Teenage Kings.
11 No treble.
Notas iniciais
"Because I got that boom boom that all the boys chase"
– Vamos ajudar os Alphas. – sussurrei calma – Não quero que ninguém vá para primeira aula. – coloquei meu sutiã enquanto Thalia arrumava a cama onde havíamos pegado no sono, debatendo sobre formas de ajudar os Alphas e sobre Percy, claro
– Vou avisar. Há tempos que não temos uma reunião tão grande.
– Isso. Quero todo mundo lá embaixo. Não vou demorar. – pisquei
Minha melhor amiga acenou e saiu do quarto.
Coloquei um short e uma camiseta, pegando minha bolsa com alguns livros antes de descer. Ainda na escada, podia ver a grande movimentação das garotas na nossa imensa sala que parecia muito pequena agora. Elas estavam espalhadas pelos sofás e pelos bancos da cozinha. Desci, ficando entre a cozinha e a sala.
Thalia bateu palmas ao meu lado.
– Atenção!
– Bom dia, garotas. – sorri, cruzando os braços – Tenho um anúncio a fazer. Estamos oficialmente falidas. – um murmúrio começou a se levantar, mas ergui a mão em busca de silêncio – O dinheiro dos Alphas foi cortado por tempo indeterminado. E não vamos larga-lo agora apenas por isso, ok?
– Larga-lo? – Clarisse perguntou atrás de mim, o tom de voz baixo para que ninguém se desse conta do meu erro
– Largá-los, desculpa. – resmunguei, andando de um lado para o outro – Precisamos de dinheiro e não sabemos como fazer. Antes de essa aliança se formar, fomos para a opção mais desesperada e fácil que era se unir aos Alphas.
– Não acha que se tivéssemos alguma chance de ir fazer outra coisa, teríamos feito antes?
– Annabeth não sabia da aliança. – Thalia lembrou – Eu que a fiz. Foi um ato desesperado que nos poupou por essas semanas.
– Pensem em algo.
– Como vender limonada? – uma das garotas perguntaram
– Como vender limonada. – afirmei
– Podíamos vender livros!
Balancei a cabeça com uma careta.
– Algo... Atrevido. – pensei
– Sexy. – Thalia completou
– Que faça as pessoas virem atrás da gente. – Clarisse completou
– Principalmente homens. – Kate riu atrás de mim
– Uma barraca do beijo. – Clarie opinou com um dar de ombros
– Bom. Muito bom. – apontei com um sorriso, Thalia assentiu
– Uma barraca do amasso? – Silena ergueu-se dentre as meninas nos sofás, seus cabelos castanhos presos em uma trança – Podíamos ficar de biquíni, sabe... E cada amasso, poderia ser uns cinquenta dólares.
– Inovador. – Clarisse sussurrou
– Atrevido. Gostei. – apontei com um sorriso – Thals?
Ela revirou os olhos eletrizantes.
– Bom.
Dei um sorriso e assenti.
– Alguma objeção? Podemos fazer na sexta. Podemos montar um balcão e... Kate, pode ficar responsável pelo dinheiro? Ótimo. Se isso der certo, eu quero que sejam atrevidas. As que tem namorados... Hm, podem dar uma folga. Todas temos que participar.
– Eles vão poder pegar em tudo. – Thalia disse, alto – Absolutamente tudo. Menos naquelas partes. E sem sexo, por favor.
– Sem sexo. Sem sexo. É crucial. – confirmei – Tudo certo, garota?
Todas assentiram. Dei um sorriso.
– Então, preparem seus biquínis, até sexta!
Meu sorriso se alargou, segurei o braço de Silena quando ela passou por mim e sorri.
– Muito boa ideia. – elogiei
– Não foi nada.
Estreitei os olhos, procurando qualquer sinal de desdém.
Não encontrei nenhum.
Dei de ombros.
– Foi ótimo, de verdade. Boa aula, Silena.
– Idem. – ela me mandou um sorriso doce antes de sair com as outras garotas
– Odeio essa garota. – Thalia rosnou
– Ela é legal. – Clarisse bebericou seu café – Preciso ir. Bom dia, garotinhas. – e então, desapareceu
Encarei minha melhor amiga com uma carranca e cruzei os braços. Ela bebeu de seu café e arqueou as sobrancelhas.
– O que foi?
– Por que você é tão grossa?
– Porque eu a odeio? – ela olhou para os lados, como se fosse a coisa mais óbvia que ela já disse em toda sua vida –Já disse: não escolhemos família.
– Aposto que ela não queria uma prima alcóolatra.
– Amiga, suas opções e sua vida está bem mais complicada que a minha.
– Não pense que focar sua atenção em mim vai me fazer desfocar a atenção em você. Aliás, qual seu problema? Finge que isso te faz bem quando...
– Você finge que o Percy te faz bem quando na verdade você quer correr para o Rogers. Finge que o Rogers é um ruim de tudo isso quando Percy é tão culpado quanto. Por favor, Annie, não tente levantar meus defeitos que os seus começam a ser um pouquinho – ela ergueu o dedão e o indicador mostrando o tamanho – mais perigosos que o meu.
– Um pouquinho? Quer comparar dois homens com o fato de estar matando seu fígado? – desafiei
– Dois homens? São mesmo só dois homens?
Thalia largou sua xícara, pegando sua mochila. Ela estava com raiva de mim, mas quando ela não estava com raiva de mim?
– Pense nisso, amiga. – grunhiu
Pensei em ir atrás dela e continuar nosso debate para quem estava mais ferrada, mas ela precisava de ajuda. E só por hoje, eu sabia que deveria deixar todos meus problemas de lado e ir de encontro a minha melhor amiga. Porque ela estava com problemas que eu fingi não enxergar.
Soltei um suspiro e beberiquei de seu café antes de ir em direção a minha aula.
A primeira coisa que me dei conta no meu caminho para o prédio de minha primeira aula foi o jeito como Percy falava no telefone. Ele estava encostado na parede de tijolos a mostra que era a fachada dos Alphas. O boné que usava tinha a aba para trás enquanto um dos seus braços estava cruzado sobre o peito enquanto seus olhos estavam fechados.
Parte de mim pensou em ir até ele. Perguntar como estavam as coisas com seu pai, se ele tinha resolvido alguma coisa... No entanto, no mesmo segundo, pareceu que ele não queria a ajuda do pai. Mesmo que isso significasse perder nossa aliança. Sair das asas do pai – e consequentemente da empresa de sua família – abriu portas para o que realmente amava.
Peguei-me pensando se isso tinha aberto portas até mim.
Por causa desse pensamento imbecil, eu forcei minhas pernas a andarem mais rápido até que eu estivesse na esquina e sua boca continuasse a se mexer, porém seus olhos ainda estavam fechados.
Infelizmente, a outra pessoa que me viu foi Rob.
Meu coração falhou algumas batidas enquanto fingia que ele não estava em meu campo de visão nem em meu caminho para minha aula.
– Ann... Annabeth. – ele parou de correr bem em minha frente
Perguntei-me como ele conseguia ficar com aquele maravilhoso sorriso e perfume bem aquela hora da manhã. Com tantos problemas me atormentando, como alguém poderia sorrir?
– Eu... Eu quero que me dê uma chance. Só uma. Só me ouça.
– Rob... Eu realmente queria te ajudar nisso. – fiz uma careta e cruzei os braços – Mas eu tenho uma aula e realmente não quero chegar atrasada.
– Quer que eu te convença? Você precisa de motivos para sair comigo?
– Eu preciso de motivos para te ouvir. Mas vamos. Encha meu saco até que eu tenha um bom motivo de te dar um soco. – resmunguei, andando com passos mais largos até o prédio
Rob suspirou ao meu lado. Achei que ele tinha desistido e boa parte de mim sentiu que poderia girar, implorando para ele continuar, no entanto quando ergui os olhos sua sombra ainda me perseguia.
– O fato é que não esqueceu de mim. Sei que não. Simplesmente não pode ter esquecido todo um ensino médio em um ano. – arqueei a sobrancelha – Tá, tudo bem, você pode. Mas... Com Jackson? Nós nem ligávamos para ele.
– Bem, eu nem sabia que ele existia até ele virar presidente dos Alphas.
– E aí ele chamou sua atenção?
– Talvez você só me queira de volta porque está com ciúmes. Com inveja porque agora ele tem direito a tudo que um dia foi seu.
– E talvez ele sempre teve inveja de mim. – retrucou e parou de repente, meus passos pararam e o encarei – Isso que você acabou de dizer... O que está acontecendo entre vocês?
Revirei os olhos e passei a mão pelo rosto.
– Somos amigos, Rob.
– Nós não éramos amigos. E além do mais, por que você continua com essa maldita aliança de fachada quando ele não tem mais nada a oferecer?
– Cala a boca.
– Eu não estou mentindo! Sabe que tudo que ele pode oferecer agora são essas malditas sessões de modelo que ele inventou!
– Eu mandei você calar a boca. – senti meu rosto ficar vermelho, sabia que se ele falasse um pouquinho mais alto começaríamos uma briga bem ali e aí todas as pessoas do campus teria mais uma piadinha para falar sobre mim
– Não vou calar, Annabeth. – Rob se aproximou, sua sombra me fez sentir menor, podia sentir o cheio de sua loção de barbear e queria tocar seu queixo, sentir a maciez de seu rosto, contudo continuei encarando seus olhos extremamente azuis contra os meus, não podia ver mais nada que aquilo – Não quero pensar que está me trocando por... Um qualquer.
Não estou te trocando, me beije, me beije, era isso que minha mente gritava.
Engoli em seco. Cale a boca.
– Nunca foi meu para que eu te trocasse por alguém, Rogers.
– Sempre fui seu. – seus lábios se abriram em um sorriso e ele deslizou o dedo pelo contorno de meu rosto
Ele se aproximou. Senti meu coração bater tão forte em meu peito que ele poderia sair a qualquer momento. Minhas mãos tremiam quando ele tocou os lábios nos meus e não me importei de continuar sendo falada porque beijei Robert Rogers. Não era algo que eu deveria me envergonhar. Nunca poderia ser. Controlei o impulso de segurar seu pulso e o prender contra mim, mas ainda podia sentir como sua língua era ágil e como não agia como um inexperiente porque ele conhecia. Conhecia onde tocar, onde deveria beijar, onde deveria começar e terminar. Era previsível.
Meus pensamentos me levaram para o jeito forte de Percy e como ele agia como um louco, sempre procurando novos lugares e novos modos de beijar.
Talvez eu fosse uma louca.
Empurrei-o e o encarei com minha melhor cara de indignada.
– Não faça isso. Nunca mais.
Só que ele estava com um sorriso no rosto. Um grande sorriso como se tivesse acabado de ganhar na loteria e nada fosse melhor que aquilo.
Eu também senti um pouquinho disso.
Ele ergueu os braços, como se estivesse rendido e sorriu.
– Tenha uma boa aula, Chase.
– Vai se foder! – gritei antes de lhe virar as costas e subir as escadas curtas para a entrada do prédio
Eu odiava homens. Odiava o que eles faziam comigo.
Acabei de trombar com alguém quando percebi que estava três minutos atrasada. Maldito Rogers e seu delicioso beijo.
– Annie...
Balancei a cabeça e continuei meu caminho.
Chega de homens. Chega de homens até sexta.
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