Teenage Kings.
10 Continues to beat.
Notas iniciais
"It's a shot in the dark but I'll make it, knowing all of your heart you can't shame me"
– Para onde está indo? – Thalia perguntou enquanto comia suas panquecas no balcão
– Onde estão as meninas?
– Algumas tinham aulas para dar. Outras devem estar dormindo. Tem sido dias entediantes. A não ser pelas fofocas que correm.
– Sobre mim. – suspirei – Sim, estou sabendo.
– É. A Grande Novela. É como chamam. Quem a presidente das Betas irá escolher: o garanhão do Alpha ou o desconhecido britânico?
Minha boca se abriu, incrédula. Deixei minha bolsa cair em cima do balcão ao seu lado, sentando-me em frente a ela nos bancos altos.
– Fala sério, ele nem é britânico. – sussurrei, com as mãos ao redor de minha cabeça
– É o que falam, Annie. Disseram algo sobre... Quem deve estar aconselhando o casal? Não duvidem se colocarem isso no jornal de Yale.
– Eles não fariam isso. – falei, minha voz trêmula de nervosismo, podia sentir meus dedos tremerem levemente – Nunca. O jornal é sério. Um jornal sério. – tentei me convencer
– Você sabia que Rob é patrocinado pela empresa Jackson’s? – arqueei a sobrancelha – Sabia que ele fez economia e é um dos cogitados para chegar a vice presidência?
– Como... Percy. – supus
– Não. – ela deu uma mordida em suas panquecas, jogando o jornal de Yale na bancada – O jornal sério de Yale.
Era capa. Capa. Robert Rogers, novato de Yale, veterano de Oxford, cogitado para governar a grande Jackson’s.
– Faz sentido. – murmurei, passando dois dedos pela testa – Se ele foi patrocinado pelas Jackson’s, é meio óbvio que tenha que assumir uma posição alta...
– Que deveria ser de Percy. – Thalia balançou a cabeça, pegando o jornal de minhas mãos – Annie. – seus olhos cobertos de preocupação me deixaram preocupada, Thalia nunca os mudava até que a situação fosse critica – Saiba onde você está se metendo. Meu Deus. Olhe isso, você está no meio de uma competição super machista. É tudo que abominamos, lembra?
– Eu sei disso. E não estou participando dessa competição, Thalia...
– Você está porque você vai sair agora com Percy. É como se você estivesse gritando para Rob, dizendo que você pode superá-lo.
– Isso não é verdade.
– Precisamos do dinheiro. Isso não significa que precisa ser modelo dele, amiga ou o que quer que esteja acontecendo entre vocês. Acabe isso. – pediu – Antes que vá longe demais.
Meu telefone vibrou ao meu lado. Era uma ligação de Percy.
– Eu preciso ir. – retruco, pegando minha bolsa e meu celular – Eu sei o que estou fazendo, pode confiar em mim.
Thalia revirou os olhos, voltando a comer seu jantar.
Eu via seus olhos cobertos de desapontamento. Eu também estava desapontada com ela desde que me tornei sua melhor amiga. Não queria que ela fosse uma alcoólatra, mas também não poderia culpa-la. Se ela não poderia controlar seu vicio... Eu nem havia admitido que eu estava viciada.
Abri a porta, deparando-me com o carro de Percy pousado no meio-fio. Ele usava um casaco fino preto e jeans. Pulo para dentro, tentando não encarar a janela onde sabia que Thalia nos olhava.
– O que aconteceu? – perguntou quando começou a dirigir
– Você viu o jornal de hoje?
– De Yale? – ele me encarou, de esguelha – Sobre Rogers?
– É. O que... É a empresa do seu pai, não é?
– Podemos conversar sobre isso depois. Agora, é o jantar, lembra?
Chegamos a sua casa em vinte minutos em um silêncio que me irritou profundamente. Percy me guiou para a cozinha, sua câmera estava pronta enquanto eu me sentava na pia. Ele tirou macarrão, alguns temperos e carne moída da geladeira, despejando tudo na mesa e deixando o macarrão no fogão.
– Sabe, não vai fugir disso pra sempre. – murmurei, pegando uma maçã verde entre os dedos
– Sobre a matéria?
– Você sabe das fofocas?
– Sobre você? – Percy bufou, colocando os temperos na carne, suas mãos o apoiaram na mesa de mármore, de costas para mim – Esquece isso. Esquece essas pessoas. Somos nós agora. Apenas nós.
– Não tem como esquecer. É meu ex-namorado de quem estamos falando. E você está metido nisso. Deus, é um inferno.
Percy virou-se, encarando-me.
– Seu ex-namorado. Por que não se dá conta disso?
– Eu já me dei conta disso, droga! E eu odeio isso! Odeio saber que ele voltou. Por que ele não podia morrer em Oxford? Quem ia ligar pra ele em Yale?
– Você. – Percy sussurrou simples – Ele voltou por causa de você, não está na cara?
– O macarrão. – apontei
Por mim. Rob voltou por mim. Fazia sentido.
Aquilo não era para mim. De jeito nenhum, principalmente quando aqueles olhos esverdeados me encaravam como se eu fosse culpada.
– Eu acho que você só... – Percy mordeu o lábio inferior, colocando nosso jantar em cima da mesa – Esquece. Ajude-me a colocar a mesa, por favor?
Assenti. Inclinei-me, pegando os pratos e talheres. Percy colocou os copos e uma garrafa de Coca.
– Você não acha que é louco? – comecei, remexendo a comida em meu prato – Não acha que... Eu deveria desistir disso?
– Desistir de quê?
– De nós. Digo, de nossas fraternidades. Parece que estou usando você. Céus. – resmunguei, enfiando o garfo em minha boca – Mas temos o dinheiro necessário.
– Annie. – Percy segurou minha mão apoiada na mesa, seus dedos brincando com minha palma – Não quero que essa relação que construímos com tanta... Luta se quebre porque Rob voltou. – seus lábios se tremeram, abrindo-se em um sorriso enquanto olhava para nossas mãos – Sabe que... – ele tossiu e ergueu os olhos completamente verdes para mim, uma imensidão verde – Estou aqui por você. Vamos lá, não seja durona.
Sinto meu lábio inferior tremer, meus olhos arderem, sinto que colocarei todo meu medo para fora. Eu só queria abraça-lo e vê-lo como um amigo. Um amigo que não visse que Robert era o ex-namorado que eu era louca e que me deixou, que não me visse como uma mulher se destruindo por estar louca para se jogar nos braços dele. Queria que ele não me visse como uma culpada, porém sabia que se abrisse minha boca para comentar sobre todos esses medos, ele não me aceitaria, muito menos me olharia, como estaria olhando agora. Preferia sua compaixão ao seu repúdio.
– Eu só... Queria que tudo voltasse a ser como era antes.
– Não queira. – Percy apertou ainda mais minha mão – Não destrua tudo por causa de um cara que não te merece. Annie, você é maravilhosa.
Sorri. Enxugando minhas lágrimas antes que elas me fizessem parecer uma idiota.
– Isso daria uma boa foto.
– Ah. Espere aí.
Beberico minha Coca enquanto Percy some de minha visão.
Antes que alguém decida por você.
Eu estava fazendo escolhas erradas. Era certo ficar com Percy? Não parecia.
– Aqui. – ele apareceu, dando-me um envelope branco
– O que é isso? – perguntei, avaliando-o
– Abra, vamos.
Ele comeu sua macarronada, encarando-me com os olhos risonhos.
Era nossa foto.
Ele por cima de mim, nossos corpos nus, o lençol de seda ao nosso redor, meus olhos fechados, seu rosto escondido em meu pescoço. Céus, aquilo era tão inapropriado para aquele momento.
– Percy... – dou um sorriso nervoso
– É sua foto preferia. Continua sendo?
– Não acredito que você me deu essa foto. O que vou fazer com ela?
– Não sei. – ele deu de ombros – Só quero que fique com ela.
– Hm... Obrigada? Eu deveria dizer isso?
– Você deveria comer enquanto esquecemos o campus e lembramos que você é minha modelo.
– Como você consegue me deixar tão entusiasmada em segundos? Céus, eu acho que vou morar com você, Percy!
– Sério?
– Claro que não. – guardo a foto no envelope, deixando ao meu lado – Então, qual o cenário de hoje?
– Estava pensando em algo como você dormir aqui... Assistirmos um filme.
Assenti, terminando minha comida.
– Aliás, está muito bom. – apontei
– Sou um bom cozinheiro, querida.
Revirei os olhos. Terminamos de comer cobertos de um silêncio e olhares. Ótimos olhares que me fizeram dispersar meus pensamentos e focar apenas nele. Nele e na comida maravilhosa.
Essa era uma das coisas boas de Percy. Ele era uma amnésia para mim. Fazia-me esquecer de tudo.
– Os pratos são comigo. Você fez o jantar maravilhoso, Percy.
– Sou bom quando quero ser e já que se ofereceu... À vontade. – ele despejou todos os pratos sujos enquanto eu resmungava
Comecei a ensaboar todos os pratos enquanto ele puxava um banco alto ficando ao meu lado com a câmera em mãos. Não resmunguei quando comecei a ouvir os click’s seguidos dele ao meu lado.
– Por que você não faz faculdade de Fotografia? – perguntei, lavando o resto dos pratos
– Meu pai me mataria. – soltou uma risadinha
– Ele parece ser bem rígido.
– E é. – ele mordeu o lábio inferior, um pouco nervoso – Mas é bem legal. Muito legal, aliás.
Arqueei a sobrancelha enquanto enxugava minhas mãos.
– Aconteceu alguma coisa, Percy?
– Nada. Por que?
A campainha tocou. Percy se levantou em um pulo, comecei a segui-lo, estranhando. Quem seria? Silena, talvez. Ela morava ali, tinha todo o direito de ir e voltar a hora que quisesse. Thalia, nem pensar. Só se as coisas tivessem fora de controle, o que, claro, não estava.
Antes que Percy pudesse abrir a porta, um homem alto vestindo um paletó amassado entrou. Seus cabelos eram negros com alguns fios brancos, o cavanhaque o fazia parecer um tanto agressivo enquanto seus olhos verdes nos avaliavam com rigidez.
– Percy, quantas vezes terei que dizer para não deixar a porta da frente aberta?
– Pai... – ele sussurrou dando um passo a frente
– Preciso conversar com você. Pode pedir privacidade a essa garota?
– Pai. – ele ergueu a mão – Essa é Annabeth. A garota que te falei, lembra?
O homem se inclinou, dando um sorriso treinado.
– Bom te conhecer. Agora, Perseu?
– Eu vou subir. – apontei para a escada – Te espero lá em cima.
Percy deu um sorriso pequeno, como em um pedido de desculpas.
Apenas acenei com a cabeça até me esconder no topo da escada, tendo certeza que nenhum dos dois me veria. Como eu era ridícula. O que eu estava fazendo ali? Maldita curiosidade. Inclinei meu pescoço, tentando achar um bom ângulo para ver toda sala com a esperança que nenhum deles me visse.
– Pai, eu disse que ia apresenta-la a você. Por que não é educado uma vez na sua maldita vida?
– Porque eu vim te trazer pra realidade! Você vai se formar em um ano, Perseu e ainda não apareceu na Jackson’s. Quando pensa que vai assumir seu lugar como presidente?
– Pai! Temos um ano para conversar sobre isso. E tudo que pedi era que fosse gentil com ela.
– Com a namorada de Robert?
– Ex-namorada! E o que ele tem a ver com isso?
– Você sabe que ele se esforça bem mais que você. – o pai dele balançou a mão, indiferente – Ele, sim, merece a presidência.
– Então, o dê, oras! Não me importo em perder a presidência que levará sua empresa a falência.
– Você tem uísque aí?
– Pai! – Percy o repreendeu – Não dá pra ser um pai normal? Um dia em sua vida?
– Estou sendo um pai normal! Estou abrindo seus olhos...
– Não, você não está! Você está me comparando com seu melhor aprendiz, que como pude ver, já te falou sobre minha garota.
Minha garota? O que ele pensa que estava falando?
– Sua garota? – ele deu um riso de desdém – Sabemos porque a quer tanto assim, filho.
– Pai. Por favor, eu vou pedir que ela desça e então, podemos conversar. Como você me prometeu que faria.
– Prometi que viria conversar com você. Não com uma garota indecisa.
– O problema é que você só o escuta! Sempre! Desde que ele apareceu em nossas vidas.
– Porque ele ama o que faz!
– Eu também amo o que faço! – gritou de volta
– Você ama tirar foto, Perseu! Tirar foto não leva ninguém a nada!
– Bem, a minha exposição pagou toda a minha faculdade, enquanto você não moveu um dedo para me fazer entrar.
– Mas estou movendo todo meu império para mantê-lo lá!
– Eu não me importo! Nunca pedi que doasse seu dinheiro, nunca precisei dele! – revidou
Senti meus ombros se encolherem pela briga que estava rolando diante dos meus olhos. Senti-me uma intrusa, mas... Eu não entendia o que estava acontecendo, ainda. Meu cérebro se recusava a pensar. E enquanto ele se recusava a pensar, eu tinha que procurar a entender e me esconder no estúdio não ia me ajudar nenhum pouco.
– Então, está cortado.
– O quê? – Percy passou o dedo entre o meio das sobrancelhas, andando de um lado para o outro, enquanto o pai dele se levantava e adentrava a casa – O que está fazendo? – as vozes continuaram, porém longes
– Estou dizendo que o dinheiro que está dividindo entre seus amigos em sua vida de festa eterna vai acabar. Assim, como aquele dinheiro que está dando para outra casa.
– É fraternidade, pai! – Percy ainda gritava – E não pega isso, ei, não! Pai! – gemeu sofregamente
Ouvi uma gargalhada. Todo meu corpo se arrepiou por medo de Percy.
– Agora, você tem foto de vocês nus? Com a namorada de seu amigo?
– Ele não é amigo. Guarda essa foto. Agora.
Não podia ser. Ele viu.
– Sua fotografia te leva muito longe, filho. Na cama. Com uma mulher qualquer. Faça-me o favor, Perseu... Fotos de paisagens seria melhor.
Podia imaginar a testa franzida de Percy e seus lábios postos em uma linha reta.
– Isso é arte, pai. Arte. E não pornografia barata que você está acostumado a ver.
– Pornografia barata que eu estou acostumado a ver? Você está transando com a namorada de seu amigo!
– Ele não é meu amigo, caralho! Nunca foi e nunca será! Você sabe muito bem disso e por que fica insistindo? Quer dar a maldita empresa para ele? Dê! Sabe que nunca quis aquilo, nunca me interessei por aquilo. Agora saiba que assim que a maldita carta ou que quer que seja sair com o nome dele, pode esquecer que eu sou seu filho. Pode esquecer que tem um filho.
– Ótimo. – Poseidon voltava com passos firmes até a sala e dobrou a ponta das mangas de seu paletó – Procure-me quando voltar ao seu normal e... Esquecer essa menina. Enquanto isso, esqueça o dinheiro que faz parte da Jackson’s.
– Pai...
– Para recebe-lo, me procure. Você sabe onde. Tenha uma boa noite, filho e diga um adeus para sua... Amante? É assim que devo chama-la?
– Só vá embora.
Poseidon dá mais um sorriso e seus olhos estão focados em mim, por um segundo, me sinto a amante, a garota, a menina, tudo que ele citou de mim como um prêmio que dois de seus melhores aprendizes estão competindo. Tenho vontade de te dar um soco, descer aquelas escadas e lhe dar uma bela bronca. No entanto, ele sai antes que eu possa dizer algo.
De onde eu estava, vi Percy grunhir e puxar a ponta de seus cabelos com os dedos.
Desci as escadas depois de alguns minutos controlando minha respiração, com um morder de lábios.
– Eu sabia que você estava lá em cima. Desculpe-me por isso.
– Acho que não fui tão discreta. E acho que é a hora de ir pra casa.
– Estamos ferrados. Sem dinheiro.
– Eu percebi. Ei. – acariciei o rosto de Percy com um sorriso – Vamos fazer isso dar certo.
– Achei que ia abandonar porque já tinha dinheiro suficiente.
– Repensei minhas opções. Vamos fazer isso juntos. Um Alpha precisa de um Beta, certo?
Percy ergueu os olhos. Suas mãos se apoderaram de minha cintura, fazendo-me sentar em seu colo. Não neguei quando nossos lábios se grudaram em um beijo harmonioso. Achei que ele precisava daquilo e era a única coisa que eu poderia oferecer.
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