Tempestuoso
36 Nebulosa Colisões de Emoções
Notas iniciais
— Se você pudesse desejar alguma coisa, o que seria? – Yerik me perguntou.
— Acho que... – Fiquei um pouco envergonhado antes de dizer. – Que nunca nos separássemos, que sempre ficássemos juntos para sempre.
Yerik sorriu, seu sorriso foi tão bonito que, síncrono a paisagem, deveria ser eternizado como uma pintura. Estávamos deitados no meio do bosque, em uma parte elevada com algumas pequenas clareiras, tínhamos uma visão privilegiada de toda escola. A nossa volta, a natureza recém renascida da primavera, perfumava e embalava nosso momento com os aromas das flores silvestres e o canto e algazarra dos pássaros, passando uma sensação de bucólico. Das poucas horas que passamos ali, ninguém aparecera para perturbarmos. O calor do final de tarde fizera com que livrássemos dos nossos sapatos e blusas, que arregaçássemos tanto a calça quanto as camisas, ele particularmente estava com quase todos os seus botões abertos, apenas nossos pés se entrelaçavam sobre grama, enquanto ficávamos deitados de lado encarando um ao outro.
— Mas vamos ficar, pede outra coisa. – Ele me fez um afago do rosto, deslocando uma mecha de cabelo.
— Tem certeza?
— Por que? Acha que não?
Estávamos juntos a quase quatro meses, nos conhecíamos a quase dois anos e ainda encarar seus olhos celestiais desconfortava-me de uma forma tão boa, rendia-me e despia-me.
— Só queria ter a garanti de que sim.
— Isso não é garantia o suficiente?
Aproximou seu rosto do meu, não me beijou inicialmente, roçou nossos narizes, novamente acariciou-me, tocou nossos lábios até beijar-me com delicadeza. Eu amava todas as versões dos seus beijos, desde os despretensiosos (que roubava toda vez que podia), até os quentes (enquanto éramos um só). Porém, o meu favorito eram os delicados, todos transmitiam seu amor, mas esses pareciam mais palpáveis, como se fosse seu amor que beijasse e não necessariamente sua boca.
— Irá passar a sexta-feira santa, comigo? – Perguntou-me ainda com nossos rostos colados. Balancei a cabeça positivamente. – Até o domingo de páscoa? – Repeti o ato. – Ótimo. Suspirou, dessa vez eu que o beijei com calma.
Eu deveria ir para casa, mas não queria, agora tinha alguém com quem realmente poderia compartilhar datas especiais comigo e não seria como o meu pai, que basicamente não se importava com nada além do seu trabalho para estar presente. Tinha a Vick, mas achava que ela não se importava com esse tipo de coisa porque eu sempre acabava sozinho ou com Emily, porém Emily não estava mais conosco, então, seria certamente sozinho.
— Mas precisa estar preparado para Sra. Stanilau, ela pode ser um pouco não muito receptiva, mas é o jeito dela, não leve para o pessoal.
— Como assim? – Enruguei a testa.
— Bom... – Ele pareceu um pouco receoso. – Ela não gosta muito de pessoas depois que meu pai morreu.
— Tem certeza que quer eu que vá? – Falei receoso.
— Tenho! Tenho sim. Eu falei já com ela que iria levar um amigo. – Toda vez que nos tratávamos como amigos era incomodo, apesar de eu também o fazer, não gostava de mentir sobre nós, ser desonesto, parecia até invalidar o que realmente tínhamos. – Só estou avisando que ela não será amores e tudo mais.
— Entendi. – Não era como se não estivesse acostumado com pessoas não tão receptivas.
— E ela é ortodoxa, então pode ser um pouco diferente do que você conhece de dia santo.
— Tudo bem. – Falei para tranquiliza-lo, apesar de uma pontinha de insegurança e curiosidade ter despertado em mim ao saber que eram católicos ortodoxos, o que não deveria ser uma surpresa já que vieram da Bulgária, mas que era surpreendente por Yerik estar matriculado em uma escola católica romana.
Ele pareceu aliviado.
— Mas tem a баба e Tanya.
— Quem são essas?
— Minha avó e minha irmã mais nova.
— Você nunca falou sobre elas. – Enruguei a testa, era uma informação muito importante para ele ter ignorado.
— Acho que nunca surgiu a oportunidade... – Ficou com o semblante pensativo.
Comecei a cutucar o seu rosto e nem assim ele relaxou
— Você anda escondendo muitas coisas de mim. – Comentei.
— Não achei que fosse uma grande coisa, até porque, nunca nem saímos.
— Então esse seria meio que o nosso primeiro encontro? No dia santo? – Perguntei, Yerik me encarava assustado. Um eu do passado, estaria surtando agora, acho que meu namorado esperava isso. – Se minha alma não estivesse condenada, certeza que estaria agora, não poderia ser mais herege. – Ri.
Yerik me acompanhou na risada, no entanto, ainda conseguia perceber uma tensão no seu olhar, não poderia culpa-lo por isso.
—x-
— Vai sair em um final de semana romântico? – Maggie riu da minha cara quando contei o que faria na próxima semana.
— Você é muito tonta. – Murmurei.
— Não deveria ficar tão envergonhado comigo, já sei de todos os seus segredos tórridos e de suas noites quentes com seu colega de quarto, isso é quase sinopse de filme pornô gay, dois twinks colegiais se pegando no dormitório.
Devo ter ficado da cor do cabelo de Maggie, não poderia ficar mais constrangedor se o Yerik não aparecesse ao meu lado e sentasse ao meu lado naquele exato momento.
— E aí, quais são as novas? – Falou sorrindo, sem ter a mínima ideia do climão.
Maggie começou a gargalhar e eu lhe belisquei pelo canto, estávamos sentados em um dos bancos na área externas, onde praticamente todos os alunos passavam para fazer qualquer coisa nos terrenos.
— Absolutamente nada, nada acontece nessa escola! – Soou emburrada.
Eu admirava as mudanças drásticas de humor de minha amiga, isso deveria ajuda-la muito em suas atuações, pois conseguia sair da mais feliz das expressões para a mais carrancuda em questões de segundos.
— Discordo, estou treinando igual um condenado, as competições de natação que estão tipo acontecendo agora. – Yerik lhe falou, antes de acenar para algum conhecido distante.
— E quem disse que eu me importo com alguma temporada de esporte, digo tranquilamente que isso daqui está um saco. Preferia voltar pra casa e conviver com o problemático do meu irmão, do que continuar aqui.
— Você tem um irmão problemático? – Perguntei.
— Mentalmente perturbado.
— E você fala como se fosse nada?
— Tem razão, é melhor ficar aqui, do que, com ele.
Lhe encarei indignado.
Tivemos uma breve discussão sobre como ela falava sobre o seu irmão enquanto Yerik ria de nós.
O que eu pensei que demoraria uma semana, passou em um piscar de olhos, culpo em parte as provas e trabalhos vésperas do recesso de primavera. Quando a sexta chegou, acordei completamente nervoso, era uma sensação de nervoso diferente das normais que me apavoravam, como se tivesse um sabor diferente. Eu queria muito que a família de Yerik gostasse de mim, até porque, se gostassem de mim como o seu melhor amigo, quem sabe talvez em um futuro muito distante, também me aceitassem com mais facilidade como o seu namorado.
— Vai dar tudo certo. – Ele tentou me tranquilizar enquanto fechava a porta do nosso quarto.
— Você nunca levou um amigo para casa, ou já levou? – Lhe perguntei.
Sua resposta como um sonoro silencio foi a “melhor” das respostas possíveis.
— Mas sempre existe uma primeira vez, não é. – Ele sorriu para mim, pegando minha mão.
Não seguimos de mãos dadas por motivos óbvios e fomos para o estacionamento, onde esperei que ele pedisse por algum automóvel de aplicativo, porém, para minha surpresa, levou-me em direção a um belo carro popular. Outro detalhe, é que passamos por Alex assim que saímos do prédio e seguimos como se nada tivesse acontecido,
— Desde quan....
— Meu aniversário. – Me interrompeu antes que eu perguntasse.
— E nunca me contou...
— Não tive a oportunidade.
Lhe encarei incomodado, meu namorado parecia ter um mal habito de omitir as coisas, eu deveria ter ficado bravo, mas a carinha de pobre coitado que ele fez me impedia de ficar bravo. Eu poderia ter continuado com toda a minha atenção voltada ao carro do meu namorado, se o carro do meu pai não tivesse parado bem do meu lado.
— Blake, o que você faz aqui? – Ele perguntou ao abaixar o vidro.
Ele estava com a aparência de sempre, impecável, completamente todo alinhado e absolutamente tenso, nunca relaxado. Gelei, quando o encarei, um frio percorreu-me a espinha, como se tivesse sido pego aprontando como quando era criança, o que seria uma verdade na visão do meu pai. Tentei manter a compostura, não estava fazendo nada de errado.
— Eu... eu... estou indo para a casa de um amigo. – Gaguejei, acho que nunca me sentiria seguro o suficiente sobre o seu olhar.
— Quem? – Meu pai arqueou uma das sobrancelhas, desconfiado.
— Yerik Stanilau. – Yerik se apresentou, esticando a mão para o meu pai que foi educado o suficiente para retribui-lo, apesar de eu ter certeza de que não era de boa vontade. – Sou o colega de quarto do seu filho e de equipe da Vick. – Acrescentou, como se fosse ajudar a passar uma boa impressão para ele.
Funcionou em parte, pois percebi meu pai relaxar um pouco.
— Não vai passar a data santa com a sua família? – Seu tom era desafiador voltou-se para mim.
— Não, pensei que seria como os outros anos e o senhor ficaria no escritório... – Comentei, engolindo em seco.
— Não, consegui os dias de folga, vim buscar vocês, ou melhor, a sua irmã.
A conversa pairava numa zona de passivo agressividade, pelo menos, em um dos lados. Eu conhecia meu pai o suficiente para perceber que ele estava esperando uma mínima demonstração de fraqueza para poder me desestabilizar. Porém, eu não cederia, tinha como objetivo ir para casa de Yerik.
— Ainda posso ir? Eu até cancelaria a ida, mas a Sra. Stanilau já preparou para me receber e seria mal-educado cancelar em cima da hora. – Tentei argumentar, meu pai adorava uma boa retorica, era advogado e acima de tudo prezava por boas relações e aparências.
— Exijo que me comunique sempre que for sair para algum lugar. – Me respondeu com uma fala calma. – Da próxima vez, não tolerarei este tipo de situação.
— Sim, papai. – Olhei para o chão.
— Sempre me encare como um homem. – Me repreendeu, imediatamente levantei o olhar. – Não se esqueça de passar em casa antes de voltar para cá.
— Sim, senhor.
Ele seguiu com o carro lentamente, até dar ré e novamente abrir o vidro.
— Tenha uma boa semana santa, Sr. Stanilau. – Seu olhar era sério e fixo.
— Igualmente, Sr. McCarthy. – Yerik não transparecia nervosismo, ele nunca demonstrava, a não ser quando não tínhamos assumidos nossos sentimentos um com o outro. Só fui perceber que segurava a respiração quando vi meu pai se distanciar no estacionamento, que era particularmente enorme, e pude liberar todo o ar condensado dos meus pulmões e inalar um puro. — Hoje você conhecerá e a sua sogra e eu conheci o meu sogro. – Yerik comentou enquanto ainda acenava para o carro.
— Não brinca com isso. – Lhe dei uma cotovelada. – Se ele soubesse que estamos namorando, provavelmente, daria ré e nos atropelaria pelo menos umas quatros vezes para ter certeza que o nada que sobrasse fosse direto para o inferno.
Yerik riu, mas eu continuei tenso.
— Minha mãe não seria diferente, mas por sorte somos ótimos mentirosos e discretos. – Falou isso apertando minha bunda e fazendo-me pular para frente.
Quase tive um pequeno infarto com a ação, meu pai não poderia ter visto, mas vai saber...
— Discreto é a última das palavras que te descreve. – Respondi, lhe dando um chute.
Novamente ele riu.
— Você verá isso em casa e você tem pernas potentes.
— Isso era para me tranquilizar, porque agora sinto que estou sendo levado a toca dos leões. E na próxima, acertou teu saco.
— Bom, aí você danificaria o seu playground e sim, estou te levando para ser comido em casa. — Lhe encarei carrancudo com a fala maliciosa. – É só uma piada. – Ele riu. – Não tentarei nada em casa.
— Duvido e mesmo que tentasse alguma coisa, eu não faria nada.
Não podíamos estarmos mais enganados sobre mantermos distantes um do outro, já no carro, sua casa era longe do Internato e sua direção tranquila, uma estranha coincidência era que as únicas vezes que ele tinha dirigido comigo fora para irmos nas nossas respectivas casas, ele pegou minha mão e a acariciou. Yerik era tão carinhoso comigo, eu o amava tanto que se ele quisesse pegar o carro e fugir para o Canada, eu certamente iria com ele.
Comecei a fazer caricias no seu braço, inicialmente ele apenas sorriu e manteve-se focado na estrada. O que deveria ficar em só despretensiosos toques, logo começou a excitar-me e pelo volume em sua calça também a ele. Seus olhos continuavam focados na estrada e seus lábios semiabertos., repousei-me a mão em sua coxa e a apertei, atento sempre as suas reações, fui levando-a até o seu volume e assim que o senti em meus dedos sob o jeans esticado, o apertei. Após gemer, finalmente olhou-me por um instante antes de voltar a dirigir.
— Se eu te pedisse uma coisa você faria? – Ele me perguntou.
— Você me avisaria antes de...
— Sim.
Não foi preciso dizer muito, desabotoei seu jeans e seu zíper, levantou-se um pouco da poltrona do carro e puxei um pouco sua e cueca até a altura dos seus joelhos, seu pênis estava duro e ereto em toda a sua glória, não pensei muito e o engoli com os meus lábios.
Quando chegamos em sua casa, a última coisa que passava em minha mente era o nervosismo em conhecer sua família, ainda estava um pouco anestesiado com o que fizera durante o trajeto. Minhas bochechas coradas eram um claro sinal de culpa e em meus lábios ainda seria possível sentir o gosto do meu namorado, que não me avisara ao entrar em gozo.
— Devíamos fazer isso mais vezes? – Ele falou sorrindo abotoando a calça.
— Nem pensar. – Lhe respondi também sorrindo.
— Tem lenços no porta-luvas, acho melhor você limpar o... – Apontou paro o canto do lábio.
Toquei o local que indicava e percebi que ainda tinha gotas de sêmen apressadamente abri o porta-luvas, peguei um lenço e limpei a região dos lábios.
— O quão ruim, seria se você cumprimentasse minha família com a minha porra na sua boca.
— Você é muito babaca. – Lhe dei um chacoalhão para lá.
— E você me ama assim.
— Um pouco menos agora.
— Eu poderia lhe retribuir o favor na volta, se você soubesse dirigir.
Só tomei ciência de onde estava ao ouvir um grito em búlgaro vir da casa que estávamos estacionados.
— É aqui mesmo sua casa?
— Não te trouxe aqui para roubar seus órgãos.
— Estou nervoso, você não me deu muito detalhes para eu me apegar e se eles me odiarem? – Olhei nervoso para a casa ao lado.
Era uma simples casa de subúrbio como tantas outras na vizinhança, possuía um andar a mais além do térreo, telhado de varias águas e uma espaçosa varanda, tudo pintado em cor de cinza ou branco.
— Essa possibilidade existe, mas eu te amo, então se minha família te odiar ainda não será um problema para mim.
— YERIK! – Lhe olhei indignado.
— Bom... Se isso te ajuda, minha avó é bem religiosa, minha mãe é séria e minha irmã irritante como qualquer criança de dez anos.
— Isso é muito pouco!
— Todas gostam de música, podemos cantar no piano que temos, elas irão adorar e isso é sem erro.
— Okay. – Suspirei.
— Podemos sair do carro, elas são muito fofoqueiras também, aposto que estão nos observando agora.
— O que?! – Olhei desesperado para as janelas.
— Meu amor, cadê o seu senso de humor?
— Ficou na estrada com a minha dignidade e o seu aviso.
— Ainda está chateado com isso? Eu falei que não consegui...
— Só estou nervoso. – O interrompi. – E você só sabe fazer piada.
— É meu mecanismo de defesa. – Riu, abrindo a porta do carro.
Dei uma profunda respirada e o acompanhei.
Assim como sua casa, o bairro era igual aos do subúrbio da cidade, com casas iguais e jardins iguais, o clima agradável seria convidativo a vida social, porém, provavelmente todos deveriam estar em suas casas.
— Sorria como se fosse dia de ação de graças. — Sorri forçadamente. – Mas sem parecer o Coringa.
Tentei amenizar a expressão.
Esperava que Yerik tocasse a companhia, o que não fazia o menor sentido, pois aquela era a casa dele, abriu a porta e gritou:
— Мамо, тук съм! Моят приятел е с мен.
Ouvi uma movimentação dentro da casa e logo as três mulheres apareceram. A Sra. Stanilau lembrava vagamente Yerik, tinha o cabelo castanho escuro preso em um coque rígido, olhos verdes e uma expressão tranquila. Tanya, sua irmã mais nova era mais parecida com a mãe, do que com Yerik, apesar de ter os mesmos dentes salientes do irmão, sorria de modo provocativo, imaginei que estivesse pronta para irritá-lo, não era muito bonita e tinha os mesmos olhos da mãe e cabelos e sobrancelhas escuras e espessas. Sua avó era a mais parecida com ele, os mesmos olhos celestiais e traços, também sorria, porém de forma mais receptiva, considerei a mais americana daquelas três, as outras duas pareciam carregar um pouco do leste europeu em suas feições, assim como o próprio Yerik.
— Esse é o meu amigo Blake, o que avisei que viria passar a pascoa conosco. – Ele me apresentou.
Cumprimentei uma a uma com um aperto de mão, a Sra. Stanilau tinha um aperto firme, Tanya frouxo, como se não tivesse paciência para formalidades e a Avó o mais macio de todos.
— Prazer em conhecê-las. – Me parabenizei mentalmente por não gaguejar.
— Igualmente, Blake. – A Sra. Stanilau parecia desconfiada. – Por favor, entre e se acomode.
Até então estávamos apenas no hall da causa e logo caminhamos para uma sala de visitas.
— Vou servir chá enquanto lhes conhecemos melhor. – A avó falou indo na outra direção, desejei que nos acompanhasse, tinha a impressão de ser a mais simpática delas.
— Eu vou levar nossas coisas lá para o quarto. – Yerik falou subindo as escadas que ficavam próximas ao hall.
Lhe xinguei mentalmente por me deixar só com sua mãe.
— Finalmente conheci o colega de quarto do meu filho. – A Sra. Stanilau se sentou em uma poltrona e me indicou o sofá de três lugares, lhe imitei, sentando perto da ponta e Tanya na outra extremidade.
— Sim. – Falei sorrindo.
— Espero que meu filho seja um bom colega de quarto.
— Ele é sim.
— Ele estuda? Sempre tentei cria o habito de fazê-lo estudar mais após a aula, espero que tenha mantido.
— Sim, sim. – Menti, dos dois anos que convivia com o Yerik nunca o vira abrir o caderno ou um livro fora da sala de aula.
— Você dirá qualquer coisa boa que eu queira ouvir, não é? – Tal afirmação me pegou desprevenido. – Você é meu convidado na minha casa, o mínimo que espero é uma eximia honestidade com a minha pessoa. – Ela sorriu.
— Claro. – Falei engolindo em seco, senti minhas mãos gelarem. – Yerik nunca abriu o caderno fora da sala.
— Como imaginei, ele também não fazia em casa, sempre foi mais de cantar ou dos esportes.
Como se fosse enviada por Deus, a avó apareceu carregava consigo uma bandeja com cinco xicaras, um bule e um pote de açúcar, todos de porcelana.
— Espero que goste de já de romã, querido. – Ela apareceu sorrindo.
— Nunca experimentei. – Respondi com sinceridade sorrindo de nervoso, sentido o olhar da outra mulher sobre mim e minha honestidade. — Acho o momento perfeito para isso.
A avó me serviu o chá quente e de coloração avermelhada, o aroma de romã imediatamente impregnou ao ambiente misturando-se ao incenso de rosas que perfumava a casa, percebi que dois elementos centrais se faziam presentes naquela residência: rosas e a cor vermelha. No jardim da frente haviam várias roseiras, das mais variadas colorações e dentro de casa, as tapeçarias e paninhos eram de um vermelho vivo.
Yerik retornou a sala após eu dar a primeira golada, o chá tinha um sabor bom como o da fruta e não tinha necessidade de ser adoçado.
— Eu adoro chá de romã! – Ele falou, servindo-se e se sentando ao meu lado.
— Yerik ainda peida quando dorme? – Tayna perguntou.
Não consegui segurar o riso e engasguei com o chá, ela começou a rir, sua avó a acompanhou, a Sra. Stanilau apenas balançou a cabeça negativamente.
— Você é idiota? – Yerik falou irritado.
— Por acaso, eu menti? Vocês dormem juntos sempre e você sempre peida. – Ela riu da cara dele.
— Não peido, não. – Falou indignado.
— Você também faz parte do coral? – A avó perguntou, ignorando a pequena discussão que seus netos aprontavam.
— Sim, eu amo cantar. – Tomei um gole do chá.
— O pai deles também gostava. – A Sra. Stanilau falou. – Fez um sucesso relativo na Bulgária antes de falecer.
— Eu sinto muito.
— Não precisa, já faz muito tempo. Fale me mais sobre você e sua família. – As duas me encaravam.
— Bom, eu sou o filho mais novo, minha irmã mais velha é companheira de equipe de Yerik. – Apontei para ele, que iniciara com a irmã uma pequena guerra de cutucões. – Nome dela é Vick, tem cabelos cacheados e loiros.
— Eu sei quem é, a vi competir ano passado. – Sra. Stanilau olhou feio para os filhos que imediatamente param com a briga. – Por isso que você era familiar, lembra muito ela e seus pais?
— Meu pai é advogado e minha mãe já é falecida.
— Faz muito tempo? – Tanya perguntou, toda sua família lhe olhou com reprovação.
— Mais de dez anos, foi em um acidente de barco por uma tempestade no mar.
— Sinto muito, querido, por ter crescido sem uma mãe. – A avó falou apertando minha mão. – É e foi um pouco duro, mas eu tinha a Emily. – Assim que falei dela, meus olhos se encheram de lágrimas, fazia muito tempo que não pensava nela e isso me fez sentir-me culpado. Eu tinha a colocado no mesmo lugar que colocava as memorias com Sam, em um espaço de muito carinho, porém que evitava ao máximo visitar.
— Acho que você não sabe, Blake, mas nossa pascoa não é na mesma data da cristã romana. – Yerik tentou mudar de assunto ao me observar lagrimejar – É mais ou menos uma semana depois, seguimos o calendário juliano e não o gregoriano.
Tomei um outro gole de chá para disfarçar sob o olhar daquelas mulheres.
— Por isso também as cores vermelhas, imagina que alguém fosse daltônico em casa. – Tanya riu.
— Todos são ortodoxos? – Perguntei.
— Não, minha mãe é romana como você, imagino. – Sra. Stanilau falou.
— Sim.
— Tentamos misturar um pouco de cada e assim dar certo. – Yerik falou.
Ficamos conversando sobre as tradições ortodoxas e romanas, era o tipo de papo que eu gostava, a religiosidade durante muito tempo tinha sido uma parte muito grande dentro de mim e apesar de estar adormecida, não me abandonará completamente.
— Blake cante uma música enquanto o almoço termina. – A avó falou.
— Mas qual música?
Acho que se fosse qualquer outro pedido eu ficaria nervoso, mas eu amava tanto cantar e me apresentar, era o único momento que me sentia verdadeiramente confiante.
— Eu gosto de Elton John. – Ela respondeu.
— A capella? Não seria melhor um piano. – A Sra Stanilau apontou para o piano que ficava no canto do espaço. – Yerik, porque não o acompanha?
— Você toca piano? – Lhe perguntei ao aproximarmos no instrumento.
— Me arrisco.
— Mais erra do que acerta. – Tanya gritou.
— Qual? – Yerik lhe ignorou, alongando os dedos e dedilhando pelo piano.
— Eu que ensinei. – A avó falou orgulhosa.
— Your Song. — Falamos juntos.
Rimos.
It's a little bit funny, this feeling inside
I'm not one of those, who can easily hide
I don't have much money, but boy if I did
I'd buy a big house where we both could live.
If I was a sculptor, but then again no,
Or a man who makes potions in a travelling show
I know it's not much, but it's the best I can do
My gift is my song and this one's for you.
Yerik começou a me acompanhar:
And you can tell everybody, this is your song
It maybe quite simple but now that it's done,
I hope you don't mind, I hope you don't mind
That I put down in words
How wonderful life is while you're in the world.
Yerik:
I sat on the roof and kicked off the moss
Well a few of the verses, well they've got me quite cross
But the sun's been quite kind while I wrote this song,
It's for people like you, that keep it turned on.
So excuse me forgetting, but these things I do
You see I've forgotten, if they're brown or they're blue
Anyway, the thing is, what I really mean
Yours are the sweetest eyes I've ever seen.
And you can tell everybody, this is your song
It maybe quite simple but now that it's done,
Blake:
I hope you don't mind, I hope you don't mind
That I put down in words
Yerik e Blake:
How wonderful life is while you're in the world.
—x-
— Não foi tão ruim. – Yerik comentou quando fomos para o seu quarto.
— Não. – Admite, porém ainda com receio da mãe dele. – Sua mãe falou que não tolera mentiras, ela me pegou mentindo.
— Sobre o que você mentiu?
— Sobre você estudar todos os dias.
— Eu sei que você é um pouco ingênuo, mas isso é até demais para você. – Pegou na minha mão.
— É... – Fiquei vermelho de vergonha.
— Mas talvez tenha ganhado pontos cantando Elton John.
— Será que não demos brecha demais fazendo um dueto?
— Acho que não. – Ele respondeu sorrindo animado.
Sua animação prosseguiu pelos demais dias como se fosse dia das crianças, acredito que gostava de me ver com sua família, apesar de ser uma ilusão de uma realidade perfeita, ainda poderia lhe garantir uma pequena amostra do que seria se fossemos assumidos e sua família nos aceitasse e passássemos os feriados juntos. Era triste e feliz ao mesmo tempo, pois parecia tão real e tão mentiroso, porém tentávamos focar nos aspectos positivos. Sua avó era quem eu mantinha a melhor relação, era atenciosa e tínhamos em comum a fé, quando não estava com Yerik estava lhe ajudando ou fazendo companhia na cozinha, lembrava-me de Emily, apesar de ter o aroma de rosas e não o de canela. Sua mãe era a mais distante, era presente, mas não participativa, era analítica a tudo e sempre tinha a sensação de estar observando e julgando meus passos, no entanto, não foi em nenhum momento inadequada comigo, o que era o oposto da sua filha. Tanya era insuportavelmente irritante, a todo momento parecia estar fazendo alguma coisa para provocar seu irmão, que se tornava tão irritante quanto ela ao retribuir os desafetos.
— Você toca bem, deveria praticar também na escola. – Comentei com Yerik, estávamos sentados no banco do piano, ele tentava fracassadamente me ensinar a tocar um pouco de piano.
— Não gosto. – Me respondeu, olhando para os nossos dedos, guiava-me pelos seus e o som ainda saía inadequado.
— Não entendi.
— Tocar piano é algo particular para mim. – Falou olhando nos meus olhos. – Não consigo dividir isso com qualquer um, só com quem é importante para mim. – Esboço um sorriso tão inocente que foi impossível não o retribuir.
— Vou tocar algo para você, nunca fiz isso e talvez você me perdoe pelas minhas omissões. – Falou ainda sorrindo.
Levantei meus dedos do teclado e repousei minhas mãos no meu colo, o observei se concentrar e respirar profundamente antes de começar a tocar e cantar:
I was searching
You were on a mission
Then our hearts combined like
A neutron star collision
I have nothing left to lose
You took your time to choose
Then we told each other
With no trace of fear that...
Our love would be forever
And if we die, We die together
And lie, I said never
'Cause our love would be forever
The world is broken
Halos fail to glisten
You try to make a difference
But no one wants to listen
Hail, the preachers, fake and proud
Their doctrines will be cloud
Then they'll dissipate
Like snowflakes in an ocean
Love is forever
And we'll die, we'll die together
And lie, I say never
'Cause our love could be forever
Now I've got nothing left to lose
You take your time to choose
I can tell you now without a trace of fear
That my love will be forever
and we'll die we'll die together
Lie, I will never
'Cause our love will be forever.
Ao cantar e tocar a primeira nota, seus olhos voltaram-se para os meus e poderia jurar que não biscou até o solo final do piado quando retomou a atenção para este, seus dedos pareciam seguir instintivamente pelo tablado. Eu fiquei tão emocionado com a letra e a verdade que seus olhos transmitiam que poderia ter me derramado em prantos por tamanha comoção, se alguém tivesse feito algo tão bonito para mim antes, não conseguia lembrar. Se um dia morresse e fosse para o céu, imploraria para levar essa memória comigo ou que lá estivesse Yerik tocando piano para mim pela eternidade.
— Gostou? – Yerik parecia constrangido, era tão raro vê-lo desse jeito.
— Se eu gostei? – Minha voz saiu rouca e baixa devido ao choro segurado. – Eu não tenho palavras para descrever o que estou sentindo agora.
Antes que pudéssemos tomar qualquer tipo de atitude, meu celular tocou no meu bolso, era Vick que me ligava, achei estranho porque ninguém fazia esse tipo de coisa, se não fosse, muito importante.
“Oi”
“Por que não veio para casa? Papai não explicou muito bem.”
“Preferi passar com o Yerik, pensei que ninguém ficaria em casa.”
“Mas estamos todos aqui, deveria ter vindo para casa.”
Vick parecia estranha, não consegui identificar mais ou menos o porquê. Yerik me observava atento, perguntou sem voz com quem EU estava falando e respondi também sem voz que era com a minha irmã.
“Pensei que vocês não se importassem com isso...”
“É... Tanto faz. “
“Você está bem?”
“Estou, só queria te contar uma coisa pessoalmente, mas vai assim mesmo... Emily acordou do coma”
Não consegui responder imediatamente, fiquei completamente em choque.
“Blake? Blake?”
“Oi”
Comecei a chorar, Yerik se aproximou preocupado, não chorava de tristeza, somente muito emocionado.
“Vá visitá-la.”
“Está bem.”
“Vou te passar o endereço por mensagem, mas já aviso que ela está meio distante, não é mais a mesma.”
“Ok.”
Não raciocinei, puxei Yerik para os meus braços e o abracei com força, continuei chorando, porém também sorria, conseguia praticamente já conseguia sentir o seu perfume em minhas narinas.
—x-
Era manhã de pascoa quando dirigíamos a casa de repouso que Emily estava instalada. Depois de uma breve explicação sobre minha choradeira, Yerik se oferecera para me levar para visita-la no outro dia, além de me servir como apoio moral para o que poderia vir desse encontro.
— Será que ela vai me reconhecer? – Perguntei-lhe, pelo GPS percebi que nos aproximávamos do local.
— Não sei, ela está quase a um ano desacordada, é difícil saber como ela está.
— Vick falou que ela está meio distante, não com amnesia. — Ele deu de ombros.
Na casa de repouso, não encontramos empecilhos para visita, apenas uma pequena ressalva de não forçarmos a demais devido ao seu estado frágil e por estar ainda se recuperando, descobri também que ela já tinha acordado fazia mais de um mês. A princípio, não lidei muito bem com isso, meu pai me escondera tudo isso durante todo esse tempo e nem tivera a coragem de me contar pessoalmente, Vick tivera que me ligar e avisar que uma das pessoas mais importante da minha vida estava saindo do coma.
Yerik acompanhava minhas reações com o olhar, percebera meus desconfortos enquanto caminhava pelo corredor pálido.
— Ela está melhor agora, foque somente nisso. – Tentou me confortar, quis sentir o seu toque, isso com certeza me tranquilizaria, no entanto, dado as circunstancias era impossível.
Não lembrava que era tão velha até finalmente vê-la, ou poderia também ser o tempo na clínica, estava ao menos uns dez anos mais velha, do que imaginava ter. Sua expressão era tranquila, conversava com uma enfermeira que lhe trazia o almoço, os cabelos estavam bem brancos e vestia uma camisola lilás, deitada na cama hospitalar. Ao me ver sorriu e iluminou-me.
— Fiquei imaginando quando que veria meu menino novamente. – Caminhei rapidamente até seu leito e a abracei com cuidado.
Fazia um tempo que eu não chorava de verdade, um pequeno orgulho pessoal, mas não me contive ao sentir seus amáveis e macios braços em torno de mim, me vi retornando ao tempo que só era eu e ela dentro de casa e um amigo misterioso online, agora estávamos todos no mesmo ambiente, porém tudo era diferente. Chorei como se tivesse cinco anos, meu coração apertava tanto, era todo o sentimento de saudade sendo despejado de uma vez só.
— Senti tanto sua falta. – Me aninhei desajeitadamente no seu colo.
— Onde que está Susan? – Perguntou ao me afagar.
— O quê?
— Onde está a sua namoradinha Susan, Rick?
Richard era o primeiro nome do meu pai, apenas minha mãe o chamava de Rick no passado e pelo visto Emily também. Ela deveria estar me confundindo com ele, porque Susan era o nome da minha mãe.
— Sou eu, Emily, o Blake. – Falei afastando me dela, ao lado do seu leito havia uma poltrona, a qual me sentei.
— Blake? Que Blake? É um belo nome. Está perdido, querido? – Ela pareceu tão confusa que meu coração se apertou.
Olhei aflito para meu namorado e apertou meu ombro para eu relaxar.
— Vai ficar tudo bem. – Murmurou.
— Susan ficou em casa, Emily. – Optei por seguir a linha de raciocínio que ela pensava, do que, lhe causar expresse.
— Isso ainda vai terminar em casamento, escuta que eu estou te falando. – Sorriu, contraindo o rosto enrugado com algumas manchas. – Sua mãe ia ficar tão feliz em te ver com uma boa moça...
— Iria mesmo. – Murmurei.
Meus avôs haviam falecido antes do meu pai se casar, na realidade, ele nem conhecera seu pai, tinha sido morto na guerra do Vietnã e sua mãe falecido pouco tempo depois de ter entrado na universidade.
— Quem é esse com você? O namorado de sua irmã?
— Que irmã? – Perguntei confuso.
Emily ficou pensativa por um tempo.
— Sua irmã Victoire, Blake. Ela me visitou ontem, foi tão agradável que nem parecia com ela.
— Não, é o meu colega de quarto, Yerik.
Ela o puxou para um abraço forte.
— Prazer em conhece-lo, querido. Minha neta, por acaso, não veio com vocês? Ou não?
Eu não queria e não seria a pessoa a fazer isso, lhe contar que a única neta estava morta, logo agora que se recuperava e possuía uma consciência flutuante, mesmo se quisesse, não conseguiria. Só de lembrar de Sam com Emily, meus olhos marejaram, levantei abruptamente e saí do quarto, os dois ficaram me observando curiosos.
Pensei que as lágrimas caíram, no entanto, nenhuma gota, apenas o mesmo aperto que vinha com frequência e a respiração profunda.
— Vim te buscar, está bem para voltar? – Yerik falou me apertando no ombro, era uma técnica que ele tinha de me consolar em lugares públicos e ser discreto ao mesmo tempo.
— Sim. – Balancei a cabeça positivamente.
Quando retornei ao recinto, Emily estava novamente aérea, permanecia alternando entre os estados a manhã toda, ficamos com ela até metade da tarde, quando a fome nos venceu e nos sentíamos exaustos pelas suas alterações. Nos despíamos calorosamente dela e lhe prometi retornar todos os domingos seguintes.
— Ela pensou que você era o seu pai? – Yerik me perguntou quando embarcamos no seu carro.
— Sim. Isso foi horrível. – Murmurei.
— As enfermeiras falaram que é temporário, uma hora ela vai alinhar tudo...
— Não falo disso, falo sobre Sam, como irei contar para ela que Sam morreu...
— Você não precisa, não é o seu papel a fazer isso. – Me interrompeu.
— Eu sei, mas eu sinto que devo fazer.
— Ignore isso.
Não falei nada, apenas fiquei lhe encarando.
— Obrigado. – Suspirei.
— Não por isso. – Ligou o carro e começou a dirigir.
— Por estar aqui comigo.
— Sempre. – Sorriu.
O caminho de volta foi calmo, não conversamos muito, deixamos músicas rolando de uma playlist que montamos em conjunto. Só fui perceber que não estávamos voltando exatamente para a sua casa quando ele estacionou e não era sua garagem.
— Onde estamos? – Olhei por fora da janela e estávamos do lado de um bosque, algumas pessoas passeavam por lá com seus filhos, era o parque municipal.
O Parque Municipal era enorme, não do tamanho de uma praça, mas grande como uma pequena reserva, se não estava enganado de suas dimensões, o Internato Santa Agnes era vizinho dele.
— O que pretende fazer aqui?
— Olha lá no porta malas. – Respondeu.
Saí do carro e fiz o que pedi, lá dentro encontrava-se uma cesta de palha, um cobertor e um toalha de mesa dobrados.
— Piquenique? – Lhe perguntei quando apareceu do meu lado.
— Vamos. – Falou sorrindo, tirando tudo de lá.
Lhe ajudei carregando a toalha e o cobertor, percebi pelo seu esforço que a cesta estava pesada. Estava completamente surpreso.
— Pensei que comeríamos com sua família. – Comentei.
— Vamos jantar, nesse horário elas já almoçaram. – Me respondeu.
Ao nosso redor, outras famílias pareciam ter tido a mesma ideia que a nossa, poderia jurar que toda criança que passava por mim estava suja de chocolate. Tivemos que caminhar um bocado até me sentir confortavelmente para relaxarmos como namorados, na privacidade da natureza e sem ninguém por perto.
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