Tempestuoso

28 Preces ao Diabo


Notas iniciais
Pessoal, esse capítulo estava quase pronto dois dias após eu ter postado o último, esperei uma semana para voltara escrever e finalizar. BOOOM. Notebook R.I.P. filha da puta viciado em bateria. Estava tentando escrever pelo celular, mas estava impossivel pela forma desorganizada/organizada que tinha feito o capitulo até então. Para não ficar muito tempo sem postar, vim na minha antiga faculdade usar dos computadores "públicos" disponíveis. Peço desculpas, pela demora e compreensão. Vou tentar escrever pela facul agora. Não betado. I say a Little Pray - Aretha Franklin Sanctify - Years&Years Devil's Backbone - The Civil Wars Take me Church - Hozier Devil Pray - Madonna

A semana que se sucedeu após eu me arranhar foi uma das mais solitárias da minha vida, até o Mick estava evitando, nem durante o meu luto por Sam e meus meses de reclusão havia ficado tão distante de todos. Não conseguia ficar no mesmo ambiente que Louis, por isso, fiquei sem conversar com as garotas, que pareciam ter se tornado as melhores amigas de infância dele, eu não podia condená-las, sua companhia parecia, de longe, mais agradável que a minha. A pessoa mais difícil de evitar era o meu colega de quarto por motivos óbvios, Yerik e eu tínhamos construído uma bela relação nos últimos meses, havia se tornado uma das pessoas que eu mais confiava, deixava-me confortável, mas saber de tudo sobre o seu caso de verão, me fez reconsiderar tudo o que sentia por ele. Não fazia sentido para mim, alguém dizer me amar e transar com outra pessoa, não fazia o menor sentido.

Quando eu saí do banheiro, após vomitar todo meu jantar, ele já estava dormindo, quando acordei no outro dia já tinha saído e foi assim pelo restante dos dias, um evitando o outro. Teve momentos em que era inevitável a nossa convivência no mesmo ambiente acordado, nesse caso, agíamos como se o outro fosse invisível. Sua também indiferença, magoava-me ainda mais, eu tinha o direito de evitá-lo, ele não, não parecia haver interesse em resgatar nossa promissora amizade.

Ninguém pareceu se importa o suficiente para me perguntar o que aconteceu com o meu rosto, a não ser por uma das Irmãs que ficou assustada com o arranhado com casca de ferida, perguntando até se eu tinha brigado com alguém, justifiquei que eu me arranhara dormindo, ela não pareceu acreditar nessa meia verdade, mas também não insistiu em saber a verdade. Eu provavelmente ficaria com cicatrizes, mas eu não me importava, na realidade estava começando a me importar cada vez menos com as coisas. Continuei com minhas rotinas de exercícios e relatórios da natação, não podia fraquejar com isso ou as coisas poderiam sair do zero conforto para o absoluto negativo, por isso, corria todos os dias à tarde, sozinho, isso quase me dava mais motivação. A dieta continuava intragável, mas também agora, mal conseguia segurar a comida no meu estomago, toda vez que comia, em menos de meia hora, vomitava. Eu sabia que isso viria a se tornar muito problemático no futuro, mas evitava pensar nisso pois percebia surtir efeito no meu emagrecimento, ou seja, era algo positivo a curto prazo.

— Eu também não fico de bom humor com essa dieta. – Abigail foi a primeira pessoa a falar diretamente comigo sem ser um cumprimento automático do dia-a-dia em muito tempo.

Eu havia sido o primeiro a chegar na sala do coral naquele dia e pelo visto, ela tinha sido a segunda. Estava perdido em meus pensamentos quando fui abordado e no mínimo deveria estar com uma expressão emburrada.

— Eu simplesmente odeio. – Suspirei, soando mais cansado, do que simpático como queria.

Poderia evitar as pessoas, mas não as destratava.

— A Irmã Nancy é simplesmente a pior coisa que aconteceu desde o cancelamento de Glee. – Falou sorrindo.

Não conhecia muito sobre Abigail, não éramos próximos, sabia que ela era muito amiga de Charli e Jessie. Um ano mais velha, que estava no mesmo programa de emagrecimento que o meu, só que no caso dela, só entrou pela aprovação da norma para escola toda e não pelo pedido dos seus pais.

— Você está bem? – Perguntou-me.

— Só um pouco cheio de tudo. – Desabafei.

— Sinto muito. – Ela falou mordendo a bochecha internamente consequentemente fazendo uma careta. – Afastar os amigos não é uma boa estratégia. – Comentou, enruguei o rosto. – E nem arranhar o rosto. – Apontou para mim.

Pelo visto, as pessoas não tinham não reparado, apenas não tinham comentado sobre.

— Não me arranhei. – Falei baixo, eu não era muito bom em mentir.

— Tudo bem. – Seu olhar era gentil, instigava-me a falar ao menos tempo que transparecia a total tranquilidade caso eu não falasse nada.

Ficamos minutos em silencio, o silencio deixou-me ansioso para lhe compartilhar a verdade.

— Não sei porque fiz isso. – Confessei, sempre atento a porta da sala para caso alguém chegasse. – Mas ajudou na hora. – Sentir um peso esvair-me, era bom conversar com alguém de verdade depois de tanto tempo.

— Sei como é, todo mundo sempre está enfrentando alguma batalha internamente. – Eu não conseguia entender o porquê daquela conversa, fiquei um pouco desconfiado sobre as suas motivações.

— Desculpa a pergunta, mas porque está falando comigo?

— Bom... – Ela ficou pensativa. – Eu sou gorda e não existem muitas pessoas acima do peso por aqui, e que estejam passando por essa ditatura do peso, achei que seria legal conversar com alguém, ainda mais alguém que aparentemente não está bem e sozinho.

— Caridade?

— Só se for sua comigo. – Sorriu. – Não faço isso para parecer legal, faço porque quero, gentileza gera gentileza.

Antes que eu pudesse falar alguma coisa, um grande grupo de alunos chegaram, incluindo os amigos de Abigail, que logo lhe fizeram companhia. Fiquei novamente sozinho, pensando no que ela falara, eu ultimamente estava perdendo a fé na generosidade das pessoas, talvez ela fosse um exemplo de que nem tudo está perdido. Pensei em Deus, sentia me distante dele desde a morte de Sam, nem as missas estava frequentando mais, talvez meus problemas tivessem vontade nessa descrença.

— Pensando em mim? – Maggie perguntou ao sentar-se ao meu lado, assustando-me.

— Não, só em bobagem. – Respondi.

— Está sumido a semana inteira, ficamos um pouco preocupada, mas Louis falou que talvez você estivesse ficando doente, contou que passou mal em um jantar na semana passada e também o seu rosto...

— É tipo isso. – Soei vago, o nome do Louis deixava-me irritado e não queria falar sobre a autoagressão.

— E o que aconteceu com o seu rosto? – Ela estava desconfiada.

— Me arranhei em um pesadelo com a minha mãe. – Utilizei-me de um dos assuntos mais delicados da minha vida para cortar a conversa, não me orgulhei dessa atitude.

Mas foi eficiente, a resposta deixou-lhe desconfortável o suficiente para ficara calada.

— Como foi a semana? – Perguntei.

— Os ensaios estão me estressando, um casting extremamente não profissional. – Tagarelou como se eu não tivesse acabado de falar da morte da minha mãe, mas ela era assim quando o assunto se tratava dos seus projetos “profissionais”. – Meu Deus! Eu quero morrer com as cenas com o Louis, ele é muito chato e olha que eu sou chata, existe um grande estrelismo. Porém, adoro aquela bichinha. — Revirei os olhos, quase havia me animado quando começara a falar mal dele. – Você não gosta dele, não é.

— Nada contra. – Sorri falsamente.

— E nada a favor também. – Maggie arqueou uma sobrancelha sorrindo.

— Digamos que eu prefiro a sua presença o mais distante possível da minha.

Maggie gargalhou.

— Isso é por causa das insinuações sobre a sua sexualidade ou a forma que ele fala de Yerik? – Perguntou afiada.

— NENHUMA DAS DUAS! – Falei indignado, vermelho.

— Por que você e Yerik se afastaram?

Não lhe respondi, aproveitei que a Sra. Underwood adentrou a sala para prestar atenção nela e ignorar minha amiga, atrás da professora também entraram o restante das minhas amigas, Yerik, Louis e sua prima.

— Meus queridos, tenho algumas notícias para lhes informar, elas podem ser um tanto agridoces. – A Sra. Underwood começou a falar, esperando todos se acomodarem. – Finalmente, a nossa excelentíssima diretora olhou para o nosso clube e decidiu fazer algumas intervenções em nossa liberdade musical.

— Como assim? – Marc perguntou irritado.

— Ela agora tem total controle criativo na nossa seleção de músicas e dinâmicas semanais....

— Não acredito que teremos que cantar cânticos católico! – Camille falou.

— Não acho que será bem isso. – Sra. Underwood continuou. – Mas acredito que não teremos a mesma liberdade de antes. Eu sei que escolheram esse espaço justamente para poderem expressar-se, que o intuito é justamente esse, porém será um pouco mais complicado, mas daremos um jeito de permanecermos juntos e o mais autêntico possível. Por isso, peço que ninguém deixe o coral neste momento.

Para qualquer pessoa, era possível identificar a sinceridade no seu pedido, creio que nada seria pior para ela, depois de perder todo o controle daquilo que ama, do que, perder seus alunos.

Todos ficaram em silêncio, deveriam estar refletindo sobre o assunto.

— Mas caso, alguém queira sair, eu entenderia completamente. – Ela completou receosa, encarando todos a espera de alguma desistência.

Eu não iria sair, o que seria mais um lugar sendo controlado pela Irmã Nancy, se até o meu corpo era praticamente controlado por ela, outra razão, era que o Coral, era o único lugar que me sentia bem nos dias ruins e mais leve para continuar, nada era mais prazeroso, do que, cantar e me apresentar.

— Não vamos abandonar o barco. – Marc falou.

Ele tinha a mania de tomar a frente do grupo, deveria ser esse espírito de capitão da equipe de futebol também aqui, não que houvesse alguma competição pela liderança masculina do Coral. Meu convívio e atenção a sua pessoa tinha diminuído drasticamente naquele ano, devido principalmente ao seu afastamento dos seus dois brinquedinhos favoritos, Camille e Vick. Eles não pareciam brigados, mas distantes, quase como se seguissem em frente.

— Se quiserem sair, não tem problema. – A Sra. Underwood suspirou, encarando novamente cada um dos alunos, a espera de alguma desistência, ninguém pareceu ceder. – Fico feliz que ninguém queira sair agora, mas saibam que essa porta sempre estará aberta, caso não se sintam mais confortáveis aqui.

Todos permanecerem do jeito que estavam, o grupo não parecia ser carinhoso ou íntimo, mas pelo menos, era unido.

— E as distritais? – Maggie perguntou, mudando um pouco do assunto e quebrando a tensão do ambiente.

— Ótimo tópico, bom.... Teremos que nos apresentar na festa de Halloween a apresentação das distritais.

Não sei o que me surpreendeu mais, se ter uma festa de halloween ou ter que se apresentar nela. No último ano, não havia acontecido a festa devido a uma punição das bebidas na primeira festa escolar e por consequência, as subsequentes haviam sido canceladas. Agora, com o comando de ferro da Irmã Nancy, pensei que cancelaria a festa pagã e quaisquer eventos que oferecessem felicidade aos seus alunos.

— Vai ter festa de Halloween? – Camille perguntou desconfiada.

— Sim, terá. – Abigail que respondeu. – A Irmã Nancy autorizou a realização.

— Como você sabe disso e eu não? – Cami voltou a perguntar.

— Porque eu faço parte da comissão de festas da escola.

— E foi uma decisão recentemente tomada. – A Sra. Underwood completou.

— Essa festa não faz o menor sentido, mas eu já estou adorando que ela vai acontecer. – Beth falou baixo.

— Fundos. – Danielle falou alto, todo mundo lhe encarou. – Vai ter uma festa de Halloween para angariar fundos para a escola.

— Mas por que precisariam de fundos, se a mensalidade aqui já é um absurdo. – Louis argumentou.

— Mas o funcionamento dela é ainda mais caro, deve ser para algum projeto.

— Prestem toda atenção! — A Sra. Underwood interviu antes que mais conversas paralelas surgissem. – Eu não sei qual é a lógica da Irmã Nancy em promover a festa de Halloween, já que isso não faz muito sentido para o seu comportamento. O que eu sei, é que temos pouco mais de duas semanas para finalizar nossa apresentação nas distritais e apresenta-la na festa, isso combinando o tema da competição com o que a diretora desejar.

— Vamos jogar no lixo, o que tínhamos ensaiados nas últimas semanas? – Joanne perguntou.

Joanne parecia preocupada, reparei que não estava mais tão próxima do irmão e nem de Camille, imaginei se ela reprovava o relacionamento dos dois, apesar de não compartilharem o mesmo sangue, ainda possuíam lanços afetivos de parentesco. A situação, no mínimo, deveria ser desconfortável.

— Ótima pergunta. – Sra. Underwood apontou para ela. – Eu não sei, porque eu realmente não sei até aonde nossa dinâmica em grupo será alterada pela diretora, porém como uma medida especial, temos que nos planejar para o nosso pior dos cenários. Por isso, que nossa apresentação na festa será um solo, porque assim concentraremos a maior parte do grupo para os ensaios das distritais e uma única pessoa para o da festa...

— A Sra. Underwood está sugerindo que enganemos a Irmã Nancy? – Camille sorria.

— Não. – A Sra. Underwood sorriu. – Só iremos apresentar parte de nossa apresentação das distritais, porque quem consegui esse solo vai repeti-lo na competição.

— M-A-R-A-V-I-L-H-A! Vocês irão adorar fazer backing vocals para mim. – Maggie falou em bom tom para todos ouvirem.

— Como será escolhido o solista? – Camille olhou feio para Maggie.

— Um concurso, apresentaram músicas com teor religioso e quem se sobressair melhor, ganhará.

— Religioso?! – Quase todo mundo falou junto, fazendo careta.

— Vocês acham quais músicas que a nossa excelentíssima diretora autorizará? Já será complicado o suficiente lhe explicar que o tema das distritais é Madonna, não poderia ter caído uma pessoa melhor para ser homenageada. – A ironia era clara da professora. – Por isso, peço encarecidamente a ajuda de vocês para passar essa fase mais supervisionada o mais tranquilo possível.

Todo mundo ficou com a cara de quem comeu e não gostou, a maioria ali eu duvidava conhecer alguma música religiosa, sem ser os cânticos das freiras audíveis aos sábados de tarde. Não seria fácil para mim também cantar algo religioso, eu estava afastado da igreja desde a morte de Sam e também para evitar Alex.

— Não tem combinação mais polêmica do que Madonna e igreja católica. – Louis comentou com as meninas animado, não consegui evitar de revirar os olhos, o detestava.

— Um outro aviso, ou melhor, conselho antes de voltarmos para os ensaios das distritais. Tomem muito cuidado com o comportamento de vocês na festa, sinto que não é apenas uma oportunidade para arrecadar fundos, mas também uma oportunidade a ser usada como exemplo em um eventual futuro. – Sra. Underwood voltou a falar sério.

Eu entendi o que ela queria dizer, se caso, acontecesse algum escândalo na festa, seria usado em uma eventual medida da Irmã Nancy, essa situação era delicada a todos os alunos, não só ao coral.

—x-

Mick:

Tenho certeza que a solidão não é uma melhor companhia que a minha.

A notificação do Mick pulou na tela do meu notebook, quando o abri após voltar do coral, sozinho para variar. A sua afirmação estava correta sua companhia sempre me fazia bem, mesmo que apenas virtualmente, o problema era que ele não parecia ser a mesma pessoa de antes, por isso, o evitava.

Blake McCarthy:

Está absolutamente correto.

Decidi por respondê-lo:

Mick:

Então, por que me evita? Sabemos que ficar sozinho não é a melhor coisa para você.

Blake McCarthy:

Sinceramente...

Não sei...

Mick:

Tenho a teoria de que você está fazendo de propósito, se afundando sozinho.

Blake McCarthy:

Isso pode ser verdade, mas não acho que as pessoas sintam a minha falta, tirando você.

As meninas têm o Louis agora e o Yerik também.

Mick:

Senti uma pontinha de ciúmes? Você nunca me falou sobre esse menino, quem é Louis? E por que a antipatia?

Blake McCarthy:

Ele é um menino novo no coral, ele é gay.

Não sei nem ao certo porque não gosto dele, acho que não sinto sinceridade. Agora sempre está com as meninas o tempo todo! Isso logo depois de Beth falar que estaria comigo para o que eu precisasse.

Mick:

Sr. McCarthy, o senhor é um ciumento! Não existem argumentos o suficiente para odiar o pobre menino.

Acho que eu sei que é, agora que falou.

Blake McCarthy:

EU NÃO ODEIO ELE! Só acho ele desnecessário na minha vida e ele não tem nada de pobre menino.

Mick:

Seria inveja, porque ele tem a sexualidade dele muito bem resolvida e você não?

Sabemos que você está no armário.

Eu fiquei completamente chocado com a aquela frase, como ele poderia supor que eu tivesse inveja de Louis devido a sua sexualidade, isso não fazia o menor sentido e ofendia-me só a possibilidade de ele ter pensado nisso, apesar de que no fundo, não fosse uma total inverdade.

Blake McCarthy:

Primeiro, eu não estou no armário, nem tenho certeza se sou gay ou qualquer outra coisa do tipo.

Segundo, me ofende essa suposição!

Boa Noite!

Ia fechar o notebook, mas ele foi mais rápido na mensagem.

Mick:

Tudo bem, me desculpe.

Mas como está sua relação com o Yerik, ele não estava te ajudando com sua hidrofobia?

Blake McCarthy:

Não estamos nos falando mais, ele fez algo imperdoável.

Como você mesmo já tinha reparado, eu estou completamente sozinho

Mick:

Mas o que ele fez de tão imperdoável?

Blake McCarthy:

Não posso te contar, é um segredo dele. Não seria justo

Mick:

Eu não contaria para ninguém.

Blake McCarthy:

Eu sei, sinto vontade de te contar, mas é algo que não me envolve e envolve outras pessoas.

Mick:

Mas, se não, te envolve, por que está chateado com ele?

Blake McCarthy:

Porque reflete no que eu sinto.

Mick:

O que você sente?

Blake McCarthy:

Não sei...

Ele falou que me amava no enterro da Sam e eu fiquei sem reação.

Mick:

Ele falou que te ama?!

Não ama dele?

Com toda sinceridade do mundo, eu não sabia a resposta daquela pergunta e tinha medo da resposta que eu pudesse chegar.

Blake McCarthy:

Não sei responder agora, não estou fugindo, acho que só com o tempo chegarei em uma resposta...

Mick:

É muito complicado gostar de alguém sem saber se é reciproco. Deveria conversar com ele e acertar os desafetos, já que nem interfere em você, não me parece, sensato a briga.

Você falou que Louis está envolvido com ele, amorosamente?

Blake McCarthy:

Não posso responder isso.

Mick:

Entendi....

Blake McCarthy:

Você gosta de alguém?

Mick:

Meio obvio, mas em minha situação seria um castigo para a pessoa.

Blake McCarthy:

Você jamais seria um castigo ou penitencia na vida de ninguém, eu tenho o maior prazer de ter você na minha vida, mesmo que virtualmente.

Mick:

Tem o maior prazer, mas estava evitando-me nesses últimos dias.

Blake McCarthy:

Você sabe que não é pelos motivos que alega.

Eu sei que isso é chato, ficar repetitivo, mas eu gostaria de conhecê-lo pessoalmente.

Estudamos juntos a quase um ano, você já me conhece, já falou comigo, somos amigos a quase cinco anos ou sei lá quanto tempo e nada...

Foi uma jogada arriscada, pedir novamente que ele saísse do anonimato, mas eu queria estar com ele, ter sua presença, em menos de dez minutos de conversa já tinha sido o suficiente para não me sentir só, como seria conviver de verdade com ele...

Mick:

Tudo bem.

Blake McCarthy:

O quê?! Sério?

Quando?

Tem certeza? Não quero que se sinta pressionado.

Não sabia como lhe tinha respondido a mensagem, estava crente de que ele iria negar com educação como sempre, mas pelo contrário, aceitara finalmente me encontrar, revelar a sua identidade. Era a melhor coisa que a acontecia em muito tempo. Estava completamente chocado com o seu consentimento.

Mick:

Não me sinto pressionado, minha saúde melhorou e já estou pensando nisso a algum tempo.

Aproveitei a sua sugestão.

O que acha da festa de Halloween?

Blake McCarthy:

Você já sabe da festa de Halloween, nem tinham anunciado quando saí do coral agora, o pessoal é bem fofoqueiro.

Pode ser sim na festa! Mas me fala a sua fantasia, isso está parecendo a festa de iniciação no começo do ano passado, que você não falou a sua fantasia e não nos encontramos.

Eu vou com uma roupa meio anos 80 e tenho gesso para você me localizar rápido.

Mick:

Não tenho certeza da minha fantasia, mas acho que vou de múmia egípcia, enrolado em trapos.

Meu querido, lhe desejo boa noite, porque preciso tomar os meus remédios.

Até amanhã!

Considerei a sua saída brusca como um talvez arrependimento, fiquei preocupado, pois eu tinha criado a expectativa de conhecê-lo.

Blake McCarthy:

Claro.

Só não desista, por favor.

Boa noite!

—x-

— Oi. – Sua voz arrepiou-me, quase fazendo-me pular da cadeira.

— Oi. – Lhe respondi baixo e rouco.

— Nunca mais vai falar comigo, parece até que eu quebrei o seu braço. – Não consegui segurar o riso. – Olha, está até sorrindo para mim. Devo ficar lisonjeado com essa graça.

Balancei a cabeça negativamente, rindo e corando, quanto ele puxava uma cadeira, colocava na minha frente, sentando-se ao avesso.

— Você me assustou, não deveria ser assim, Yerik. – O acusei.

— Devia estar acostumado. – Voltou a rir, sempre que fazia isso seus caninos pressionavam os lábios, eu achava charmoso. – Gosto da forma como fala o meu nome.

— Mas eu falo normal.

— Eu sei, é porque você não fala muito e para mim soa diferente, com sotaque.

— Mas é você o estrangeiro aqui.

— Claro, Bleika.

Não sabia que sentia tanta falta dele até começarmos a conversar, algo dentro de mim se aqueceu, como acontece quando voltamos de um dia chuvoso para casa, passamos o caminho todo pensando em um grande copo de chocolate quente e o tomamos assim que chegamos em casa, era assim que me sentia relacionado a ele. Porém, algo logo veio-me à mente.

— Sinto sua falta. – Sua sinceridade foi suficiente para o clima leve ir embora. – Eu sei que está magoado com o que aconteceu comigo nas férias...

— Eu não tenho nada a ver com isso... – O interrompi.

— Mas sofre com isso... – Ele suspirou, tentou tocar minhas mãos, mas eu evitei o toque. – Eu vejo que está só e isso não é bom para você ou para ninguém. Estava aqui na sala sozinho.

Novamente eu tinha chegado primeiro na sala do Coral naquela semana.

— Prefiro a solidão que a companhia do seu namorado. – Minhas palavras saíram afiadas, reparei na sua expressão de surpresa, ao mesmo tempo quase vi um leve sorriso se formar em seus lábios. – Mas não me interessa, assim como minha vida que não interessa a você. – Parei de olhá-lo, foquei em algo distante.

— Você sabe que não é assim que as coisas funcionam, que existe um sentimento muito forte envolvido aqui e tenho quase certeza de que é mutuo.

Eu queria voltar a ter a relação de amizade que nós tínhamos, de quando me ajudava a superar meus medos e objetivos, mas não conseguia apagar da minha mente a ideia dele transando com Louis, logo, após dizer que me ama. Enojava-me, dava-me vontade de vomitar e uma dor abdominal toda vez que lembrava, não tinha como voltar ao que era no passado, era impossível.

— Yerik! – Louis falou ao entrar na sala acompanhado de minhas amigas e sua prima.

Foi automático, ambos olhamos para o dono da voz e depois nos encaramos, não conseguia disfarça a raiva e magoa, lhe encarei feio e ele cedeu ao meu olhar.

— Ótimo. – Suspirei. – Yerik, só me faça o favor de se dirigir a mim quando eu me dirigir com você ou podemos seguir igual estávamos antes. – Falei baixo, de modo que só ele escutasse antes de levantar.

— Oi, Blake. – Louis me cumprimentou.

— Olá, Louis. – Novamente, era me obrigado a ser simpático.

Caminhei para o outro lado da sala, queria distancia daqueles dois, mesmo que isso custasse um afastamento das minhas amigas.

— Você não vai se sentar com a gente? – Beth perguntou ao me ver se distanciar, curiosa.

— Não, estou bem aonde estou indo.

Ela não respondeu, me encarou triste, estava prestes a ir na minha direção quando os restantes dos alunos chegaram fazendo barulho e entrando no seu caminho. Louis se sentou no meu antigo lugar, Yerik arrumou a cadeira e se sentou ao seu lado, que seria o meu. Na confusão de pessoas, ele virou-se uma vez para me ver, só que minha expressão de azedo o afugentou, esperava que não tentasse mais contato e seguisse o meu pedido.

— Problemas do paraíso? – Alguém me perguntou, ao se sentar ao meu lado.

— Quem dera fosse no paraíso.

Abigail havia sentado novamente perto de mim com os seus amigos, Charli e Jessie, ambos tinham um histórico peculiar comigo. Charli me ameaçara quando a peguei em flagrante vandalizando a ala masculina e Jessie, havia me dado aulas de dança durante o musical, tínhamos nos beijado uma vez e eu já o tinha visto com Yerik. Não parecia o melhor local para eu estar, mas não tinha para onde fugir.

— Oi. – Ambos me cumprimentaram.

Acenei com a cabeça, desconfortável.

— Brigou com suas amigas? – Abi perguntou.

— Sim, não gosto das novas amizades.

— Louis é uma pessoa desagradável. – Jessie entrou no meio da conversa, não conseguia evitar de encará-lo e sorri.

— Concordo.

— Finalmente, alguém que também não gosta dele. – Jessie riu, sua personalidade mudara das férias, estava mais expansivo. – Todo mundo acha ele um cara legal, mas eu não me engano.

— Vocês não têm motivo para não gostar dele. – Abi o defendeu.

— Ainda não. – Jessie o corrigiu.

“Eu tenho”, foi o que pensei, mas não falei pois iriam querer saber o porquê.

— Vamos as apresentações?! – Foi a primeira coisa que a Sra. Underwood falou ao entrar na sala, parecia animada além do normal.

— Vai tentar o solo? – Jessie me perguntou.

— Não, não tenho muito interesse e você?

— Também não, mas as meninas deveriam.

— Olha bem para mim cantando “Eu amo Jesus”, acho que não. – Charli falou emburrada.

— Amarga. – Jessie riu dela. – E você Abi?

— Eu? – Abi ficou surpresa corando. – Não preparei nada e acho que não tenho chances.

— Acho que você deveria. – A incentivei.

— Não obrigada, concorrência muito forte.

Enquanto conversávamos, a Sra. Underwood falava com os demais alunos, não sei o que ela falou antes de anunciar o início das apresentações, alguns alunos cantaram músicas evangélicas e outros católicos, nenhuma em especial se sobressaiu, incluindo a escolha da Maggie, até Aisha começar a cantar.

The moment I wake up,

O momento em que eu acordo

before I put on my make up

Antes de eu me maquiar

I say a little prayer for you

Eu faço uma pequena oração para você

While combing my hair now

Enquanto eu penteio meu cabelo, agora

And wondering which dress to wear now

E penso no vestido que usar, agora

I say a little prayer for you

Eu faço uma pequena oração para você

Forever,and ever, you'll stay in my heart

Para sempre e sempre, você ficará no meu coração

And I will love you

E eu eu te amarei

forever and ever we never will part

Para sempre e sempre, nós nunca nos separaremos

Oh, how I love you

Oh, como eu te amarei

Together, forever that's how it must be

Juntos, para sempre, é como tem que ser

To live without you

Viver sem você

Would only be heart break for me

Só partiria meu coração

Sua apresentação pegou a todos de surpresa, a canção era de vocais poderosos que a caloura soube fazê-los muito bem. Foi unanime, todos levantaram para aplaudi-la, eu apostaria que aquele solo seria dela. Pelo canto do olho, vi que Maggie batia palmas contrariada, ela tinha agora uma concorrente a altura para competir pelos solos.

— Obrigada. – Agradecia aos aplausos constrangida.

— Você deveria ter tentado. – Charli falou para Abi. – Essas apresentações estavam me fazendo dormir até agora.

— Sua vez Louis! – A Sra. Underwood anunciou o próximo aluno, dessa vez me interessei.

— Não teria pessoa mais oposta com o tema, do que, ele? – Charli comentou, não era uma crítica, mas uma observação.

— Eu dedico essa canção... – Ele começou a falar antes de rir. – Ela vai saber que é para ela.

When I pray

Quando eu rezar

When I

Quando eu

When I pray

Quando eu rezar

In the night, you come to me

À noite, você vem até mim

'Cause I'm the one who knows who you are

Porque eu sou o único que sabe quem você é

Give me your confession, saying

Dê-me sua confissão, dizendo

Lately, life's been tearing you apart

Que ultimamente, a vida tem te destruído

Now

Agora

Walk through the fire with you

Ando através do fogo com você

'Cause I know how it can hurt

Porque eu sei como pode machucar

Being cut into and afraid

Ser cortado e ter medo

So don't break (break)

Então não despedace (despedace)

Sanctify my body with pain (pain)

Santifique o meu corpo com dor (dor)

Sanctify the love that you crave (crave)

Santifique o amor que você deseja (deseja)

Oh, and I won't, and I won't, and I won't be ashamed

E eu não vou, e eu não vou, e eu não vou me envergonhar

Sanctify my sins when I pray

Santifique meus pecados quando eu rezar

When I pray

Quando eu rezar

You don't have to be straight with me

Você não precisa ser direto comigo

I see what's underneath your mask

Eu vejo o que está por trás da sua máscara

I'm a man like you

Sou um homem como você

I breathe the rituals of the dancer's dance

Eu respiro o ritual de dança dos dançarinos

Father, forgive me for finding the truth

Pai, perdoe-me por encontrar a verdade

Love takes its toll on me, I'm just like you

O amor cobrou-me seu preço, só sou como você

Maybe it's heavenly

Talvez seja divino

Maybe it's heavenly

Talvez seja divino

Conforme ele cantava, eu ficava cada vez mais incomodado, seu olhar dirigia-se prudentemente controlados para o meu colega de quarto, de modo, que só alguém atento ou que soubesse de sua história notasse tal conexão. Algo dentro de mim, doía, sentia vontade de chorar, mas também sentia raiva. Percebi minha respiração se tornar cada vez mais ofegante, perdia o controle de minhas ações, antes que fosse tarde demais, saí correndo da sala, deixando a todos confusos com o ato. A Sra. Underwood chamou pelo nome, mas ignorei o seu chamado.

Corri sem desacelerar até chegar no térreo e nos terrenos escolares, olhei para o céu que já anunciava o crepúsculo. Apesar de fugir, o sentimento ainda precisava ser aliviado.

— MERDA!!! – Gritei com todas as minhas forças até a garganta doer.

— Não saia dessa forma da sala! — Escutei Yerik falar, pelo visto, tinha corrido atrás de mim.

— Por quê? — Lhe perguntei parando abruptamente. — Por que eu não posso fazer isso? — Praticamente gritei. — Me responde!

— Porque não tem razão ou motivo para isso! — Seu tom era alto, mas controlado. — Ou as pessoas irão suspeitar de que exista algo entre vocês dois, como algum desentendimento.

— BESTEIRA! — Gritei.

— Pare de agir como alguém rude, todo mundo sabe que você não gosta dele e não entendem isso.

— Tudo mundo aqui se odeia ou é odioso com alguém, eu sei exatamente como é isso, Sam sabe como é isso. Mas agora eu sou uma má pessoa por não ser legal a alguém que nitidamente me dá pequenas alfinetas sempre que possível. Ele não é bobo, ele percebe a gente… — Vomitei aquelas palavras, torci para que ninguém ouvisse, por sorte, visivelmente o corredor estava deserto, além de nós. – Você acima de todos deveria saber disso, ou se esquece que jogou um copo de suco na minha cabeça a pedido da minha irmã?! – Isso fazia muito tempo, mas precisava ainda falar.

— A gente? — Yerik riu pelo nariz, ignorando a parte do suco. — Não existe a gente, nunca existiu ou estou errado?

Sua indagação quebrou todas as minhas defesas, não existia “gente”. Não éramos nada além de colegas de quarto, porque nem uma amizade conseguíamos manter. Senti culpa, minhas acusações a ele não eram completamente devidas.

— Poderia existir “nós” se você permitisse. — Yerik falou baixo, encarava-me, pegou na minha mão e fez um carinho. Algo dentro de mim ainda pulsava de raiva e ressentimento, porém o seu toque fez-me despertar saudade que abrandou.

Minhas memorias voltaram aos momentos que ele cuidou de mim, nas terapias com a água até as noites dormidas juntas enquanto Sam estava no seu leito de morte. Porém, uma sombra pairava sobre elas, minha consciência de como todos aqueles momentos eram errados.

— Isso não vai acontecer. — Encerrei o nosso contato com delicadeza, largando sua mão e evitando encará-lo. — Ambos sabemos que é errado.

— Diga isso para você mesmo. — Respondeu frustrado.

— Minha fé.

— Você abandonou a sua fé desde que sua amiga morreu, não a use como argumento para a sua covardia.

Fiquei sem palavras com o que ele falou, senti meu corpo tremer e meus olhos lacrimejaram. Fui completamente tomado pelo calor da emoção, em outras condições jamais teria feito aquilo, deferir-lhe um tapa estalado na cara.

— Não ouse falar da minha fé ou da minha amiga, entendeu? — Eu falava pausadamente, chorava de raiva tremulo, quase que preparado para um eminente confronto se ela avançasse em mim, como havia feito com ele.

Mas Yerik não reagiu, apenas acariciou o lado atingido que estava vermelho, nitidamente com a marca dos meus dedos. Parecia estar calmo, sua expressão tornou-se fria, pressionava a boca de modo que ela praticamente sumia.

— Não sei porque ainda me incomodo com você, não vale a pena.

Acredito que em um lapso mental em meio a toda adrenalina que estava no meu corpo, tomei ciência daquilo que tinha acabado de fazer. Eu tinha acabado de bater no Yerik, BATER, minha mente gritava.

— Me… me… me… — Comecei a falar gago enquanto ele começava a se afastar, deixando-me sozinho.

— Já falei para não se incomodar! Não quero mais nada de você, nem suas desculpas! Eu desisto de você. — Gritou.

Comecei a chorar compulsivamente, queria correr atrás dele e lhe pedir um milhão de desculpas, mas ainda algo dentro de mim dizia-me que o golpe não fora errado. Yerik sempre brincava com meu sentimentos e ideias, existia um limite e ele também o passou ao falar de minha fé ou de Sam. Minha reação havia sido tão exagerada pela raiva que sentia da sua relação com Louis e foi potencializada por sua veracidade. Eu estava distante da minha fé e isso era verdade, questionava-me sobre os seus valores a algum tempo e só piorou com o falecimento.

Tentei organizar meus pensamentos, não poderia ficar naquele estado, não queria ser visto por ninguém. Deixei meus pés me guiarem a cegas e sem perceber já estava no meio do bosque da escola, a caminho da capela. O trajeto estava escuro devido ao horário, os postes de luz velhos não eram muito eficientes.

Quando cheguei a velha capela, as coisas estavam mais claras na minha mente, tudo estava acontecendo de errado comigo, a falta de controle sobre as situações era um castigo divino pelo abandono da minha fé. Tudo aquilo era um percalço para testar minha fé e eu estava falhando miseravelmente devido a sentimentos e dúvidas impuras.

A imagem de Cristo e da Sta. Agnes foi impactante para mim, era quase uma caminhada do filho pródigo de volta a casa. Eu não me comunicava oralmente com Deus, nossa relação sempre foi mais pelos pensamentos, do que por palavras ditas em alto bom som. Ajoelhei-me logo na primeira fileira de cadeira, as mais distantes do altar. O local estava praticamente vazio, além de mim haviam apenas mais duas freiras e um outro aluno, que pela coloração loira desbotada sabia quem era e que seriam mais problemas para assombra minha mente, porém não permiti que isso acontecesse, meu foco seria a minha reconciliação divina.

Em minha mente, cantarolei uma pequena canção em meio as minhas preces

Oh Lord, Oh Lord, what have I done?

Oh Senhor, Oh Senhor, o que eu fiz?

I've fallen in love with a man on the run

Eu caí no amor com um homem em fuga

Oh Lord, Oh Lord, I'm begging you please

Oh Senhor, Oh Senhor, eu estou te implorando, por favor

Don't take that sinner from me

Não leve aquele pecador de mim

Oh don't take that sinner from me

Oh, não leve aquele pecador de mim

Oh Lord, Oh Lord, what do I do?

Oh Senhor, Oh Senhor, o que eu faço?

I've fallen for someone who's nothing like you

Eu me apaixonei por alguém que não é nada como você

He's raised on the edge of the devil's backbone

Ele ressuscitou na beira da espinha dorsal do diabo

Oh I just wanna take him home

Oh eu só quero levá-lo para casa

Oh I just wanna take him home

Oh eu só quero levá-lo para casa

Give me the burden, give me the blame

Dê-me o peso, dê-me a culpa

I'll shoulder the load, and I'll swallow the shame

Eu vou arcar com a carga, e eu vou engolir a vergonha

Give me the burden, give me the blame

Dê-me o peso, dê-me a culpa

How many, how many Hail Marys is it gonna take?

Quantas, quantas Ave-Marias vai levar?

Don't care if he's guilty, don't care if he's not

Não me importo se ele é culpado, não me importo se ele não é

He's good and he's bad and he's all that I' ve got

Ele é bom, e ele é ruim, e ele é tudo que tenho

Oh Lord, Oh Lord, I'm begging you please

Oh Senhor, Oh Senhor, eu estou te implorando, por favor

Don't take that sinner from me

Não leve aquele pecador de mim

Oh don't take that sinner from me

Oh, não leve aquele pecador de mim

Estava bem tarde quando retornei para o meu quarto, ainda não me sentia completamente aparato por Deus, mesmo após as horas passadas na capela, a conexão precisava ser restabelecida, isso demoraria um tempo, no entanto, o primeiro passo havia sido dado e eu me esforçaria para fortalece-lo.

Assim que pisei no quarto, percebi que Yerik estava presente, um fio gelado percorreu-me a espinha na expectativa de tê-lo que encará-lo após o nosso confronto, não tinha como fugir, era tarde e eu seria punido por desrespeitar o toque de recolher. Sem muitas opções, deite-me na minha cama e peguei a bíblia, tentava me distrair até ouvir sua voz abafada no banheiro cantarolando:

My lover's got humour

Minha amada tem humor

She's the giggle at a funeral

Ela é a risada em um funeral

Knows everybody's disapproval

Sabe que todos desaprovam

I should've worshipped her sooner

Eu deveria tê-la venerado mais cedo

If the Heavens ever did speak

Se os céus alguma vez falaram

She is the last true mouthpiece

Ela seria a última palavra

Every Sunday's getting more bleak

Cada domingo está ficando mais sombrio

A fresh poison each week

Um veneno fresco a cada semana

We were born sick

Nós nascemos doentes

you heard them say it

Você ouviu eles dizerem

My church offers no absolutes

Minha igreja não oferece absolvição

She tells me "worship in the bedroom"

Ela me diz " adore no quarto"

The only heaven I'll be sent to

O único paraíso para onde serei enviado

Is when I'm alone with you

É quando eu estiver a sós com você

I was born sick, but I love it

Eu nasci doente, mas amo isto

Command me to be well

Me ordene a ficar bem

Amen. Amen. Amen

Take me to church

Leve-me à igreja

I'll worship like a dog at the shrine of your lies

Eu adorarei como um cão no santuário de suas mentiras

I'll tell you my sins

Irei lhe contar meus pecados

So you can sharpen your knife

Assim você poderá afiar sua faca

Offer me that deathless death

Ofereça-me essa morte imortal

Good God, let me give you my life

Bom Deus, deixe-me dar-te minha vida

Eu conhecia aquela canção e a mensagem que queria passar, engoli em seco, com palavras que pareciam sacrilégio e demonstravam mais de seus sentimentos, já explicitados.

Sua voz sessou quando abriu a porta do banheiro e se surpreendeu com a minha presença no quarto, fora uma surpresa momentânea, pois logo seguiu para o armário de roupas, preparou-se para dormir, como se nada tivesse acontecido e como se não tivesse visto ninguém.

—x-

— Seu braço logo ficará bom. — Mikael me encorajava na enfermaria, achando que a recuperação seria o meu maior anseio, mal sabia ele que estava redondamente enganado.

— Espero que não. — Sussurrei baixo.

— O que você falou?

— Nada.

Era tarde do dia 31 de outubro, o dia da festa do dia das bruxas e eu estava na enfermaria averiguando o estado da fratura do meu braço, enquanto Mikael fazia o seu tratamento misterioso para a sua doença misteriosa. Eu sempre o encontrava na enfermaria, tínhamos apenas uma aula juntos no meio da semana, mas sempre no máximo, apenas nos cumprimentávamos, somente na enfermaria que conversamos para valer, era fácil conversar com ele, mesmo por um período curto de no máximo quinze minutos.

A escola estava no clima das festividades, até a natureza do local contribuirá com a quantidade extraordinária de folhas secas que rolavam com o vento frio nos terrenos, em quase todo local comum possível, havia algum tipo de decoração de halloween.

— Ainda fará parte da equipe de natação quando se sarar? — Ele perguntou.

— Eu espero que não. — Lhe respondi sincero, rindo. Olhava para a porta esperando a chegada da enfermeira para poder me arrumar para festa.

Se os alunos estavam ansiosos para festa para dançar, beijar, comer ou fazer besteira, eu estava ansioso para festa para finalmente conhecer o meu melhor e mais antigo amigo. Naquela noite, terminaria um dos maiores mistérios de minha vida e finalmente poderia dispor da companhia de alguém que realmente se importasse comigo.

— Espero que você consiga se livrar da equipe de natação, sei o quão importante isso seria para você. — Mikael comentou.

— O quê?

— Ser dispensado da equipe de natação, você não é hidrofóbico?

— Sim… — Lhe respondi confuso, não me lembrava de ter mencionado com ele sobre os meus problemas com água.

— Você parece meio avoado, está ansioso para festa de hoje?

Mikael às vezes falava rápido demais, emendando assuntos de tal forma que era quase impossível acompanhar.

— Vou conhecer um amigo novo, mas que é antigo. — Falei sorrindo.

— Como assim? — Ele pareceu curioso.

Antes que eu pudesse responder a enfermeira retornou ao ambiente, ela conversou rapidamente comigo explicando novamente o estado da recuperação da fratura e que seria provável fazer fisioterapia para reacostumar o braço, que após tanto tempo imobilizado poderia estar desacostumado ao uso e que tiraria a tala provavelmente a tempo para o dia de ação de graças, em menos de um mês. A data deixou-me apreensivo, mas me neguei o direito de pensar muito nisso, porque meu foco naquele dia seria meu amigo, sofreria com isso apenas no dia seguinte e pensaria em algo para prolongar essa data.

Me despedi de Mikael e retornei para o meu dormitório, as últimas semanas haviam sido tensas entre Yerik e eu, ignorávamos um ao outro, a culpa pelo tapa me corroía, assim como a raiva da sua relação com Louis. Após a minha saída dramática em sua apresentação, ele nunca mais fez questão de falar comigo, o que era muito positivo, porém isso tinha custado a minha convivência definitiva com as garotas, Maggie o tratava como o melhor amigo de todos os tempos e as suas personalidades eram compatíveis, Beth parecia mais avoada que o normal, algo me dizia que ela escondia algo e Aisha, por incrível que pareça era a que eu mais conversava, mas como nossa relação era nova, nos momento não eram grandes conversas, apenas algo cordial. Ela sentia-se estranha na escola devido a sua fé, eu percebia que ela sofria uma leve perseguição nos corredores pelos demais alunos, mas de forma tão discreta que só seria possível notar por olhos mais atentos, o que não era o caso das Irmãs.

Mick:

“Espero que já esteja pronto e com a fantasia arrumada”

A mensagem do meu amigo brilhava na tela do meu notebook assim que entrei no quarto, que felizmente estava vazio.

Blake McCarthy:

“ Quase pronto, acabei de voltar da enfermaria.

Mas reconfirmando, minha fantasia é de Ferris Bueller em “Curtindo a vida adoidado” e a sua de múmia?

Enquanto esperava por sua resposta arrumava para a festa que aconteceria no ginásio, Yerik já deveria ter se arrumado e ido para qualquer outro lugar. Minha tolerância com a água havia evoluído consideravelmente nos últimos dias, não foi um desafio tomar banho. Estava quase pronto quando recebi uma nova mensagem.

Mick:

“Positivo, estou fantasiado de múmia e estou te esperando na mesa de bebidas ao soar das 22hrs, quase como a Cinderela em uma escola católica com restrição de horário mesmo em uma festa de Halloween. ”

Blake McCarthy:

“Por favor, não fure ou pelo menos me avise, para não ficar lhe esperando à toa.

Adorei a analogia a Cinderela e quem seria ela e o príncipe? “

Mick:

“ Não confia em mim?

Bom, eu sou a princesa por ser gay e você pode ser meu príncipe para não ter a sexualidade ainda mais machucada, do que já está. ”

Blake McCarthy:

“ Confio, mas não muito e peço que pare com as insinuações sobre a minha sexualidade, faz parecer até o Louis e eu detesto ele. “

Mick:

“ Certo, te espero as 22hrs na mesa de bebidas Cinderela. ”

Logo partir rumo ao ginásio, toda a escola em peso parecia ter se deslocado para o local, pois não encontrei ninguém no caminho, acredito que a abstinência do último ano e a proeminência do cancelamento das posteriores motivou a presença de todos, porque todos sabiam que alguém iria acabar levando bebidas e estragaria a noite e as próximas festas.

— Está um pouco atraso, não acha? – Jessie falou comigo ao me ver na entrada do centro esportivo.

— O quê? – Perguntei, surpreso com o contato.

— Só faltava você, falou sorrindo.

Ele estava fantasiado de Boy George, com uma maquiagem pesada e colorida no rosto, transas coloridas no cabelo e roupa chamativa. Era a típica fantasia que eu jamais o veria usando no passado, o que se adequava com a nova personalidade. Quando ele me chamou, meu coração quase parou com a possibilidade de ele estar vestido de múmia. Ao seu lado, como sempre, estava Abi e Charli, fantasiadas de Tracy de Hairspray e Nancy de Jovens Bruxas, respectivamente.

— Parece que a tendência é fantasia dos anos 80. – Abi me cumprimentou.

— Nem todos. – Falei olhando para a dela.

— A minha é dos anos 90. – Charli comentou.

— Tudo bem. – Levantei as mãos em desculpa. – Está muito cheio?

— Uma amostra do inferno na terra? E você ainda paga para entrar. – Ela se referia ao ingresso pago.

Tinha sido uma grande movimentação dos alunos para a compra desses ingressos, já que ao comprar para alguém era praticamente como um pedido para um encontro. Lembro-me do momento que comprei o meu e as Irmãs perguntaram se eu não ia comprar outro para levar uma garota, eu respondi que não e elas pareceram desapontas. Lembro também da surpresa que eu tive ao descobrir que Alex levaria Georgina, a surpresa não foi ele ter convidado uma garota, mas ao fato dela ter aceitado o convite de alguém fora do alto ciclo popular escolar.

— Mas não está ruim. – Jessie a censurou.

— É por isso que você está aqui fora com a gente e não lá dentro. – Ela lhe respondeu, revirando os olhos.

— Tem razão. – E sem cerimonias ou despedidas, ele correu em direção ao ginásio e o adentrou.

— Muito obrigada, Charli. – Abi suspirou ainda olhando pelo trajeto do seu companheiro.

— Vai me agradecer um dia por não deixa-la nutrir esperanças por um cara de sexualidade suspeita.

— O que é um cara de sexualidade suspeita?

— Alguém parecido com você, só que mais suspeito, para ser gay.

— O que?! – Falei nervoso.

— Ela está brincando. – Abi deu um riso nervoso, olhando feio para amiga.

— Estou mesmo. – Charli deu um sorriso forçado. – Não acho que você é gay, está mais para assexual, garoto puritano.

— Ela está novamente brincando. – Abi novamente pareceu nervosa.

— Eu acho que vou indo também.

Enquanto me afastava delas, pude ainda escutar a sua discussão.

— Charlotte, você não pode falar da sexualidade das pessoas na cara delas.

— É mais justo do que falar pelas costas.

— Não se pode falar nunca.

— Estou nem aí.

— Mas você fica brava quando todo mundo te chama de sapatão.

Quando adentrei a quadra, tocava uma música famosa dos anos 60 sobre monstro que dava um ar nostálgico e vintage ao ambiente. O lugar era o ápice das decorações de Halloween espalhadas pelo colégio, eu percebi que haviam muitos detalhes como uma grande rede de teias penduradas no teto com a maior variedade de tamanho de arranhas, além de centenas de morcegos, porém era difícil atentar-se aos detalhes devido a quantidade de pessoas e principalmente devido a fumaça de gelo seco que envolvia o lugar.

— Vai ficar parado, aí? – Alguém atrás de mim me empurrou.

— Vick?! – Falei surpreso ao vê-la.

— Tinha que ser você.

Ela estava com uma roupa de ginasta rosa, bem parecia com a da Madonna na música Hugh Up, que valorizava o seu corpo atlético. Estava acompanhada por um cara que eu nunca tinha visto antes, mas que deveria ser da escola. Ele era alto até para ela, poderia ser da equipe de basquete, era magro com cabelo escuro e pele branca, fantasiava-se de Rambo.

— Quem é? – Lhe perguntei malicioso.

— Não te interessa, vai circulando atrás dos seus amigos. – Respondeu rindo, afastando-se com o menino. Eu poderia apostar que era a pessoa que estava saindo nas férias.

Eu não sabia para onde ir, estava sem amigos e tinha que esperar por mais pelo menos duas horas até me encontrar com meu amigo, estava tão focado nesse encontro que minha solidão não me incomodava. Fui até a arquibancada mais alta torcendo para conseguir enxergá-lo pela fantasia antes da hora, porem a fumaça atrapalhava muito.

— Procurando alguém? – Mikael perguntou do banco mais baixo, ele estava sentado com suas muletas, estava fantasiado de pirata.

— Sim, mas é impossível com a fumaça.

— Eu diria para desistir e vir me fazer companhia. – Falou sorrindo.

Fiz o que ele sugeriu.

— Percebeu que minha fantasia cai bem para uma pessoa como eu?

— Não entendi.

— Sou manco, um pirata com a perna de pau... Boom, fantasia perfeita. – Ele gargalhou.

— Boa sacada, ofensiva, mas boa sacada. – Lhe retribui o sorriso.

— Vai se apresentar, hoje?

— Por que?

— Você é do coral e nunca te ouvi cantar, adoraria hoje. – Seus olhos azuis brilhavam em meio as luzes coloridas. – E falaram que o Coral ia se apresentar também.

— Bom, será um solo e será a minha amiga Aisha que irá cantar, então fica para uma próxima.

— Que pena. – Ele sussurrou.

As horas demoravam para passar, principalmente quando a pessoa mais tagarela que eu conhecia decidia ficar muda e eu era péssimo em puxar conversa, não sabia quanto tempo havia passado quando a primeira pessoa passou da minha frente, Cami e as gêmeas vestidas de Josie e as gatinhas e logo depois minhas amigas, sozinhas, que pareciam estar discutindo.

— Acho isso uma péssima ideia! – Maggie se esgoelava, estava fantasiada de Sansa Stark. – OLHA, É O SUMIDO. – Apontou para mim ao me ver.

— Oi, Blake. – Beth e Aisha me cumprimentaram.

— Olá. – Lhes esbocei o melhor dos sorrisos.

— Mikael. – Beth cumprimentou meu colega.

Ele apenas lhe acenou.

— Por que nunca mais falou com a gente? – Beth estava séria.

— Não falei? – Fingi que não sabia do que se tratava. – Acho que foi a rotina agitada.

— Ótimo, agora está livre, nos acompanhe na tarefa de convencer a Beth não fazer o que está prestes a fazer.

— O quê?

Beth estava vestida com um vestido de cetim rosa bem claro, com o cabelo liso, não identifique do que seria a fantasia e Aisha de Clone de Stars Wars.

— NADA! – Beth a cortou ríspida. – Já tomei a minha decisão e não fale mais sobre isso, se não, vai estragar tudo.

— Okay. – Maggie levantou as mãos, dando-se por vencida.

— Estou surpreso em você ter cedido. – Comentei para ela.

— Eu também. – Respondeu contrariada. – Agora, vamos para pista, não fiz sete anos de jazz para ficar parada, sem ofensas. – Olhou para Mikael.

Me puxou de supetão.

— Não quer vir junto? – Perguntei ao meu amigo.

— Não, estou bem aqui. – Ele piscou para mim.

— VAMOS! – Maggie apontou para muvuca de corpos enquanto me puxava até ela, sendo seguida pelas minhas outras amigas.

— Qual é o mistério? – Olhei para trás, para Beth.

— Você vai descobrir. – Respondeu sorrindo.

— Louis não apareceu até agora. – Aisha comentou, lembrando-me da minha nêmese.

Ele deveria estar com Yerik em algum canto escondido, ou até em algum dormitório vazio, tais ideias embrulhavam-me.

— Eu o vi com a prima perto da mesa de bebidas. – Maggie respondeu, poderia ter suspirado de alivio, se tivesse ocorrido a menção da mesa de bebidas.

Quando ela achou que estávamos misturados o suficiente parou de andar e começou a dançar no ritmo da música. Eu não era a melhor pessoa para esse quesito, apesar das aulas com Jessie tivesse melhorado em muita minha desenvoltura, estava longe de ser um dançarino razoável.

— Meus Deus, Blake, você está mais travado que uma janela velha, se solte mais.

— Eu não sei dançar. – Lamentei.

— Não nos evite novamente, se não, eu começo a te seguir até no banheiro. – Ela soltou quase de maneira psicopática com um imenso sorriso.

— O que?

— Não se faça de desentendido, se acha que não percebemos. – Quem me respondeu foi Beth.

— Mas...

— Não! – Maggie me interrompeu. – Apenas aceite nossa companhia, mesmo que signifique abandonar minha bichinha.

— Eu não quero que se afaste dele, vocês gostam dele.

— Mas por tempo limitado, menos tempo que aguentamos você e suas lamentações.

— Não precisamos escolher, Blake. Podemos conviver com ambos, separadamente, mas com ambos.

Não consegui conter o sorriso.

— Eu falei que ele iria topar. – Aisha comentou, soltando um risinho.

Aquela noite prometia ser uma das mais felizes da minha vida, seria uma exaltação de todos os laços fraternos que tinha. Minhas amigas buscando-me e eu conhecendo Mick, não poderia desejar coisas melhores. Essa rápida conversa, motivou-me a animar-me mais para dançar e curtir a festa, evitando apenas a mesa de bebida, os minutos finalmente começaram a passar, só fui perceber que era quase hora desejada quando Aisha falou.

— Acho que está quase na hora da apresentação, acho melhor irmos. – Se dirigia a Beth.

Maggie a olhava em negação.

— Vamos. – Beth pegou a mão da outra e caminharam em direção ao palco, enquanto acenavam em despedida para nós.

— Ideia idiota. – Maggie soava rabugenta.

— Beth vai cantar também? – Perguntei.

— Não, vai fazer coro.

Olhei as horas no meu celular e faltavam apenas cinco minutos para as 22 horas.

— Maggie, eu vou pegar uma bebida e já volto.

— Mas, eu acabei de voltar de lá e você falou que não queria nada.

— É que me deu vontade do ponche só agora.

— Vai me deixar sozinha?

— Prometo eu volto rápido. – Falei me afastando.

Ela me olhou com cara feia, não pude segurar o riso.

Enquanto caminhava entre a multidão de alunos, anunciaram a apresentação do Coral, que seria um solo como planejado pela Sra. Underwood, quem cantaria seria Aisha a música I Say a Little Pray da Aretha Franklin.

— Agora com vocês, a Srta. Bethanny Grant com a música I Say a Little Pray da Aretha Franklin. – Anunciou uma das Irmãs no microfone, atraindo-me a atenção. Isso deveria fazer parte do que Beth estava planejando em segredo.

Assim que cheguei na mesa de bebidas, tomei prontidão de ficar atentos a todos ao meu redor a procura de uma fantasia especifica e no que minha amiga iria aprontar no palco.

— Boa noite, Sta. Agnes, desejo a todos um feliz Dias da Bruxa, espero que todos apreciem a música que irei cantar. – Piscou para mim, ao ver minha atenção.

E o que tocou não foi a música da Aretha.

Take my sins and wash them away

Pegue meus pecados e lave-os

teach me how to pray

me ensine a orar

I've been standing here in the dark

Eu venho ficado aqui no escuro

take these walls away

leve essas paredes embora

I've been swimming in the ocean

Estive nadando no oceano

till I'm almost drowned

até que eu quase me afoguei

give me something I can believe in

dê-me algo que eu possa acreditar

teach me how to pray

me ensinar a orar

Conforme a música prosseguia eu não conseguia mensurar o quão ofensivo estava sendo para Irmãs. Beth dançava ao som do instrumental, quase que de forma ritualista.

and we can do drugs

e nós podemos usar drogas

and we can smoke weed

e podemos fumar maconha

and we can drink whiskey

e nós podemos beber uísque

yeah we can get high

sim nós podemos ficar bem loco

and we can get stoned

e podemos ficar chapado

and we can sniff glue

e podemos cheirar cola

and we can do ecstasy

e nós podemos usar ecstasy

and we can drop acid

e podemos tomar ácido

forever been lost with no way home

sempre perdidos sem o caminho de casa

yeah we can run

sim podemos correr

and we can hide

e podemos esconder

but we won't find the answers

mas não vamos encontrar as respostas

if you'll go down and you'll get help along the way

se você for lá em baixo você vai obter ajuda ao longo do caminho

but if you wanna save your soul

mas se você quer salvar sua alma

then we could travel all together

então poderíamos viajar todos juntos

and make the devil pray

e fazer o diabo rezar

ooh ooh ooh save my

ooh ooh ooh salvar a minha

ooh ooh ooh save my

ooh ooh ooh salvar a minha

ooh ooh ooh save my soul

ooh ooh ooh salvar a minha alma

the devil was here to fool ya

o diabo esteve aqui para enganar ya

Senti algo cutucar-me o ombro, mas ignorei, pois, minha atenção estava voltadas a performance polemica da minha amiga.

mother mary, can you help me?

Mãe maria, você pode me ajudar?

cuz I'm gone astray

porque eu estou extraviado

all the angels that were around me

todos os anjos que estavam ao meu redor

have all flown away

voaram para longe

the ground beneath my feet' s getting warmer

O chão debaixo dos meus pés está ficando mais quente

lucifer is near

Lúcifer está próximo

holding on, but I'm getting weaker

segurando, mas eu estou ficando mais fraco

watch me disappear

me veja desaparecer

Eu desviei o olhar de Beth quando uma pessoa alta parou na minha frente e chacoalhou meus ombros.

Bleika? – Era Yerik.

— O quê? – Soei irritado ao ouvir sua voz e me interromper.

— Finalmente conseguiu me ouvir.

— O que você quer? Lembra, não estamos bem.

— Olhe para mim, primeiro. — Ele pediu.

— Por que eu olharia para você? – O encarei, obedecendo-o.

Foi quando senti todas as minhas forças esvaírem, lá estava ele, com o corpo completamente envolto de ataduras, era a fantasia de múmia.

— Não pode ser. – Sussurrei trêmulo.

— É um prazer finalmente conhece-lo, de verdade. – Ele me puxou para um abraço forçado.

and we can do drugs

e nós podemos usar drogas

and we can smoke weed

e podemos fumar maconha

and we can drink whiskey

e nós podemos beber uísque

yeah we can get high

Sim, nós podemos ficar bem loco

and we can get stoned

e podemos ficar chapado

and we can sniff glue

e podemos cheirar cola

and we can do ecstasy

e nós podemos usar ecstasy

and we can drop acid

e podemos tomar ácido

forever been lost with no way home

sempre perdidos sem o caminho de casa

Em choque, eu só fui sair do estado de inercia ao ouvir o grito da plateia anunciando o fim da música e ver minha amiga completa de sangue, agora sua fantasia fazia sentido.

Notas finais
Como expliquei em cima sobre minha situação de escrita, REVIEWS são essências para eu me deslocar quase 30 km todos os dias para escrever, sem pressão KSKKSKKSS. Brincadeira queridos.... Agora é só tiro, porrada e bomba. Gostaram da identidade do Mick? Suspeitavam antes? Acreditam dessa verdade? Comentem... Seria tão lindo mais recomendações, fica ai minha recomendação, meus caros leitores. Para contato: 11 949372960 Sempre respondo. XOXO