Tempestuoso

29 Me Acalme


Notas iniciais
Meus queridos, como sabem estou sem notebook e escrevo pelo computador da faculdade. Bom, eu estou me organizando para passar um temporada na praia, por isso, o capitulo 31 talvez demore um pouco mais que 21 dias, peço a compreensão. NÃO BETADO MUUUUUUUUUUUITO OBRIGADO PELAS RECOMENDAÇÕES! ELAS ACALENTAM MEU CORAÇÃO NYMÉRIA E MARGO, AMO TE MADONNA - LIKE A PRAYER TROYE SIVAN - TALK ME DOWN

Não era exatamente sangue que Beth jogara em si, mas uma imitação em sangue falso que tinha o cheiro e o sabor de groselha. Ela havia amarrado um balde com o líquido no palco para quando terminasse a performance, no lugar da Aisha, pudesse virá-lo, fazendo alusão a clássica cena de Carrie, a estranha. Todo mundo, ficou impactado com o possível derramamento de sangue, acredito que muitos esperaram ela começar a desenvolver poderes telecinéticos e matar todo mundo, menos eu. Os céus pareciam estar caindo em cima da minha cabeça com a revelação da identidade de Mick e a cena de Beth era uma das últimas coisas que eu pensava.

— Você não pode ser o Mick. – Minha voz saiu sufocada ao me afastar de Yerik que me abraçava.

— Mas sou eu.

— Mentiroso. – Balançava a minha cabeça em completa negação. – Eu não acredito em uma palavra sua. – Dei um passo para trás.

— Blake, fica calmo. – Ele tentou me segurar. – A gente precisa conversar melhor.

— Eu não quero conversar com você!

Ninguém pareceu reparar na nossa discussão devido ao impacto da apresentação de Beth. Não demorou muito mais tempo e logo as freiras interviram, agarraram Beth com força, a arrastaram para fora do palco e depois para fora do ginásio, os hábitos manchados lhes deram ares macabro, como se estivessem levando-a para um sacrifício. A multidão ficou fervorosa com a cena, a maioria curiosa com a cena, do que empática com a situação. As freiras remanescentes encerraram a festa e ordenaram que todos os outros alunos voltassem aos seus dormitórios, foi a aí que a confusão ficou generalizada.

A maioria dos alunos reclamaram da decisão e pareceram estar indispostos a saírem dos seus lugares, outros, poucos, caminharam em direção as saídas, o que causou um emaranhado de fluxos, eu fui um deles. Aproveitei da deixa e corri de Yerik/Mick, não queria encará-lo, não podia ser verdade, não poderia ter uma pessoa pior para ser a identidade do meu melhor amigo. Ele começou a me seguir, mas foi atrapalhado pelo fluxo de pessoas.

Foi necessário a Irmã Nancy gritar com os alunos para que todos começassem a se movimentar, piorando ainda mais a circulação. A muito custo consegui sair do ginásio e continuar a minha fuga, não sabia para onde ir, se fosse para o bosque morreria de frio, ficar em qualquer outro lugar na escola sofreria com a ira das freiras e no meu quarto, teria quem eu não queria.

— Vem! – Senti alguém agarrar-me pelo braço. – Precisamos ir atrás de Beth e ver o que está acontecendo.

Maggie puxava-me junto com Aisha, queria agradecê-la pelo “salvamento”, mas novamente voltava ao estado de choque, preso em meus pensamentos.

Se Yerik fosse Mick, algo que me custava acreditar, era mais fácil pensar na possibilidade dele ter lido alguma vez minhas conversas com meu colega virtual; ele saberia tudo sobre mim, absolutamente tudo, até meus sentimentos mais secretos. Seria muita coincidência ele ter se fantasiado de múmia e ter me abordado na hora exata? Ou deveria ser verdade o que dizia? Ou ele teria lido minhas conversas no momento em que tomava banho, ou pior lia sempre minhas conversas nos momentos de privacidade e adotando agora a identidade do meu amigo para poder se vingar? A última opção parecia ser a mais crível, qualquer outra teoria pareceria, do que, suas declarações, eu não aceitaria a sua verdade sem provas.

Blake McCarthy:

“Se você é realmente quem diz ser, me mande uma foto sua agora...”

Mandei essa mensagem pelo celular, na rede social que mais nos comunicávamos.

— Blake, você está ouvindo o que a gente está falando com você?

Estava tão concentrado em meus problemas, que nem reparei para onde estava sendo guiado, quando percebi, já estávamos parados na frente do escritório da diretora. Percebi que Beth havia sido levado para lá, por causa do rastro de “sangue”. O lugar que ficava a Irmã secretária da Irmã Nancy, estava vazio, não era horário de serviço, tudo parecia muito calmo, mas não um calmo tranquilo, era mais para um calmo suspeito, como uma calmaria antes de uma tempestade. Essa sensação trazia-me lembranças e sentimentos traumáticos.

— O quê? – Perguntei.

— Precisamos saber o que está acontecendo com a Beth, não duvido que esteja sendo castigada fisicamente nesse exato momento. – Maggie estava à beira de nervosos, andando de um lado para o outro. – Por que está tão apático? – Me perguntou impaciente. – Deixa para lá, seu nervosismo tirava-lhe a paciência. – Se auto respondeu.

— Isso é tudo culpa minha. – Aisha murmurava ao meu lado, não estava muito melhor que Maggie. – Não deveria tê-la deixado assumir o meu lugar.

— Não deveria ter consentido mesmo!

Eu deveria tentar acalmá-las, mas mal conseguia fazer isso comigo, era muita coisa para lidar. O ambiente e a situação das meninas deixavam-me ansioso, quase podia sentir as paredes e o teto se fechando em volta de mim, precisa explodir.

— Mick é o Yerik! – Vomitei essas palavras de uma vez em uma única lufada de folego, atraindo atenção delas.

— QUEM É MICK? – Maggie me perguntou.

— Meu melhor amigo. – Resmunguei. – Meu melhor amigo a cinco anos, online.

— Você tinha um melhor amigo online a cinco anos e não sabia que ele era o Yerik? – Aisha perguntou confusa.

— Não. Eu nunca soube quem ele era, mas calhou dele estudar na mesma escola que eu, entramos juntos na Sta. Agnes, mas eu não sabia a sua realmente identidade, até supostamente hoje. – Falei atordoado.

— Como você conversava com alguém a cinco anos, que você considera ser o seu melhor amigo sem saber a identidade dele? Qual é o seu problema, Blake? Não te ensinaram que isso é perigoso, que ele poderia ser um pedófilo?

— Eu sei, mas ele dizia estar doente, com uma doença incurável e que não queria que fosse íntimo o suficiente para eu sofrer, caso ele morresse.

— E você acreditou nessa desculpinha? Meu querido, como você é ingênuo. – Maggie suspirou.

— Mas como você descobriu que ele é o Yerik.

— Marcamos de nos encontrar na mesa de bebidas as 22 horas, por isso, te deixei sozinha. – Me dirigi a outra amiga.

— Me deixou sozinha por causa de homem. – Ela revirou os olhos.

— NÃO FOI POR CAUSA DE HOMEM, FOI POR CAUSA DA PESSOA QUE MAIS SE IMPORTA COMIGO! – Gritei irritado, estavam me atropelando e focando nos detalhes.

A porta da Irmã Nancy foi aberta abruptamente por ela, surpreendendo a todos.

— Gostaria de saber o porquê de três alunos estarem gritando a essa hora, na porta da minha sala? – Seu tom era sério e o seu olhar odioso.

Não sabíamos aonde enfiar a cara, principalmente eu que acabara de gritar.

— Alguém vai me responder ou terei que suspender a todos?

— Viemos acompanhar a nossa amiga. – Maggie tomou coragem para falar, sua fala era baixa, controlada e sem um pingo da sua arrogância habitual que costumava usar.

— Voltem direto para os seus dormitórios imediatamente como foi orneado pelas Irmãs do ginásio ou terão o mesmo destino da Srta. Grant. Nenhum de vocês é o representante legal por ela, para acompanharem até meu escritório.

— O quê? – Aisha perguntou.

— Não sairemos daqui, sem informações sobre nossa amiga. – Maggie foi incisiva em sua fala, confrontando a diretora, surpreendendo, além de Aisha e eu, a si mesma.

A Irmã Nancy exibiu um sorriso frio e cruel, que lembrou em muito o do sobrinho-neto.

— Como desejar, Srta. O’Malley. – Surpreendia-me a capacidade das Irmãs em memorizar os nomes dos alunos. – A Srta. Grant acabava de ser liberada nesse exato momento, acredito que ela possa explicar melhor a sua situação a vocês. Agora, vão dormir todos! – Essa falsa simpatia deixou evidente de que coisa boa não vinha, teria castigado muito bem a nossa amiga para ter falado aquilo.

Ela deu uma breve abertura na porta da sala, por onde uma Beth ensopada de sangue saiu, antes de fechá-la com violência.

— Fui expulsa. – Os dentes brancos destacaram-se no seu sorriso, em meio ao mar rubro.

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Eu não chorei, minha mente operava em um completo caos e choque, tentando a todo custo assimilar, organizar e entender o que tinha acontecido nas ultimas doze horas. Mick era na verdade Yerik, me complicado colega de quarto e a quem nutria fortes e tempestuosos sentimentos e uma das minhas melhores amigas havia sido expulsa por canta uma música profana na noite de Halloween.

“Vocês não sabem o quão aliviada estou em partir”

Foi o que Beth falou após de jogado a bomba da sua expulsão, Maggie ficou completamente desesperada e começou a chorar, Aisha fez o mesmo, só que de maneira mais “controlada”, eu fiquei apático.

Não tivemos tempo para uma despedida grandiosa, como Beth merecia, Sta. Agnes estava praticamente a escorraçando das suas propriedades e como ela não queria permanecer mesmo, aceitou o seu destino com tranquilidade. Minha amiga, revelou que desde a morte de Sam, acho que essa foi a única vez que quase cheguei a chorar, ela nunca mais se sentiu confortável na escola, tudo lembrava sua ex-namorada e a atmosfera opressora da Irmã Nancy piorava ainda mais a coisa. Estava insustentável, a pelo menos, dois meses e viu naquela oportunidade, uma maneira de se manifestar e sair do jeito que queria, eu compreendia muito bem o que dizia, pois sentia algo parecido.

Maggie questionou os seus métodos para ser expulsa e a razão para vir estudar em um colégio católico, se o ambiente já seria tradicionalmente opressor. Beth lhe respondeu pela experiência, que precisava sair da sua bolha de conforto e explorar horizontes hostis, mas era seu limite e não queria sair como uma desistente, por isso, a expulsão.

O sol estava nascendo quando os pais dela apareceram para buscá-la, tinha arrumado uma pequena mala de mão e posteriormente seus pais buscariam o resto das suas coisas, já que sua presença era intolerável após as 24 horas de expulsão, a coisa era feita para sumir com o aluno mais rápido possível. A sorte ficou ao nosso lado nesse período de tempo, pois nenhuma freira apareceu para nos incomodar no tempo, maior parte, que ficamos na entrada do colégio.

As meninas ficaram o tempo todo abraçadas, Beth encarava-me sempre com muita preocupação.

— Seu maior demônio é você mesmo. – Foi o que falou no meu ouvido, durante a nossa despedida antes de me beijar na bochecha.

Nos encaramos por alguns instantes, seus olhos castanhos pareciam analisar minha alma, quase esperava que declamasse uma profecia.

— Não se esqueça disso. – Afixou.

Concordei com a cabeça, após se afastar para abraçar minhas outras amigas, seu perfume de verbena permaneceu comigo.

O Sr. e Sra. Grant pareciam exatamente o que se esperaria dos pais de Beth, eram hippies com roupas leves e coloridas, dirigiam uma kombi amarela, que foi a última visão da presença da minha amiga que tive, ao virarem nos portões da escola, naquela manhã.

— O que será de nós sem ela? – Aisha perguntou.

Maggie e eu nos encaramos por alguns instantes, o seu rosto estava inchado, a puxei para um abraço enquanto recomeçava a chorar, Aisha lhe fazia carinho nas costas.

— Seremos nós... – Suspirei.

Não ficamos por muito mais tempo juntos, tínhamos virado a noite juntos, correndo o risco de sermos pegos e precisávamos dormir pois ainda teríamos aula mais tarde. As meninas seguiram essa ideia e foram para os seus dormitórios, eu pelo contrário, estava por evitar o meu, então fui ao único lugar acolhedor possível, naquele horário, a capela.

Eu queria entender o que tinha feito de errado para tanta desgraça acontecer ao mesmo tempo, eu tinha começado a resgatar minha fé, não haviam motivos para voltar a ser punido ou que as pessoas a minha volta fossem punidas. Se Deus estivesse ainda me testando, eu precisava do seu contato para saber que tudo ficaria bem depois, não iria fracassar dessa vez.

A capela estava lotada de freiras quando cheguei, era o horário costumeiro delas para as preces matinais, só havia apenas mais uma pessoa além de mim, que não era uma, Alex e infelizmente o único lugar livre era na sua fileira. Fiz o sinal da cruz e caminhei até lá, tentando ficar o máximo possível distante dele.

— Veio confessar os seus pecados ou os da sua amiga? – Perguntou baixo para mim, quase não foi possível ver seus lábios se movendo, olhava para baixo.

— Apenas os meus. – Lhe sussurrei, também olhando para baixo.

— Minha tia-avó falou que ela foi expulsa. – Seu tom de voz era indiferente, não parecia caçoar ou ter compaixão.

— Sim.

— E como se sente com isso?

— Acho que não deveríamos conversar durante a missa. – Tentei fugir do assunto, pensar nos meus problemas, era exatamente a última coisa que eu queria fazer.

— Me responda ou tem medo de abrir o seu coração para mim?

— Para qualquer um... – Suspirei

Minha resposta sincera fui surpreendente o suficiente para atrair a sua atenção, desviou seus olhos do chão e encarou-me com tédio.

— O que esconde de tão obscuro aí dentro que eu não posso ver?

— Nem eu sei...

Ele deu uma risada baixa, não entendi o porquê de fazer isso. Da minha parte ainda existia um grande receio sobre ele, a lembrança da sua última abordagem arrepiava-me.

— Eu gosto de você, por causa disso. – Piscou para mim. – Sua inocência.

Apenas consenti.

— Acha que sua tia fez certo em expulsar Beth? – Me atrevi a perguntar.

— Acho que ela sabe o que faz, se está certo ou não, não sei.

Não lhe fiz mais perguntas, voltei a minha atenção as minhas orações.

Questionei Deus sobre tudo que acontecia e tudo o que eu sentia, mas foi como conversar com uma parede, pela primeira vez, ele também me ignorava. Não sei quanto tempo se passou, mas deveria ser quase hora do início das aulas quando desisti da comunicação.

— O problema pode estar na forma e no que quer falar. – Alex voltou a falar comigo. – Ás vezes, isso também acontece comigo, não desista.

— Acho que o canal de comunicações está fechado para mim hoje, justo hoje. – Falei vencido, olhando para o teto da capela, tinha desenhos de anjos, de Jesus, Deus e Sta. Agnes.

— Não precisa mais me evitar, para não vir a igreja, se não quer que eu fale com você, é só me falar. – Ele falou calmo ao se levantar.

Sua fala me pegou de surpresa, porque era verdadeira, mas não queria que ele ficasse com essa impressão sobre mim, por isso, segurei seu braço antes que ele partisse.

— Não quero me afastar de você. – Falei com sinceridade, apesar do transtorno anterior, gostava dele e da sua companhia, quando menos invasiva.

Ele não me respondeu imediatamente, ficou encarando a mão que segurava, seu olhar era tenso. Ficamos nessa tensão por um minuto, até ele delicadamente se soltar.

— Tudo bem. Mas não veja com roupas dos anos oitenta mais. – Falou apontando para a minha fantasia.

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Eu estava indo para o meu quarto, colocar o uniforme quando recebi a mensagem do Mick.

Mick:

Já que quer uma prova da minha identidade.

Embaixo estava uma selfie de Yerik com a fantasia de múmia, ele sorria e como sempre os caninos pressionavam os lábios.

Agora eu não podia mais negar que ele era o Mick, o Mick diretamente tinha me mandado uma foto dele, mesmo que Yerik tivesse lido minhas mensagens antes, não poderia me responder. Balancei a cabeça em negação, era o fim, a perda de dois amigos de maneira tão dura e abrupta.

Eu passei o resto do dia com dor de cabeça devido a abstinência de sono, imaginei que minha cara representaria bem essas horas não dormidas.

— Sua amiga foi expulsa? – Vick com as gêmeas me abordaram na porta da sala da minha primeira aula.

— O quê? – Estava distraído no meu caos interno, para prestar atenção nela.

— Sua amiga ruivinha, cara de hipponga e tals... Ela foi expulsa? – Voltou a perguntar.

— Sim. – Confirmei.

— Estou passada. – Ela colocou a mão na boca. – Pensei que seria a outra ruiva chata.

Vick referia-se a Maggie, mas ela não era exatamente ruiva, seu cabelo era mais para um tom de bronze. – Foi por causa do sangue ou da música? Achei um pouco demais a coisa, toda mais não teria expulsado não.

Eu só a encarava, não respondia.

— Você já reparou que só tem amiga ruiva?

— Você também. – Apontei para as gêmeas.

— Justo. – Ela riu.

— É só isso? Preciso ir para aula. – Falei sem ânimo.

Ela fez uma careta com a resposta, imagino que deveria ainda ser algo novo não me comportar como uma sombra obediente.

— Tudo bem... – Falou desconfiada. – Mas você está ok?

Fiz que positivo e entrei na sala.

As aulas seguiram como uma eternidade sem fim, nem me importava mais em me encontrar com o búlgaro, minha mente fervia e implorava por uma noite de sono. Durante o almoço e o jantar o único assunto era sobre a expulsão de Beth, a maioria, por incrível que pareça não concordava com a decisão, porém isso em nada adiantava, pois, a palavra final já havia sido dada e Beth aceitado. Sua performance também entrava nas rodas de conversas, novamente a maioria, concordava que havia sido um choque o banho de “sangue” e a letra da canção. Muitos especulavam sobre o aconteceria com os alunos, em consequência pelo ato, todos esperavam coisa ruim por vir.

Maggie e Aisha estavam o tempo todo amuadas, apesar de termos nos alimentados juntos, mal conversávamos, hora ou outra, alguém soltava algo aleatória e nada além disso. Não o búlgaro em momento algum o dia inteiro e até quando fui dormir, ele não apareceu no quarto.

Acordei no outro dia com um bom humor, até lembrar de tudo que acontecia, meu colega dormia profundamente e nem viu quando sai do quarto, apesar da saída a francesa, não teria como evita-lo naquele dia, teríamos o Coral.

As meninas estavam no mesmo jeito do dia anterior do almoço, quando Louis com sua prima, sentaram na nossa mesa, não consegui evitar de lhe fazer uma careta.

— Eu sinto tanto que a Beth foi expulsa, eu adorava dela. Como podem expulsar alguém por cantar Madonna, deveriam dar um prêmio para ela, ainda mais para referência que usou. – O jeito que ele falava me incomodava, revirei os olhos. – Passei a noite pensando nela, até chorei.

Eu não acreditaria ele tinha chorado por ela, se não, tivesse visto o seu rosto pelo canto de olho o nariz vermelho e os olhos inchados. Ele era bonito mesmo com a cara inchada, não era surpreendente meu colega de quarto transar com ele, as sardas também eram muito charmosas. Por implicância, pensei que ele tivesse ficado resfriado, por isso esses sintomas, do que, sentimentalismo.

— As pessoas tem comentado bastante. – Danie, a prima dele, falou. – Vocês que são amigos dela e foram atrás dela depois, podem confirmar?

— Como você viu a gente indo atrás dela, se estava uma confusão. – Perguntei.

No momento que fechei a boca, percebi a gafe que cometera ao insinuar visão para alguém cego.

— Ai, meu Deus. Me desculpe. – Falei com a mão na boca.

Danie apenas riu, Louis ficou me analisando, Maggie e Aisha estavam tão constrangidas quanto eu.

— Não se desculpe e não, eu não vi vocês, mas meu primo me contou.

Fiz cara de culpado.

— Ela realmente foi expulsa. – Aisha respondeu à pergunta a final.

— E por que não recorreu? – Louis perguntou.

— Porque ela queria ir embora. – Respondi rápido.

— Sabe outra coisa que dizem, que o grupo de vocês é amaldiçoado, por conta da menina que faleceu e agora pela expulsão de Beth. Eu e Danie, não nos importamos com isso e vamos continuar sendo amigos de vocês, mesmo com o Blake revirando os olhos toda vez que eu abro minha boca. – Ele me alfinetou descaradamente e nem sobre soar como se tivesse fazendo um favor a todos, mas não foi isso que me irritou, foi a forma que se referiu a Sam.

Maggie me olhou apreensiva, prevendo minha reação.

— O nome da menina que faleceu era Samantha e ela foi uma pessoa incrível, muito melhor que você e sua forçassão de amizade.

— As máscaras caem. – Ele arqueou a sobrancelha.

— Não. – Falei, me levantando da cadeira, todos me olharam apreensivos. – Máscara nenhuma caiu, sempre deixei bem nítido minha total não simpatia a você, principalmente quando reviro os olhos. Agora, Maggie, Aisha e Danie, se me dão licença, eu vou ir para o banheiro do meu quarto vomitar um pouco. Boa noite.

E foi realmente o que fiz, retornei ao meu dormitório e vomitei todo o jantar.

—x-

Abigail estava amuada em um canto da sala, quando cheguei na sala do Coral no outro dia, maior foi minha surpresa em encontra alguém antes de mim, do que, vê-la naquela condição. Quando me viu, logo tratou de se recompor, provavelmente não queria que ninguém a visse naquele estado.

— Você está bem? – Perguntei.

Ela balançou a cabeça positivamente, por um momento, pensei que estivesse chorando pela expulsão de Beth, mas isso não faria sentido algum, pois nem eram tão próximas. Me aproximei e sentei na cadeira ao seu lado.

— Se quiser conversar, eu também sei só escutar. – Esbocei um sorriso de canto, não me esqueceria das suas rápidas conversas comigo quando eu não conversava com mais ninguém, ela tinha sido a única a fazer isso.

Ficamos em silêncio, apenas nossas respirações eram audíveis.

— Ás vezes eu me esqueço de como as pessoas podem ser cruéis... – Suspirou, limpando o rosto molhado. – A gente acaba construindo uma barreira de proteção, ficando forte, mas apenas é preciso uma palavra certeira, para desmoronar tudo. – Sorriu no final. – Mas nada que eu já não tenha enfrentado antes.

— Acho que posso ter uma leve noção desse sentimento. – Comentei.

Me lembrei do comportamento dos alunos no período em que um vídeo meu bêbado viralizou, de toda situação de Sam e mais recentemente dos comentários sobre o meu peso, não eram tão evidentes e explícitos como nas situações anteriores, mas eu ainda ouvia vez ou outra algo desagradável.

— As pessoas magras não estão prontas para amar as pessoas gordas, é legal se ter como amigo engraçado, mas nunca para namorar ou algo do tipo, isso quando não fazem escondido e nem as pessoas gordas querem uma as outras. – Abi parecia ficar mais nervosa. – Mas tudo bem, eu estou acostumada com isso uma vida toda.

— Sinto muito.

— Não sinta, isso torna a coisa pior porque além de gorda rejeitada, me torno patética.

— Você não é patética. – Rebati.

Ganhei um sorriso sincero como resposta.

— Obrigada pelo elogio, agora eu só preciso acreditar nele.

Voltamos a ficar em silêncio.

— Eu já fui gordinho antes também. Eu tinha acho que cinco para seis anos quando engordei com a morte da minha mãe. – Me abri para ela. – E agora com a morte da Sam.

— Sinto muito pela sua mãe e pela Sam.

— Eu também, ás vezes penso que as coisas seriam mais fáceis com ela aqui. Eu jamais estaria nesse programa de emagrecimento, por exemplo.

— Talvez... – Ela pareceu querer dizer algo, no entanto, não completou.

Voltamos a ficar em silêncio.

— Por que estava chorando? – Me atrevi a perguntar.

Ficou pensativa por um tempo, como se avaliasse se iria responder ou não.

— Estava digerindo uma situação que aconteceu durante a festa passada.

— Entendi.

— Como está Beth, ela está bem? – Mudou de assunto.

— Acredito que sim, pareceu aliviada por ir embora. – Suspirei. – Eu vou sentir tanta falta dela. – Pela primeira vez, senti tristeza com a sua partida, tive que olhar para o forro de gesso para não deixar uma lágrima escapar. – Mas era para ser assim e o melhor para ela. – Sorri, livrando-me de qualquer sombra que estivesse tentando envolver-me.

Mais alunos começaram a chegar na sala e não voltamos a conversar mais. A Sra. Underwood não demorou muito para chegar ela parecia tensa.

— Má notícias pessoal...

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— Blake? – Abigail acenou para mim, assim que entrei no ônibus. – Senta aqui comigo.

Ela estava senta mais ou menos, na metade do ônibus.

— Pensei que estaria sentada com a Charli. – Enruguei a testa, confuso.

— Alguém foi mais rápido. – Respondeu olhando para trás.

Charli e Marc estavam sentados juntos conversando, não reparei muito na conversa, mas ela não parecia tão ranzinza como de costume e ele parecia estar bem.

— Desde quando eles são amigos? – Falei me sentando ao seu lado.

— Desde o Halloween.

Estávamos a caminho das regionais em Washington D.C., faltando pouco menos de uma semana e meia para o fim de novembro, algumas coisas tinham acontecido nas semanas que passaram, como a recuperação do meu braço e a oficialização de uma supervisora para o nosso Coral. Uma Irmã agora ajudaria a Sra. Underwood a tomar as decisões pelo grupo, o que não era necessário, mas era uma clara medida punitiva ao acontecido na festa de Halloween, era uma apresentação do Coral apesar de tudo.

A professora não ficou nenhum um pouco feliz com a situação, estava acostumada com sua liberdade criativa, apesar da Irmã Gianna não ser como temíamos. Tinham sido dias estressantes para ela, tendo que readaptar toda a apresentação, agora com uma integrante a menos e ainda não tinha ficado cem por cento satisfeita com o resultado alcançado.

— Suas amigas não irão ficar com raiva de você se sentar comigo, não?

— Elas não chegaram até agora. – Falei levantando a cabeça e varrendo todo o ônibus com o olhar, atrás delas.

Quando fiz isso, vi o que não queria, Yerik e Louis chegavam juntos, passaram por mim e se sentaram nos últimos bancos. Nenhum pareceu reparar em mim, o que era bom, mas vê-los juntos revirava-me o estomago.

— Viu elas? – Abi perguntou.

— Não.

— Viu algo que não gosto? Está com uma cara de quem comeu comida estragada...

— Nada.

Depois do meu pequeno confronto com Louis, ele diminuiu a sua frequência na nossa mesa e consequentemente, o via bem menos, porém, agora sempre andava com Yerik e sua prima. Fiquei imaginando se sua companhia fazia as pessoas questionarem a sexualidade do búlgaro, mas o outro parecia ser protegido de boatos, ou deveria ser pelo seu comportamento flertivo com as garotas, mas isso não era da minha conta. Se antes já sentia falta do Yerik, era o dobro, pois com sua revelação o meu melhor amigo, acabou morrendo e com ele, a última pessoa que eu desabafava para valer.

— Não vai sentar com a gente?! – Maggie me assustou ao bater com força no banco da frente, tirando-me dos meus devaneios.

— Vocês demoraram. – Lhe encarei. – Abi pediu para lhe fazer companhia.

— Como você é tão solicito. – Ela revirou os olhos. – Nem se eu pedir com jeitinho você vem para o nosso lado, não é? – Estava com uma sobrancelha arqueada.

— Desculpe. – Falei sorrindo, levantando os ombros.

— Depois reclama quando sentamos com o Louis. — Fiquei boquiaberto com sua afirmação. – Brincadeira, amore. – Acrescentou ao ver minha expressão, dando-me uma piscada. – Vamos, Aisha. Ele não gosta da gente.

Acenei para elas sorrindo enquanto sentavam três bancos mais para trás.

— Vai fazer a viagem de natal? – Abi me perguntou puxando assunto.

— Acho que sim.

Uma das novidades, era a viagem das festas de final de ano para uma estação de ski em Vermonte, seria uma alternativa para os que não poderiam passar as festividades com a família, não era para os órfãos apenas, também para os ignorados com pais ocupados demais. Eu tinha optado por ir porque não queria ver meu pai, não esqueceria seu consentimento a natação sabendo da minha hidrofobia e passado, simplesmente essa decisão de fez o menor sentido, fora maldosa.

— E você? – Perguntei.

— Talvez, gostaria pela experiência, mas minha família gosta de estar toda reunida...

Passamos a viagem toda conversando, Abigail falou muito sobre sua família e eu escutava obedientemente, não me incomodava, era interessante ver a dinâmica de uma grande família, bem diferente da minha. Ao chegarmos no hotel, cada aluno pode receber um quarto, o que me deixou bem feliz.

Tudo ocorria perfeitamente bem, apesar da amizade de Charli e Marc que era um choque para todos, até que subimos no palco.

O número inicial seria Like a Prayer da Madonna, como era exigido na temática daquela edição, o que me surpreendera fora Irmã Gianna aprovar a escolhar, seriamos todos no palco, era a parte mais modificada e mais insegura do grupo, pois envolvia caminhas pelo palco.

Camille era a solista principal, acompanhávamos ela.

Life is a mystery, everyone must stand alone

A vida é um mistério, todos precisam ficar sós

I hear you call my name

Eu te ouço chamar o meu nome

And it feels like home

E me sinto em casa

When you call my name it's like a little prayer

Quando você chama o meu nome é como uma oração

I'm down on my knees, I wanna take you there

Estou de joelhos, eu quero te levar até lá

In the midnight hour I can feel your power

À meia-noite eu posso sentir o seu poder

Just like a prayer you know I'll take you there

Como uma oração, você sabe que te levarei até lá

I hear your voice, it's like an angel singing

Eu ouço a sua voz, é como um anjo cantando

I have no choice, I hear your voice

Não tenho escolha, eu ouço a sua voz

Feels like flying

Sinto vontade de voar

I close my eyes, Oh God I think I'm falling

Eu fecho os meus olhos, Meu Deus, acho que estou caindo

Out of the sky, I close my eyes

Do alto do céu, eu fecho os meus olhos

Heaven help me

Deus me ajude

No meio da canção acabei de encontrando com Yerik, nosso encontrão foi tão brupto que fui empurrado umas cinco passadas para trás, caindo de bunda no chão, senti meu braço machucado doer. Todos ficaram nervosos com o acontecido, olhavam-me sem saber o que fazer, porém sem parar de cantar.

When you call my name it's like a little prayer

Quando você chama o meu nome é como uma oração

I'm down on my knees, I wanna take you there

Estou de joelhos, eu quero te levar até lá

In the midnight hour I can feel your power

À meia-noite eu posso sentir o seu poder

Just like a prayer you know I'll take you there

Como uma oração, você sabe que te levarei até lá

— Você está bem? – A Sra. Underwood veio correndo me perguntar quando finalizamos a apresentação. – Se machucou mais?

Pelo canto do olho, vi o búlgaro nos vigiando.

Eu estava decepcionado, tinha arruinado a nossa apresentação, mais uma coisa importante que era estragada, eu não tinha mais nada para me orgulhar.

— Não, estou bem.

— Mais fácil todo mundo sair machucado com a derrota de hoje, do que, ele se machucar mais. – Camille falou irritada ao passar por nós.

A professora não falou nada, mas sabíamos que ela poderia estar certa, sua expressão preocupada dizia tudo. Obviamente tinha acontecido um “acidente” no palco, falta de treino e atenção”, mesmo com os vocais, tirando o meu e de Yerik, não terem sido afetados, aquilo era uma apresentação e o conjunto contava.

— Não chore ainda, se perdermos será pelos seus vocais imprecisos. – Maggie tentou me defender alfinetando Cami.

— Seu sonho... – A outra suspirou.

Camille se provou estar certa ao sermos anunciados como vice colocados das Regionais, veio um gosto amargo na boca de todo mundo e uma preocupação com o futuro. A volta à Sta. Agnes foi silenciosa, ninguém disse nada, mas eu sabia que todos pensavam, que era minha culpa termos perdido, que eu deveria ser mais atento. Eles estavam certos.

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Eu não tinha mais como fugir, tinha evitado a enfermaria nas vésperas das regionais e do dia ação de graças, mas uma semana depois precisava finalmente tirar o gesso e consequentemente depois encontrar-me com o treinador para iniciar os treinos. Na enfermaria, não demorei muito tempo, a enfermeira foi rápida, Mick não estava naquele dia.

A caminhada até o escritório do Sr. Roosevelt foi terrível, sentia-me todo arrepiado, teria que ter coragem para lhe suplicar não ir para piscinas ou ser conivente a situação. Seu escritório ficava ao lado dos vestiários na piscina, era necessário andar a sua margem para chegar até lá, senti uma leve vertigem ao observar todo aquele corpo d’agua.

— Sr. Roosevelt. – Bati na sua porta.

— Pode entrar, Sr. McCarthy. – Ele ordenou em tom grave.

Ele parecia estar levemente irritado, os treinos não estavam ocorrendo tão bem, como eu era obrigado a acompanhar para fazer relatórios, via como o rendimento dos atletas havia caído e como ele quebrava a cabeça para faze-los melhorar.

— Está aqui, o relatório sobre o meu braço. – Lhe entreguei um envelope com uma papelada da enfermaria.

Seu escritório cheirava a cloro, era claro com uma imensa janela de vidro atrás dele.

— Por favor, se sente. – Indicou a cadeira na frente da sua mesa.

Eu tentava respirar o mais controladamente possível, estava ansioso para o que ele iria falar após analisar tudo. Foram cinco minutos agonizantes.

— Vai precisar fazer fisioterapia? – Perguntou sério. Consenti com a cabeça.

— Talvez por algumas semanas. – Tive esperanças em ser dispensado por causa disso.

— Mas isso não te impede de ir para piscinas. – Fiquei calado. – O que acha de começarmos semana que vem?

— Eu preferia que nunca. – Não consegui segurar minha boca.

— Como é que disse? – Ele pareceu mais confuso do que bravo.

— Senhor, eu tenho hidrofobia, não consigo entrar em uma piscina. – Falei com calma, bem diferente do surto que eu tive na sala da Irmã Nancy anteriormente. – Eu tenho tentado superar isso, mas eu não consigo.

— Sr. McCarthy, o senhor foi direcionado a mim diretamente pela Irmã Nancy.

— Eu sei... – O interrompi. – Eu perdi minha mãe em um acidente de barco. – Falar sobre aquilo seria minha última alternativa para convencê-lo a mudar de ideia, não queria ter de chegar naquele ponto, mas não via outras alternativas. – Foi no meu aniversário de cinco anos, nós ficamos a deriva por três dias antes de nos pegarem. – Meus olhos molhavam-se ao eu falar aquilo. – Por isso, eu peço, por favor, não me coloque dentro de suas piscinas.

O Sr. Rooselvet estava branco.

— É uma situação muito delicada... Eu tinha lido sobre isso no seu relatório escolar.

— Eu sei que eu faço parte de um programa de emagrecimento e eu tenho me esforçado muito para conseguir atingir meus objetivos. – Falei. – Já perdi cerca de dez quilos, estou perto da meta, por favor, o intuito de eu entrar na natação não era para emagrecer? Não sou um atleta como a minha irmã.

O treinador ficou pensativo.

— Não é apenas para emagrecer, é para também se ter uma rotina de exercícios. – Minhas esperanças estavam definhando. – Mas posso tentar reconsiderar sua situação. — Mal pude segurar o meu sorriso. – Mas precisará encontrar um outro esporte para substituir esse.

— A Irmã Nancy falou que todos os outros estavam cheios. – Argumentei.

— Eu sei, mas é o máximo que consigo, transferi-lo para outra modalidade e te manter afastado enquanto duram suas sessões de fisioterapia.

— Isso é muito, muito obrigado. – Falei nervoso.

— Eu sei, por isso suma da minha sala antes que eu mude de ideia.

Sua atitude me pegou de surpresa, antes que eu pudesse pensar já estava correndo a beira de uma piscina sorrindo de felicidade, quando que uma cena se repetiria, provavelmente nunca mais. Era algo para se comemorar após tanta infelicidade, saí correndo pelos corredores até chegar no refeitório.

— Eu acabei de voltar da sala do treinador. – Falei para Maggie e Aisha quando as encontrei.

— Boas notícias? – Perguntaram juntas, ambas sabiam o que deveria fazer naquele dia.

— Tirou o gesso. – Apontou para o meu braço

— Sim tirei e mais que boas notícias! –Falei empolgado, quase dando pulinhos, mas não queria abusar da sorte, vai que eu caísse e me machucasse, ou pior, o treinador mudasse de ideia. – Consegui ser dispensado. – Falei sorrindo.

— Sério?! – Maggie quase gritou, mas como conseguiu isso.

Narrei para elas tudo o que havia acontecido, não ficaram tão surpresas como imaginei que ficariam.

— Quem diria, Blake McCarthy com poder de manipulação. – Maggie estava com um sorriso sarcástico no rosto.

— Ei! Eu não manipulei ninguém. – Porque realmente não tinha. – Apenas fui sincero sobre minha situação e ele foi compreensivo. – Sorri. — Eu não consigo comemorar com medo de ser mentira. – Admiti.

— Pois deveria, eu faria se tivesse escapado de uma caixa com cobras, sem nem ter entrado nela.

— Mas ainda preciso conseguir alguma equipe. – Argumentei.

— Acho que você consegue alguma coisa após o recesso.

— Assim espero. – Suspirei.

Aproveitei o restante da noite para passar com minhas amigas, era a primeira vez, em muito tempo, que me sentia um pouco mais leve, mesmo que não fosse algo oficial, era uma chance real. Quando voltei para o quarto, toda essa atmosfera mudou ao vê-lo.

— Escutei que você conseguiu ser dispensado pelo treinador. – Yerik comentou quando estava pronto para dormir.

Não lhe respondi, eu nem me dava ao trabalho de fingir que dormia, pois seria uma mentira deslavada, tinha acabado de me deitar na cama, de costas para ele.

— Fico feliz por você. – Suas palavras eram controladas e receosa, ele estava pisando em ovos.

Era a nossa primeira interação desde o encontrão durante as regionais, o que eu e a maioria dos meus colegas de clube concordavam que teria sido o motivo da nossa derrota, porém eu não parava de pensar nele um minuto sequer. Yerik e Mick eram figuras presentes nos meus pensamentos, desde que conhecera cada um deles, agora com a fusão, quadruplicaram sua presença.

— Eu sinto muito pelas regionais. – Continuou falando sozinho.

Eu não estava fugindo ou evitando-o, estava decepcionado, sentindo-me ludibriado simplesmente não sentia vontade de compartilhar mais de mim com ele. Tentava evitar pensar em todas suas mentiras e omissões, queria apenas seguir em frente como se nunca os tivessem conhecido.

— Gostaria que me respondesse, sinto sua falta também como Mick.

Novamente, silêncio.

Ele pareceu ter desistido, porque não voltou a falar mais nada. Escutei quando ele adormeceu e dormiu tranquilamente, com mais de um ano de companhia, me acostumara a dormir com o som da sua respiração. Ao contrário dele, eu não dormi ou dormi bem pouco naquela noite, sua sombra revirava-me os pensamentos.

Precisava admitir para mim, que sentia falta da sua companhia e do modo que cuidava de mim quando estava mal com a natação ou por Sam. Os sentimentos estavam ali, gritavam dentro de mim, não era possível ignorá-los. Desejei ter minhas melhores amigas para desabafar e pedir conselhos, mas isso não era mais possível, precisava tomar minhas decisões pela própria conta e risco, mas o que exatamente eu estaria disposto a abrir mão? Minha fé? Minha verdade? Eu só precisava vomitar tudo aquilo que me consumia.

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— Alguém gostaria de fazer alguma performance, antes de começarmos os ensaios para as músicas natalinas? – A Sra. Underwood perguntou.

O clima do coral ainda me era hostil, todas estavam com um pouco de raiva da minha falha na apresentação, mas por incrível que pareça isso não atormentava. Sem a ameaça continua da piscina, outros medos começaram a berrar dentro de mim.

Por impulso levantei a mão, todos olharam para mim surpresos, além de mim, Cami, Louis e Maggie também tinha levantados a mãos, mas o foco de todos era mim. Acho que eu sempre tentar me manter o mais invisível possível e ter tomado uma iniciativa tão de repente, tenha surpreendido a todos.

— Sr. McCarthy? – Gostaria de assumir sua posição.

Não a questionei pela sua escolha inicial, estava obvio o porquê de eu ser o primeiro. Em outras circunstâncias, eu não teria me oferecido tão descaradamente e teria desistido da ideia assim que fui confrontado por todos aqueles olhos, mas eu sentia que precisava ser livre, precisava cantar para que todos ouvissem.

Eu percebi os olhos de Yerik me acompanharem enquanto me dirigia ao centro da sala.

— Gostaria de falar alguma coisa? – A Sra. Underwood voltou a falar, perguntou devido ao silencio que eu fiquei. – Pode começar então.

Eu encarei aqueles olhos azuis profundamente antes de fechar os meus e deixar-me guiar pela minha voz. Não queria que ele soubesse que a canção era para ele, mas minhas reações me traiam, ter lhe encarado deixava óbvio, por felizmente, só ele repararia isso.

I wanna sleep next to you

Eu quero dormir ao seu lado
But that's all I wanna do right now
Mas isso é tudo que eu quero fazer agora

And I wanna come home to you

E eu quero voltar para casa, para você

But home is just a room full of my safest sounds
Mas casa é só uma sala cheia dos meus sons mais seguros

'Cause you know that I can't trust myself with my 3 A.M. shadow
Porque você sabe que eu não posso confiar em mim e em minha sombra demoníaca

I'd rather fuel a fantasy than deal with this alone

Eu prefiro alimentar uma fantasia do que lidar com isso sozinho

I wanna sleep next to you
Eu quero dormir ao seu lado

But that's all I wanna do right now
Mas isso é tudo que eu quero fazer agora

So come over now and talk me down

Então vem aqui agora e me acalme

I wanna hold hands with you
Eu quero dar as mãos com você

But that's all I wanna do right now
Mas isso é tudo que eu quero fazer agora

And I wanna get close to you
E eu quero chegar perto de você

'Cause your hands and lips still know their way around
Porque suas mãos e lábios ainda sabem seus caminhos

And I know I like to draw that line, when it starts to get too real
E eu sei que eu gosto de traçar um limite, quando começa a ficar muito real
But the less time that I spend with you, the less you need to heal

Mas quanto menos tempo que eu passo com você, menos você precisa para se curar

I wanna sleep next to you
Eu quero dormir ao seu lado

But that's all I wanna do right now
Mas isso é tudo que eu quero fazer agora

So come over now and talk me down
Então vem aqui agora e me acalme

(Talk me down)

(Me acalme)

So if you don't mind, I'll walk that line
Portanto, se você não se importa, eu vou caminhar sobre a linha

Stuck on the bridge between us
Presa na ponte entre nós

Gray areas and expectations
O desconhecido e as expectativas

But I'm not the one if we're honest, yeah

Mas eu não sou o escolhido, se formos honestos, yeah

But I wanna sleep next to you
Mas eu quero dormir ao seu lado

And I wanna come home to you
E eu quero voltar para casa, para você

I wanna hold hands with you
Eu quero dar as mãos com você

I wanna be close to you

Eu quero estar perto de você

But I wanna sleep next to you
Mas eu quero dormir ao seu lado

And that's all I wanna do right now
E isso é tudo que eu quero fazer agora

And I wanna come home to you
E eu quero voltar para casa, para você

But home is just a room full of my safest sounds
Mas casa é apenas uma sala cheia dos meus sons mais seguros

So come over now and talk me down
Então vem aqui agora e me acalme

(Talk me down)

(Me acalme)

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Assim que entrei no quarto escutei a porta se trancando atrás de mim, virei-me e vi um Yerik ofegante.

Estou completamente cansado de fazer seus jogos de esquiva, precisamos conversar, eu preciso falar com você. – Ele falou tão rápido e com tanto sotaque que eu quase não entendi o que queria falar.

Fiquei assustado com a surpresa, dei um passo para trás olhando para o quarto a procura de alguma saída, a única era o banheiro, porém, lá dentro ainda seria possível ouvir o que ele teria a dizer. Engoli em seco, com medo do que viria.

— Me desculpe por omitir minha identidade por todos esses anos. – Percebi que ele tremia. – Mas depois que eu te vi e das coisas que fiz, fiquei com medo de te contar a verdade e você me abandonar de vez. Em resposta, ele apenas recebia minha respiração acelerada. — Mas o que conversamos e o que compartilhamos, um com o outro, era real, sempre foi real para mim.

— Você mentiu por anos para mim, não foi só durante esse ano. Falou que era doente e não é, sabe quantas vezes eu rezei pela sua saúde, torcendo para uma cura? – O interrompi com raiva.

— Me desculpe...

— Te desculpar? Você usou de uma doença por qualquer razão banal, algo sério! Pessoas morrem todos os dias por doenças reais e incuráveis e você usa disso para se esconder durante anos! Sam morreu por causa de uma doença assim. – Vomitei as palavras.

Eu senti ódio de tudo o que ele tinha feito e de todas as mentiras contadas, uma completa farsa.

— Eu sei, quando eu inventei a doença eu só não pensava direito, era apenas para ser um fake, como todo mundo fazia na época...

— Nem todo mundo. – O interrompi

— Eu tinha apenas dez anos, não sabia direito o que estava fazendo, mas crescemos juntos, queria te contar a verdade, mas estava preso na mentira.

— Isso não justifica. Quantas oportunidades você teve para me contar, se fosse sincero, eu entenderia, você me conhece melhor que todo mundo e não fez.

— Eu sei que não. – Yerik olhava para baixo. – Devia ter contado antes, mas não tinha coragem...

— Por que? – O interrompi.

— O que? – Ele me encarou pela primeira vez, falava antes olhando para baixo.

— Por que contar só agora?

— Porque eu te perdi como Yerik, pensei que como Mick ainda poderia tê-lo.

— Como assim?

— Você me rejeitou! – Falou em tom acusatório. – Da pior forma possível, me deixou sem resposta e dentro de mim, eu sinto que você tem uma resposta e que ela me faria muito feliz.

— Do que está falando? – Me fiz de desentendido.

— De sentimento, de amor... – Seus olhos brilhavam.

— Mas... – Minha voz começou a falhar, percebi que começava a tremer igual a ele, cruzei os braços para tentar disfarçar. Na minha mente, temia e sabia a que rumo aquela conversa levaria.

— Maas o quê? Vai negar que sente algo por mim? – Seu tom de voz era controlado, mas irritado. – Nem você acredita nisso. – Avançou para mim, tentei recuar, no entanto, puxou meus braços. – Você está tremendo tanto quanto eu. – Suspirou. – Posso ter mentido para você, mas está fazendo isso consigo mesmo e impedindo de ser sincero em seus sentimentos.

Comparou os nossos braços, seus olhos azuis estavam brilhando em expectativa, estava tão ansioso quanto eu. Podia jurar, ouvir nossos corações batendo com força em nossos peitos, causando pequenos abalos sísmicos que nos derrubariam na primeira oportunidade.

— Por favor, Bleika, se for negar, seja de forma convincente. Eu sei o quão errado estou com você, mas se for para acabar com minhas esperanças, seja seguro disso.

Juro por Deus, que eu tentei com todas as minhas forças falar que não sentia nada por ele, mas isso trairia a mim e a verdade. Não podia negar algo que me atormentava a meses, fazia-me reconsiderar todas as minhas crenças de certo e errado, que causara infinitas crises de consciência e que me fazia sentir, raiva e felicidade. Yerik e eu tínhamos cultivado algo ao logo desses meses e estava na hora de vermos o que tinha germinado, não se podia ignorar o que já tinha nascido. Lágrimas desceram pelo meu rosto, as palavras pareciam presas na minha garganta, lutavam para permanecerem guardadas, mas tive que forçá-las, saíram como ácido, rasgando-me por dentro.

— Eu... Eu... eu gosto de você. – Foi o máximo que consegui dizer.

Yerik acompanhava atentamente cada palavra que eu falava e não conteve a expressão de satisfação com a admissão. Dentro de mim, algo gritavam falando que eu perdera e falhara.

— Sabemos disso a muito tempo, desde que tentou seguir em frente com nossa relação, mesmo depois de eu jogar um copo de suco na sua cabeça. – Ele sorria, segurava meus braços com firmeza, acredito que era isso que me dava sustentação para permanecer de pé, porque sentia que desabaria a qualquer momento.

— Mas isso é errado. – Minha voz saiu rasgada pelo choro.

— Errado, por quê?

— Por causa, da sua fé? Guie-se pelo seu coração ou se sentia errado ao dormir comigo no final do ano letivo passado. – Eu reparei o seu cuidado em não mencionar Sam. – Me diga com convicção novamente, que sentiu ser errado dormir no meu peito e se sentir confortável quando sua dor era forte o suficiente para não suportar dormir sozinho. Por favor, me diga como isso é errado quando nos dois sabemos o quanto aquilo foi bom e fez bem para você e você não imagina o quanto também para mim.

Eu não sabia o que dizer, meu coração se apertava com um sentimento bom e doentio ao mesmo tempo, era tão bonito as coisas que ele falava, mas ainda retumbavam na minha cabeça uma sombra dizendo que era errado, um pecado. O que ele questionava fazia sentido, mas...

— Eu não posso confiar em uma coisa que eu não tenho certeza...

— Você acredita em Deus por fé, por que não pode acreditar no sentimento? É a coisa mais verdadeira que terá de si.

Neguei com a cabeça, as lágrimas caíam como uma cascata.

— Eu odeio chorar. – Protestei, olhando para baixo.

Yerik soltou meus braços e segurou meu rosto com as duas mãos, levantando-o e fazendo uma carícia com ambos polegares, fez com que encarássemos, ele tinha começado a chorar também.

— Eu sei que não é fácil, não foi para mim, mas eu peço que confie em mim, por favor. – Seu olhar era penetrante, direcionava-se a minha alma de forma íntima.

— Eu quero. – Admiti pela primeira vez em voz alta, meus reais sentimentos.

Era fácil dizer que gostava de Yerik, era mais difícil dizer que queria confiar dele e ter algo com ele, isso era tão contra ao que eu acreditava, que falei aquilo me arrependendo imediatamente.

— Não pense nos outros, pense no que podemos ter juntos. – Sentia um pouco de empolgação em sua fala.

— Não é só isso... – Tirei suas mãos do meu rosto e me virei, não conseguia mais encará-lo, olhei para janela.

— O que mais? – Sua voz soou triste, pela primeira vez naquela noite.

— Tem muita coisa entre nós, eu me sentindo magoado, existe ressentimento. – Senti seu corpo se aproximar do meu, quase colando-os. – Eu não consigo esquecer tudo o que você me fez, principalmente ter mentido todos esses anos, não sei quem é você... O menino búlgaro a quem nutro sentimentos e magoas ou meu melhor amigo distante.

— Me desculpe. – Ele apoiou sua cabeça na minha nuca, senti suas lágrimas me molharem. – Nunca quis te fazer sofrer. Permita-se, me conhecer por completo, ambos em sua totalidade.

— Tem o seu envolvimento com Louis, após dizer que me amava. — Me abracei. — Não consigo seguir com alguém que fez soar um “eu te amo” como algo vazio. – Admiti minha maior magoa. – Então, não é apenas minha consciência dizendo não, é o meu coração também.

Quando falei isso, ele me abraçou com força e chorou mais. Não sabia o quanto aquilo lhe afetava.

Аз съм идиот! – Ficou repetindo em búlgaro inúmeras vezes.

— Eu sei que eu não te respondi e seu sinto muito por isso. – Voltei a falar, referindo-me ao “eu te amo” ignorado. – Mas, isso me magoou saber que você foi além...

— Eu não sinto nada por ele... – Ele me interrompeu.

— Não sei se isso é bom. – Confessei, apesar de que no fundo, foi algo bom de se ouvir. – Você transou com ele, não sei se tinha feito isso com o Jessie...

— Louis foi o meu primeiro e não foi importante.

— Viu, isso só faz soar pior.

Eu não pensava muito em sexo, foram poucas as vezes que realmente pensei e na maioria foram em sonhos ou me tocando, porém imaginava o sexo como algo importante. Eu sabia que para maioria das pessoas, se tornava algo banal, sem importância ou uma necessidade a ser sanada, sem qualquer relevância, no entanto, não via essa realidade sendo aplicada para mim. Eu via como algo de entrega, o ápice da confiança e do amor, a entrega e compartilhamento do seu corpo. E quando Yerik dizia que não era importante, chocava diretamente com esses valores.

— Você é diferente. – Ele argumentou. – O que eu fiz com o Louis, foi no calor do momento, quando eu estava com raiva de você.

Na minha cabeça, oitenta por cento da culpa do Yerik ter transado com outro, era minha, por tê-lo ignorado.

— Me desculpe. – Olhei para baixo.

— Não quero que pense que isso é sua culpa. – Ele falou me virando, como se estivesse lendo os meus pensamentos. – Porque não é, eu sei o que eu faço. Só falei isso, para você ver a minha perspectiva na hora. Acredito que você idealize o sexo e a primeira vez e se fosse com você, seria completamente diferente.

— Eu não penso nessas coisas. – Menti, o interrompendo.

— Mas acabou não sendo.

— Eu sei. – Voltei a encarar seus olhos, que estavam intensamente azuis devido ao choro. – Vocês ainda fazem essas coisas? – Não segurei a curiosidade e não conseguia dizer a palavra “sexo”.

— Foi apenas uma noite nas férias. – Falou sério. – Nada além disso, somos apenas bons amigos de escola.

— Não parece apenas bons amigos, para mim. – Argumentei, lembrando-me das insinuações do outro.

— Nem namoramos e você já está com ciúmes? – Ele riu.

— Não vamos namorar! – Rebati, lhe tirando o sorriso dos lábios, na hora, já me arrependi da forma que me expressei. – Não... – Tentei falar alguma coisa para concertar, mas o que diria, se era exatamente isso que ainda pairava na minha mente.

— Louis não é apenas a casca, por assim dizer, ele tem conteúdo e seus dramas também. – Continuou falando como se nada tivesse acontecido. – Ele é legal.

Não lhe respondi, ficamos alguns minutos em silêncio até ele entrelaçar nossas mãos, encaixar o seu maxilar na base do meu pescoço e sussurrar no meu ouvido.

— Por favor, me dê uma chance de verdade. – Seu nariz roçava no meu pescoço, arrepiando-me.

— Não sei se estou pronto. – Falei, me virando. – Tenho muito que pensar, é muita coisa acontecendo.

— Tudo bem, pelo menos alguma resposta eu tenho agora. – Ele sorriu, vê-lo sorrindo era uma sensação boa. – E também não é um não.

Não me afastai quando ele tocou meus lábios com os seus

Notas finais
Eai? Babado néh Foi um capitulo de muitos saltos temporais, eu sei, mas precisava para época que ficará o cap. 30. Proxima att dia 07/12, talvez dupla. Obrigado pelos comentários. reviews? recomendações? divulguem a ficccc Meu facebook: https://www.facebook.com/yuri.buri.1