Tempestuoso

32 Pequenas Ondulações


Notas iniciais
I'm back back back back again. Muito obrigado pelos comentários, estou com o pc again, então atualizações sempre em até 21 dias. Sem música.

Seus lábios eram extremamente viciantes, estavam vermelhos e úmidos como os nossos corpos. O ambiente emanava e cheirava a luxúria, podia sentir o calor e os hormônios que transpirava dos nossos corpos, a temperatura estava inapropriadamente quente, mesmo em pleno inverno.
— Você gosta quando eu mordo o seu pescoço, aqui? — Yerik me perguntou ao atacar a região entre a minha mandíbula e pescoço.
Ele não precisou de algo vocal para receber uma resposta, a forma que me contrai em seus braços e reagia, eram mais que suficientes. Estávamos deitados na minha cama, sem nossas respectivas camisas escolares, apenas com as calças desabotoadas, Yerik estava sobre mim, pressionando-me pelo ventre, contra cama, de modo, que nossas intimidades roçavam conforme mordia meu pescoço. Eu parecia uma ovelha sendo atacada por um lobo, devorada aos poucos em sua total merce e eu não estava nem um pouco a fim de sair desse papel.
Faziam duas semanas que tínhamos voltados das férias em Vermonte e estávamos namorando desde então, em total segredo além das paredes dos nossos dormitórios. Eu não estava cem por cento seguro e confiante do que tínhamos, todos os dias algo assombrava-me a mente, lembrando-me da sodomia que cometia era condenada ao inferno depois do juízo final, porém, só era necessário receber um sorriso despretensioso que tudo era afugentado. Mal conseguia acreditar no seu poder de calma sobre mim, estar com ele ou ter qualquer reação positiva vinda dele, era como experimentar uma amostra do paraíso, que só se intensificaram após aceitar meus sentimentos, poderia ser um sodomita em terra que iria para o inferno, mas em terra estava no céu. Minha parte favorita do dia, tinha se tornara a manhã, ao ser acordado com seus beijos e carinhos pelo meu rosto, é claro, seguido por um belo sorriso que poderia iluminar todo o lado oculto da lua.
— Você parece um vampiro, assim. — Suspirei ao sentir o torso ser beijado.
— O quê? — Me perguntou, encarando-me com uma um sorriso libertino e o rosto corado.
Encará-lo nos olhos enquanto namorávamos era mais vergonhoso, do que, ficar sem roupas na sua frente. O olhar era tão mais íntimo que nudez, através do olhar ela possível enxergar os segredos mais profundos de alguém, seus desejos e sentimentos e Yerik era um especialista nisso. Na realidade, seu olhar me quebrava todo, como se não conseguisse mais seguir minhas paranoias ao perder-me nos seus pequenos dois céus.
— Você parece um vampiro atacando meu pescoço. — Repeti manhoso.
— Quer que eu pare? — Seu tom era provocativo, a sobrancelha arqueada deixava isso claro. — Sou um vampiro do leste europeu, esqueceu? Preciso do sangue de jovens bonitos americanos. — Passou a língua nos caninos salientes.
— Não. — Lhe respondi rindo. O puxei contra mim, entrelaçando as pernas na sua cintura e colando nossos lábios. A duas semanas atrás, jamais teria tomado essa atitude, mas depois de tudo que passamos e como evoluímos nesse sentido, eu só queria senti-lo mais sobre mim.
— Podíamos ir um pouco além disso. — Murmurou nos meus lábios, meu beijo tinha melhorado consideravelmente devido a prática.
Quando eu falei que tínhamos evoluído, mas não necessariamente em tudo, Yerik sugeria em fazermos amor, chamávamos de fazer amor porque era isso e porque eu tinha muita vergonha dos outros termos. Apesar de chamar de amor, amor era o último sentimento que tinha de lembrança da última experiência. A perda da minha virgindade não era necessariamente ruim, mas o ato em si, sim, muito doloroso, não queria sentir dor novamente, não era para mim. Isso era na minha cabeça, pois meu corpo sempre queria dizer outra coisa, ele reagia sempre ao menor toque de Yerik, principalmente quando assumia o controle da situação. Ele era paciente comigo, mesmo que sempre desse sugestões de querer avançar, como naquele momento, mas não era mais incisivo, do que isso. Garantira que a primeira experiência geralmente era ruim mesmo, principalmente para o passivo, mas que melhoraria com o tempo e muita prática, enfatizava a palavra prática com um sorriso safado. Admito ter pesquisado mais sobre o ato e os cuidados que deveria ter, no entanto, só de imaginar em fazer novamente, suava frio e sentia calafrios.
— Acho que tudo... ao... seu... tempo... — Lhe respondi pausadamente, entre os beijos.
Sua mão descia perigosamente pelo meu corpo, parando no meu quadril e apertando as gordurinhas da região, já não tão proeminentes como no início nos primeiros dias do ano. Eu tinha conseguido me matricular em dança contemporânea, para iniciantes por motivos óbvios, apesar de Georgina e Maggie terem me dito que me ajudariam a avançar de nível com aulas particulares. Eu não era um grande admirador da dança, mas sabia da sua importância para a expressão corporal e para um ator, era imprescindível uma boa técnica em tudo no âmbito artístico principalmente na sua expressão corporal. O melhor de tudo era poder me ver livre finalmente do treino de natação, só de me imaginar em uma piscina arrepiava-me mais que fazer amor com Yerik, mas não teria que me preocupar com isso pois faria apenas minhas habituais anotações dos treinos e as aulas de dança. As aulas eram difíceis, o docente responsável era a Srta. Margot, a mesma professora responsável pelos musicais, ela era severa comigo, cheguei a considerar se era implicância com o meu corpo, pois foi bem relutante em me aceitar nas suas aulas, mas após duas semanas de aula percebia que era era assim com todos e sua cobrança estava surgindo efeito, pois estava perdendo medidas progressivamente e logo, sentia que iria me livrar do Programa de Emagrecimento.
Em um movimento rápido, ele girou nossos corpos, de modo, que fiquei sentado no seu colo e ele com as costas na cama. Sua mão, ainda no meu quadril, fez-me rebolar sobre si, podia sentir toda sua masculinidade em poder e glória contra a minha bunda, era uma sensação estranha, mas decididamente excitante e boa. Voltei a beijá-lo, também excitado, o que ele percebeu ao puxar-me para baixo ao atacar-me novamente o torço e esfregar-me contra o seu corpo. O empurrei e voltei a sentar ao seu colo ficando com falta de ar, Yerik parecia sempre querer testar o meu sistema respiratório, pois estar com ele e ficar sem ar eram consequências.
— Jesus, eu preciso respirar. — Falei ofegante, abanando-me com as próprias mãos.
— E eu só preciso um pouco mais de você. — Falou de modo provocador, estava vermelho, levemente suado e descabelado, o que o deixava ainda mais bonito.
Não lhe respondi, apenas lhe retribui o sorriso. Namorar com ele, se mostrara uma grata surpresa, era tão carinhoso e prestativo que cheguei a estranhar no começo, pois geralmente, eu é quem era esse tipo de pessoa e não quem a recebia. Apesar de tudo, algo dentro de mim ainda se retorcia com nossas ações, mas como falei, Yerik sempre conseguia espantá-lo. Eu era uma pessoa carinhosa, mas fazer declarações para ele ainda era um pouco complicado, já recebia as suas com mais facilidades, mas precisava melhorar as minhas.
Com o dedo, o chamei para vir até mim, Yerik sentou-se na cama, para que pudesse não se esforçar tanto para me beijar ainda no seu colo. Meus lábios sempre eram os mais castigados depois dos nossos amassos, ele gostava de mordê-los, porém nunca ficavam absurdamente inchados. Toda vez que eu o chamava, o excitava mais, por isso não foi uma surpresa a pegada mais intensa que recebi, sua mão subiu por todo o meu tronco, parando de forma incisiva no meu pescoço.
— Yerik... — Deixei seu nome escapar-me pelos lábios, sabia que gostava que eu disse o seu nome..
— Bleika. — Sussurrou-me de volta, após lamber-me os lábios e novamente atacar-me o pescoço.
Eu confiava nele, até aquele momento nunca havia me deixado marcas na região, apesar de não poder dizer o mesmo de todo o resto do corpo, no quadril estava com um roxo enorme, porque ele sabia que surtaria com a ideia de alguém descobrir sobre nós ou pensarem que estou com alguém.
Decidi imitá-lo, puxei o seu rosto, deixado-o esticado para trás e a área do pescoço, que queria, exposta. Tentei imitar o que ele sempre fazia, as mordidinhas seguidas por lambidas, seu corpo reagia a cada toque, o que me incentivava ainda mais a continuar o que fazia. Comecei a compreender a sua fixação pela área, aprofundei um beijo ao ouvir seus gemidos escaparem pelos lábios, seu perfume natural se acentuava naquela região, era excitante demais, podia explodir com o ato, somente parei quando ele se moveu para trás para respirar.
Fiquei orgulhoso de tirar o seu ar como sempre fazia comigo, mas minha animação caiu por terra ao ver o estado do local que beijara.
— MERDA! — Falei ao ver o chupão roxo.
—x-
— Esse cachecol ficou muito bem em você. — Maggie falou assim que se sentou ao meu lado e olhou para Yerik, estávamos almoçando no refeitório.
Devo ter ficado mais constrangido, do que, ele, nossa rápida troca de olhares era a razão disso. Usar um cachecol azul celeste não seria nada demais em pleno inverno do final de janeiro, mas a situação mudava quando se descobria que seu uso era além do térmico, escondia a horrível quase hemorragia que eu o causara na noite anterior. Depois que fiz o vergão, fiquei horrorizado, apesar dos esforços dele de me tranquilizar e dizer que gostava de ser marcado por mim, mas meu medo de verem e suspeitarem de algo era maior que a satisfação pelo meu parceiro.
— Minha mãe tricotou para mim no natal. — Yerik respondeu com tranquilidade sorrindo, seu sorriso seria capaz de espantar minha neurose, se ela não estivesse tão forte. Era só um cachecol, porque Maggie tinha que comentar algo, era destino deixando-me a flor da pele.
Éramos agora um trio, desde o retorno das festas, Louis e sua prima tinha se familiarizado com outras pessoas e, felizmente, deixado-nos, seriamos uma dupla, se não fosse pelo meu relacionamento secreto, que fizera com que o búlgaro não se afastasse de mim, satisfazendo um desejo mútuo e Aisha mudado de colégio, era triste pensar que não aguentara a pressão e perder mais uma possível amiga.
Era muito bom poder ter algum tipo de interação fora do nosso quarto, mesmo que fosse a mínima possível ou mais apenas amigável possível. Apesar de nunca ter pensado muito em namorar em toda sua ideia completa, no fundo, sempre idealizei a ideia de poder estar com alguém em lugares especiais, andar de mãos dadas e trocar caricias e beijos pelos cantos, mas na nossa condição era impossível, isso me incomodava um pouco. Mentiria, se não confessasse que Yerik não costumava me roubar beijos em corredores, salas ou saliências vazas, principalmente no meu banco favorito no bosque, sim, saíamos no meio da neve para nos beijarmos escondido em qualquer lugar fora do quarto e ou de me provocar de uma forma que só faria sentido para nós, como naquele momento, que roçava levemente sua perna na minha, que mesmo para quem visse, não enxergaria a maldade, mas para nós era o suficiente pois sabíamos da intenção por trás.
— Você está com uma cara estranha? Está aprontando alguma coisa? — Maggie me perguntou aleatoriamente.
— Que? Eu? Por que? — Meu nervosismo na resposta me entregava mais que qualquer coisa, minha amiga não era boba, percebia a diferença de antes e depois da viagem.
Me declarar para Yerik me libertou de um peso equivalente a mil toneladas das costas, o que me deixou ainda mais certo em estar com ele, porque algo que me fez me sentir tão bem, poderia ser tão ruim? Era como estar leve novamente, como se pudesse flutuar e tocar as nuvens, ás vezes as estrelas quando nos beijávamos.
— Nãooooo... — Falei puxado, o búlgaro ria. — Acho que só estou ainda me adaptando as aulas da Srta. Margot.
— Ela é uma filha da puta muito boa.
— Você fala isso porque conseguiu o papel principal na peça. — Yerik a alfinetou, percebi que isso era uma característica da sua personalidade, pequenas e sutis alfinetadas, mas nada pejorativo, mais para ser cômico.
Não ter uma tensão invisível com ele no ar, permitia-me conhecer mais sobre ele e ver detalhes que eram mascarados pelos meus medos.
— Olha quem fala? Quem foi o protagonista da última. — Contra argumentou.
— Eu só queria por ser o protagonista alguma fez... — Comentei antes que houvesse uma treplica.
— Quando fizerem Peter Pan, você pode ser minha sininho. — Yerik falou sorrindo.
Lhe fiz uma careta.
— Vejam só o mais novo casalzinho vinte. — Maggie comentou, olhando para o grupo de Abi. Charli estava com Marc ao seu lado, ela não estava com uma expressão muito feliz no rosto, mas ela nunca estava com um expressão feliz mesmo. — Ele ficaram durante a festa anual de ano novo do Coral na casa da Camille, bom, estavam escondendo, aparentemente não mais.
Marc parecia bobo ao lado dela, falava algo para ela e não era tão bem recebido, porém parecia feliz. O grupo estava meio deslocado, o novo membro não fazia o perfil deles, dessoava.
— Vou chamar eles para sentar aqui, quero saber um pouco mais. — Maggie falou, antes que pudesse negar, já os tinha chamado. Ela era muito fofoqueira.
Tinham algumas razões para não ficar tão próximos deles, a primeira, Charli e Marc não gostavam de mim, principalmente o segundo que teve um longo rolo com a minha irmã, que eu não sabia como estava lidando com esse e eu com certeza ficaria ao seu lado. Terceiro, Jessie. Jessie cruzava minha história com o Yerik em alguns momentos, não sabia exatamente até aonde tinham se envolvido, mas a ideia de vê-los próximos não era lá muito atrativa, além dele poder perceber o que não deveria perceber.
— Vejam só quem estão juntos. — Maggie sorriu.
Jessie e Abi nos cumprimentou, Charli não fez muita questão e Marc também não se importou .
— O que quer saber? — Marc retrucou, mas me encarando como se eu tivesse feito a pergunta.
— Nada, só queria parabenizá-los.
— Ótimo. — Falaram juntos revirando os olhos.
— Querem se juntar com a gente? — Yerik ofereceu os lugares.
— Dispensamos. — Charli respondeu, virando, se afastando e incrivelmente puxando Marc pela mão, os invejei por um momento.
Jessie e Abi fizeram cara de tristeza, mas acompanharam seus colegas.
— Antipáticos. — Maggie revirou os olhos.
— Não sei porque você os chamou para vir aqui. — Lhe censurei.
— Ué, você é amigo da Abigail e Yerik do Jessie. — Fiquei desconfortável com a última parte. — Por que não?
— Porque... porque.... — Não soube contra argumentar.
— Porque eles são chatos. — Yerik riu para mim.
— Exato. — Apontei para ele. — E outra, Charli me detesta porque a peguei destruindo a ala masculina uma vez e Marc porque sou irmão da ex dele.
— Então foi ela que quebrou tudo? — Ele perguntei.
Balancei a cabeça positivamente.
— Tanto faz, não faço mais, nem faço questão. — Maggie fez cara de nojo. — Mas alguma notícia de Beth?
Eu sentia falta de Beth todos os dias, mas não de maneira dolorosa, mas nostálgica. Conversávamos com regularidade pelas redes sociais.
— Falou que vai viajar com os pais pelo continente, já que vai perder o ano escolar.
Fiquei me questionando sobre o quão confortável poderia ser viajar todo o continente norte-americano em uma vam.
— Tipico dela. — Riu.
—x-
— Eu poderia fazer amor com você aqui mesmo. — Yerik sussurrou no meu ouvido, no pequeno e abafado armário de vassouras do quinto andar do prédio institucional.
Teríamos aulas optativas em menos de quinze minutos e ele teve perigosa ideia de irmos para aquele lugar e podermos ter um pouco mais de "privacidade".
— Nem pense nisso. — Me afastei o possível dele, dado o espaço, estava tão encaixados nas pernas um do outro, que eu estava praticamente entrelaçado nele.
Yerik riu.
— Eu jamais faria isso. — Falou inocente.
— Não duvido de você.
— Ainda bem que não. — Riu, antes de me beijar rapidamente. — Eu queria te perguntar uma coisa...
— O que? — Espirrei. O lugar era tão cheio de pó que era irônico guardar material de limpeza e ser tão sujo.
— Eu vi o seu olhar quando Jessie se aproximou, por acaso, tem ciumes dele?
A pergunta me pegou desprevenido, agradeci por estar em um local escuro para ele não poder ver minha expressão de criança sendo pega fazendo bagunça.
— Imagina. — Minha voz saiu aguda, como sempre acontecia quando tentava rir de maneira tão descarada. — Não. — Balancei a cabeça negativamente.
— Acredito. — Sua voz estava carregada de ironia. — Mas tudo bem, acho fofo você ciumento.
— Eu não estou com ciúmes.
— Mas do Louis você tem.
Sabe aquela palavra que corta o clima, independente de qual ele for, era falar o nome de Louis, Yerik e ele ainda conversavam, bem menos do que antes, porque meu namorado notara minha expressão ao vê-los juntos, apesar de nunca ter dito nada. Yerik me garantira que era uma amizade sem segundas intenções, o que não era cem por cento verdade, pois Louis tinha até quartas intenções com ele. Mas eu não falava nada, não queria ser invasivo ou controlador, engolia em seco.
Me afastei mais dele, quase abrindo a porta do local.
— Hey. — Ele me chamou antes que fizesse. — Você fica lindo com ciumes.
Revirei os olhos abrindo a porta do local e verificando se tinha alguém, felizmente, ninguém.
— Se isso lhe serve de conforto, eu também sou bastante ciumento... — Yerik falou antes de eu fechar a porta na cara dele.
Não saíamos juntos de lá, sempre era um primeiro e o outro cinco minutos cronometrados depois. Eu segui pelo corredor e virei a direita, andei mais um pouco e cheguei no estúdio de dança, pontualidade era algo importantíssimo para a Srta. Margot, na realidade, qualquer minuciosa regra era importante para ela, sempre buscando a perfeição.
— Quase atraso. — Murmurei para mim mesmo ao observar a mulher chegar logo depois de mim.
— Boa tarde, iniciem os alongamentos. — Falou.
Ela já havia nos repassado os exercícios de alongamento durante duas semanas, a partir da terceira não achou mais necessário, apenas orientava quem estivesse fazendo ao errado.
— McCarthy, force um pouco mais a abertura, sabemos que consegue mais.
A obedeci, para essa aula trocávamos nossos formais uniformes por roupas de malha nas cores da escola, elas marcavam o meu corpo tinha que usar um short mais solto para não ficaram inapropriadas, suspeitei que talvez fosse por isso a razão de Yerik querer uma fugida no armário de vassouras.
A aula durava exatamente uma hora e meia, sem adiantamento ou atrasos. Estava indo embora, sem sentir metade do corpo pelo esforço de me alongar cada vez mais e pelos movimentos técnico constantemente repetidos, quando encontrei Vick.
— Oi. — A cumprimentei surpreso. — Você está bem?
— Estou. — Apesar do seu semblante enrugado dizer o contrário.
— Sem querer ser rude, por que está me esperando aqui? — Lhe perguntei, limpando o suor do rosto.
Minha pergunta, nitidamente, lhe pegou de surpresa.
— Não sei. — Ela sorriu nervosa.
Suas reações deixaram-me em alerta, estávamos mais distante esse ano, não sabia mais o que lhe acontecia como no ano anterior, isso de certa forma me isentava de sofrer as consequência dos respingos dos seus dramas.
Caminhamos de volta a ala de dormitórios, estava tão sujo que quase desejava tomar um banho, quase, porque a sensação de tomar banho não era a das melhores, mas meu cheiro também não era.
— Você parece mais feliz. — Comentou.
— Eu me sinto. — Sorri, lembrando das últimas semanas.
— Pensei que surtaria com a expulsão da sua amiga.
— Eu também. — Confessei. — Mas acho que depois de Sam, nada pode me abalar tanto e Beth está mais feliz longe daqui e sua felicidade é minha felicidade.
— Você quebrou o braço, não foi?
— Sim. — Quis completar dizendo que ela não fora ver o meu estado o perguntara sobre a fratura nenhuma fez, mas me contive. — Fiz de proposito.
— As piscinas?
— Exato.
— Estava tão desesperado assim?
— Você sabe que sim. — Lhe olhei intensamente, ela acima de todas pessoas sabia muito o porquê. — Quebraria os dois se fosse necessário.
— Sinto muito... — "Não sente, não" pensei. — Devia ter te ajudado com isso, já que o papai...
— Não vamos falar sobre isso. — A interrompi. — Águas passadas não movem moinhos, não estou na equipe e agora eu danço como exercício, não poderia ser melhor. — Sorri.
A Vick que eu conversava não lembrava em nada a minha irmã, algo de certo estava errado.
— Quer falar alguma coisa comigo? — Lhe perguntei ao chegarmos na bifurcação das Alas.
— Marc está mesmo com aquela garota machuda? — A pergunta saiu atrapalhada e em tom de lamento.
— Está.
— Que bom. — Vi seu rosto de contorcer, parecia se conter para não chorar.
— Você não devia chorar por ele, não era bom para você e está com outro agora. — Tentei lhe confortar ao puxá-la para um abraço fedorento.
— Só é muito triste ver alguém que a gente ainda ama seguindo em frente.
— Eu sei. — Suspirei.
Ficamos assim por um tempo, Vick não chorara, mas estava deprimida.
— Pensei que estivesse com alguém...
— Menti, não fiquei com ninguém sério dele.
— Ahhh... Entendi.
— Vou te soltar, você está fedendo. — Ela falou me soltando.
— Da próxima vez, não te abraço.
— Vai me abraçar, sim! — Ela falou rindo, o que já era algo incrível para alguém que estava quase chorando. — E obrigada. — Apertou minha mão com carinho.
— Sempre estarei aqui por você.
— Eu sei, acho que por isso que corri até você.
— Imaginei que estaria angustiada.
— Já sabia do que se tratava?
— Sou cavaleiro demais para passar por cima de você. — Sorri. — Mas agora eu preciso ir, porque eu estou querendo sair do meu corpo, de tanto que estou fedendo.
Vick gargalhou e caminhou em direção a ala feminina
—x-
O dia posterior, parecia uma receita para o desastre logo quando encontrei Louis no elevador dos dormitórios e tivemos que compartilhar aquele espaço minusculo por alguns segundos. Passei o café da manhã e almoço sozinho pois Yerik e Maggie coincidente se atrasaram ou tiverem compromisso nos horários. Comi tão rápido que logo fui matar o restante no tempo no meu lugar favorito, mandei mensagem para Yerik me encontrar lá.
O clima aquele dia estava agradável, mas qualquer frio se tornava agradável após encarar uma nevasca. O bosque estava encantador, silenciosamente vivo, pois podia ouvir alguns mamíferos menores se movimentando embaixo da camada razoável de neve. O céu estavam azuis como os olhos do garoto que eu amava e o sol esquentava singelamente. Yerik falou que demoraria mais um tempo, então optei por ser o livro Howl's Moving Castle que já lia á um tempo.
— Oi, pequeno McCarthy! — Alex me cumprimentou, assustando-me, quase derrubando o livro, de tão entretido na leitura que estava.
— O-oi. — Gaguejei.
Não conversávamos a muito tempo, mesmo compartilhando de algumas aulas em comum, eu também não frequentava mais a igreja como antes, ia somente aos domingo, preferia continuar no internato que voltar para casa. Por isso, assim que sentou ao meu lado ficou um clima estranho entre nós, como uma tensão, ele ficou olhando para paisagem invernal e eu não conseguia retornar a leitura.
Alex estava excepcionalmente pálido em sintonia com o branco do ambiente, suas olheiras e olhos estavam também se destacavam na palidez, percebi que tinha um corte no canto inferior da boca, já reparara antes que ele sempre aparecia com alguma pequeno hematoma no rosto, perceptível apenas ao olhos mais atentos ou para quem o observa com delicadeza.
— Acho que lhe devo algumas desculpas. — Ele suspirou, sem me encarar.
Sua fala novamente me pegou desprevenido.
— Não acho que seja para tanto, pensei que já tínhamos seguido em frente. — Lhe respondi com um sorriso sem dentes, ele se referia às suas abordagens invasivas no passado.
— Não! — Ele falou incisivo. — Sei que fui demais, me envergonho disso.
— Não precisamos falar sobre isso. — Toquei lhe a mão. — O que acha?
Sua mão estava gelada, assim como sua personalidade sempre parecia ser, aqueles olhos acinzentados pareciam ser a porta para uma grande geleira glacial que era a sua alma.
— Prefiro. — Retribuiu o toque, um resquício de sorriso pareceu se formar no seu rosto.
Ficamos em silêncio, uma leve brisa movimentou nossos cabelos.
— Você está muito mudado... — Comentou, fumaça saíam dos seus lábios.
— Você acha?
— Se importa, seu eu fumar? — Ignorou a minha pergunta.
Balancei a cabeça negativamente, o observei pegar o maço e o isqueiro do bolso, essa era uma novidade e tanto, Alex ser fumante, não me lembrava de sentir o gosto do tabaco das vezes que nos beijamos, então, deveria ser algo recente, pelo menos, seis meses recentes no mínimo. O cigarro parecia ser aqueles de palha, mas com o filtro branco, seu cheiro era horrível.
— Não sabia que você fumava. — Comentei.
— Comecei para acalmar a mente, tem funcionado muito bem. — Respondeu antes de dar uma tragada. Espirrei, ele riu. — Se quiser, eu paro. — Percebi que o filtro se manchara com o sangue nos seus lábios.
Espirrei novamente.
— Não precisa. — Falei coçando o nariz, o cheiro da fumaça estava deixando-o irritado. — Como consegue fumar, aqui? — Me referia ao ambiente escolar, era estritamente proibido o uso de tabaco pelos alunos, ainda mais ele sendo sobrinho neto da atual diretora.
— Dou mesmo jeitos, apesar desse banco aqui parecer ser perfeito para fumar e não ser incomodado por ninguém. — Outra tragada.
— Procure outro banco, esse já é meu. — Tentei soar como brincadeira, mas ele não pareceu entender pois fez uma careta.
— Todo seu, McCarthy. — Respondeu, se levantando.
— Não, calma. Eu falei brincando. — Me levantei, tocando-lhe pelo braço.
— Eu sei, só estava te testando. — Me analisava frivolamente ao voltar a sentar.
— Ainda não me respondeu em o que estou tão diferente... — Voltei ao meu lugar e ao assunto para não deixar a situação ainda mais embaraçosa.
— Você e o Stanilau parecem até que namoram agora, não saem um do outro lado do outro, não eram assim antes da viagem de ano novo e natal. — Soou despretensioso.
Eu tive que me controlar para não ficar muito nervoso com a afirmação ou deixaria muito na cara a sua veracidade.
— Não, só deixamos as diferenças de lado. — Tentei transparecer a maior tranquilidade, como se fosse um templo budista durante uma meditação, mas sabia que se ele fosse fundo nos meus olhos veria a mentira. — Apenas isso. — Completei.
E foi o que fez, novamente um resquício de sorriso se formou no seu rosto.
— Ainda acho suspeito a noite que vocês simplesmente desapareceram no hotel...
— Você estava lá? Como que eu não te vi.
— Sei ser bem discreto. — Jogou a bituca de cigarro na neve suja aos seus pés e apagou. — Mas pode ficar tranquilo que não duvido de sua palavra, assim como tudo parecer ser suspeito.
— Blake? — Escutei a voz grave de Yerik me chamar e não era da forma carinhosa de sempre, não tinha seu sotaque característico. — Está com companhia, pensei que estivesse sozinho...
Virei-me para ver Yerik, estava com uma expressão irritada com um veia saltada na testa enrugada, ainda usava o cachecol, minha marca demoraria para desaparecer.
— Não se incomode, já estou de saída, pode fazer companhia ao seu AMIGO. — Enfatizou a última parte antes de se levantar e seguir bosque a dentro.
— Não gosto dele. — Yerik resmungou ao seu jogar do meu lado.
— Eu até gosto.
— Até gosta? — Sua voz saiu um pouco esganiçada.
— Por que eu não gosto dele...
— Por que? — Lhe perguntei desconfiado.
— Ele sempre está a espreita em cima de você... — Falou emburrado.
— Mas ele é meio que meu amigo, é solitário.
— Você se afastaria dele se eu pedisse. — Fiquei surpreso com aquela fala.
Não lhe respondi imediatamente, normalmente diria que sim, mas algo dentro de mim dizia que não.
Meu silêncio serviu como de resposta.
— Não vai me responder? — Perguntou irritado.
— Somos só amigos, ele nunca fez nada contra mim e contra você?
— Não, mas...
— Você ainda conversa com Louis, que só sabe me alfinetar.
— Mas é diferente.
— Tudo bem. — Suspirei por vencido, não queria brigar, mas ainda não confirmando oficialmente o seu pedido.
Ficamos em silêncio, era nossa primeira discussão desde que começamos a meio que namorar.
— Senti sua falta durante o dia. — Quebrei o silêncio, não suportava mais o silêncio entre nós.
— Também senti sua falta. — Desfez a cara emburrada e passou o braço entorno de mim.
— Cuidado, alguém pode nos ver. — Falei quando se aproximou para me beijar. — Alex acabou de ir embora.
— Viu, agora tenho um motivo oficial para não gostar dele. — Riu, antes de colar nossos lábios. — Quanto aos outros, estou disposto a arriscar.
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Manter a promessa não prometida para Yerik, se tornou impossível quando tive aula de redação. Não entendia sua antipatia por Alex, até porque eles nunca nem tiveram qualquer interação, seria ciumes? Se fosse, poderia ser ainda pior se ele soubesse que já trocamos beijos algumas vezes e que quase tivemos um caso escondido, mas acho que era o tipo de situação que ele não precisava saber.
— Nesse ano, adotarei um novo método de avaliação, além das redações diárias vocês terão um projeto semestral em duplas... — O Sr. Jackson começou a falar logo no inicio da aula. — Desenvolveram uma novela...
Vi uma bolinha de papel cair em cima da minha mesa, depois outra e mais outra, virei para lado e recebi uma no rosto. Alex me encarava com várias bolinhas na mesa e não mão.
— Quer ser minha dupla? — Ele fez o movimento com os lábios sem falar.
Eu fiquei sem saber o que fazer, tinha acabado de falar que me afastaria dele e agora poderia ser sua dupla no projeto de redação do semestre, tinha que pensar rápido ou ficaria estranhamente constrangedor o meu silêncio.
Balancei a cabeça positivamente, pensando no drama que seria, teria que pensar como contar para Yerik, ou desenvolver esse projeto sem ele saber, porque o que eu mais queria era não entrar em conflito com ele. Não existiam segundas intenções, jamais teria, mal conseguia aceitar meus sentimentos pelo búlgaro e lidar com a culpa todos os dias, quanto mais, me relacionar com outro.
— Legal. — Ele esboçou um fraco sorriso.
Não nos falamos mais, voltamos a prestar atenção na aula, o Sr. Jackson não tinha a fama de ser uma pessoa fácil, sua implicância diminuíra gradativamente ao longo do semestre e estava quase simpático nesse semestre. Dizia que isso era devido a alma que minha redações agora tinham e antes não, me questionei se isso teria a ver com meu novo relacionamento amoroso.
— Já pensou em fazer Letras? — O Sr. Jackson me perguntou após todos alunos saírem da aula e eu permanecer para não sair junto de Alex.
— O quê? — Perguntei desatento.
— A faculdade estadual tem um ótimo programa de literatura, poderia considerar fazer o curso para sua formação, tem talento nisso. — Repetiu mais detalhadamente.
— Não sei se quero seguir no ramo da literatura. — Lhe respondi com sinceridade, tentando soar o mais respeitoso possível. — Mas queria seguir nas artes dramáticas, de preferência musicais.
— Então, acho que deveria se empenhar mais para poder conseguir as universidades próximas de Nova York ou Los Angeles.
— Eu ainda não pensei muito a respeito.
O que era verdade, tanta coisa acontecia ao mesmo tempo, minha vida sempre parecia estar um caos emocional que eu nunca parara para pensar no futuro, nos meus planos, no que eu queria. Os palcos e cantar sempre eram momentos de alegria, de me sentir completo ou pleno, mas acreditava que meu pai tinha outros planos para mim, muito menos glamourosos e talvez no ramo da advocacia, quem mais cuidaria do seu escritório, do que seu filho mais novo. Vick já tinha uma carreira promissora nos esportes e caso, quisesse mudar de ramo, seria muito bem sucedida em qualquer outro, o que sobrava para mim? O legado do meu pai.
— Comece a pensar no que eu falei. — O Sr. Jackson finalizou ao sair.
Passei o caminho de volta ao dormitório pensando nisso, na realidade, pensando nisso e no meu colega de projeto, estava entre a cruz e a espada, apesar de serem de plástico nesse caso, porque não era dada tão absurdo, pelo menos na minha mente. Só saí dessa linha de raciocínio ao trombar com alguém.
— Ei! — Resmunguei sem ver quem era, sabia que não era alguém alto ou grande pois o contato não causa tanto efeito.
— Ahhh, me desculpe. — Louis respondeu rindo. — Não te vi. — Riu novamente.
Apenas revirei os olhos e continuei meu trajeto.
—x-
— Sadie Hawkins! — Foi a primeira coisa que a Sra. Underwood falou no outro dia durante a aula do Coral.
Aquelas palavras me traziam uma dor no peito, uma saudosa lembrança de amigas que não estavam mais lá e uma para sempre. Eu tinha ido com Beth e Sam no ano passado no baile Sadie Hawkins, muitas coisas aconteceram naquela noite, Sam me contou sobre ser soropositiva, eu tinha bebido muito e me envolvido de maneira constrangedora com Yerik e Jessie. Mas, acima de tudo, tinha sido uma noite sobre confiança, como ela confiara em mim para ser honesta da forma mais íntima possível, se eu soubesse que essa conexão não duraria nem mais seis meses, teria aproveitado mais.
— Ei, presta atenção. — Yerik sussurrou nos meu ouvidos ao perceber que me distraíra com meus pensamentos.
— [...] as irmãs concordaram em manter o baile de dia dos namorados no modelo de garotas convidadas garotos, como no ano passado [...] — A Sra. Underwood prosseguiu falando.
Uma coisa sobre a turma do Coral, era que a saída prematura da competição com outros corais havia tirado todo o animo para as aulas, apesar dos esforços da professora em tentar contornar isso. Ninguém prestava muita atenção dela, acredito que a maioria já teria saído, se não fosse proibido largar no meio do ano letivo.
— [...] como posso perceber pelo animo de vocês... — Ela suspirou, quase pode imaginar uma fumaça de cigarro saindo por seus lábios, devido ao fato de sempre feder a eles. — Uma das colegas de você é a responsável pela comissão do baile e quer realizar um pedido para vocês...
A mudança repentina atrai olhares.
Abigail foi até o centro da sala e assumiu a posição, antes ocupada pela professora, no centro.
— Boa tarde, pessoal. — Abi tentou soar o mais simpática possível, o que nem precisava se esforçar poque já era naturalmente. — Eu sou a presidente da comissão...
— Quem votou em você para isso? — Camille a interrompeu perguntando.
— A gente tem um comissão de baile? — Louis perguntou interessado.
— Você não votou porque não está dentro da comissão, só quem faz parte que votou para decidir...
— Não acho justo, mas prossiga. — Novamente a interrompeu.
— Acho que deveria ser algo aberto a todos. — Joanne comentou.
— Gente, não é o caso agora. — Abi tentou controlar o debate que se iniciava, falhando.
— Ei, calem a boca e deixem a gordinha falar. — Marc teve que intervir com sua voz não tão máscula, mas eficiente. Olhou pomposo para Charli após a intervenção esperando alguma reação positiva que não veio.
— Você sabia essa disso do baile? — Yerik sussurrou novamente no meu ouvido.
— Sim. — Balancei a cabeça positivamente.
— Obrigada, Marc. — Abi agradeceu, apesar de eu ver uma rusga no seu rosto ao ouvir "gordinha". — Bom, eu preciso de ajuda com o show do baile. A Irmã Nancy proibiu o coral de se apresentar devido a última vez. — Por incrível que se pareça, muito comemoraram o boicote, fiquei indignado. — Mas não impediu de que alguns alunos se apresentassem por conta própria, algum voluntário?
A única surpresa foi Maggie não levantar a mão e se oferecer, mas todos os outros fazerem isso, não. Ninguém levantou a mão, além de mim, muitas pessoas não gostavam de "perder" tempo de baile cantando, preferiam passar se divertindo com seus parceiros e amigos.
— Mais alguém? — Abi praticamente suplicava por mais pessoas.
Só que ninguém levantou a mão, foi constrangedor.
— Acho que eles ainda estão absorvendo a ideia de solos. — Sra. Underwood tentou quebrar o clima. — Logo, mais outros se voluntariam como o Sr. McCarthy. Eles sabem a importância desse baile...
— Vai sonhando... — Ouvi alguém murmurar.
Abi passou o restante da aula cabisbaixa.
— Porque vocês não se ofereceram? — Perguntei a Maggie e Yerik quando saímos da aula.
— Não quero perder o baile. — Yerik respondeu.
— Não tenho boas memórias de festas. — Maggie soou amarga.
— Pensei que nunca perdesse uma chance de show. — Comentei, tentando convencê-la.
— Dessa vez e única, todos os holofotes serão para você. — Ela me deu dois tapinhas no meu ombro. — E não se acostume. — Acrescentou. — É uma pausa estratégica. — Rimos. — Já sabe quem irá te convidar para o baile, Yerik?
— Bom, acho que tenho uma lista boa e talvez de espera de garotas que me convidariam. — Falou presunçoso. Não gostei da forma que ele falou, convencido. Uma pequena neurose sempre passava na minha cabeça em relação a ele e a honestidade de suas ações, tudo poderia ser um jogo dele para me humilhar e me fazer sofrer, mas geralmente, não alimentava esse monstrinho. Outra questão seria, ele ter vergonha de estar comigo, pois apesar de não fazer questão de esconder, nunca me levara para conhecer o seu grupo de amigos, mais dele, além do meu grupo de pessoas. — E você, já sabe quem chamará?
— Avaliando todas as possibilidades. — Ela respondeu. — Sou muito exigente, tem que ter mínima capacidade de me acompanhar nos passos de dança ou em um dueto de balada romântica. — Novamente rimos. — Pensei que Louis também se ofereceria para cantar, parecia interessado em fazer parte da comissão.
— Pensei a mesma coisa. — Suspirei aliviado pela ideia não ter se realizado.
— Ia ser lindo vocês juntos cantando músicas de baile. — Ela riu. — Agora é curioso o porquê.
— Ele está querendo passar abaixo do radar. — Yerik respondeu. — Não quer chamar muito atenção, tem gente pegando no pé dele.
— Como você sabe?- Maggie perguntou.
— Ele me falou, a gente conversa as vezes.
Fiquei mais irritado com aquela afirmação, então eles conversavam com frequência, Yerik conversava com o menino que dava descaradamente em cima dele. De repente, fazer o trabalho com Alex não pareceu ser grande coisa.
— Mas Bleika, você já sabe quem te chamará? — Yerik me perguntou zombeteiro, sorria como um palhaço.
— Ninguém, vou cantar a noite toda, porque é o que me basta. — Respondi rude, estava irritado com sua resposta.
— Tenho certeza que alguma gatinha vai te chamar. — Ele novamente zombava de mim.
Dei de ombros e acelerei os passos.
— Você realmente ficou irritado? — Foi a primeira coisa que Yerik falou ao entrar no quarto e me ver trocando de roupa, havia me adiantado na frente deles. Não lhe respondi, pois ele estava com o mesmo sorriso de antes. — Hey, me responde. — Novamente insistiu.
— O quê? — Me fiz de desentendido.
— O quê? — Ele fez a pior imitação possível de mim. — Se está irritado?
— Não. — Minha voz saiu aguda como o latido de um cachorro pequeno. — Talvez, ninguém quis apoiar Abi, fiquei irritado com isso. — Tentei contornar a situação.
— Quer que eu acredite nisso. — Senti se aproximar de mim por trás. — Fica bravo não... Converso com Louis, mas é você que eu amo.
— Conversa com ele. — Imitei sua voz afetada de sotaque.
— Ciumes?
Me desvincilhei dele.
— Então, você tem uma fila enorme de pretendentes? — Lhe perguntei.
— Claro que não, não é uma fila enorme, é pequena. — Respondeu rindo. Fiquei de cara fechada. — Você sabe que seria meu par, se pudêssemos, mas como não podemos, eu tenho que fingir e manter...
— Você vai mesmo com outra pessoa? — Lhe perguntei embasbacado.
— Sim, mas sem intenções, isso seria um problema para você? — Não lhe respondi imediatamente, estava digerindo a ideia que descia tão bem, quanto, comida estragada. — Além do mais, seria com uma garota. — O que não melhorava muito a questão.
O que ele falava tinha um ponto de verdade, se iriamos ficar escondidos, não podíamos dar brechas ou mudar radicalmente nossas rotinas, Yerik sempre levava garotas ao baile, dessa vez que estávamos mais próximos, não poderia ser diferente ou nasceriam mais desconfianças, que alimentariam suspeitas e por assim em diante até descobrirem a verdade.
— Tá.


—x-


No outro dia, a primeira candidata a par do baile de Yerik falou comigo. Eu estava praticando com Georgina alguns passos técnicos de dança contemporânea, quando ela perguntou:
— Você acha que o Yerik aceitaria ser meu par para o baile Sadie Hawkins? — Um gosto amargo subiu na minha boca. — Acha que não? Porque fez uma cara...
— Não! Não, não é isso. — Falei atrapalhado, tentando evitar alguma outra interpretação errada por causa da minha expressividade. — Só não sei, se ele aceitaria.
— Por que diz isso? — Ela pareceu interessada. — Você sabe se ele está saindo com alguém?
Segurei a língua para não dizer que sim e comigo, mas felizmente não era descontrolado a esse ponto. A ideia dele sair com outra pessoa, ir ao baile com outra, era tão ruim, entristecia-me, não deveria ser nada demais, mas era o sentimento parecido ao que sentia ao ver casais héteros de mãos dadas escondido na escola, porque o escondido deles era ser discreto e o meu ser um completo segredo. Eu tinha vontade de contar para Maggie ou Vick sobre o nosso relacionamento, mas tinha medo de que contassem para alguém, além de Yerik também pedir sigilo, pelo menos no começo. Não era como seu eu quisesse levantar a bandeira colorida nos corredores, mas não queria sempre espreitar pelos cantos como um casal de ratos.
Eu tinha me aproximado de Georgina nos últimos dias, de certa forma suprimia nelas meus relatos sobre Yerik, o que seria muito suspeito fazer com qualquer outra das minhas amigas que me conheciam a mais tempo, eu falava dele como um amigo falaria de outro com uma amiga, por isso sua pergunta sobre ele para mim. Ela era tão adorável quanto sua personalidade, eu tinha anulado o fato de ter namorado meu atual namorado, até aquele questionamento.
— Não, não sei. — Por mais que quisesse transparecer nenhum sentimento, lhe respondi com tristeza ao recear um pouco a respondê-la.
— Então, acha que tenho chances? — Animou-se. Dei de ombros — Até parece que está com ciúmes de mim? — Ela riu.
Fiquei surpreso com a hipótese, porque era justamente o contrário.
— Claro que não!
— Uhun! Se eu não te conhecesse diria que sim. — Piscou para mim.
— Piada.
— É serio?
— Georgina, o suor está bagunçando seus neurônios country. — Tentei encerrar o assunto.
— Com ele, poderemos vencer o rei e rainha do baile...
— Não sabia que queria isso ou se interessasse.
— Bom, minhas mãe e avó ganharam o título devo seguir o legado. Seríamos o casal perfeito.
— Vocês teriam o meu voto. — Forcei um sorriso que deve ter saído como uma careta.
Voltamos a praticar, mas eu estava desatento e desleixado, não conseguia em concentrar, só pensava pensar nos dois sendo o casal perfeito durante a noite toda e eu os observando de longe sem ter o que fazer.
— Concentração! — Ela chamou minha atenção.
— Estou tentando... — Murmurei.
— Finalmente te achei! — Alguém chegou atrapalhando o nosso ensaio. Georgina e eu viramos e encarávamos a dona daquela voz. — Blake, preciso da sua ajuda para montar o setlist da festa. — Abi parecia a beira de nervos.
Me despedi rapidamente de Georgina e acompanhei a outra até a sala do coral, onde estava organizando as músicas do baile.
— Você não sabe o quanto sou imensamente grata por você ter se voluntariado... — Ela suava em pleno zero graus que fazia naquela tarde.
— Que isso. — Sorri. — Parceiros de Emagrecimento sempre se ajudam. — Lembrando-a daquele pesadelo que compartilhávamos com mais meia dúzia de alunos acima do peso.
— Ahh, sim, Parceiros de Emagrecimento. — Ela riu, mas vi tristeza no seu olhar.
— Você está bem? — Perguntei.
— Não muito, para ser sincera, mas vamos lá.
Ela começou a mexer no celular mostrando as playlists do baile e sugerindo as músicas que poderíamos cantar ao invés de só deixar o som tocar, era em sua maioria pop, r&b e hip hop, eu particularmente gostei muito de duas, sendo uma delas um dueto.
— Acho que você tem um ótimo gosto musical. — Lhe elogiei.
— Bem, eu não montei tudo sozinha.
— Cadê o resto do pessoal? — Perguntei, referindo-me a toda comissão.
— Ocupados com outras coisas, não somos muitos, então cada área responsável ficou bem apertada nas suas obrigações, eu por exemplo, só precisava de um segunda opinião para poder seguir desenvolvendo.
— Entendi... — Ficamos em silêncio por um tempo. — Sinto muito pelo pessoal do Coral declinar...
— Não é como se eu me surpreendesse com eles ou com toda escola...
— O que quer dizer?
— As pessoas são malvadas e egoístas, quem vai querer organizar um baile, por exemplo.
— Mas você quer dizer mais, não?
— Nada... — Ela cortou o assunto.
Felizmente a música que tocava de fundo ajudou a amenizar a tensão.
— Já sabe com quem vai no baile? — Ela me perguntou.
— Não, não sei e nem acho que irei acompanhado. — Lhe respondi com sinceridade e melancolia.
— Por que diz isso?
— Sei lá.
— Se está sem esperanças, imagina para mim que terei que convidar. — Soou frustrada. — Você acha que o Jessie é gay? Eu não estou te perguntando porque acho que você também seja, mas porque é uma pessoa que conhece ele também e é sempre bom ter uma terceira opinião. — Ela falou aleatoriamente a última parte.
Engoli em seco, não sabia o que responder. Não era como se eu fosse o melhor amigo de Jessie para ser convicto da sua sexualidade, eu mal era convicto da minha. Eu gostava do Yerik e já tinha beijado Alex e o próprio Jessie e somente uma garota, Sam, o que não significava nada. Estava feliz em estar com quem estava e só isso bastava.
— Não sei. — Tentei falar o mais firme possível.
— Charli acha que ele é gay, mas eu discordo... — Ela mordeu a bochecha internamente.
— Você tem um crush nele, não é? — Perguntei.
— Talvez... — Ela esboçou um sorriso tímido. — Talvez a três anos já...
Lhe retribui o sorriso, mas com um pouco de pena, novamente não sabia sobre a sexualidade dele, mas pelo pouco, acho que ele se interessava por meninos e era muito triste ver um amor que nunca seria correspondido. Continuamos trabalhando nas músicas até dar o horário do jantar, seguimos juntos até a ala dos dormitórios até nos depararmos com a habitual bifurcação.
— Bom, obrigada pela companhia e ajudar com o baile. — Abi falou, se despedindo.
— Eu que agradeço pela companhia. — Lhe dei um abraço. — Até amanhã.
Estava seguindo pelo corredor, quando ela gritou pelo meu nome.
— BLAKE!
— OI! — Lhe respondi também gritando, virando-me.
— Quer ir ao baile comigo?! — O pedido me pegou de surpresa. — Como amigos, é claro. — Ela acrescentou.
Tive milésimos de segundos para considerar sua proposta, queria responder que não, que tinha com quem ir, mas seria uma meia mentira e meia verdade, pois eu tinha alguém, mas ele não iria comigo. Yerik provavelmente iria com alguma garota, com flertes disfarçados, ele tinha uma reputação a regular, precisava disso, eu por outro lado, não precisava disso, não precisava sair com uma garota, porque basicamente não era notado por ninguém. Mas se ele podia ir com alguém, eu também poderia.
— Claro. — Falei sorrindo.
— Legal. — Ela também sorriu, antes de voltar a andar.
— Agora vai usar ela de fachada? — A pior voz do mundo soou no meio do corredor.
Virei-me para frente e lá estava minha nêmesis, encarando-me com o mesmo sorriso debochado de sempre. Poderia lhe responder, mas minha indiferença seria a melhor resposta, passei reto por ele, como alguém passa por esgoto, sim, fiz cara de nojo,
— Espero que esteja aproveitando as noites com ele... — Voltou a falar, dessa vez não tive como não evitar de ficar com as orelhas vermelhas. — Quem não cumpre com as obrigações, faz com que o boy procure...
— Cala boca. — O interrompi antes que pudesse completar sua infame frase. — Apenas, cale a boca.
Não esperei por sua resposta ou reação, segui o mais rápido possível para o dormitório.
Cheguei no quarto espumando, Louis irritava-me, suas piadas de mau gosto e indiretas tirava-me a paciência, sentia que podia esganá-lo, se tivesse coragem para o ato, como não, continuava com a minha estratégia de ignorá-lo o máximo possível.
— Você está bem? — Yerik perguntou quando o assustei batendo a porta do quarto.
— Claro. — Lhe respondi com um sorriso forçado.
Comecei a tirar o uniforme, sem lhe dar atenção, percebi seus olhos atentos sobre mim.
— Pode falar comigo sobre o que te deixou irritado. — Falou atrás de mim. Suspirei, eu ainda estava um pouco irritado com o fato dele ter que ir com uma garota ao baile e juntava com o fato de ainda falar com Louis. — Pode confiar em mim... — Senti deslocar meu cabelo, que estava enorme, do meu pescoço com o nariz, o roçando na pele.
— Tudo. — Murmurei. — Mas principalmente Louis, ele não para de me irritar e fazer indiretas sobre a gente...
— Não devia ter sido tão óbvio no dia da viagem.
— Eu sei. — Meu coração batia rapidamente, isso sempre acontecia quando o sentia tão perto de mim. — Não gosto dele e devia ficar longe dele. — Me virei lhe encarando emburrado. — Não gostei do que falou ontem. Vi ele arqueando uma das sobrancelhas e novamente fazer aquele sorrisinho tão irritante. — E pare de me encarar dessa forma. — Resmunguei, me afastando dele.
— Só estou te encarando assim porque acho você deliciosamente atraente quando está com ciumes.
— Eu não estou com ciumes! — Lhe respondi irritado e vermelho.
— Está sim e nem me beijou quando chegou para me punir. — Voltou a se aproximar de mim. — Devo ser privado de seus lábios, só por que sou amigo de um menino qualquer? — Balancei a cabeça positivamente ao ter o corpo puxado contra ele, não tinha reparado que estava só de cueca até nossas intimidades se tocarem sobre o tecido e sentir seu corpo quente junto ao meu. — Não seja tão cruel. — Riu.
Foi me puxando devagarzinho até sua cama, até estarmos deitados juntos, entrelaçados e acariciando um o rosto do outro.
— Não vai mesmo me beijar? — Me perguntou fazendo biquinho.
Revirei os olhos rindo, não resistindo e lhe dando vários selinhos em sequencia. Em algum momento, ele aprofundou um dos beijos e começou a apertar o meu corpo.
— Para, para. — Falei manhoso, sem ar, para variar.
— Eu sempre tento. — Sorriu de modo safado.
Apenas ficamos abraçados depois disso.
— Pode sempre falar sobre qualquer coisa comigo. — Sussurrou, ao beijar o topo da minha cabeça.
Não lhe respondi imediatamente, deixei alguns minutos passarem.
— As vezes eu tenho medo, de que tudo isso seja uma grande farsa e que você só queira me machucar por razões maquiavélicas. — Finalmente desabafei.
Eu gostava de passear minhas mãos pelos seu peito, principalmente rodeando o mamilo, ele me garantira que não se incomodava ou sentia muito desejo pela ação, apesar deles sempre ficarem mais rosados e eriçados com a ação.
— Por que pensa isso? — Senti sua mão levantar meu rosto para encará-lo quando perguntou.
— Sei lá. Você nunca me apresentou aos seus amigos fora do nosso circulo. Você tem vergonha de mim?
— Claro que não, só que meu antigo pessoal não faz muito o seu estilo e você se sentiria deslocado. Só tento ser o mais discreto possível para não levantar suspeitas, se eu tivesse vergonha de você eu nem andaria ou faria questão de estar sempre com você.
Sua resposta tinha sentido, mas era bom ouvir isso em bom som, matando minha paranoia.
— Eu sei. — Me aconcheguei mais contra ele. — Mas precisava ouvir isso.
— Tudo bem. — Ele riu.
Não conversamos mais, apenas nos acariciávamos enquanto os últimos raios solarem iam embora. O silêncio só foi quebrado quando o quarto já estava escuro.
— Vou com Georgina no baile, não tem problema, né? — Yerik falou, despertando-me do quase mundo dos sonhos que estava. — Ela me mandou mensagem me convidando.
Não era um surpresa que o convite seria seria feito, o que a resposta talvez fosse sim, mas novamente fiquei com um gosto amargo na boca, mas além disso, também fiquei com vontade de chorar, não tinha controle total sobre meus sentimentos. Por isso, virei de lado, para ele não ver minha reação.
— Sim, está tudo bem.

Notas finais
Obrigado a quem acompanha a fic até hj ♥ Reviews e recomendações?