Tempestade
1 Prólogo
Itália, 1816.
Amarrado a uma cadeira no centro de um celeiro escuro estava um garoto de cabelos pretos. Seus dentes batiam e suas pernas tremiam. Ele tinha certeza que morreria, mas morrer de hipotermia parecia muito cruel. Rose jazia aos seus pés, os cabelos negros circundando o rosto pálido. Havia uma poça de sangue ao seu redor.
Se não tivesse se apaixonado por ela, a pequena garota ainda estaria viva. A culpa era toda dele. Merecia morrer. Só queria que aquilo acabasse logo.
Como se ouvindo seus pensamentos, sua algoz adentrou o pequeno espaço, fechando a porta de madeira atrás de si.
—– Querido, você está péssimo! –– Olivia sorriu, alisando seus cabelos castanhos.
Ela sempre tinha sido psicótica, naquele momento a característica estava apenas acentuada.
—– O que você quer, afinal? –– O garoto estava perdendo a paciência.
—– Não é óbvio?
—– Desculpe, eu não sou muito inteligente. –– Ele deu de ombros.
—– Eu quero que você seja só meu. –– Revelou.
Olivia andou até a cadeira, se inclinando sobre ele. Seus rostos estavam a centímetros de distância, os olhos dela estavam mais verdes, ressaltados pelo vestido roxo e seus cabelos compridos raspavam na perna dele. Ele entendia que um dia tivesse a achado bonita, mas agora só via crueldade nela.
Ele riu sem nenhum humor.
—– E como você pretende fazer isso? –– Questionou. –– Não pode me fazer te amar.
—– Quer dizer que você não me ama?
—– Só notou agora?
—– Sabe, você não merece meu amor. Estou cansada de perder tempo agindo cordialmente. Serei mais... –– ela lambeu os lábios –– radical.
O rapaz suspirou de alívio, ansioso para que seu sofrimento terminasse.
—– Sim, mate-me, Olivia –– ele implorou em meio a um soluço.
—– Você não deveria ter fugido de mim, docinho. Agora eu vou te destruir.
Ele sorriu um pouco. Morreria e veria Rose novamente. Mas, ele estava errado. Olivia não o matou. O que ela fez, doeu muito mais que a morte.
Fale com o autor