Tempestade
12 Bella - Decisão
Notas iniciais
Uma adolescente.
É assim que eu me sinto.
Uma adolescente apaixonada.
Desde o dia do reencontro, a uma semana atrás, eu tenho revivido as sensações intensas e viscerais de uma paixão à flor da pele. Porém, agora, pela experiência, elas vêm recheadas de sentimentos novos, assustadores e indescritíveis. Na segunda feira, quando nos encontramos rapidamente, eu percebi que tudo isso entre nós é muito mais do que pensamos. Não é só carência ou tesão. Não tem como ser só isso. Meu coração doeu em ter que deixá-lo naquele dia. Me lembro bem de como eu me senti depois de transarmos duas vezes seguidas no fim da tarde.
Flashback – Cena do prólogo
E aqui estou eu, numa cama totalmente diferente, mas que não tenho receio de chamar de minha. Assim como não tenho receio de chamar de meu o homem maravilhoso e gostoso adormecido ao meu lado. Porém ele não é meu, e nem eu sou sua.
Somos casados, porém com outras pessoas. Um homem e uma mulher que neste momento nem suspeitam do que estamos vivendo juntos. Até mesmo porque já não estão num grau de preocupação tão grande.
Eu aliso seu rosto e ele sorri em seu sono. Seus fios rebeldes e castanhos claros caem em sua testa fazendo seus 33 anos se tornarem 17. É assim que eu me sinto, mesmo no auge dos meus 27 anos, me sinto uma adolescente. Com ele, tudo é tão novo como era naquele tempo.
Eu volto a me aconchegar em seus braços e aproveito do seu calor mais um pouco. Logo teremos que nos separar e terminaremos a noite em outras camas e com outras pessoas. Mas uma coisa é certa. Apesar de nossos corpos irem para esses lugares, a nossa alma, o que realmente somos, vai ficar aqui, esperando o dia do nosso próximo encontro.
O que nós temos é uma verdadeira Tempestade!
Fim do Flashback
A água morna do chuveiro beta em minha pele prologando a sensação gostosa dos momentos anteriores. Eu e Edward fizemos amor no tapete da sala. E foi incrível! Estar com ele preenche um espaço dentro de mim que eu nem sabia que existia. Ele falou em paixão, mas eu sei que é algo mais. Eu já fui apaixonada antes, e nada do que eu vivi chegou aos pés do que temos aqui.
Eu o amo.
Edward massageia o meu corpo aquecido pela água e pela paixão entre nós. Nos olhos estão presos um no outro e em nossos lábios um sorriso faz morada. É uma conexão simples e inexplicável. Eu fico pensando, como foi que eu vivi até hoje sem ele, sem tudo isso que temos?
Eu coro levemente ao lembrar que eu quase disse que o amo. Ali, deitados no chão, depois da melhor transa do mundo, parecia ser o certo dizer. Mas algo me impediu. O medo.
E se ele não estiver sentindo o mesmo? Se for só uma forte atração para ele, aquela fase em que o homem está acomodado e precisa se reinventar, e por isso se envolve com outra mulher? Será que eu vou suportar saber?
Ele disse que está apaixonado, não é? Isso quer dizer que não é só sexo, certo?
— Dou meu salário inteiro para saber no que tanto você pensa. — Edward diz enquanto suas mãos passam o sabonete pelos meus braços ombros e seios suavemente. Eu sorrio envergonhada e mordo o lábio.
— Tudo fica perfeito aqui. Com você. Eu só não queria encarar a realidade sabe. — Ele ensaboa a minha barriga e desce até a minha intimidade acariciando-a – Hum... — Ele sorri de lado – Eu queria que esta fosse a verdadeira realidade.
— Acredite, te entendo perfeitamente. — Ele diz e me beija profundamente, nos colocando em baixo da água.
Nos terminamos o banho e nos vestimos com o pijama dele. Eu com a camisa e ele com a calça. Nós vamos para a sala e arrumamos tudo que deixamos pelo chão. Estávamos num silêncio confortável e o som estava ligado, tocando um jazz suave. Depois de limparmos tudo, nós nos deitamos no sofá espaçoso, eu estou de barriga para cima e Edward está de lado apoiado no braço.
— Edward... não entenda isso como algum tipo de cobrança... mas o que devemos esperar de tudo isso? — Eu pergunto encarado seus olhos verdes. Ele sorri de leve.
— Bella... eu não sei bem. Acho que a pergunta não é essa. — Ele diz afagando o meu rosto. — Acho que devemos nos perguntar o que faremos com tudo isso.
— Como assim? — Eu pergunto meio confusa.
— Eu decidi que vou pedir o divórcio, Bella. — Ele diz num fôlego só e eu o encaro assustado. —
— Edward... eu estive pensando muito nisso na última semana. Eu odeio está fazendo isso com Riley, apesar de tudo. — eu digo sincera. — Mas você está decidido... por minha culpa?
— Não é por sua culpa. Mas por sua causa.
— Oh meu Deus! Eu...
— Calma Bella. — Ele diz sereno enquanto eu sou uma completa confusão de sentimentos. — Eu me sinto horrível por estar traindo minha esposa. Apesar do meu casamento já está acabado a tempos, Lauren merece meu respeito. Eu preciso ser honesto comigo mesmo. Eu não a amo mais, se amasse não estaria aqui com você. E se não a amo não existe razão para continuar com ela.
— Mas você não acha que tudo isso que sentimos é só uma fase não? — Eu pergunto, querendo esclarecer este ponto. É importante para mim.
— Para mim isso não é uma fase. — Ele diz intenso – Eu te amo Bella. — Eu o fito surpresa. E feliz.
— Eu tinha medo de não ouvir isso. — Eu digo emocionada – Eu também te amo Edward – Ele sorri de lado com os olhos verde brilhando feito estrelas. Nós nos beijamos.
— Sabe, Bella. Eu vou me separar da Lauren, mas não é só por te amar. — Ele começa. — Hoje eu vejo que eu me casei pelos motivos errados. Eu nunca senti pela Lauren metade do que eu sinto por você, mas eu também nunca me senti tão vivo com ninguém. Com ela as vezes eu me sentia apagado, menos eu. Com você eu posso ser quem sou. Eu acho que eu casei porque eu queria ter o que o meu irmão tinha sabe, uma família.
— Sim, Edward, eu te entendo. — Eu digo alisando sua barba rala. — Quando Riley me pediu em casamento eu achei que tudo estava em seu lugar. Eu tinha uma profissão, tinha um bom trabalho, me casaria e teria uma família. Era o meu conceito de perfeição. — Eu suspiro – Queria ter a vida diferente da de minha mãe sabe. — Eu o olho. Pedirei o divórcio ao Riley. Hoje eu sei que ele não me ama. Ele nunca respeitou minhas vontades, meus sonhos. Eu não quero mais essa vida. — Ele me dá um sorriso iluminado.
— Eu te amo, Bella!
— Eu te amo Edward!
Nós nos beijamos intensamente e logo Edward está sobre mim. Com uma velocidade impressionante, eu já estou nua sob seu corpo. Edward visita cada centímetro de minha pele com sua boca, numa veneração perfeita.
— Bella, eu demorei tanto para te encontrar, que agora eu não quero te deixar jamais. — Ele sussurra enquanto desce sua boca pelo meu corpo. Eu me contorço inteira.
— Então não deixe! — Eu suspiro – Oh Edward!
— Não deixarei, eu juro!
Ele explora toda a minha intimidade arrancando gritos de minha garganta. Sem pudor algum eu rebolo em sua direção até alcançar aquele prazer que somente ele sabe me dar. Enquanto me recupero um pouco, Edward vem subindo beijos até a minha boca. Eu gemo ao sentir o meu gosto em sua língua. Ele me penetra lentamente, aproveitando toda a lubrificação do meu orgasmo recente.
— Eu te amo Bella, nunca esqueça. — Ele diz intenso, metendo lentamente em mim.
— Não vou esquecer. Eu te amo Edward. — Eu devolvo apertando seus ombros.
Nós não duramos muito. A nossa conexão é tão intensa que tudo aumenta o nosso prazer. Nosso olhar um no outro, nosso beijo, nossos toques. Em pouco minutos, Edward se desfaz dentro de mim e eu o acolho em êxtase. É incrivelmente perfeito.
Edward nos vira, me colocando sobre seu corpo e eu adormeço ali, ouvindo o seu coração acelerado diminuir o ritmo aos poucos. Ele vai alisando meu cabelo enquanto eu faço pequenos círculos em seu peito. Ali eu tenho um momento de epifania. É assim que eu quero passar o resto da minha vida. Nos braços dele, ouvindo seu coração bater.
Quando amanhece, eu estou sozinha na cama. Eu rolo ficando de barriga para cima e me sento. Onde está Edward? Como que lendo meus pensamentos, ele surge magnífico na porta com uma bandeja recheada nas mãos. Eu sorrio instantaneamente.
— Bom dia meu amor! — Ele diz se aproximando.
— Bom dia! — Eu respondo enquanto ele deposita a bandeja ao meu lado. Ele me dá um pequeno selinho. — Hum, deixa só eu usar o banheiro. — Eu digo e vou rapidamente usar o banheiro e escovar os dentes, ainda bem que eu já tinha colocado a minha necessaire aqui ontem.
Nós tomamos café ali, conversando sobre diversas coisas.
— Hum, então quer dizer que você assistiu o parto de Alice. — Eu digo.
— Sim, Emmett não ia conseguir ficar de pé. — Ele diz e nós rimos – Foi um momento mágico.
— Imagino que deve ser mesmo! — Eu digo dando o último gole no eu café.
— Eu fiquei parecendo um bobo e era só a minha sobrinha, imagine quando for meu filho? — Ele exclama com um sorriso e eu fico pensando em como Edward vai ser um pai incrível. — Eu fantasiava isso sempre, mas a Lauren era irredutível. Nunca quis de verdade.
— É tenso mesmo, eu bem sei. Tive várias brigas com Riley por isso. Na minha loucura de tentar convencê-lo, eu parei de tomar pílula. Foi bem quando ele me agrediu daquela vez. Mas depois daquilo eu decidi voltar. Sei lá, desisti. Aí a gente parou de transar e ...
— Pensa que foi bom. Vai ser mais fácil agora, o processo, sem uma criança no meio disso. — Ele diz carinhoso. — Eu tô pensando nisso.
— Você está certo.
Ele me beija e eu retribuo. Ele vem se inclinando por cima de mim. Nem preciso dizer como tudo acabou né?
— Odeio ter que te deixar. — Ele suspira. Um tempo depois de fazermos amor, ele se recorda que precisa ir para casa. — Mas eu preciso ir, tem esse jantar hoje para a família e eu preciso conversar com a Lauren logo.
— Eu entendo meu amor. Vá tranquilo. Eu vou para casa, tenho que elaborar umas atividades para essa semana. — eu digo e lhe dou um selinho.
— Poderíamos nos ver amanhã? — Ele pergunta sorrindo. Só trabalho as 19h. — Eu sorrio.
— Então almoçamos e passamos a tarde juntos. — Eu digo para ele. Ele assente.
— Perfeito.
Nós nos arrumamos e descemos juntos. Ele sai primeiro e eu saio em seguida. Eu chego em casa ainda boba. Boba e apaixonada. Eu entro no apartamento tranquila e vou para o escritório para colocar meu material. Peço um almoço pelo delivery e passo a tarde ali resolvendo coisas da escola. Eu vou até o quarto usar o banheiro e quando volto para o escritório, eu tomo um susto ao ver Riley ali sentado digitando no computador dele.
— Olha só quem apareceu! — Ele exclama e me olha. Seu olhar está furioso e isso me alerta.
— Riley... o que faz aqui? — Eu pergunto ainda surpresa.
— Eu moro aqui, Bella – Ele diz sarcástico — Eu tive que voltar da viagem ontem a noite, Alec fraturou o pé e saiu hoje de manhã do hospital. Eu fiquei lá até agora. — Eu arregalo os olhos diante de sua explicação. — Mas você saberia disso se visse alguma das mensagens que mandei ou atendesse minhas ligações. Ou dormisse em casa para começar. — Ele grita a última frase e se levanta. — Onde você estava, Bella?
Ele anda e fica a cerca de um metro de distância. Eu engulo seco.
— Fui beber com algumas amigas e acabei dormindo na casa de uma delas. Não quis pegar um taxi. — a mentira soa ruim até para mim. — E acho que meu celular descarregou. — Na verdade eu havia colocado no silencioso e não pego nele desde ontem.
— Tem certeza? — Ele pergunta. — Liguei para Angela e Leah e você não estava com elas.
— Foram ex colegas da faculdade, você não conhece. — Eu rebato – Desculpa não estar aqui quando você precisou de mim. Como Alec está?
— Não é como se você realmente fosse fazer algo útil, ne? — Ele solta – Meu filho e forte, está bem. Ficara no gesso por 15 dias.
Eu sinto meus olhos arderem pelo que ele diz de mim. Eu devia esperar um outro momento para falar, mas eu não me controlo.
— Riley, precisamos conversar. — Eu respiro fundo – Eu quero me divorciar.
Ele me encara surpreso e furioso.
— Como é?
— Você me ouviu, eu não posso mais viver com você. Eu não quero mais viver com você. Eu quero o divórcio.
— Você está de brincadeira, não é? — Ele pergunta devagar.
— Não, Riley. Eu nunca brincaria com isso. — Eu digo decidida e ele avança até mim e me dá um tapa violento. Meu corpo de inclina para o lado com a força da agressão e eu sinto todo o meu lado esquerdo do rosto arder.
— Bella... — Ele diz chocado com a própria atitude e dá um passo na minha direção. Eu recuo horrorizada.
— Não se aproxime de mim. Você é um monstro! — Eu digo e saiu correndo para o quarto. As lágrimas começam a cair em cascata de meus olhos. Ele começa a bater na porta pedindo para eu abrir. — Vai embora, me deixe em paz! — Eu grito e depois de um tempo ele para. Me deito na cama e choro muito. Penso em ligar para Edward, mas acho melhor me recompor primeiro. Fico ali por cerca de 20 minutos e percebo que tudo está silencioso no apartamento. Será que Riley saiu?
Eu penso em abrir a porta, mas e se ele estiver fingindo para me bater novamente? Eu resolvo ligar para o porteiro do prédio. Ele diz que Riley saiu sim, e de carro, tem uns 10 minutos. Eu respiro fundo. O que eu vou fazer? Pego o meu celular e ligo para o meu porto seguro. Porém Edward não me atende. Eu pego uma pequena mala e arrumo uma boa quantidade de roupas.
Depois eu destranco o quarto, vou para o escritório e pego boa parte do meu material de trabalho. Arrumo tudo numa pasta executiva. Eu troco de roupa e coloco um jeans, sapatilha e uma camisa simples. Ao me olhar no espelho, eu vejo o desenho perfeito da mão de Riley no meu rosto. Está muito vermelho e inchado. Eu pego meu óculos escuros e coloco toda a minha franja para o lado machucado, deixando o cabelo solto.
Eu dirijo para o apartamento de Edward. O porteiro me cumprimenta e se dispõe para me ajudar a levar as duas malas que eu trouxe. Ao subir, eu deixo tudo próximo a porta e me jogo no sofá. Naquele sofá, em menos de 24h, eu era a mais feliz das mulheres. Agora estou destruída. Eu fico um tempo olhando para o nada e pensando no que fazer, quando a porta se abre e Edward surge ali. Seu olhar e um misto de preocupação, raiva e amor.
— Bella, o que ele fez? — Ele diz e se aproxima. Eu me levanto e só então percebo que estou chorando novamente. — Merda, olha só o seu rosto!
— Ele me bateu quando pedi o divórcio. — Ele me olha nos olhos e me estende a mão — Eu quero denunciá-lo, Edward. — Edward assente e me abraça.
E então eu volto a respirar novamente a ouvir o seu coração.
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