Tempestade
15 Edward - Furacão
Notas iniciais
Em meus 32 aos de vida, confesso que nunca vivi algo assim, tão intenso e profundo, como o que estou vivendo com Bella. Ontem à noite, eu pude enfim entender o quão cego eu estava para a vida. Olhar Lauren e Bella no mesmo ambiente, me fez perceber que eu estava sobrevivendo de migalhas de vida este tempo todo. Bella, sim, faz eu me sentir vivo. Na verdade, ela me faz viver de verdade.
Eu olho seu rosto angelical entregue ao sono. Ela é tão linda! Eu aliso sua bochecha levemente e me vem uma preocupação. Ela ainda está pálida e um pouco fria. Será que está ficando com alguma virose? Maldita hora em que dei a ideia de comermos naquela churrascaria.
Eu encaro o relógio e os fracos raios solares entre as nuvens densas dessa segunda feira. Vai chover bastante, com toda certeza. Eu me levanto com cuidado e tomo uma ducha morda. Logo Bella vai acordar, então resolvo adiantar o nosso café. Enquanto me visto, porém percebo que Bella não parece nem um pouco disposta a acordar em breve sendo que seu alarme já soou. Resolvo acordá-la.
— Vamos dorminhoca, levanta! — Eu digo beijando-lhe o pescoço. Ela resmunga e se remexe. Pisca os olhos algumas vezes até abri-los completamente.
De repente, ela fica ainda mais pálida, põe a mão na boca e corre para o banheiro. Eu a ajudo mais uma vez enquanto ela se desfaz em vômito. Ela não está nada bem, não é possível que ela esteja tão mal e eu não esteja sentindo nada se comemos praticamente as mesmas coisas. Eu a encaro sério quando ela termina de lavar a boca.
— Bella, está tudo bem? — Eu pergunto enfático e ela hesita. Ela sabe que tem algo errado e terá que admitir.
— Não sei, Edward. Eu acho que vou precisar ir ao médico mesmo. — Ela diz se rendendo sincera. Eu fico aliviado de, pelo menos, ela reconhecer que não está bem.
— Que bom que deu o braço a torcer. — Digo – Vamos tomar café e você vem comigo para o hospital. — Completo meio autoritário e ela nem se opõe. É, ela não está bem mesmo.
Enquanto ela toma banho, eu arrumo a cama e termino o café. Quando retorno para o quarto, ela já está vestida e arrumada. Ela sorri para mim e pega seu celular. Eu pego um sueter mais quente e o visto enquanto ela procura algo em sua bolsinha. Um remédio. Do nada, ela empalidece outra vez.
Logo estou ao seu lado.
— O que houve, Bella? — Preocupado, eu pergunto. Ela se vira para mim, mas não me encara. A cartela em suas mãos é de um anticoncepcional.
— Eu estou grávida, Edward. — Ela sentencia e nós nos encaramos.
Silêncio total.
Eu encaro a cartela em suas mãos, que está diversas vezes com falhas, o que significa que não foi tomada da forma correta.
Eu respiro fundo. Ainda estamos nos encarando. O olhar de Bella enche de lágrimas e eu seguro suas mãos automaticamente. Ela as retira.
— Ei, está tudo bem! — Eu lhe digo e pego suas mãos novamente. Ela me fuzila com os olhos.
— Bem? Eu estou grávida, Edward! — Ela explode e suspira. Uma lágrima cai. — Isso é...
— Vai ficar tudo bem, Bella. — Eu digo e olho no fundo de seus olhos. — Eu prometo! — Eu a abraço e beijo sua testa. — Vamos para o hospital. Vamos examinar você e saber exatamente o que está acontecendo.
— Edward... eu não... — Ela começa a dizer envergonhada e confusa. Mais lágrimas.
— Shiii... Bella. — Eu coloco meu indicador sobre os seus lábios. — Vamos primeiro cuidar de você e depois pensamos no resto. Você está pronta? — Digo cortando o assunto. Ela assente. — Ótimo, então vamos comer e ir logo para o hospital.
E assim foi. Bella passou quase o tempo todo calada. A preocupação era visível nela e eu tentava lhe dar o apoio e suporte necessário. Porém, a dúvida também me corroía.
Ela está mesmo grávida?
Se sim, é meu ou de Riley?
Eu lutava para não pensar nisso.
E rezava para que seja meu.
Assim que chegamos ao hospital, eu a levo para minha sala.
— Bom dia, Dr Cullen! — Anne me diz com seu sorriso simpático habitual.
— Bom dia, Anne. — Eu respondo – Esta é Isabella Swan, uma amiga que vai precisar passar por uma consulta comigo agora. — Ane assente e Bella dá um sorriso fraco. — Meu primeiro paciente ainda não chegou, suponho. — Pergunto ao ver a sala de espera vazia.
— Sim, doutor. Ainda está cedo. — Ela responde prontamente.
— Certo. Vou te mandar uma série de exames para solicitar ao laboratório após examiná-la. Você pode pedir para virem coleta aqui, por favor? — A moça assente. — Ótimo. Quando o paciente chegar, peça que aguarde, por favor. Obrigado!
Anne assente mais uma vez e eu levo Bella para dentro da sala. Eu a deito na maca e lhe faço algumas perguntas. Após o exame físico e ausculta, peço que ela se sente na cadeira.
— Edward...? — Ela me chama enquanto estou digitando os exames para Anne. Eu os envio e olho para ela.
— Diga Bella.
— Eu.... — Ela respira fundo – estou com medo.
— Vai ficar tudo bem, Bella! — Digo, apertando de leve a sua mão sobre a mesa. — Eu te amo.
— Eu também te amo.
Logo Anne nos pede licença.
— Doutor, o técnico do laboratório está aqui fora e o seu paciente também já chegou. — Ela diz da porta.
— Certo. Peça para que ele entre e acompanhe a Bella para a sala ao lado onde ele pode fazer a coleta. — Eu digo para Anne e depois me viro para Bella. — Fique lá descansando um pouco, logo me junto a você.
E assim foi. Por sorte eu só tinha 3 pacientes marcados e um deles cancelou. Logo eu estava ao lado de Bella, que acabou adormecendo na cama hospitalar. Deixei-a dormir e me permitir, enfim, pensar sobre sua gravidez. O resultado ainda não chegou, mas eu já tenho certeza.
Anne aparece agum tempo depois, quando Bela está despertando, com os resultados. Eu agradeço e ela se retira. Eu e Bella nos encaramos. Eu abro o envelope.
— Bom... — Eu digo olhando o hemograma e outros exames gerais. — Uma leve anemia aqui, mocinha, mais nada grave. Colesterol e proteínas estão bons... — Eu vou falando a medida que avanço nas páginas. Quando chego na contagem de HCG, eu encaro Bella.
— Eu saiba! — Ela sentencia. Respira fundo e pergunta. — Quanto tempo?
— 6 a 7 semanas. Um mês e meio. A ultrassom vai confirmar. — Eu digo meio nocauteado. Sei que Bella está fazendo as contas assim como eu.
O que me angustia é que não consigo ver como posso ter engravidado a Bella. Só transamos sem proteção a menos de duas semanas, o tempo não bate. Porém, faz um mês e meio que transamos pela primeira vez. O dia em que a resgatei quando Riley lhe agrediu. Mas naquele dia, usamos camisinha, exatamente porque Bella tinha suspendido a pílula.... a menos que....
Eu ofego e encaro Bella.
— Meu amor, eu sei que é constrangedor, mas eu preciso perguntar. — Eu me aproximando dela. Bella nem pisca de tanto choque. Não deve estar sendo fácil para ela. — Naquele dia em que te busquei no parque. Você e Riley.... bom, você disse que ele tinha tentado a força... mas nunca disse se ele
— Não, Edward! Eu juro que não houve nada aquele dia. Na verdade, naquela semana inteira, por isso ele tava tão bravo comigo. — Bella diz exasperada.
Não faz sentido. Eu franzo o cenho.
— Bella, antes da nossa primeira vez, quando foi a ultima vez que esteve com ele? — Eu pergunto baixo e Bella cora inteiramente. Ela desvia o olhar.
— Uma semana antes. Exatamente. Foi o último dia que tomei a pílula antes de parar. — Bella diz fechando os olhos para se recordar.
— E depois? — Pergunto ansioso, pois esta resposta vai dar o rumo de tudo.
— Uns 15 dias depois... eu estava mal por tê-lo traído e tal... — Bella diz e meu sorriso se alarga.
É isso!
— Por que você está sorrindo assim? — Ela pergunta confusa. Eu pego sua mão e a beijo com carinho. Eu afago sua bochecha.
— Porque eu sou o pai dessa criança! — Digo e ela arregala os olhos – Ela foi feita na nossa primeira vez juntos.
— Como é possível? — Ela questiona fraca.
— Acho que eu sei a resposta... — Eu digo me lembrando de algo – Vem, vou te levar para casa. Lá eu te conto. Você precisa descansar.
Outra viagem silenciosa, porém com menos tensão. Na verdade, Bella adormeceu o caminho inteiro. Sono de grávida!
Quando chegamos ao apartamento, eu a levo para o quarto e a ajudo a trocar a roupa por um moletom. Uma fina chuva já começa a cair em Seattle e o frio está intenso. Quando Bella se acomoda na cama, eu abro a gaveta da mesinha de cabeceira e procuro algo.
— Bella, na nossa primeira vez, nós usamos uma das camisinhas deste pacote. — Eu pego o saquinho que geralmente contém 3 preservativos. — Só havia dois naquela noite, pois um foi usado quando ele foi aberto... — Eu digo. Bella me olha esperando que eu complete o raciocínio. — Eu o abri usando ainda namorava Lauren, Bella. Isso em mais de 5 anos. Está vencida!
Bela confere comigo a data de validade. De fato, quase 2 anos de vencimento.
Bella me olha chocada.
— Céus! — Ela exclama. — Como você chegou nisso?
— A janela de tempo que você ficou sem ter relações com Riley é muito grande. Só tem como eu ser o pai dessa criança Bella, então fui tentar entender como te engravidei mesmo usando camisinha... repassei toda aquela noite mentalmente e deduzi isso.
— Uau! — Ela expira e me olha profundamente — Então... eu estou gravida de você?!
— Sim, você está me fazendo o homem mais feliz do mundo neste instante. — Eu digo e a beijo docemente. Ambos sorrimos. — Que bom ver você sorrir enfim! — Digo aliviado.
— Me desculpe por isso. Eu fiquei feliz por estar grávida desde o começo, mas eu estava uma pilha pensado que se fosse do Riley... eu talvez fosse ter que voltar com ele e
— Ei! — Eu digo erguendo o seu queixo para nos olharmos. — Por que você estava pensando essas coisas?
— Bom, não ia ter como continuarmos depois disso. — Ela diz envergonhada. Eu fico completamente irritado.
— Bella, coloque de uma vez na sua cabeça que eu não pretendo mais sair de seu lado enquanto eu viver. Como pode pensar que eu a rejeitaria por ter um filho com seu ex-marido? — Eu digo e Bella cora de vergonha – Eu te pedi em casamento faz 24h, Bella. Não ia desistir de você por isso.
— Me desculpe, Edward! Eu sei... é que... ah, não sei. Foi um furacão dentro de mim – Ela desata a falar e se embola com as lágrimas que caem descontroladamente. — Mas eu não devia ter duvidado de seu amor... agora você ta bravo comigo, oh meu Deus! — Ela soluça e eu a abraço com carinho.
— Ei, calma! Já passou. — Eu digo fazendo-lhe um cafuné. — Não estou bravo com você. Você agora é mulher da minha vida e mãe do meu filho, como vou fica bravo com você?
— Eu não te mereço! — Ela exclama e soluça mais uma vez
— Nunca mais repita isso! — Eu digo olhando em seus olhos – Ainda que eu te trouxesse o sol, a lua e as estrelas, ainda não seria digno de você, Bella. Você é incrível! E está me dando tudo o que eu sempre desejei. Amor verdadeiro e uma família — Eu digo pousando minha mão em seu ventre liso. — Sou eu quem não te mereço, mas vou lutar todos os dias para ser o melhor para você, Bella, eu juro!
E assim eu cessei a primeira crise emotiva da gravidez de Bella com um beijo avassalador.
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