Tempestade
13 Edward - Decisão
Notas iniciais
A chegar em casa pela manhã, logo constato que Lauren não está. O apartamento é puro silêncio.
Eu deixo minhas coisas no quarto e troco a minha roupa por uma calça de flanela e uma camiseta. Aspiro a minha roupa anterior sentindo o cheiro delicado de Bella ali.
Porra, como eu a amo!
Eu vou até a cozinha pegar um copo com água e percebo o recado de Lauren na geladeira. Ela saiu com as amigas para fazer compras e pede desculpas que não vem para o almoço. Como se eu não tivesse acostumado a passar as minhas folgas sozinho. Merda, podia ter ficado com a Bella se eu soubesse que ela nem sentiria a minha falta. Eu suspiro.
Está decidido. Assim que ela chegar em casa eu direi que estou pedindo o divórcio. Eu resolvo arrumar algumas coisas minhas então para levar ao apartamento, pois não dormirei nem mais um dia neste casamento sem futuro. Eu arrumo uma pequena mala, pois ainda tenho bastante coisa lá no apartamento. Junto também alguns materiais que preciso para meu trabalho, alguns livros e outras coisas. Eu coloco tudo no carro e volto para cima.
O silêncio me oprime e eu penso em ligar para Bella, mas depois eu lembro que ela havia dito que passaria a tarde elaborando as atividades da semana. É melhor esperar a noite chegar para falar com ela. Eu peço comida e almoço sozinho na varanda. Pela última vez.
Meu celular toca e eu corro para atender achando ser Bella, mas é Rose. Ela me pergunta se eu posso ficar com Alice esta tarde, enquanto ela se arruma para o jantar de logo mais. Minha mãe irá receber um prêmio importante no mundo da arquitetura e pediu que todos estivessem lá, até mesmo sua ex-nora. Mal sabe ela que agora ela terá duas ex-noras. Isso me faz pensar, será que minha mãe aprovará minha decisão?
Eu termino meu almoço e troco de roupa para ir buscar Alice.
— Dindo! — Ele exclama ao abrir a porta para mim. — Que bom que veio! — Ela me abraça.
— Sempre que puder princesa! — Eu digo dando um beijo em sua testa. — Está pronta?
— Sim, estou. Vou só pegar meu casaco. — Ela diz e dispara para seu quarto. Rose vem até a minha porta.
— Obrigada Edward! — Ela diz feliz.
Eu e Rose sempre fomos muito amigos desde que nos conhecemos. Nos últimos tempos, com a separação, eu estive ao seu lado vendo uma grande tristeza se apoderar dela. Mesmo quando ele saiu com Jasper, um colega de trabalho dela, eu não a vi sorrir o sorriso que ela tem agora. Algo aconteceu.
— Pode me falar! — Eu digo com um sorriso decidido e ela cora. Rose corando? Eita!
— Por que não consigo esconder nada de você? — Ela revira os olhos – Eu... — Ela começa e depois abaixa a voz. — Emmett me pediu uma nova chance. Pediu perdão, terminou com a vadia, reconheceu seus erros.
— E você aceitou? — Eu digo surpreso. Rose não costuma ser muito condescendente.
— Eu o amo, Edward, com toda a minha alma. Mas eu disse que não. — Ela diz com um sorriso triunfante. — Preciso saber que Emmett me ama da mesma forma. Não aceito um décimo a menos.
— É claro que não! — Eu digo sorrindo torto mostrando o meu apoio. — E eu realmente espero que pelo menos vocês fiquei juntos. — Eu digo expondo meu ponto. Ela me encara por dois segundos.
— Eu sabia que este dia iria chegar. Sempre achei que vocês não durariam para sempre. — Ela diz e suspira. Ela afaga meu ombro. — Estou aqui para o que precisar. — Eu assinto contente de ter o apoio de minha amiga. Neste momento, Alice aparece com seu casaco.
— Desculpe, tava difícil combinar a bolsa, o sapato e o casaco. Mas consegui, vamos! — Ela diz e dá um beijo na mãe. Eu reviro os olhos e Rose estreita os seus para mim.
— Ela tinha que ser sua filha mesmo. — Eu digo me encaminhando para o carro onde Alice já me espera.
Eu levo Alice para o shopping e resolvemos assistir um filme. A minha sobrinha está com uma animação incrível. Eu a questiono e ela me conta que seu pai terminou com a namorada. Nós estávamos na praça de alimentação, cada um com seu lanche.
— Ah dindo, sério. Eu já entendo que isso não significa que ele vai voltar para casa. — Ela diz deixando seu ombro cair – Mas se for para eu ter uma madrasta, que seja alguém melhor que aquela...
— Alice! — Eu a contenho.
— ... mulherzinha. — Ele conclui e sorri. — Ela é horrível!
— Fico feliz que você esteja feliz, dindinha. — Eu digo bebendo um gole do meu refrigerante.
— Eu disse a meu pai que se ele quiser namorar alguém eu posso ajudá-lo a escolher. Pelo menos assim eu vou escolher alguém legal. — Ela diz. — Eu queria que a tia Bella fosse solteira. — Ela diz e suspira. Eu franzo o cenho.
— Por quê?
— Ah, ela seria a madrasta perfeita! — Ela diz e meus olhos saltam. — Ela é linda, amorosa e gosta de criança. Aquele garoto chato tem sorte de ter ela na família, mas não reconhece. E eu sei que ela quer ser mãe. Eu teria um irmãozinho bem rápido. — Eu engasgo de leve pelo rumo da conversa.
— Nossa, você gosta mesmo dela né? — Eu digo bebendo o refrigerante para ajudar a engolir.
— Sim, tia Bella é fantástica. Adoraria que ela fosse da nossa família. Se ela fosse minha madrasta eu acho que nem sofreria tanto. Teria duas mamães muito boas! — Alice sentencia sorrindo. Eu balanço a cabeça. Ah se você soubesse Alice... Porém isso me lembra que eu preciso preparar a minha sobrinha. Lauren é sua madrinha e ela pode não aceitar muito bem quando eu me separar.
— Alice. — Eu digo e ela me olha curiosa. — Eu preciso te contar um segredo.
— Pode contar, dindo. Prometo que vou guardar. — Ela diz fazendo um ‘x’ nos lábios com os indicadores. Eu sorrio.
— Na verdade, não vamos precisar guardar por muito tempo. O que eu quero de você é que me entenda e não fique chateada. — Ela me olha, agora com um semblante sério. Eu respiro fundo. — Eu vou me divorciar.
Silêncio. Ela olha bem no fundo dos meus olhos.
— Você será feliz assim? — ela pergunta ainda séria. Eu não esperava por essa pergunta e nem esperava que eu fosse responder sem hesitar.
— Sim. — Ela sorri.
— Então é isso que importa. É o que eu quero. — Ela diz e me estende a sua pequena mão. Eu a aperto levemente. Talvez eu a tenha subestimado. Acho que Alice será quem melhor vai aceitar tudo isso.
Nós terminamos nossos lanches e eu a levei para casa para se arrumar com sua mãe. Quando cheguei ao meu apartamento, Lauren ainda não havia chegado. Vou até o bar e tomo uma dose de uísque para acalmar meu ânimo. Eu pretendia conversar com Lauren antes da festa, mas estava dando tudo errado. Resolvo ir me arrumar.
Quando eu estou completamente vestido e de barba feita, Lauren chega as pressas. Decidido a não perder tempo, eu me pronuncio.
— Lauren, precisamos conversar. — Eu digo enquanto ela deposita um lindo vestido vermelho sobre a cama e vai para o closet buscar um sapato.
— Agora, Edward? Estamos atrasados. — Ela diz irritada. Ela já está com seu cabelo pronto, então não vejo porque atrasaremos se ela só vai tomar banho e se vestir.
— Esperei bastante para isso. Como você só chegou agora...
— Se me dissesse que queria conversar tinha vindo mais cedo. — Ela bufa ainda mais irritada.
— Hoje é minha folga, Lauren. E eu passei sozinho porque a minha esposa estava por aí! — Eu exclamo. Ela me olha furiosa agora.
— Ah Edward, me poupe! — Ela diz jogando os braços para cima. A gota d’água.
— Eu vou fazer isso. — Eu digo pegando o blazer e o vestindo. — Estou saindo de casa hoje. Já arruei minhas coisas e vou pedir o divórcio. — Eu digo e ela me encara espantada.
— Cê tá brincando né? — Ela diz perplexa. Eu nego sério. — Edward...?
— Não dá mais, Lauren! Você ainda não percebeu que este casamento acabou faz séculos? — Eu digo cruzando os braços. Ela se aproxima e tenta me tocar, eu me afasto.
— Edward, nós nos amamos. Que loucura é essa?! — Ela diz ainda incrédula.
— É mesmo, Lauren? — Eu pergunto retoricamente. — Nem você acredita nisso. — Eu digo ácido. — Sempre fomo muito bons juntos e estávamos apaixonados. Mas amor? — dou um sorriso fraco — Nosso casamento nunca funcionou direito. É melhor parar enquanto há respeito entre nós.
— Eu investi anos da minha vida nisso aqui, Edward! — Ela exclama jogando as mãos para o alto – E só porque eu não tô afim de trazer uma criança ao mundo você tá querendo me dispensar? — Ela diz, agora venenosa, voltando para a porta do closet.
— Não Lauren. Isso não é por causa do filho que você nunca quis ter. É por mim. Por respeito a mim e a você. Eu não te amo e não posso continuar com isso. — Eu digo tenso.
— Você nunca me amou e chegou até aqui. O que mudou? — Ela pergunta e me encara de repente quando eu fico em silêncio. — Ah claro! Agora você ama alguém!
— Lauren, eu só quero que possamos fazer isso da melhor forma, sim? Eu já peguei algumas coisas e não voltarei para esta casa mais. Depois resolvemos tudo o que precisará ser feito. Eu vou adiantar. — Eu digo e me viro para sair do quarto.
De repente, algo de vidro é arremessado e se choca bem ao lado da porta à minha frente. Um porta-jóias.
— Eu nunca te amei, Edward! — Ela grita – Se quer saber, te traí diversas vezes. E sabe com quem? Com o James, seu primo querido. Que você considera um irmão. — Ela diz transtornada. Eu fico surpreso com sua revelação. E um pouco traído, é claro. Mas nada além disso. — Você não é nada para mim e eu vou acabar com você. Isso não vai ficar assim!
— Eu sinto muito, Lauren. — Eu digo e saio dali.
O anoitecer na cidade está fantástico, ou talvez seja o meu estado de ânimo que está me fazendo enxergá-lo assim. Ao chegar na festa da premiação, eu logo avisto a minha família. Minha mãe está impecavelmente linda. O sorriso em seu rosto demonstra a felicidade em ter todos ali reunidos com ela em sua grande conquista. Eu cumprimento a todos e me sento ao lado de minha mãe.
— Você está brilhando meu filho, e eu sei que não é só por compartilhar a minha felicidade. — Minha mãe comenta e todos prestam atenção na conversa.
— A senhora está certa. Não é. — Eu digo sorrindo torto.
— E isso por acaso tem a ver com a cadeira ao seu lado estar vazia? — Minha mãe pergunta estreitando seu olhar. — Onde está a sua esposa? — Eu olhei para Alice, que me deu um sorriso cúmplice. É agora!
— Eu não tenho mais esposa, mãe. Estou me separando de Lauren. Definitivamente. — Eu digo baixo e lentamente. Todos me encaram. — Eu amo outra pessoa.
— Oh meu Deus! Como isso aconteceu? — Minha mãe exclama baixo.
— Um outro dia eu explicarei a vocês. Mas saibam que não é algo passageiro, não é uma fase. E não é só por ela que tomei essa decisão. Eu e Lauren não...
— Foram feitos um para o outro. Era visível. Que bom que percebeu isso. — Minha mãe completa e me dá um sorriso. Todos sorriem em apoio a mim. Acho que toda a minha família percebia que o meu casamento era um fiasco, menos eu.
Nesta hora, o meu celular toca. Eu acho estranho pois é o número do prédio do meu apartamento.
— Alô?!
— Sr Cullen? Aqui é o Tom, o porteiro do prédio.
— Diga Tom.
— Desculpe o incômodo, e talvez a inconveniência, mas aquela senhorita que veio ontem a noite acabou de chegar aqui. — Ele diz ansioso. Eu reviro os olhos. Ele sabe que ela pode subir. Mas por que Bella
— Ela tem as chaves, Tom, como eu te falei, o acesso dela é liberado. — Eu passo a mão pelo meu cabelo, bagunçando-o.
— Eu sei, senhor. Mas... não sei... acho que deveria saber. Ela chegou aqui com duas malas e o rosto machucado. Parece que ela levou um tapa bem forte. — Meu coração perde uma batida e eu vejo tudo vermelho. Aquele filho da puta!— Ela parecia com medo e tentou disfarçar, mas...
— Obrigada Tom. Eu estou indo imediatamente. Me avise se ela sair e, por favor, não deixe ninguém chegar até ela. — Vai que esse desgraçado a seguiu?
— Sim, senhor!
Eu respiro fundo após encerrar a ligação. Que merda aconteceu?!
— Edward, o que há com você? O que aconteceu? — Meu pai me questiona e eu o encaro lívido de raiva.
— Me perdoem, eu preciso ir! — Eu digo sofrido e evito olhar para minha mãe.
— Você só sai daqui quando explicar o que aconteceu. A sua mãe merece saber pelo menos. — Meu pai diz bravo. Eu sei que eles têm razão.
— É ela. A mulher que eu amo. Ela precisa de mim. — Eu digo tentando organizar as ideias. Bella estava a salvo no meu apartamento, mas a ideia de que Riley a machucou novamente e pode estar lá na porta esperando por ela está me enlouquecendo. Eu tento ligar para ela, mas não completa a chamada.
— Como assim, Edward. Você vai trocar um momento importante como este por causa de uma mulher que se envolve com um homem ainda casado? — Meu pai diz sério e acusador. Merda.
— Carlisle! — Minha mãe exclama.
— Bella também é casada. E o marido dela acabou de agredi-la fisicamente. — Eu digo puto e todos me encaram. — Ela também está pedindo o divórcio. Eu preciso saber como ela está! — Eu digo e me levanto.
— Dindo, é a minha tia Bella? — Alice se pronuncia surpresa e eu assinto. — Oh meu Deus, cuida dela, tio.
— Sim, princesa.
— Bella?... — Rosalie comenta – A professora de Alice! — eu suspiro assentindo e encaro minha mãe.
— Ela só tem a mim, mãe. Eu preciso ir! — Eu digo e minha mãe sorri.
— Tudo bem, meu filho. Vá cuidar dela, eu vejo que a ama de verdade. — Eu sorrio e praticamente corro dali.
No caminho, eu tento ligar para Bella mais umas 2 vezes e nada. Estaciono de qualquer jeito na rua e entro no prédio correndo. Tom me diz que ela não saiu e me pediu desculpas por ter sido tão invasivo. Eu o agradeci e tomei o elevador. Quando eu abro a porta, encontro Bella sentada no sofá num misto de medo e tristeza que partiu meu coração.
— Bella, o que ele fez? — Eu me aproximo e ela se levanta. Ao tentar enxugar umas lágrimas ela tira o cabelo do rosto. Ai eu tenho a dimensão do seu machucado. — Merda, olha só o seu rosto! — Eu digo puto.
— Ele me bateu quando pedi o divórcio. — Ela me olha nos olhos e eu lhe estendo a mão — Eu quero denunciá-lo, Edward. — Eu assinto e a trago para os meus braços. Ela suspira e se aconchega.
Mas eu só quero ver aquele desgraçado pagando por isso.
Fale com o autor