Teenage Kings.
5 Four, five, six.
Notas iniciais
"Cause you look so fine that I really wanna make you mine"
Eu estava saindo de minha aula de geometria, colocando todos os cadernos de desenho dentro de minha enorme bolsa.
Andei pelos corredores, apressada. Eu estava uma hora atrasada para o encontro dos Alphas e Betas na sede deles. Havia recebido inúmeras mensagens de Thalia, milhões de chamadas perdidas de Nico e duas mensagens de Percy que não fiz questão de abrir.
– Ei, ei... – alguém segurou meu braço assim que senti meus pés se embolarem em um minuto que eu provavelmente cairia
Levantei os olhos, dando de cara com íris amarronzadas.
– Mark... – tentei me lembrar de seu nome
– Matt. – ele me corrigiu com um sorriso, segurando meu cotovelo – Quer alguma ajuda?
Arqueei as sobrancelhas e balancei a cabeça, puxando meu braço.
– Obrigada. – respondi, seca
– Quer companhia? Acho que estamos indo para o mesmo lugar.
– Eu ainda vou passar em casa, tomar um banho... – comecei, apressando os passos
Matt me acompanhou, um sorriso provocativo depositado em seu rosto.
– Hm, esse short está ótimo e sem ofensas, você está deliciosamente cheirosa.
Senti minhas bochechas corarem e parei de andar abruptamente.
– Não vai rolar.
Ele cruzou os braços ao meu lado, encarando-me com certo divertimento.
– O que não vai rolar?
– O que você está tentando fazer, sério. Eu até te entendo, e não me leve a mal, você é muito bonito, se fosse em outro tempo, com certeza, eu te daria uma chance, mas agora? – balancei a cabeça – Sinto muito.
– Não sinta. – Matt riu – E por que você acha que eu estaria dando em cima de você? Por que acha que eu não poderia querer apenas sua simples e singela amizade?
– Porque homens nunca querem isso.
– Digamos que eu seja uma exceção. – voltamos a caminhar, descemos as escadas em direção a sede dos Alphas – Digamos que eu seja um cara legal, sabe, um bom amigo.
– Estou farta de amigos. Eles só nos trazem problemas.
– O que eu disse sobre ser uma exceção?
– Não existe exceções. Existem fingimentos.
Matt balançou a cabeça, franzindo a testa logo em seguida.
– Você é muito difícil de conversar, Annabeth.
Assenti, concordando.
– Então, é nesse momento que você dá o fora.
– Não vai ser tão fácil me expulsar. Sou um cara muito decidido.
Revirei os olhos, ignorando-o até estarmos no jardim não tão bem cuidado dos Alphas. Matt foi a minha frente, abrindo a porta e deixando o braço estendido para que eu passasse. Aceitei enquanto ele empurrava minha costela com gentileza para que eu adentrasse a casa.
Não me lembro de ter entrado na sede dos Alphas desde que cheguei em Yale, mas era espetacularmente uma mistura de organização com uma bagunça. Como uma bagunça organizada que eu nunca pensei que existisse.
Toda a casa era rústica, feita de madeira. Assim como o balcão que dividia a enorme sala com a pequena cozinha onde uísques e cervejas alemãs estavam divididas por cor. A sala trazia a maior televisão que eu já vira em minha vida, como se estivéssemos em um cinema informal, onde passava um jogo da Liga dos Campões. Thalia estava com os cotovelos e as costas debruçadas sobre o balcão, com uma garrafa de Heineken em sua mão enquanto Nico estava ao seu lado, ambos sorridentes, o que fez uma pontada de esperança crescer dentro de mim.
No sofá, alguns caras que eu reconheci como Beckendorf e Lee estavam jogados pelo sofá, junto com algumas das minhas meninas, elas não pareciam estar se divertindo com aquele jogo enquanto eles se animavam a qualquer esperança de que seu time preferido fosse fazer um gol.
Luke estava preparando bebidas na cozinha junto com Percy e ninguém pareceu ter notado que eu havia chegado o que foi uma benção.
– Então, é isso que vocês fazem em sua tarde vaga? – perguntei para Matt enquanto ia em direção a minha melhor amiga
– Não sei. – deu de ombros – Sou novato aqui, lembra?
Cutuquei Nico com o cotovelo enquanto ele beijava o topo de minha cabeça e me abraçava junto a ele.
– Hã... Matt, esse é Nico, vice-presidente dos Alphas e Nico, esse é Matt, calouro.
– Por que você apresenta as pessoas com seu status da vida? – Nico me perguntou, como uma repreensão – Isso é ridículo. – encolhi os ombros enquanto ele revirava os olhos – E sei quem ele é, ok?
Matt riu, balançando a cabeça.
– Já deveria imaginar que ela é assim.
– Então, você veio. – Percy apareceu ao nosso lado, seus olhos verdes caíram sobre os meus, seus dentes acariciando seu lábio inferior – Pensei que tinha desistido.
– Estava pensando nessa possibilidade.
– Não seja idiota. – ele acariciou a nuca – Então, uma cerveja?
– Não, obrigada. – disse – E então, como está o jogo? – perguntei a Nico
– Nem sei quem está jogando. – ele deu de ombros – Estava tentando fazer sua amiguinha parar de beber.
Mergulhamos em um silêncio constrangedor por alguns minutos até Matt pigarrear e inclinar-se sobre mim.
– Parece que tem outra adaga lá atrás, quer um vinho? – ele sorriu, como se quisesse me tirar dali
E eu realmente queria.
– Adoraria. – assenti
Saí dos braços de Nico, ignorando o olhar de Percy assim que passei minha mão pela dobra do cotovelo de Matt. Ele me levou até uma área interna, um salão de jogos, uma escada de madeira para o segundo andar, o que pensei ser os dormitórios e ao lado da mesa de sinuca, outro bar repleto de cerveja.
Franzi os lábios, apoiando os braços e sentando em cima do balcão de mogno.
– Legal aqui. Digo, não tem ninguém no lugar que deveria estar cheio?
– Também achava que ninguém dos Alphas estudava ou trabalhava. Mas, eles têm uma vida, sabe? – Matt retrucou, abrindo uma pequena porta que mal cabia ele sem que abaixasse a cabeça
Alguns segundos depois, ele voltou com uma garrafa aberta pela metade de um vinho.
– É bom. – ele balançou pegando duas taças embaixo do balcão
Assenti enquanto ele preenchia a minha até metade.
Beberiquei, sentindo o gosto adocicado preencher minha boca, descendo levemente pela minha garganta. Bebi todo o liquido por segundos, Matt abriu um sorriso enquanto enchia minha taça pela segunda vez.
Uma música eletrônica começou a incendiar cada parede dos Alphas, retumbando sobre a minha pele e fazendo meu corpo vibrar ao seu ritmo.
– Parece que a festa começou.
Matt falou, esgueirando-se ao meu lado.
Balancei a cabeça, enchendo meu terceiro copo, entorpecida pelo álcool e pelos seus olhos amendoados.
– Você gosta de vinho, certo?
– É o que me deixa bêbada mais rápido, mas não posso mentir, ele é o melhor.
– Então, você deveria parar de beber, certo? – Matt puxou a garrafa para mim
Inclinei meus lábios em sua direção.
– Achei que fosse sua intenção.
– Não era. – retrucou – Mas está começando a ser.
Sua mão deleitou-se sobre meu joelho enquanto eu encarava a porta atrás dele.
– Eu disse que eu era um cara decidido.
Revirei os olhos e encarei o fundo de minha taça, bebericando-a.
– Percebi. – sussurrei – Não que eu vá deixar você ganhar essa fácil.
Matt deixou a garrafa de vinho descansar na madeira enquanto seu corpo se ajustava entre minhas pernas, sua mão subindo pelo meu pescoço.
– Parece que eu já ganhei, Chase.
Não pude deixar de sorrir antes de seus lábios tocarem os meus. Eram macios e sua mão era forte contra a minha. Enfiei meus dedos em seus cabelos, puxando-o mais para mim, sua língua vasculhou cada parte de minha boca com maciez e certa luxuria, seus dedos afundando-se em minha pele na coxa, penetrando meus shorts até estarem na altura de minha calcinha. Ofeguei, jogando meu cabelo e minha cabeça para o lado enquanto seus lábios desciam pelo meu pescoço. Assim que ele se afastou, apoiei minhas mãos em seu ombro, misturando nossos hálitos de recém bêbados, descendo meus lábios para sua clavícula e mordendo seu lóbulo.
– Boa ideia de me embebedar.
– Sempre funciona. – Matt sussurrou – Não que eu estivesse arquitetando isso.
– Devo imaginar. – arqueei as sobrancelhas, pronta para dar o fora dali
Matt segurou meu quadril, prendendo-me sentada ao balcão.
– Estou falando sério. Não planejei isso.
– É o que todos dizem, Matt.
– Eu juro. – ele segurou meu rosto entre suas mãos – Annabeth, você é incrível, eu não faria isso com você e se eu fizesse, você não seria tão burra para cair.
– Eu acabei de cair. E parece que os homens não mudam mesmo.
– Eu sou uma exceção. E posso te provar isso.
Ouvimos um pigarrear, o que fez virarmos nosso rosto em direção a porta onde Percy pousava ereto com uma garrafa de cerveja. Seus lábios estavam presos, brancos, em uma linha fina. E seus olhos carregavam fúria. Afastei milimetricamente de Matt, bebendo o resto do vinho.
– Vim saber se estava tudo bem. – Percy falou, alto
– Vou pegar uma cerveja. Parece que o vinho acabou. – Matt reclamou, afastando-se de mim e passando por Percy rapidamente enquanto o mesmo vinha em minha direção
– Não sabia que pegava o primeiro que te olhava. – ele disse, indo em direção ao balcão atrás de mim
– Não pego o primeiro...
– Deve ter sido fácil o cara ter gravado você transando. – ele interrompeu-me com um sorriso, adentrando a adega e saindo com um vinho lacrado, os olhos como duas navalhas me destroçando sem nenhuma compaixão
– O que está dizendo?
– Isso mesmo que ouviu. Que não achei que você fosse uma puta, digo, sabia que as Ômegas eram putas, mas uma Beta? Estou impressionado.
– Olhe o que você está falando, Jackson! – gritei, pulando do balcão e indo em sua direção
– Estou ouvindo o que estou falando, Chase! – ele aumentou o tom de volume, sua altura não me fazia sentir-me mais confiante
– Não, você não está! E não grite, quem você acha que você é?
– Não uma puta, como você é. Vadia. – ele disse, o desprezo pingando em sua voz
Levantei a palma de minha mão, batendo contra seu rosto. Percy me olhou, esnobe.
– Um tapa não vai elevar sua autoestima.
– O que foi? – sorri, irônica – Você queria o beijo também? Sua queda ainda continua por mim, não é? Sinto muito, mas o sentimento não é reciproco! – gritei, sentindo minha garganta arranhar
Percy revirou os olhos, jogando a garrafa de vinho a centímetros do meu rosto. Ela bateu contra a parede, me fazendo estremecer e encolher.
Seus olhos pareceram ganhar sobriedade por alguns segundos, mas que se perderam logo depois.
– Pare de ser estupida. Quem iria querer você? Uma garota que se expôs nua. – ele deu de ombros – Ele só quer te usar. Assim como todos querem.
– Você está bêbado. – sorri, confusa – Super bêbado. Eu vou embora. Talvez, se recobrar sua consciência, nós possamos conversar.
Ele segurou meu braço, puxando-me contra ele.
– Você não vai a lugar nenhum. – ele sussurrou contra meu rosto, o hálito de cerveja lançado contra meu rosto
– Quem você acha que é? – inclinei meu rosto contra ele, não me sentindo ameaçada – Me bater? Jogar uma garrafa de vinho em mim?
Seus lábios se comprimiram.
– Eu vou te beijar. Até você esquecer seu nome, esquecer tudo.
Ri, sentindo a raiva e a vergonha crescente dentro de mim.
– Porque você é uma vadia. – ele completou – E é isso que vadias gostam.
Puxei meu braço dele, empurrando-o.
– Vai. Se. Foder. – elevei meu tom acima da música alta que tocava, sentindo minha garganta explodir de dor – Eu não dou a mínima para você, imbecil!
Percy abriu um pequeno sorriu, cruzando os braços e exibindo seus músculos enquanto eu pegava minha bolsa em cima do balcão, vendo Matt vindo em minha direção.
– O que...
– Deixe-a ir. – Percy interrompeu-o, a ignorância presente em sua voz e seus olhos vorazes contra ele
Mandei um olhar cortante antes de lhe virar as costas e ver que a maioria das pessoas da sala vinham em direção dos gritos, passei por todos com uma expressão indiferente, indo em direção a sede vazia das Betas.
Eu sabia que isso nunca daria certo.
Percy tiraria sua máscara de cavalheiro bondoso e se transformaria no machista ridículo que eu e toda Yale conhecia.
Um simples e idiota galinha.
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