Teenage Kings.
12 Love her.
Notas iniciais
"Only hate the road when you're missing home"
Eu amava me sentir atraente.
Era um pouco esnobe e talvez, egoísta, no entanto tem vezes na vida de uma mulher que se ela não se sentir poderosa, pode se sentir depressiva.
Eu me sentia maravilhosa quando estava em uma sessão de fotos com o melhor fotógrafo do mundo, por exemplo. Ele me fazia sentir única e poderosa até mesmo quando estava deitado em minha cama apenas de calça jeans.
– Sabe que quem entrar aqui pode achar que tivemos uma noite louca de sexo? – ele perguntou enquanto se apoiava nos cotovelos deixando a câmera de lado
Sabia que a primeira foto que ele tirara era eu bagunçando meu cabelo enquanto me encarava no espelho. E pensei se estava sexy o suficiente para seu padrão.
Dei de ombros e me encarei em meu biquíni.
– Você prefere esse ou o vermelho?
– Não. – ele arregalou levemente os olhos e pareceu aterrorizado – Se tentar colocar aquele vermelho, vamos ter um dia inteiro louco de sexo.
Revirei os olhos.
– Estou falando sério! Precisamos de dinheiro.
Percy saiu da cama, deixando sua câmera de lado e apoiou o queixo em meu ombro enquanto as mãos estavam educadamente atrás de suas costas. Ele beijou a curva do meu ombro e continuou até estar perto do meu ouvido.
– Nesse momento, eu prefiro o azul.
– Não vou colocar o azul porque é sua cor preferida. É um azul abatido e feio. Vou continuar com o amarelo. – afastei-me de seus beijos e peguei meu roupão de seda cor de creme
Desde que Rob me beijou, eu sentia que qualquer pessoa poderia virar para mim e dizer “eu vi!”, eu provavelmente choraria. Percy não parecia saber de nada, deixando-me aliviada. Também não conseguia reagir normalmente aos seus beijos. Queria beijá-lo e comparar com Rob, mas sabia que era idiotice e me afastei.
Afastei-me de Percy quando ele mais precisava de uma amiga. Fui egoísta e idiota. Mas era sexta, faltamos as aulas da manhã apenas para montar as barracas e faltaríamos mais aulas para colocar nosso plano em ação.
– O que há com você?
Percy desceu os dedos até estar fechando meu roupão. Seus dedos eram longos e calmos enquanto terminava o trabalho.
– Como estão as coisas com seu pai?
Ele parou o que estava fazendo e enfiou as mãos no bolso da calça, seus olhos me encararam suavemente.
– Como você acha que estaria?
– Boas?
– Péssimas. Sei que não está sendo fácil para você. O dinheiro e tudo mais, estou tentando, mas...
– Precisa pensar em você primeiro. Sério. Esqueça as fraternidades por um momento.
– Não posso fazer isso quando sou o presidente dos Alphas, não posso deixa-los na mão...
– Percy. – segurei seu rosto para que me encarasse – Alpha, Beta... Nós iremos embora um dia. Sei que quer ser um ótimo presidente, ser lembrado. Eu também. Quero muito. Mas não podemos passar por cima dos nossos sonhos por causa de uma fraternidade, ok?
– Me pergunto porque não falou isso dias atrás. Quando sumiu do campus, perdeu o celular... Redes sociais. O que estava fazendo?
Suspirei e me afastei. Não muito, Percy me segurou pelo pulso, obrigando-me a não fugir.
– O que está acontecendo, Annabeth?
– Estava organizando a barraca de beijo. Assim como o segredo que você estava fazendo com sua barraca.
– Não é só uma barraca. – ele sorriu e passou os braços sobre meus ombros – É a melhor barraca.
Não pude deixar de sorrir, erguendo o rosto para sua curta brincadeira.
– Com certeza não, Jackson.
– É. Levando em conta que você vai estar se agarrando com qualquer um que pagar cinquenta dólares. Aliás, eu vou ver quanto tenho no banco. Posso te agarrar pelo resto da noite.
– Você não precisa me pagar para isso.
O sorriso dele foi quase instantâneo. Por que fiquei afastada disso? Céus, era lindo ver seus olhos diminuírem e sua boca se abrir como se pudesse estourar suas bochechas. Queria ver isso. De novo e de novo.
Cale a boca.
Meu novo mantra.
– Não? – ele mordeu o lábio inferior – A festa de Rachel... Você vai?
– Quer me fazer faltar? Não posso, querido.
Ele sorriu ainda mais.
– Tudo bem. Vou adorar te ver lá também.
– Agora precisamos ir. – avisei apontando para a porta atrás dele
Percy assentiu, ainda com um sorriso antes de avançar sobre mim.
Seus lábios. Eu os amava. Mais que o dono deles.
Seus dedos se afundaram em minha nuca e eu não podia fazer nada além de me deleitar no furacão que ele era. Inexperiente. Comigo. Sentia-me uma princesa quando ele me tocava, como se fosse feita de veludo e enquanto ele era um inexperiente, tentava ser delicado.
Não queria que ele fosse delicado.
Virei-o, empurrando-o em direção a cama e mordi seu lábio inferior. Joguei seus ombros para trás, vendo-o cair. Ele sorriu, afastando a câmera de seu corpo e apoiando-se nos cotovelos. Passei cada perna do lado de seu quadril, deslizando meus dedos sobre seu peito. Beijei seu ombro, avançando para seu queixo e levei sua mão até meu quadril. Forcei-o a apertar e acompanhei seu sorriso.
– Sabe... Se o amasso for igual a esse... – ele ofegou enquanto eu descia minha boca pela sua barriga – Vale muito mais que cinquenta pratas.
***
A barraca dos Alphas estavam na calçada em frente a nossa casa.
Não era só uma barraca. Era uma mesa com uma toalha de mesa branca e então, poltronas brancas estavam na calçada, atrapalhando a entrada de carros enquanto isso, em pequenas mesas estavam vinhos brancos, tintos e uísque. Eles deixaram charutos cubanos em um pequeno pote de vidro na mesa principal e eu rezei que fosse apenas decoração. Luke estava cuidando do dinheiro, era uma poltrona grande branca com efeitos dourados e a cabeça de um lobo talhada em cima. Ele contava notas de cem dólares com um sorriso presunçoso nos lábios.
Do outro lado da mesa principal, tinha uma poltrona parecida com a de Luke, mas Nico ocupava o lugar como vice-presidente. Ele parecia um pouco abatido e me dei uma nota mental de fazer um chocolate quente e reservar um tempo para meu melhor amigo de todas as décadas.
Mas, então, meus olhos se concentraram em um único ponto. Atrás da mesa principal, tinha uma poltrona bem maior que a dos meninos. Era enorme e em seus descansos tinham um lobo uivando. Percy sorria enquanto olhava para suas crias.
Ah, e a mesa principal. A mesa principal era uma aberração. Repleta de vibradores, pênis, brinquedos sexuais que variavam de dez dólares até cem dólares.
Todos do Alpha pareciam estar se divertindo com a música alta e servindo a todos que chegavam com bebidas.
Percebi que Percy gastou muito com essa “pequena” barraca. E quando vi como ele olhava superior para Rob, pude perceber que era um aviso, como: “corra pro meu pai e diga que continuo maravilhosamente bem sem a porra do dinheiro dele”. E eu senti orgulho dele.
– Oitocentos dólares em duas horas. Quanto chegaremos até o fim da tarde? – Kate perguntou, seus seios pulando do biquíni amarelo que contrastava com sua pele morena
Mandei-lhe um sorriso enquanto me debruçava sobre a minha mesa de toalha cor de rosa.
A nossa também não ficava para trás.
Eu e Thalia concordamos que gastaríamos um terço de tudo que tínhamos guardado. E serviu. Pretendíamos lucrar o triplo. Tínhamos apenas uma mesa principal coberta com toalha de mesa rosa e fiapos roxos. A cada lado, existia duas barracas que se dividiam ao meio para abrigarem os casais. Elas eram roxas com pequenas pedrarias para que fizesse um som confortável quando a brisa quente passava por nós.
Do outro lado, Percy me mandou uma piscadela e lambeu o lábio inferior.
Mordi o lábio inferior e ergui-me, determinada a não me sufocar com sua imagem.
A minha esquerda, Thalia saia com um sorriso e com um menino musculoso da Engenharia.
– A cortina da última barraca não está fechando. – ela me avisou
E ah, minha melhor amiga ainda continuava com raiva de mim.
– Ok.
– Você deveria participar mais, sabe? Está presa ao rei ali na frente?
Ainda com um sorriso, inclinei-me sobre ela.
– Suas palavrinhas não vão me deixar desanimada, Thals.
– Você acha isso de mim? – ela fingiu uma voz sôfrega com uma mão no peito – Como pode achar isso da sua melhor amiga?
– Você realmente não quer saber meus motivos.
Ela me mandou um sorriso venenoso e foi em direção a Kate, entregando-lhe duzentos dólares.
Fui a última barraca. O cheiro feminino da Victoria Secrets era forte e franzi o nariz. Apoiei-me no sofá felpudo e puxei a cortina com força, tentando fazê-la funcionar.
Tudo certo. Só Thalia querendo me irritar. Ela não conseguiria fazer isso, entretanto.
Voltei para a mesa principal onde Clarisse e Thalia sorriam.
Do outro lado, Percy e Nico tentavam convencer um casal a comprarem um conjunto de vibradores de diferentes tamanhos.
– E então?
Rob usava uma blusa preta com mangas arregaçadas que mostravam sua pele alva, brilhando diante do sol. Ele usava bermudas, mas parecia extremamente elegante enquanto eu me sentia uma prostituta com meu sutiã que fazia meus peitos ficarem maiores que o normal.
– Rob. – Thalia deu um sorriso meloso e puxou a tabela para que ficasse entre eles – Cinquenta por meia hora. Tem três livres, mas aposto que sua escolha vai dar uma... Desviada.
Revirei os olhos e apoiei as mãos em cima da mesa junto com ela. Rob desviou a atenção para nossos seios, o que fez meu busto ficar vermelho de vergonha imediatamente.
Clarisse esboçou um sorriso e adiantou-se para ajudar Kate a atender três garotos que usavam óculos e estavam um pouquinho deslocados naquele meio de brinquedos sexuais e mulheres de biquíni.
– E então? O que minha melhor amiga de peitos enormes e dois pintos a espera pode te oferecer?
– Thalia. – resmunguei com um sorriso forçado – Por que não resolve o problema das cortinas?
Ela piscou, talvez surpresa pelo meu tom de voz não tão controlado e ela apertou minha mão.
– E então? – encarei-o
– Eu... Pensei em dar uma olhada. Estavam falando. Posso pagar por duas horas.
– Adoraríamos fazer isso, mas as vagas pra Annabeth se encerraram. Pelo menos para você. – Nico apareceu ao seu lado jogando um braço preguiçoso ao redor de seus ombros – Como estão, minhas modelos preferidas?
Thalia arqueou a sobrancelha. Pela primeira vez nessa semana, pude ver que ela estava aproveitando aquele momento. Ela ia fazer alguma merda. Comigo, claro. E eu odiaria, então agradeceria e depois, odiaria novamente.
Apertei sua mão de volta e implorei que ela só ficasse calada.
– Confie em mim. – ela sussurrou enquanto Nico chamava a atenção de um Rob emburrado – Você vai querer ter parâmetros para compará-los.
Não respondi.
– Por que não vai embora, cara? – Nico falava e parecia sério
– Você não tem nada a ver comigo, sério. Por que não vai vender seus vibradores coloridos?
Nico me encarou e sorri.
– Ei, pode passar lá em casa hoje a noite? Temos algumas coisas para resolver.
Nico travou mandíbula. Encarou Thalia por um momento e juntou as mãos.
– Tudo bem. Eu tentei.
E então, saiu.
– Duzentos dólares. Cem agora e cem no final. – Thalia ergueu a mão e Rob jogou uma nota amassada em sua palma
Tentei não encarar o outro lado da calçada enquanto arrastava meus pés até a barraca mais próxima.
As cortinas não eram tão espessas, portanto lá fora podia-se ver sombras.
O primeiro garoto que eu fiquei essa manhã foi insuportavelmente estranho. Não me sentia a vontade com suas mãos tocando minha barriga e eu tenho que afastá-lo por meia hora de lugares privados. Sem contar em suas perguntas sobre minha vida pessoal que fiz questão de ignorar.
Mas agora, não era nenhum desconhecido.
Assim que o espaço ao meu lado afundou, tive certeza que ou Rob me agarraria até eu admitir que, sim, eu queria ficar com ele ou ele me faria confessar.
Não sabia qual era o mais humilhante.
Talvez ele estivesse em um dia ruim e fizesse os dois. Ao mesmo tempo.
Quantos pecados eu tinha feito na terra.
– Então é assim que eu posso falar com você. Pagando duzentos dólares para poder ter uma hora de sua atenção total.
– Parece que sim. – revidei e afastei-me
– Tudo bem. – ele passou a mão no rosto – Quero muito te beijar. Na verdade, quero te cobrir e te tirar daqui imediatamente porque não quero ver mais nenhum homem te olhando, mas olha... – ele suspirou – Só quero que você me escute. E então, pode me bater ou gritar comigo pelo resto do tempo.
– O que você vai falar? Sobre Percy, certo?
– Annie. – ele segurou minhas mãos – Se isso é só um meio de me fazer ciúmes, por favor, pare. Eu o odeio. E esse sentimento é mútuo.
– Que bom. – resmunguei, desviando meu olhar de seus malditos olhos negros com pestanas longas e... Céus, eu não podia continuar olhando pra ele
– Ei, escute. – ele segurou meu queixo, nos deixando perigosamente próximos – Acabe com isso. Preciso te dizer uma coisa. – engoliu em seco – Quando... Quando Poseidon me deu a proposta de ir embora. De ir para Oxford, eu fiquei maravilhado e você sabe que não podia negar aquilo. Era tudo que eu sempre sonhei, você me incentivou e eu fico muito feliz que tenha feito parte dessa maneira em minha vida e eu te amo. Annie, eu te amo tanto que eu simplesmente parei aquele maldito curso e vim te ver porque eu precisava te ver.
– Rob, eu segui em frente, ok? – dei um sorriso e afastei suas mãos de mim – Segui em frente assim como sei que você também seguiu. E Percy para você é ameaçador, para mim ele é meu fotógrafo. Estamos trabalhando juntos, ajudando um ao outro e se você quer acabar com isso, não quero escutar.
– O que você saber, então? Que tudo isso é uma farsa? Que a próxima exposição dele só está marcada para próximo ano e não tem nada a ver com mulheres peladas?
– Mulheres... Calma! Como você sabe disso?
Rob revirou os olhos e cruzou os braços.
– Notícias correm.
– Notícias correm. – repeti, levantando-me – Notícias correm. Assim como notícias correram quando você começou a namorar Lindsay Peitos Grandes. Notícias correm assim como você me deixou plantada naquele maldito aeroporto uma hora antes de viajar. – senti minha garganta fechar e não, não podia chorar – Notícias correm assim como você atrapalhou meu conto de fadas e estragou minha vida, Rogers! É esse tipo de notícias que correm!
Ele suspirou e bagunçou os cabelos.
– Ok, desculpa. Eu sei que fui um babaca e te peço perdão, Annabeth. Eu peço perdão por tudo que você mais ama no mundo porque tudo que amo é você. Absolutamente tudo. E eu não quero que um filhinho de papai te roube de mim. Até o próprio pai dele sabe que é um desejo passageiro, um desejo por ter o que sempre quis e não pode. – Rob se levantou e encaixou as mãos pesadas em minhas bochechas – E quando ele se cansar do joguinho? Se cansar das brincadeiras, para onde você vai, linda? – pisquei, um pouco atordoada pelo seu jogo de palavras sem saber em quem deveria acreditar, em quem deveria manter a palavra – Quero que venha agora pros meus braços, Annie. De onde você nunca deveria ter saído.
Não sei ao certo em que momento, mas sinto os lábios de Rob contra os mãos e meu coração palpita. Minhas mãos começam a suar enquanto estão paradas ao lado do meu corpo, pensando se devo afastá-lo ou aproveitar o momento.
Ninguém estava nos vendo. Eu tinha que confiar nisso porque eu queria simplesmente aproveitar esse momento em que Rob era meu antigo Rob. O ingênuo e extrovertido Rob.
– Eu te quero tanto. Tanto. Por favor, Annie, volte para mim.
– Não é tão fácil. Não é tão fácil esquecer. Você quer mesmo ficar com a garota que está sendo exposta em um vídeo?
– Só quero você. Não importa com o que venha. – ele deu um sorriso enorme e puxou minha cintura contra seu corpo – Só diga que sim. Por favor.
– Não posso dizer que sim.
– O que você quer que eu faça? Quer que eu me ajoelhe e te ofereça meu amor eterno? – deu um sorrisinho – Posso fazer isso.
Não retribuí sua brincadeira, embora todo meu ser estivesse tentado a pular em cima de seus braços.
– Só não quero que minta para mim, Rob. Só isso.
Seu sorriso se apaga e ele me abraça, seu rosto enterrado em meu cabelo e a única coisa que vem em minha cabeça é a foto de Percy.
Juntos, nus em um divã velho enquanto tenho um dos melhores momentos da minha vida.
Quem seria melhor para mim?
Mordi o lábio inferior e afastei Rob de mim.
– Vi sua mãe ontem. – ele sorriu enquanto empurrava uma mecha do meu cabelo para trás de minha orelha – Ela estava fazendo compras. Parecia radiante.
– É. O aniversário dela está próximo.
– Gostaria de ir. Se... Claro, você não se importar.
– Não acha que está apressando as coisas? Não disse um sim e não aceite isso como um chegamos lá. – retruquei
Rob sorriu e assentiu.
Afastei-me dele e sentei novamente no sofá. Ele ocupou o lugar ao meu lado.
Sua boca se abriu algumas vezes e então, ele se virou.
– Só quero que saiba que eu te amo. Sério.
Revirei os olhos.
– Ok.
– E sei que você deve estar me odiando, mas eu realmente não quero te perder para ninguém, principalmente para...
– Mim? Fico feliz que cite meu nome até em suas tentativas inúteis de me difamar. E a propósito, eu adorei sua bunda nesse biquíni, querida.
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