Teenage Kings.
2 Be careful.
Notas iniciais
"I wish you could see, see, that you're the antidote to everything except for me, me"
As pessoas riam atrás de mim enquanto eu sentia as lágrimas viajarem pelo meu rosto.
– Oh, meu Deus. Annie, vem. – Thalia segurou meu braço, puxando-me para descer as escadas
– Annabeth! Annabeth! – Percy veio atrás de mim
– O quê? Quer consertar a merda depois que ela foi feita?! – virei-me, gritando contra ele – Você não tem noção do ridículo? Coloque o pé no chão, Jackson, isso foi a pior atitude que você já teve!
Thalia continuou me puxando para longe dele e longe de todas as pessoas que riam de mim. Eu não sabia o que era pior: ser humilhada na frente de calouros e veteranos ou que eles rissem de mim. Sequei minhas lágrimas com raiva. Não choraria na frente de um bando de bêbados que tentavam me colocar para baixo, apenas continuei andando firmemente junto a Thalia.
Chegamos, finalmente, a sede das Betas. Thalia me puxou pelas escadas até que estivéssemos no terceiro andar, ela abriu a porta do meu quarto quando me deixei cair na poltrona e chorar.
– Quem fez aquilo? Foi você? Thalia?!
– Eu?! Você realmente acha que eu faria aquilo com você, Chase? – ela fechou a porta, as janelas, assim como as cortinas – Não sei quem fez aquilo, mas não importa quem fez irá pagar.
– Meu Deus... O que eu fiz para receber isso? – passei a mão pelo rosto, respirando com dificuldade enquanto minhas lágrimas caiam
– Vem dormir. Nós... Vamos descobrir isso amanhã, tentamos falar com o reitor e... Conversamos com as meninas, tudo bem?
– Você acha que eu tenho cara para descer e conversar como se tudo tivesse bem? Não está bem! Tem um vídeo meu lá fora em que eu estou transando com um cara!
– Eu sei! Eu sei como deve se sentir!
– Não! Você não sabe por que não foi seu vídeo que estava lá.
– Cala a boca! Pare de ser uma garotinha indefesa porque você não é, Chase! Você vai lavar esse maldito rosto, vai dormir e vai conversar com as garotas explicando esse mal entendido, ok? E depois, iremos calmamente conversar com o reitor. Agora, respire fundo.
Fechei os olhos e respirei fundo. Era o certo a fazer. Afundei minhas unhas em minha coxa nua enquanto sentia as mãos de Thalia fazendo uma trança em meus cabelos, seus dedos afagaram meu couro cabeludo enquanto eu respirava fundo e ignorava as lágrimas de humilhação que ainda caiam.
– Está tudo bem, ok? Tudo bem. – senti seu queixo apoiar em minha cabeça, Thalia suspirou – Tome banho, eu vou... Preparar um café e vou falar com Percy.
– Seu maldito primo. No que você estava pensando quando fez essa “coisa” com ele?
– Pareceu bom. O vídeo estava ótimo. – Thalia deu a volta, ficando de joelhos a minha frente – Nós estávamos na piscina, sorrindo, os formandos ano passado, você ganhando o prêmio de física... Estava perfeito.
Mordi o lábio inferior, negando-me a chorar novamente.
– Vou fazer um chá. Café será a pior coisa agora. Tome um banho, Annie, deixe que eu resolvo as coisas com Percy e amanhã, iremos conversar com o reitor, tudo bem?
Bufei e levantei-me.
– Tudo bem. Faça o chá. – meneei a mão, indiferente – Te espero aqui.
Entrei na suíte do meu banheiro, lembrando-me quanto dinheiro gastamos para fazer o máximo de banheiros e que elas não precisassem dividir banheiro com muitas pessoas. Eu achava totalmente injusto o fato de eu compartilhar banheiro sozinha, por isso, decidi que Thalia podia dividir comigo, assim como outras meninas que ficassem no terceiro andar.
Entrei na ducha, prendendo meu cabelo em um coque. A música alta tinha voltado e vibrava todo meu corpo, era como se ele quisesse voltar para lá e esquecer toda a merda que ocorreu.
Não sabia com um único vídeo poderia mudar toda minha noite. Uma noite que mal havia começado. Soquei a parede lisa do banheiro, soluçando.
De qualquer maneira, deixei-me passar muito tempo lá, tentando esquecer, pensando como encararia todas aquelas pessoas na segunda. Primeiro dia de aula. A sorte estava em meu favor, com certeza.
Enrolei-me em um roupão, saindo do banheiro.
Fechei a porta e vi Percy de braços cruzados na soleira da porta.
– Eu queria pedir desculpas por aquilo.
– Então, foi você? – perguntei, cruzando os braços – Eu sabia que você era baixo, Jackson, mas talvez você devesse rever seus princípios porque eu não vou deixar passar tão barato assim.
– E não, querida Chase, não foi eu. Acredite ou não, — ele levantou as mãos em forma de rendição – não foi eu. Não sei quem foi, eu dei os dois CD’s para o DJ, não sei o que aconteceu. Eu nunca exporia qualquer garota daquele modo. Eu me exponho. Isso não quer dizer que eu faça a mesma coisa com as outras pessoas.
Revirei os olhos.
– Como se você se importasse, não é? Por favor, saia do meu quarto. Saia da minha fraternidade porque, definitivamente, você não é bem vindo aqui.
– Você só está de cabeça quente, Chase. Eu passo aqui amanhã.
– Não estou de cabeça quente. Sabe que eu nunca gostei de você, não é? Sabe que eu nem me importo com esse acordo que Thalia fez. Sim, estamos precisando de dinheiro e daí? Isso não quer dizer que vamos morrer.
– Não seja idiota, garota. – Percy cuspiu, me encarando com certo menosprezo em seus olhos – Aceite o que estamos fazendo para você de bom grado e talvez, aumentemos o valor do patrocínio, não seja tão egocêntrica.
– Egocêntrica? Estamos mesmo falando de mim, querido Jackson?
– O que está fazendo aqui? – Thalia perguntou, trazendo uma xicara com um pires em sua mão – O que está fazendo aqui, Percy? Eu pedi para você ficar na sala, qual seu problema em seguir regras? – ela resmungou
Thalia avançou até minha cama, deixando a xicara em meu criado-mudo.
– Eu disse que você iria conversar comigo. E, Annie, durma logo.
– Acho que ela não é uma boa presidente, Thals. Olhe pra essa garota, o máximo que pode é ver o próprio nariz.
– Não vou me rebaixar ao seu ponto, Perseu.
– Ótimo.
– Ótimo! – gritei contra ele
Percy sorriu, sendo puxado pelo braço por Thalia.
– E ah, você tem belas pernas! E belas costas também.
Grunhi e joguei uma almofada em direção a porta, ouvindo sua gargalhada ao longe.
Com certeza, foi ele.
Troquei de roupa, tranquei a porta, evitando qualquer visita surpresa e então, bebi meu chá.
Thalia tinha uma mania estranha de fazer chás, ela colocava bastante açúcar, mas depois de três anos juntas, eu havia me acostumado a seu jeito doce de ser. O chá era de camomila e aposto que ela colocou algum calmante dentro já que em poucos minutos, eu estava apagada em minha cama.
***
Na fraternidade Beta, eu sempre era a primeira a acordar. Era domingo, as aulas começariam logo e todo o campus estava de ressaca, era claro. Espreguicei-me e pulei da cama, fazendo um coque rápido em meu cabelo. Parei em frente ao quarto de Thalia, pensando se deveria dar algumas batidinhas para que ela ficasse comigo.
Balancei a cabeça. Ela teve que lhe dar com seu primo que odiava falar por causa de mim, eu deveria dar um tempo para ela. Desci as escadas, tentando fazer o mínimo de barulho possível.
As escadas davam direto com a sala enorme de estar, do lado direito, um corredor se abria para o que era nossa cozinha americana. Uma bancada de mármore claro, a geladeira, fogão e mais adentro uma dispensa enorme.
Decidi fazer o café da manhã, se eu fizesse, talvez, esqueceria a raiva que me consumia que se transformara de lágrimas para rancor. Preparei uma massa de bolo de chocolate, massa para panquecas e torradas. Tirei várias caixas de suco, colocando no congelador enquanto esperava as torradas assarem, assim como as panquecas.
– Annabeth? – Clarisse chamou
Seus cabelos castanhos estavam presos em um rabo de cavalo bagunçado e ela coçava o olho, preguiçosamente, ela usava um moletom de Yale e um short curto, muito parecido com a que todas costumavam usar.
– Eu.
Clarisse debruçou-se sobre o balcão de mármore, apoiando a cabeça no antebraço e erguendo um pouco a cabeça.
– Você saiu mais cedo da festa. Isso nunca aconteceu desde que te conheço. Aconteceu alguma coisa?
Fiz um beicinho enquanto pegava uma caneca com o emblema das Betas estampado. Coloquei a água quente junto com chocolate quente, apoiei-me ao lado de Clarisse, batendo os pés do lado de dentro do balcão.
– Algo meio que um mal estar. – resmunguei – Você não viu?
– Vi o quê?
– Você está tirando com a minha cara, não é?
– Sério, eu não vi nada.
– Não sei se isso é bom ou ruim. – resmunguei – Ficou sabendo da união dos Betas e Alphas, pelo menos?
– Ah. – ela assentiu, sem erguer a cabeça – Kate me disse algo sobre isso. Achei que ela estivesse brincando, quero dizer, você e Percy juntos? Coisa de outro mundo.
Dei uma risadinha, bebericando meu chocolate.
– Eu concordava com você há algumas horas atrás.
– E então, o que aconteceu que eu não vi? – Clarisse bocejou, arrastando-se para fora do banco e pegando uma caneca enquanto fazia seu típico café forte
– Vamos dizer que eles passaram algum vídeo retrospectivo e... – encarei o plano do meu chocolate – Que colocaram um vídeo em que eu estava transando.
– Quê?! Você? Transando? Onde conseguiram esse vídeo?
Suspirei e bebi o resto do meu chocolate.
– Também não sei, Clarisse, mas não vai ficar assim mesmo. Provavelmente temos reunião com o reitor hoje.
– Você vai pedir por punição absoluta, certo?
– Claro! É publicação de imagem sem minha autorização e mesmo que eu não faça Direito, eu sei meus direitos e Percy vai se ferrar muito.
– Foi ele?
Engoli em seco, lavando alguns pratos de ontem à noite.
– Não foi oficialmente comprovado, mas eu tenho certeza que foi ele.
Clarisse apoiou-se ao meu lado, pegando uma torrada, mordiscando-a.
– Eu não quero ser estraga-prazer, mas eu faço Direito e sabe, quando você não se tem provas concretas que possam ser comprovadas, você pode ser presa por calúnia.
Revirei os olhos.
– Não se preocupe, eu tenho certeza que foi ele e vou tirar a prova disso. Hoje. Vou chamar as meninas para o café da manhã.
Clarisse deu de ombros enquanto eu subia as escadas. Primeiro bati nas portas finais onde Thalia e as mais velhas costumavam dormir, não demorou muito para Thalia ir correndo para o banheiro. Desci para o segundo andar, batendo em todas as portas e em alguns minutos, a sala de estar e a cozinha estava repleta de garotas em seu auge de mal humor.
Voltei a subir as escadas para tomar um bom banho e tentar ligar pra Richard, o reitor. Assim que eu entrei no quarto, peguei meu telefone, vendo a mensagem de Percy.
Franzi o cenho, abrindo-a.
Reunião com o reitor às nove.
Ele me lembrando de reunião? Respirei fundo. Era apenas sete horas. Daria tempo.
Thalia saiu do banheiro enrolada em um roupão felpudo e me encarou, confusa.
– Está tudo bem?
– Sim, sim... Só... Conversou com ele ontem?
– Não foi ele.
Arqueei a sobrancelha, completamente confusa e perdida.
– Ele era o único que poderia fazer isso.
– Bem, parece que não, porque não foi ele.
– Você não está fazendo isso porque ele é seu primo, está?
– Annabeth, se eu estou dizendo que não foi ele, é porque não foi ele. Então, por favor, pare de me estressar em plena manhã e me diga o que você viu na merda do celular.
Engoli em seco, cruzando os braços.
– Reunião com reitor às nove.
Thalia assentiu e cruzou os braços.
– Não se preocupe, vamos encontrar quem fez isso, mas não vamos acusar as pessoas erradas, certo?
– Por que está defendendo-o? – perguntei, emburrada – Ambas sabemos que...
– Ambas, não. Annie, eu não vou pedir para esquecer isso, só... Tente focar em coisas mais importantes que...
– Minha integridade? Minha imagem para todo o campus e os novatos? Do que...
– A gincana social desse ano? A gincana entre fraternidades? Sei que vou parecer uma puta sem coração falando isso, mas, sabe, eu sempre fui assim, então não vou me importar com isso agora. – ela cruzou os braços e me encarou com superioridade – Você é nossa presidente, sim, e não me faça ter que concordar com o Percy em como você pode ser egoísta...
– Está me chamando de egoísta?
– Estou dizendo que se você não manter prioridades, não vai conseguir nenhum dos nossos problemas.
Cruzei os braços.
– Você quer que eu simplesmente esqueça que um vídeo meu foi passado para centenas de pessoas? É isso?
– Já disse que não! Saiba interpretar minhas palavras, cara!
– Você quer que eu pare de ser egoísta, mas foi meu vídeo que passou ali!
– Não foi só sua integridade que estava em jogo, Annabeth! Foi de todas as Betas! Entenda que você nos representa e se tem um vídeo seu lá, é como se fosse de todas nós.
Afastei-me, sentindo os impactos de suas palavras contra mim. Era assim que ela se sentia? Sentia que era como se ela também tivesse sido exposta? Era assim que todas aquelas garotas se sentiam? Representadas por mim?
– Agora, se me der licença, irei me arrumar.
Não a impedi que saísse. A porta foi fechada com força, porém não me importei.
Respirei fundo e joguei meu celular com força na cama, despi-me, preparando-me para um bom e demorado banho.
Deixei a água fria escorrer pelas minhas costas. Tentei entender quais seriam minhas prioridades, as coisas mais importantes a se fazer e que deveriam ser feitas com urgência.
Com certeza, o patrocínio estava em primeiro lugar. E eu deveria pensar em uma consequência para Percy, o que eu, na verdade, nós poderíamos ganhar com esse acordo além do dinheiro. Me parecia muito fútil ter apenas dinheiro como uma troca.
Não tinha ideia do que poderia pedir, mas pensaria nisso ao longo do tempo.
Optei por um vestido verde com sapatilhas, peguei minha bolsa, preparando-me para o dia mais repleto de coisas inúteis para fazer, como: ter uma reunião com o reitor e fazer as escolhas das iniciantes.
Ano passado, as Ômegas fizeram um desfile a céu aberto de suas iniciantes, elas vestiam biquínis e vestidos longos para saber quem tinha os melhores atributos. Claro que a maior parte dos Gamas e Alphas estavam fazendo parte do júri e da plateia.
Os Alphas tinham uns desafios secretos próprios, ninguém nunca soube como eles escolhiam seus iniciantes, mas existia o rumor que todos tinham um vídeo armazenado em algum lugar da sede.
Os Gamas eram óbvios, cheios de provas ou algum tipo de feira de ciências que indicava os mais inteligentes que vinham para Yale.
E tínhamos nós. As Betas. A minha primeira sessão de iniciante foi um chá, onde eu e Thalia avaliávamos o comportamento na mesa, inteligência e sensualidade. Tentávamos fazer uma mistura completa para uma mulher perfeita; quase sempre dava certo.
Desci as escadas, dando de cara com vários olhares me encarando.
– O que foi? – perguntei, apertando a alça de minha bolsa
Kate, a garota de cabelos castanhos e olhos grandes, deu um sorriso.
– Queríamos dizer que vamos te apoiar, não importa a decisão que tome porque sempre foi assim. Vamos confiar em você porque é nossa líder e principalmente, nossa amiga.
Encarei Thalia, ela sorriu e deu de ombros. Revirei os olhos.
– Obrigada, meninas. E estou ciente de tudo isso e sim, eu vou pensar em nossa fraternidade em primeiro lugar.
– Abraço em grupo!
Alguma delas gritou e ri quando todas vieram em cima de mim, abraçando-me e espalhando beijinhos no rosto.
– Sem moleza! Quando eu voltar da reunião, eu quero o jardim pronto para a iniciação, ok? E por favor, já podem excluir as garotas que não fizerem o perfil das Betas, tipo, aquelas que tiverem silicone, etc.
Elas riram, voltando as suas atividades de antes. Thalia me acompanhou, indo até a sala.
– Tome a decisão certa, ok? – ela sorriu e puxou meus braços, abraçando-me – Confio em você.
– Eu sei. – revirei os olhos
Mandei um tchauzinho antes de trancar as portas e me preparar para a caminhada até o campus. Atravessei a rua arborizada com as gramas bem aparadas das pequenas fraternidades. Passei pelos Gamas percebendo a piscina vazia, o que não era um costume, a casa estava mergulhada em um silêncio.
Decidi cortar caminho pela praça que me levava em direção ao prédio principal onde ficava a sala de reuniões do reitor.
Atravessei a praça, chegando as escadas e em minutos, eu estava na porta do prédio. Chequei meu relógio de pulso, faltava quinze minutos para o inicio da reunião e a única pessoa que estava lá era a que eu menos esperava, como o que estava acontecendo ultimamente.
Sentei-me uma cadeira longe dele, cruzando os braços e batendo o pé sem parar.
– E então, está mais calma, querida Annie?
– Se você não parar de me chamar assim, provavelmente eu te darei um soco, Jackson.
Ele se virou para mim e apoiou o cotovelo no encosto da poltrona.
– Está vendo? Somos uma equipe agora. Não pode me tratar sempre com essa grosseria.
– Não é porque somos uma equipe que vou mudar meu jeito de ser para com você.
– Então, você tem um jeito de ser especialmente para mim?
– Não se sentia especial por isso.
– Bem, eu me sinto.
Revirei os olhos, cruzando os braços.
– Sabe o que queremos em troca do acordo, não sabe?
Encarei-o de esguelha, percebendo que essa era a última coisa com que eu me importava.
– Provavelmente não. – ele suspirou – Queremos a ajuda de vocês com os estudos. Sei que é óbvio e que todos sabem que estamos mais preocupados com nossa reputação do que com os estudos, mas precisamos de vocês do mesmo jeito que precisam da gente.
– Alto lá. Não precisamos de vocês. Precisamos de seu dinheiro.
– O que é a mesma coisa.
– Totalmente diferentes.
– De qualquer maneira, — encerrou – quero que fique de mente aberta para as outras propostas dos Alphas para as Betas.
– Mais propostas?
Seus olhos verdes claros se perderam em meu rosto e atrás de mim, Percy bufou e voltou a sentar corretamente.
– O suficiente.
Encarei o corredor por cima do ombro, dando de cara com Brian com sua típica cara de sono. Ele vestia camiseta e jeans quando sentou na poltrona que me separava de Percy.
– Sinto muito pelo vídeo de ontem.
Dei de ombros.
– Sabemos quem foi e os Gamas estão com você, Annie.
Sorri, segurando sua mão entre as minhas.
– Fico feliz por isso.
– Não sabia que os Gamas também eram formados em investigação policial. – Percy resmungou
– Não somos burros o suficiente para saber que aquilo foi armado e de um jeito muito mal feito, não é? Você próprio deu o CD...
– Não fui eu! Não foram os Alphas, por que não se dão conta de que alguém está por trás disso e pode ser algum de vocês?
– Eles não iam ganhar nada com isso, Percy. – Brian rebateu, calmo – Aparentemente, só você ganharia algo.
– O quê? Fazer a imagem de Annabeth cair por terra?
– Sim. – o líder dos Gamas respondeu como se fosse óbvio
– Por favor, meninos, chega com isso. Eu sei lidar com meus próprios problemas, ok?
A porta se abriu com três a cinco minutos de atraso, ao fim do corredor, Rachel caminhava com a maior lentidão do mundo.
Richard abriu a porta com seu típico sorriso.
– Por favor, entrem.
Esperamos educadamente os passos retumbantes de Rachel pararem de se chocar no carpete. Ela deu um sorrisinho, jogando o cabelo para o lado e entrando na sala quando Richard deu passagem. O reitor entrou na sala.
Suspirei e levantei-me, decidida a fazer o que fosse preciso para que minha honra fosse lavada. Duas mãos masculinas se puseram ao lado da porta, em uma forma educada de abrir caminho.
Parei assim que as vi.
– Podem entrar. – pedi
– Não, Annie, entre. – Brian pediu
– Sem chance. Entrem.
– Não seja mimada, querida...
– Não me chame de querida. – grunhi para Percy
Ele encarou Brian com um ar puro de superioridade e acenou a mão para que entrasse. Ambos ficaram parados até Richard nos encarar meio impaciente.
Brian bufou e entrou com braços cruzados, Percy sorriu vitorioso antes de entrar e eu seguir, encarando seus cabelos ralos na nuca.
Foco.
A sala de Richard era rústica. Com uma enorme janela que dava para o campus, as paredes eram preenchidas por livros e ao lado da porta havia um enorme som moderno, em frente a sua mesa de madeira haviam quatro cadeiras com encosto para os braços e curvas coloniais.
Rachel sempre sentava entre as do meio e eu sempre sentava no canto esquerdo enquanto Brian ocupava a outra ponta e Percy se sentava no meio direito.
Dessa vez, ele se sentou do meu lado, como se para comprovar a união de nossas fraternidades.
Senti-me inibida pela forte presença que Percy exibia, tentei não me encolher, colocando a bolsa sobre meu colo e mantendo a postura ereta. Richard nos olhou, com certa curiosidade, em seguida, franziu o cenho quando Percy passou o braço sobre meu ombro logo depois de se espreguiçar.
– Hm, então vejo que os boatos são verdades.
Revirei os olhos e suspirei.
– Infelizmente, sim. – resmunguei
– Betas e Alphas juntos... – Richard separou alguns papeis e apoiou os cotovelos na mesa, interessado – Nunca pensei que isso fosse acontecer, ainda mais enquanto eu fosse reitor.
– Queríamos ser a estreia da década... Provavelmente do século já que se o senhor ainda é reitor e tal...
Rachel riu da piada sem graça. Controlei a parte do meu corpo que queria socar a cara de Percy e apertei meus dedos em minha coxa.
– Rick, na verdade, essa reunião às pressas...
Percy mordeu o lábio inferior, ajeitando a postura, sem deixar de tirar os braços dos meus ombros. Já podia sentir o suor descendo pela minha nuca com a tensão entre nós. Provavelmente, apenas eu estava sentindo-a.
– Porque houve um roubo. Alguém roubou o DVD em que estava um resumo das historias das Betas e colocando um vídeo... Íntimo da minha querida Annie.
Richard franziu os lábios e encostou-se na sua poltrona.
– Também fiquei sabendo disso. Você sabe o quanto te adoro, Annabeth, sei quão forte é, e sei que sabe de todas as regras sobre as festas de inicio do ano.
Percy assentiu e inclinou-se antes mesmo que eu pudesse fazê-lo. Ele pegou uma folha em branco, aproximei-me quando ele começou a escrever.
– A festa do começo do ano é uma festa para alunos e portanto, você vai dizer que tudo que acontece lá deve ficar lá. No entanto, querido reitor, tenho que lhe dizer que expor imagens de nudez que não foram aprovadas pelas pessoas que estavam nela é crime. Logo, se você não nos ajudar a encontrar quem foi a pessoa que fez isso, o nome da faculdade, assim como seu nome estará envolvido nisso.
Eu o encarei, atônita. Eu estava surpresa. Não tinha pensado em metade nisso, talvez porque eu estava focada o suficiente tentando achar provas de que Percy era o culpado, mas eu havia me esquecido temporariamente que ele era estudante de administração e não de direito.
– Sr. Jackson, até onde meus conhecimentos me deixam ir, você é aluno de administração, certo?
– Isso não quer dizer que eu não pegue algumas aulas de direito, senhor.
– Eu sou um aluno de direito, senhor. E embora, todos saibamos que eu odeie concordar, mas Jackson está completamente correto.
– E se o homem que estiver no vídeo esteja de acordo com os vídeos?
– Senhor. – pigarrei, inclinando-me sobre a mesa – Até onde eu sei, se um vídeo de sexo ou qualquer tipo disso for publicado, deve haver ambas decisões e não foi minha escolha ter isso. O senhor pode ter certeza que, se caso nenhuma ação for tomada pela Yale, esse caso irá ter proporções maiores que não é algo que queiramos aqui.
Richard assentiu e cruzou os braços.
– Muito bem. Irei montar um conselho para que resolvamos isso o mais rápido possível e Percy... – ele ergueu a cabeça – Muito bom.
– Obrigado, senhor.
– Agora, vocês tem as provas dos iniciantes, certo?
Assentimos coletivamente.
– Vão organizar suas fraternidades, até o fim dessa semana, eu tenho um veredicto pronto.
Levantei-me, meio zonza de como a reunião fora rápida e eu nem pude formar uma boa opinião. Dessa vez, Rachel foi à frente, ela não dava a mínima para o que havia sido debatido ali e se fosse com ela, eu faria a mesma coisa.
Brian foi logo em seguida, não pedi que ele me esperasse.
Assim que Percy fechou a porta, virei-me para ele.
– Obrigada... Pelo o que fez.
– Somos uma equipe agora. Equipes fazem isso. E eu queria mostrar pra você que estou do seu lado e eu não faria aquilo com você.
Cruzei os braços.
– Então, só fez aquilo por que somos da mesma equipe?
– Por que mais eu faria aquilo?
– Já era de se imaginar. – bufei e lhe dei as costas
Percy riu, correndo e se pondo em minha frente, andando de costas.
– Qual é. Não fique irritada.
– Não estou irritada.
– Está sim. E hm, — ele se virou, andando ao meu lado – eu queria dizer que, se vocês puderem, iriamos querer uma aula completa na sexta.
– Iriamos?
– Sim, os Alphas.
– Isso te inclui?
– A verdade?
– Somos uma equipe agora, não é? – retruquei
– Não preciso das aulas. – ele segurou meu braço, fazendo-me parar abruptamente – Preciso de você.
Afastei-me, surpresa e franzindo o cenho.
– De mim? O que quer dizer com isso, Jackson?
Ele lambeu o lábio inferior, tentei puxar meu braço contra mim, mas seus dedos ainda prendiam minha pele.
– Sabe que estou fazendo algumas amostras de minha foto, certo? Que expus no Canadá e em Nova York?
– Uau, parabéns, mas isso realmente não me interessa e não sei como poderei te ajudar com isso.
Percy repuxou os lábios e andou a minha frente, o segui, enquanto ele me olhava por cima do ombro até estarmos em frente a praça das escadas do prédio principal.
– Preciso de uma modelo. Uma mulher forte, decidida. Alguém que saiba o que quer e vai atrás.
Deixei um risinho escapar.
– Eu achava que isso era um acordo entre Alphas e Betas.
– Continua sendo, mas isso não quer dizer que não possamos fazer um acordo as cegas.
– Isso é injusto.
Percy sorriu e cruzou os braços.
– Tanto faz.
– Ainda não entendi o que quer comigo... O que quer dizer, na verdade.
Ele arqueou as sobrancelhas e inclinou-se sobre mim.
– Você sabe meu número. Me ligue se estiver livre amanhã.
– Eu nã...
– Não me diga coisas precipitadas, querida Annie.
Revirei os olhos e andei primeiro que ele, pulando os degraus e atravessando a praça em direção a rua da minha fraternidade.
***
Curiosidade era algo que poderia me matar.
Assim que cheguei do prédio principal, as iniciantes já estavam no meu jardim, fazendo a primeira atividade.
Thalia sorriu, desviando-se das garotas com uma prancheta no braço.
– Tivemos que começar sem você, desculpa.
– Sem problemas. Não estava a fim de fazer discurso e essas coisas.
– Bem, cinco já estão dentro. Falta mais quinze.
– Precisa que eu fique? – perguntei
– Seria legal para elas conhecerem a presidente, mas me parece que você não está muito a fim de ficar vendo garotas se maquiando e respondendo perguntas de química.
– Definitivamente não. – sorri
E essa foi minha desculpa para me retirar do evento mais importante de todo ano.
Na escada, tirei meu telefone do bolso e procurei na agenda o nome de Percy.
Mordi o lábio inferior. Eu não precisava saber o que ele queria comigo, precisava?
Foram dois toques até que eu estava prestes a desistir e ele atendeu.
Subi as escadas.
– Annabeth?
– Sou eu.
– Não pensei que fosse ligar tão rápido.
– Você está falando da minha fraternidade então, obviamente, eu ia ligar logo. E... Que barulho é esse?
– Boate. Prova dos iniciantes, você sabe.
Fiquei estática. Isso era a prova dos iniciantes que nenhuma fraternidade sabia, mas agora, eu sabia.
– Sabe,– ele gritou, o som alto diminuindo gradativamente – você poderia trazer suas iniciantes para cá também.
– São onze horas! Não vou leva-las para uma boate!
– Eu acho que seria bem legal. Sabe, um novo século, lembra?
Mordi o lábio inferior. Clarisse estava subindo e parou a minha frente, encarando-me, confusa.
– A prova ainda está rolando?
– Sim, quem é? E por que você não está lá?
– Desce agora e pede para a Thalia parar.
– Parar? Do que está falando?
– Pede para ela arranjar uma van ou um carro ou qualquer coisa e pedir pra todas iniciantes colocarem o melhor vestido de festa.
– Annabeth, você está enlouquecendo?
– Provavelmente.
– Ei, eu gostei! – Percy falou assim que encostei meu ouvido no telefone – Boa iniciativa, querida.
– Dois podem brincar nesse jogo, Percy.
– E eu vou adorar ver você brincar, querida.
Desliguei a chamada.
Passou-se duas horas até que eu estivesse em um ônibus alugado as pressas usando um vestido preto curto demais e saltos. Veteranas e calouras estavam espremidas enquanto eu e Thalia estávamos em pé encostadas em uma das poltronas.
– Como a maioria de vocês sabem, Betas e Alphas agora se uniram. Somos uma grande fraternidade em busca da perfeição. – disse – Não que os Alphas queiram isso. Eles querem mostrar que sempre serão os melhores. E é claro que eu não deixarei isso acontecer, assim como nenhuma de vocês.
– Desde que Percy assumiu a presidência dos Alphas, ninguém fazia ideia qual era a prova de iniciação deles. E hoje, finalmente, iremos saber. – Thalia avisou – Não devemos ficar surpresa.
– Resumindo, a missão é: seduzir. Não será uma festa qualquer, mas queremos que ajam como se fosse. Usem o poder de persuasão para leva-los para a cama.
– Vamos ter que transar com eles? – uma caloura disse
– Claro que não, isso é nojento! – fiz uma careta – Só finjam. E depois, dê um chute neles. Aqui, as Betas não são apenas inteligentes.
– Nós somos sedutoras. – Thalia disse com um sorriso, erguendo o queixo – Somos bonitas, inteligentes e sedutoras. Somos o melhor tipo de Beta que um Alpha poderia querer.
Algumas riram, eu também.
Não queria rir. Queria fazer com que hoje fosse o dia em que os malditos Alphas, em especial, Percy, saberia que ele não era nenhum homem perfeito do campus. Ele só era um idiota.
Mesmo que agisse como alguém de boa pinta.
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