Teenage Kings.
22 Modern Fairytale.
Notas iniciais
"The bed is getting cold and you're not here, the future that we hold is so unclear, but I'm not alive until your call..."
Ajeitei minha bolsa em meu ombro enquanto acompanhava uma Clarisse apressada.
– Por que merda você está correndo? – resmunguei entredentes
– Você que está andando muito devagar.
– Clarisse! – gritei, pulando uma poça de água, aninhei-me contra meu casaco, pensando que poderia nevar a qualquer momento – Volte aqui! Não corra assim.
– Só quero chegar a casa logo. – ela suspirou, parando ao meu lado – Consegue me acompanhar agora?
Apertei o cachecol contra meu pescoço, puxei minha touca para que cobrisse minha orelha e assenti, apressando o passo até a fraternidade, o sobretudo pesava em meus ombros e tudo que eu queria fazer era desabar em minha cama. Nosso jardim tinha alguns centímetros de neve, poucos e preocupantes centímetros. Lá dentro, as meninas estavam aninhadas no sofá, tomando chocolates quentes, algumas se preparavam para as férias de inverno enquanto outras pretendiam fazer cursos em alguma área ou começar o estágio em outra.
Assim que adentrei a sala principal quase me deixei cair de joelhos. Eu estava totalmente cansada das duas últimas semanas.
Decisões atrás de decisões. A carta ainda continuava lá. Na segunda gaveta do criado mudo. Tirei meu casaco – que eu tinha certeza que pesava mais que eu – coloquei-o no vestíbulo quase inutilizável no verão e agora cheio de casacos gritantes. Joguei minhas botas para o outro lado, desfazendo o nó do cachecol. Encontrei com Thalia na cozinha fazendo um chocolate quente com seus pijamas.
– Pode fazer um para mim? – pedi com a voz cansada
Ela me encarou, surpresa. Minha amiga havia aderido uma expressão mais saudável desde que havia conseguido controlar seu vício. Suas bochechas não estavam tão fundas como antes, nem as olheiras tão roxas. Ela suspirou, voltando para o fogão.
– Você vai precisar.
Despejou o liquido espesso do bule em minha caneca e sorri, agradecida, ao sentir a bebida deslizar calorosa pela minha garganta.
Peguei um biscoito caseiro.
– Por quê?
– Você já falou... Com ele?
– Já disse que sim.
Thalia arqueou a sobrancelha.
– Por mensagem?
Encolhi os ombros.
– Bem, eu achei que quando recebesse, eu já estaria longe. Afinal, a viagem é amanhã. As malas estão prontas, não há muito mais para o que decidir.
– Claro que não. – Thalia respondeu irônica – Além de que a viagem dele também é amanhã.
– É? – fingi não me interessar, dando de ombros – Que bom.
– Você está... Eu sabia! – ela grunhiu em minha direção – Vocês são a porra de dois furacões e isso vai explodir agora.
– Furacões não explodem e mesmo se explodissem, não há nada para explodir, Thals. – disse com a voz firme que havia treinado durante a semana passada – Tudo que era para ser decidido já está feito.
– Acho que você esqueceu do detalhe de terminar o namoro.
– Isso é o de menos. – grunhi de volta – É a minha vida e a minha carreira que está em jogo. Eu já peguei o carro e chegarei por volta das quatro ou cinco em Nova York.
– Annabeth, sua vida também é importante e sua vida...
– Não! Não me venha com esse papinho. Eu acho que você deveria me apoiar, ok? Apoiar meu sonho.
– Desde que você seja corajosa o suficiente para dispensar o seu namorado. – ela revirou os olhos
– Ele foi pescar com Nico. Vai voltar amanhã e quando chegar, eu já estarei bem longe. Ele vai me ligar e resolveremos isso como dois adultos.
– Não tem como ser adulto se há apenas um. – Thalia me encarou – Estou decepcionada com você, Annie.
Revirei os olhos, percebi que ainda estava de luvas e as tirei, enfiando em meu bolso traseiro.
– Não importa quem é adulto ou não. Eu sonhei com isso por toda minha vida, está virando realidade e não vou deixa-lo atrapalhar nada disso.
– Admita. – Thalia estreitou os olhos – Você não quer atrapalhar... Ele.
Decidi ignorar seu comentário. Peguei minha bolsa com raiva, subindo as escadas com meu chocolate quente em passos fundos e rápidos.
A porta estava trancada, como eu deixara. Apenas Clarisse e Thalia sabiam da minha viagem, por sorte, Clarisse lidara bem com isso e me apoiara, no entanto Thalia havia agido de uma maneira estranha, dizendo que eu faria o que quisesse. Tateei a bolsa em busca das chaves, repassando a ligação do meu futuro chefe.
Nova York. Céus. Era insano. Dei um sorriso, ignorando as palavras duras de minha melhor amiga. Minha carreira poderia começar em uma semana e eu não negaria todos os meus sonhos por um cara. Não mesmo. Até porque eu não o amava e Jamie havia previsto claramente: eu partiria seu coração. Balancei a cabeça. Eu não poderia fincar isso na cabeça.
A empresa pagaria um bom apartamento, me deixaria concluir a faculdade a distância por seis meses. O mesmo tempo em que ele estaria fora para promover sua exposição. Com certeza, ele teria várias garotas para esquecer-se de mim.
Abri a porta com o quadril, equilibrando a caneca em uma mão. O quarto estava imerso em escuridão. Revirei os olhos. Além do mais, eu havia deixado a janela aberta. Precisava ligar o aquecedor urgentemente. Fechei a porta, liguei a luz e dei um grito.
– O que você está fazendo aqui?
Tentei controlar minha respiração. Percy estava sentado com as mãos nos joelhos. Seu olhar estava vazio embora ele tivesse um ar saudável. Depois de organizar meus pensamentos, joguei meu cachecol para o lado e continuei com as mãos em frente ao meu corpo, tentando me proteger de algo que eu não sabia.
– Eu achei que fosse pescar com Nico. – mantive minha voz calma, tentando ser carinhosa
– Pode parar! Pode parar com a porra da encenação! Por que teve que ficar comigo? Por que não poderia me ignorar por mais tempo? – ele gritou
Fechei os olhos. Era isso que Thalia queria me avisar. Lembrei-me de descarregar toda minha raiva nela.
– Se você se acalmar, eu posso explicar tudo para você.
– Explicar? Você me deixou um bilhete. Você terminou comigo por um bilhete!
Respirei fundo. Seria mais difícil do que eu havia imaginado. Pousei meu chocolate quente no criado mundo. Percy se afastou de mim, ficando perto da janela.
– Percy. – falei – Nós... Simplesmente não combinamos. Não dá certo.
Ele estreitou os olhos, desconfiado.
– Do que tá falando? Essas semanas foram as melhores de minha vida! E eu achei que era da sua também.
– E foi. – pisquei, eu não poderia chorar agora – Foi ótimo.
Percy passou os punhos pelo rosto, amassando o pequeno papel que eu tive o cuidado de deixar o mais arrumado e decente possível.
– E por que está terminando comigo? O que eu fiz?
– Você não fez nada. Só que... Dessa vez, não é você que está me deixando. Sou eu. Eu tenho algum defeito, Percy, você merece alguém melhor do que eu.
– Não venha com esse papo para cima de mim! Não existe alguém melhor que você para mim, Annabeth! É por causa da viagem? Eu ia te fazer uma surpresa.
Franzi o cenho.
– Que surpresa?
– Você ia comigo. Você pode ir comigo. As passagens podem ser usadas até março, mas podemos usá-las agora.
– Não. Percy. – respirei fundo, que papo de passagens era esse? – Eu não posso. Podemos terminar isso como dois amigos? Como... Eu gosto de você.
– Não! – ele virou as costas para mim, apoiando as mãos no parapeito da janela – Não. Há algo mais. O que é?
– Não há nada. Nada. – repeti para mim mesma – Por que você não esfria a cabeça e vai embora? Acabou. Aceite.
– Não acabou! Eu sei que não. Aquilo... – ele murmurou, jogando o papel e vindo em minha direção – Você estava chorando no dia da exposição e até hoje não me disse nada, o que te disseram?
– A verdade, eu acho. – encolhi os ombros – Que eu acabaria com você.
– Foi Jamie, não foi? Filho da puta! Eu vou mata-lo e...
– Percy. – segurei seus braços – Supere.
– Eu não quero te superar. Esse é o problema. Eu vou ficar maluco sem você, Annabeth.
– Você já é louco, lembra? – tentei brincar
– Não... Por que você está fazendo isso comigo? Por quê? Só me diz o porquê.
Encarei o teto. Ele não me faria chorar. Não depois de treinar tanto na frente do espelho. Ele não me veria cair agora.
Percy segurou meu rosto entre suas mãos.
– Amor. Por quê?
– Me deixe ir, Percy.
– Não posso fazer isso. Não consigo.
Meu coração gritava para que eu falasse a verdade. Ele merecia a verdade, não merecia? Ele havia me ajudado com o idiota do Rob – maldito seja – e não virara o rosto em nenhum segundo. Por que eu o estava deixando?
– Você vai ter que conseguir.
Ele pressionou os lábios com força contra os meus. Ofeguei, afastando-o com força.
– Acabou, Percy!
– Me diga a verdade! Não minta para mim e eu vou embora. Vou embora da melhor maneira possível.
– Por que não podemos balançar as mãos e você ir embora?
Percy soltou uma risada, apoiou sua testa contra a minha enquanto seus dedos retiravam alguns fios e colocando-os atrás de minha orelha.
– Porque eu nunca faria isso. E porque você está mentindo para mim. Pode falar a verdade agora?
– Só queria que você fosse embora.
Percy crispou os lábios com raiva.
– Isso não vai acontecer.
Separei-me dele, passei a mão pelo meu cabelo, retirando a touca e encarando todos os lugares do quarto menos ele. Percy continuou ali, parado com as mãos jogadas ao lado do corpo. Pensei em todas as conversas e e-mails que havia trocado com meu chefe, pensei na carta em minha gaveta, pensei nas palavras frias e cortantes de Jamie, até consegui me lembrar das pessoas me enchendo de perguntas na exposição.
– Eu vou para Nova York. E pretendo ficar lá quando me formar.
– Nova York não é tão longe, podemos...
– Não há “podemos”. Eu posso. Eu. Primeira pessoa do singular, Percy. Sem você.
– Mas...
– Eles me ofereceram uma casa e posso concluir Yale sem... Você vai viajar agora, Percy e tudo está tão confuso. Não quero você comigo. E...
Funguei. As malditas lágrimas estavam ali, rolando pelas minhas bochechas, caindo sobre meu queixo. Andei de um lado para o outro lado, respirando fundo.
– Annie...
– Não! Deixe-me falar! Eu amo você e eu... Céus, eu quero morrer por isso. Não quero depender de você nem de ninguém. É ridículo não querer isso, mas... Você tem uma vida pela frente. Agora que Rob não é nada, você pode cuidar da Jackson’s! E você... Você pode continuar fazendo suas fotos. Não venha me dizer que serei única. Não venha dar uma de romântico. – Percy tinha um sorrisinho no rosto enquanto eu gesticulava – Só não quero você perto de mim! Digo, parte de mim quer, mas eu estou ignorando essa parte porque ela é insensata e idiota e... – respirei fundo – Por que diabos você está sorrindo?
Ele enfiou as mãos nos bolsos, inclinando-se em minha direção.
– Você disse que me ama.
Senti meu rosto ficar vermelho, minhas mãos começaram a tremer. Balbuciei alguns xingamentos antes de ignorar aquela afirmação.
– Annie. – sua voz era suave, fazendo-me parar de falar – Tudo bem. Vamos ficar seis meses sem nos ver, mas está tudo bem, amor. Quando eu voltar, eu...
– Não! Você está certo, claro que está, mas eu não me importo porque não parece o certo para mim. – gritei, mantendo minhas mãos a minha frente para que ele continuasse afastado – Parece loucura, mas eu não quero depender de você, Percy.
– Nós podemos fazer isso dar certo. – tentou
– Não existe final feliz na vida real, Percy. – murmurei, cruzando os braços, forçando meu queixo a continuar erguido – Essa porra de vida! – grunhi, virando as costas para ele – Tudo que você quer... Tudo que almeja e sonha é diferente do que eu quero! E não posso me privar do que quero por causa de você ou você se privar por causa de mim.
– Mas você me ama. E podemos consertar. Podemos dar um jeito. Adoro Nova York, eu...
– Você está tentando se convencer de algo que não quer. De algo que não sabe se quer. Como pode fazer isso? – estreitei os olhos para ele
Percy encolheu os ombros, mordeu o lábio inferior e veio em minha direção. Ele segurou meu rosto com as mãos lentamente, fazendo-me perder o ar, minhas pernas tremeram e caso eu não estivesse com tanta ânsia de ver mais pontinhos claros em seus olhos, eu me deixaria cair.
– Annabeth. Há tantas razões para eu desistir de você. Desde que eu me tornei líder do Alpha. Se eu não desisti por tudo aquilo, não vou desistir agora.
– Mas eu desisti! – insisti
– Você sempre desiste. Alguém tem que se manter firme, certo?
Fechei os olhos com força, tentando imaginar que aquilo era um truque da minha cabeça.
– Annabeth, eu amo você. E não vou desistir de você, mesmo que você desista de nós.
– Eu só queria terminar com você. Por que você tem que tornar as coisas mais difíceis do que são?
– Porque finais felizes são difíceis de conquistar. E eu só imagino um ao seu lado.
Afastei-me levemente, embora quisesse rodear seu pescoço com meu braço e derrubá-lo na minha cama para sempre.
– Você acha que imagina. – minha parte sensata me obrigou a falar – Você só acha.
– Se acho ou não, é o que quero. E costumo lutar até o final pelo que quero. – ele delineou a linha do meu queixo com um sorriso de lado – Principalmente agora que sei o que sente por mim.
– Só saia daqui. Me deixe sozinha.
– Eu não posso fazer isso. – sussurrou – Quando você viaja?
Respirei fundo, apreciando seu toque em meu rosto, adorando o jeito que seus dedos afastavam alguns fios molhados e grudentos ou como suas mãos me aqueciam do inverno infernal do lado de fora, deslizando pela minha janela.
– Amanhã. Às três.
– Como você vai?
– Carro. – ele piscou, percebi em como ele se tornou sério, pensativo
– Com quem você vai?
– Eu estou terminando com você. E você está preocupado como eu vou?
– Posso transferir meu voo para Nova York e...
– Não! – afastei-me em um pulo – Não quero proteção. Quero me virar sozinha. Quero quebrar a cara quantas vezes for preciso, Percy. É isso.
Percy arqueou a sobrancelha, ameaçador.
– Você já quebrou a cara vezes suficientes, não acha? Ex-namorados, coisa e tal?
– Na vida. – balancei a cabeça – Só vá embora. Por favor.
– Eu quero me despedir de você. – ele voltou a se aproximar
– Não vai haver despedidas. Eu vou voltar em algumas semanas para organizar as coisas por aqui, depois me mudarei definitivamente para lá.
– Quero me despedir de você. – insistiu
– Não vai dar. Sinto muito.
Percy assentiu, distraído. Ele voltou a enfiar as mãos no bolso, passando os olhos pelo meu quarto, como se esperasse guardar cada pedacinho.
– Quem vai ficar com seu posto?
A pergunta me pegou de surpresa. Encolhi os ombros.
– Thalia vai ser a líder até a formatura. Em seguida, ela vai se mudar para lá também.
– Provavelmente vão morar juntas.
Assenti, mas ele não me olhou, nem sequer pareceu querer me olhar. E aquilo me doeu, embora parte de mim soubesse que ele estava fazendo aquilo para que eu mudasse de ideia.
Já está tudo decidido, repeti. Minha vida, minhas escolhas. Haveria momentos difíceis durante a caminhada, tudo que eu poderia fazer era sofrer e seguir em frente. Eu estava sofrendo agora. Meu corpo doía como se fosse uma dor realmente física, mesmo que a parte sensata dentro de minha mente gritasse que eu estava sendo uma boba romântica, a parte insensata venceu com o argumento: isso vai passar logo, sinta enquanto pode. Afundei minhas unhas em minha pele, tentando manter as lágrimas em seu devido lugar.
– Vou sentir sua falta. – ele disse sob um suspiro
Apertei os lábios. As lágrimas voltaram como uma cachoeira, deixei um soluço baixinho escapar enquanto escondia meu rosto entre minhas mãos. Eu não poderia aguentar. Por que eu não poderia ficar sozinha? Por que ele não poderia ir embora?
Senti seus braços me apertando em um abraço. Não consegui retribuir, apenas deixei que minhas lágrimas rolassem pela sua camisa e o que antes era seu desespero, virasse o meu. Como eu viveria sem ele? Por seis meses... Pelo resto da minha vida?
Quem me deu a ideia maluca de terminar com ele?
E mais, ele ficaria com outra mulher. Uma mulher compreensiva, que o entenderia, que seria sua nova musa. Eu deveria estar pronta para isso.
Percy afagou meu pescoço, fazendo-me encarar seus olhos carinhosos.
– Podemos dormir um pouco? Eu estou cansado e acho que você deve descansar para a viagem.
– Não quero dormir, eu... Vou sentir sua falta, Percy. – solucei, não havia motivos para ter vergonha do meu choro agora
Ele já me vira de todas as maneiras possíveis, tanto fisicamente quanto emocionalmente. Era engraçado ter vergonha de um choro, ainda sim a cada soluço eu sentia aquele sentimento me assolar, afundar-se em mim.
– Eu sei que vai, amor. Sei que vai.
– E não quero que deixe de viver por mim. E nem volte antes do tempo. – comecei a tagarelar enquanto ele sorria sereno, carregando-me até minha cama – E... Encontre uma mulher bacana, vá me procurar quando você conhece-la. Aposto que deve ter alguma por aí que adore fotos e seja mais fotogênica que eu.
– Não vamos falar sobre isso agora, certo?
Percy empurrou os sapatos, enrolando seus pés quentinhos pela meia junto com os meus. Ficamos com os rostos a centímetros de distância, sua mão afagava meu rosto e deslizava pelo meu cabelo embaraçado, repetindo o mesmo carinho.
– Sobre o que quer falar? – enxuguei meu rosto – Eu só quero falar com você. Eu... Quero me desculpar por ter sido uma idiota com você todo esse tempo, quero me desculpar... Céus! Que vergonha, eu ia terminar com você por um bilhete e...
Ele grudou nossos lábios com firmeza, apertando minhas costas para que meu corpo ficasse colado ao seu.
– Cale a boca, Annie. E durma.
– Eu não consigo dormir. Eu quero te olhar. – toquei seu rosto, a barba por fazer ainda estava ali, dei um sorriso – Pensou em ser um fazendeiro?
– Deixe-me formar primeiro. Deixe-me processar todas essas informações. Eu amo você. – ele repetiu, de repente – Não sei se chegarei a amar alguém como amo você. Pode ser idiota, insensato e impulsivo, mas é isso. Eu te amo. Há tanto tempo de uma maneira irritante e agora que conheço você... Eu não sei.
– Percy. – sussurrei com a voz carregada de emoção, morrendo de medo de chorar de novo – Você é um amigo incrível. Um fotógrafo maravilhoso. E com certeza, o melhor namorado que já tive. Quero que seja feliz. Você merece ser feliz.
– Você também. Quero que seja muito feliz, Annie. Mesmo que não seja comigo.
Respirei fundo.
– Sinto muito por isso. Eu acho... – pigarreei – Acho que você é parte do que sou.
– Bem, agora você é uma modelo famosa. – ele deu de ombros com uma risada
– Tudo graças a você. – dei um sorriso, pousando minha mão em sua costela – A você.
Percy piscou.
– É isso?
– Acho que o destino é uma coisa engraçada. – sussurrei – Acho que sabíamos que isso ia acontecer. Você vai para um lado, eu vou para o outro. Seguimos nossos sonhos, certo? Vamos ser felizes, claro que iremos. Você irá conhecer uma garota legal, bonita, que te dará filhos lindos e...
– Você conhecerá um cara que lhe mostrará todo dia o quão maravilhosa você é. – ele sorriu, passando os dedos pelo meu rosto – Vai te dizer o quanto essas sardas são sensacionais. Você não merece nada menos que isso, Annie. Lembre disso sempre. Não deixe nenhum cara te tratar como... Rob te tratou. – grunhiu – Nenhum. Você merece um tipo de príncipe, sei lá.
Dei um sorriso.
– Acho que ele vai procurar outra princesa.
– Só... – seu rosto ficou vermelho e ele franziu os lábios, como se fosse chorar – Queria poder cuidar de você, é isso. Só que eu te entendo. Eu sempre soube que essa vida acabaria e eu teria que sentar em frente a uma mesa, trabalhar. Ter uma vida. – ele revirou os olhos – Parece insano, não é? Virar adultos.
– Acho que faz parte do processo.
– Vida. – ele murmurou, em seguida beijou minha testa – Oficialmente terminado. Pode deixar, eu entendi o recado. Amigos? – Percy ergueu a mão esperando por um high-five
Soltei uma risada, batendo em sua mão.
– Por que você é assim? Por que sempre consegue transformar os piores momentos em... Um momento legal?
– Costumo fazer isso com você. Quer descansar agora?
– Eu estava esperando por um drama, gritos... – falei baixinho, aconchegando-me ao redor de seus braços – E você me vem com beijos e palavras bonitas.
– Sou um cavalheiro. – ele murmurou contra meu cabelo
– Essa garota vai ser muito sortuda. – rebati
Ele disse algo, abraçou-me mais apertado e fechei os olhos. Eu tinha que descansar, ele estava absolutamente certo. Beijei seu peito, aproveitando para sentir e gravar seu cheiro dentro de mim. Sabia que quando eu acordasse, ele já não estaria ali. E queria guardar a textura de sua pele enquanto minha parte insensata continuava me culpando por ser uma idiota e deixa-lo ir.
Minha parte sensata gritou que eu estava sendo inteligente e racional.
Mandei minha parte sensata ir se foder.
"...but I can't imagine a life without you, the breathless moments breaking me down."
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