Tempestade

3 Edward - Minha (nada fácil) vida


Notas iniciais
Oiiie! Sim, prometi na quarta... mas foi Natal gente, me dêem um desconto! Por falar nisso, Feliz Natal! Agradeço pelos reviews lindos de vcs e espero que curtam a forma como a história vai ser contada. Como eu disse, é um jeito novo de escrever para mim, mas decidi me arriscar mais neste universo. Então, por favor me ajudem! Uma dica importante: Sempre prestem atenção nos dias em que a narração acontece para não ficarem confusas. Por exemplo, a história começa numa sexta com o POV de Bella, o POV de Edward narra o sábado. Muito raramente eu farei o mesmo dia sob os dois POVs. Sempre vai ser assim, de forma sequencial, porém vou deixar vocês a par do que aconteceu com o outro enquanto estávamos na cabeça do outro. Vocês vão entender melhor no próximo, quando voltarmos para a Bella. Boa leitura!

— Obrigada Dr Cullen, muito obrigada! — A pequena mulher de meia idade me abraça e sussurra entre as lágrimas de alívio. Apesar de quase 10 anos nesta profissão, ainda não sei lidar muito bem com as manifestações espontâneas de agradecimento. Sempre estive mais preparado para as cobranças e acusações, apesar de sempre lutar pelo resultado positivo, o negativo sempre é o nosso ‘pé no chão’.

— Não precisa agradecer, Sra Jones. — Eu digo suavemente afagando suas costas. Estamos em pé no meio do corredor de saída da seção cirúrgica. Acabo de sair de uma cirurgia complicada e longa em um garoto de 17 anos. Filho desta senhora que me abraça.

— Te devo a vida do meu menino! — Ela exclama desfazendo o abraço. — Jamais esquecerei isso! — Ela diz e eu fico encabulado.

— De forma alguma. Toda a equipe se empenhou muito para que tudo fosse resolvido. Ainda temos que esperar, as próximas horas são decisivas. Os ferimentos são graves, e apesar do sucesso cirúrgico, o estado de saúde dele ainda é grave.

— Certo, tudo bem! — Ela diz se acalmando um pouco – Ainda não posso vê-lo, não é?

— Exato. Em 12h, sem nenhuma intercorrência, ele será levado para a enfermaria e lá a senhora poderá acompanhá-lo o tempo todo. — Eu digo e sorrio para ela – Fique tranquila. Vá para casa, tome um banho, coma algo e descanse um pouco. Nós avisaremos qualquer intercorrência. — Eu complemento – Quando ele for transferido vai precisar de você em tempo integral e você deve estar preparada para isso.

A mulher assente ainda insegura de deixar o filho para ir para casa, mas acaba cedendo. Me despeço dela e volto para a Ala Cirúrgica. Leio o resumo da cirurgia e assino tudo. Cansado, confiro o relógio, 4h23. Eu suspiro baixo, foram 9h30 de cirurgia, estou exausto. Resolvo passar para visitar logo os meus pacientes pós-cirúrgicos do dia e ir para casa ao invés de descansar por aqui. Afinal, foi um belo plantão dobrado.

Me encaminho então para as CRPA’s primeiro (CRPA: centro de recuperação pós-anestésica), tem dois pacientes ali, incluindo o filho da Sra Jones. O garoto se envolveu num pega e colidiu com um muro de uma casa. O airbag abriu, mas ele estava sem cinto. Acabou com uma hemorragia interna severa. A sorte é que o socorro não demorou muito, mas quase o perdemos na mesa. Tão jovem e lutando para viver por conta de uma irresponsabilidade. Eu prossigo o meu trabalho.

Um pouco antes das 6h eu termino todas as visitas. Tomo somente uma ducha rápida, deixando o banho para quando chegar em casa. Sigo para o estacionamento cumprimentando alguns colegas que, ou deixam o plantão como eu, ou estão chegando para assumir. O sol está nascendo entre as nuvens densas deste sábado de outono. Mas eu só penso na minha cama. Quem sabe eu consiga um sexo relaxante com Lauren antes de dormir?

Bom, isso vai depender do evento de ontem a noite. Seu humor tem acompanhado muito o seu trabalho ultimamente. E devo ressaltar que isso é bem complicado as vezes. Lauren é publicitária em uma revista de moda e lazer. Com a mudança de estação, seu trabalho de acompanhar as tendências fica muito tenso e estressante, segundo ela. Para não piorar muito as coisas, eu tento ficar longe de seu caminho o máximo possível. Mas ainda assim, acabamos tendo umas discussões pois seu humor fica insuportável às vezes.

Fora isso, ainda tem ‘aquele’ assunto. O assunto que sempre nos leva a uma briga daquelas e a dormir em quartos separados algumas vezes. Filhos. Eu tenho 33 anos, tenho uma carreira sólida, e estamos casados a quase 5 anos. Lauren tem 30 anos e também é muito bem sucedida em sua profissão. Eu não vejo porque não podemos aumentar a nossa família agora. Mas Lauren sempre nega.

Estaciono na minha vaga de sempre na garagem do nosso prédio. Moramos numa cobertura num dos bairros mais nobres de Seattle. O apartamento é luxuoso e maravilhoso, porém com o ritmo de vida e de trabalho que levamos, nem aproveitamos todo este conforto. Mas foi o lugar que Lauren escolheu quando nos casamos e eu aceitei por ela. Eu acreditei que logo teríamos filhos para preencher o imenso espaço que existe nele, porém lá se foram 5 anos e nada.

Lauren sempre me disse ser aberta a ideia de filhos, porém todo ano ela sempre dava uma desculpa e deixávamos para o ano seguinte. A alguns meses, porém, escutei uma conversa de vídeo dela com a irmã falando sobre o assunto. Me decepcionei muito ao ouvir coisas que ela nunca me disse em nossas conversas, como por exemplo o fato dela querer fazer uma especialização fora do país no próximo ano e ter colocado um DIU sem me avisar.

Nem preciso dizer que naquele dia a briga foi terrível. Passei um mês dormindo no meu antigo apartamento de solteiro. Eu não consegui falar com ela por semanas. E mesmo depois que ela me pediu desculpas e nos reconciliamos, sinto que algo se quebrou entre nós. Ao entrar em casa, Nina, a gatinha de minha esposa se esfrega em meu calcanhar.

Subo para o nosso quarto e a observo dormir. Lauren é uma mulher linda, tenho que admitir. Seu corpo é sexy e intenso, com curvas acentuadas e deliciosas. Confesso que foi o que primeiro me atraiu quando nos conhecemos. Ela é amiga de minha cunhada, Rosalie, e nos conhecemos no casamento dela com meu irmão Emmett. Passamos um bom tempo em sexo casual até assumirmos um relacionamento, até porque ambos éramos muito jovens na época.

Eu resolvo tomar aquele banho que preciso e visto somente uma calça de flanela. Quando volto para cama, observo minha esposa mais uma vez. Seu rosto ainda tem leve resquício de maquiagem na noite passada. Seu cabelo loiro, antes comprido e que agora estão curtos acima dos ombros, estão espalhados pelo travesseiro. Ela veste uma camisola fina de seda vermelha e a visão me excita. Fazem o quê, uns 8 dias que não transamos? Eu sinto saudades de seu corpo, mas suspiro. Pelo seu semblante, ela parece cansada. Dou-lhe um selinho e me ajeito para dormir. Ela murmura ainda dormindo e joga os braços sobre o meu peito. Eu a ajeito ali e adormeço.

Acordo lentamente com um barulho de vozes. Me sento na cama, sabendo que já estou sozinho a tempos. Confiro as horas, 12h46. Tomo uma ducha para despertar e apuro os ouvidos para os sons no andar de baixo. Parece que Lauren está recebendo visitas. Me visto de forma apresentável e desço. Na sala de jantar, vejo Lauren e mais 3 mulheres na mesa. Elas estão almoçando. Reconheço todas como amigas de trabalho da revista. Eu as cumprimento e recuso o convite para me juntar a elas. Elas voltam a conversar e eu vou para a cozinha.

Resolvo fazer um sanduiche. O almoço que Lauren pediu hoje é frango xadrez, que eu não curto muito. Sim, Lauren não cozinha. Quem cozinha aqui sou eu, pois eu sou apaixonado por culinária. Eu passava muito tempo com minha mãe na cozinha e tomei gosto pelas panelas. Mas como ainda estou cansado demais para algo mais caprichado, faço um sanduiche frio reforçado com um suco de frutas. Me alimento ali na cozinha mesmo. Subo novamente em busca do meu telefone, pois estou a muito tempo offline.

Mensagens e Emmett e de Rose. Eu suspiro. Antes de abrir, porém, chega uma mensagem de Alice. E é esta que eu abro primeiro. Eu leio com atenção o pedido da minha afilhada. Ignoro as outras mensagens e ligo diretamente para a minha menina.

— Tio Ed! — Ela diz com pouca emoção. Mal sinal.

— Oi minha princesa, como você está? — Eu pergunto suave

— Tio... meus pais estão brigando desde cedo. Eu odeio isso! — Ela me diz com voz chorosa.

— Ei, que tal darmos uma volta? — Eu rebato

— Pode ser... eu queria que eles parassem! — Ela exclama. Pelo telefone eu ouço os gritos de Rose.

— Se arrume, já já eu chego aí! — Eu digo – beijo do dindo!

— Tá bom, beijo da dinda.

Eu encaro o telefone. Olho as mensagens antigas rapidamente. Troco minha roupa por uma mais confortável para o frio que está fazendo e desço. Lauren e as amigas estão na sala conversando sobre algum assunto do trabalho. Eu faço um sinal para Lauren vir até o hall.

— Lauren, você sabe o que aconteceu com Rose e Emmett? — Eu pergunto baixo

— Tô por fora, o que houve? Brigando de novo? — Lauren diz revirando os olhos.

— Parece que dessa vez a coisa está feia, eu vou buscar a Alice. Você ajeita o quarto para ela? — Eu digo e Lauren me encara cética.

— Ah, claro, lá vai o tio Ed resolver tudo. Estou ocupada Edward, não tenho tempo para cuidar de Alice. — Ela diz apontando para sala.

— Lauren, só pedi para você ajeitar o quarto de Alice, que por um acaso também é sua afilhada. — Eu respondo meio ríspido. — Eu vou passear com ela o resto do dia, voltaremos para o jantar.

— Ah que ótimo, sua folga, que era para você estar comigo vai ficar com sua sobrinha? Depois não reclame que eu estou distante. — Ela bufa e cruza os braços.

— Lauren, ela precisa de mim, de nós. E se você realmente quisesse aproveitar o tempo comigo hoje você não estaria rodeada de amigas a essa hora sabendo que eu saí de um plantão de 24h. — Eu digo sério — Estou indo, por favor, não esqueça de ajeitar o quarto. Até mais!

Não espero a resposta, mas escuto um resmungo quando passo pela porta. Minha vontade era voltar e dizer umas coisas para ela, mas penso em Alice e no quanto ela precisa de mim agora. Chego em poucos minutos no apartamento de meu irmão, uma vez que moramos no mesmo bairro. Alice é quem me atende com os olhos cheios de lágrimas.

— Princesa?! — Eu exclamo e ela pula para os meus braços. Me inclino para acomodá-la melhor.

— Papai vai embora! — Ela soluça e chora em meu ombro. — Ele... ele... malas... — ela balbucia chorando.

— Ei, faz um favor pro dindo? — Eu digo olhando e seus olhos. Ela assente – Vai no seu quarto, pega a sua mochila da escola e umas roupas bem legais para sairmos amanhã. Segunda eu vou te levar para a escola e você vai ficar com seu dindo e sua dinda este fim de semana. Que tal?

Ela fica em silêncio. Olha para a escada. E olha para mim novamente.

— Papai e mamãe precisam ficar um pouco sozinhos para conversarem, você não acha? — Ela assente — Então, vamos fazer isso por eles, ta certo? — Ela assente novamente. Alice está mais calada que o normal e isso me preocupa. — Agora faz o que eu te pedi e me espera aqui na sala ta certo? Onde estão seus pais?

— No quarto deles. — Ela diz e vai buscar suas coisas. Eu me encaminho para a zona de guerra.

Quando entro encaro Rose atirando roupas em Emmett que está gritando algo.

— Ok crianças! — Eu digo bem alto para notarem minha presença. Ambos param e me olham. — Estou levando a Alice. Sabem, aquela menininha de 8 anos que é filha de vocês e que está desde cedo presenciando toda esta palhaçada! Pois é, ela me ligou chorando pedindo socorro. — Eu digo encarando um e outro com raiva. — Agora usem este tempo para se resolverem. Não quero mais ter que ver o olhar desesperado que acabei de ver no rosto dela. Eu vou levá-la para escola na segunda. Até mais.

Eu digo e me viro para sair do quarto.

— Obrigada mano! — Emmett diz baixo. Eu não me viro para ele.

— Só resolvam o que tem que ser resolvido. Já deu! — Eu digo e sigo o caminho para a escada onde Alice está me esperando. Eu forço um sorriso no rosto – Vamos dindinha?! — Ela assente e eu a ajudo com sua mochila.

Eu a levo para passear no parque Central da Cidade e aviso aos meus pais o que está acontecendo. Eles nos chamam para jantar e assim finalizamos a noite de sábado na casa de meus pais. Quando chegamos em casa, Lauren não está. Ela havia me mandado uma mensagem dizendo que ia sair com as amigas. Então eu e minha sobrinha acabamos dormindo na sala de tv depois de um bom banho. Eu a levo para a sua cama e lhe dou um beijinho. Depois vou para o meu quarto. Tomo uma dose de uísque e me deixo levar pelo cansaço acumulado.

Notas finais
Gostaram?! Sim, libero o ódio pela Lauren e pelo Riley! Comentem, favoritem, acompanhem e recomendem! OBS.: Devido às festividades de fim de ano e o fato de eu precisar resolver umas coisas em minha vida, este é o último capitulo de 2019. Vou postar na quarta feira, dia 1 de janeiro. Então, tenham todos uma linda chegada de 2020 ;) Beijos no coração ♥