Tell Me That You Will Open Your Eyes
23 Capítulo 23 And all the pain I put you through
Notas iniciais
Uma semana passou mais rápido do que os últimos dois meses. Gerard passava muito mais tempo no hospital do que em casa, indo nesta apenas pegar o que precisava.
Frank gostava disso, mas agradecia quando Gerard ia pra casa, precisava colocar suas ideias em ordem. Seu humor oscilava com uma frequência extraordinária e ao mesmo tempo que estava rindo com Gerard, se debruçava em lágrimas por causa de sua atual condição. Gerard tentava acalmá-lo, mas nem sempre era possível e o menor estava cada vez mais dependente de calmantes.
Gerard
Uma semana dormindo em uma poltrona improvisada não fez nem um pouco bem para minha coluna. Pensei enquanto tomava um banho, pedindo para que a água levasse junto com ela minha dor nas costas.
Finalmente, chegara o dia em que Frank voltaria para casa.
Ao mesmo tempo que ansioso, estou com medo. Medo de não estar pronto pra lidar com tudo que Frank vai precisar, medo de falhar em algum momento e decepcionar meu pequeno.
Apesar da saudade que eu sentia daqueles olhos brilhantes pra mim, não consigo mais ficar tão deprimido por causa disso. O importante é que Frank está vivo. E comigo. E nada vai tirar ele de mim. Nem que ele ficasse cedo, surdo e mudo. Ainda seria meu Frank, ainda teria todo o meu amor.
Desliguei o chuveiro e segui pro quarto. Combinei que passaria no hospital por volta das dez da manhã e ainda era oito.
O telefone tocou, me fazendo correr nu pela casa a procura do aparelho e, devo acrescentar, deixando um rastro de água por onde passava.
- Gerard.
- Oi, baby!
- Bertie!
- Meu Deus, que saudade dessa tua animação. O anãozinho já está aí?
- Não, vou buscá-lo as dez – Caminhei pro meu quarto a fim de me trocar. Ri sozinho ao ver a poça de água que se formou no chão da sala.
- Tá rindo do que? Do meu apelido carinhoso pro Frank que não é.
- Eu tava no banho, sai correndo pela casa ainda molhado, fiz uma poça na sala – Expliquei a situação, arrancando uma gargalhada melodiosa do que estava do outro lado da linha.
- Gerard Way – Praticamente gritou – Você me conta que está correndo nu, molhado pela casa e acha ruim de eu te tarar? Por favor, né.
- Ai Bertie, deixa de ser bobo, vá – Embora tenha conseguido disfarçar, fiquei completamente ruborizado com o comentário do outro.
- Sem mais baixarias. Mais tarde eu passo aí pra ver o anãozinho!
E sem esperar que eu me despedisse, Bert desligou.
Dei um sorriso pro nada antes de jogar o telefone na cama e seguir até o guarda roupa, me secando e me vestindo.
Exagerei no perfume, queria que Frank me reconhecesse de alguma forma.
Sendo que ainda era cedo demais, resolvi fazer uma surpresa para Frank.
Sai de casa caminhando, sentindo a brisa fresca secar meu cabelo ainda úmido por causa do banho. Não demorei mais que cinco minutos andando até a floricultura que ficava no final da minha rua.
- Por favor, eu queria um arranjo de lírios?
Expliquei a vendedora mais ou menos como o queria, bastante volumoso. Depois quase meia hora esperando que ela o ajeitasse, sai da loja com um buquê enorme e com um sorriso ainda maior.
Passei em casa apenas para pegar o carro que já quase andava para o hospital sem precisar de direção.
Cheguei quinze minutos adiantado, mas resolvi já seguir pro quarto de Frank.
Bati na porta umas duas vezes, mas ouvi vozes lá dentro, então decidi entrar.
Era dr. Matthew, que parou de falar no momento em que me viu entrando no quarto, parecendo um pouco desconcertado.
Enquanto isso, Frank estava mais pálido que o normal e seus olhos já estavam sem a faixa, mas encaravam um ponto qualquer do quarto.
- Pode entrar, Gerard. Ele disse ríspido.
Por um momento, pensei que ele pudesse ter me visto. Mas logo a ilusão foi desfeita, era apenas o cheiro do meu perfume.
- Hm.. Aconteceu alguma coisa? — Ainda hesitante, perguntei.
- Não. E eu já estava de saída. Só estava dando algumas recomendações a Frank.
- Alguma recomendação pra mim, dr. Matthew?
- Acho que Frank pode te contar, não é mesmo Frank?
Frank apenas balançou a cabeça, sem expressão nenhuma, encarando qualquer ponto do quarto.
Logo o médico saiu e eu aproximei do pequeno, selando seus lábios e assustando-o.
- Desculpe, eu não sabia que estava tão perto. – Ele disse rápido, desviando-se de mim.
- Acho que eu lhe devo desculpas.
Poxa, o que estava acontecendo? Frank não estava feliz que eu estivesse com ele?
- Te trouxe um presente — Entrequei o buquê de lírios para ele, ajeitando-o sobre seu colo.
Ele segurou o embrulho com certa dificuldade, mas logo o ajeitou. Levou as flores até o nariz e sorriu, ao mesmo tempo que lágrimas cortaram seu rosto.
- Lírios.
- Gostou? – Minha voz era serena e meus dedos brincavam com o rosto do menor, desenhando ali coisas sem o menor sentido.
Frank começou a alisar as flores, como se tentasse perceber como elas eram.
- Que cor são?
- Brancas.
Frank continuava passando os pequenos dedos pelas pétalas, cheirando e por fim, agradeceu.
- Obrigada, Gee. São lindas.
O maior sorriu e não conteve a emoção, uma lágrima teimosa insistiu em descer seu rosto, mas não era hora e nem lugar para aquilo.
- Então, meu amor, vamos pra casa?
- Uhum. Você pode pegar minhas coisas, por favor? Está em uma mala por algum lugar desse quarto – Sorriu fraco.
- Primeiro eu tenho que pegar a mala maior, Frankie. Você.
Consegui uma gargalhada do menor, enquanto abraçava-o meio sem jeito por causa das flores entre nós.
Ele se levantou sendo amparado por mim. Ao longo da semana, ele tinha treinado andar algumas vezes, mas ainda sentia dores. O médico falou que o melhor agora era ir forçando, para que aos poucos o corpo dele voltasse ao normal e se acostumasse a andar.
- Você consegue levar as flores?
Frank apenas assentiu com a cabeça. Sei que estava desconfortável com a situação. Era sempre tão independente, tão cheio de si.
Enquanto eu peguei a pequena mala do menor, o amparava com o braço para que pudéssemos andar.
Saímos do quarto sem a menor pressa. Frank andava muito devagar, sempre com medo de trombar com alguma coisa.
- Não solta minha mão, Gerard. Não solta.
Dei um beijo demorado em sua bochecha, sussurrando ‘eu te amo’ contra a pele do rosto dele como resposta para seu pedido.
Ao chegarmos na saída do hospital, uma surpresa.
A imprensa em peso estava lá. Eram flashes pra tudo que era lado, eram pessoas intrometidas se aproximando de nós.
- É verdade que Frank está cego? É verdade que vocês dois estão namorando?
- Frank Iero é GAY??
Foram algumas das frases que eu consegui ouvir. Frank mantinha-se estático, assustado com isso que largou as flores, deixando-as cair no chão e me abraçando.
- Me tira daqui, Gerard. Me tira daqui.
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