Tell Me That You Will Open Your Eyes
22 Capítulo 22 I will never let you fall
Notas iniciais
Espero que gostem desse capítulo e eu tenho uma dica de música para ouvirem enquanto leem.
Your guardian angel, aqui o link: http://www.youtube.com/watch?v=Q7Em4fUOrZo
– Por favor, sem mais delongas. O que houve com Frank?
– Ele acordou.
Meu coração bateu aliviado e parece que mil casas foram tiradas de minhas costas. Todo esse suspense pra falar isso? Meus lábios abriram o sorriso mais sincero dos últimos dois meses, me arriscaria a dizer que fora o único.
– Posso vê-lo? Ele está bem? Me leve até ele!
– Tem algo que você tem que saber antes de vê-lo, Gerard.
– Hm?
– Ele não está enxergando.
Como assim? Frank ficou cego? Mais uma vez o chão foi retirado de meus pés.
– Não sabemos ainda se é temporário ou permanente, ainda é cedo pra afirmar.
– Posso vê-lo? — Minha voz era trêmula assim como o resto de meu corpo.
– Sim, ele chamou por você. Mas tenha cuidado, Gerard, ele está muito sensível e abalado.
– Eu sei.
Caminhamos até uma outra ala do hospital, Frank não estava mais na UTI e sim em um dos tantos apartamentos daquele hospital. Era, sem dúvidas, o mais luxuoso da cidade.
Abri a porta do quarto com cuidado e Frank estava deitado, com uma espécie de faixa tampando seus olhos. Minha vontade foi de chorar e sair correndo dali, mas eu precisava ser forte, meu pequeno precisava de mim.
– Matthew?
– Sou eu, pequeno. Disse baixinho, já bem próximo dele.
– Gee? Sua voz era baixinha, quase rouca e eu não me contive. Me abaixei e abracei com força aquele corpo tão frágil, tão meu.
– Você voltou, meu pequeno. Você voltou pra mim!
– Eu... eu to cego, Gee. Eu nunca mais vou ser o mesmo, eu nunca mais vou conseguir ser um bom namorado pra você. Eu nunca mais vou poder te ver, Gerard.
As palavras dele rasgaram meu peito de uma forma absurdamente forte, mas eu me mantive sereno.
– Quem disse isso, ein, pequeno? Selei nossos lábios, apertando sua mão com força. Eu te amo do jeito que for, Frank Iero. Você é o melhor namorado, o único que eu quero ao meu lado.
– Você promete, Gerard Way?
– Eu juro, meu amor. Eu to com tanta saudade, eu tava com tanto medo. — Minhas palavras ainda embargadas de emoção saiam com dificuldade e eu sentia os dedos de Frank apertarem com força minha mão.
– Parece que eu cochilei, amor. Não lembro de nada.
– Tá tudo bem agora. Eu to aqui. Não vou sair do seu lado, por nada.
– Eu lembro de algumas coisas que você me disse enquanto eu... dormia. Não sei se foi bem sonho, ou se era verdade.
– Eu te contava tudo que acontecia no dia. Já tinha ouvido falar que as pessoas conseguem entender quando estão em coma. Eu tinha certeza que você ia voltar pra vida, voltar pra mim.
– Você saiu da empresa?
– Sim, mas não é hora pra falarmos sobre isso. Você precisa descansar.
– O médico disse que daqui uma semana no máximo eu já vou poder ir pra casa.
Seus lábios formaram um sorriso bem pequeno, aquele sorriso doce que eu sentira tanta falta.
– Pra minha casa, o senhor quis dizer.
– Como assim?
– Acha que eu deixaria meu amorzinho nas mãos de um enfermeiro qualquer? Vai que ele resolve aproveitar da sua ingenuidade e...
– Gerard! Fui cortado com uma voz de indignação e ao mesmo tempo brincalhona.
Terceira pessoa
Aos poucos, a emoção de Frank ao ter seu amado tão perto foi passando e uma dor incrível tomou conta de seu peito. Aqueles olhos verde oliva ainda teriam o mesmo brilho quando o olhava? Será que ele iria se cansar da sua nova condição? Pensamentos como esse não deixavam a cabeça de Frank descansar. Sua mente trabalhando mais do que devia, uma vez que dores horríveis tomavam conta de seu corpo. Talvez por ter ficado tanto tempo sem se movimentar.
Estava com tanta saudade das expressões de Gerard. Aqueles dentes pequenos envolvidos em um sorriso encantador.
– Tá tudo bem, Frankie? A voz doce do outro o acordou de seus pensamentos, fazendo-o suspirar pausadamente.
Enquanto isso, Gerard tentava segurar as lágrimas ao ver o menor. Seu corpo, que já era tão magro, estava ainda mais. A voz falha de Frank demonstrava o quão fraco estava. Mas se continha, não era hora e nem o momento certo para demonstrar fraqueza a Frank. Sentia saudade daqueles olhos brincalhões e intrigantes e se perguntou se algum dia voltaria a vê-los.
– Tá sim, Gee. Só to um pouco zonzo, eu acho que vou dormir.
– Dorme, meu anjo. Quando acordar estarei aqui.
– Promete? De dedinho?
Gerard entrelaçou os mindinhos dos dois e como duas crianças, juraram. Sabiam que aquele seria um período difícil, mas talvez não imaginassem o quanto.
Frank se virou e ao invés de dormir, ficou refletindo. Lágrimas silenciosas corriam pelos olhos, molhando a faixa que os cobria. Talvez Gerard tivesse notado se não estivesse tão preocupado em esconder as próprias. Soluços reprimidos de ambos os lados.
Um queria mostrar pro outro que era forte.
Frank tentava se concentrar em agradecer por ter tido a chance sobreviver, talvez tivesse chegado a hora de contar pra Gerard sobre o que estava acontecendo. Ou talvez fosse a hora de terminar tudo. Gerard não merecia um encosto como Frank agora, era assim que o menor pensava.
Foram com esses pensamentos que ambos adormeceram. Gerard sentado ao lado da cama e debruçado sobre Frank e o menor apertando forte a mão do outro.
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