Teenage Kings.
3 Prince Charming.
Notas iniciais
"I'm tryin' to get there, so when I get there, Imma make sure you won't forget it babe, so hold on, don't sweat, babe"
A boate ficava ao norte de New Haven. Em um bairro de luxo onde os mais ricos da cidade viviam, provavelmente grandes cientistas.
O ônibus nos deixou em frente a uma casa de festa que emanava luxuria e perfeição. A arquitetura era fascinante demais para uma simples casa de festa, a fachada era uma mistura de prata com preto, a porta era de vidro embora não pudéssemos ver nada lá dentro.
Um guarda forte estava parado em frente a porta e nos encarou com uma sobrancelha arqueada.
– Quem é você?
– Annabeth Chase.
– Ah, sim, senhorita. – ele assentiu e abriu a porta, deixando-nos ser engolidas por uma música alta – Sejam bem vindas ao Lux.
Lux. Luz em latim. Contraditório.
Hesitei até perceber que eu não poderia ter esse sentimento. Adentrei o local, sentindo todo meu corpo se mexer devido a música alta. Eu não via uma mulher na pista, apenas algumas que estavam dançando em cima de palcos e completamente nuas.
– Uau. – Thalia falou ao meu lado – Isso é incrível.
Revirei os olhos. Olhei por cima do ombro, vendo a maioria das calouras perdidas no meio daquela massa de testosterona.
A música parou.
– Sejam bem vindas, Betas! – era a voz de Nico, tentei procurar a mesa de DJ, vendo-o com um sorriso e sem camisa – Aproveitem a festa! Não fiquem aí paradas, ok? As bebidas vão ser servidas, imediatamente!
– O que acha de um Martini?
Um hálito quente foi jogado contra minha nuca, senti todo meu corpo se arrepiar imediatamente. Minha boca se abriu, buscando por ar. Estava prestes a me virar quando uma mão agarrou minha barriga, segurando-o contra ele.
– Martini é uma boa pedida.
– Me largue, Jackson.
– Já que o casal “equipe” está tendo um bom sexo com roupas... – Thalia me encarou e revirou os olhos – Eu vou procurar uma boa bebida de verdade. E fazer essas garotas mexerem essas bundas.
Fechei os olhos.
– Só aproveite, querida. Sinta.
– Não quero sentir você atrás de mim.
Percy riu, ele beijou minha nuca e segurou meu pulso, girando-me até estar apenas o copo de Martini nos dividindo.
– Sabia que você tomaria a escolha certa.
– Já disse que você não vai vencer esse jogo.
– E não quero. Contanto que você participe dele, com certeza, será adorável.
Revirei os olhos.
– E então, é aqui que acontece...
– A festa dos iniciantes? Não. Você não acha que eu seria idiota o suficiente para te trazer ao nosso local secreto, certo?
Encarei-o, ultrajada.
Percy riu.
– Estou brincando. É aqui, sim. Lux.
– Aposto que seu pai é dono do lugar.
– Na verdade, não. Eu sou.
Virei meu rosto para ele, cruzando os braços.
– Sério?
Ele assentiu, como se não tivesse motivos para eu ficar surpresa.
– Aposto que você não poderá se embebedar, como eu. Então, eu aconselho que vamos para o bar. Tem uma ótima visão.
Não contestei. Eu realmente não poderia ficar bêbada. Eu tinha que encarar as calouras e qual delas passaria no teste.
Segui-o, encarando sua nuca enquanto andava para não me perder. Ele vestia uma camiseta branca com as mangas dobradas e jeans, parecia básico e altamente sexy. Percy sentou-se no balcão de mogno, dando-me a mão para juntar-me a ele.
– Vai querer alguma coisa, cara? – um rapaz de dreads apareceu ao seu lado
Percy me encarou sugestivamente.
– Um Martini também.
O cara assentiu e desapareceu.
– Seu empregado?
Percy riu e balançou a cabeça.
– Meu amigo. Por que leva as coisas para o literal?
– Porque são assim que elas são. – dei de ombros
– Elas não são assim. Você as coloca assim. – Percy ergueu a cabeça e suspirou – Bom trabalho.
O cara apareceu do meu lado dessa vez, me dando um susto. Peguei o Martini e balbuciei um obrigada.
– O quê? – perguntei ao virar-me
– Seduzir os garotos. Bom trabalho, boa ideia. Está funcionando.
Encarei a multidão a minha frente. Thalia estava dançando com a mulher em cima de uma das mesas, Luke e Nico estavam juntos na ponta da mesma. Clarisse beijava um garoto que eu não conhecia dos Alphas, as calouras subiram em cima de outra mesa e mandavam beijos enquanto subiam ainda mais seus vestidos.
– É... Não achava que ia dar tão certo.
– Quer uma opinião? – ele inclinou para meu lado
– Qual?
– Aquela... Aquela de vestido azul. – assenti – Tímida demais. Talvez inteligente, mas tímida demais. Eu até falaria para você tirá-la, mas parece uma boa pedida para o futuro. Digo, você era assim.
– Como sabe como eu era?
– Eu morei na sua cidade, lembra?
– Na minha cidade?
– Palm Springs. Estou me sentindo ofendido por não ter sido memorável em sua vida.
– Não que vá ser no futuro. – resmunguei, bebericando o Martini
– De qualquer maneira, ela me lembra você. Deveria dar uma chance para ela.
Assenti, bebendo o Martini em goles fartos.
– Qual era o acordo? O acordo que queria me dizer?
Percy encarou a própria bebida e encarou o teto, suspirando.
– Os Alphas vão pedir uma aula extra de matemática, filosofia e economia para as Betas, na sexta. – encarei-o, pedindo que prosseguisse, mas seus olhos não estavam focados em mim e sim na multidão – Eu queria pedir que fosse minha modelo.
– Sua o quê? – ri
Dessa vez, seus olhos se voltaram para mim. Eram verdes. Nada mais que uma pura camada de um verde forte, másculo, pronto para me sugar para seu mundo. E eu me senti intimidada.
Tentava não me sentir intimidada, muito menos por homens, como Perseu. Um Alpha. Tentei não bufar pela minha infantilidade e mania de definir caráter por fraternidade, no entanto, era uma mania enraizada demais.
– Você sabe, eu já fiz algumas exposições em Berlim, Canadá, cheguei a levar algumas para Tóquio e...
– Não precisa se gabar, Jackson.
– Percy. – ele corrigiu – Preciso de uma intimidade aqui, cara! – pediu, jogando as mãos para cima, um sorriso brincando em seus lábios molhados
– Não vai ser tão fácil ter, ok?
– Tudo bem. Voltando, eu queria que você fosse minha modelo.
– Sua modelo? – encarei-o novamente, meio indignada e surpresa – Perdão, continue.
– A minha primeira exposição foi sobre capitalismo, essas coisas autoeducativas. Depois, eu foquei em mulheres. E... Foi extraordinário. Eram modelos, sabe? Modelos profissionais...
– Ei, Percy! – Luke apareceu ao nosso lado – Ah, momento de casal?
– Não somos um casal, Luke. – resmunguei
– O que quer?
– O DJ está perguntando se pode jogar a tinta verde?
Percy riu.
– Ainda não. Temos que chamar os líderes para a parte de cima.
– É o trote? – perguntei já com um sorriso no rosto
– Sim, esse ano vai ser espetacular! – Luke riu – Volto em alguns minutos, então. Usem camisinha!
Revirei os olhos.
– Então... Elas eram profissionais, mas eu estava procurando algo mais caseiro, sabe? Algo verdadeiro. Seria minha última exposição até eu escolher se quero realmente isso.
– Você quer saber se eu topo.
– É.
– Bem, eu vou pensar um pouco nisso...
– Não é nada demais. Só fotos.
– Essa é a desculpa.
Percy riu e pulou do balcão. Ele me ofereceu a mão, desci apoiando meu peso em seu corpo, suas mãos seguraram minha cintura, deixando sua bebida em cima do balcão.
– Pode me explicar onde meti minhas meninas?
– É só uma tinta. – ele riu, colocando os braços de forma confortável sobre meus ombros – Sabe, só pra tomar um susto.
– O que fizeram ano passado?
– Foram strippers.
Arqueei as sobrancelhas. Percy lambeu o lábio superior, nos desviando de algumas pessoas, indo em direção a parte superior onde o DJ tocava. Podia sentir a necessidade de meu corpo se mexer junto com a música. Ela não tinha uma letra especifica, era apenas uma batida que envolvia a todos.
Olhei ao meu redor, parando de andar repentinamente. Eu não tinha focado nas iniciantes. Não tinha focado no meu trabalho.
– Aconteceu algo? – Percy perguntou, os lábios perto do meu ouvido
Mordi o lábio inferior. Seja forte, garota.
Ele não podia fazer ideia do quanto estava me distraindo.
– Pra que as strippers? – virei-me para ele, com um sorriso superior
– Para... Você sabe, o pior tipo de um tortura para um cara é... – ele deu um sorrisinho, encarando o teto e em seguida, apontando para atrás de minhas costas – Isso.
Franzi o cenho, virando-me rapidamente a tempo de ver Thalia com uma carranca e uma garrafa de cerveja enquanto Nico estava debruçado sobre o balcão ao seu lado, tentando puxar conversa.
– Ignorar?
– Não, nos excitar.
Encarei-o, surpresa.
– Ela não está excitando-o. Ela só está ignorando-o. – rebati
Sabia da relação que Nico e Thalia tinham mantido muito tempo antes de entrar na faculdade, também sabia dos pequenos rolos que Thalia ainda tinha com Luke, mas eles eram tão supérfluos que ela me prometeu que não tinha nenhum sentimento nisso. E eu acreditava. Não queria que ela ferrasse com os sentimentos de meu melhor amigo.
– Isso é o que mentes inocentes como as suas acham. – Percy apoiou o braço em meu ombro direito, os lábios a centímetros de minha têmpora enquanto ele olhava ao redor da boate
– Não sou uma mente inocente, Jackson. Estou defendendo o ponto de vista em que vocês, homens, acham que um simples mexer de lábios já é um motivo para nos atacar.
Seus olhos deslizaram para meus lábios. Ele não me tocava além de seu cotovelo repousado em meu ombro, mas eu sentia como se seus dedos estivessem tocando meus lábios, descendo levemente por meus queixos e então, focando novamente em meus olhos.
– Talvez seja. – ele deu de ombros, virando as costas para mim e voltando seu caminho para a parte superior da boate
Dividi meus olhares entre Nico, Thalia e Percy que já atravessara a mistura dos Alphas e das Betas. Suspirei, apressando meus passos sobre os saltos e seguindo Percy.
Quando ele, finalmente, chegou às pequenas escadas que elevava para a parte superior do DJ, seus olhos procuraram os meus. Aceitei de bom grado, sua mão estendida para mim, ajudando-me a equilibrar-me no curto espaço que nos apertava. Eu apenas encarava sua nuca, coberta por parte de sua camiseta branca e os pequenos pelos que estavam ali.
– Tudo bem aí? – assenti, mesmo que ele não pudesse ver – É horrível passar por aqui, mas o melhor jeito que temos para o DJ.
– Esqueci que a boate era sua.
Percy soltou uma risadinha e encostou-se contra a parede negra.
– Damas, primeiro.
– Desde quando o Grande Percy é educado?
– Desde que estamos falando com minha futura modelo. – ele sorriu largamente
– Não cante vitória antes do tempo. Tenho mil e um problemas para me preocupar antes de saber se estou bonita para suas fotos. – atravessei o espaço entre ele, chegando, finalmente, a base onde um DJ pulava apenas com um fone de ouvido, encarando a multidão como se estivesse lá
– Você não precisa estar bonita para minhas fotos. – rebateu, a voz ligeiramente incrédula – Digo, — ele segurou minha mão e apontou para a multidão abaixo de nós – se você estivesse ali. Bem ali no meio. – seus dedos se cruzaram, como se ele estivesse formando uma pequena tela – E suada. Divertindo-se, feliz, mesmo que não estivesse sorrindo. – sussurrou, um leve sorriso de admiração crescendo em seus lábios – Você ficaria linda.
Revirei os olhos, cruzando os braços, indiferente.
– Diga-me mais, Avedon.
Percy riu.
– Já sabe o suficiente de fotografia.
Encarei-o, incrédula.
– E então, o que viemos fazer aqui? – perguntei
– Percy! – o DJ parou o que fazia, como se pudesse deixar no modo automático e foi abraçar o cara ao meu lado – Essa é sua namorada? Cara, como você é gostosa! Sem ofensas, claro.
Balancei a cabeça, meio entorpecida pelo que disse. Seus olhos estavam cobertos por um óculos, que não me pareceu ser de grau, ele usava um moletom preto e jeans azul, uma touca cobria a maior parte de seus cabelos.
– Não, ela não é minha namorada. Líder das Betas, acredita?
– Betas? Aquela fraternidade clichê e bipolar? – seus olhos castanhos me encararam de novo e deu um sorriso grande – Sem ofensas, digo, meu nome é Kenny.
– Eu me sinto realmente ofendida por ter chamado minha fraternidade de bipolar.
– Ele não quis dizer isso, querida... – Percy começou, tocando meu ombro
Dei um sorriso.
– Não importa. Annabeth.
– Não fique com raiva, Annabeth, é que... Bem, quando eu era um Alpha, sabe, você deve ter conhecido Jane.
– Jane Stevens?
– A própria.
– Ela foi uma das melhores lideres das Betas. Sou sua sucessora...
– Ainda bem porque ela não tinha pernas tão bonitas quanto as suas e pra falar a verdade, ela nunca faria um acordo com os Alphas. – riu
Minha boca se abriu involuntariamente em um “o”, eu queria gritar e dizer que faria a mesma coisa que ela, que, claro, que eu não concordava com essa loucura de juntar duas inimigas milenares de Yale, que, claro, que eu não estava por trás disso e dizer que ele estava sendo um inconsequente barato que não sabia diferenciar e nem me deixar terminar minhas frases.
Antes que eu pudesse selecionar as melhores informações e torna-la uma frase em potencial, Percy sorriu, acariciando meu ombro com os dedos.
– Annabeth é diferente, cara. Ela tem mente própria, quer levar Betas para outro nível. Igualar com os Alphas.
– Você está dizendo que estamos abaixo de vocês? Porque, eu acho, que quem precisa de ajuda nas matérias não somos nós.
Um silêncio tenso se instalou sobre nós. Podia ouvir a música de batidas rápidas, no entanto, sentia que nós três estávamos em uma bolha que eu acabara de construir.
Deveria me sentir culpada, mas não estava.
– Bem. – Kenny bateu as palmas com um sorriso, um de seus fios de cabelo escapando da touca preta e caindo sobre a testa – Acho que o trote já pode começar.
– Seria ótimo. Só...
– Ia começar a festa sem nós, né? – Luke pulou em cima de nós, passando os braços por nossos ombros – Sabe, casal, vocês formam um belo casal.
Revirei os olhos.
– Eu até aceitaria o argumento se você não estivesse com um hálito horrível de álcool.
Luke me encarou, arqueando as sobrancelhas. Seus olhos azuis claros se viraram para mim e sopraram uma boa dose de seu hálito contra meu rosto. Fechei os olhos, sentindo o imenso fedor escapar de sua boca.
– Ridículo. – resmunguei, empurrando seu braço de meu ombro
– Linda. – ele me mandou um beijo no ar enquanto continuava abraçado com Percy
– Onde está Nico? Thalia?
– Estamos aqui.
– A pergunta é: o que estamos fazendo aqui? – Thalia perguntou, descartando o copo de bebida que estava e bebendo outra garrafa de cerveja
– Quantas? – argumentei, aproximando-me dela
– O quê? – seus olhos se viraram, surpresos
– Parei de contar quando ela chegou na décima. – Nico me disse
Peguei a cerveja de sua mão, ouvindo seus resmungos, tentando ignorá-los. Voltei a ficar perto de Kenny, tentando ouvir sua explicação rápida sobre o trote, mas, de fato, ninguém queria ouvi-la, apenas vê-la.
– Que o show comece.
Ele apertou em um botão azul no canto da sua mesa.
Eu tomei um susto, dando alguns passos para trás quando a tinta verde se derramou sobre todos a nossa frente. A música não parou, continuou mais agitada que antes, tirando o fato que todos tentavam se livrar da coisa verde que caíram sobre seus ombros.
Luke ria, apoiando-se em outro Nico que gargalhava. Ao meu lado, Thalia e Percy apoiavam-se um no outro, mergulhados em risos. Não achei que vê-los ali, reféns de uma tinta fosse bom ou engraçado, mas não pude deixar de rir, infectada pela risada deles. Não demorou muito para que todos lá embaixo voltassem a rir, como se não importasse que éramos inimigos há alguns dias atrás, que um vídeo constrangedor meu fora parar na internet, muito menos que eu estava ali, com líderes que nunca pensei que estaria.
Eu ri. Não me sentindo uma estranha, ou forçando uma risada. Sentia que ria por causa de uma piada interna que eu nem mesmo entendia.
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