cuidado... – Falei, interceptando a sua queda.
— Obrigado. – Ele não tirava o sorriso do rosto. – Estava muito bom. – Sussurrou no meu ouvido. – É errado achar bom?
— Nenhum pouco. – Ria do seu estado.
— Queria que eles me beijassem, Jessie estava quase me beijando. – Ele me abraçava, colando sua boca no meu ouvido. – Quero beijar os dois e o Alex.
— Alex? – Este nome me pegou de surpresa.
Ele balançou a cabeça positivamente.
— Eu vou beijá-lo agora. – Ele se soltou de mim e começou andar em direção a multidão.
Beth estava tão entretida no seu sermão, que nem percebeu nos afastando.
— Ei, Blake. Espera aí. – Eu fui atrás dele.
— Não, preciso beijar o Alex. – Ele continuava se distanciando de mim.
— Eu sei aonde ele está. – Tive uma rápida ideia.
— Sabe? – Finalmente parou e prestou atenção em mim.
— Vou te levar até ele. – Peguei no seu braço e o arrastei para fora do ginásio.
— Cadê ele? – Blake perguntou assim que saímos.
— Não deve ainda ter chegado, vamos sentar ali e esperar ele. – Apontei para um ponto recuado na parede, onde não tinha neve acumulado por conta do telhado.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Minha ideia era de ficar com Blake no lado de fora até ele está bem o suficiente para voltar ao seu dormitório e dormir.
— Como você sabe que ele vai nos encontrar aqui? – Falou assim que sentou no chão.
— Porque ele me falou que iria. – Sentei ao seu lado.
— Ótimo. – Suspirou, colocando a cabeça no meu colo. – Espero que ele não demore.
— Ele não irá.
— Eu estou muito bêbado, não é.
— Muito, mas fica mais adorável assim. – Apertei a sua bochecha.
Ele riu.
— Como estão lindas as estrelas hoje. – Ele olhava para o céu cinza que ameaçava gear.
— Não tem nenhuma estrela no céu hoje, Blake.
— Claro que tem, estão atrás das nuvens.
— Mas não dá para vê-las.
— Mas ainda estão lá e eu aposto que estão lindas hoje.
Ri da sua afirmação. Ficamos conversando sobre coisas banais por um tempo até que ele ficasse sóbrio. Já tinha começado a nevar quando ele pareceu estar pleno de sua consciência.
— Acho que fiz muita coisa errada hoje. – Ele comentou após um tempo calado.
— Está sóbrio agora?
— Acho que estou. – Me respondeu.
— Não estou acreditando em tudo que fiz, dessa vez eu lembro.
— Preciso te contar uma coisa. – Fui impulsiva.
— O que? – Ele se levantou do meu colo e me olho diretamente nos olhos.
Respirei fundo, nesses poucos segundos ouve um dilema na minha cabeça se eu devia ou não dar prosseguimento naquilo que estava pretendendo fazer, decidi por ir até o fim.
— O que eu tenho para te falar é algo sério. – Comecei a falar e as lagrimas instantaneamente começaram a cair. – É sobre mim, algo que eu tenho desde que eu nasci...
— Pode me contar. – Ele pegou na minha mão me incentivando.
Eu mal conseguia controlar minhas lagrimas, me doía afirmar aquilo e sempre chorava quando falava, tinha se tornado um tabu maior em minha vida, do que já era na sociedade.
— Eu sou soropositiva. – Falei de olhos fechados de uma vez.
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