Tempestuoso

4 (In)Feliz Escolha


Notas iniciais
Olha saiu, demorou bem menos dessa vez! KKKKKkkk. Acho q o próximo só o ano que vem, talvez mais um, vou tentar. Agradecimento mais que especial a minha beta, vou sempre dizer isso até quando estiver morrendo. Um beijo mais que especial pra Ju, minha mentora, ao Pepper, Aninha, Thom e Mila. Jeeh vc me deve. As musicas ficaram mais frequentes. Pharrell Williams - Come Get It Bae (feat Miley Cyrus) https://www.youtube.com/watch?v=UfGMj10wOzg . Fifth Harmony - Sledgehammer https://www.youtube.com/watch?v=gCJ3rmiZFr8 . Panic! At the Disco - New Perspective https://www.youtube.com/watch?v=d3sA5plF6kE. As músicas não são escolhidas aleatoriamente, as suas letras tem significado pra estoria, recomendo dar uma lidinha nelas, assim poderá entender melhor.

Ao ultrapassar os limites da porta, logo tomei o cuidado de me dispersar na multidão de estudantes, despistando assim o meu acompanhante, Yerik. Eu tinha acabado de contar sobre os amassos de minha irmã nos terrenos da escola.

Na multidão de cores e pessoas, acabei-me perdido, porém com sorte as gêmeas sempre atentas conseguiriam me ver.

— Sua irmã está possessa contigo – pela mania, falaram juntas me agarrando pelo abraço e arrastando.

— Por que ela está possessa? Deveria estar feliz depois de ter.... – não completei a frase, só de imaginar o ato me causava repulsa. Meu tom tinha sido embargado em ironia.

— Ela não ficou nem um pouco feliz em saber que você foi atrás dela.

Pude já enxergar Vick apoiada na parede segurando um copo de plástico vermelho. Sua roupa estava ligeiramente mais abarrotada e puxada para esquerda.

— Vocês contaram pra ela? – perguntei desacreditado.

— Eu, não. – se defendeu Lucy.

— Você, sim. – a acusou Mirna.

— Você tá querendo colocar a culpa em mim.

— Você que está querendo se safar.

— Foi você, assume.

— Só depois de você.

—Mas eu não fiz nada.

— Para de ser sonsa.

— Quem acusa é culpado.

— Não, quem acusa é delator, o que é o meu caso.

— Ou farsante, o que é o seu caso.

Conforme discutiam, nos aproximávamos de minha irmã. Sua expressão mudou completamente ao ver-me se aproximar, antes alegre e sorridente mudou para uma carrancuda.

— Mirna, você sempre me acusa das coisas que você faz só porque somos gêmeas. Você é uma péssima irmã.

— Calada, Lucy. Você se faz de santa.

— Foram as duas que me contaram. – Vick pôs fim à discussão.

— É... Fomos nós duas. – voltaram a falar as duas juntas constrangidas.

— Não tem problema, mas poderiam ter.... – comecei a falar, mas fui interrompido.

— Não estão erradas, são minhas amigas. – a voz de Vick parecia meio embargada – Que história é essa de você ter me seguido quando saí com Marc?

— Eu não fui te seguir, só queria ar fresco.

— Muito propício ser exatamente no momento em que saí?!

Senti as gêmeas se afastarem. Deveriam, pelo curto período de vivencia com Vick, aprendido com seus surtos, que na maioria das vezes eram como uma bomba causando estilhaços e atingindo os mais próximos, ou já deveriam ter sido atingidas mais cedo.

— Muita consideração sua, ir com um cara ... – não consegui falar “transar” – e me deixar sozinho.

— Você já estava mais do que devidamente enturmado, e admite que estava me seguindo? Eu não tinha dito pra ficar somente com os meus amigos!

— Sim, mas me intenta.

— Me intenda você, acaba se comportando muito como uma criança.

Fiquei constrangido, nossa discussão não era acalorada, porém já conseguia alguns telespectadores. Aproximei-me mais dela para que os ruídos da música não interferissem tanto.

— Yerik está te querendo. – fui direto.

— Ótimo, fale para ele que eu não estou mais disponível agora, que talvez depois...

— Você não vai ficar com ele – a interrompi – e já falei que você estava namorando outro cara.

— Espero que ele não se importe – deixou escapar. Consegui senti o hálito nauseado pelo álcool.

— Você está bêbada? – perguntei.

— Bebi um pouquinho – soltou um soluço – qual é o problema?

— Aonde você bebeu? Esqueceu que é a motorista?

— Não se preocupe que arrumo alguém sóbrio para nos levar. Pra que quer saber da fonte? Não vai beber.

— Não, só fiquei curioso.

— Não tente me controlar. Aonde você encontrou o Yerik?

— Do lado de fora, nos terrenos...

— Enquanto estava me procurando?

— Eu não estava te procurando. Por que você acha que tudo gira ao seu redor – deixei escapar, me arrependendo ao término da pronúncia da última palavra.

— Como é que é? – ela estava se alterando.

As palavras de Beth reviraram na minha cabeça.

— Isso mesmo, eu... Eu tenho outras prioridades do que te procurar enquanto transa com outros cara por aí. – soltei.

— Caras? É só um, meu bem, mas pode deixar que arrumarei outros. Estou pensando no Yerik, o que acha? –tinha sido golpe baixo, seus olhos transmitiam malicia e displicência.

— Faça como quiser, princesinha egoísta. – gritei com ódio.

Ela ficou vermelha de raiva, podia ver sua mão indo involuntariamente para atrás em movimento para tapa. Seus tapas eram doloridos e raros, não era do seu feitio a violência.

— Mirna! – chamei, ou melhor, gritei pela garota de cabelos ruivos.

— Olá, bonitinho. – ela veio saltitando na minha direção balançando o seu cabelo.

Olhei para as duas, uma por vez, indicando pra Mirna com o olhar o motivo do seu chamado. Graça a Deus, ela possuía esperteza para isso e segurou o braço de Vick. Eu poderia ter tentado impedir qualquer ação excessiva de minha irmã, mas isso iria ser contra mim, me culparia eternamente.

— Mirna, acalme minha irmã porque vamos embora. – falei. Sabia que essa ordem seria arriscada.

— Vocês não vão embora agora. – falou Lucy, que tinha aparecido do nada ao lado de Mirna. Acho que possuíam uma conexão psíquica tele transportadora.

— Acho que chegamos no nosso limite, é melhor discutirmos isso em casa...

— Amiga, você quer ir embora? – Mirna me interrompeu.

— Não quero, amiga, e não vou.

— Desculpe, Blake, mas só mais tarde vocês poderão ir.

— Mas é melhor...

— Manda esse merdinha calar a boca, eu não o aguento mais, digam que ele é um mimadinho necessitado de atenção, que usa a falta de nossa mãe como a sua fraqueza e incapacidade de fazer amigos. E se quiser pode ir, só a pé, porque não tenho hora pra voltar. – Vick me interrompeu, virando as costas para mim e falando alto o suficiente para audição.

Olhei atônito.

— É isso o que você acha de mim? – perguntei, correndo para alcançá-la.

— Você ainda duvida disso. – ela me olhou com um sorriso sínico.

— É a bebida. – as gêmeas tentaram justificar.

— Não, não mesmo. – me afastei.

— Vai para o cantinho como um bom menino da Emy. – gritou.

As palavras de minha irmã me foram brutas e doloridas, mas naquele momento pouco profundas. A batida da música e o movimento frenético dos corpos dançantes perto de mim devem ter me distraído, fiquei desorientado por alguns instantes até o toque de uma nova amiga.

— Problemas no paraíso? – Beth tinha se aproximado.

— Briguei com a minha irmã. – lhe contei. Nunca estive no paraíso, pensei.

— Eu vi, não duvidei que esse momento demorasse muito, mas o motivo parece um pouco errado, está agindo parecido com ela, como um controlador. O certo era você brigar por sua liberdade, não pelo comportamento dela.

— A gente brigou porque acha que a segui e está bêbada, me dizendo um monte de bobagens.

— Está com raiva por ela ter bebido ou pelas coisas que escutou? Porque com certeza no meu caso seria a segunda opção.

— Ela vai passar vexame. – não lhe respondi diretamente.

— Te preocupa mais o comportamento alcoolizado dela do que as palavras ditas. Deveria não se importar com isso e mais consigo. Deixe-a passar por toda cena como bêbada para aprender, tem seus amigos para cuidar.

— Mas se...

— Tem se divertido até agora? – me interrompeu – Porque não parecia isso no campo antes.

— Não, nem um pouco, porém... – eu queria continuar, porém Beth insistia em me interromper;

— Acho que a melhor maneira para começar a se divertir é conhecendo pessoas divertidas.

— Que pessoas seriam?

— Esse pessoal. – apontou.

Tinha me orientado até um grupo mais afastado perto da mesa de bebidas, eles eram barulhentos, cerca de doze.

— Vejo que encontrou o seu amigo... – falou uma garota loura, a primeira a nos reparar se aproximando.

— É o Blake, ele acabou de discutir com a irmã.

— Ótima apresentação. – sussurrei lamentando.

— Não tem problema, o que seria de uma festa sem um drama? – falou a loura, que para meu espanto tinha escutado o meu sussurro – Em todo caso, deixe-me me apresentar, sou Camille.

— Cami. – corrigiu Beth.

— Isso, melhor, Cami. – ela sorriu.

Camille possuía uma beleza clássica. Bela, mas nada exorbitante. Os olhos eram da cor turquesa, combinavam com a sua fantasia de melindrosa azul vagamente familiar com a de Vick. Os cabelos eram bem finos, louros e lisos como fios de ouros, penteados de forma que parecessem curtos na altura dos ombros.

— Cami, prazer em conhecê-la.

Ela sorriu pra mim.

— Aceita? – me ofereceu um copo de plástico verde.

— O que tem nisso? – perguntei.

— Ponche.

Dei um gole, a bebida de frutas vermelhas possuía um gosto diferenciado. Devo ter feito uma careta, pois elas começaram a rir.

— Blake é careta. – Beth pegou o copo da minha mão, bebendo o conteúdo.

— Ei! – a censurei pela atitude.

— Ainda vai querer isso? Tá batizado. – me informou.

Neguei com a cabeça.

— Careta, Blake? – me perguntou Cami.

— De bêbado, já basta a minha irmã, Vick, hoje pra chegar em casa. – dei a desculpa. Nunca tinha bebido e não achava aquele momento o mais adequado para isto.

— Pera aí, você é irmão da Victoire? – Cami perguntou.

Confirmei com um aceno positivo.

— Você é Blake? O irmãozinho da Victoire? – ela parecia entusiasmada.

— Sou.

— Victoire McCarthy?

— Sim, nosso sobrenome. – sorri.

— Oh meu Deus, ela não vai gostar nada, nada de nos ver conversando. – sua preocupação parecia nula.

— No momento estou tentando não me importar muito com a opinião dela. – olhei para Beth, sua expressão era de incentivo – Mas quem minha irmã não gostaria de me ver conversando sem sua autorização? Com você tem algum motivo em especial? – soltei propositalmente. Saber da reputação de Vick sobre outra perspectiva seria interessante.

— Bem, eu e ela temos uma rixa desde o final do nosso primeiro ano. Esclarecendo, somos inimigas declaradas.

— Qual foi o motivo?

— Não vem ao caso, mas ela consegue ser bem chata em alguns momentos.

Escutar alguém falar mal de Vick causava-me desconforto, porém por sorte consegui disfarçar este sentimento.

— Muitos momentos, você quer dizer. – falou com uma risada.

Não consegui disfarçar desta vez, Beth conseguiu perceber.

— Blake agora prefere não falar nela e, Cami, você realmente quer falar mal de uma pessoa com o irmão dela? – Minha amiga a censurou.

— Não, você está certa. Desculpe-me, foi inapropriado. – quis transparecer arrependimento, falhando.

— Ele canta. – falou uma voz de sotaque irritante.

— Yerik! – Cami o cumprimentou com um beijinho – Conhece o irmão da Victoire? – tentou nos apresentar.

— Sim, somos conhecidos – ele falou acenando para mim.

Mesmo que próximo do grupo, eu não tinha reparado nos seus componentes. Beth havia se juntado a eles e me abandonado sem quaisquer apresentações e, para meu infortuno, Yerik fazia parte deles.

— Ele quis dizer que já tivemos o infeliz prazer de nos conhecermos. – falei.

— Não se gostam...

— Na realidade ele está interessado em Vick e eu não o quero com ela.

— Você – Cami apontou para o peito dele – tem um péssimo gosto.

— Qual é? Ela é bonita.

— Pode ser, mas não passa de uma vadia. Desculpe.

— Na realidade, Blake não quer me conhecer e já está com pré-julgamentos. – ele me encarou.

— Pela pequena amostra que eu tive, não quero saber ou conhecer o restante.

— Não seja careta, conheça o Yerik melhor. Ele é bem legal. – Cami falou pedinte.

— Não sei, veremos. – encarei-o.

— Você canta? – ela perguntou se lembrando do que o estrangeiro tinha dito inicialmente.

— Pode ser que pouquinho.

— Ele canta melhor do que eu. – Yerik falou.

Olhei-o extasiado. Aonde queria chegar com elogios? No mínimo queria minha simpatia para chegar até Vick.

— Você canta? – perguntei.

— Obviamente, se estou quase dentro desse clube. Viu? Mais uma coisa que você não se permite conhecer de mim, “Bleika”.

— Não me chame de “Bleika”. – repreendi-o.

— Tudo bem, “Bleika”, mas deveria entrar realmente no clube.

— Não é tão fácil assim. – se intrometeu Cami – Ele vai precisar fazer uma audição para conseguir a aprovação da maioria, depois outra audição com a Sra. Underwood e se for feliz nas duas poderá fazer a inscrição e entrar.

— Antes de tudo isso, que clube é esse que vocês querem me colocar que eu desconheço?

— É o coro. – Beth falou, ela se afastava do grupo próximo – Não sabia que cantava, Blake.

— Sim, canta bem. – Yerik respondeu por mim.

— O coral?

— Sim, você vai poder usá-lo como uma das matérias eletivas que precisa para completar a sua grade.

— Não sei, talvez Vick não goste.

— Pensei que a opinião dela seria o menos importante agora para você. – lembrou-me Cami.

Eu refleti. Seria sensato fazer aquilo. Mas não seria meio precipitado? Cantar era algo que me fazia muito bem, me sentia tão liberto, lembrava a minha mãe. Ela cantava para todas as noites antes de dormir, sua voz era tão doce. Emy dizia que havia herdado esse talento. Eu duvidava.

— Gosta de cantar? – Beth me perguntou.

— Amo. – respondi sincero.

— O que te impede?

— Nada. – fiz uma pequena pausa – Está bem, me convenceram. Posso tentar as audições que não vão me garantir a entrada, duvido muito que consiga. Como são essas audições?

— Na verdade acho que nem precisará passar pela segunda audição, a professora Lisa, ou melhor, a Sra. Underwood acredita no nosso senso crítico. Então só terá que falar com a Conselheira no primeiro dia. – Cami era prestativa em explicar, o que me incomodava era o seu olhar um pouco dissimulado sobre mim.

— Quando faremos essa apresentação, Cami? – Beth perguntou.

— Acho que... – ficou pensativa – Daqui uma hora, depois da nossa apresentação.

— Como é?! – não consegui segurar o espanto – Tão cedo assim?

Fiquei estatelado e, com certeza, mais pálido. Uma apresentação assim de surpresa para tanta gente causava-me receio.

— Um artista sempre tem que estar pronto para uma apresentação surpresa. – Yerik me deu uma piscadela.

— Volta pra piscina. – falei irritado. Estar perto dele me irritava.

— Pare de implicância. – as duas me censuraram.

— Desculpe-me. – falei pouco arrependido.

— Não tenham medo, o público fareja medo e vai se aproveitar de vocês. Sugiro também que todos os novatos se apresentem juntos, assim ficarão menos expostos. – sorriu se afastando.

Senti algo me arrastando pelo braço. Possuía o toque firme e levemente pontiagudo.

— Por que está me arrastando? – perguntei confuso vendo Yerik e Beth me olharem inconformados.

— O que pensa que está fazendo falando com Camille Bernad? – falou a garota que me arrastava. Era Mirna, e o pontiagudo eram as suas unhas.

— Ela está melhor? Porque eu não estou a fim de escutar as bobagens que ela fala. – ralhei.

— Calado, ela já estava puta com você, aí você decide ainda falar com a Bernad. – sua voz tinha tom repreensivo. Não me importei.

— Cami me falou que não se dão bem e eu não tenho nada a ver com essa rixa entre elas.

— Te aconselho a calar a boca e escutar Vick.

— Vou entrar no coro. – falei.

Mirna soltou um suspiro.

— Você tá muito fodido.

Pude ver que nos aproximávamos de minha irmã. Sua expressão era um misto de desagrado e raiva. Parecia também mais vermelha, deveria ter bebido mais, provavelmente.

— Ele está aqui. – ela me soltou na frente dela.

Vick era de muitos surtos. Como frequentes, os seus danos eram bem menos danosos. Perigoso eram as verdadeiras explosões, pouco frequentes, antecedidas por um tique nervoso – ela ficava mexendo fervorosamente no cabelo intensificando o cacho em uma mecha.

— O que você fazia conversando com ela? – Vick estava com a fala contida e mexia no cabelo, a explosão era eminente e a embriaguez também.

— Fazendo amigos como você mesmo disse que não consigo.

Soltou uma falsa gargalhada.

— Coitadinho, não percebe que ela só está falando com você para me atingir.

— Vejo que está dando muito certo. – sorri irônico para ela – Porém não foi ela que veio falar comigo primeiro, na realidade eu que me aproximei...

— Não fique perto dela ou em qualquer coisa que esteja envolvida. – ordenou.

— Por que lhe devo obediência?

— Porque sou sua irmã mais velha! – sua voz soou muita aguda.

— Só sou seu irmão quando lhe é conveniente, não é?

Ela me analisou com um olhar ofendido.

— Ainda bem que já notou isso. – sussurrou.

Sabia como me atingir. Aquilo era covardia, não pensei muito no que disse posteriormente.

— Mesmo não tendo a necessidade, gostaria de te informar que agora é impossível não manter mais contato com Camille — continuei.

— Como assim? – ela parecia estar se colapsando.

— Eu entrei em um clube que ela faz parte.

— Como pode?

— Eu nem sei o porquê das suas rivalidades, não tenho nada a ver com isso, só sei que o pessoal de lá é bem legal e aquilo que eles fazem é o que eu amo...

— Não me diga que é o coro? – me interrompeu.

— Isso mesmo.

— Ainda está em tempo de desistir, conheço como funciona a entrada no clubes daqui, você precisa fazer uma audição para poder entrar na maioria deles oficialmente. Fale com a Bernad e diga que não vai fazer a audição.

— Quem disse que não vou? Entenda que eu quero entrar nesse clube. – a encarei com desafio.

— Você vai desafiar a minha vontade? – ela ergueu uma sobrancelha, sua expressão antes explosiva mudou para uma dissimulada. Não sabia qual seria mais perigosa.

Optei pela omissão daquela resposta, que seria o mais sensato. No entanto, como diz o ditado que o que omite consente, foi o que ela entendeu.

— Tem certeza disso? – estava mais controlada.

— Vou fazer minha audição daqui uma hora como uma apresentação...

— Sei como funciona. – falou ríspida me interrompendo.

— Ao menos veja e aplauda, se eu for bem. Você diz que canto tão bem e que gosta de me ouvir. – falei em tom baixo tentando apaziguar.

— Não espere por isso.

— Isso vai me fazer bem.

— Como queira, fez sua escolha. – falou se afastando, inexpressiva desta vez.

Mesmo parecendo o certo a ser feito, não sentia cem por cento de certeza quanto a essa escolha. Vick conhecia aquela escola obviamente melhor do que eu, talvez estivesse orientando-me a tomar as melhores escolhas e decisões para a minha melhor convivência ali. Um pequeno resquício de esperança acreditava nisto, porém o restante sabia que na realidade era por puro controle e manutenção de sua aparência social. Eu só era mais uma nova peça naquele jogo que devia ser controlada.

Sem perceber, caminhei de volta pra Beth e esta, ainda acompanhada de Yerik e de uma nova garota desconhecida que estava de costas para mim.

— Para onde foi arrastado? – Beth perguntou assim que me aproximei.

— Fui levado por uma das seguidoras da minha irmã até ela.

— Por quê? – Yerik perguntou.

— Vick não quer, ou queria, que eu participasse do grupo de Camille. Lembram-se que contou da rixa. Agora que sabe que ela não gosta do clube vai sair, Yerik? É a sua chance de tentar conquistá-la. – soltei um pouco da frustação da briga nele.

— Não vai ser uma garota bonita que me fará desistir do que gosto. E ainda posso conquistá-la de outra forma permanecendo no clube.

Revirei os olhos.

— Você vai desistir? – Beth me perguntou, ignorando o diálogo irrelevante anterior.

— Não. Eu vou permanecer.

— Muito bem. – falou.

— Quando voltaremos a falar da música, um assunto bem mais importante do que a briga trivial desse garoto? – perguntou a garota desconhecida grosseiramente.

— Que música? – perguntei um pouco ofendido, mas sabendo que em parte estava certa.

— Estávamos decidindo qual musica cantar hoje. – Yerik respondeu.

— Já decidiram?

— Não, estamos em conflito.

O problema maior para a escolha da música era o impasse e inflexibilidade da garota que se mantinha irredutível em aceitar qualquer outra música que não fosse sua sugestão. Seu nome era Margaret, e ela gostava de ser chamada de Maggie. O nome de batismo muito antiquado segundo a própria, e ainda trocaria para Maggie quando alçasse o estrelado, como lhe seria prometido e óbvio. Ela era bem esguia, magra como uma bailarina. Sua fantasia de serpente lhe favorecia em enfocar este atributo. Os traços lhe proviam uma expressão de arrogância combinante com a personalidade, olhos de íris bem escura que quase se fundia com a pupila com ares maliciosos e cabelos levemente ondulados na altura do busto castanho acobreado.

A discussão se prolongou por muitos minutos e Maggie continuava como um empecilho, estávamos quase decidindo nos apresentarmos individualmente, para meu desespero, quando Yerik sugeriu uma música que ela aceitou, que por sorte vazia parte da trilha sonora do seu filme favorito. Não dado nem dez minutos do início dos nossos ensaios e o ginásio se silenciou. Desligaram a música e ouve uns murmúrios de descontentamento geral e uma movimentação para abrir espaço na área central, que foi iluminada pelos refletores. Nos instantes seguintes escutaram-se as batidas de uma música seguida por várias vozes.

You miss me?

I miss all of y'all

All of you girls standin' together like that, I can't take it

Para minha surpresa, o cantor principal era Marc. Para mim, as chances de ele fazer parte do clube eram remotas. Automaticamente procurei por Vick na multidão que assistia. Localizei-a. Pensei que sua expressão seria de azeda por desagrado, mas, pelo contrário, ela sorria. Estava feliz por ouvir e ver seu namorado cantar. Somente mudou ao observar Camille se destacar como a segunda principal.

Os componentes haviam mudado suas roupas. As fantasias tinham sido substituídas por algo mais casual e confortável para uma simples apresentação, calça jeans lisa azul e camiseta alaranjada.

Marc:

Wait a minute

Women, I can do anything you like

I can do anything you need

And I got a better body

Than the magazines you read

None of them boys know the first thing about your fantasy

And if they tried, they cannot do it just like me

Cami:

I know you certainly been gone

And it's been much too long

And there's some things we need to do

So I know you need to get home

All:

Come get it bae

Come get it bae

Come get it bae

Come get it bae

You wanna ride it, my motorcycle

You've got a license, but you got the right to

Gonna pop a wheelie, don't try too high too

Take it easy on the clutch, cause girl I like you

A voz de Marc era de timbre comum masculino, mas melodiosa, já a de Cami era levemente mais grave do que a feminina comum, o que lhe fornecia um belo diferencial melodioso, bem contrastante com a sua figura delicada.


Marc:

I can see it the way you like

I can do anything you need

I can give you dirty looks

Like them that's on T. V

None of them boys know the first thing about your fantasy

And if they tried, they can not do it just like me

Cami:

I know you certainly been gone

And it's been much too long

And there's some things we need to do

So I know you need to get home

All:

Come get it bae

Come get it bae

Come get it bae

Come get it bae

You wanna ride it, my motorcycle

You've got a license, but you got the right to

Gonna pop a wheelie, don't try too high too

Take it easy on the clutch, ‘cause girl I like you

Quando a canção terminou, pensei que era o fim da apresentação. Estava pronto para aplaudir quando uma nova canção começou, e não fui o único a quase cometer esse erro – todos os novatos estavam com as mãos a caminho das palmas. Aparentemente todos os outros já estavam acostumados, as apresentações deveriam ser frequentes e, o público, fiel.

O coro desta vez era exclusivamente feminino, sem solista.

If you could take my pulse right now

It would feel just like a sledgehammer

If you could feel my heartbeat now

It would hit you like a sledgehammer

I don't admit it, I play it cool

Every minute that I'm with you

I feel the fever and I won't lie, I break a sweat

My body's telling all the secrets

I ain't told you yet

Oh oh, I struggle to contain

The love that's in my veins

And how it circulates

If you could take my pulse right now

It would feel just like a sledgehammer

If you could feel my heartbeat now

It would hit you like a sledgehammer

You've taken over the beat of my body

You just don't let up, don't let up

You've taken over the beat of my body

But you lift me up, lift me up

If you could take my pulse right now

It would feel just like a sledgehammer

If you could feel my heartbeat now

It would hit you like a sledgehammer

So close together, so far apart

You're turning me on

And my body's waiting for your spark

Oh oh, I struggle to contain

The love that's in my veins

And how it circulates

If you could take my pulse right now

It would feel just like a sledgehammer

If you could feel my heartbeat now

It would hit you like a sledgehammer

You've taken over the beat of my body

You just don't let up, don't let up

You've taken over the beat of my body

But you lift me up, lift me up

If you could take my pulse right now

It would feel just like a sledgehammer

If you could feel my heartbeat now

It would hit you like a sledgehammer

Ao término da última estrofe tudo ficou em silêncio. Por instantes pensei que a vaia seria eminente, porém contraditoriamente eles foram ovacionados. Os garotos voltaram ao centro da apresentação e junto com as garotas agradeceram ao público com uma saudação característica, uma leve inclinação da cabeça. Ao fundo observei Vick se aproximar de Marc e o beijar enquanto ela apalpava a sua bunda descaradamente, sendo o foco do olhar feio de Cami, que os observava enquanto corria até a gente.

— Os próximos são vocês. – falou animada com um falso sorriso.

— Parabéns. – eu e Yerik falamos juntos.

— A apresentação foi ótima. – Beth completou.

Maggie se manteve a agraciá-los com um aceno de positivo com a cabeça e um olhar ainda de superioridade.

— Vocês são bem populares. – Yerik comentou.

— Um pouquinho, somos mais respeitados pelos membros que nos integram. Já escolheram a música? – ela perguntou.

— Sim, vai ser ótimo – Maggie respondeu.

— Vocês terão que cantar à capela. – ela anunciou – Como não sabíamos qual musica seria não tínhamos como avisar para salvar a melodia.

— Ótimo, à capela é sempre melhor porque qualquer desafinação é mortal. – Maggie sorriu com o desafio eminente.

O mortal dela ficou ecoando em minha mente. Cantar para uma platéia de repente ficou ainda mais desesperador, não tinha muita confiança na minha extensão e estabilidade vocal. Deveria ter transparecido essa preocupação porque Cami me abraçou.

— Não se preocupe, só pela tentativa já consideramos o esforço. – me deu uma piscadela. – e se cantar metade do que Yerik falou que você canta, não vai precisar se preocupar.

Dei-lhe um fraco sorriso.

— Vamos? – Beth me chamou, eles já estavam caminhando para o centro do ginásio ainda a parte mais iluminada do ambiente pelos refletores.

— Mas já? – perguntei – Não é uma pausa de dez minutos entre as apresentações? – quis sugerir.

— Agora ou nunca. – Camille estava animada, para ela era fácil já deveria estar acostumada a apresentações, além de que a sua já havia acontecido. A invejei um pouco, queria ter um pouco daquele entusiasmo.

— Pegue um banco. – Beth gritou, eles já tinha pegado o deles.

Meu estômago tinha decido fazer sapateado, me causando desconforto. Peguei um banco e acompanhei meus companheiros. Para um melhor equilíbrio harmônico, tive que colocar meu banco ao lado de Yerik, seguindo a ordem de quem assistia à nossa frente era primeiro eu, depois ele, Maggie e Beth, da esquerda para direita. Ficamos alguns instantes em silêncio esperando o público fazer o mesmo. Quando o fizeram, Yerik começou a cantar.

I feel the salty waves come in

I feel them crash against my skin

And I smile as I respire

because I know they'll never win


A sua voz era muito grave e o sotaque lhe proporcionava um timbre único. Beth o seguiu.

There's a haze above my TV

That changes everything I see

And maybe if I continue watching

I'll lose the traits that worry me

Yerik:

Can we fast-forward to go down on me?

Eu seria o próximo a cantar, meu nervosismo estava no ápice, logo depois de um suspiro soltei a voz.

Stop there and let me correct it

I wanna live a life from a new perspective

You come along because I love your face

And I’ll admire your expensive taste

Maggie:

And who cares divine intervention

I wanna be praised from a new perspective

But leaving now would be a good idea

So catch me up on getting out of here

Yerik:

(Can we fast-forward to go dow on me?)

Maggie:

Taking everything for granted

but we still respect the time

We move along with some new passion

knowing everything is fine

Beth:

And I would wait and watch the hours fall

in a hundred separate lines

But I regain repose

and wonder how I ended up inside

Yerik:

Can we fast-forward to go down on me?

Me:

Stop there and let me correct it

I wanna live a life from a new perspective

You come along because I love your face

and I'll admire your expensive taste

Beth:

And who cares divine intervention

I wanna be praised from a new perspective

But leaving now would be a good idea

So catch me up on getting out of here

Catch me up on getting out of here

Maggie:

More to the point, I need to show

How much I can come and go

Other plans fell through

And put a heavy load on you

I know there's no more that need be said

When I'm inching through your bed

Take a look around instead and watch me go

Me:

Stop there and let me correct it

I wanna live a life from a new perspective

Yerik:

You come along because I love your face

and I'll admire your expensive taste

Me e Yerik:

And who cares divine intervention

I wanna be praised from a new perspective

But leaving now would be a good idea

So catch me up on getting out of here

Beth:

It's not fair, just let me perfect it

Don't wanna live a life that was comprehensive

'cause seeing clear would be a bad idea

Now catch me up on getting out of here

All:

So catch me up I'm getting out of here

O último verso eu cantei de olhos fechados, preferi que meus ouvidos me guiassem para a reação da plateia. Como sempre, para torturar o apresentante, existia um curto período de tempo para entendimento do término para plateia. Por estar em terreno sacro, Deus deve nos ter ajudado e a ovação foi igual à da outra apresentação. Suspirei aliviado ainda sem abrir os olhos.

A multidão gritava e assobiava. Somente abri meus olhos quando senti um abraço bem forte me envolver, causando-me surpresa. O seu cheiro era bom, lembrava vagamente rosa, mas não era algo feminino. Ao perceber que se tratava de Yerik, tentei me afastar, mas os outros membros do coro nos envolveram, impedindo-me.

— Bem-vindos – falaram em conjunto ao nos soltarem.

Respirei aliviado. Beth me abraçou por trás, assustando-me ao pensar que seria o outro novamente.

— Assustado? – me perguntou, minha expressão deveria ter entregado.

— Não, por quê? – fiz-me desentendido.

— Sua expressão. – sorriu, seus cabelos cacheados roçavam na minha face.

Sorri em resposta.

Logo levantamos e tiramos as cadeira para o retorno das músicas aos dançantes. No caminho, observei Vick. Estava acompanhada das duas fiéis escudeiras felinas, Mirna e Lucy, e as três me acaravam. O olhar de minha irmã era puro desprezo, nem os deuses pagãos desenvolveriam uma entidade para tal incorporação. As gêmeas tendiam a quererem ficar com a mesma expressão, mas sentia que por dentro era impessoais.

Mesmo sabendo que uma conversa seria inútil, decidi me ariscar e fui falar com ela. Com certeza seria tratado com aspereza.

— Por que vem até mim? – perguntou despreocupada.

— Queria saber o que achou da apresentação.

— Preferia assistir escalpelamento de coelhos na China do que a vê-lo cantar.

— Não pareceu se importar quando o Marc cantou. – falei cabisbaixo.

Ela soltou uma risada forçada.

— Meu amor, – falou pausadamente – o Marc é uma exceção e não se compare a ele, nossas relações são diferentes.

— Por isso mesmo, deveria continuar indiferente também comigo.

— Não... Com você, não.

— Está bem, Vick. Eu estou tentando...

— Diga a Yerik que ele ainda tem chances comigo, o coral para mim também no caso dele é indiferente. Ao contrário do que supôs a ele mais cedo. – sorriu malévola.

— Como sabe?

— Lucy ouviu. – indicou a gêmea vestida de branco.

Lucy me fez uma reverência imitando com as mãos um felino, teria sido sensual se não estivesse irritado. Não tinha a avistado durante toda a conversa com o coro, deveria ficar mais esperto aos “ouvidos” de Vick agora que estávamos em lados antagônicos. Seria difícil, eu sabia que ela tinha muitos ouvidos por sua popularidade.

— Por que flerta com ele, estando com o Marc?

— Não estou oficialmente com o Marc.

Mas transa com ele, pensei.

— Dê o recado você mesma. – falei irado, me afastando.

Escutei a risada das três ao fundo.

Beth, Yerik e Cami estavam acompanhados por algumas pessoas do Coral. Maggie deveria ter saído para se auto agraciar por tanto talento, provavelmente. Aproximei-me deles.

— Não sei porque insiste. – falou Beth.

— O quê? – me fiz desentendido.

Ela me olhou com aquela famosa expressão: “você sabe muito bem do que estou falando”.

— Tá! – me dei por vencido – Eu sei que não iria gostar do ia escutar, mas vocês têm que entender que ela é minha irmã, eu sempre vou tentar se ficar com raiva de mim pra sempre.

— Você é confuso, a minutos atrás estava com um discurso contra ela e agora está atrás dela, não entendo. – comentou Yerik.

Olhei-lhe feio.

— Você não tem que entender nada, porque nada lhe diz respeito.

Ele sorriu. Levei duas chutadas na perna como repreensão de Camille e Beth.

— Au! – deixei escapar.

— Apresentem-se novatos, já que a Camille não faz isso pra gente. – falou um garoto do coro que eu desconhecia. Percebi que era uma tentativa de evitar o prolongamento do desconforto que havia causado.

Cami lhe olhou feio.

— São Blake, Yerik, Beth – apontou para cada um de nós – e a outra era a Maggie.

— A narcisista. – escutei Beth sussurrar, fazendo-me soltar uma risada frouxa.

— E esses são Steve, Peter, Olive e Jesse. – prosseguiu indicando também cada um – Os três primeiros são os nossos formandos destes ano.

— Graças a Deus. – suspirou Peter.

— À St’Agnes. – corrigiu Steve.

— Isso se passarem. – riu e censurou Olive.

— Verdade. – os dois riram.

Steve era alto e levemente encorpado, sua pele parda e as feições étnicas lhe indicavam uma ascendência ou origem latina-hispânica. Os olhos eram de um castanho muito escuro, como café recém-torrado, e os cabelos também acastanhados, só que em tom mais claro que o dos olhos.

Olive e Peter também eram bastante étnicos, ambos continham os traços delicados orientais, os olhos levemente puxados de cor escura, mas não tanto como os de Steve. Peter era mediano e magrelo e, o seu cabelo, negro, curto e espetado. Ao contrário do que se esperaria por ser asiática, Olive possuía cabelos acastanhados tingidos, como perceptível ao observar sua raiz atentamente e ver as nuances das cores, e ondulados.

O outro indivíduo, Jesse, era muito introspectivo. Usava óculos de armação e lentes grossas que protegiam os olhos mais bonitos já vistos, lindos azul-esverdeados. Os cabelos eram escuros e as sobrancelhas espessas.

— Não são realmente os melhores alunos. – riu Cami – se salva apenas Olive.

— Olive não se diverte ou vive. – falou Peter zombeteiro.

— Eu só não sou preguiçosa como vocês. – Olive os encaravas com um misto de irritação e divertimento.

— O que falei dessa vez? – Steve se fazia desentendido.

Percebi que aqueles dois eram o carma implicativo da vida de Olive, ela parecia já acostumada com as implicâncias e não se incomodava com elas, porém hora ou outra soltava alguma repreensão para algum.

— Queria Sam aqui, aguentar vocês dois é osso. – falou Olive após alguns minutos de conversa.

— Quem é Sam? – perguntou Beth.

— Outra componente do coro. Não pode vir, está em viagem e só chega na metade da semana. Vocês vão gostar dela, todo mundo gosta.

— E como gostamos! – falaram Steve e Peter juntos.

A festa seguia-se animada. Os alunos continuavam a dançar, a maioria devidamente à espera de algumas das Irmãs aparecerem subitamente, o que não havia acontecido pelo menos desde a minha chegada. A conversa prosseguiu cordial. Muitas vezes nós, os novatos, sentíamo-nos excluídos pela cumplicidade dos membros mais antigos.

— Camille. – alguém a chamou atrás de mim. Sua voz possuía um sotaque bem sutil e era masculina, levemente aguda.

Cami estava ao meu lado e, ao escutar seu nome, por reflexo olhou para origem do pronunciado. Acompanhei-a com os olhos – era Marc. Ele estava com uma expressão sonsa.

— Pois não? – sua voz possuía certo ressentimento, não imaginava o porquê. Acreditei ser por causa da relação dele com Vick.

— Vem aqui conversar comigo, por favor.

— Eu não tenho nada que conversar com você, Marc. – falou decisiva.

Ele se aproximou e a acariciou no braço. Achei a atitude suspeita. Ele disse:

— Por favor, é rapidinho. – seu olhar tinha súplica, ele sabia usar sua aura infantil ao seu favor. Os olhos pareciam os de uma criança pedinte pequena, aquela que você não consegue dizer não. E foi o que ela não conseguiu fazer.

— Quando você vai parar de me encher?

— Juro que é pela última vez.

Cami ficou pensativa. Marc mordeu o lábio inferior que fazia biquinho.

— Está bem – falou se afastando com ele. Estavam de mãos dadas.

Nesse meio tempo o grupo ainda tinha mantido a conversa e estranharam quando fiz uma pergunta fora do contexto.

— Qual é a relação entre Cami e Marc?

Steve e Peter me olharam risonhos, Olive, desconfiada, e Beth não me olhou. Olhava para o teto e o olhar de Yerik era indecifrável.

— Eles tem um lance. – quem me respondeu foi Olive.

— Como um lance?

— Eles se pegam. – riu Steve.

— E muito. – completou Peter.

— Pensei que namorava a sua irmã. – se intrometeu Yerik.

Fulminei-o com os olhos, mas isso não lhe tirou o sorriso dos lábios e em seguida a localizei também com os olhos. Ela dançava animada com Mirna. Lucy estava no extremo fundo daquela direção, se beijando com um fantasiado de Zorro. Não vi os detalhes pela distância. Vick estava visivelmente mais embriagada.

— A quem se referem? – perguntou Peter.

— Victoire McCarthy. – respondeu Olive – É clara a semelhança entre vocês dois, impossível não associar. – esta última parte falou muito baixo de modo que apenas eu ouvi.

— Ahh! Essa aí é outra tapa também. Ele fica com as duas ao mesmo tempo e as idiotas sabem. Ou se fazem de sonsas, ou são sonsas. – riu Steve.

— Não diga isso da Vick. – o repreendi com aversão.

Sabia que era verdade, nem Vick e nem Cami eram sonsas. Estavam bem longe, elas deveriam ser complacentes àquela situação.

— Por que a está defendendo, novato? Caso não saiba, Vick e Cami são as duas maiores vadias do St’Agnes e brigam pra ver quem leva a rainha nesse quesito. – ele continuou.

— Pelo menos a Cami é uma vadia legal. – completou Peter.

Eles falavam na maioria das vezes sorrindo, seria agradável de conviver com eles se não fosse pelo fato de estarem detonando minha irmã. Comecei a ficar muito irritado, minha respiração se acelerou.

— Steve... – Olive tentava falar, mas sua voz era muito suave para atrair sua atenção.

— Ambas são gostosas, temos que concordar. – Steve.

— Difíceis de se conviver. – Peter.

— Talentosas.

— E fáceis de se pegar.

— A Victoire, nem tanto.

— É verdade, Camille é mais fácil.

— Boatos de que pegou metade do time de futebol americano.

— A outra metade foi da equipe de basquete.

Eles praticamente gargalhavam após dizer cada frase. Eu deveria estar muito vermelho. Por mais que não estivesse na melhor fase com Vick, ela ainda era minha irmã e falavam muito mal dela, praticamente a humilhavam.

— Blake é irmão da Victoire. – falou Yerik interrompendo. Sua voz parecia ter mais sotaque ao falar “Victoire”. Agradeci-lhe mentalmente, porque falar estava fora de questão.

— Vocês estão sendo extremamente grosseiros ao dizer isso na cara dele. – Beth havia retornado do seu estado de elevação para minha surpresa, porque pensava que ela não prestara atenção na conversa.

— Não muda os fatos. – falaram juntos.

No entanto, quando olharam a minha expressão ficaram arrependidos. Foi perceptível o desconforto dos dois.

— Desculpe. – falaram quase inaudíveis.

Não os olhei, apenas me afastei para procurar Vick e dizer sobre Marc e Cami. Eu não conseguia imaginá-la naquela situação. Sempre foi tão controladora e se deixar passar por esse papel não parecia do seu feitio, deveria haver alguma explicação cabível.

Camille havia decaído muito no meu conceito, não parecia mais tão legal e divertida como antes. Sei que ela também poderia estar sendo enganada se esse fosse o caso de Vick, porém teria que escolher um lado e não seria o dela e nem o dele. Marc para mim era indiferente quando o conheci, mas agora era uma das piores escórias da Terra.

— Seu irmão. – me anunciou Mirna de forma desgostosa ao ver-me me aproximando.

Vick estava de costas a mim. Quando virou e me viu transmitiu um olhar de desprezo.

— O que quer? Já não conversamos demais hoje? E não é muito sensato um novato vir conversar comigo sem meu pedido. – nem parar de dançar ela tinha.

— Eu queria falar sobre Marc. – falei com decisão.

— Isso de novo? Já falei que... – ela estava um pouco mole na fala comprovando sua embriaguez.

— Não é sobre isso que venho falar. – a interrompi – É sobre a relação de vocês.

— E o que você tem haver com isso? Uma relação assim só tem o direito de debate os dois envolvidos. – deu um giro proporcionado por Mirna.

— E quando tem mais do que dois nessa relação?

— O que quer dizer com isso? – parou de dançar abruptamente.

— O que eu quero dizer é que Marc está te traindo...

— Não temos nada, sério. Já disse. – voltou a dançar com Mirna.

— ... Com Camille. – completei.

Ela parou de dançar tão subitamente que quase fez sua amiga tropeçar e cair.

— Como é que é? Repete de novo que eu acho que não entendi.

— Lucy, vem aqui! – gritou Mirna.

Esperei a outra gêmea chegar para poder repetir. Esta estava com a boca borrada e as bochechas rosadas.

— Marc puxou e arrastou Camille de canto.

— Aí meu Deus, hoje tem. – previu Mirna. Mais tarde constatei que estava certa.

— Aonde eles estão? – sua fala estava calma, porém sei que explodia por dentro. O tique no cabelo era frenético.

Apontei-lhe a direção seguida por eles e sem cerimônias ela praticamente correu para lá. Optei por acompanhá-la, poderia tentar evitar um estrago maior. As gêmeas vinham também em meu encalço.

— Vai ser muito ruim? – perguntei para elas.

— Pergunta agora se vai ser muito ruim?! Agora que já jogou toda merda no ventilador? – falou Mirna. Lucy ainda estava meio aérea pelos os seus amassos passados. – Agora é aguardar e ver em quem atinge.

— Eu... eu... não quis causar dano – gaguejei – só queria abrir os olhos da minha irmã.

— Falando que a inimiga dela tá ficando com o amor dela.

— Era o certo. Se fosse o caso de vocês, o que fariam?

— Já foi no nosso caso e só contamos depois.

— Quero voltar pra ficar com o Jay. – falou aleatoriamente Lucy.

— Agora não Lu, só depois. Vamos ver uma bomba explodir.

— Vocês enganaram ela?

— Ela já sabe. Todos já sabem e nós nos fazemos de cegos. Ninguém quer ser o responsável pela briga decisiva.

— Que briga decisiva?

— Cami e Vick nunca chegaram a nem se estapear até agora, porém você acabou de entregar um motivo mais do que suficiente para os finalmente. Deveria tomar cuidado com o que fala, não conhece a relação dos daqui.

Senti-me culpado do que viria a acontecer, Vick estava descontrolável e eu era muito covarde para intervir.

Procuramos por todo ginásio, incluindo os vestiários e banheiros, até que uma Lucy libidinosa decidiu ir tomar um ar e Vick aproveitou a ideia de ir procurar pelos terrenos. Para nossa surpresa, eles estavam realmente do lado de fora, ao lado da porta da entrada principal do ginásio.

A visão foi de surpresa geral. Senti meu queixo cair pelo choque. Marc passava a mão pelo corpo de Cami sem pudores enquanto devorava seus lábios. Ela estava apoiada na parede do prédio e ele a prensava ainda mais contra ele.

— MARC! – gritou Vick.

Os dois pararam assustados.

Olhei para minha irmã. Os olhos dela eram um misto de tristeza, raiva e decepção. Não muito agradável de ser observado, causava medo.

— Vick! – ele falou quase que ainda com os lábios grudados nos de Cami.

— CAMILLE! – ela voltou a gritar.

Cami sorriu e chutou Marc para longe.

— Cretino, você falou que não estava mais com ela. – falou calma e um pouco dissimulada.

— Eu não acredito que você fez isso comigo com ela! – Vick apontava para Cami. Ela não chorava, mas seus olhos estavam marejados e, sua face, vermelha.

Marc não respondia a nenhuma das duas, pois estava ajoelhado no chão tentando se recuperar do chute atingido na área sensível masculina.

— CAMILLE, SUA VAGABUNDA! – Vick continuou gritando.

— Eu não sabia de nada, sua vaca. Ou melhor, sua corna! – gritou uma rubra Camille que se divertia.

— Você vai se arrepender. – ameaçou Vick.

— Não fiz nada que você não fez. – continuou sorrindo mostrando e abusando de suas pérolas branquíssimas.

— Não interfiram. – Vick nos avisou.

— Não interfiram no quê? – perguntou Camille.

— Nisso. – foi a deixa.

Com um belo de um impulso, minha irmã desferiu um tapa na face de Cami, que foi pega de surpresa. No que a sua mão foi ela ficou, prendendo no cabelo e o puxando, fazendo a outra se abaixar.

Mirna, Lucy e eu ficamos estáticos.

— Sua putinha, gosta de pegar meus machos. Vamos ver quem vai te querer depois que eu acabar com essa sua carinha de piranha na frente de todo mundo. – com um chute Vick abriu a porta e arrastou uma Camille gritante.

— Puta!

— Vagabunda!

— Corna!

Eram os seus xingamentos.

Assim que entraram, chamaram a atenção da multidão que automaticamente parou de dançar. Nós ainda as acompanhávamos.

Camille conseguiu puxar a mão de minha irmã, derrubando-a. Tinha que reconhecer que ela era forte e minha irmã também estava bêbada. Ao cair do chão, Vick foi recebida pelos chutes de Cami. Em um desses chutes, minha irmã pegou o pé da outra e também a derrubou. As duas, no chão, começaram a se chutarem e arranharem até que Cami ficou em cima de Vick. Dei um impulso para ir acabar com aquele confronto, porém fui impedido pelas gêmeas.

— Me soltem! – gritei.

— Vick não quer interferências.

Elas me seguravam com força. Não que fosse necessário para me impedir.

— Ela está apanhando. – naquele momento, Cami ainda estava em cima dela, lhe dava uma série de tapas. Bem posicionada, impedia a movimentação dos braços de Vick.

— Sua irmã sabe brigar. – dito isso, Vick inverteu as posições. No entanto, não deferiu tapas, mas sim socos – Viu?

Ninguém interferia, o público era sedento pela briga – atiçava ainda mais uma contra outra. O combate deveria ter sido aguardado por muitos.

Após uma série de golpes, Cami consegui pegar a poncheira de cristal vazia que tinha sido derrubada e jogou em minha irmã, quebrando-a na cabeça dela. Desta vez as irmãs não conseguiram me segurar e corri para socorrer Vick. Ela estava completamente zonza. Ela havia caído com impacto e ao oferecer-lhe a mão recebi um tapa nela. Sem perceber a aproximação da outra, acabei recebendo outro tapa pretendido a minha irmã. Meu rosto estalou. Iria revidar, porém braços mais fortes me agarraram, senti um aroma familiar de rosas inundar minhas narinas. Somente raciocinava uma morte longa e sofrida a Camille.

Recuperada, minha irmã pulou na outra e agarrou a outra. Com um grande esforço, jogou-a nas grandes caixas de sons. O ambiente ficou completamente mudo até que se escutaram latidos.

— AS IRMÃS FINALMENTE ACORDARAM! – gritou algum aluno.

A multidão enlouqueceu. Ninguém queria levar os créditos da zona e os prejuízos da briga. Todos corriam para todos os lados, porém principalmente para a saída. Não pude fazer isso porque ainda era segurado.

— Me solte. – desvencilhei-me.

Corri para Vick, ela estava meio atordoada pela briga. Segurei em sua mão e a guiei pela escola até o estacionamento. Sabia como os outros que o melhor era não ficar nos ginásios. O caminho continuou um caos. Somente ao me apoiar no carro de Vick percebi que não tinha um motorista em condições para dirigir.

Os resultados da briga fora um rosto muito inchado e vermelho. Além disso, também estava embriagada.

— Vamos ter que ligar pra Emy. – falei. Ela não me olhava.

— Não vamos, não. – falou fungando. Devia estar chorando, mas como fazia questão de não me encarar não pude averiguar.

— Vamos voltar como para casa?

— Não sei... – ainda não me encarava.

— Ou é ela ou nosso pai.

Não me respondeu. Toquei no seu ombro e ela tentou se livrar do toque com as mãos. Fui mais insistente e consegui virar o seu rosto. Vick chorava muito, as lágrimas caiam incessantes pelo seu rosto. Partiu meu coração vê-la assim. Por impulso, abracei-a fortemente.

— Vai ficar tudo bem. – falei.

Ela não negou o abraço. Retribuiu com mais intensidade, deveria estar doendo pelos hematomas. Ignorou a dor e apoiou a cabeça no meu ombro. Não deveria ter sido fácil, pois era mais baixo. Ficamos assim por alguns minutos até que se desvencilhou.

— Isso não muda nada. – falou limpando as lágrimas persistentes.

— Eu sei. – falei. Senti-me culpado por ter contado sobre aqueles dois e ter causado tudo isso, mas preferira ser honesto com Vick.

— Como vamos voltar? – perguntei.

— Não sei! Você poderia ser mais útil se já tivesse uma noção de direção.

— Eu tenho quinze.

— Tanto faz. – ela falou.

— Então vou ligar para Emy.

— Como se lembrasse como se dirige...

— Se não lembrar, pode contatar o papai. – falei já com o celular em mãos.

— Nem fodendo. – falou pegando o celular de minhas mãos. Distraído, não tive nem reação.

— O que vai fazer? – perguntei.

Minha resposta foi ver o aparelho voando por cima do muro que rodeava a escola.

— Não acredito que você fez isso...

— Fiz.

Eu poderia e devia tê-la censurado. No entanto, as circunstâncias me impediram. Justifiquei que a carga emocional de hoje seria a desculpa para aquilo.

— Me dê o seu. – ordenei estendendo a mão esquerda.

Ela tirou o aparelho dos seios e mostrou a tela preta. Estava sem bateria.

— Ótimo. – sussurrei.

— Use o meu. – novamente o sotaque búlgaro.

— Yerik! – Vick gritou animada, confirmando quem eu achava que era.

— O que faz aqui? – falei ríspido.

— Tentando ajudar. – me respondeu ríspido segurando um celular e o estendendo para mim.

Fez menção de pegar, mas outra mão o pegou e o fez ter o mesmo fim que o meu. Fechei os olhos e só escutei o som do aparelho quebrando no outro lado.

— Me desculpe. – sussurrei.

— Agora eu estou lascado. – falou infeliz.

— Vick decidiu fazer arremesso de celular como novo esporte.

— Percebi. – suspirou.

Vick pegou as chaves do carro também do seio, abriu a porta traseira e se deitou em todo banco de trás, fechando a porta depois.

— Tem alguma carona... – não esperou nem eu completar e negou com a cabeça.

— Como ia fazer para voltar?

— Ia ligar para minha mãe.

— Droga. – suspirei – conhece alguém que dirija?

— A essa altura todo mundo que dirige já foi embora.

Ele estava certo, nesse meio tempo pelo menos uma dúzia de carros já tinham ido embora. Acabaríamos tendo que voltar ao prédio Principal para ligarmos ao nossos pais, nos entregando como os culpados pela zona no processo.

— Eu tenho uma noção. – ele falou.

— Consegue nos levar até em casa? – falou uma Vick que eu pensava estar dormindo – Moramos na parte oeste na cidade, não muito longe daqui.

— Acho que sim, se alguém souber me guiar. – ele olhou para mim.

Concedi que positivo.

— Depois você pode pegar carro e ir para sua casa. – falei.

— Tem um problema: não sei direito como voltar. Esqueceu sou forasteiro?

— Como não sabe?

— Só sei que ela é bem mais ao sul.

A casa dele deveria ser na outra ponta da cidade, o oposto de nossa posição atual. St’Agnes era boa parte do norte.

— Durma em nossa casa. – sugeriu Vick. Repreendi-a com o olhar – O que tem demais? Eu quebrei o celular dele fazendo-o ficar preso aqui, devo isso.

Revirei os olhos. A ideia de um estranho em casa não era muito agradável.

— Olha, eu levo vocês e depois posso tentar voltar para casa. Não quero ser incômodo.

— Não! Pode dormir. – Vick insistia.

— Seu irmão acha melhor não.

Senti um tapa na nuca, minha irmã havia saído do carro.

— Anda logo. – falou.

— Está bem. – falei rabugento.

— Sério? Se você não quiser, eu posso...

— Não, pode sim. Fazer o quê. – o interrompi – Mas saiba que nosso pai é advogado, se você roubar alguma coisa ele vai cuidar pessoalmente para que passe o resto dos seus dias presos.

— Sou estrangeiro, não ladrão. – falou falso ofendido.

— Tome as chaves. – Vick as jogou para ele.

Por reflexo ele as pegou e foi em direção à porta do motorista. Fiz menção de ir para o banco de traz, mas fui literalmente chutado por Vick. Sem opção, me sentei no do passageiro na frente.

No caminho de volta nos perdemos algumas vezes. Eu não era o melhor guia e a cada erro percebido o sorriso daquele búlgaro aumentava. Só não implicava comigo porque ia dormir na minha casa – situação que eu ainda não achava agradável. Vick dormiu no caminho, de modo que para acordá-la para saída do carro ao chegarmos foi difícil. Mal-humorada por acordar, nem olhou em nossas caras e segui na frente sem cerimônias diretamente para o seu quarto.

— Se quiser, ainda posso ir embora. – Yerik falou. Ainda não tínhamos entrado em casa.

— Não, fique. – te devemos.

Levei-o até o andar superior onde ficavam os quartos. O de hóspedes era na frente do meu.

— Por que me segurou naquela hora, na briga? – lhe perguntei no corredor.

— Como constatou ao se livrar, ia apanhar.

Fiquei em silêncio até chegar na frente da porta do quarto.

— Aqui é o quarto, tem roupa de cama e de banho numa cômoda e se precisar de alguma coisa pode me chamar no quarto da frente. – lhe abri a porta.

Abri a do meu e fiz menção de entrar.

“Bleika”...

Olhei-lhe feio.

— Desculpe... – ele riu mostrando aqueles caninos levemente salientes – Blake, eu só queria agradecer.

Yerik me pareceu mais agradável.

— Não por isso. – lhe respondi sorrindo pela primeira vez e entrando no meu quarto.

Notas finais
Papai ama todos vocês. KKKKKKK. Uma review me deixa tão feliz sabia :D. http://ask.fm/BjsInimig Meu ask, qualquer duvida. E isso é tudo pessoal :)