Tempestuoso

8 Problemas de Garotas


Notas iniciais
Sorry, era para o capítulo ter saído na sexta da semana de carnaval, mas fui pular e quase perdi meu cel. Sim, ele ficou molhado na chuva e no fim, nem tirei a teia. Ia sair na sexta passada, porém passei o dia 28 terminando o cap. e no fds o meu beta viajou. Sorry Beta meu lindo . Fall Out Boy - Death Valley Iggy Azalea - Fancy (feat Charli XCX) Marina And The Diamonds - How To be a Heartbreaker OneRepublic - Apologize

Blake McCarthy:

Mick, sei que estamos distante nas últimas semanas, mas sinto sua falta. Os últimos dias tem sido difíceis...

Mick:

Só sente minha falta quando precisa?

Blake McCarthy:

Você ainda é meu melhor amigo, mesmo com seus problemas.

Mick:

MEUS PROBLEMAS? Não considero o fato de gostar de homens um problema. Considero um problema, o seu preconceito.

De início não devia nem ter voltado a falar com você!

Era terça-feira, minha estadia no St’Agnes havia completado uma semana no dia anterior e uma saudade imensa de um amigo me consumia. Desde que Mick tinha se assumido gay nunca mais havíamos conversado, e isso me fazia falta. Naquele dia era seu o aniversário, 1 de Setembro. Eu tentava conversar com ele no meu horário de almoço, já almoçara com Beth.

Decidi que era certo lhe dar outra chance, após ir à missa na manhã de domingo, lá ouvi o sermão do padre e me confessei. A cerimonia fora realizada na capela no próprio terreno da escola. Somente alguns pais compareceram para acompanhar os filhos, proibidos de sair nos finais de semana, por conta dos acontecimentos da última festa. O religioso lera algumas passagens bíblicas onde ressaltava o amor e o perdão.

Na minha confissão, na qual relatei todos os acontecimentos dos últimos dias sem exceção, o sacerdote me aconselhou a tentar ajudar os amigos desvirtuados (Mick e Yerik). Ao invés, de repudiá-los e a rezar o terço dez vezes, contra a evolução e a favor da regressão dos meus sentimentos pecaminosos. Assim o fiz e tentava continuar. Muitos teriam medo ou vergonha de fazer a confissão com o padre, porém, eu confiava nele e sabia dos seus votos de sigilo e discrição.

Na ocasião, Emy tinha me acompanhado. Fiquei feliz de vê-la e ela ainda mais de me ver amigo de Sam, não lhe contei sobre nosso envolvimento ou das minhas mazelas, isso só a preocuparia.

Blake McCarthy:

Me desculpe, não quero te magoar!

Mick:

Mas faz isso...

Blake McCarthy:

Não é minha intenção. Eu juro! Ainda mais hoje.

Me confessei com o padre na última missa de domingo, ele me deu alguns conselho. E se você estava lá, vai se lembrar das citações ditas durante o culto.

Mick:

Você sabe que sou ateu, mesmo que eu esteja em uma escola católica isso não muda o meu credo, ou melhor, o não credo.

Mas o que ele citou e te aconselhou?

A tentar me curar? Isso não existe, não tem como me mudar. Ou, a me repudiar ainda mais?

Blake McCarthy:

Não!

Ele citou o perdão e o amor e me aconselhou a te ajudar e não a repudiar.

Mick:

Vejo que não está cumprindo com o aconselhado muito bem.

Mick era certeiro em me desarmar. Eu merecia esse tratamento? Eu acho que não, porém ele achava que sim, então teria que insistir até fazê-lo parar.

Blake McCarthy:

Queria que não fossemos assim, principalmente agora que estamos tão pertos um do outro. Gostaria muito de te ver hoje e de dar os devidos parabéns pessoalmente, não esqueci do seu dia.

Mick:

Nem sempre o que queremos é o que acontece, sua irmã é o melhor exemplo disto.

Blake, eu te observei a semana toda e você até chegou a falar comigo muitas vezes. Você se mostrou a pessoa maravilhosa que sempre transpareceu nesses dois anos, no entanto, ainda possui essa mentalidade preconceituosa e não estou pronto para isso...

Descobrir isso foi um choque, poderia ter me favorecido em descobrir sua identidade, mas eu tinha conversado com muita gente do meu ano, na tentativa de fazer amigos e me enturmar, por isso, a informação acabou perdendo valor.

Blake McCarthy:

Você me viu esse tempo todo?

Mick:

Sim.

Blake McCarthy:

E falou comigo?

Mick:

Sim.

Blake McCarthy:

Mas não quer falar mais?

Mick:

Não! Como eu falei, você é uma pessoa maravilhosa e só tem esse defeito, por hora, ainda podemos nos falar normalmente, porém, sem você saber que sou e quando sou.

Blake McCarthy:

Eu não queria que fosse assim...

Mick:

É assim ou nunca mais nos falamos.

Blake McCarthy:

Que seja assim, então.

Só queria dizer que sinto sua falta e lhe parabenizar. Porque se tem alguém que merece viver cada dia mais e mais feliz é você.

Que sua saúde nunca lhe abandone e que o amor um dia lhe acompanhe.

As últimas palavras eram difíceis de serem escritas, pois o sentimento era verdadeiro. Era a primeira pessoa que “dizia” fora da minha família, considerava Emy da família. Após uma pausa para tomar coragem, digitei de olhos fechados e enviei, sem medo.

Eu te amo.

Ele não respondeu de imediato, isso me deixou ansioso. O peso de tais palavras digitadas tinha o similar as que eu dizia a Vick, o mesmo sentimento fraterno, sem inclinações românticas ou do tipo.

Sua resposta foi simples, mas serviu para me tocar.

Mick:

Também te amo.

Eu queria prolongar a conversa, porém infelizmente Yerik entrou no quarto, com os olhos e mãos pregados no celular, não iria continuar conversando na presença dele. Não conversávamos ou trocávamos um mísero olhar desde que mordi sua língua, simplesmente nos ignorávamos. Felizmente conseguíamos conciliar os horários na divisão do banheiro de maneira incomunicável.

Seu lance com Georgina parecia seguir bem, ainda não me conformara com aquela união, acreditava na possibilidade dela encontrar alguém mil vezes melhor do que ele. Não me demorei muito, logo saí do quarto sabendo que o encontraria na próxima aula, Geografia.

A monotonia da Sra. Underwood se propagava pela sala como um gás venenoso, fazendo com que todos se sentissem sonolentos, alguns conseguiam resistir e conversavam disfarçadamente com o colega. A professora não se importava com as conversas desde que não fossem de tom alto, estava tão interessada em ensinar geografia como a maioria para aprender. Pensei no quanto ela se transformava no Coral, quando falavam de fazer aquilo que amamos nunca achei que seria tão prático.

O casal insistia em sentar atrás de mim e seus múrmuros me irritavam.

– Se continuar com a expressão carrancuda só na aula de geografia eles vão notar. – Beth falou, era minha companheira de mesa.

– Do que fala? – Tentei soar desentendido.

– Você sabe muito bem...

Devo ter ficado vermelho.

– Mas é irritante.

– Parece que está com ciúmes.

– Não estou com ciúmes e nem sabia que você ficava reparando em mim, sempre está olhando pro nada.

– Eu fico fazendo minhas reflexões astrológicas, nada que você entenda é claro. E não é muito difícil te desvendar, você é bem expressivo.

– Como?

– Você consegue ser a personificação de Câncer, todo emotivo.

– Não sei o que isso quer dizer, porém vou levar como um elogio.

– Ainda vou te dar umas aulas de astrologia.

– Isso não é uma coisa pagã? – Lhe perguntei.

– Com certeza. – Ela respondeu sorrindo, não pude deixar de retribuir.

– Você sabe então que é uma herege, e hereges estão fadados ao inferno.

– Todos são hereges então, ao consumar o sexo antes do casamento e ao se masturbar, principalmente os garotos. Por tanto também é herege.

Fiquei ainda mais vermelho com a sua referência aquele ato. Mick já havia me falado sobre “masturbação” algumas vezes, e me explicado o que era, mas eu nunca havia praticado. Balancei a cabeça incisivo em negação.

– Por que está deste jeito? – Me perguntou calma e com naturalidade, isso não a afetara como a mim.

– Po-por nada. – gaguejei.

–Você ficou assim depois que eu falei sobre masturbação... Quer dizer que... – Ela fez uma expressão bem caricata de espanto, com direito a boca bem aberta e sobrancelhas arqueadas.

Eu não sabia que conseguia ficar mais rubro, mas fiquei.

– Blake, eu não acredito que você nunca se masturbou! – Seu tom foi um pouco elevado e atribuiu a atenção do nosso redor.

– Droga. – Lamentei em meio a um sussurro.

Poderia ter uma síncope naquele momento, meu rosto deveria estar prestes a explodir.

– Como é? – Escutei a voz de Georgina atrás de mim.

Falhando, tentei me encolher para debaixo da carteira.

– Blake, nunca se masturbou. Foi o que eu entendi. – Yerik a respondeu.

– Obrigado. – Sussurrei para Beth.

– Desculpe. – Beth ergueu os ombros.

Abaixei a cabeça na mesa e soltei uma lamuria.

Por sorte, eram poucos os alunos que compartilhavam a aula de Escrita e Geografia comigo, consequentemente a minha vergonha não seria tão grande.

– Quer dizer que nunca se masturbou? – Alex falou quando me sentei atrás dele.

De todas as pessoas eu imaginei que ele seria a última a brincar com aquele assunto, na realidade, eu o considerava a última pessoa para começar qualquer brincadeira. Alex havia se juntado a mim na missa, sua tia e único parente ficara afastada com as Irmãs, consequentemente ficaria sozinho se não fosse meu convite.

– Não. – Resmunguei pegando propositalmente meu caderno, o abrindo e tampando a face.

Pude escutar uma risadinha vinda dele.

– Não se envergonhe, não é nada demais e só mostra como você é puro. – Ele abaixou meu caderno para poder me encarar.

Seus olhos suspeitos acinzentados me analisavam, na sua expressão já não possuía indícios da risadinha de antes. Ele era exatamente o oposto de mim, acho que segundo as ideias de Vick, pouco decifrável.

– Isso é bom? – Perguntei sem jeito.

– É. – Disse firme antes de se virar.

Queria poder conversar mais, no entanto, a chegada do Sr. Jackson me impediu. A aula dele fora como a primeira, exigiu que fizéssemos uma redação sobre a situação de maior constrangimento passada. Convenientemente eu passava por ela, de modo, que não foi difícil escrever, apesar de sentir um pouco de receio em escrever sobre aquilo.

Como da outra vez devolveu as redações com suas anotações. Desta vez Alex não pareceu feliz, muito pelo contrário, aparentava-se mais frio do que nunca. O meu comentário era o seguinte:

“Sem grandes evoluções gramaticais, compreensivo para o curto período de aprendizado comigo.

Continua entediante. Sua maior vergonha foi quando sua amiga falou de masturbação? Tem redações que falam sobre ser pego nesse ato por um parente, e não estou falando da masturbação ortodoxa masculina comum.

Consideração final: Não acredito que nunca tenha se masturbado, na sua idade fazia isso umas cinco vezes no dia.”

Fiquei escandalizado. Não conseguia digerir aquelas palavras muito bem, só consegui chegar a duas conclusões: o Sr. Jackson fora um depravado ou ainda era e uma suspeita de que ele não gostasse de mim.

– Alex? – Toquei no seu ombro quando o sinal de termino soou.

Ele não respondeu, apenas se levantou e partiu sem explicações.

Ao passar pela porta foi barrado por Yerik. Ele segurou meu braço, assustando-me.

– O que você está fazendo? – Lhe perguntei exaltado.

– Vim avisar que sua irmã passou mal no treino de hoje, sugiro que vá vê-la. – Falava sério sem desviar o olhar.

Uma grande preocupação me tomou, subjugando qualquer tipo de magoa anterior.

– Onde ela está?

– Se ainda estiver, deve estar no vestiário feminino perto das piscinas.

Eu não tinha percebido que ele havia soltado meu braço, porém corri para piscinas, sem me preocupar com meus medos. Vick sempre tivera uma ótima saúde, nosso pai dificilmente se preocupava com ela, sempre o doente fora eu. Emy costumava brincar que se fossemos da realeza, ela seria a donzela guerreira e eu o cavalheiro afligido pelos males.

Ao chegar ao complexo de quatro piscinas, um nervosismo me acometeu. Eu tinha que caminhar rente a elas, sem qualquer risco de cair, mas ainda assim, angustiante. Meus passos foram decididos, porém cegos fechei os olhos evitando ver toda água. Só voltei a ver quando toquei na parede onde ficava a entrada dos vestiários, segui até a porta do feminino e gritei:

– VICK!

Minha voz ecoou pelo ambiente. Cogitei que ela já estive partido durante o tempo em que Yerik demorou em me avisar, mas um choro contido e bem silencioso me fez mudar de ideia.

– VICK! – Voltei a gritar.

Não obtive nenhuma resposta.

– Vick, sei que está aí. Você está bem?

A resposta foi repetida, optei por manter o silencioso durante alguns minutos até retorna a tentativa de contato.

– Alguém está aí com você?

Desta vez obtive o que queria: a confirmação de sua presença.

– Vai embora! – Mandou, com a voz embargada.

– O que aconteceu? Eu vou entrar. – Anunciei.

– Já mandei você ir embora! –Parecia ter um pouco de desespero.

Receoso por alguma garota estar lá, entrei no vestiário. Era como qualquer outro, com armários, chuveiros e boxes. As coisas de Vick estavam em uma mochila lilás em cima do banco.

– Onde você está? – Perguntei, minha voz voltou a ecoar.

– Não te quero aqui, não se intrometa. – Sua voz vinha dos boxes.

– Yerik me falou que você passou mal durante o treino.

– Só você mesmo.

– Eu o que? – Abri o primeiro box, eram seis ao todo.

– Falar com alguém que te maltrata.

– Não estou falando com ele, hoje foi exceção por você. – Abri o segundo box.

– Não me reviro a ele, mas a mim.

– O que está querendo dizer? – Terceiro box.

– Você não tem que estar aqui, nunca lhe fiz bem, na realidade tudo de ruim que sofreu após a morta da mãe foi por minha culpa. – Fungou.

– Eu sei que não foi por querer, eu sei disso. Você me ama e faria o mesmo que estou tentando fazer por você, se fosse eu no caso. – Quarto.

– Eu não faria isso, pois não te amo. E nunca te amei. – Não tinha notado, mas sua voz havia mudado a entonação no decorrer, antes era triste e chorosa, agora rancorosa e raivosa. Ela estava desabafando?

– Eu não acredito nisso... – Falei ao abrir o quinto box e encontrá-la.

– Porque prefere acreditar em mentiras.

Vick estava sentada na privada fechada, esperava vê-la de maio, porém já se trocara e usava o tradicional uniforme. Seu rosto estava baixo, consequentemente encoberto pelos cabelos, por isso não vi de imediato os olhos inchados. Com o verde mais proeminente no amendoado como sempre ficava quando chorava. Ela levantou a face lentamente quando disse a última frase, a expressão era de raiva, ódio e ressentimento.

Fiz menção de tocar seu rosto, mais fui contido por um tapa de sua mão.

– Quero te ajudar. – Falei em tom calmo, tentando tranquiliza-la e me abaixando para ficar na sua altura.

– Me ajudaria se não tivesse nascido.

Tentei pegar na sua mão e outro tapa recebi.

– Eu sinto muito. O que aconteceu?

Ele me encarou, voltara a chorar.

– Não percebe ou se faz de idiota? Você aconteceu! Você tirou minha mãe, quando ela inventou de fazer aquela viagem de barco como seu presente. Como ficou dependente de todos quando ela morreu. Não foi só você que perdeu a mãe. Ninguém se importou comigo e de como sofri com cada dia sem ela. Você é fraco, sempre foi, arrumou um monte de problemas e eu tive que ser forte ou papai não suportaria também. Quantas datas eu fiquei sozinha porque ele tinha que cuidar de você. Até a data do meu aniversário você tirou!

Eu poderia ter me desligado e não ter absorvido nenhuma de suas palavras, ao invés disso, guardei tudo que dizia até chegar ao ponto de me romper e começar a chorar. Nunca imaginei que ela se sentisse assim ou que pensasse isso. Era como se fincasse uma faca serrada cada vez mais fundo no meu coração e a girasse no ferimento para causar mais danos.

– Por que é tão má comigo? – Perguntei, limpando meu rosto com o braço.

– Porque você tem várias pessoas lhe sendo boas. – Falou mais calma, pareceu que ver meu novo estado melhorou o dela. – Eu só vomitei, mas não se preocupe não estou com problemas alimentares como você. Já me avisaram que anda comendo demais, cuidado para não engordar de novo.

Me sentei no chão, novamente suas palavras me machucavam. Recordara dos meus sete anos e época da compulsão. Ela se levantou e passou por mim. Não pensara que me sentiria tão mal.

– Vá para o Coral se lamuriar por lá. A Sra. Underwood, não tolera atrasos e terá o apoio de todos como sempre teve. – Ela voltara a chorar. Importei-me, porém não deveria.

Queria permanecer naquele lugar, ele tinha me acolhido, um acolhimento que os ambientes fazem quando você está muito triste. No entanto, não podia. Alguma garota poderia chegar e estaria em encrenca ou sofreria com a Sra. Underwood pela ausência injustificável.

Caminhei até os espelhos e limpei o rosto, tentando tirar os indícios do choro. Não iria fazer o papel de vítima novamente, como fora acusado. Ao perceber que não conseguiria dar jeito nos bolsões de inchaço ao redor dos olhos saí do vestiário.

Passar pelas piscinas foi mais fácil do que antes. Havia me desligado, fazia uma marcha lenta até o Coral. Só dei por mim quando batia na porta do Coro.

– Com licença, Sra. Underwood. – Falei esperando sua autorização. Minha voz soara rouca diferente da habitual.

– Claro, Blake. Por favor, entre. – Ela permitiu, me olhava estranha, eu devia não estar com uma boa expressão.

Caminhei até o acento entre Sam e Beth, o único vago.

– Blake, você está bem? – A Sra. Underwood continuava a me olhar esquisito.

Não respondi, temi que minha me entregasse. Me limitei em balançar a cabeça bem lentamente positivamente.

Todos me olhavam e continuaram por um tempo. Será que existia algum dispositivo na mente humana que fizéssemos ficar encarando gente deprimida ou magoada? Ou será que sentíamos o radar para captar um choro recente?

– Prosseguindo... – A Sra. Underwood voltara a falar o que eu havia interrompido antes.

– Você está bem? – Sam sussurrara no meu ouvido, demonstrava preocupação.

– Sim. – Tentei soar o mais convincente possível, falhando.

Não era segredo para ninguém que o “sim” para aquela pergunta era tão enganoso quanto ela. Ninguém se importava de verdade e quem geralmente fazia o questionamento já sabia a verdadeira resposta.

– Mentiroso. – Fui acusado por Beth.

Ela nem se quer tinha desviado os olhos da Sra. Underwood. Me perguntei como uma pessoa com tamanha tendência a ficar aérea, poderia ser tão boa em suposições e interpretações.

– Tem certeza que não quer nos contar? – Sam voltara a perguntar, tomando uma de minhas mãos com a dela.

Ela e Beth haviam se aproximado muito na última semana. Esperei que seus amigos Olive, Steve, Peter e Harry se juntassem a nós, porém só apareciam ocasionalmente, fora a asiática, Olive era sempre distante.

– Estou bem. – Insisti, não olhava nos olhos dela. Sabia que ao fazer isso me entregaria ainda mais. Voltei a prestar atenção no que a Sra. Underwood dizia.

– ... Eu lhes dei uma tarefa na semana antecipadamente para esta. Quero saber quem são preparados para se apresenta hoje? – Ela se referia à música que nós melhor representasse. Eu já possuía a minha, porém não estava com ânimo para me apresentar naquele dia.

– Nós temos. – Steve e Camille falaram juntos e automaticamente se olharam.

– Eu na verdade tenho um dueto. – Steve esclareceu fazendo uma saudação com Peter, sua provável dupla.

– Digo o mesmo. – Quem falou foi Joanne.

– Já conhece as regras da casa. – Peter se adiantou levantando. – Prioridade por tempo em serviço.

Ele e Steve se posicionaram ao centro da sala.

– Isso é injusto! Cadê o cavalheirismo? Primeiro as damas. – Cami parecia ofendida.

– Não sou eu que faço as regras, só ás sigo. – Steve levantou as mãos em defesa.

– Nem por mim as quebraria? – Cami fez beicinho.

– Nem por você, bela dama. – Peter fez um caricato cumprimento cortes.

– Idiota. – Elas o acusaram.

– Meninas. – A Sra. Underwood interviu. Antes ela parecia estar em um devaneio de abstinência a nicotina.

– Antes de nos apresentarmos, gostaríamos de nos explicar pela música. – Inicio Steve.

Cami e Joanne ainda pareciam absurdas em sua indignação, conversando entre si.

– Garotas, sabemos o quanto somos gostosos e tudo mais, mas tem como pararem de falar sobre nós e nos escutarem? – Peter as reprendeu sorrindo.

– Resumindo, essa música é para uma pessoa que nos enganou e quase destruiu nossa amizade. – Steve prosseguiu.

– Samantha Willy, essa canção é pra você. Vadia ambiciosa. – Peter completou.

O choque das palavras foi generalizado. Não deveria ser frequente no Coral. Automaticamente todos olharam para Sam, que mesmo possuído pele levemente bronzeada ficou corada escarlate.

– Ponderem as palavras. – Foi o que a Sra. Underwood conseguiu dizer antes deles começarem a cantar, mesmo com todos ainda escandalizados.

Steve:

I wanna see your animal side

Let it all out

I wanna see the dirt

Under your skin

I need your broken promises

Steve e Peter:

I want the guts and glory baby, baby

This town is wasted and alone

But we are alive

Here in death valley

But don't take love off the table yet

Cause tonight

It's just fire alarms and losing you

Peter:

We love a lot

So we only lose a little

We are alive

I wanna see your animal side

Let it all out

Oh there you go; undress to impress

You can wear the crown but you're no princess

Steve e Peter:

So put the "D" in dirt now baby, baby

Let's get you wasted and alone

Cause we are alive

Here in death valley

But don't take love off the table yet

Cause tonight

It's just fire alarms and losing you

We love a lot

So we only lose a little

We are alive

Peter:

We're gonna die

It's just a matter of time

Hard times come

Good times go

Steve:

I'm either gone in an instant

Or here til the bitter end

I never know

Steve e Peter:

What I've got will make you feel more alive

I'll be your favorite drug I will get you high

I will get you high

We're still

We are alive

Here in death valley

But don't take love off the table yet

'Cause tonight

It's just fire alarms and losing you

We love a lot

So, we only lose a little

But we are alive (we are alive)

We are alive

Eles praticamente cuspiram cada palavra para Sam e ela as ouviu com um olhar frio e desafiador. Ao termino da apresentação pude tirar duas conclusões, a primeira de que eles eram uma dupla fantástica e a segunda, de que eles tinham dividido a mesma garota, Sam.

Steve e Peter fizeram uma referência exasperada para ela que os quase chutou. Receberam palmas perdidas dos ouvintes, muitos pareciam perdidos. Porém tinha alguém para explicar.

– Meu Deus, o que foi isso! Eu estou em choque. – Cami colocou a mão sobre o coração de maneira teatral. – Samantha, a senhora faz juiz a fama que tem. Pega os dois e de quebra os deixa pela primeira carne fresca exposta no açougue.

Senti uma grande antipatia por Camille. Ela não estava certa em julgar e expor Sam e nem a me referir como um pedaço de Carne.

– Ainda bem que estou pegando os amigos e não roubando namorado de amiga como você faz. – Sam rebateu, se referi a Marc. – Por isso, que eu digo. Nunca apresente um namorado para Camille ou ela pode roubar ele de você.

– Já que você diz isso... Agora não vou me sentir culpada em dizer, se quer um sexo fácil é só conseguir o número da Willy.

Somente as duas falavam. O público ainda estava catatônico com o choque inicial e agora tentavam absorver o de maior impacto que fora a apresentação, eu era um deles.

– Se as Srtas. não pararem de discutir e continuarem com esse palavreado passivo agressivo, terei que suspende-las. – A Sra. Underwood ameaçou querendo restaurar a ordem. – Os dois sentem-se, fizeram a lição errada e estão suspensos da próxima aula. – Ela falou para Steve e Peter.

Eles a obedeceram, mas antes receberam o apoio de Cami.

– Adorei a apresentação de vocês. – Falou dissimulada.

Eu lentamente soltei minha mão da de Sam. Se o que aqueles garotos sugeriram fosse verdade, eu estaria me envolvendo com uma pessoa extremamente ruim. Não tínhamos nada, porém o que já tínhamos poderia ser uma mentira ou uma brincadeira da parte dela. Minhas suspeitas aumentaram por ela nem ao menos fazer uma tentativa de defesa contra as suas acusações. Assumira o papel.

– Srtas. Bernads, a sua apresentação. – A professora chamou a atenção das duas.

Estranhei o sobrenome em comum, esteticamente falando não eram parecidas para serem da mesma família. Na realidade possuíam traços bem distintos. Joanne era morena com um cabelo afro bem destacado e olhos escuros, já Cami era loira, dos cabelos lisos e olhos azuis.

– Agora uma degustação da gente. – Joanne falou enquanto se dirigia para o centro. Ela e Cami usavam um roupão de seda preta. Não tinha reparado até então o sumiço do uniforme de torcida da loira.

Ficaram de costas ao público.

Cami:

First thing, first, I'm the realest (Realest)

Drop this and let the whole world feel it (Let them feel it)

And I'm still in the Murda Bizness

I can hold you down, like I'm givin' lessons in physics

(Right, right?)

You should want a bad bitch like this

Drop it low and pick it up just like this

Cup of Ace, cup of Goose, cup of Cris

High heels, something worth a half ticket on my wrist

Takin' all the liquor straight, never chase that

Rooftop like we bringin' '88 back

What?

Bring the hooks in, where the bass at?

Champagne spillin', you should taste that

Joanne também fazia a segunda voz. Continuaram viradas até o refrão, ao chegar nele se viraram e mostraram o que a seda negra escondia. Um vestido bem extravagante de plumas azuis. Que combinava com as duas, desde a pele de uma como os olhos da outra. Estavam de salto alto vermelho e eu também antes não havia percebido que estavam com um penteado mais formal e sofisticado do habitual.

Joanne:

I'm so fancy

You already know

I'm in the fastlane

From L. A. to Tokyo

I'm so fancy

Can't you taste this gold?

Remember my name

'Bout to blow

Cami:

I said, "Baby, I do this, I thought that you knew this"

Can't stand no haters and honest, the truth is

And my flow retarded, they speaked it, depart it

Swagger on super, I can't shop at no department

Better get my money on time

If they not money, decline

And swear I meant that there so much

That they give that line a rewind

So get my money on time

If they not money, decline

I just can't worry 'bout no haters

Gotta stay on my grind

Now tell me, who that, who that?

That do that, do that

Put that paper over all

I thought you knew that, knew that

I be the C-A-M-I, put my name in bold

I been workin', I'm up in here

With some change to throw

Joanne:

I'm so fancy

You already know

I'm in the fastlane

From L. A. to Tokyo

I'm so fancy

Can't you taste this gold?

Remember my name

'Bout to blow

Trashed the hotel

Let's get drunk on the mini bar

Make the phone call

Feels so good getting what I want

Yeah, keep on turning it up

Chadelier's swinging, we don't give a fuck

Film star, yeah, I'm deluxe

Classic, expensive, you don't get to touch

Cami:

Still stunting how you love that?

Got the whole world asking

How I does that

Hot girl hands off, don't touch that

Look at it, I bet you wished you could clutch that

It's just the way you like, huh?

You're so good, he's just wishing he could bite it, huh?

Never turn down money

Slaying these hoes

Gold trigger on like

Em alguns trechos Cami nitidamente desafiava Sam. Eu não entendi porque todos tinham tirado o dia para implicar com ela. Esta só suspirava ou tossia em resposta, deveria estar cansada do enfoque ou da fama, talvez não tão injusta.

A música mostrava a opulência de ambas personalidades. Pelo o que eu descobrira nos últimos dias, Joanne era bem rica e gostava de ostentar sua riqueza com suas joias nada discretas sobre o uniforme, pomposa como um pavão. Já Camille era o amor próprio, o quanto se enaltecia. O que o observei foi que a modéstia não lhe era muitas vezes companheira.

As saudações foram bem mais calorosas dessa vez, não possuía a tensão da anterior. Mesmo apático, eu aplaudi. A exceção fora Sam, ela fuzilava a loira e ainda não percebera o meu abandono de sua mão.

A Sra. Underwood chamou as garotas e fez sua observação técnicas sobre a apresentação, eu não prestei muita atenção no que era dito. Enquanto no resto da sala uma guerra fria havia sido estalada, Sam era os EUA e os dois garotos a URSS, percebi que Harry até então camuflado com os demais desempenhava o papel de Cuba. O olhar deles era o mais explicito possível em demonstrar o quanto queriam jogar bombas um no outro, menos Harry. Ele possuía uma expressão amarga e melancólica.

– Isso foi ridículo. – Beth falou para Sam.

Eu não sabia ao que se referia.

– Eles são uns. – Sam respondeu.

– Eu não acredito que estejam agindo assim, é tão imaturo e idiota.

– Agora eu sou a bruxa.

– Não, essa sou eu. Você é a vadia sem coração que quebrou o coração deles.

– Isso me deu uma ideia. Não vai sair tão bem como a que eu tinha pensado, mas cairá como uma luva.

– Já posso imaginar a canção e tem meu total apoio. – Beth falou. Às vezes, as garotas possuíam este estranho dom de se comunicar telepaticamente com a outra e fazendo com que os garotos não entendessem absolutamente nada.

Não disseram mais nada, permaneceram em silencio enquanto os demais falavam. Em minha pouca experiência escolar, de uma semana, pude perceber a divisões pelo St’Agnes em grupinhos, ou melhor, “panelinhas” como Sam se referia e os líderes, os mais populares. No coral não era diferente, os lideres eram Cami e Marc, decididos meramente pelo quesito de popularidade. Notei que duas pessoas ameaçavam a suas posições: Maggie e Yerik.

Yerik formara uma estranha amizade com Marc nesse curto período. Ele andava com o grupo dele, os caras consideráveis para o grupo da minha irmã. O búlgaro era simpático e conquistara a simpatia de todos, porém eu percebi o seu brilho de ambição e desgosto aos demais.

O caso de Maggie era mais explícito. A sua autoconfiança e controle bateu algumas vezes com a personalidade de Cami. Seria mais difícil para ela conseguir desbancar a rival, pois muito lhe nutriam antipatia, incluindo-me.

– Desafinou, né querida. – Falou para Cami, provocando-a.

Maggie estava com o uniforme perfeitamente alinhado e passado. Os cabelos parcialmente preso com os próprios fios cor de bronze. Um colar azul turquesa com detalhes dourado pendiam pelo pescoço. Apesar de todos os seus defeitos, ela era naturalmente elegante e graciosa, lembrando vagamente a Srta. Margot.

A Sra. Underwood estava entretida com Marc, que com certeza reclamava do seu personagem para a audição na peça escolar, e não notara o princípio de confusão.

– Mas ainda melhor que você. – Cami lhe esboçou um falso sorriso.

– Deveria treinar mais. – Aconselhou.

– E você ficar calada.

– Não está acostumada com críticas? Então, querida, nunca vai melhorar. Como já pode ser percebido. Deve ser por isso, que vocês não conseguiram alcançar nem a quinta colocação no campeonato nacional.

O coral da escola competia em um campeonato nacional de corais todos os anos há muito tempo. Sempre mantivera uma posição considerável no ranking dos melhores, era o que a administração cobrava. O oitavo lugar no ano anterior fora vergonhoso, a colocação mais baixa dos últimos vinte e três anos. Muitos nem gostavam de tocar no assunto e para uma pessoa orgulhosa como Camille era um tópico delicado. O motivo daquele fracasso, segundo as más línguas foi uma disputa de autoridade entre a professora e a turma já formada

– Eu não era a solista e nem estava no dueto!

– Menos mal, se não, a humilhação seria ainda pior. – Maggie a atiçou.

Cami soltou uma gargalhada forçada.

– Quer me provocar? Vai ter que fazer melhor. Enquanto está começando já estou pronta. Querida. – A imitou. – Ainda é muito principiante tem muito que aprender antes de bater de frente. – Camille lhe respondeu.

– Posso ser principiante, porém já demonstro superioridade sobre você. – Rebateu.

A loira sorriu.

– Ela não é engraçada? – Cami falava com a voz mais fina, estava irritadíssima, com Zach que estava ao seu lado.

Zach preferiu apenas balançar a cabeça de maneira indecifrável, incompreensível em saber se era um “sim” ou um “não”.

– Vou dar na cara dela. – A loira avisou com um sorriso esplêndido no rosto se levantando.

O moreno já com anos de convivência com ela, se precipitou a detendo antes de avançar em Maggie. Esta apenas a olhou com desprezo.

– Detesto gente que não sabe conversar. – Falou debochada e sorrindo, apesar de ter se afastado um pouco.

Joanne notara a confusão e também acompanhou o irmão em deter Cami, tentando distraí-la puxando assunto.

– Não pensei que o Coral seria tão interessante. – Um sotaque búlgaro assustou-me.

– E eu que não teria pessoas tão desagradáveis.

Antes sentado, me levantei e caminhei para uma das extremidades da sala querendo ficar longe de Yerik. No entanto, ele me seguiu se posicionando ao meu lado.

– Concordo. Não esperava pessoas tão depravadas.

Enruguei a testa.

– Tipo a quem?

– Sua namorada.

– Sam não é minha namorada.

– O que é ela então?

Nesse momento lembrei-me que devia ignorá-lo e assim o fiz.

– Me responde. – Pediu.

E em resposta voltei a me afastar. Dessa vez fui para perto de Abigail e Charlie.

– Homens são ridículos – Essa frase dita por Charlie quase me fez recuar.

Ela estava longe dos modelos padrões femininos. Os cabelos eram o seu charme, denso, ondulado, comprido e escuro como a noite. Não possuía nenhum indicio de maquiagem na face, por sorte dela, também não precisava pela qualidade da pele.

– Nem todos. – A meiga Abi tentava defender minha parcela da raça humana.

– São sim. Todos muito sexistas e metidos a dono da moral e bons costumes.

– Muitos são bem fofinhos.

– Só porque querem te comer e depois te largar. – Foi direta.

– Não diga isso. – Abi não parecia tão chocada como sua fala.

Ela estava bem acima do peso, porém seu corpo ficava belo e a cintura valorizada com o caimento estratégico da roupa. Desta vez, o cabelo estava com uma faixa de bolinhas marrons no fundo rosa, combinava com o tom dos seus olhos.

– Só digo a verdade.

– Sra. Underwood! – Sam a chamou em tom elevado. Já estava perto do término da aula.

Muitos que estavam entretidos em conversas paralelas falando sobre os últimos ocorridos, voltaram a prestar atenção nela.

– Sim, Srta. Willy?

– Gostaria de apresentar a tarefa da semana, agora de preferência. – Falou decidida, estava com um brilho desafiador nos olhos.

– O palco é todo seu. – A mulher fez um gesto de expansão com os braços, mesmo que não houvesse palco algum ali.

Sam tomou a mesma posição dos antecessores.

– Se falam que eu sou uma vadia, então serei uma vadia. — Falou firme e começou a cantar.


Rule number one, is that you gotta have fun

But baby when you're done, you gotta be the first to run

Rule number two, just don't get attached to

Somebody you could lose

So le-le-let me tell you

This is how to be a heartbreaker

Boys they like a little danger

We'll get him falling for a stranger

A player, singing lo-lo-love you

How to be a heartbreaker

Boys they like the look of danger

We'll get him falling for a stranger

A player, singing lo-lo-love you

At least I think I do

Cause I lo-lo-love you

Rule number three, wear your heart on your cheek

But never run your sleeve

Unless you wanna taste defeat

Rule number four, gotta be looking pure

Kissing goodbye at the door, and leave him wanting more

This is how to be a heartbreaker

Boys they like a little danger

We'll get him falling for a stranger

A player, singing lo-lo-love you

How to be a heartbreaker

Boys they like the look of danger

We'll get him falling for a stranger

A player, singing lo-lo-love you

At least I think I do

Cause I lo-lo-love you

Girls, we do, whatever it will take

Cause girls don't want

We don't want our hearts to break in two

So it's better to be fake

Can't risk losing love again babe

This is how to be a heartbreaker

Boys they like a little danger

We'll get him falling for a stranger

A player, singing lo-lo-love you

How to be a heartbreaker

Boys they like the look of danger

We'll get him falling for a stranger

A player, singing lo-lo-love you

Cause I lo-lo-love you

At least I think I do


A palavra que melhor poderia definir a última apresentação era empolgante, para dizer o melhor. Sam se libertara do blazer e depois da gravata durante um dos refrãos. Como a letra exaltava ser uma destruidora de corações, ela não poupou esforços para provocar Steve e Peter, que a acusava disso.

No fim, sobrara até pra mim. Nós últimos versos, ela caminhou até a minha frente e me encarou até terminar. Não sabia se era uma provocação ou um desafio para saber meu posicionamento sobre toda a situação, eu deveria ter me importado mais, só que outro problema me afligia. A única coisa que senti foi um desconforto.

Foi a apresentação menos acalorada do dia, apenas Beth, Abigail, Charlotte, Sra. Underwood e eu aplaudimos. Os outros se abstiveram por terem tomado partido dos dois.

Não compreendi o porquê da Oliveter se posicionado assim, pois até então era a melhor amiga. A séria tentava se manter com uma impressão mais impassível possível, mas falhava, possuía um toque de desgosto. Outro que me surpreendera fora Harry, também muito amigo de Sam, continuava amargurado. Supus que aplaudiria por sua educação, porém também não o fez.

O clima se manteve tenso até depois da aula e como antes era uma guerra fria. Não quis prolongar minha estadia por lá além do necessário. Sabia que Sam precisaria de minha companhia, mas eu não tinha cabeça para isso e também estava conflituoso em entender tudo aquilo. Sai da sala na esperança de encontrar meu quarto e na cama conseguir uma iluminação e conforto, no entanto, fui impedido por dois pares de mãos com unhas afiadas.

Lucy e Mirna me arrastaram pelo corredor até um canto mais discreto do corredor perto de uma janela com vista para os terrenos leste. Elas usavam o uniforme tradicional da torcida da escola e os cabelos ruivos estavam presos.

– Você sabe o que está acontecendo com Vick? – Uma delas me perguntou, supus que fosse Mirna. Essa era mais incisiva, como o tom indicava, do que a irmã.

Ambas compartilhavam o semblante preocupado.

– Desculpe-me, mas acho que sou a última pessoa que saberia o motivo.

– Esteve com ela mais cedo.

– E ela deixou certas coisas bem claras e o motivo do seu estado atual não foi uma delas.

– O mais estranho é que ela nos conta tudo, mas dessa vez ela se omiti. – Mirna transparecia sua indignação.

– Queria a ajuda dela em relação a minha menstruação desregulada. – Lucy falou aleatoriamente causando surpresa na irmã.

– Como assim? – Aumentou o tom.

– Estou atrasada.

– Por que não me contou?

– Porque Vick falou que me ajudaria.

– Eu sou sua irmã.

– Eu sei.

– Devia ter me contato. Eu que poderia ter lhe ajudado.

– Sim.

– Concorda?

– Não.

– Por que, falou sim?

– Quem falou sim?

– Você, Lucy idiota! – Mirna se exaltou.

As duas discutiam como se eu não tivesse ali, eu desejava não estar. Mudaram drasticamente o assunto. Pensei em escapulir pela francesa, porém um movimento poderia lhes chamar a atenção.

Lucy era diferente de Mirna, possuía um pensamento distante, junto com a inteligência. Toda a sagacidade que uma apresentava na outra faltava. Queria saber como Beth explicaria esse fenômeno nas personalidades dos gêmeos, já que sua percepção era baseada na astrologia.

– Está gravida! – Mirna não perguntava, acusava.

– Quem?

– Você!

– Ahh... Sim.

– Está gravida mesmo?

– Não! – Lucy ficou ofendida.

– Mas você acabou de confirmar.

– Não. Não estou gravida. Vick e eu compramos os testes e todos deram negativo.

– Menos mal.

– Vou indo. – Interferi pela primeira vez. Almejava meu quarto.

– Não pode ir. – Elas me detiveram.

– Não tenho como ajudá-las.

– Está bravo com ela? – Voltaram a indagar juntas.

Não respondi com palavras, apenas com o olhar.

– Olha, Blake. – Lucy pegou minha mão. – Vick pode ser muito... Não sei qual é a melhor palavra para descrevê-la, porém sei que ela gosta muito de ti.

Ela sorria e era sincero.

– Não parece. – Falei fraco.

Não choraria, não mais. Bons garotos não choram, sempre fui lembrado por meu pai com esse conselho. Outrora Emy também dizia. Outro motivo para não chorar era a pessoa em si que não merecia.

– Ela tem o jeito dela, assim como tenho o meu. Ter irmãos mais novos é complicado... – Mirna falou. – Um complicado bom. – Completou.

– Percebi o quão complicado ao sentir o sabor do suco escorrer nos meus lábios. – Deixei escapar.

– Eu sinto muito. – Lucy pareceu sincera.

– Apesar de tudo, gostamos de você. – Mirna completou.

– Quando descobrirem, por favor, me contem a aflição de Vick. – Falei me afastando, já arrependido do pedido. Vick não merecia minha atenção.

– Mandaremos Sam te avisar.

Caminhava em direção aos dormitórios com os pensamentos perdidos quando esbarrei em alguém.

– Cuidado. – O garoto falou aborrecido.

Era Mikael, um loiro de olhos azuis quase violeta e um tanto manco.

– Desculpe-me. – Falei solicito.

– Maltratando os deficientes? – Escutei uma voz desconhecida atrás de mim.

– Não, foi sem querer. – Me virei e vi que era Alex e estava acompanhado, por Maggie.

Sorri para ele, parecia mais leve de quando mais cedo.

– Acredito, mas ainda culpado.

– Culpe a confusão em minha mente.

– Ou a sua falta de espaço comum. – Maggie intrometeu-se.

– Também. – Não quis parecer antissocial.

Só percebi Mikael se afastar quando resmungou alguma coisa que parecia ser uma concordância, perto de Maggie.

– Parece estranho. Está incomodado com alguma coisa? – Ele me perguntou.

– Não, nada. – Menti.

– Mentiroso. Está assim porque soube que a namorada é uma safada. – Maggie falou ardilosamente.

Tentei decidir se optaria pela opção de quase total engano dela ou inventaria outro argumento. A verdade estava fora de suposição.

– Pois é. – Concedi.

– Está namorando? – Alex perguntou desconfiado.

– Não, eu acho...

– Então não deveria estar chateado. – Rebateu.

– Não é assim que funcionamos, não é mesmo? – Indagou Maggie.

– Sim.

Aquela garota parecia tão traiçoeira que imaginei que qualquer discordância de suas opiniões poderia gerar uma calunia contra você, gerada por ela.

Eles eram uma combinação interessante, de personalidades ariscas se realmente formassem um casal como parecia seriam muito mais perigoso. Quase que como uma leitura dos meus pensamentos, ele pegou nas mãos dela.

– Passar bem. – Se despediu, mas não antes de me dar uma intensa e penetrante olhada. Parecia querer enxergar um além do que meu corpo apresentava, minha alma ou algo assim, isso causou-me constrangimento.

– Até mais ver. – Maggie também se despediu.

– Até. – Falei enquanto eles me davam as costas e partiam.

Estava prestes a tomar as escadas quando escutei barulhos vindos de onde deveria ser uma sala vazia. Era uma voz feminina, um pouco alterada pelo choro.

– Por favor, me desculpe. – Pedia.

A porta da sala estava semiaberta, de modo que pouco se via do interior. Notei que os envolvidos eram conhecidos, Sam e Harry. Ele segurava um violão entre os braços enquanto ela andava de um lado para outro.

– Não precisa se desculpar. – Harry falou. – Já se passou o tempo para isso.

– Harry, eu estou tentando me desculpar por eu ter lhe feito pensar nisso. Nunca lhe dei esperanças. Não existia uma relação.

– Você sempre soube que te gostava. E não pensou muito no rumo que suas ações e como elas me afetariam. – Seu tom era amargo.

– Deveria ter parado de criar ilusões, situações e suposições. – Sam tossiu.

– Você ficou com os meus melhores amigos ao mesmo tempo em que ficou comigo!

– Já falei que não tive nada com nenhum deles. Por que deveria ser mais discreta?

– Mas ainda assim, amigos.

– Quer que eu faça o que? Implorar de joelhos e ser condenada como uma cretina? Vocês garotos vivem fazendo isso, por que sou diferente?

– Você sabe que eu jamais iria querer uma coisa dessas pra ti. Por mais raiva que eu tenha... Eu...

– O que?

– Eu... eu.

Sam fez uma expressão questionadora para que ele continuasse com o que queria dizer.

– Eu te amo. – Completou.

Eu estava atrás da porta, em uma posição de possível visão para o interior onde eles estavam e ruim para eles me enxergarem pelo lado de dentro. Não me espantei com a expressão de choque de Sam, descobrir que magoara uma pessoa que dizia te amar, por tão pouco, era difícil.

– Tem certeza sobre os seus sentimentos? – Sam voltara a tossir.

– Sim, desde a metade do segundo ano.

– Muito tempo já. Isso faz com que eu me sinta ainda mais pior. – Limpou os olhos, o fluxo de lagrimas aumentara.

– Me entristece saber de sua tristeza, mas no fundo fico um pouco satisfeito, pois sente um pouco do que eu sinto.

– Eu só quero...

– O momento para isso já passou. Vou fazer logo aquilo que te prometi fazer quando te trouxe pra cá. – Ele segurou o violão com mais firmeza e o colocando em posição. – Não iria amar todo aquele circo como Steve e Peter, somos amigos e sentimos a mesma coisa. Porém, nos comportamos diferente. Não nos exporia.

I'm holding on your rope

Got me ten feet off the ground

And I'm hearing what you say

But I just can't make a sound

You tell me that you need me

Then you go and cut me down, but wait

You tell me that you're sorry

Didn't think I'd turn around, and say

That it's too late to apologize, it's too late

I said it's too late to apologize

It's too late

I'd take another chance, take a fall

Take a shot for you

And I need you like a heart needs a beat

But it's nothing new — yeah

I loved you with a fire red

Now it's turning blue, and you say

I'm sorry like an angel

Heaven let me think was you

But I'm afraid

It's too late to apologize, it's too late

I said it's too late to apologize

It's too late

It's too late to apologize, it's too late

I said it's too late to apologize

It's too late

I said it's too late to apologize, yeah

I said it's too late to apologize, yeah

I'm holding on your rope, got me ten feet off

The ground

Sua voz era rouca e muito melodiosa, com uma música com tal letra fica ainda mais tocante. O uso constante de uma frase anterior tinha sido uma previa do que viria com a canção: é muito tarde para se desculpar.

Sem sabem como reagir, Sam apenas o abraçou. Ele segurou uma lágrima, mas falhou e ela escorreu pela face. A caricia não durou muito tempo, pois este se desvencilhou dela e partiu correndo pela porta que me escondia, surpreendendo-me.

Quando Harry passou desembestado pela porta me derrubou no processo e a bateu no meu nariz. Mais do que apressado nem me viu e desaparecer.

– Blake! – Sam soou histérica ao me avistar.

– Sam. – Me levantei. Meu nariz latejava e deveria estar vermelho.

– O que fazia aqui?

– Estava só de passagem.

– Atrás da porta? Estava escutando atrás dela? — Não respondi, no entanto, abnegar era muitas vezes como consentir e ela interpretou assim. — O que você escutou?

– Praticamente tudo.

– E agora me julga como os outros?

– Não. Por que faria isso?

– Todos fazem e você já fez isso hoje. Senti largar a minha mão. – Esclareceu.

– Larguei sua mão por outro motivo. – Contei meia verdade.

– Por qual motivo? Gostaria de saber...

– Minha irmã.

– Ela de novo. O que está pensando de mim?

– O que eu deveria pensar?

– Eu não queria ter gerado toda a situação, porém sei que é toda minha culpa por ser uma cretina.

– Não foi intencional fazê-los sofrer ou foi?

– Não.

– Então não tenho motivo para lhe pensar mal.

Ela esboçou um dos sorrisos mais bonitos que eu já vi na vida e seus olhos se iluminaram como uma lareira em um dia de frio rigoroso.

– Você é muito bom, sabia? – Sam simplesmente me abraçou.

– Não sou.

– É sim. E quer saber a minha história com eles?

– Adoraria.

Sam me levou para dentro da sala e nos acomodamos em um par de carteiras. Ela contou que desde o primeiro ano Steve e Peter davam querer ficar consigo e sempre os rejeitava pela imaturidade. Somente no final do segundo é que ficou primeiro com Steve em uma festa e numa outra no mesmo final de semana com Peter, alegou estar meio bêbada em ambas ocasiões.

Desde então acabou ficando com ambos esporadicamente, nunca chegou a prometer namoro ou fidelidade para nenhum dos dois, apesar de Peter já ter feito em alguns momentos.

Sua relação com Harry já fora diferente, o primeiro passo veio dela. Sentiu uma atração por ele, já tinha uma leve ciência da dele, pois ele a encarava com muita frequência. Aproveitando-se na oportunidade em que faziam um trabalho em dupla, o beijou pela primeira vez. Isso fora há nove meses atrás, no meio do seu terceiro ano.

Ela ficou todo esse tempo com os três em segredo, eles compartilhavam de uma amizade que esta não desejava quebrar. Descobriram o par em comum quando Peter e Steve ficaram muito enciumados com a nossa relação e desabafaram um com o outro, descobrindo o par em comum. Senti um pouco culpado, a situação poderia ter sido melhor resolvida se eu não a tivesse beijado.

Ao terminar o relato foi perceptível a sua sensação de alivio. A puxei para próximo e lhe acolhi em um abraço, nossas mãos se roçavam em uma dança lenta e sua cabeça apoiava-se no meu ombro.

– Gostaria de saber o que Olive tem a ver com isso tudo? – Lhe perguntei, no relato anterior nem chegara a mencionar a antiga amiga.

– Oli é ciumenta, estava com um pouco de birra contra Beth e depois descobri que tinha uma queda por Harry. Ela juntou tudo e tomou seu partido contra mim. – Tossiu.

– Isso você não podia controlar, era além de suas vontades.

– Estou queimando no inferno pessoal que criei. – Sam lamentou.

– É passageiro e eu estarei ao seu lado.

Ela sorriu com a última frase, um sorriso discreto e doce. O aroma do seu cabelo me invadia as narinas, era uma fragrância com cheiro de chocolate. Diferente da corporal, canela.

Permanecemos por lá durante algum tempo até que ela decidiu partir. Antes que passasse pelo batente, segurei o seu braço e a puxei para um beijo, achei que ela precisasse de um.

O beijo fora molhado, pois seu rosto ainda estava assim. O sabor dos seus lábios permanecia sendo canela e continuava bom. Decidi que essa especiaria se tornaria o meu segundo gosto preferido, corrigindo o primeiro. Eu havia pensado em outro como o primeiro, só que sabiamente o ignorei. Ainda inexperiente, acompanhei os movimentos da dança que nossas línguas vaziam. Sam era uma eximiu dançarina nesse quesito.

Ao nos separarmos eu já estava com vontade de retornar aos seus lábios, porém Sam partiu. Logo em seguida também o fiz.

Desta vez nada me impediu de chegar ao dormitório e encontrar meu desagradável companheiro de quarto. Ele estava com uma toalha envolvida na parte inferior do corpo, protegendo a visão de sua intimidade enquanto procurava por suas roupas. Ao me ver sorriu, lhe lancei um olhar desagradável. Yerik sabia o que eu achava de nudez pelo quarto.

Seu corpo era definido pelo esporte com significância nos ombros. Eles eram belos e com sardas que iam um pouco para costas, apesar do bronzeado sutil comparado comigo. No baixo ventre possuía um pouco de pelos acastanhado escuro. O cabelo estava molhado, bem escuro e bagunçado.

– Onde estava? – Me perguntou.

Balancei o ombro em reposta. Estava próximo do fim do horário de jantar e eu estava faminto, a carga emocional do dia fora grande e precisava relaxar, por isso apressei-me.

– Como ela está? – Perguntou mais sério.

– Infeliz porque eu vivo.

Desta vez, eu conseguira impressiona-lo. Ele ficou boquiaberto, não sabia o que dizer, fez menção, no entanto, nada emitiu.

– Com licença. – O afastei pelo ombro, ele havia se aproximado e sua posição me impedia de chegar até a porta.

Quando estava quase saindo me chamou.

– Blake.

Me virei para encara-lo.

– Tem alguma coisa que eu possa fazer? – Seu olhar parecia ter comoção, porém eu já aprendera a sua falsidade.

– Não. Mas se mantendo longe pode ser um começo. – Voltei a caminhar.

Lancei um último relance pelo cômodo antes de fechar a porta e pude ver quando a toalha dele caiu, por isso que não gostava de brincar com nudez. Por sorte, ele estava de costa a mim e só pude ver suas nadegas. Elas eram mais brancas que o corpo e na da direita possuía um sinal no formato de um país que eu não lembrei na ocasião. Minha face ficou fogueada e bati a porta com força na rápida fuga pelo corredor, evitando ver mais alguma coisa indevida.

Naquele horário o refeitório já se encontrava praticamente vazio. Meia dúzia de alunos atrasados já terminavam suas refeições, um desses era Vick e ela estava sozinha. Tinha uma expressão abatida, distante e ligeiramente ansiosa. Não esboço qualquer reação ao me ver.

Me servi de uma quantidade de comida que depois considerei exagerada, causando-me culpa, e comi sozinho.

Um a um, os alunos foram saindo nos deixando sós. Somente tinha dois quando Vick abruptamente se levantou da mesa e correu para o banheiro. Eu não devia me preocupar, porém fiquei alarmado, chegando até a me levantar e vê-la entrar no banheiro.

Quando terminei de comer ninguém mais me fazia “companhia” e Vick ainda não saíra. Justifiquei como sendo curiosidade e não preocupação. Caminhei até o lavabo feminino e parei na frente da porta. Não ia fazer como antes, me esganiçar, ser ignorado e vencer pela insistência.

Sem delongas ou cerimonias invadi o ambiente feminino e vi o que julguei que seria o impossível. Na frente do espelho minha irmã chorava compulsivamente segurando um bastão pequeno, ao seu lado estava Camille que a abraçava, consolando-a.

– O que vai ser da minha vida? – Minha irmã falou.

Elas ainda não tinham me visto.

– Pra tudo nós damos um jeito. – Cami a consolava.

No passado, ambas tinham sido muito próximas, como irmãs. Mesmo que com a quebra da relação, pelo visto, o sentimento de fraternidade permanecia superior as diversidades. O motivo deveria ter sido grave para conseguir isso, deixando-me mais alarmado.

– Estou acamada. – Limpou o nariz.

– Já sabe o que tem que fazer. – Cami limpou o seu rosto.

– Sei. – Ela sussurrou.

– Vick, o que está acontecendo? – Tomei coragem de dizer.

Ela virou e me encarou, estava antes tão distraída que nem vira o meu reflexo no espelho. Seu olhar possuía decisão. Cogitei escutar novamente palavras de insultos, mas o que veio foi diferente disso.

– Eu estou gravida e não vou ter esse feto.

Como se tivesse sido eletrizado, uma corrente percorreu meu corpo causando-me arrepio. Arquei bem a sobrancelha e deixei os lábios se entreabrirem surpresos.

Sabia que naquele momento Vick precisaria mais de mim do que nunca. Apesar do desalento recente, não a podia deixar só. Fiz me chegar à conclusão que o surto era pelos hormônios e não por um acumulo de ressentimentos durante os anos.

Queria uma justificava para as palavras ditas outrora e aquela era cabível. Quando não queremos enxergar a verdade e seguir em frente, procuramos por isso. Eu o fiz isso, me convenci que o motivo do surto no vestiário era pelos sentimentos tempestuosos da gravidez. Porém nunca mais me esqueceria de palavras tão duras. Seguir em frente é diferente de esquecer.

Notas finais
Amo Fancy, faço a diva com essa música na escola. Reviews? Consideração: Super apoio a causa feminista, se fosse uma mulher diria com todas as letras: sou feminista. Nome do próximo cap. : Os Miseráveis. Obrigado a todos. Qualquer duvida ou falar com personagem: http://ask.fm/BjsInimig Aceito sugestões de musica. Bolinho e Dreyar obrigado pela ajuda.