Tempestuoso

30 Hinário do Inverno Branco


Notas iniciais
Buenas Noches, queridos. Quero agradecer a cada pessoa que comentou o último capítulo e especialmente a todos que recomendaram, sério, minha inspiração volta toda vez que leio o retorno e incentivo de vocês, muito amorrrr. The Ronettes - Be My Baby Fleetwood Mac - Dreams The Neighbourhood - Sweater Weather Não betado, acho que está um resultado abaixo do que eu queria, mas o editarei muito em breve, acredito que ganhe mais uns 2kk. Fiz o que pude com as condições que tenho.

— Sério que você não irá para casa no natal? – Vick parecia levemente exaltada na bifurcação entre alas, ao confrontar o seu irmão mais novo.

— Se eu voltar para casa, terei que encarar o papai e eu estou chateado com ele, fora que ano passado ele não passou com a gente, então dá na mesma. – Blake lhe respondeu com sinceridade.

— Mas eu vou ficar sozinha! – Protestou.

— Tem seu namorado para lhe fazer companhia. – O mais novo argumentou.

Vick se relacionava com um garoto misterioso a mais de seis meses e nunca tinha lhe apresentado para o irmão. Ela fez uma careta com a afirmação, sua tratativa de tentativa de convencimento, se prolongava desde o jantar e falhava desde então. Blake estava decidido a não retornar para casa naquela data. A viagem seria realizada na manhã do dia seguinte e duraria por mais duas noites após o ano novo em um hotel/estação de ski em Vermonte. Essa seria a primeira viagem do menor, sem ser relacionada as obrigações do coral e sozinho.

— Pensei que essas datas fossem importantes para você... – A garota era apelativa, fazia cara de coitada, que sempre funcionava nos casos extremos com o irmão do passado, no entanto, dessa vez não funcionou.

— Elas são, por isso, prefiro passar longe, do que, com sentimentos ruins com as pessoas com quem passaria. – Blake respondeu.

Novamente ela fez uma careta de infelicidade.

— Tanto faz, faça como você quiser. – Levantou os ombros, dando-se por vencida.

Era a primeira vez, que algo assim acontecia, era quase possível ver a aura de confiança do menor, por ter resistido as vontades da irmã, era algo para se orgulhar. O que era o repleto oposto das reações da mais velha pela primeira derrota.

— Vou sentir saudades. – Ele falou sorrindo, enquanto a outra batia firmemente os pés, caminhando em direção a ala feminina e lhe mostrando o dedo do meio. Provavelmente, não se irritara de verdade, apenas estava emburrada por ser contrariada.

Blake caminhou para o seu dormitório, onde o clima estaria bem mais leve que nos corredores e que na sua história passada dos últimos meses. Sua relação com o colega de quarto estava mais “leve”, por assim dizer, não brigavam ou se ignoravam mais, na realidade, estavam mais “próximos” do que nunca. Voltaram a dormir juntos, mas nada além disso, no máximo o que acontecia, era um beijo roubado, Yerik respeitava o tempo e o espaço do outro. Este, vivia um dilema interno de sentir-se confortável nos braços do outro todas as noites e sua mente gritar, questioná-lo e condená-lo por fazer aquilo, o que lhe dava forças para continuar, era a resposta simples para tudo, aquilo lhe fazia bem e feliz, então continuava com suas ações.

— Sentiu minha falta? – Foi a primeira coisa que Yerik lhe perguntou, era sempre essa pergunta que ele fazia ao se reencontrarem no quarto após o dia. – Porque eu senti a sua.

Para Blake, a melhor coisa nele, era o seu sorriso toda vez que realizava aquela pergunta.

— Não vou lhe responder isso. – Essa também era sempre a sua resposta.

O búlgaro estava deitado em sua cama com um pijama de inverno muito folgado e confortável, que em contato com a pele dava uma sensação muito agradável.

Naquele ano a neve demorava para cair, nenhuma geada havia acontecido, apesar dos ventos gelados deixassem claro que o inverno já começara, assim como os bosques, que estavam completamente pelados, só faltava a neve.

— Por que você não se troca e vem deitar comigo? – Yerik sugeriu, abrindo espaço na cama e entre as cobertas, certamente ali estaria agradavelmente quente comparado aos corredores gelados da Sta. Agnes, era tentador demais para recusar.

Blake balançou a cabeça positivamente, silenciosamente trocou o seu uniforme formal por um pijama de qualidade parecida com a do colega. Era perceptível na sua pele, a sua vergonha por realizar tal ação na frente do outro, desde que assumira um pouco dos seus sentimentos, lidavam com a sombra de algo desejoso ou sexual lhe assombrando pelo olhar do búlgaro, ficava imaginado o que passava pela mente do amigo ao observá-lo com malicia. Não tardou muito tempo e logo repousou-se no espaço lhe reservado, foi recebido por um abraço.

O abraço deles era demorado, quase como se tentassem sentir minuciosamente cada parte do corpo um do outro, apesar de só um deles ter coragem suficiente para admitir isso. Era ritualístico, o abraço era seguido por uma trocada de olhares lasciva silenciosa, que poderia aceder várias luzes de natal pelo quarto, só pela tensão que exalavam. Isso fez com que conhecem melhor cada detalhe do rosto um do outro. Blake perdia-se admirando as sutis sardas, imperceptíveis a olhares absortos, nas maçãs do rosto; na minucia da combinação de tons de azuis na íris, tão profundos como as águas que tanto temia e principalmente nos lábios levemente carnudos e secos pelas baixas temperaturas. Yerik também admiravam-lhe os olhos, mas as nuances nas variações dos tons de castanho e verde, que misturavam-se criando uma coloração única, nos detalhes da pele tão alva e principalmente nos lábios finos, vermelhos pelo frio. No momento, em que focavam nos lábios, ficava óbvio o que aconteceria, um queria acabar com a sede dos lábios no outro, que prontamente o recebia.

O ponto importante, era que Blake nunca tomava a iniciativa, mesmo quando seu desejo era proporcional ao de Yerik, envergonhava-se em admitir a expectativa da espera pelos beijos roubados durante a noite, apesar de não oferecer resistência. Naquela noite não foi diferente, o búlgaro se aproximou e roçou os lábios de ambos, o corpo do menor, esquentava-se antes mesmo de estar nos braços e cobertas do amigo. Dentro de si, algo gritava de alegria e lubricidade, torcia para seu corpo não denunciasse ou que o outro reparasse nas suas claras reações corporais, apesar de ter quase certeza de que seus desejos não eram atendidos, pois sentia e via as mesmas reações no búlgaro, que certamente era delicado suficiente para não comentar nada sobre si.

Quando se separaram, perceberam na posição que estavam. Blake estava deitado na cama com Yerik por cima dele, ambos ofegantes.

— Isso que eu chamo de evolução. – O búlgaro falou, ao deitar-se ao seu lado, que imediatamente ficou envergonhado, puxando a coberta para esconder-se da vergonhosa verdade, na visão dele. – Fica com vergonha, não. – Yerik passou o braço em volta dele, puxando-o para mais próximo de si, a diferença de alturas era sutil, mas não desconfortável.

— É inevitável. – Blake lhe respondeu sem olhá-lo nos olhos.

— Não trate como uma vergonha, se não, nunca vai ser natural. – Puxou o olhar do menor com o queixo para sim. – Sempre me olhe nos olhos. – Pediu, esbugalhando-os

Começaram a rir, o sorriso um do outro, contagiávamos e iluminávamos. Blake deitou sua cabeça no peito do outro, enquanto brincavam de entrelaçar os dedos, com os braços erguidos.

— Queria te fazer uma pergunta séria.

— Tudo bem.

Antes de Yerik, ser Yerik, ele fora Mick, o meu melhor de amigo de Blake, durante anos e isso não seria perdido, faziam questão de manter a amizade. Por mais que deitassem e se beijassem, tudo isso só era possível pela relação de amizade do passado, mesmo que abalada pelas mentiras, ainda existia com força. Então, quando Yerik fez uma pergunta que deixaria qualquer um tenso, Blake reagiu com tranquilidade.

— Queria saber se sente muita falta de Beth? Você pareceu só seguir em frente e não é do seu feitio fazer isso, geralmente sofre. – Dessa vez, sua fala mudou o clima do quarto, como se antes estivesse uma tarde ensolarada e do nada, uma imensa nuvem de chuva chegasse. Para amenizar, parou a brincadeira com as mãos e acariciou o rosto do outro.

O questionamento de supetão, pegou Blake claramente desprevenido, ele vinha evitando os seus sentimentos sobre Beth desde então, ignorava a problemática como se ela não existisse.

— Tento não pensar. – Respondeu.

— Está evitando?

— Sim. – Confessou.

— Você tem tendência a fazer isso. – Yerik falou sorrindo, obviamente se referia aos últimos meses.

— Acho que é a forma que encontrei de me proteger. – Suspirou, olhando para janela, a primeira geada da estação parecia começar a cair. – Não posso sofrer como sofria antes, porque depois saio muito machucado e agora isso reflete em tudo.

— Como assim?

— Não quero engordar. – Era quase poético a forma que os flocos caiam e se acumulavam no pequeno beiral da janela em analogia aos sentimentos que eram expostos. – Eu começo a comer muito quando perco as pessoas e eu ainda não consegui recuperar o meu corpo de antes, se sofrer por Beth, não sei aonde vou parar e nem falo do meu corpo, mas me refiro à aqui na escola com o programa de emagrecimento. – Permanecia olhando para janela, podia não ver, mas sabia que o búlgaro estava com uma expressão séria.

— Mas ela não foi embora para sempre, só saiu da escola.

— Eu sei, mas é quase como se fosse, na minha cabeça. Mal conversamos desde sua partida.

— Não quero que você fique mal, mas também não quero vê-lo evitando os seus sentimentos, fugir nunca é a solução e nem tem como fugir da própria mente.

— Mas eu estou bem. – Blake lhe encarou. – Tenho você, que é o meu melhor amigo.

— Sim. – Apesar de concordar, Yerik detestava ser chamado de melhor amigo, pelo simples motivo de ansiar ser mais do que isso.

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— Eu ainda não acredito que você optou por passar as festas longe de casa, para passar comigo. – Blake falou enquanto entregava suas malas ao motorista do ônibus, que os levaria para o hotel.

Era uma manhã fria, uma fina camada de gelo cobria tudo que fora possível alcançar durante a noite, os ventos gélidos denunciavam o que viria a ser a severidade das temperaturas naquele inverno. Os fios revoltos, que lhes escapavam das grossas toucas, chicoteavam-lhes a face sensível e vermelha.

— Você iria passar sozinho, temos uma tradição de nos vermos durante o natal. – Yerik respondeu, recordando-se da visita que fizera na data anterior. Naquela época, estava começando a aceitar os sentimentos que nutria pelo outro, apesar de ainda não saber lidar com eles até hoje. – Além do mais, minha família tem minha avó, minha irmã e minha mãe, uma faz companhia para outra. Quem faria para você?

Se as lembranças de Yerik eram quase românticas sobre o ano anterior, Blake lembrava de alguns detalhes extremamente vergonhosos, eram apenas fleches devido a embriaguez da ocasião, no entanto, o que lembrava era suficiente para enrubescer-se e desejar apagar da memória.

— Não é uma tradição, foi só uma vez.

— Eu faria companhia para ele! – A pessoa mais indesejada para aquele momento, na visão de Blake, apareceu, pronunciando-se.

Louis estava como sempre extravagante ao seu estilo outono inverno gay. Ele era seguro de si, transparecia em suas ações e fala, isso incomodava a muitos, alguns por preconceito e outros por inveja, era preciso ter muita coragem para mostrar todo sua personalidade em um internato católico no meio da Pensilvânia, um ambiente completamente hostil para alguém como ele.

— Oi. – Yerik o cumprimentou com um abraço.

Não existia tensão entre o búlgaro e o novato, apesar do mais novo sempre deixar suas intenções dúbias sobre o que queria com o outro. Mas com Blake era diferente, qualquer pessoa mais observadora notaria suas reações corporais, como forçava um sorriso e como não fizera qualquer menção de contato físico com o outro.

— Não sabia que você iria nessa viagem. – Yerik comentou antes que o clima se tornasse ainda mais desconfortável.

— Nem eu. – O outro respondeu rindo. – Mas mudanças de planos, meus pais decidiram ir para Suíça curtir a lua de mel com seus respectivos amantes e Danielle está cansada da minha companhia enfadonha. — Eu não a culparia por fugir, Blake pensou. – Parece que faremos companhia um para os outros. – Louis também não era um grande admirador do Blake, por isso, forçou um sorriso também. – Fico tão feliz por vocês se acertarem, pretendem se assumir? Blake, você já se aceitou? — O novato não possuía freios nas suas falas, mas se tivesse, com certeza ignorá-los-iam. Falar aquele tipo de coisa, era um exemplo claro do tipo de impacto que gostava de causar aleatoriamente, se perguntara com segundas intenções, conseguira suas respostas escondidas nas reações dos outros dois. Blake ficou mais branco, como se isso fosse possível, Yerik ficara na mesma forma, nenhum conseguiu responder. – Qual é, gente? Vocês voltarem a se falar do nada, esse aí. – Apontou para Blake. – Me detestar por nada, claro que era ciúmes.

— Eu... eu não... não tenho ideia sobre o que você está falando. – Blake gaguejou.

— Como não, amore? Está tão na sua cara.

Para Louis, aquelas reações eram um verdadeiro divertimento. Não precisava de uma confirmação clara de nenhum dos dois, era um ótimo leitor de cenário e pessoas. Sabia que ambos nutriam fortes sentimentos um pelo outro, percebera na primeira troca de olhares e que se confirmara com suas ações nos últimos meses.

— Para de falar essas coisas. – Yerik falou sério.

Louis deu uma gargalhada.

— Tudo bem, tudo bem. – Levantou as mãos em forma de rendição. – Finjo que acredito, mas já transaram? Minha experiência com ele foi ótima, até ensinei alguns truques para ele. – Louis dirigiu-se diretamente para Blake.

O menor não sabia aonde enfiar a cara, já era ruim lidar com seus sentimentos toda vez que sedia aos sentimentos do outro, pior ficaria se tivesse a intimidade exposta e ter que lidar com alguém como Louis. Ser questionada sobre aquele assunto seria o auge da sua vergonha, ainda mais que nos últimos dias havia pensado demais no assunto, apesar de não compartilhar com ninguém.

— Eu vou entrar no ônibus. – Blake falou para Yerik, tentando esquivar-se de mais perguntas e tentando preservar o que sobrou de confidencialidade daquela relação. Quanto menos parecesse afetado com suas palavras, menores seriam as suas desconfianças, era o que Blake pensava.

— Por que perturba ele? — Yerik perguntou irritado para Louis, quando viu o menor desaparecer dentro do ônibus.

— Porque é divertido. — Respondeu sorrindo. — Pode ficar tranquilo que eu não vou contar para ninguém, só gosto e torturá-lo com sua sexualidade frágil.

— Você sabe ser desagradável quando quer… — O búlgaro suspirou, caminhando em direção ao ônibus.

— Mas também sei ser ótimo quando quero e disso você sabe muito bem. — Louis falou em tom malicioso, acompanhando o mais velho.

— Pensei que já tínhamos resolvido esse assunto. — Parou de andar abruptamente. — Só foi uma vez e não foi grande coisa, sempre deixei isso bem claro, mas parece que você não entende, toda hora precisa falar e reafirmar que a gente transou…

— Vai que isso ativa alguma vontade dentro de você. — Novamente falou sugestivo. – Um flashback talvez?

— A única vontade que ativa em mim é a de ficar longe de você.

— Aí carinho, assim você parte o meu coração. — Louis riu.

— Como se você tivesse um...

— Sente-se comigo na ida, preciso lhe contar as novidades. – Louis mudou o tom e rumo da conversa, falava sério.

Yerik e Louis nutriam uma recente relação de amizade, o búlgaro ajudava o mais novo a se adaptar a escola e a lidar com os problemas que enfrentava. Na realidade, além do grupo de meninas, Louis só tinha amizade com Yerik, no início só a conseguira através do medo do mais velho, dele revelar sobre a fatídica noite de verão que passaram juntos. Porém, com o decorrer do tempo e a ausência de Blake, começaram a desenvolver uma amizade baseada em confissões e segredos, principalmente segredos que era a base de tudo entre eles. Yerik falava sobre Blake e Louis sobre a violência que sofria nos corredores da Sta. Agnes e como estava a mercê naquilo, pois os seus pais lhe colocaram em um colégio católico propositalmente devido sua sexualidade, não lhe tirariam de lá por ser assediado com xingamentos e pela prima deficiente, não tinha muito o que fazer, além de compartilhar suas mazelas com o amigo.

— Eu deveria fazer companhia ao Blake. — Respondeu já na porta do ônibus.

— Ele não lhe deixará por algumas horas com minha companhia. — Louis quase implorava com o olhar, precisava desabafar com alguém e sua real intenção em nada tinha a ver com o pequeno McCarthy.

— Tudo bem. – Yerik deu-se por convencido, sabia mais ou menos, pelo que o outro passava e o quanto isso lhe machucava.

— Ótimo. – Louis falou animado. – Vamos lá para o fundo, ninguém gosta de ficar lá pelo cheiro do banheiro.

— Como você sabe disso?

— Todo mundo sabe disso.

Blake não conseguiu esconder a cara de desgosto ao ver seu amigo passar direto por sua poltrona e se sentar no fundo com a pessoa que mais detestava, sentiu-se quase que abandonado ao ser ignorado. Não pode continuar naquela pose, pois logo alguém apareceu para proclamar o assento ao seu lado.

— Blake, posso me sentar com você? – Georgina estava linda como uma tarde no campo.

Não mudara nada, continuava parecendo uma boneca loira, de olhos azuis e boquinha avermelhada e o pior de tudo, era ex-namorada de Yerik. Blake, novamente, não sabia aonde enfiar a cara, apesar de aparentemente não ter motivo nenhum para ficar envergonhado, na visão da moça. Mas dividir o lado com a ex-namorada do cara que você dormia e beijava todas as noites, não era um sonho para ninguém.

— Cl-claro. – Gaguejou.

— Como você está? – Perguntou por educação, ao sentar ao seu lado.

— B-bem e você?

— Bem também.

O motor do ônibus rugiu e cortou o que poderia ser o início de uma conversa.

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— Você sabe esquiar? — Yerik perguntou a Blake na recepção assim que o viu na manhã seguinte após um reforçado café da manhã.

Ambos vestiam pesadas roupas de inverno para enfrentar o clima da encosta que esquiariam com os outros colega de escola. Não tinham conversado muito quando chegaram da viagem, acabara que ela demorara mais que o esperado e chegaram tarde.

— Acho que não sou um completo desastre. — O menor respondeu sorrindo, recordando-se de uma viagem que realizara em família três anos antes para uma estação de esqui.

— Até que enfim, Sr. McCarthy! — Uma das Irmãs mais novas que os acompanhava na viagem falou, todos estavam esperando apenas por ele.

A noviça tinha sido escolhida justamente pela jovialidade para cuidar daqueles jovens porque era necessário ter pique para acompanhar a energia deles, ainda mais no alto de uma montanha cheia de gelo. Era um grupo de aproximadamente 30 alunos e mais outras duas freiras, eles saíram do hotel e caminharam em direção ao teleférico que os levariam ao alto da montanha, alguns levavam o esqui, outros prancha de snowboard e tinham os que iria apenas treinar com material alugado na área de inicantes.

— Eu estou enorme com toda essa roupa, imagine se eu estivesse gordo, ia parecer uma bola de roupa suja. — Louis comentou dentro já do teleférico para Yerik que estava ao lado de Blake.

O menor imediatamente ficou vermelho, a indireta era diretamente para ele.

— Não, você assim parece que tem alguma carne e não só osso. — Alex falou indiferente olhando para a paisagem.

A vista era incrível, o hotel ficava incrustado na rocha de uma montanha, mais baixa e plana do que a que eles se dirigiam, como se tivesse sido esculpida naturalmente. O teleférico passava justamente em cima do vale que ficava entre os dois corpos rochosos, com um lago congelado e um bosque de coníferas no meio, e sem qualquer outro sinal antropológico.

Yerik olhou desconfiado para o loiro e sua “defesa” de graça por Blake, não que defende-lo fosse errado, mas que queria que ele tivesse feito e não o outro. Sua desconfiança só passou quando finalmente chegaram na área de esqui, após dez minutos e viu o loiro entrelaçar a mão com Georgina e não lhe retribuir o sorriso.

— Alex gosta de você? — Perguntou para Blake enquanto desembarcavam.

— Nos vemos bastante na igreja. — Percebeu a voz do outro falhar.

— Só isso? — Voltou a perguntar.

Antes que fosse respondido, foram chamados pelo grupo pois estavam ficando para trás e ninguém queria dispersos para atrapalhar o dia.

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— Seu nariz está vermelho. — Blake tocou na ponta do nariz de Yerik quando eles estavam prestes a entrar no salão de festas do hotel.

Eles teriam uma pequena reunião escolar nas véspera do natal após a tarde esquiando, ambos carregavam hematomas nas pernas das desastrosas quedas caindo ao tentarem esquiar.

— O seu também. — Teve o gesto copiado.

— Acho que vamos ficar resfriados.

— Não, só somos brancos demais e está muito frio.

— É melhor entramos. — Sugeriu.

O salão de festas era o maior ambiente do local, era extremamente acolhedor, com uma lareira central e uma mesa circular que a circundava, quase que como uma releitura da tabula redonda do rei arthur. Uma verdadeira ceia natalina estava posta para alimentar um batalhão de pessoas e aparentemente quase todos os funcionários estavam lá para servir os hóspedes.

— Gosta de gemada? — Yerik perguntou.

— Minha bebida natalida preferida.

O que eles não sabiam é que um dos seus colegas havia batizado a bebida, consequentemente em um único copo, Blake ficara bêbado.

Apesar ds embriaguez dos presentes a noite segui-se tranquila, se controlavam para não fazer nada de errado, apesar de estarem nitidamente animados além da conta. As freiras preferiam acreditar que era a data, do que alguma substância ilícita.

— Acho que você deveria fazer dança. — Georgina falou para Blake. De alguam forma o menor tinha chegado até ela e Alex e falado sobre todos os seus dilemas relacionados a natação e a urgência de um novo esporte. — Você dançou muito bem no musical, ano passado, deveria insistir.

— Você acha? — Blake enrugou a testa sem acreditar. — Tive que treinar muito para conseguir algo descente.

— Treinou com quem? — Ela estava tão alegre quanto ele, seu namorado lhes encarava preocupado, já havia terminado um relacionamento anterior devido a bebida.

— Jessie!

— Sério? Ele não parece ser do tipo dançarino, mas se bem que ele mudou bastante nesse último ano.

— Sim, ele dança muito e é uma graça. — o menor proferia as coisas sem suas travas sociais.

— Teremos uma noite de karoke! — Um funcionário do hotel falou atraindo a atenção de todos. — Alguém se candidata….

Antes que ele pudesse terminar de falar, Blake levantou a mão e puxou Georgina para ser coro com ele.

— Sério?! — Ela perguntou para ele quando se viu arrastada até o telão, onde a letra da canção passaria.

— Quero cantar e sei que você é incrível, então, parceira perfeita. — Falou super animado a abraçando.

— Também te acho uma graça. — Retribuiu o abraço. — Já sabe a música?

— Pensei que nunca me perguntaria isso. — Falou com um ar malicioso.

The night we met
Na noite em que nos conhecemos,
I knew I needed you so
sabia que precisaria de você assim
And if I ever had the chance
E seu tivesse a chance,
I'd never let you go
nunca te deixaria ir.

Foi necessário apenas o instrumental para que todos voltassem a atenção para aquele dupla, principalmente um búlgaro que estava distraído com uma colega da natação.

Blake tinha um talento inegável para apresentações e que se potencializada sem sua vhhabitua habitual

So won't you say you love me
Então, não vai dizer que me ama?
I'll make you so proud of me
Farei você ter tanto orgulho de mim
We'll make 'em turn their heads
Faremos virarem as cabeças
Every place we go
Em cada lugar que formos.
So won't you please Você não vai, por favor


Be my, be my baby
Seja meu, seja meu baby
Be my little baby
Seja meu bebêzinho
My one and only baby
meu e somente meu, único, baby
Say you'll be my darling
Diga que será meu querido,
Be my, be my baby
seja meu, seja meu baby
Be my baby now
Seja meu bebê agora,
My one and only baby Meu e somente meu, único baby

Os vocais eram potentes e a música conhecida, logo todos também faziam coro junto com Georgina. Blake gesticulava bastante, cantava para o búlgaro, olhava diretamente em seus intensos olhos azuis, mas também disfarçava para não ser tão óbvio.

I'll make you happy, baby
Te farei feliz, baby,
just wait and see
só espere e veja
For every kiss you give me
Por cada beijo que você me der,
I'll give you three
lhe darei três
Oh, since the day I saw you
Oh, desde o dia em que te vi
I have been waiting for you
Venho esperando por você.
You know I will adore you
Sabe que te adorarei
Till eternity so won't you please Até a eternidade, então não vá por favor

A apresentação acabou com a aclamação de sua plateia, os colegas de quartos permaneciam conectados pelo olhar, apesar de não se dirigirem diretamente um ao outro. Georgina abraçou o menor pelas costas e lhe deu um beijo estalado na bochecha. Foi ação suficiente para as Irmãs intervirem e lhes afastarem, alegaram que mesmo fora da instituição as regras de meninos e meninas permaneciam as mesmas.

Blake aproveitou a deixa e pegou mais um copo de gemada conforme se afastava das freiras.

Achei um lugar para a gente poder conversar mais tranquilo. — O búlgaro falou baixo perto do ouvido do Blake, o assustando.

— Aposto que quer me levar lá para fazer saliência. – Ele respondeu com uma voz mole de bêbado e franzindo o olhar, com a melhor expressão de quem era convidado para fazer algo suspeito, felizmente, falando baixo o suficiente para apenas seu amigo ouvir.

Era a primeira vez que Blake fazia o outro ficar vermelho, geralmente essa reação era contrária e adorara a sensação.

— Não é para isso. — Yerik falou sem graça.

— Ficou vermelho. — Blake apontou o dedo para sua cara, o dedo da mesma mão que segurava a sua gemada batizada em tom de zombaria.

— Pare com isso. — Ele pegou o copo da mão do menor. — Chega de beber. – Usou de tom autoritário.

— Não! — Blake tentou pegar o copo de volta, mas sem muito esforço. — Tudo bem. — Dando-se por vencido, antes mesmo de tentar. — Eu nem estou tão bêbado. — Suspirou revirando os olhos.

— Não, nem um pouco. — O outro lhe respondeu irônico.

— Você também bebeu! – O acusou.

— Menos que você…

— E ainda quer me levar para dar uns amassos em um canto escondido. INDECENTE! — Gritou a última palavra, atraindo olhares e deixando o outro mais nervoso. — Sabia que isso é um abuso.

— Mas eu nem te peguei.

— Então, quer me pegar? — Blake arqueou uma das sobrancelhas. — Desconfiei desde o princípio, admita.

— Eu quero sim, mas não quero te levar para esse lugar para isso. — Blake estreitou novamente o olhar, duvidando da palavra do outro. — Não só para isso. — Yerik assumiu parte de suas segundas intenções que nem eram intenções, eram desejos.

— Bem melhor. — Blake falou sorrindo. — Podemos ir.

— Deu todo esse arrodeio para aceitar, fácil?

— Queria que eu disse não?

— Não! Eu só pensei que seria mais difícil te convencer.

— Tenho minhas segunda intenções, vamos? — Lhe ofereceu o braço.

— Não precisa de tanta pompa. — O búlgaro falou com medo se alguém os visse de braços dados.

— Tudo bem. — Deu de ombros.

Yerik o guiou pela área de serviço do hotel, não tinha muitas pessoas no local pois estavam focadas no serviço do salão de festas, mas ainda eram um grande risco para eles serem pegos.

— Será que você está me guiando para perca da minha virgindade? — Blake falou aleatoriamente enquanto caminhavam.

— O quê?! — Yerik lhe perguntou exaltado, fingindo não ter entendido o que o outro dissera.

— Nada. — O pequeno McCarthy respondeu sorrindo, divertia-se com a situação, o álcool no organismo livrava-o das suas travas sociais e inibições, acabava falando o simples pensamento e ideia que lhe ocorriam em mente.

Andaram por alguns corredores estreitos até chegarem ao fim de um, com duas portas laterais uma de frente a outra, muito velhas e gastas que davam acesso a dois depósitos inativos de limpeza e mantimentos, mas não eram essas portas que lhes interessavam, era uma ainda mais velha e gasta, literalmente no final do corredor. Ela dava acesso a uma pequena sacada com vista do vale, muito rente a encosta rochosa, o que fazia sentido de acordo com o projeto do hotel que era esculpido junto a montanha, dava para ver o lago congelado, o pequeno bosque coberto de neve e a singela geada que caía.

— Uau! — Blake falou ao ver-se no ambiente externo. — Que vista! — Falou animado, apoiando-se no guarda corpo de madeira velha, muito úmido e danificado com as intemperes e que rangeu com a pressão.

— Cuidado! — Yerik puxou-o pelas mãos, desapoiando-o do guarda corpo pouco seguro.

A sacada era minúscula, não havia sido projetada para permanência, deveria ser antes, apenas uma grande janela, mas que com a vista, adaptaram para uma sacada. Porém, parecia que a muito tempo ninguém ia naquele lugar, principalmente devido ao seu estado de conservação.

— Como achou esse lugar? — Os olhos do menor brilhavam naquela noite escura.

— Vi quando voltamos depois de esquiar.

— Bem observador…

— Gosto de apreciar os pequenos detalhes, ás vezes, principalmente quando são detalhes de lugares que posso ficar com você.

A noite estava gelada, rapidamente o nariz e bochechas deles ficaram rosados, os flocos de neve caíam com tranquilidade e constância no ambiente já totalmente perolado. Yerik olhava atentamente para as mãos que ainda seguravam as suas, sempre se perdia nos contatos que tinha com o menor, que até aquele momento, muitas vezes se esquivava, nos raros momentos que permitia, ele sempre apreciava.

— Minhas mãos estão sujas? — Blake perguntou ao ver o olhar do outro fixo.

— Não, só estou vendo que eu estou segurando as suas mãos a um tempinho e você ainda não soltou. — Falou sorrindo.

— Claro, estou morrendo de frio e você é quente.

Yerik gargalhou com a resposta. Da boca de ambos, saía uma fumaça branca, evidenciando ainda mais a noite fria.

— Você deveria beber mais vezes, fica mais descontraído.

— Deveria? — Blake rebateu com uma pergunta. — Acho que fazer isso daí deve ser errado, mas eu já vou para inferno mesmo.

— Quem te falou isso? — Yerik ainda ria. – Que você vai para o inferno?

— Minha consciência. — O menor sussurrou como se contasse um segredo. — Converso muito com ela quando estou bêbado, ela sempre tenta me dar conselhos, antes de eu fazer qualquer coisa, mas costumo ignorá-la.

Yerik novamente riu, aproximou-se mais de outro deixando uma distância mínima do contato corporal.

— O que ela te falou, por exemplo?

— Tipo, não vá com ele, digo, não vir aqui com você. – Os olhos deles estavam agora fixos um no outro.

— Mas você veio.

— É porque meu outro lado, o safado, mandou eu vir, fazia muito tempo que a gente não se beijava. — Respondeu com sinceridade. Yerik novamente foi pego desprevenido pela fala do menor, era tão impensável vê-lo falando aquele tipo de coisa sóbrio. — Agora, ele está se perguntando quando que a gente vai começar, porque realmente está frio e ele não mentia quando falou que você era quente.

A atitude do beijo partiu do Blake, mas quem tomou o controle foi Yerik, assim que teve a distância dos seus corpos extinguida, abraçou-o e dominou o beijo. Sempre fazia isso, o beijo do menor era um pouco desajeitado, apesar de não ser ruim, era claro sua inexperiência, mas não interferia na sua qualidade, por isso, sobressaía-se, como se quisesse ensiná-lo e guia-lo. Apesar de se sentir confortável na posição de dominador.

O beijo foi encerrado pela mesma pessoa que o começara, mas não antes de receber uma mordida no lábio inferior, mesmo que fino e alguns pequenos beijos depois.

— Sua boca está gelada. — Blake comentou rindo.

— A sua está quente, deixe-me esquentá-la na sua. — Yerik se precipitou para novamente beijá-lo, mas este o impediu.

— Está bem animadinho, mas antes de me beijar de novo, me fala o que achou da música.

— Adorei. – O búlgaro novamente sorriu. – Me surpreendeu, mas isso não está sendo mais uma novidade, está agora sempre me surpreendendo. Mas... Eu adorei a música e a declaração.

— Quem disse que era uma declaração? – O menor arqueou uma sobrancelha.

— Não era? – Foi a sua vez arquear a sobrancelha. – Então, para quem cantava para ser seu baby?

— Para ninguém especifico, sou muito fã das The Ronettes. Cantei só por isso.

— Mentiroso.

— Não, é verdade. – Falou rindo.

Yerik tocou-lhe a cintura, puxando para mais perto.

— Mas, se quer saber, eu aceito ser seu baby, mesmo assim.

O búlgaro o beijou com gana, impondo o seu corpo contra o do menor, sua intensidade foi tanta que a frágil madeira do guarda roupa cedeu a pressão dos seus corpos. Caíram desajeitados no amontado de neve que tinha no local, por sorte, estava no primeiro andar e não sofrera grandes variações.

— Eu não acredito que você está destruindo o hotel. – Gargalhava com o corpo do maior em cima do seu.

— Nós estamos destruindo o hotel. – Foi incisivo na primeira palavra.

— Não, você que me atacou.

— E você gostou.

Contra isso, um Blake bêbado não podia negar.

— Justo, agora saia de cima de mim, por favor.

Yerik o obedeceu, além disso, estendeu a mão para ajudá-lo a se levantar, que foi aceita.

— Você está bem? – O maior perguntou preocupado.

— Estou. – Blake lhe respondeu limpando a neve do corpo. – Só um pouco dolorido.

— Quer ir na enfermaria?

— Não, estou com abuso de enfermarias, passei os últimos meses indo nela por causa do braço. – Falou emburrado.

— Deveria me sentir culpado por isso?

— Claro, você que o quebrou.

— Mas, foi porque você pediu.

— Você sempre precisa lembrar dos detalhes. – Blake lhe mostrou a língua. – Destruiu o nosso lugarzinho especial.

— Já considerava o nosso lugarzinho? – Perguntou malicioso e sorrindo.

— Não digo mais nada. – Blake balançou a cabeça em negação. — Acho melhor a gente sair daqui antes que nos peguem por destruir patrimônio privado, Irmã Nancy torturaria em uma nova inquisição.

— Veja o pequeno McCarthy fugindo como um bandido da sua cena de crime. – Falou acompanhando o menor que já corria para o bosque em declive. – Aonde você está indo, doido?

— Vem, estamos fugindo de todos! – Gritou em resposta. – E é nossa cena de crime.

— Nossa. – Yerik comentou ao correr para alcançar o menor que já entrava no meio da vegetação. – Você sabe que eles podem nos rastrear por nossas pegadas na neve. – Falou olhando para os seus rastros.

— Está nevando, logo vão sumir. – Blake deu de ombros.

— Está justamente nevando e quer nos matar no meio do relento de frio?

— Até que não seria uma má ideia, está com medo? – O olhou desconfiado.

— De você? Jamais.

— Já que nos levou para um lugar especial e depois destruiu ele, agora eu vou achar outro...

— No meio do nada?

— Quem sabe achamos uma toca de urso?

— Aqui tem ursos? – Yerik olhou para os lados.

Apesar de ser estar escuro, o bosque não estava assustador, só apenas congelante. Não se ouvia som de fauna noturna, o único som era oriundo do hotel. Seguiram por um caminho que contornava o lago congelado, que já acumulava uma camada considerável de neve por cima do gelo e logo sumiria na paisagem. Eles não estavam tão bem agasalhados para enfrentar o clima externo, por isso, logo começaram a sentir no corpo os incômodos da baixa temperatura.

— Não acha que devíamos voltar para o hotel? – Yerik sugeriu.

— Não, ainda nem vimos nada.

— Mas estamos congelando.

— Quando cair um dedo da nossa mão, nós voltamos. – Blake brincou. – Ou pode me abraçar para afastar o frio.

O búlgaro não esperou que ele falasse duas vezes, Blake não era aberto a muitas coisas e quando cedia algo, não se poderia desperdiçar a oportunidade. Yerik o abraçou por trás, apoiando o seu queixo no ombro deles e dificultando o seu andar.

A intensidade da geada aumentava progressivamente conforme se afastavam mais e mais do hotel, estava quase transformando-se em uma tempestade de neve quando Yerik tomou uma atitude.

Bleika, adoro o seu corpo junto ao meu, mas não estou mais aguentando o frio e a neve está piorando. – Sacudiu a cabeça e tirou a que acumulara na sua cabeça e na cabeça do outro. – Vamos voltar.

Blake parou de andar e virou para trás para encará-lo.

— Tudo bem, só estava testando o seu limite mesmo.

— Como é? – Yerik perguntou irritado.

— Só estava vendo até aonde estava disposto a ir por mim, nesse frio. Também estou morrendo de frio. – Respondeu sorrindo com o sorriso mais sem vergonha possível.

— Não gosto mais do Bleika bêbado, ele é malvado. – Fez cara em emburrado, fingindo irritação.

Blake apenas levantou os ombros, em resposta, o outro agachou-se no chão e lhe tacou uma bola de neve.

Foi assim, que se iniciou uma pequena guerra de neve entre os dois, ela não durou muito, mas foi intensa. No fim, ambos, estavam um pouco molhados e congelando de frio, pois a neve piorava cada vez mais, ventando com intensidade.

— Agora, precisamos voltar. – Yerik falou sério olhando para cima, as luzes distantes do hotel.

Durante a guerra de neve, tinham descido ainda mais o vale e se distanciado do hotel, Blake não parecia se preocupar com a situação devido a embriaguez, mas o búlgaro estava preocupadíssimo. Estavam no meio do nada, com o abrigo mais próximo a uma distância considerável, em uma eminente nevasca, se tentassem voltar, a tempestade os pegaria, pois demorariam demais para subir a encosta.

— Estamos ferrados. – Yerik suspirou nervoso, estava com vontade gritar pela imprudência de seguir um bêbado no meio da neve, agora poderiam morrer de frio, se não achassem um abrigo urgentemente.

Blake olhava para o céu, entretido com os flocos que caíam em sua língua.

Bleika. – O chamou. – Agora é sério, precisamos achar um local para ficar ou vamos morrer de frio.

A solução veio da forma mais surpreendente possível.

— Acho que aquilo pode servir de abrigo. – Blake apontou para um mirrado chalé do outro lado do lago.

Não estava muito longe, porém a maior parte do trajeto deveria ser feito por cima do lago congelado que estava longe de ser o local mais seguro para se andar. Yerik tinha que tomar uma decisão, se arriscar pelo lago ou procurar por outro local, pois outra rota até o chalé estava falta de cogitação, contornar o lago levaria mais tempo que voltar para o hotel. Por isso, ele decidiu arriscar. Pegou nos punhos de Blake e o arrastou direção ao lago, mas se esquecera do pequeno detalhe, o mais velho era hidrofóbico.

— O que você está pensando em fazer? – Blake perguntou assustado, olhando para a eminencia do lago que se aproximava.

— Precisamos caminhar até o chalé em cima do lago, se não, vamos morrer congelados.

— Você não está falando sério, né? – Seu olhar era de puro terror.

— Preciso que confie em mim. – Yerik lhe encarou profundamente nos olhos, sabia que pedia muito, mas a situação era delicada e urgente. – É ficar aqui e congelar ou ir para lá. – Falava calmo.

Blake apenas negava com a cabeça.

— O gelo vai quebrar, nós vamos cair e morrer!

— Não vamos, vamos fazer isso juntos e chegar ao outro lado, juntos.

O menor ainda negava com a cabeça e permanecia com os pés fixos em terra firme.

— Eu não consigo, pode ir, pode me deixar aqui. – Tentou soltar-se do búlgaro.

Era uma corrida contra o tempo, a cada segundo a agora, nevasca piorava.

— Eu não vou te deixar aqui, ficaremos os dois e moremos aqui sem tentar. – Yerik deu um passou para trás e ficou esperando a reação do menor.

— Você consegue, por favor...

— Não, sem você. – Desceu suas mãos pelos punhos do outro e segurou firme suas mãos. – Confie em mim, apenas ande de olhos fechados enquanto eu te guio. Acha que consegue fazer isso?

Blake foi muito relutante, parecia estar prestes a chorar, olhos para todos os lados possíveis antes de balançar a cabeça positivamente. Yerik suspirou aliviado.

— Feche os olhos. – McCarthy obedeceu. – Um passo de cada vez.

O búlgaro foi o primeiro a pisar no gelo e ouvi-lo estalar, o som fez o menor abrir os olhos desesperado, quase também escorregara com o som.

— Continue com os olhos fechados, vai fazer barulho. – Novamente foi atendido.

Eles não tiveram que se preocupar com o barulho do gelo se movimentando sobre seus pés, pois os uivos dos ventos foram responsáveis por barrar qualquer outro som. Os ventos batiam neles como pequenas navalhas contra a carne quente, era dolorido. Yerik era quem levava a maior parte da saraiva, ficava na frente do menor, apesar dos ventos lhes atingirem de todos os lados possíveis, Blake o seguia obedientemente, sem coragem para abrir os olhos, ambos tentavam manter o equilíbrio no chão escorregadio. Quando chegaram em terra firme, fora um trecho de oitenta metros, estavam tremendo de frio, com as bocas rochas e prontos para desabarem de frio, com um ultimo esforço, subiram a margem e caminharam até a varanda na frente do chalé.

O búlgaro teve que usar de toda sua força bruta para arrebentar a porta de madeira do chalé, machucando-se no processo, deveria ter ficado com uma imensa marca roxa no ombro direito. Correram para dentro e arrastaram o móvel mais próximo que era uma mesa de madeira pesada para segurar a porta contra a tempestade.

O lugar estava pouca coisa melhor que o lado de fora, como era todo de madeira, os ventos cortantes ainda conseguiam passar pelas frestas, precisavam fazer fogo para se aquecer. Acenderam a luz e viram que o chalé era uma locação do guarda florestal local, não tinha muita coisa apenas de uma pequena e rústica copa e uma sala com lareira. Yerik abriu todas as bocas do fogão e com os fósforos que estavam em cima dele, lhes deu fogo, Blake se aproximou e estendeu a mão para aquecer os dedos, o búlgaro fazia o mesmo.

Estavam ofegantes e cansados, mortos de frio, as chamas do fogão apenas ajudaram a se aquecer superficialmente, precisavam de mais calor para não morrerem de hipotermia. Novamente, quem tomou a iniciativa foi Yerik, ele se agachou na lareira, que por sorte, tinha lenha e um estoque, e começou a fazer fogo. Tinha um pouco de conhecimento devido aos anos sendo escoteiros nas férias nos Estados Unidos, porem enfrentava um pouco de dificuldade.

Blake o observava ainda no fogão, empenhado em conseguir fogo, sem dizerem uma palavra. A tensão só diminui quando finalmente fizeram fogo, o búlgaro pingava de suor e quase gritou de vitória ao conseguir tal feito, sentou-se desajeitado na frente da lareira enquanto ela se encorpava, logo o pequeno McCarthy lhe fez companhia. Eles não falavam nada, aqueciam-se, ainda chocados com o momento de desespero tão inusitado que acabaram de passar.

Em questão de minutos, passaram de uma brincadeira na neve para um teste de sobrevivência.

— Como? – Blake falou desolado. – Como isso foi acontecer?

— Não sei. – Yerik lhe respondeu baixo.

— Eu não entendo.

— Se não tivesse...

— Nem comece. – O mais novo o interrompeu, passando o braço sobre o seu ombro. – Vamos só ficar quentes e não vamos pensar no culpado de nada, porque não tem culpado.

Blake apenas balançou a cabeça positivamente.

Passaram-se minutos e eles permaneciam em silêncio enquanto o fogo aquecia ainda mais o ambiente.

— Eu te amo. – Yerik quebrou o silêncio.

Mesmo com as suas emoções a mil e com álcool no corpo, o pequeno McCarthy não conseguiu lhe corresponder a declaração.

— Eu fiquei com tanto medo. – Confessou.

— Mas também... Eu também estava morrendo de medo.

— Você nos salvou. – O búlgaro ficou sem saber o que responder, porque era verdade, mas não sabia lidar com aquilo. – Você me salvou. – Blake continuou falando se aproximando mais do outro e encostando no seu peito. – Seu coração está acelerado.

— Ainda estou um pouco nervoso.

Blake levantou o rosto e delicadamente colou os seus lábios, deixando uma lágrima escorrer.

— Muito obrigado. – Sussurrou ao se afastar.

Yerik o abraçou mais forte. Novamente ficaram em silêncio em frente a lareira, esquentando-se um no outro e na lareira.

Passado mais um tempo, Blake decidiu explorar o chalé enquanto Yerik cochilava, para encontrar algo melhor para aquece-los, pois nem a lareira mais estava conseguindo superar o frio, viu que o local era tão simplório como na primeira impressão que tiveram. Na copa havia somente o fogão de quatro bocas velho, uma pia com lenha embaixo dela e um armário com café e biscoitos mofados. Na sala havia a mesa que eles deslocaram para segurar a porta, um sofá puído, uma escrivaninha velha com um computador também velho e uma vitrola, duas cadeiras e uma armário cadeado. Sem muito esforço, o mais velho conseguiu quebrar o cadeado enferrujado e revelar o conteúdo dentro do armário, era apenas um velho tapete com pele de animal que ele não conhecia, sua primeira reação foi a de censurar o tecido feito com pele de animal e depois foi o de pensar que ele poderia aquece-los naquela noite.

— Será que a nevasca vai durar muito tempo? – Perguntou acordando o outro, enquanto puxava o tapete pesado.

— Não sei, acho que pelo menos a noite toda. – Falou bocejando, virando-se para olhar o outro, viu sua dificuldade e logo, levantou-se para ajudá-lo.

Com um relativo esforço conseguiram tirar a peça do armário e jogá-la no chão, era puro mofo e poeira, ambos espirraram muito.

— Acho que por hoje, deve servir. – Yerik comentou.

— Muito obrigado.

— Por te ajudar com o tapete? Mas vai me aquecer também.

— Não, por tudo.

O búlgaro sorriu para ele, tirando-lhe a toca e lhe bagunçando o cabelo. Enquanto ele arrumava o tapete, que era grande o suficiente para ser um colchão e cobertor para ambos, Blake aproveitou para procurar por coisas mais uteis, tentou ligar o computador, mas este parecia queimado. O que mais lhe atraiu a atenção foram os discos em cima da vitrola. Talvez musica não combinasse com a situação, mas ela servia para acalmar ambos e um pequeno McCarthy ainda estava alcoolizado, por isso, pegou o primeiro vinil e viu quer era o disco do Fleetwood Mac, o álbum Rumors e o colocou no tocador de disco.

O instrumental da música pegou o búlgaro desprevenido, que quase deu um pulo ao ouvi-lo. Olhou para trás e viu Blake começar a dançar, sem entender nada que acontecia.

— O que você está acontecendo?

— Aproveita o clássico. – Foi a sua resposta.

Now here you go again
Agora vem você de novo
You say you want your freedom
Você diz que quer sua liberdade
Well who am I to keep you down?
Bem, quem sou eu para te impedir

Blake cantarolava por cima da música, acompanhando os vocais da banda e deixando o corpo ser guiado pela melodia. A canção quebrou a atmosfera tensa que os envolvia, o búlgaro aos poucos ficava mais tranquilo, guiando-se pela batida.

It's only right that you should
Está certo, você deve
Play the way you feel it
jogar do jeito que tem vontade
But listen carefully to the sound
Mas ouça com atenção o som
Of your loneliness
Da sua solidão

O menor abriu os olhos ao sentir o calor da lareira e se deparou com um par de íris azuis profundo que acompanhava cada um dos seus movimentos com atenção.

Like a heartbeat, drives you mad
Como o bater do coração... que te deixa louco
In the stillness of remembering what you had

Na calmaria da lembrança do que você tinha

And what you lost
E do que perdeu...
And what you had
E do que tinha...
And what you lost E do que perdeu

Sorriu e caminhou na direção do amigo, chamando-o com o dedo para lhe acompanhar na música.

Thunder only happens when it's raining
Só há trovões quando chove
Players only love you when they're playing
Jogadores só te amam quando estão jogando

Puxou o cachecol do pescoço de Yerik e o utilizou como um acessório de dança, enquanto o outro tomava a frente nos vocais. Não faziam uma coreografia especifica, apenas sentiam.

Say women they will come and they will go
Dizem...mulheres... elas virão e irão
When the rain washes you clean you'll know
Quando a chuva lavar você, você saberá...
You'll know

Você saberá

Cada um dançava da forma que sentia a música, cantarolavam sorrindo, atentos aos movimentos um dos outros, apesar da descontração, era perceptível uma tensão que rolava entre eles. O que faziam, era quase como uma dança de sedução, para atrair a atenção um do outro, como se fosse necessário fazer isso. A libido crescia conforme a música também crescia.



Now here I go again I see the crystal visions
Agora vou eu novamente, eu vejo as visões cristalinas
I keep my visions to myself
Eu guardo minhas visões pra mim mesma
It's only me who wants to
Sou somente eu quem quer
Wrap around your dreams and
envolver-se em teus sonhos e...
Have you any dreams you'd like to sell?
Você tem algum sonho pra vender?
Dreams of loneliness
Sonhos de solidão…

Se aproximaram um do outro, quase colando os seus rostos, a cada palavra que falavam, seus lábios roçavam. A tensão estava no seu ápice, como um balão, só precisava de um alfinete para explodir. O que matinha eles unidos era o cachecol do búlgaro, que Blake os enlaçara.


Like a heartbeat, drives you mad
Como o bater do coração... que te deixa louco...
In the stillness of remembering what you had
Na calmaria da lembrança do que você tinha...
And what you lost
E do que perdeu...
And what you had
E do que tinha...
And what you lost E do que perdeu…

Quem explodiu a bolha foi Blake, jogou Yerik em cima do sofá puído, levantando uma boa camada de poeira, logo em seguida sentando-se no seu colo, dançando com a boca rente a sua. Os corpos roçavam um no outro, aproveitando-se da situação, Yerik não perdeu tempo e acariciou o corpo de Blake.

Thunder only happens when it's raining
Só há trovões quando chove
Players only love you when they're playing
Jogadores só te amam quando estão jogando
Women they will come and they will go
Mulheres... elas virão e irão
When the rain washes you clean you'll know Quando a chuva lavar você, você saberá... você saberá

Thunder only happens when it's raining
Só há trovões quando chove
Players only love you when they're playing
Jogadores só te amam quando estão jogando
Say women they will come and they will go
Mulheres... elas virão e irão
When the rain washes you clean you'll know
Quando a chuva lavar você, você saberá
You'll know
Você saberá
You will know
Você saberá
Ooo you'll know
Ooh Você saberá



Somente quando a música acabou que Blake permitiu Yerik tomar-lhe os lábios, a todo momento que o outro tentava, o impedia. Não que não desejasse aquilo, se o provocava era porque também queria, mas, a música era boa demais para não ser aproveitada em sua totalidade até o final.

O beijo foi profundo e molhado, para Yerik um Blake provador era uma novidade adorada, que o instigara ainda mais os seus desejos, devorava a sua boca como se ela fosse a última fonte de água no meio de um deserto. Quase que da mesma forma, suas mãos também exploravam o seu corpo, exigia mais contato, mais intensidade e mais pele. Porém, não se atrevia a ir além do que estava indo, pois, mesmo estando lidando com um Blake “mais liberal”, não se aproveitaria da situação.

Faltava-lhes ar quando suas bocas se separaram, Blake permaneceu sentado no colo de Yerik, ainda tonto com o beijo, inebriado e alheio ao corpo do outro. O que era oposto ao búlgaro, que se controlava para não deixar a intimidade ter mais contato com o outro corpo, apesar da do Blake tocar-lhe o abdômen e a sua roçar-lhe debaixo da bunda. Se estavam quase congelando a uma hora atrás, agora estavam pegavam fogo.

Eles se encaravam, trocando um olhar de desejo, era também outra novidade, antes sempre se mantiveram na linha de carinho. Blake deixou o ar lhe escapar pelos lábios, ao ter o quadril apertado por Yerik, que o induziu a rebolar no seu colo e friccionar lhes o baixo frente, tirando-lhe dessa vez o seu ar.

Em um momento de lucidez, Blake saiu do seu colo e deitou no sofá, colocando a cabeça nas pernas no outro, pegando-o desprevenido.

— Desculpa, acho que estávamos indo rápido demais.

— Eu quero transar com você. – Blake falou com todas as letras, encarando-o profundamente.

— O que?! – Novamente o búlgaro se fez de desentendido, chocado com a sinceridade das palavras.

— Tenho vontade de transar com você e nem sei direito o que é isso, mas também acho que não devíamos. – A sinceridade era a principal característica do menor embriagado.

Bleika, isso não condiz com você. – Yerik lhe falou sério. – Você está bêbado e falando coisas que vai se arrepender depois...

— Eu penso nisso também sóbrio. – Confessou ruborizado, o rubor deixava claro que um Blake tímido ainda estava ali presente. – Só não sei o que isso significava.

— Significa que talvez em um futuro, nos possamos ver isso. – Yerik lhe respondeu com delicadeza, acariciando-lhe a face.

— Ainda não me acostumei com você carinhoso.

— É porque você só conhece o meu lado cretino. – Riu.

— Estou completamente disposto a conhecer todos os seus lados.

— Isso é música para os meus ouvidos.

— É Fleetwood Mac.

— Não me refiro ao disco, mas as suas declarações.

— Não são declarações.

— Claro que são, vindo de alguém tão distante como você, isso para mim é uma declaração. Sei que tem dificuldade de expor seus sentimentos e que ainda não está confortável com nossa relação e que eu sonho eu ouvir você dizer que me ama, mas eu entendo o seu tempo e me apego a esses resquícios que solta de vez em quando.

— Se acredita nos meus sentimentos, porque não acredita no meu desejo por sexo?

— Porque é algo sem volta e eu te conheço o suficiente para saber que não vai se sentir bem com isso depois, além disso, você está bêbado. Eu acredito no seu desejo, só não acho que é certo fazer, agora.

— Então, você não nega que quer transar comigo?

— Não nego. – Yerik respondeu petulante. – Me arrepio toda vez que te toco, mas...

— Mas...?

— Mas não é a hora. – Completou.

— Não sou eu quem deveria saber qual é a hora.

— Sim, mas não está são das suas faculdades mentais agora para isso, aposto que daqui 3 horas, jamais diria o tipo de coisa que está dizendo agora e vai se arrepender de dize-las.

— Você está completamente certo, meu caro. Mas vou expor os fatos, eu sinto culpa de tudo que faço e penso, sou um pecador masoquista que tudo acha que está fazendo é errado, só que hoje, eu quero fazer e se me arrepender. – Blake se levantou. – Já vou ter feito. – E o beijou.

Muitas novidades aconteciam naquela noite, Blake tentar usar de persuasão para seduzir Yerik também era uma delas. Não deixou que o búlgaro conduzisse, fez isso sozinho, da maneira atrapalhada e desajeitada que sabia, segurava o seu pescoço com uma mão, de modo que ele não pudesse fugir e com a outra passeou pelo seu tronco coberto pela roupa de frio. Não se sabe o exato momento em que o maior deixou-se ceder pelas vontades do menor ou quando perderam os seus casacos de frios e só ficaram com a calça e a blusa de lã, mas precisaram de se beijar por um instante para respirarem.

— Não devíamos fazer isso. – Yerik falou com o rosto vermelho, principalmente os lábios, o pequeno McCarthy se arriscara com algumas mordidas.

— Por que? – Blake novamente sentara no colo do maior, encarava-o profundamente, estava ainda mais vermelho e com os lábios mais castigados, dois também podiam morder. – Não gosta de mim? – Lhe perguntou inseguro.

— Não, não é isso. – Yerik tentou intermediar antes que fosse tarde demais. – Você sabe que eu te amo, mas...

— Mas não quer fazer amor comigo. – O interrompeu. – Mas você fez com o Louis, você o ama mais do que me ama.

Blake saiu de cima do outro e sentou-se no tapete velho de frente a lareira, mil inseguranças passavam por sua cabeça, inseguranças que foram alimentadas nos últimos meses e com mais intensidade nos últimos dias. Abraçou-lhe as pernas.

— Não. — Yerik se sentou ao seu lado.

A luz alaranjada da lareira dava-lhe um ar mais saudável na pele alva de ambos.

— É isso sim. – Blake suspirou, algumas lágrimas começavam a cair dos seus olhos, evitava olhar para o outro.

— Não é. – Yerik tentou limpar o seu rosto, mas recebeu um tapa na mão. – Não fica bravo...

— Não estou. – Fungou o nariz. – Só estou...

— Se quer saber mais motivos para eu não querer transar aqui com você, além do que eu já falei, é porque eu quero que sua primeira vez seja especial.

— Não sou uma garotinha que precise disso. – Retrucou.

— Eu sei que não é.

— Não me trate como se eu fosse de cristal, sou mais forte do que isso.

— Eu sei, mas o que eu quero dizer é que minha primeira vez não foi especial e não significo nada, não quero o mesmo para você. Acho que temos que avançar tanta coisa antes de fazer isso... – Falou cutucando o fogo com um graveto.

— Não preciso de uma ocasião especial, só preciso que seja com a pessoa certa. – Yerik sorriu ao ouvir isso. – Eu sei como eu sou, mas como eu te falei, quero me arrepender e fazer, porque se não for assim, sinto que nunca farei.

— Acho que está exagerando.

— Não estou. – Blake lhe encarou. – Por favor... fazemos isso...

— Não posso. – Limpou o rosto do menor e dessa vez não foi impedido.

— Eu estou te pedindo. – Beijou-lhe gentilmente.

Yerik balançou a cabeça negativamente, Blake novamente o beijou, prolongando o beijo dessa vez, Yerik continuou negando, novamente outro beijo, a negativa foi menos incisiva, beijo, negativa. O búlgaro havia cedido no momento que parara de falar, quando deram por si, estavam deitados no tapete com as pernas entrelaçadas, se beijando e acariciando o corpo um do outro.

— Eu te amo. – Blake sussurrou em seus lábios ao se separem.

Yerik arregalou os olhos com a declaração, esboço um sorriso que seria capaz de acabar com a nevasca que acontecia do lado de fora da cabana. Com o polegar acariciou o rosto do menor, dando uma atenção em especial para os lábios, que estavam tão vermelhos que ao passar o dedo um pouco de sangue lhe foi borrado.

— Você pode me amar, hoje? – Blake lhe perguntou levantando um pouco o corpo do chão.

— Eu sempre lhe amarei. – Sussurrou de volta, também se levantando e o abraçando. Ficaram assim por um tempo, banhando-se um no calor do outro, sentiam e ritmando suas respirações. – Vamos com calma. – Sussurrou no seu ouvido.

O menor concordou, desfazendo o abraço e o beijando delicadamente, os corpos deles sentiam frio, mas a mente estava tão aquecida com a presença um do outro, que nem sentiam a temperatura. Ao se encerrarem o beijo, novamente se encararam esperando uma próxima atitude.

Blake tomou a iniciativa, colocou a mão por debaixo do suéter o búlgaro e sentiu o seu corpo, cada musculatura desenvolvida pela natação que contrastava com a sua acima do peso. Subiu as mãos até seu peitoral, aquecendo-as com o calor do corpo alheio. Sentiu vergonha com a possibilidade do outro notar isso, o que certamente notaria. Ao perceber que o menor não tomava mais ação, o búlgaro tirou ele mesmo o seu suéter e tudo que tinha embaixo, ficando sem nada. Yerik não tinha naturalmente muito pelos no tronco, os que tinha, raspava devido ao esporte. Quando fez menção de repetir a ação com o menor, teve sua mão segurada.

— Não quer seguir em frente? – Perguntou preocupado.

— Não é isso. – Blake balançou a cabeça.

— O que é então?

— Seu corpo é perfeito, é lindo...

— Está com vergonha do seu? – O interrompeu. Como resposta, recebeu um aceno positivo e a quebra na troca de olhares. – Eu acho você lindo. – Lhe puxou pelo queixo para retomarem o olhar.

— Não acredito nisso.

— Eu divido o quarto com você a mais de um ano, eu sempre vejo o seu corpo...

— Mas você sabe que é diferente. De repente, eu fiquei tão nervoso. – Confessou.

— Se quiser...

— Eu quero do fundo do meu coração seguir em frente, mas estou nervoso. – Se encolheu um pouco.

— O que te ajuda a relaxar?

— Cantar.

— Você sabe o quão esquisito é cantar do nada. – Yerik falou rindo.

— Eu sei, mas...

— Tenho uma canção perfeita. – O interrompeu.

All I am is a man
Tudo que eu sou é um homem
I want the world in my hands
Eu quero o mundo em minhas mãos
I hate the beach
Eu odeio a praia
But I stand
Mas eu permaneço
In California with my toes in the sand
Na Califórnia com os meus pés na areia

Blake o deixou cantar sozinho a primeira parte da canção também a conhecia, lhe retribuindo o sorriso.

Use the sleeves of my sweater
Use as mangas do meu suéter
Let's have an adventure
Vamos ter uma aventura
Head in the clouds but my gravity's centered
Cabeça nas nuvens, mas minha gravidade é centrada
Touch my neck and I'll touch yours
Toque o meu pescoço e eu tocarei o seu
You in those little high-waisted shorts, oh Você nesse pequeno shorts de cintura alta, oh

Conforme alguns trechos eram citados, Yerik seguia sua instrução. Logo no primeiro verso, tocou novamente a barra do suéter do menor, o retirando em seguida e sem interferência dessa vez. Na parte, que citaram tocar no pescoço, fez a ação colocando sua boca tão próxima a pele de Blake que lhe fez arrepiar os fios da nuca, isso sem parar de cantar.

O pequeno McCarthy tornou a canção um dueto nos versos seguintes.

She knows what I think about
Ela sabe no que eu penso
And what I think about
E o que eu penso
One love, two mouths
Um amor, duas bocas
One love, one house
Um amor, uma casa
No shirt, no blouse
Sem camisa, sem blusa
Just us, you find out
Apenas nós, você vai descobrir
Nothing that I really wanna tell you about, no Nada que eu não queira te contar, não

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'Cause it's too cold
Porque está muito frio
For you here and now
Para você aqui e agora
So let me hold
Então me deixe segurar
Both your hands in the holes of my sweater Suas duas mãos nos bolsos do meu suéter

Não cantaram a música até o fim, novamente a tensão libidinosa que sentiam ao cantar juntos tomou conta deles. Yerik deitou o corpo no menor totalmente no tapete, enquanto debruçava-se sobre ele, tomando-o. Suas peles se tocaram livremente sem suéteres, se arrepiavam tanto pelo frio, como pela sensação. Blake não pensava mais em seu corpo, estava mais preocupado em sentir o corpo maior sobre si, que lhe esquentava de uma maneira tão intensa que comparava como cair no meio de um vulcão ativo.

Os beijos nunca cessavam, o búlgaro trocava os lábios do menor por seu pescoço, tomando cuidado para não lhe marcar e seu torço, descendo até os seus mamilos. Blake apenas suspirava a cada sensação nova que sentia eletrizar o seu corpo.

— Posso tirar sua calça? – Yerik lhe perguntou, tirando-lhe daqueles devaneios de prazer.

Balançou a cabeça positivamente, como aprovado, assim foi feito, teve sua calça retirada e assim revelando sua ereção presa na cueca. Ficou vermelho como um morango maduro, colocou o braço no rosto cobrindo-o de vergonha. Percebeu o búlgaro também retirar a calça, mas não se atreveu a olhar, pois já imaginava como ele também estaria.

— Não se esconda, eu quero ver o seu rosto. – Yerik voltou a ficar em cima dele, tirou o seu braço do rosto e o colocou o preso por sua mão, em cima da sua cabeça.

— Estou com vergonha. – Murmurou.

— Não fique... – A maior sussurrou sensualmente em sua orelha, eliminando totalmente a distância que os separava. – Estou tão excitado quanto você, Bleika. Não consegue sentir? – Movimentou-se o quadril contra o menor, roçando-lhe os volumes proeminentes.

Blake não lhe respondeu, o puxou para mais próximo de si, abrindo as pernas para encaixa-lo entre elas. Puxava-o pelo pescoço, para beijá-lo com volúpia era respondido na mesma intensidade.

— Você confia em mim? – O búlgaro perguntou entre os lábios do menor.

Blake lhe respondeu positivamente, Yerik pediu para que ele se virasse de bruços com dedo e foi obedecido. Assim que virou, teve sua cueca retirada pelo maior, estava agora completamente exposto.

— Temos um problema. – Yerik falou deixando o mais velho completamente tenso. – Não temos camisinhas ou lubrificante aqui.

— Fazemos sem. – Blake não se virava para vê-lo, a vergonha era maior.

— Mas...

— Você tem alguma doença? – O interrompeu.

— Não

— Então...

— Não é... – Blake levantou o tronco, ficando de joelho e o puxou contra si, beijando-o e interrompendo-o. Sentiu o corpo do maior contra as suas costas.

Yerik passeou as mãos pelo tronco do menor, desejava tanto aquilo quanto ele, mas ainda resistia aos seus instintos, mas acabou por perder a cabeça e ir fundo no que desejava. O empurrou de volta ao chão, fazendo ficar “de quatro”, começou a beijar sua espinha descendo delicadamente, quando estava prestes a chegar aonde queria.

— Por favor, não faça isso, apenas coloque de uma vez. – Blake falou envergonhado.

— Mas vai doer, você não está lubrificado.

— Eu não me importo.

— Vai te machucar.

— Apenas... vai. – Suspirou.

A primeira vez, em sua maioria, nunca é algo romântico e bonito como é idealizado, grande parte das vezes são ruins, a inexperiência, o nervosismo, insegurança e ansiedade são os maiores contribuintes para o desastre e Blake percebeu isso, ao sentir-se rasgar por dentro ao ser penetrado. Mal pode conter o grito nos lábios e as lágrimas nos olhos, era a pior experiência que experimentava, como alguém podia gostar disso pensou.

— Quer que eu saia? – Yerik perguntou ao ver a reação do menor. — Ele estava vermelho, como se fizesse um grande esforço, o suor escorria por suas costas, como o maior podia ver no seu campo de visão. Também sentia o corpo do outro tentar rejeitá-lo, não estava confortável, sabia que menor se precipitara na penetração. – Eu vou...

— Não saia! – Blake ordenou ofegante olhando para trás, seu coração martelava a mil no seu peito, respiração mais ofegante do que nunca. – Se sair, depois vai ter que entrar de novo e vai doer, só espera um pouco. – Deixou o rosto cair no tapete enquanto o quadril permanecia levantado, outra preocupação também lhe passava a mente, uma relacionada a sua higiene intima.

Yerik ficava apreensivo ao outro, sentia que deveriam parar naquele momento, mas esperava a decisão partir do Blake, tinha medo que com o tempo, acabasse perdendo a ereção e broxasse, mas o que era impossível devido ao modo que o menor o pressionava na região.

— Vou me movimentar. – Avisou.

Blake balançou a cabeça positivamente, cada milímetro que o maior se movia, ele sofria e demonstrava isso na sua cara, sua teimosia era grande o suficiente para não pedir para ele parar. Sentiu a mão dele nas suas costas, conforme se movimentava mais sobre si, esperava a dor passar e a sensação melhorar, mas não mudava, sentia-se invadido por um corpo estranho. A cada investida, tinha certeza que se machucara no local e deveria sangrar, isso se não fosse algo pior.

Yerik aumentou um pouco a intensidade, por mais que estivesse nitidamente ruim para o outro, para o seu corpo ainda era prazeroso o ato. O segurou pelo quadril, apertando suas nádegas conforme aumentava as investidas no menor, esperava que ele estivesse sentindo o mesmo prazer que ele sentia, mas se atinha a reações dele e sua expressão de dor não mudava.

— Isso não está dando certo. – Falou saindo dele.

Percebeu a expressão de alivio do menor e soube que tomara a decisão certa.

— Você podia ter continuado. – Blake falou irritado abaixando o quadril.

— Você estava odiando. – Ele respondeu pegando sua cueca e limpando o seu pênis, o menor sangrara.

— Não estava.

— Eu sei que estava ruim. – Yerik deitou-se ao seu lado, não iria falar sobre o sangramento, isso só o assustaria. – Não precisávamos fazer isso. – Tirou os fios molhados da face do menor. – Podíamos ter só deitados juntos que estava ótimo.

— Me desculpe. – Blake falou sem forças para sair da posição que estava.

— Eu não devia ter ido até o fim...

— Eu te obriguei. – O interrompeu.

— Não, não me obrigou.

— Eu te amo. – Blake falou sorrindo para impedir que a conversa se prolongasse como viu que seria da vontade do maior.

A fala, surtiu o efeito desejado, Yerik ajeitou-se ao seu lado e puxou o seu corpo para junto ao dele e não tocou mais no assunto.

— Acho que nunca vou me cansar de ouvir isso. – Murmurou.

— Sinto muito pelo sexo ruim.

— Não foi sua culpa e não precisava que transassemos.

— Foi culpa minha...

— Você vai ver com o tempo fica melhor.

— Como sabe? Quase não teve experiência.

— Você está certo. – Lhe cutucou nas costelas. – Mas é o que todos gays dizem.

Yerik voltou a beijá-lo, da forma que o beijava antes de dormirem, dedilhando os dedos pelo corpo desnudo e por suas curvas, já não tão sutis como no dia que o conhecera. Blake passeava a mão por seu abdômen, descendo perigosamente pela região punica, tocando-lhe. O búlgaro foi surpreendido pelo toque, mas não parou de beijá-lo, mesmo quando começou a ser manipulado e atingiu o seu êxtase, sujando-o.

Sua respiração ofegante e a reações do seu corpo, enxergaram quase que se certo orgulho Blake por conseguir aquilo. Deitou-se no peito do maior, sem se preocupar em se sujar com sêmen e deixou-se ser aninhado por um Yerik completamente desnorteado.



Notas finais
Acho que a parte mais problemática e o trecho da chegada ao hotel e a 1 canção, estabeleci que ia postar hoje e não consegui ir na facul escrever melhor e finalizei pelo cel, me desculpe, meus amores. Promete responder os reviews até domingo! Ps: está na 3 pessoa, esse é o tchan. Tive um pequeno probelma com os narradores de 10 cap., esse deveria ser o Yerik mas ele já foi. Em uma prox revisão rigorosa, reescreverei na sua visão e o seu cap. 10 Será narrado pelo Vick. Reviews? Recomendações? Próxima att antes de 2019.