Teenage Kings.
13 High.
Notas iniciais
"You're gone and I gotta stay high all the time to keep you off my mind"
Ergui os olhos e Percy me encarava como se pudesse arrancar cada parte do meu ser com os dentes.
– O que vai fazer quanto a isso, Jackson?
Ele trancou a mandíbula e me olhou por um breve momento, talvez se perguntando se eu valia a pena.
– Por favor. — resmunguei e encarei Rob — Sinto muito. Seu horário ainda não chegou ao fim. Se quiser, posso pedir para outra garota repor.
– Não. — ele se apressou a dizer
– Não. — Percy repetiu, um tanto esnobe — Não? Realmente, Rogers, qual seu problema? Achei que meu pai tinha dito perfeitamente que você estava maravilhosamente bem em Oxford como primeiro garoto da classe.
– Você não precisa saber de minha vida, Jackson.
– Nem quero desde que ela não esteja envolvida com Annabeth.
– Você fala dela como se fosse sua. — Rob riu e se aproximou dele — Mas, preste atenção, garoto, você não é nada além de um passatempo. E vou comprovar isso.
– Rob. — respirei fundo e o puxei pelo braço — Por favor.
Seus olhos azuis me encararam por segundos antes de suspirar e bater no ombro de Percy com força.
E então, a fúria, a traição e o orgulho ferido de Percy estavam concentrados em mim. Tentei não me encolher enquanto o encarava.
– Precisamos conversar.
– Precisamos de dinheiro. — contrabati
– Eu suporto você se agarrar com todos os garotos de Yale! Mas ele não!
– Percy! Olhe o que está falando, quem é você para definir com quem posso ficar?
Puxei as cortinas para sair da barraca, contudo sentia sua presença me perseguindo.
Ele segurou meu braço antes que eu chegasse perto de Thalia.
– Precisamos conversar. Estou falando sério. Você quer acreditar nele, tudo bem, mas não sem antes me escutar, ok?
– Acreditar nele? — estreitei os olhos — O que você acha que ele me disse?
– Não sei. Mas não acredite nele.
– Talvez sobre sua exposição falsa. Sobre só me querer por inveja.
– Inveja. — ele riu pelo nariz e passou a mão pelo rosto — Inveja? Foi isso que ele disse? Que tenho inveja de quem? Dele? Do puto idiota que só quer tudo que meu pai me dá?
– Inveja porque ele me tinha no colegial. E você, não. Que tudo isso era um jogo barato para me ter. — minha garganta se fechou e me recompus em segundos — Porque se foi...
– Você está cogitando a ideia? — Percy engoliu em seco, seus olhos se desviaram dos meus para sua barraca e ele me soltou — Realmente preciso ir. Passo no seu quarto hoje à noite. A menos que você não tenha prolongado seus amassos para mais tarde.
– Percy, eu não admito que...
Ele saiu. Virou-me as costas e saiu. Soltei um grunhido, batendo meu pé no chão antes de me direcionar para Clarisse e Thalia.
– Crise com o Alpha?
– Crise com uma puta! A maior puta de todos! Filho de uma puta idiota. — rosnei
– A gatinha se transformou em uma leoa.
– Realmente, Thals? Não sei qual é o ódio pelos seus primos, mas me tira dessa. Me tira dessa porra e se resolve com esse maldito.
Clarisse nos encarou, confusa e arqueou a sobrancelha.
– O que está acontecendo com vocês? Estamos no meio de uma feira de amassos e estão tentando resolver briguinhas. Olha aqui, não coloquem nosso investimento a perder, ok? Porque se vocês fizerem isso, eu serei a primeira para abrir uma conspiração e tirá-las do poder.
Clarisse poderia fazer isso. Ela era sensata, decidida e seria a segunda pessoa a quem eu confiaria as Betas. E sabia, também, que ela dera um susto apenas para nos comportarmos. Na frente de Yale, éramos a família feminina sexy e inteligente, enquanto dentro da casa éramos um bando de garotas cheias de insegurança e problemas idiotas.
Do outro lado, Luke e Nico estavam apoiados no descanso de braço de Percy, ambos aparentemente preocupados enquanto este vociferava coisas com a mandíbula trincada.
Suspirei e joguei meus cabelos para trás.
– Kate. — chamei, apoiando meu quadril na mesa — Quer se divertir um pouco?
Ela avaliou meu rosto com seus olhos castanhos extremamente carinhosos e curiosos. Talvez fosse minha cabeça ou talvez ela realmente estivesse preocupada.
– Claro. — ela me empurrou a caixa e puxou a cadeira
Sentei.
***
O problema de ser presidente era manter a calma quando tudo parecia estar desmoronando dentro de você.
Todas estavam felizes. Abriram vinhos e champanhes quando descobriram que conseguimos nossa meta.
Enquanto bebericava meu vinho só pensava em quão idiota eu fora hoje a tarde. Por que eu confiaria em alguém que me deixou e voltou pedindo por meu amor? E por que eu não acreditava que Percy realmente poderia estar fazendo uma exposição? Aliás, o próprio Nico me confirmou antes de eu ser sua modelo.
Ele não mentiria para mim.
Não havia música alta. Apenas um speaker na altura máxima com uma música lenta da Nicki Minaj. Não era uma festa. Apenas muita alegria de uma fraternidade.
Thalia se encaixou ao meu lado sem nenhum copo em seus dedos, o que me deixou surpresa e aumentou minha felicidade.
– Não vim pedir desculpas se é isso que está pensando. — sorri e balancei a cabeça — Só quero dizer que nem Rob nem Percy combinam com você, mas entre os dois, meu primo pode ser o mais... Cotado.
– Não estou afim de falar deles, Thals.
– Ótimo. Porque o meu querido primo pode entrar naquela porta a qualquer momento.
Mal ela tinha proferido todas as palavras, Luke ergue um som acima de sua cabeça com uma música animada de Macklemore & Ryan Lewis, talvez minha preferida, And We Danced. Logo atrás dele, os membros do Alpha surgiram com garrafas de bebidas e senti o corpo de minha amiga evaporar em tensão.
– Não estou com humor para uma festa de arromba. — ela sussurrou
Assim que vi Percy passar com vários copos de tequila, percebi que não queria enfrentar sua fúria depois de shots. Então, concordei.
– Será a primeira vez que nos renderemos ao prestígio de uma boa conversa e uma boa cama. Meu quarto. — avisei
– Só vou pegar meu chá antes.
Assenti enquanto apressava meu passo no meio das Betas animadas. Logo que entrei no quarto, troquei minhas roupas por um moletom e uma blusa grande demais. Thalia demorou um pouco para chegar, fechando a porta quando adentrou.
Ela deixou a bandeja repleta de cookies, um cappuccino e seu chá.
– Noite das meninas sem as meninas. — ela sussurrou com um sorriso
– Vi que você não estava bebendo hoje.
Ela revirou os olhos.
– Imaginei que você ia reparar.
– Eu realmente quero te ajudar, Thals. — toquei sua mão
– O assunto não sou eu.
– O assunto nunca é você. — rebati — Posso te ajudar nisso. Posso ser sua consciência, se quiser.
Ela fez uma careta e jogou um cookie em sua boca.
– Não seja ridícula.
– Não estou sendo ridícula. — disse, sorrindo — Podemos fazer isso juntas, sabe.
– Prefiro quando o assunto está focada em você e seus homens.
– Ah, claro, podemos conversar sobre Luke e Nico também. O que acha?
– Acho ridículo.
– Pare de ser chata! Vamos, como estão as coisas? Quem é a indecisa agora?
Thalia balançou a cabeça e encarou seu chá.
– Sinto muito por ter sido uma idiota com você. Sério. Eu achei que com Rob... Talvez ele seria mais legal, mas não sei se confio nele.
– Por quê? Thals? Você me precisa dizer algo?
Minha amiga arqueou a sobrancelha.
– Se tiver que escolher, não, não faça essa careta. Você está parecendo Bella dividida entre Edward e Jacob. E não, eu não li. Tudo bem, talvez eu tenha lido Eclipse.
Soltei uma risada e apoiei meu queixo na mão.
– Estou feliz que não esteja revoltada.
– Estou falando sério. Depois de hoje, depois do que ouvi, Rob não parece tão confiável assim.
– Depois do que ouviu?
– Não foi nada demais. E aliás, isso... Ter que escolher. Nossa, é a coisa mais idiota que está acontecendo aqui.
– Como se você não estivesse dividida entre Luke e Nico.
– Não estou. Não quero nenhum dos dois.
De repente, a minha porta parece que voará pelos ares. Pulei da cama com um susto e Thalia me encarou, deixando sua xícara de lado.
– Annabeth! Abra essa porta imediatamente! Preciso falar com você e sabe disso!
Thalia arqueou a sobrancelha, como um "está vendo?".
– Vou deixar vocês sozinhos.
– Por favor, não. — gemi, mordendo o lábio inferior
– Acha mesmo?
Assenti, nervosa. Encolhi os ombros ao ver que Thalia nunca seguiria meus pedidos. Ela abriu a porta com uma carranca. Percy colocou a cabeça para dentro e soltou um suspiro de alívio.
– Thals, eu te imploro. Nos dê um tempo, por favor.
Thalia intercalou os olhos claros e nos mandou um sorriso.
– Sempre que quiser, priminho. – seu tom de voz pingava a ironia
Ela voltou e pegou seu chá, enchendo as mãos de cookies antes de se retirar. Afundei-me na minha cama, fechando os olhos quando Percy ocupou o lugar de minha melhor amiga.
– Você ficou com ele. – acusou
Tentei identificar raiva em seus olhos, algum sentimento ruim e tudo que me veio foi uma onda de tristeza. Hesitei, recuando meu corpo para trás.
Engoli em seco. Peguei um dos cookies, desfazendo-os em meus dedos.
– Você, ao menos, gostou de ficar comigo? Você... Gosta de mim?
Meu coração doeu com seu tom de voz. Levantei os olhos para ele apenas para me dar conta de seus olhos verdes apertados em duas fendas, como se fosse chorar. Puxei o ar pela boca.
– Percy... – ergui meus dedos em busca de suas mãos
– Não. Não. – ele levantou da cama, passando a mão pelos cabelos – Eu não quero acreditar nisso. Você me usou, então? Quando...
– Eu não te usei! – gritei, buscando pelo seu rosto, segurei suas bochechas em minhas palmas, forçando seus olhos a focarem em mim – Percy, eu não te usei. Eu adorei cada segundo que passei com você e... Isso... Tudo isso que estou fazendo é para ajudar nossas fraternidades porque...
– Meu pai cortou nosso dinheiro. E você não está me ajudando. Estou me perguntando se ser minha modelo é algum tipo de massagem para seu ego.
Afastei-me como se tivesse recebido um tapa.
– E será que essa exposição realmente existe? Será que você me quer porque posso ser sua modelo ou sempre me quis e nunca...?
– Não ouse falar isso! – seu dedo ergueu-se diante do meu rosto – Não ouse! Porque eu gosto pra caralho de você, Annabeth! E não quero pensar em dividir você com ninguém, nem com aquele filho da puta do Rogers! Tudo que penso é em você. Todo segundo de cada maldito dia. E nesse exato momento, eu quero que você morra. – seu lábio inferior tremeu, ele afastou dois passos de mim, inspirando profundamente – Quero que você morra porque nunca mais irei sofrer por você. Nunca mais.
Seus olhos brilhavam diante da pouca luz que a janela do meu quarto proporcionava. Meus olhos arderam, senti como se pudesse chorar, ajoelhar-me diante dele, implorando por seu perdão. A dor de Percy era palpável. Poderia ter se passado uma eternidade enquanto eu buscava minha voz, tentando construir um comentário grosseiro para que ele fosse embora e tudo que vinha a minha mente era “me desculpa”.
Eu não queria que ele fosse embora. Não queria que ele me odiasse. As palavras dele foram como facas afundadas em cada parte meu corpo.
– Percy... – balbuciei – Eu... Não... Fique aqui. Vamos... – agarrei seu braço enquanto ele caminhava em direção a porta
– O quê? Rir da minha cara de idiota? Por achar que você poderia gostar de mim? Que poderia dar uma chance para gente?
– Eu nunca ri de você, Percy. Nunca.
– E também nunca gostou de você. Não se preocupe. O caminho está livre para vocês dois. Tenham um belo final feliz.
Como era de se esperar, Percy era incrivelmente mais forte que eu. Com um puxão, seu braço se foi de minhas mãos, meu corpo foi lançado vários passos para trás e do outro lado da porta, Luke nos encarava com um copo de cerveja nas mãos e os olhos arregalados.
Percy fingiu que ele não estava ali, desceu as escadas e desapareceu.
Permiti as lágrimas rolarem pelas minhas bochechas, abraçando meu próprio corpo e dando um passo para trás. Luke repuxou os lábios, fechando a porta e deixando-me sozinha em minha própria poça de ilusão.
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