Tell Me That You Will Open Your Eyes
19 Capítulo 19 I wanna try to be the person you want
Notas iniciais
Minha casa nunca pareceu tão fria e tão sem vida. Deixei o hospital, contra minha vontade, depois do médico ter insistido muito. Já era uma hora da manhã quando cheguei em casa e me arrependi no segundo em que coloquei os pés ali.
Que saudade de ouvir a risada de Frank, que saudade de aperta-lo até conseguir tira-lo do chão.
As lágrimas desciam dos meus olhos com uma velocidade que, nem se eu quisesse, conseguiria pará-las. Meu estomago doía e minha garganta apertava. Me arrastei até o banheiro e entrei embaixo do chuveiro, deixando que a água quente se misturasse com minhas lágrimas. Soluços altos escapavam de meus lábios e vez ou outra eu até gritava, tentando, em vão, afastar toda aquela dor de meu peito.
Longos minutos depois, vesti um short de pijama qualquer e me deitei na cama, pensando em tudo que havia acontecido no dia.
Será que Frank já sabia que estava doente e por isso aqueles remédios? Será que era por isso que ele desviava quando Gerard tocava no assunto? Ou será uma infeliz coincidência? Por que Frank não contara a ele? Não havia confiança o bastante?
Com esses pensamentos rondando a cabeça de Gerard e depois de tanto chorar e soluçar, Gerard conseguiu pegar no sono.
Frank corria rindo, e por mais que Gerard corresse pra ele, não conseguia alcançá-lo.
- Neném, corre pra mim!
Aos poucos, a imagem do rosto de Frank foi se distorcendo e o sangue jorrava de seus lábios.
- Me salva, Gee.
Foi o que Gerard conseguiu ouvir depois do esforço que Frank fizera para pronunciar.
Gerard acordou em um grito, e mais horas de choro se passaram.
Ainda eram sete da manhã quando Gerard saiu da cama. Caminhou até o banheiro e lavou o rosto. Se assustou com a cena que via no espelho.
Seus olhos estavam ‘no buraco’, como dizia sua avó. As olheiras denunciavam o quanto chorara na noite anterior e a falta de dormir.
Precisava de algum conforto, precisava de alguém. Pensou em Mickey, mas ele devia estar com Ray e não queria incomoda-lo. Queria Bert.
Caminhou até a sala onde pegou o celular e discou o número, tão conhecido, do maior.
- Gee? Atendeu com uma voz sonolenta, revelando que acabara de acordar.
Seu estomago foi a boca quando ouviu a voz do outro. A dor voltando a invadir cada parte do seu corpo.
- O que houve, be? Bert insistiu, já estava preocupado.
- F-Frankie...
- O que aconteceu com Frank? Por Deus, Gerard, fala logo que você está me assustando!
- Você pode vim pra cá, Bert? Juntou todas as forças para pronunciar aquelas palavras e o outro não hesitou.
- Em quinze minutos estou em sua porta!
Gerard desligou.
Respirou fundo e tentou conter as lágrimas. Não poderia começar a chorar agora ou então não pararia. Caminhou até a cozinha e se deu conta de que não comia nada desde o café da manhã do dia anterior.
Fez um café bem forte e por mais que seu estomago negasse qualquer alimento, se obrigou a comer duas torradas com o café forte.
A campainha tocou e Gerard se sentiu aliviado. Precisava tanto de um abraço.
Abriu a porta e sem esperar que o outro dissesse nada, se jogou em seus braços, o abraçando da forma mais forte que conseguia.
- Ge? Meu Deus... Calma, Gee. Vai ficar tudo bem. Eu ‘tô aqui com você! Me conta, o que aquele anão de jardim fez com você? Dessa vez ele não me escapa, eu..
- Frank tá em coma, Bert.
- Ele o que? Os olhos claros do maior quase saíram de órbita. O que aconteceu?
Caminharam até a cozinha e Gerard tentava contar tudo pra Bert enquanto tomavam café. As lágrimas insistiam em cair, mas Gerard estava se controlando. Não gostava de chorar na frente de ninguém. Nem tanto por questão de orgulho, era mais um traço de sua personalidade.
- Por que isso agora, Bertie? Agora que estava tudo bem entre nós.
- Gerard, não fale como se Frank estivesse morto. As palavras saíram fortes da boca de Bert e Gerard se assustou com aquilo, mas o maior continuou. Frank está no hospital, sendo cuidado por uma ótima equipe de médicos e o que tiver que acontecer, vai. Quem imaginava que ele voltaria pra te procurar justo agora, ein Gee?
Bert puxava o amigo para um abraço e agora os dois estavam deitados no sofá. Gerard estava praticamente no colo de Bert, que lhe fazia um carinho bem calmo no cabelo.
- Eu não acredito que as coisas aconteçam por acaso, Gerard. Frank vai ficar bem, logo logo aquele anãozinho vai estar correndo por aí, dando trabalho.
- Você promete, Bertie? Gerard falava baixo, denunciando que estava quase dormindo.
Bert não respondeu, apenas deu um beijo carinhoso na testa de Gerard e o ajeitou melhor no sofá, deixando-o dormir.
Se levantou com cuidado e andou em direção a cozinha. Se bem conhecia seu amigo, poderia apostar que ele estava sem comer. Resolveu preparar algo para os dois almoçarem.
Estava preocupado com Frank. O achou meio abatido a última vez que o vira, mas pensou ser impressão. Bert tem essa característica que alguns julgam como qualidade e outros como defeito. Ele repara muito nas pessoas.
Enquanto preparava um macarrão ao molho branco, fez um suco de laranja bem forte.
Uma hora e meia depois, já estava tudo pronto. Caminhou até a sala novamente e viu que Gerard estava em um sono profundo. Mordeu os lábios com força, olhando a cena.
Decidiu que não acordaria Bert, pelos olhos dele podia perceber claramente que o amigo precisava de descanso. Caminhou até o quarto de Gerard e ligou a tv, deixando em um canal de clipes qualquer e acabou por pegar no sono também.
Duas horas depois, Bert acordou assustado e custou se dar conta do lugar que estava. Suspirou e deixou o quarto, vendo que o amigo ainda dormia. Resolveu acorda-lo, ele precisava comer.
Se aproximou de Gerard lentamente, deixando um beijo carinhoso na bochecha de Gerard que resmungou.
- Frankie? Ouviu a voz baixinha de Gerard enquanto ele abria os olhos, meio confuso ao encontrar Bert. Suas bochechas tomaram uma cor vermelha, mas o maior não comentou nada sobre o fato.
- Fiz macarrão, baby. Aposto que você não come a dias.
- Obrigado, Bertie. Estou me sentindo meio fraco mesmo, acho que preciso comer.
Gerard levantou-se e seguiu junto com Bert até a cozinha, onde se sentaram e comeram a refeição preparada pelo maior.
- Não lembrava o quanto cozinhava bem, Bertie!
- A gente tem que aprender a se virar quando se mora com um bando de homens em um trailer em turnê.
Riram.
- E como estão as coisas com o Quinn?
- Quinn ainda meio distante, sabe? Não sei ao certo porque, mas desconfio que seja por causa da família dele. Eles não aceitam muito bem nossa relação e isso acaba deixando-o triste.
- Dê um tempo pra ele. Essas coisas acontecem, mas logo vai melhorar.
- Eu espero que sim.
- Hey, eu quero ir até o hospital. Será que.. você..
- Claro que vou com você, Gee. Bert sorriu, completando a frase do outro que nem tinha acabado de pronunciar.
- Obrigado.
- Tome um banho enquanto eu lavo as louças e te espero.
Gerard assentiu e seguiu até o banheiro onde tomou um banho rápido. Se trocou e quanto chegou a sala, Bert já o esperava.
- Vamos no meu carro, está lá embaixo.
Gerard não disse nada, apenas assentiu e saiu da casa com a cabeça baixa.
O caminho até o hospital foi silencioso. Bert até tentou puxar algum assunto, a principio, mas Gerard respondia apenas o necessário e não continuava a conversa. Bert, por fim, entendeu e respeitou a atitude do amigo.
- Boa tarde, eu queria saber informação sobre Frank Iero.
A recepcionista logo o reconheceu.
- Se possível, gostaria de falar com dr. Brian Molko.
- Aguarde aqui um momento, senhor. O chamarei.
Não demorou muito para que o médico viesse. Não aparentava ter mais que trinta anos, era pouco simpático, mas atreveria a dizer que é muito bonito.
- Sr. Way. Pode me acompanhar até minha sala.
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