Tempestuoso
33 Canção do Amor Secreto
Notas iniciais
Seu cheiro impregnava minhas narinas, não conseguiria ficar mais por muito tempo bravo com ele, não quando o tinha dormindo tão tranquilamente nos meus braços, nossos corpos estavam completamente entrelaçados, se fosse possível estaríamos presos em um nó. Seu cabelo cheirava a verbena, me atrevi a acaricia-lo, mesmo com o risco de acordá-lo, era macio e pouco prendia entre meus dedos.
A movimentação deve ter lhe despertado, pois senti se aconchegar melhor contra o meu corpo, deveria ter parado com o toque, mas o singelo sorriso que lhe escapou dos lábios me incentivou a continuar. O observei aumentar gradativamente a expressão e a esticar-se até o meu rosto, quando consegui, o recebi com um beijo calmo para lhe embalar o despertar do sono. Seus lábios eram um pouco ásperos pela falta de umidade, mas que logo foi regulado conforme movimentávamos nossas bocas. Não existia preocupação com mau hálito matinal quando a única coisa que queríamos era sentir um ao outro.
Yerik não precisava de muito para se despertar ao me beijar, quando dava por mim, suas mãos estavam perigosamente por dentro do meu short do pijama e com este quase fora de mim. Admito que desejava que ele tirasse minha roupa, que imaginá-lo sem roupa sobre mim, me deixa especialmente excitado, mas minha lembrança da primeira vez ruim receava-me. Não precisava ser um gênio para perceber o quanto ele também queria fazer amor comigo, podia sentir a mais notável das evidências colada na minha coxa, mas era muito gentil com a situação e nunca ia além das suas sugestões e piadas dúbias.
Pela primeira vez, deixei que ele fizesse o que queria comigo, com a delicadeza de um desabrochar de uma flor, sentiu suas mãos descerem receosas por meu quadril até a parte interna da minha coxa. Finalmente, vi seus olhos pela primeira vez naquele dia, ficavam especialmente intensos de manhã, seu olhar buscava consentimento que lhe respondi com um afago no rosto e um selinho. Quando suas mãos tiraram minha roupa intima, não pude evitar de ficar constrangido, mesmo que não pudesse ver nada sobre o grosso cobertor que nos cobrias, mas suas mãos podiam explorar minha nudez, que era quase a mesma coisa que se seus olhos fizessem.
Acho que nunca fiquei tão constrangido pela manhã até ter minha mão guiada pela sua até sua virilha, não era como se eu nunca tivesse tocado a região, mas agora era algo totalmente lúcido. Ele não precisou me falar o que queria, fiz o que instintivamente meu corpo queria, o toquei e assim que o fiz, atacou-me o pescoço, como de costume. Uma das suas mãos prendia minha nuca, impedindo qualquer esquiva do seu ataque e a outra apertava-me todo o corpo, com uma atenção especial para minhas nádegas. Masturbar alguém era menos problemático, do que imaginei que seria, principalmente quando essa pessoa gemia o seu nome no seu ouvido toda vez que conseguia acertar o ritmo certo.
Meus dedos estavam levemente melados quando senti puxar meu pulso, trocamos olhares, o meu era submisso e o dele curioso, levantou o dedo e o girou, pedindo para que eu virasse. Balancei a cabeça negativamente, nem querendo imaginar o que queria, fez gesto de imploração, ainda não cedi.
— Por favor, confie em mim. – Murmurou contra os meus lábios.
Apesar de continuar gesticulando que não, não lhe ofereci resistência conforme girava o meu corpo até ficar de bruços como desejava, percebi se afastar de mim e puxar o cobertor, fiz menção de me virar, mas ele me impediu. Foi para trás de mim e empurrou minhas pernas para mim, fazendo-me ficar de “quatro”, queria morrer de vergonha, deveria ter desfeito a posição, mas algo nele exercia controle ou confiança sobre mim, mas não o suficiente para não pegar um travesseiro e esconder o meu rosto. Só fui entender qual era o seu intuito ao ir aos céus e voltar, sua língua subiu da minha virilha a até a região entre minhas nádegas, eriçando-me, quando finalmente chegou onde queria, fui ao céu. Era úmido, novo, estranho, mas decididamente muito bom, sua língua brincava com a região enquanto intercalava com mordidas na minha bunda. Me contorcia na cama, tentando segurar e controlar minha respiração, que gerava gemidos abafados, isso o incentiva a aumentar o ritmo da ação, tomei coragem para olhá-lo e fui recebido com o sorriso safado que me despia até a última peça de roupa que nem tinha mais, não protestei quando me deu um tapa estalado na bunda, na verdade, isso me fez gemer pra valer. Não sei quando exatamente comecei a me masturbar ou quando fiquei duro como uma pedra, mas percebi isso quando sua mão se juntou a minha no ato e sua língua desceu pelo meu períneo até o meu pênis.
Estava contorcendo meus pés quando o celular de Yerik começou a vibrar, cortando o clima e trazendo-me de volta a consciência do feitiço que seu beijo me levara. Rapidamente me cobri, escondendo-me no ápice de vergonha da minha vida.
—Droga! – O escutei protestar ao cair no chão, na tentativa de andar com o short arreado. – Alô? – Escutei atender o telefone. – Georgina?
Era incrível como se podia sair do céu e cair direto no inferno, acho que isso deveria ser parte da sensação que os anjos caídos tiveram ao serem expulsos do paraíso. Minha vergonha, foi substituída por irritação, coloquei meu short e fiquei ouvindo a conversa, quem ligaria para outra pessoa tão cedo? Era no mínimo inconveniente.
— Georgina queria combinar os horários de ensaio da valsa. – Ele me falou depois de aproximadamente três minutos conversando com ela.
— Valsa? – Não pude evitar de fazer uma careta.
— Sim, uma valsa, todos os casais concorrentes a rei e rainha do baile tem um momento na pista. – Esclareceu.
— Legal. – Revirei os olhos. – Mas por que ligar tão cedo?
— Sei lá. – Ele riu. – Nervosismo pré-vitória porque o baile é amanhã. – Soou convencido, o que não era em vão, pois eles eram realmente os favoritos na corrida. — Mas aonde paramos antes de sermos interrompidos? – Começou a puxar o cobertor de cima de mim, ele ainda estava com a parte debaixo arreada.
— Eu estava indo escovar meus dentes. – Lhe respondi irritado e levantando da cama.
— Ei. – Ele me puxou pelo braço. – Te acho uma gracinha com ciúmes. – Falou, antes de me beijar.
Desfiz o beijo com um beliscão nas suas costelas.
— Hey! – Protestou. – Quando que iremos terminar o que começamos hoje?
Fiquei roxo de vergonha, mas ainda assim, lhe respondi.
— Quem sabe depois do baile?
—x-
— Mas por quê vocês terminaram? – Perguntei para Alex sobre seu antigo relacionamento com Georgina, estávamos desenvolvendo as ideias do nosso trabalho de redação, que consistia em uma pequena iniciação cientifica sobre algum tema contemporâneo que se relacionasse com alguma obra contemporânea ou moderna da literatura inglesa, era algo complexo, mas não achei do todo ruim, em umas das salas de estudo espalhadas pela escola.
— Acho que éramos incompatíveis. – Alex nunca dava muito detalhes para minhas perguntas, o que era um pouco frustrando dado ao fato que queria conhece-lo mais para poder saber se suas intenções eram boas ou dúbias comigo.
— E como está sua relação com Yerik? – Perguntou aleatoriamente.
— O que? – Soei nervoso,
— Vocês não costumavam se dar bem, agora andam juntos como melhores amigos. – Tentei notar alguma malicia na sua fala, mas não percebi nada, seu olhar continuava distante como sempre.
— Ahhh, estamos definitivamente nos dando bem. – Tente soar descompromissado, depois do nervosismo, seria péssimo se Alex suspeitasse do meu envolvimento com o búlgaro.
— Fico feliz que tenha encontrado um amigo.
— Eu também. – Recordando que a principal razão de nossa aproximação era devida ele ser Mick a principio de tudo, a pessoa que mais conhecia sobre mim e que esteve ao meu lado, em seu modo, em todos momentos ruins.
— Nunca mais te vi na igreja, se entregou definitivamente ao pecado? – Dessa vez, notei malicia em seu tom.
— Jamais! – Falei, vermelho. – Apenas, não me sinto bem mais indo todos os dias, seria desonesto frequentar a casa de Deus se não for de coração aberto.
Esperei algum olhar de julgamento, mas não teve, eram sempre o acinzentado de nuvens que antecipavam uma tempestade me encarando, sem animo e envolta de fortes olheiras.
— Entendi. Mas sinto falta da sua companhia dominical.
— Mas só sentávamos um do lado do outro enquanto o padre falava.
— Não é pela companhia literal, é mais pelo o que ela representa. – Respondeu calmo.
— Ainda não entendi.
— Deixa para lá. – Soou impaciente. – Melhor voltarmos para o trabalho...
—x-
Finalmente foi chegada a noite do baile de Dia dos Namorados, apesar das Irmã repudiarem veementemente esse nome, mas não poderia ser diferente se era exatamente no dia. Yerik e eu nos arrumávamos para festa, felizmente íamos juntos, não literalmente juntos, mas com o nosso grupo de amigos, sem Georgina, só se encontrariam no ginásio mesmo para o fim da campanha eleitoral para o rei e rainha do baile.
— Você fica lindo com smoking. – Comentou, compartilhávamos amistosamente o espelho no nosso banheiro.
— Você também. – Respondi constrangido, estava melhorando gradativamente a recepção dos seus elogios.
No caso, ele realmente estava, não que sua roupa você muito diferente da minha, roupa de baile de garotos era praticamente a mesma coisa, acho que uma declaração sugestiva de que a noite era sempre das garotas.
— Vai votar em mim? – Perguntou me encarando.
— Claro, por que não voltaria? – Lhe devolvi a perguntada sorrindo.
— Não sei. – Sorriu sínico. – Vai que seu ciúme lhe faz mudar de ideia.
— Quem disse que eu estou com ciúmes de você?
— Sua cara, você é bem expressivo.
Ele estava certo, mas não admitiria para mim, quanto mais para ele.
— Só para mostrar o quanto está errado, eu escolhi algumas músicas para você...
— Vai cantar para mim? – Pareceu surpreso.
— Sim. – Lhe respondi com um ar travesso. – Se eu estivesse com ciúmes não cantaria para você.
— Talvez eu acredite nisso. – Ele riu, me puxando para perto dele.
— O que foi? – Lhe perguntei rindo.
— Eu gosto muito de você.
— Eu também gosto muito de você.
— Não, você não está entendendo, eu gosto muito muito de você. – Ele riu, enfático. – Tipo muito, tipo amor, eu te amo.
Minhas bochechas automaticamente coraram, sempre era assim.
— Eu também te amo. – Sussurrei no seu ouvido.
Yerik me abraçou intensamente, beijando meus cabelos.
— Hoje vai ser especial. – Comentou. – Eu prometo.
— Eu sei, confio em você. – Apesar de eu quase nunca demonstrar isso, confiava nele.
Tomei-lhe os lábios para um beijo calmo, enquanto era acariciado no rosto por suas mãos gentis.
— Estou pensando em te levar em casa na pascoa. – Falou como se não fosse nada ao separarmos.
— O que? – Lhe perguntei atordoado, tanto pela informação quanto pelo beijo.
— Ahh, isso que você ouviu, quero que você conheça minha família, minha casa e meu quarto. – Falo a ultima palavra com malicia. – Mas precisamos ser bem mais cuidadosos lá, minha avó e mãe são bem, digamos... tradicionais.
— Tudo bem. – Lhe respondi empolgado.
— É sério, elas são piores que você no começo no ano passado, mas acho importante conhece-las. Então você topa?
Balancei a cabeça positivamente lhe dando vários beijos seguidos, só nossos separamos quando ouvi meu celular vibrar, era mensagem de Abigail, perguntando quando que eu chegaria no baile.
— Precisamos ir logo. – Segurei sua mão.
— Pode ir encontrar com Maggie que eu vou arrumar um negocio aqui rapidinho e já encontro com vocês
Achei estranho, mas não falei nada, mandei uma mensagem para Maggie, que felizmente já estava pronta e combinamos de nos encontrar na frente do ginásio. Segui sozinho, poderia ter ficado triste, mas fiquei empolgado em saber que Yerik desejava que eu conhecesse sua família, isso deveria significar alguma coisa, eu sabia que ele me amava, mas gestos significavam muito mais que palavras.
— No mundo da lua? – Maggie me perguntou quando cheguei no complexo esportivo.
— Talvez. – Lhe respondi alto.
— Você ainda muito oito ou oitenta ultimamente, ou está bobo ou com cara feia. — Não lhe respondi, apenas lhe fiz uma careta. – Cadê a sua sombra?
— Yerik?
— Quem mais seria? Depois das férias vocês mais parecem um casal que qualquer coisa. – Abri a boca para retrucar, mas fiquei calado. – Vocês por acaso estão juntos?
— O que? Que ideia. – Tentei disfarçar.
— Sei lá, mas... enfim, cadê ele?
— Falou que ia arrumar alguma coisa no quarto e pediu para gente ir na frente.
— Vai votar nele e na Georgina?
— E em quem mais votaria? Vamos entrar, antes que a Abigail surte.
— Será que posso cantar alguma...
— Não! – A cortei ríspido rindo. – Tarde de mais para ser a estrela do show, hoje à noite é minha e da Abigail, só focais potentes.
Maggie riu e me fez uma careta, ela estava com um vestido bufante esmeralda, que ressaltava sua pele alva e os cabelos acobreados, como sempre esbelta com corpo de bailarina. Sua roupa combinava perfeitamente com o tema que era “Gloriosos Anos 80”. Ao entrarmos no ginásio o tema ficou bem evidente nas cores vibrantes da decoração, tudo era demais e muito, o que era exatamente os anos oitenta. Não era para vir a caráter, era apenas o tema do baile, mas os alunos estavam com algumas leves referencias a época, sem serem literais, como algum penteado volumoso ou roupa colorida.
— A comissão se superou. – Maggie comentou ao meu lado.
— Isso porque você não ouviu as músicas.
— Acho que vou pegar algo para beber, quer alguma coisa?
— Só se não estiver batizado e isso também serve para você. – Lhe lembrei da sua fase alcoólica.
Ao ouvir Madonna sendo cantada por Abigail imaginei que teria outra amiga sendo convidada a se retirar pelo colégio Sta. Agnes, mas para minha surpresa nenhuma das irmãs pareciam indignadas com a música, talvez Beth ter escolhido uma musica que falasse de preces ao diabo tenha contribuído com seu caso e o atual baile ter a temática anos 80 e o seu conteúdo lírico mais leve tenha ajudado também.
Open your heart to me, baby
Abra o seu coração pra mim, baby
I hold the lock and you hold the key
Eu tenho o cadeado e você tem a chave
Open your heart to me, darlin'
Abra o seu coração pra mim, querido
I'll give you love if you, you turn the key
Eu te darei amor se você, você virar a chave
I think that you're afraid to look in my eyes
Eu acho que você tem medo de olhar nos meus olhos
You look a little sad boy, I wonder why
Você parece um pouco triste. Eu me pergunto por quê
I follow you around but you can't see
Eu te sigo por aí, mas você não pode ver
You're too wrapped up in yourself to notice
Está envolvido demais consigo mesmo para perceber
So you choose to look the other way
Então você prefere olhar para o outro lado
Well, I've got something to say
Bem, eu tenho algo para te dizer
Don't try to run I can keep up with you
Não tente correr, eu posso te alcançar
Nothing can stop me from trying, you've got to
Nada pode me fazer parar de tentar, você tem de
Assim que Abigail me viu, acenou do palco e continuou cantando, esperei ela encerrar a musica para deixar uma das musicas da playlist tocando para me cumprimentar.
Open your heart
Abra seu coração
make you love me
Eu te farei me amar
I'll It's not that hard
Não é tão difícil
If you just turn the key
Basta girar a chave
Eu via para quem Abi olhava, era para Jessie, eu sinto que deveria lhe contar de alguma forma que ele nunca se interessaria nele, porque gostava de meninos, mas seria muito errado invadir um espaço que em nada tinha haver. Eles eram amigos a muito tempo, se ele nunca contou, teria seus motivos, porém, era difícil ver a forma que ela se esforçava para conseguir o misero de atenção não fraterna dele.
— Finalmente apareceu. – Falou animada me abraçando. – Pensei que meu par me daria um bolo.
— Jamais! – Ri.
— Está nervoso? Por que eu estou surtando em ter que cantar sozinha para todo mundo. – Falou desesperada.
— Eu não estava, mas agora que falou, estou começando a ficar. – Senti minhas mãos suarem, apresentações geralmente não me acovardavam, até que me sai bem, mas com a pressão que ela falava, era preocupante.
— Não se preocupa, depois que acaba a sensação é ótima... Cadê os seus amigos? – Se referiu a Maggie e Yerik.
— Yerik se atrasou e Maggie foi pegar bebida, mas eu acho que ela só queria uma desculpa para falar com o menino que ela está “acompanhando”. – Coloquei aspas na ultima palavra porque não achava digno de ser chamado de acompanhante o cara que não chegava com o seu par, o que não fazia sentido pois Yerik fazia a mesma coisa.
— Aproveita e vai cantar alguma coisa.
— Está bem.
Caminhei até o palco e fui ver como estava a música com o dj responsável pelo som, que era na realidade só um aluno. Lhe indiquei a próxima musica que eu queria e torci para que Yerik chegasse a tempo de escuta-la.
I don't want to lose you, this good thing
Eu não quero perder você, essa coisa boa
That I got 'cause if I do
Que eu tenho, porque se eu perder
I will surely
Vou certamente
Surely lose a lot
Certamente perderei demais
'Cause your love is better
Porque o seu amor é melhor
Than any love I know
Do que qualquer amor que conheço
It's like thunder and lightning
É como trovões e relâmpagos
The way you love me is frightening
A maneira que me ama é assustadora
You better knock, knock on wood, baby
É melhor bater (bater) na madeira, baby
Fiquei preocupado, porque nada dele aparecer sendo que ele falou que seria breve, mas felizmente, no meio da canção ele apareceu. O que me deu mais energia ainda para performar, não que eu fosse um excelente performer, mas naquela noite minha voz estava excepcionalmente boa, estava alcançando os agudos com tanta facilidade, além de me arriscar em alguns passos de dança.
I'm not superstitious about ya
Eu não sou supersticioso sobre você
But I can't take no chance
Mas eu não posso arriscar
I got me spinnin', baby
Me deixou zonzo, baby
You know I'm in a trance
Você sabe que estou em um transe
'Cause your love is better
Porque o seu amor é melhor
Than any love I know
Do que qualquer amor que conheço
It's like thunder and lightning
É como trovões e relâmpagos
The way you love me is frightening
A maneira que me ama é assustadora
You better knock, knock on wood, baby
É melhor bater (bater) na madeira, baby
Minha animação foi minguando conforme cantava e nada dele olhar para o palco, será que não conhecia minha voz? E logo encontrou Georgina, com quem cumprimentou superanimado e deu ainda menos atenção para mim. Acho que ele só foi olhar para mim quando alcancei uma nota que a própria Mariah Carey ficaria orgulhosa, mas não foi apenas ele a olhar, todos pararam de dançar e me aplaudiram, pelo menos isso poderia me orgulhar.
It's no secret about it
Não há nenhum segredo nisso
That woman is my loving cup
Que essa mulher é meu copo de amor
'Cause she sees to it
Porque ela garante
That I get enough
Que eu receba sempre o suficiente
Just one touch from here
Basta um toque dela
You know it means so much
Você sabe que significa muito
It's like thunder and lightning
É como trovões e relâmpagos
The way you love me is frightening
A maneira que me ama é assustadora
You better knock, knock on wood, baby
É melhor bater (bater) na madeira, baby
Sai do palco com uma chuva de aplausos, no entanto com um gosto amargo na boca por não ter recebido a atenção de quem queria.
— Eu diria, mas que vocais! – Maggie se aproximou animada de mim. – E porque essa cara de bosta?
— Que? Estou? – Me fiz de desentendido, não gostaria de admitir, mas estava melhorando em minhas mentiras.
— Poderosíssimo.
— Tenho praticado. – Falei brincalhão para disfarçar minha aura preocupada.
— Cantou como nunca! – Abi apareceu ao meu lado.
— Obrigado. – Lhe esbocei um sorriso.
— Será que o grande cantor da noite tem um momento para dançar? – Me ofereceu a mão.
— Absolutamente e você vem junto. – Puxei além de Abi, Maggie também.
Com as semanas de dança, aprendei que além de cantar, dançar era uma outra ótima forma de extravasar seus sentimentos negativos e era exatamente aquilo que queria, ninguém tinha culpa desse amargo que sentia, nem Yerik e Georgina intencionalmente, por isso, não poderia estragar a noite, incluindo a minha, de ninguém.
Minhas amigas eram uma dupla animada, Maggie sabia dançar musica clássica, mas com as batidas sintéticas dos anos oitenta penava um pouco, o que servia para mim também, só Abi que ia muito bem. Acho que dançamos umas três danças seguidas, até minha irmã aparecer com o seu squad e me puxar para um canto.
— Oi? – A cumprimentei sem entender.
— Você está bem? – Ela me perguntou, Mirna e Lucy estavam ao seu lado, o trio parecia um grupo vindo direto de um videoclipe oitentista.
— Estou sim, por que me arrastou até aqui? – Lhe perguntei.
— Eu também não sei. – Admitiu. – Acho que toda festa faço isso. – Riu.
Percebi que estava um pouco carente, apesar de ter certeza de que jamais admitiria isso.
— Vick, se é só isso, eu vou voltar com minhas amigas.
Ela não respondeu, então fiz o que havia avisado. Por todos os lados, pude ver casais dançando juntos animadamente, Camille e Zach, alguns conhecidos, Marc e Charli e para minha decepção Yerik e Georgina. Não era surpresa o estado de Vick, eu já estava quase ficando como ela, mas não me permitiria, repetia para mim mesmo. O casal ria animado, quase via a forma que ele olhava para ela como a forma que olhava para mim, novamente o gosto amargo me dominou. Voltei para as meninas, mas meus olhos ficaram com eles, analisava cada passo que davam, como cumprimentavam as pessoas e pediam votos, eram um casal perfeito e funcional, eu deveria ser apenas uma pedra no caminho.
— Acho que vou cantar de novo. – Avisei a elas, depois de mais ou menos uma hora e meia, Abi já havia cantado duas vezes e deixamos Maggie também uma, mesmo não tendo ajudado em nada e se negado em um primeiro momento.
Do palco, tinha uma vista ampla de todo ginásio, vi Yerik abraçando Georgina e lhe fazendo um afago no rosto, não era nada demais, porem eu estava incomodado a algum tempo e juntando os fatos da noite, não aguentei e optei para a única opção segura que tinha para desabafar, cantando. Seria desonesto da minha parte, se não confessasse que não preparara nada para caso acontecesse uma situação parecida.
Somebody said you got a new friend
Alguém disse que você tem uma amiga nova
Does she love you better than I can?
Ela te ama melhor do que eu?
There's a big black sky over my town
Há um grande céu negro sobre a minha cidade
I know where you at, I bet she's around
Eu sei onde você está, aposto que ela está por perto
Yeah I know it's stupid
Sim, eu sei que é estúpido
But I just got to see it for myself
Mas eu precisava ver isso com meus próprios olhos
I'm in the corner, watching you kiss her
Eu estou no canto, vendo você beijá-la
I'm right over here, why can't you see me?
Eu estou bem aqui, porque você não consegue me ver?
I'm givin' it my all, but I'm not the girl you're takin' home
Eu estou dando tudo de mim, mas eu não sou a garota que você levará pra casa
I keep dancin' on my own
Eu continuo dançando sozinha
I'm just gonna dance all night
Só vou dançar a noite toda
I'm all messed up, I'm so outta line
Eu estou toda desarrumada, estou tão desnorteada
Stilettos and broken bottles
Saltos altos e garrafas quebradas
I'm spinning around in circles
Eu estou girando em círculos
I'm in the corner, watching you kiss her
Eu estou no canto, vendo você beijá-la
I'm right over here, why can't you see me?
Eu estou bem aqui, porque você não consegue me ver?
I'm givin' it my all, but I'm not the girl you're takin' home
Eu estou dando tudo de mim, mas eu não sou a garota que você levará pra casa
I keep dancin' on my own
Eu continuo dançando sozinha
So far away, but still so near
Tão longe, mas ainda tão perto
(The lights go on, the music dies)
(As luzes se acendem, a música morre)
But you don't see me, standing here
Mas você não me vê, aqui de pé
(I just came to say goodbye)
(Eu só vim aqui para dizer adeus
I'm in the corner, watching you kiss her
Eu estou no canto, vendo você beijá-la
I'm givin' it my all, but I'm not the girl you're takin' home
Eu estou dando tudo de mim, mas eu não sou a garota que você levará pra casa
I keep dancin' on my own
Eu continuo dançando sozinha
A batida animada disfarçava a melancolia da letra, por isso, continuei sendo apenas voz de fundo e não a voz que chegava dentro.
— Essa música agora é para os corações apaixonados. – Abi pegou um microfone e falou, se aproximando de mim. Tínhamos preparados um dueto, mas eu não tinha certeza se o realizaria, pois assim como, a canção anterior só a cantaria se tudo desse errado e ela sabia disso e só por isso subiu ao palco para realiza-lo. Os alunos diminuíram o ritmo e aguardaram a canção. – Para quem tem um amor secreto, mas não pode revelar por medo, pegue o seu par e fiquem juntinhos.
Engoli em seco, não precisava procurar por Yerik na multidão, pois pela primeira vez, olhou diretamente para mim, continuava abraçado com Georgina, porque isso seria diferente? Respirei fundo...
When you hold me in the street
Quando você me abraça na rua
And you kiss me on the dancefloor
E me beija na pista de dança
I wish that it could be like that
Eu queria que pudesse ser assim
Why can't it be like that?
Por que não pode ser assim?
Cause I'm yours
Porque eu sou sua
We keep behind closed doors
Ficamos atrás de portas fechadas
Every time I see you I die a little more
Toda vez que te vejo, eu morro um pouco mais
Stolen moments that we steal as the curtain falls
Momentos roubados que nós roubamos enquanto as cortinas se fecham
It'll never be enough
Nunca serão suficientes
It's obvious you're meant for me
É óbvio que você está destinado para mim
Every piece of you it just fits perfectly
Cada pedaço seu se encaixa perfeitamente
Every second, every thought
A cada segundo, cada pensamento
I'm in so deep
Eu estou tão envolvida
But I'll never show it on my face
Mas eu nunca vou demonstrar
But we know this
Mas nós sabemos disso
We got a love that is homeless
Temos um amor que não tem abrigo
Why can't you hold me in the street?
Por que você não pode me abraçar na rua?
Why can't I kiss you on the dancefloor?
Por que eu não posso te beijar na pista de dança?
I wish that it could be like that
Eu queria que pudesse ser assim
Why can't we be like that?
Por que não podemos ser assim?
Cause I'm yours
Porque eu sou sua
When you're with him do you call his name?
Quando você está com ele, você o chama pelo nome?
Like you do when you're with me
Assim como você chama quando está comigo
Does it feel the same?
A sensação é a mesma?
Would you leave if I was ready to settle down?
Você o largaria se eu estivesse pronto para me comprometer?
Or would you play it safe and stay?
Ou você hesitaria e ficaria com ele?
Girl you know this
Garota, você sabe disso
We got a love that is hopeless
Nós temos um amor que é impossível
Why can't you hold me in the street?
Por que você não pode me abraçar na rua?
Why can't I kiss you on the dancefloor?
Por que eu não posso te beijar na pista de dança?
I wish that it could be like that
Eu queria que pudesse ser assim
Why can't we be like that?
Por que não podemos ser assim?
Cause I'm yours
Porque eu sou sua
And nobody knows
E ninguém sabe
I'm in love with someone's baby
Estou apaixonado por outra pessoa
I don't wanna hide us away
Eu não quero nos esconder
Tell the world about the love we makin'
Diga ao mundo sobre o amor que estamos fazendo
I'm living for that day, someday
Estou esperando por esse dia, algum dia
Can't I hold you in the street?
Posso te abraçar na rua?
Why can't I kiss you on the dancefloor?
Por que não posso te beijar na pista de dança?
I wish that we could be like that
Queria que pudéssemos ser assim
Why can't we be like that?
Por que não podemos ser assim?
Cause I'm yours, I'm yours
Porque eu sou sua, eu sou sua
Oh, why can't you hold me in the street?
Oh, por que você não pode me abraçar na rua?
Why can't I kiss you on the dancefloor?
Por que eu não posso te beijar na pista de dança?
I wish that it could be like that (I wish)
Queria que pudesse ser assim (eu queria)
Why can't it be like that? (I wish)
Por que não pode ser assim? (Eu queria)
Cause I'm yours (cause I'm yours)
Porque eu sou sua (pois eu sou seu)
Why can't I say that I'm in love?
Por que não posso dizer que estou apaixonada?
I wanna shout it from the rooftops
Eu quero gritar dos telhados
I wish that it could be like that (I wish)
Queria que pudesse ser assim (eu queria)
Why can't we be like that?
Por que não podemos ser assim?
Cause I'm yours
Porque eu sou sua
Why can't we be like that?
Por que não podemos ser assim?
Wish we could be like that
Queria que pudéssemos ser assim
Quando terminei de cantar, me senti feliz pelo belo trabalho vocal que fiz, cantei com a minha alma e o resultado fora surpreendente, minha melhor apresentação sem dúvida, porém o sentimento ainda me consumia, por isso, me esforcei ao máximo para não correr para fora do ginásio e alcançar ar puro e me estabilizar em meio aos elogios que recebia. Quando finalmente consegui uma brecha, o véu da noite pareceu como uma cura contra um veneno que me consumia aos poucos e por fim, saíra.
— Escolhas de música interessante... Está apaixonado por alguém impossível? – Vick apareceu ao meu lado do nada. Lhe olhei assustado. – Sou sua irmã, acha que não repararia que não tirava os olhos do casal Georgina e Yerik durante todos seus solos e duetos.
Não sei o que era mais surpreendente, ser pego nas minhas encaradas furtivas ou ser justamente Vick a reparar, pois ela nunca reparava em nada que não lhe fosse minimamente de interesse.
— Foi muito obvio? – Lhe perguntei inseguro.
— Canção de Amor Secreto? – Ela gargalhou, lhe acompanhei em um riso nervoso. – Nem um pouco. – Respondeu carregada de ironia.
— Só queria que as coisas fossem mais fáceis.
— Nunca é, mas acho que devia ser honesto com Georgina, falar que gosta dela, antes que o ciúmes ou alguma intriga destrua a amizade entre vocês três, conselho de quem viveu um triângulo amoroso. – O calor de ser notado por alguém que me importava muito foi jogado diretamente no Polo Norte durante o inverno, era muito ingenuidade acreditar que Vick perceberia todas as nuances dos meus sentimentos.
— Claro. – Não pude evitar de soar depreciativo.
— Faz muito tempo que gosta dela? – Perguntou.
— Não muito, é só uma queda nada demais, sabe que sou um pouco dramático. – Preferi que seguisse pelo o que ela achava, era melhor, preservava a confidencialidade daquilo que eu tinha com Yerik, se ainda conseguisse manter.
— Sim. – Ela riu. – Você é um pouco dramático.
Ficamos desconfortavelmente em silencio.
— Já fiz minha boa ação como irmã mais velha, vou voltar ao ginásio, tudo bem?
— Sim. – Balancei a cabeça positivamente, sua companhia era a última coisa que queria.
— Viu, agora não pode falar que não nunca me preocupei com você... – Falou ao se afastar.
— Claro. – Lhe respondi quando já estava lá dentro, se isso a fazia se sentindo bem como irmã, bom, que continuasse com essa verdade, porque ela não poderia me ajudar, ninguém poderia.
Ninguém conseguiria aplacar ou apagar o sentimento de solidão, vergonha e traição que tive durante toda essa noite, na verdade, durante toda a promoção do baile. Seria demais ter pedido para não ter ido com ninguém? Eu era o cara que não queria transar com o namorado, que a meses atrás se negava a acreditar no amor entre dois caras e agora sentia ciúmes de um... Muito irônico.
Quando pensei que ficaria finalmente só, senti alguém me segurar e arrastar-me até atrás da primeira coluna metálica de sustentação do complexo esportivo, furtivo o suficiente para evitar olhares curiosos.
— Não! – Yerik falou irritado, quando fiz menção de abrir minha boca. – Não permito que fale nada a partir de agora, já falou muito durante a noite.
Claro que ele estaria irritado, eu lhe soltei indiretas com música s anoite toda, acabei com ela, lhe fiz ficar desconfortável, algo dentro de mim apreciava a ideia de ter acabado com sua noite, pois não seria o único mal.
— Jamais! Repito, jamais deixe que eu ache que algo está tudo bem quando não está. – Sua veia saltava do pescoço, apesar de não estar gritando. – Eu sou muito idiota para não perceber as coisas, por favor, não desista de mim! Sinto muito por ter sido um péssimo namorado? – A ultima parte me surpreendeu por soar como uma pergunta e pelo seu conteúdo.
— Não está bravo? – Lhe perguntei confuso, pois esperava um confronto.
— SIM! Estou. – Se manifestou indignado, fiquei confuso. – Digo, não, não com você, mas comigo. – Ele gesticulava bastante.
— Não estou entendendo...
— Estou irritado por não ter percebido que ir com outra pessoa nesse baile idiota te machucaria.
— Não foi bem a sua culpa, eu falei que estava tudo bem.
— Sim, mas aí que tá. Eu tinha que perceber que não.
— Você...
— Eu te amo, devo te conhecer para saber quando você está sendo você e colocando todo mundo na sua frete, antes de pensar em si. – Não tive argumentos contra isso. – Sou o único que poderia perceber.
— Não se sinta mal...
— Eu me sinto, porque você se sente e se sentiu. Mas quero que isso fique claro, não existe absolutamente outra pessoa que eu desejasse passar esse baile todo, que não fosse você. – Corei com a declaração, acalentava e era doce de se ouvir.
— Eu sei disso, só não queria incomodar. – Menti, porque nas últimas horas estava acreditando fielmente no contrário.
— Queria que tudo fosse mais fácil, que pudéssemos ser um casal público, mas é muito complicado para mim e para você também.
— Eu sei disso. – Murmurei.
Ficamos encarando um ao outro, até ele vencer a barreira que nos separava e colar nossos lábios, sua boca tinha o gosto do ponche escolar, seu beijo foi intenso, acho que tentava se desculpar através dele, eu derretia em seus braços como calda de chocolate no fogo. Sua mão acariciava meu rosto com delicadeza.
— Eu juro que vou te recompensar.
— Não, está tudo bem. – Lhe esbocei um sorriso, para tentar lhe tranquilizar. – Cantar me ajuda, já estou melhor, principalmente porque eu tive a confirmação que queria.
— Qual?
— Do que represento para você.
— Ainda tinha dúvidas?
— Desconfianças e inseguranças.
O chamado para o anuncio do rei e rainha do baile nos tirou do nosso momento e conversa juntos.
— Acho melhor, você ir. – Sugeri.
Yerik fez uma careta e correu para o ginásio, lhe segui com calma, não ansiava por ver mais um momento dele junto com Georgina, mas não perderia sua coroação. Quando voltei para lá, todos os presentes estavam vidrados no palco, onde a dúzia de concorrentes estavam com a Irmã Nancy, quem anunciaria os vencedores que para surpresa de todos, foram Charli e Marc. Isso seria um baque para minha irmã. A audiência ficou tão surpresa quanto os coroados, deveria ter alguma coisa errado pois nem concorrendo eles estavam. Pela tangente, vi Vick sair correndo acompanhada das gêmeas.
Mas ninguém fez escanda-lo, nem mesmo os competidores, apesar das nítidas expressões de decepção por parte das meninas, Yerik me encarava com a testa enrugada, confuso, arquei os ombros demonstrando saber tanto quanto ele.
A Irmã Nancy se mostrava tão afetada pelas reações dos seus alunos quanto a arquibancada do ginásio, chamou o rei e rainha novamente, que sem alternativa subiram ao palco e foram coroados. Abi começou a cantar uma balada romântica e o casal dançou no centro do ginásio, pensei que Charli quebraria o encanto do momento, mas para minha surpresa, o abraçou e apoiou sua cabeça no seu peito e lhe dando um beijo no final. Em outros tempos, eu ficaria com raiva deles por Vick ou até mesmo correria atrás dela, mas estava cansado de Vick e seus problemas com Marc ou Camille, ela rinha duas amigas que lhe ofereceriam melhores conselhos que o meu. No momento, só queria a companhia do meu melhor amigo e colega de quarto.
O baile não durou por muito mais tempo, logo os alunos foram se dispersando pelas escola ou indo para os seus dormitórios, alguns dos concorrentes tinham ido até mesmo antes depois da derrota surpresa, o que incluía Georgina e o seu legado de família quebrado, pelo menos nesse ano, pois teríamos outros muitos bailes para ela ser coroada e de preferencia com outro par.
— Queria que você tivesse vencido. – Comentei com Yerik enquanto caminhávamos de volta a ala masculina.
— Indiferente. A único coisa ruim foi não ter tido uma dança com você, na próxima vez penso em algum motivo plausível para ficarmos colados a noite inteira. – Falou descontraído.
— Vou cobrar. – Lhe respondi rindo, sabendo que mesmo que ele arrumasse, eu amarelaria.
Continuamos jogando conversa fora até chegarmos no corredor do nosso quarto, estava vazio.
— Mas qual musica você ia cantar para mim? – Perguntou se referindo ao que falara no começo da noite.
— Eu estava cantando uma das canções quando você chegou e ignorou, aí eu desisti de canções felizes. – Lhe respondi com sinceridade.
— Ahh, queria ter ouvido as outras. – Fez uma falsa cara de coitado.
— Sério? – Enruguei a testa descrente.
— Sério. – Ele riu, percebi que ficava sem jeito com as mãos ao tentar evitar me tocar. – Por favor, cante a música boa que seria para mim.
— Mas as outras foram ótimas. – Lhe retribui o sorriso com uma leve alfinetada na fala.
— Mas não eram sobre amor, era sobre o quanto eu sou tonto, vai! Por favor. – Pediu.
— Aqui no meio do corredor? Não seria melhor lá dentro. – Estávamos literalmente parados na frente da porta do nosso quarto.
— Não. – Não só balançou a cabeça negativamente, como se apoiou de costas a porta, impedindo assim qualquer tentativa que eu tivesse de entrar no quarto.
Lhe encarei com uma careta sem entender sua atitude.
— Tudo bem...
When it rains, it pours
Quando chove, derrama
But you didn't even notice
Mas você nem percebeu
It ain't rainin' anymore
Que não está mais chovendo
It's hard to breathe when all we know is
É difícil respirar quando tudo o que sabemos é que
The struggle of staying above the rising water line
A luta de ficar por cima, a linha de água crescente
Well, the sky is finally open
Bem, o céu finalmente está azul
The rain and wind stopped blowin'
A chuva e o vento pararam de soprar
But you're stuck out in the same old storm again
Mas você está preso na mesma tempestade de sempre outra vez
You hold tight to your umbrela
Segure firme o seu guarda-chuva
But, darlin', I'm just tryin' to tell ya
Querido, apenas estou tentando te dizer
That there's always been a rainbow hangin' over your head
Que sempre houve um arco-íris pairando sobre sua cabeça
If you could see what I see
Se você pudesse ver o que vejo
You'd be blinded by the colours
Você ficaria cego com as cores
Yellow, red, and orange, and green
Amarelo, vermelho, laranja e verde
And at least a million others
E pelo menos um milhão de outras
To tie up your bow, take off your coat and take a look around
Amarre seu arco, tire seu casaco e dê uma olhada ao redor
Conforme cantava, fui fechando meus olhos e sentindo a canção dominar-me, era tão calma e doce, como uma colher de mel durante a gripe ou como o açúcar de confeiteiro em cima de rosquinhas e te tocava tão profundamente, que não era nem possível descrever em palavras. Essa canção era muito importante para mim, ela tinha um outro significado. Quando a encerrei, Yerik tinha aberto a porta do quarto e percebi que estava com os olhos marejados.
Lhe esbocei um genuíno sorriso, sem saber como reagir ao seu choro.
— Lindo. – Ele murmurou, esticando a mão.
Deixe ser guiado por ele até o quarto que estava escuro até que acendeu a luz e relevou a razão de todo aquele suspense. Acho que você nunca sabe se quer ou se gosta de gestos românticos bregas até alguém fazê-lo para você. O quarto estava com uma iluminação levemente rosada, olhei para as lâmpadas e vi o tecido levemente rosada que mudava sua cor, a cama, digo, nossas camas que estavam coladas formando uma só, estava repleta de pétalas de rosa, que forma um trajeto exato até o ponto que eu estava. Sua fragrância se mistura com o incenso também de rosas que ele acendera junto com as velas espalhadas por todo o quarto.
— Para mim? – Lhe perguntei bobo, sem saber como reagir, levemente constrangido.
— Eu acho que sim. – Ele riu, também sem jeito. – Acho que só tem você aqui. – Riu de novo, coçando a nuca. – Mas, o que achou? Gostou? Acho que posso ter sido demais...
Lhe apertei a mão para interrompê-lo.
— Eu gostei... – Murmurei, com a visão embaçada.
Eu estava chorando, eu sempre chorava, mas dessa vez era diferente, chorava de felicidade. Todo mundo sabe que as pessoas ao seu redor, minimamente, se importam com você, mas um gesto que literalmente gritava isso e que era muito mais que o mínimo digno de empatia como um ser humano, era simplesmente, indescritível. Abruptamente, o abracei com força, afogando-me em seu peito, era tão maravilhosa quando suas inseguranças e medos desapareciam do seu peito e só lhe restava a constatação de que quem está com você verdadeiramente te ama.
Tive o gesto retribuído, Yerik também beijou meus cabelos.
— Achou que eu não faria nada para o nosso primeiro dia de namorados juntos? Por que acha que fiquei até mais tarde no quarto?
— Eu estava pensando em tanta coisa hoje, que a ultima seria algo do tipo. – Confessei.
— Não seja bobo... – Ele levantou meu queixo para mantermos contato visual. – Esse já o meu papel na nossa relação... – Novamente um sorriso, meu Deus, eu poderia passar o resto da minha vida apenas vendo o seu sorriso que seria feliz.
— Você não me falou o que achou da música? – Lhe perguntei.
— Minha resposta é que foi a deixa perfeita para te mostrar o quarto e ele ser a minha resposta definitiva.
— Então, gostou?
— Absolutamente.
— Somo oficialmente namorados?
— Pensei que isso já era obvio, mas se quiser posso te fazer o pedido formal imediatamente...
— Não precisa. – O interrompi, ficando na ponta dos pés para lhe beijar.
Como beijá-lo era bom e simplesmente nauseava-me ao ponto de perder a noção de tempo e espaço. Quando percebi, estava com as pétalas de rosas grudadas nas minhas costas e com ele no meio das minhas pernas. Eu estava embriagado com os aromas, principalmente com o seu cheiro, me apoiei nos cotovelos para evitar ser completamente dominado.
— Eu amei, muito, muito isso tudo. – Lhe fui enfático.
Yerik não me respondeu, apenas sorriu, da forma que eu gostava, do modo que seus caninos pressionavam os lábios. O puxei para junto de mim, tinha que admitir para mim mesmo que meu corpo tinha necessidade pelo dele, demonstrava claros sinais apenas com o toque das suas mãos. Se afastou um pouco de mim e tirou a parte de cima do seu smoking, exibindo seu tronco denudo, ele não tinha muito pelos, apenas uma trilha que seguia do umbigo até embaixo. Ainda sem falar, ele também me despiu, só que no meu caso, me deixou apenas de cueca. Eu confiava nele, minimamente, mas o assunto nudez ainda me deixava envergonhado, acho que nem era a nudez em si, mas a forma como Yerik me olhava, como se estivesse prestes a me devorar, o que em parte era verdade.
Voltou a me beijar, dessa vez era mais dominador, segurava minha mandíbula com uma leve pressão, como se quisesse deixar claro que aquele beijo só terminaria se ele deixasse. Eu tentava acompanhar o seu ritmo, felizmente, a pratica dos últimos dias servira de utilidade, além de prazer. Surpreendendo-me, descia as mãos por seu abdômen, até o botão da sua calça, na tentativa de desabotoa-lo, senti sua ereção e como era excitante sentir sua ereção, isso soava tão estranho e bom na minha cabeça, eu sentia prazer em sentir a excitação de outro garoto, não de outro, mas de Yerik.
Ele me ajudou a tirar sua calça e como sentido, ele estava com uma clara e obvia ereção, assim como eu, pude notar sua expressão de surpresa com a minha iniciativa. Deitou-se sobre mim, entre minhas pernas, pressionando-me para baixo, nossas ereções se tocavam ainda cobertas pela cueca e nossas respirações descompensadas ditavam uma sinfonia única para os nossos toques, quando não estava devorando-me os lábios, atentava-se ao meu pescoço, sua área favorita. Me cobria, promovendo um contato maior entre nossos pênis, eu gostava quando ele sumia sua mão do meu quadril até o meu cabelo e o puxava.
— Lembrei de uma coisa não acabada. – Ele falou com tanto sotaque e rouco que quase não o compreendi, se afastando e levantando-se da cama.
Na minha mente veio exatamente o que ele se referia, então, fui mais rápido, sentei na beira da cama bem próximo de onde ele estava.
— Também quero tentar algo. – Falei constrangido, agradeci a iluminação que provavelmente disfarçaria minha vermelhidão.
Yerik me olhou curioso, mas ficou parado. Passei minhas mãos por seu tronco e pernas, sem coragem para encará-lo diretamente, tentava reunir mais coragem para o que queria fazer. Quando toquei na sua cueca, ele segurou minha mão.
— Se for fazer isso, olhe diretamente nos meus olhos, se não, não fará o menor sentido. – Se inclinou para murmurar no meu ouvido, dando-me um beijo calmo e levantando meu queixo para encará-lo.
A forma que me olhava era intensa e sensual, me senti motivado a fazer, abaixei sua cueca, o despindo completamente, acho que era a primeira vez que o via assim tão exposto, era bonito, não podia negar. Segui meus instintos e o coloquei dentro da minha boca, se quebrar a conexão do olhar, sua expressão ao tê-lo em meus lábios era decididamente as que eu queria ver naquele momento. Me esforcei em chupá-lo, não tinha experiencia nenhuma e isso ficava claro quando ele fazia alguma careta quando fazia algo errado, o segurava pela base enquanto o lambia e tentava engoli-lo o máximo possível, o que era difícil. Em algum momento, ele começou a me incentivar com a mãos, ditando um ritmo em que não me obrigava a ir além do que conseguia, não sei quando perdi o controle da respiração, mas tive que parar para recuperá-la.
Yerik sorriu ao me ver ofegante, me puxou até si e me beijou, eu estava com o seu gosto na minha boca e passei para sua, conforme acariciou meu rosto, percebi que estava suando. Me apertou contra si até que me empurrou para cama e girou meu corpo, não tinha como evitar o que ele queria.
— Minha vez. – Comentou, puxando minha cueca de uma vez, fazendo minha ereção bater no meu ventre, novamente, empurrou minhas pernas para que eu ficasse de joelhos e costas abaixadas. – Continue olhando para mim.
Bateu na bunda e afundou o rosto nela e a mordeu, senti seu polegar pressionar aquele lugar, descendo pelo períneo até meu pênis, me masturbando, só isso estaria ótimo até que ele colocou a língua e novamente fui aos céus, como quando fez pela primeira vez. Era tão humilhante estar naquela posição, mas o que ele fazia, era tão prazeroso que valia a pena. No ritmo da sua língua, apertava o meu quadril com a mão que não me masturbava, desceu a boca pela região até começar a me chupar como eu o fazia a instantes atrás, minha respiração pesada se transformou em gemidos que escapavam despudoradamente. Acho que nunca me senti tão excitado como estava em sua boca, estava quando gozando quando ele se afastou, virei-me na cama e o recebi com o beijo, assim como o fizera sentir o seu gosto, ele fez eu sentir o meu.
Se eu estava bem com tudo que já havia feito, comecei a ficar tenso pelo o que viria, as memórias da minha primeira vez transformavam o suor do sexo em suor frio. Devo ter transparecido esse nervosismo, pois ele diminuiu o ritmo do amassos e me encarou.
— Você está tenso?! – Meio que afirmou e perguntou.
Afirmei positivamente com a cabeça.
— Não precisamos fazer, você sabe, não é? – Tentou me tranquilizar, afagando-me o cabelo úmido.
— Não, eu quero. – O beijei com calma, não queria transparecer a ideia errada, porque realmente queria, mas tinha medo de doer. – É sério.
— Igual na sua primeira vez? – Perguntou desconfiado.
— Não, dessa vez eu realmente quero, mas...
— Eu não prometo que não vai doer, mas prometo que vai ser melhor que da ultima vez.
— Tudo bem. – O beijei.
Nossa primeira tentativa de penetração foi desastrosa, segurei todos os meus impulsos para não sair correndo me trancar no banheiro. Permaneci deitado, com a pernas abertas e o quadril levantado, novamente um posição humilhante para me expor a sua mercê, Yerik pegou a camisinha e o lubrificante, passando tanto em mim quanto nele, apesar de seus esforços, estava completamente lacrado e na misera abertura que lhe dei, quando conseguiu entrar minimamente, a dor foi horrível, como se tivesse me ferido na região, não pude evitar de abafar o grito. Yerik afastou-se abruptamente de mim.
— Você está muito tenso. – Soou nervoso, tirando a camisinha. – Não consigo entrar e se entrar vai como te rasgar.
— Desculpa, estou um pouco nervoso.
Se possível, comecei a ficar nervoso por estar nervoso e estar estragando o momento.
— Vou te fazer relaxar. – Comentou sugestivo, lhe encarei confuso. – Deita na cama.
O obedeci, pensei que iria fazer o que fez da última vez, mas para minha surpresa sentou em minhas pernas, passou um creme nas minhas costas e massageou-me. Suas mãos eram macias, mas ao mesmo tempo fortes, pressionavam cada musculo com delicadeza, tentei relaxar com o toque, mas ficava muito consciente do estado que nos encontrávamos nu e a proximidade dos nossos corpos.
— Você não está relaxando. – Ele murmurou no meu ouvido, arrepiei-me.
— É meio difícil. – Confessei.
— Apenas, relaxe... – Passou as mãos pelos meus braços até voltar para as costas.
Fiz o que ele pediu e deixei meus pensamentos fugirem da mente, apenas atento ao relaxamento que os toques causavam nos músculos, suas mãos desciam e subiam vigorosamente pelo meu corpo, notei que abaixavam um pouco mais a cada descida, até que se sentou mais para trás e massageou-me as nádegas. Era relaxante, ao ponto que nem senti quando me penetrou com o dedo médio, não falei nada, apenas suspirei quando iniciou o movimento de vai e vem, esperava estar contrair, mas pelo contrário continuei relaxado e calmo. Pela perna, senti sua ereção despertar novamente, assim como a minha quando colocou o segundo dedo, não era ruim, mas não era tão bom.
Ele deitou sobre mim e começou a movimentar o seu corpo contra o meu enquanto ainda me penetrava com dedos, o movimento era intenso e preciso, quando abandonou o meu corpo, o girou em noventa graus para ficarmos deitados de lado. Quando voltou a me penetrar, levantou a minha perna para ter melhor liberdade no caminho e não foi mais com os dedos, senti seu pênis preencher-me sem a resistência anterior. Não doía, eu esperava a dor e até segurei o ar conforme ia mais fundo.
Éramos muito conscientes do corpo um do outro, conforme ele se movimentava com calma, acomodando-se dentro, a melhor parte era senti-lo atrás de mim, sua respiração quente na minha nuca e seu abraço me envolvendo enquanto puxava-me contra si e o quadril ia e voltava contra minha bunda. Não doía, era diferente, sua mão novamente começou a me masturbar, virei o rosto e encontrei seus lábios.
Seguíamos com calma, não era feroz, mas sensual, não havia dor, estava começando a ter prazer com o ato, rebolei contra ele e o puxei mais contra mim, o incentivando a aumentar o ritmo do movimento. Separei nossas bocas porque precisava de ar, voltei a olhar para frente enquanto gemia, ele mordia meu ombro, mas ainda podia ouvi-lo gemer também, o ritmo só aumentava, era tão bom que sentia que ia explodir.
Yerik afastou-se de mim e senti estranhamente vazio, não queria que saísse de mim, mas foi por pouco tempo, pois logo deitou na cama e segurou seu pênis reto, deixando claro o que queria que eu fizesse. Não pensei duas vezes, subi em cima dele, colocando minhas duas pernas do lado do corpo dele e novamente, deixe-me ser penetrado, só que mais profundamente que a outra posição permitia, ele estava completamente dentro de mim e nenhum sinal da dor. Iniciou a estocar-me, agora podia olharmos diretamente um para o outro, ver nossas expressões que valiam mais que qualquer coisa. Suas mãos apertava-me o quadril, puxando me para baixe, me inclinei para tomar-lhe os lábios conforme ia contra mim com a maior intensidade até então.
Ele ia tão rápido e tão certeiro dentro de mim que nem conseguia respirar, faltava me ar, tinha que me apoiar no seu peito para não desabar, sua expressão de esforço era tão sexy, mordia os lábios, estavam tão vermelhos que não resisti a tentação de morde-los até quase sangra-los. Yerik tinha além do controle do meu coração agora do meu corpo, completamente a sua posse.
Seu ritmo foi diminuindo, estava se cansando, ele não podia ser o único a se esforçar ali, comecei a cavalga-lo, não era tão intenso como suas estocadas, mas era o que eu conseguia sem desabar de uma vez. Rebolei em seu colo, podia senti-lo tão fundo que não reparara o quanto fazia falta de tê-lo ali até estar sendo penetrado, minha cabeça não funcionava ou pensava, era puro instinto. Yerik passeava suas mãos pelo meu corpo, apertando tão forte algumas regiões que imaginei que ficariam marcadas, sumiu sua mão até minha boca e a penetrou com os dedos, que chupei com gosto.
Atingi meu ápice quando ele começou a também rebolar contra mim e me masturbava, sujando todo o seu abdômen, não tive tempo para relaxar pois Yerik voltou com o ritmo frenético a me penetrar até gozar dentro de mim, dessa vez, cai em cima dele ainda sendo penetrado.
Fale com o autor