Teenage Kings.

25 Back - Parte Dois.


Notas iniciais
ESSE NÃO É O FINAL NÃO É O FINAL Se acalmem e surtem muito!!!

"God knew exactly what he was doing when he lead me to you"

– Onde ele estava?

– Lá! – gritei do meu quarto, sentada em frente ao meu guarda roupa

Não conseguia me lembrar da última vez que demorara mais de um minuto para escolher uma roupa. E agora já se passava mais de dez minutos com uma lingerie cor de ameixa que parecia contrastar com minha pele. Meu cabelo estava preso em uma trança – Thalia disse que ficaria lindo. No entanto, eu me lembrava que Percy gostava dele solto, gostava da bagunça dos contrastes dos tons dourados do meu cabelo espalhados em cima do travesseiro.

Mas não estávamos sozinhos. E eu não tinha um travesseiro.

– Exatamente? – ela sentou-se ao meu lado

– Do outro lado da rua da cafeteria onde como de vez em quando. Ele tirou uma foto, conversamos por um tempo e...

– Ele disse que já está chegando.

– E ele já está chegando! – choraminguei – Não quero mais sair com ele. Não sei o que sinto por ele. Ele está me deixando confusa.

– Annie! – ela gritou comigo, chutando meu joelho – Percy acaba de anunciar que vai ficar em Nova York! A primeira pessoa que ele procurou foi você.

– Como você sabe que foi eu? E se ele não estivesse brincando sobre a mulher? Se ele for realmente se casar?

– Ele não vai. Ele me diria... – Thalia franziu o cenho – Eu acho.

– Você acha! – grunhi, batendo em minha testa – Eu desisto.

– Aqui. – Thalia pulou da cama, puxando um vestido azul marinho do cabide

Era o tipo de vestido que eu usava para o trabalho e não para sair com um cara. Ele vinha um pouco acima dos joelhos com um cinto preto demarcando a cintura, sem nenhum decote, fechando a parte do meu busto e deixando parte de minhas costas a mostra.

– É muito recatado.

– Não, não é. Se ele só quiser ir jantar? E se ele não quiser transar?

Corei. Ela estava certa de novo. Na verdade, fazia tempo que Thalia não precisava me dar aqueles balanços de vida.

– Eu não queria transar com ele.

– Então troque a lingerie de La Perla por uma calcinha short.

– Não! – revidei sem ao menos pensar

A morena arqueou a sobrancelha e bateu as mãos.

– Bem, se vista! Vou fingir que não participei disso e nem me importo com ele, ok? Não estrague tudo. Ele gosta de você.

Soltei um resmungo.

– Eu também gosto dele. – murmurei

– Vai dar tudo certo.

Um segundo depois, a campainha tocou.

Dei um pulo, pegando o vestido que Thalia me aconselhara. Avaliei meu reflexo rapidamente.

Calcei os saltos altos e abri a porta. Percy estava esparramado em nosso sofá, conversando algo com Thalia que gritava da cozinha embora a distância fosse de poucos passos.

Percy encarou-me de cima a baixo com um sorriso de canto.

– Annabeth, você está deslumbrante.

– Você está me regando de elogios ultimamente.

Ele deu de ombros, ainda com um sorriso de cara limpa. Aquele tipo de sorriso cafajeste que apenas o deixava mais atraente. O tipo de sorriso que eu nem me lembrava como era, embora a saudade dele me rasgasse por dentro.

– Podemos ir? – levantou-se

– Se cuidem! – Thalia gritou – E usem camisinha!

– Sempre usamos. – ele ergueu as sobrancelhas, oferecendo-me o braço – Não é? – virou-se para mim

– Acho que esquecemos uma vez ou outra.

Thalia xingou alto enquanto saímos.

O caminho até o restaurante foi em silêncio. Percy me deixou colocar qualquer rádio, então optei por uma música clássica. Meu pé começou a bater no ritmo da música de Lana Del Rey. Fechei os olhos, apoiando minha cabeça no encosto.

– Está cansada? – ele me olhou de esguelha

– Um pouco.

– Se quiser, podemos... Hã... Não sei, talvez...

Sorri.

– Está tudo bem.

– Verdade? Talvez eu tenha mudado e virado um chato, talvez você nem me queira mais e... – ele pigarreou, fazendo uma curva leve

– Bem, se você virou um chato, com certeza, vou te deixar falando sozinho.

Percy riu.

– Bom saber que você não mudou tanto. Aqui. Chegamos. Ouvi dizer que era o restaurante mais calmo de Nova York.

– Está fugindo de alguém, Jackson?

– De alguns apreciadores da arte, devo admitir. – ele piscou para mim antes de descer do carro

Percy conversou alguns minutos com o manobrista enquanto eu abria a porta. Ele ofereceu-me o braço novamente.

– É um lugar legal. – comentou quando agarrei seu braço – A comida é boa e...

– Já veio muitas vezes? – perguntei

A pergunta me fez lembrar que ele poderia ter trazido outra garota. Claro que ele poderia, por que não traria? Ele era um cara descompromissado e... Tentei não respirar tão fundo na frente dele para me acalmar, tentar ser normal, parar de ser controladora. Só relaxe, Annabeth.

Percy sorriu, afagando minha mão.

– Com minha mãe. Devo admitir que não é a companhia para um jantar em um lugar tão romântico quanto esse.

Dei uma risada.

– Sua mãe me pareceu legal. Digo, ela foi bem simpática. Bem melhor que seu pai.

– Ah, com certeza! – Percy esperou até que o maître viesse até nós e me deu um enorme sorriso – Tenho que te levar para jantar com minha mãe. Ela, até hoje, me pergunta sobre você.

O comentário me pegou de surpresa. Talvez fosse mentira e ele só tivesse falado aquilo para me deixar mais a vontade, mesmo assim me senti acolhida.

Como eu sentia falta dele.

Não conversamos até que estivéssemos acomodados em nossos respectivos assentos. Percy pediu pela escolha do chef e fez questão de provar que sabia escolher bons vinhos. Sorri quando ele entregou o cardápio todo alegre para o garçom.

– Você não mudou muito, Percy. – disse

Ele deu de ombros.

– Estava me guardando para você.

– Está vendo? – apontei com a mão – Ainda dando cantadas fora de hora.

– Só pra você. – piscou – Não é tão engraçado com as outras.

Arqueei a sobrancelha.

– Quer dizer que tentou com as outras?

– Uma, duas... Ok, milhares de vezes, mas elas se jogam sobre mim! – ele arregalou os olhos – Não sabia que tinha esse poder, digo, tive que ficar me jogando em você por toda minha vida em Yale. Acho que me esqueci que ainda era bonito.

Eu acabei rindo quando ele fez uma cara de ultrajado.

– Realmente, Percy! – coloquei a mão sobre a boca, suspirando — Éramos um casal estranho. – fiz uma careta, ainda sorrindo

– Concordo plenamente. – ele sorriu e inclinou-se sobre a mesa afastando uma taça de água – Como... – pigarreou – Como anda sua vida? Digo, sua vida amorosa e tudo mais.

Senti minhas bochechas corarem. Não me via pronta pra dizer “faz dois meses que não fico com nenhum cara”, então apenas dei de ombros.

– Está indo. E a sua?

Ele coçou a nuca, voltando a apoiar as costas na cadeira.

– Mesma coisa. – ele mordeu o lábio inferior, desviando o olhar, em seguida voltou-se a se apoiar na mesa – Sabe por que te chamei para jantar com você, certo?

Engoli em seco.

– Bem, eu... Achei que quisesse matar saudades, sei lá.

Percy sorriu.

– Realmente. Céus, você não faz ideia de quanto quero e como quero matar essas saudades, mas... O que estou perguntando é... Se quer, sabe, isso. – ele envolveu nós dois com o indicador

Era ele, afinal de contas. Ainda continuava sendo o Percy que odiava enrolações, que brigou por mim na sala do reitor há dois anos atrás, o mesmo Percy que brigou comigo quando me viu com Matt, o mesmo Percy que me fez sentir a mulher mais poderosa do mundo mesmo com as roupas mais bizarras.

Era o mesmo cara que eu me vi apaixonada depois de algumas conversas sobre passado distorcido, um presente conturbado e um futuro... Indeciso, no mínimo.

Franzi o cenho, sorrindo.

– Isso o quê? Especificamente. Minha mente, desculpe – balancei a cabeça para poder expressar o que eu poderia sentir – está muito, muito bagunçada nesse momento. Eu acabei de te encontrar e... Não sei o que pensar ainda.

– Não sabe? Sério? – Percy encarou a taça de água, voltando a afastá-la com as pontas dos dedos

– Só... Continue. O que é isso?

Ele bufou.

– Você sabe o quê. – abaixou o tom de sua voz – Casal... Uma cama confortável...

Soltei uma gargalhada. Ele não poderia deixar de ter aquele poder sobre mim, sempre teria. Dei um grande gole na taça do vinho para afastar a gargalhada. Percy me encarava com um sorriso calmo, quase arrogante.

– Sim ou não?

– Por que você tem que ser tão direto?

Percy se remexeu na cadeira.

– Posso te contar um segredo? – aproximei-me dele

– Claro, o que é?

– Sabe aquela mulher que você disse que eu deveria casar, ter filhos e tudo mais?

– Você não vai me pegar nessa de novo, Percy.

Ele abriu um grande sorriso.

– Essa mulher é você. – seu sorriso diminuiu e ele balançou as mãos – Digo, se você quiser, claro. Não sei como anda seus sentimentos, mas...

Segurei sua mão por cima da mesa.

– Podemos, hm, conversar sobre isso depois.

– Posso te fazer outra pergunta? – balancei a cabeça, concordando – Se eu te dissesse que tenho comida congelada na minha casa que está sem nenhuma mobília, além de uma cama king-size maravilhosa, parece de motel, sério – soltei uma risada -, você deixaria esse restaurante maravilhoso para comer pizza, refrigerante e um sexo muito, muito bom?

Estreitei os olhos, apoiando minhas costas na cadeira.

– Você não deveria ter gastado gasolina até o restaurante, então.

Isso foi o suficiente para Percy tirar uma nota de cem dólares e se levantar.

– Ei, me deixe dividir com você.

– Pode me pagar quando chegarmos em casa. – ele sorriu, me dando a mão – Venha.

Revirei os olhos e o acompanhei até que estivéssemos em seu carro. A tensão sexual pairava sobre nós em uma malha fina que nos envolvia, como seda. Percy acelerava sempre que podia, meu joelho subia e descia. Eu estava ansiosa. Morrendo de ansiedade.

Ele entrou em um estacionamento de um prédio grande. Saímos do carro, sua mão procurou a minha rapidamente, mesmo com o casaco escondendo meu braço, uma de suas mãos estavam em meu vestido e quando nos demos conta que estávamos sozinhos no elevador. Tudo pareceu explodir.

Percy empurrou meu corpo contra o espelho, eu segurei sua nuca contra mim, beijando-o da forma mais intensa que eu conseguia. Eu queria senti-lo de qualquer maneira. Ofeguei quando seus lábios tocaram meu pescoço. As portas se abriram e ele se afastou, encarando-me. Ninguém entrou, por sorte.

Saímos em seu andar que só havia duas portas. Percy tirou as chaves do bolso, abriu a porta e a fechou assim que nós estávamos dentro.

Não pude ver nada além de um balcão de cozinha, uma televisão junto com um colchão até que ele jogou meu sobretudo no chão, eu tirei meus sapatos, tentando beijá-lo ao mesmo tempo e finalmente, nos ajoelhamos na cama.

Percy deslizou as mãos pelos meus ombros, abaixando as alças do vestido. Seus dedos pareciam querer apreciar cada pedaço de mim, seu nariz estava rente ao meu e nós respirávamos nossos hálitos de vinho, nós respirávamos um só ar e parecia ser o suficiente para mim.

Era tudo que eu queria. Por tanto tempo... Só o mesmo ar e agora, eu estava tão perto. Eu queria abrir a boca e perguntar se ele sentia a mesma coisa, perguntar se ele queria parar o tempo bem ali e viver naquele mundo em que estávamos nos encarando, respirando o mesmo ar e com os narizes colados, como se não houvesse melhor posição que essa.

Toda pessoa, em qualquer lugar do universo, já quis tornar um momento em uma eternidade e eu queria. Bem aquele. Nossas bocas em um roçar prolongado, nossos olhos entreabertos apenas para observar a ação do outro, a rapidez de antes se prolongou em um esperar de uma atitude infinita. Ainda sim, eu queria perguntar.

Só queria parar e perguntar. Parar e perguntar. Minha boca não se movia, entretanto, minha boca só puxava o ar e meus olhos só piscavam para encontrar os deles.

Nem ele queria se mexer, acho. Não queria que ele escapasse de mim.

Pensei que, caso eu perguntasse, caso eu trabalhasse minhas cordas vocais, o momento deixaria de ser eterno e me obriguei a continuar naquela posição por meros segundos apenas para me lembrar da sensação de que é tê-lo de volta.

Apertei seus ombros em minhas mãos, seu queixo se moveu com sutileza ao meu redor, me envolvendo em sua respiração, em uma bolha que ele mesmo moldava.

Era a bolha de ar mais extraordinária de todos os tempos.

Tentei encarar seus olhos, contudo apenas o toque de sua respiração quente contra meu corpo fazia minha visão embaçar e se perder em um poço de prazer que estava acumulado em meu corpo, que deslizava pelas minhas pernas, concentrando-se entre elas. E só ele tinha esse poder.

Só o maldito cara com olhos verdes musgos, com aquelas cantadas sem graça conseguia me fazer perder o sentido e a razão tão rápido. Apenas com a droga de sua respiração.

Dessa vez, ele puxou todo o ar e se afastou levemente, as mãos procurando o zíper do vestido que parecia flutuar em meu corpo, seus dedos acompanhavam cada movimento da abertura como se estivesse se aventurando em mais um novo mapa.

– Suas sardas... – seus polegares desenharam algo irreconhecível da minha testa até a ponta dos meus lábios, então passeou na área abaixo dos meus olhos – Annie, suas sardas... – ele riu, baixinho, apertando seus lábios em minhas bochechas com uma sensualidade irreverente – Elas são tão lindas, Annie... Tão lindas.

Eu queria responder. Eu queria tanto... Tanto. Mas ele me beijou e seus lábios eram tão doces, suaves e gentis. Eu não conseguia falar, não conseguia fazer uma frase, eu só conseguia gemer. Gemidos sôfregos que deslizavam da minha garganta e caiam em sua boca como se fosse um mel saboroso. Percy se afastou para tirar sua própria camisa pela cabeça, deixando meus olhos devorarem mais pedaços de seu corpo. Mais pedaços. Seus músculos flexionaram e suas mãos envolveram meu rosto novamente em uma atitude claramente desesperada.

Eram tantos sentimentos afundados em mim. Desespero que fosse mais um sonho, um prazer irreconhecível, o tipo de prazer que fazia minha cabeça explodir em estrelas coloridas e brilhantes, o tipo de prazer que me fazia esquecer onde eu estava, apenas ele.

Só ele.

– Percy...

Eu queria dizer. Queria dizer para ele. Seus lábios desenharam meu queixo, saboreando, beijando, chupando cada pedacinho de minha pele o que me deixava ainda mais mergulhada naquele prazer absurdo.

Ele ronronou em meu pescoço, em resposta.

– Eu amo você. Amo. – ofeguei quando seus dedos afundaram em meu quadril com força, ele parou de me beijar e respirava com força — Eu senti sua falta.

Percy me encarou, seus dedos deslizaram pelos meus lábios, provavelmente retirando todo o batom que restara, seus olhos desviavam dos meus até meu rosto, como se quisesse provar a si mesmo que era real. Que nós éramos reais.

– Não me deixe. Nunca. – seus olhos tinham um desespero que me fez querer arrancá-los e colocar em mim, só queria que ele voltasse ao seu modus operandi

– Não. Percy, nunca. – busquei seu rosto em mim – Nunca. – prometi

– Eu senti tanto a sua falta. – suspirou

Talvez fosse uma promessa inválida. Talvez amanhã ou meses depois, aquilo nem valesse mais, porém agora... Era a promessa mais valiosa do mundo que eu deixei guardada rente ao meu coração.

Em seguida, ele me beijou. E eu pensei que ele poderia fazer isso pela noite toda. Eu poderia ficar de sutiã e calcinha, ele poderia continuar de calça contanto que continuasse me beijando daquele jeito. E só me beijasse.

Eu não precisava de sexo agora. Nem ele. Mas nossos corpos precisavam. Nossos corpos precisavam de mais contato, de mais calor... Mais.

Em algum lugar, eu havia lido que nossos corpos possuíam necessidades que nossas mentes, mesmo tentando menosprezar, era impossível que isso ocorresse. Eu, finalmente, entendi metade de todos os livros que já li na minha vida apenas com aquilo.

Meus dedos roçaram pelas suas costas, pelas curvas de seus músculos e ele forçou seu corpo contra mim, soltando um gemido sobre meus lábios. Afastei a barra de sua calça, acariciando sua lombar, suas mãos fizeram o mesmo caminho que meus dedos até fazerem com que meu vestido cedesse em minha última curva, enganchando-se em meus joelhos.

Consegui sair da armadilha que era meu vestido, sentando-me na cama enquanto ele abria seu cinto, ficando apenas de cueca. Eu mal percebi quando já estava deitada, aquelas estrelas explodindo atrás dos meus olhos quando minha lingerie já se tinha ido e seus dedos me exploravam como se nunca tivesse feito isso antes. De certo modo, eu me sentia tão poderosa. Repleta de prazer, desejo e amor impregnado em cada parte de mim, em cada pedacinho de minha pele. Seus beijos pediam mais, estavam cada vez me levando aquele poço fundo e sem saída que éramos. Eu adorava cada segundo daquilo. Cada metro que avançávamos.

Eu sabia que não era mais apenas por prazer. Eram limites.

Ele me deixava poderosa, eu o deixava forte. E era mais um limite que iriamos ultrapassar. Só mais um até que voltássemos a ser o limite.

Nossos movimentos eram uma dança nova, louca e sedutora. Os sons de nossos gemidos e corpos preenchiam seu apartamento bagunçado, me preenchiam, me excitavam cada vez mais. Nossos sons, nossos corpos, nossos movimentos. Era um conjunto muito bom.

Ergui minhas costas, ansiando ainda mais por aquela sensação que preenchia meu corpo por completo, que me agitava por dentro e me elevava a outro grau de pensamento, uma calma espiritual e corporal.

Puxei todo o ar que conseguia, sentindo os espasmos atravessando meu corpo, podia ouvir a voz dele ao longe, sua língua deslizando pela minha garganta e seu corpo cobrindo o meu, suas mãos apertando meus seios e nossos corpos tão fundidos que eu não poderia decifrar quando o meu acabava e o dele iniciava.

Apertei minhas pernas ao redor de seus quadris, mordendo o lábio inferior para segurar o longo gemido que se instalara em minha boca e saia sem minha permissão para ele. Percy lambeu meus lábios, afundando-se mais uma vez até estar completamente saciado de mim. Sorri, fechando os olhos, esperando que a sensação continuasse por mais tempo, esperando que aquela sensação de felicidade superasse a do cansaço, esperando que aquele prazer ficasse para sempre em minhas veias.

A adrenalina, minha velha amiga, ainda fazia seu trabalho em mim e estava desaparecendo aos poucos, tentei afastar os pontinhos brancos que se fixavam diante dos meus olhos, tentei apagar os fogos de artificio que explodiam em minha cabeça. Virei-me para o lado apenas para ver Percy me encarando com aqueles olhos tão brilhantes, tão verdes; seu sorriso parecia ser algo permanente em seu rosto.

Seus dedos se fecharam ao redor de seus cabelos, pude ver suas veias explodindo em seus lábios, dando-me vontade de passar minha língua e dentes por elas. Inclinei-me rapidamente apenas para deslizar a língua por uma delas.

Percy riu, passando o outro braço por baixo de mim, aproximando nossos corpos novamente.

Seus dedos afastaram meus fios suados do meu rosto enquanto ele me analisava, contente.

– Isso foi tão bom. Tão bom.

Ri.

– Olhe para mim, claro que deveria ser. – bufei, fechando os olhos

Percy riu, segurou meu queixo e beijou meu nariz.

– Sempre foi com você. – seus olhos estavam calmos, límpidos – Sempre foi extremamente bom, enlouquecedor. Você só me deixa desesperado. – riu, parecia que falava consigo mesmo — Por onde você esteve?

Engoli em seco, beijando seu queixo, qualquer lugar fácil que eu conseguisse alcançar de seu corpo sem precisar sair da segurança de seus braços. Qualquer lugar que eu pudesse tocá-lo. Seus braços me apertaram contra seu peito ainda mais.

– Por aí.

– Acho que comecei a viver quando... Quando você disse sim para mim. Céus, Annabeth, olhe o que você fez comigo.

Ergui-me para que conseguisse nivelar nossos rostos. Beijei seus lábios em um selinho demorado. Tão longo. Só mais um... Mais um.

– Olhe o que isso fez conosco.

Ele abriu os olhos, deslizando seu dedo pelo meu rosto.

– Não sei se um dia vou conseguir viver sem você.

– Espero que não.

Seus ombros se mexeram em uma risada.

I love lying next to you, I could do this for eternity...

– Por que não vai dormir? – cutuquei sua barriga, voltando-me a aninhar contra seu peito

Quente. Meu. Poderia ser meu. Poderia ser meu para sempre.

Ele afagou meus ombros, entrelaçou nossos pés e suspirou.

– Posso te fazer uma pergunta?

Tentei resmungar, mas um som estranho saiu da minha boca, fazendo Percy soltar uma quase gargalhada que terminou com um sorriso calmo e tranquilo em sua boca.

– Então... – suas mãos apertaram meu quadril – Você... – pigarreou – Como estava sua vida?

– Posso falar sobre isso amanhã. – abracei sua cintura e ergui os olhos para ele – É importante?

Percy sorriu, dando de ombros.

– Só estou me preparando para o segundo tempo. E te preparando ao mesmo tempo.

Arqueei a sobrancelha.

– Quantos tempos você sonhou em ter hoje?

– Ah, sei lá... Até amanhecer.

Ri, batendo em seu braço.

Apoiei meu cotovelo para que tivesse uma melhor visão de seu rosto precariamente iluminado. Percy afastou alguns fios do meu rosto, dando um sorriso calmo.

Como o que dava quando eu começava a gargalhar.

– Sobre o que quer falar? – sussurrei

Seu dedo estava apertando meu queixo e seus olhos estavam focados em meu ombro direito descoberto.

– Acabei de pensar nos caras idiotas que te tocaram. – bufou – Estou me arrependendo ainda mais por causa disso.

– E você acha que nenhuma mulher te tocou durante esses meses?

Ele bufou.

– Claro que tocaram, mas se você se sente melhor: suas mãos sempre vão ser as melhores do mundo.

– Ai, não acredito, mais uma cantada! – fingi estar irritada — Você é um idiota.

Deitei-me, de repente, cruzando os braços e virando as costas para ele.

– Ei. – ele riu, puxando meu corpo contra seu peito – Estou falando sério.

– Por que tem que perguntar coisas erradas na hora errada?

Percy deu de ombros, beijando a área abaixo da minha orelha.

– Eu te amo, Annie. – sussurrou, e eu percebi que desde que abri a boca para falar aquilo, eu queria que ele repetisse e ouvi-lo tão bom, me fez prender a respiração – Só quero que nunca esqueça disso.

Assenti, entorpecida.

– Quero que nunca esqueça que sempre vai ser a mulher da minha vida. Não importa o que aconteça. Se eu casar com outra mulher que não seja você, quero que saiba que eu nunca a amarei tanto quanto eu te amo.

Revirei os olhos.

– Estou falando sério. – ele disse, os lábios em uma linha fina – Sabe disso?

Levantei um ombro, meio desnorteada com suas palavras. Não queria falar sobre isso agora. Queria abandonar-me no cansaço que eu não sentia há muito tempo, queria aproveitar o restinho de prazer que seus dedos roçando nos meus trazia, só queria ter um pouquinho de paz, não queria ter que pensar.

– Acho que sim.

Ele estreitou os olhos e deu um sorriso de canto.

– Estou pensando em um apelido fofo.

Gargalhei.

– Céus, você nunca vai mudar, Percy!

Suas pernas prenderam meu quadril, suas mãos colocaram as minhas para cima e ele arqueou a sobrancelha.

– Tempo acabou. Pronta?

Meu sorriso diminuiu gradativamente.

– Acho que você não tem pique.

– Você está me desafiando, Chase?

– Como eu disse, você não tem bolas pra isso.

Seus olhos se arregalaram e sua boca se entreabriu.

– Repita isso e você vai me odiar amanhã de manhã.

– Acho mais fácil você me odiar amanhã de manhã. Como você dizia mesmo? – fingi pensar – A pior tortura para um homem é excitá-los.

– Não acredito que está me desafiando, Chase. Com minha própria frase.

Estalei os lábios, brincalhona.

– Você não tem bolas para isso, Jackson.

– Veremos quem tem bolas aqui, garota.

***

Pisquei. Havia uma luz opaca que vinha de uma das janelas. As paredes brancas carregavam dezenas de caixas de papelão que pareciam parte da decoração diante da bagunça que se encontrava ali.

Por fim, encarei Percy. Ele tinha os olhos fechados, a boca entreaberta, um de seus braços estava apoiando minha cabeça e o outro, trazia a minha perna contra seu quadril.

Estávamos nus. O frio de Nova York me torturou por alguns segundos antes de eu me aconchegar mais contra seu corpo.

Ele tinha voltado. Eu queria chorar e gritar ao mesmo tempo.

Eu saberia que ele voltaria, no entanto não sabia se era pra mim. Não saberia se seria real, ou se poderíamos apenas confiar em nossos sentimentos que uniram fraternidades. Eu simplesmente não sabia em que confiar. Mas ao vê-lo ali, ao meu lado, tão entregue, tão perto de mim, era impossível não pensar que ele voltara para mim e, se eu me deixasse voar ainda mais alto, por mim. O que era bem melhor.

Afundei meu nariz em sua pele, tentando sentir seu cheiro, tentando gravar seu cheiro em minha mente.

Eu queria ter filhos com aquele homem, mesmo que fosse o maior passo em nossa vida. Queria ter uma vida com ele.

Percy murmurou e beijou a área atrás de minha orelha, puxando meu ombro contra seu peito.

Soltei um sorriso e esperei até que sua respiração compassada voltasse a ser minha música particular.

Assim que consegui sair de seus braços, enfiei-me na camisa social que ele usava ontem, prendi meu cabelo e fui até a sala em busca do meu celular.

Havia alguns e-mails do trabalho, alguns convites para happy hour, o que me fez rir, peguei-me imaginando o que Percy faria caso visse aquilo. Também queria que ele ficasse com ciúmes.

Marquei a mensagem como não lida. Havia duas ligações perdidas de Thalia. Retornei.

– Thals?

– Onde você está? Não consegui ligar para Percy nem para você...

Arqueei a sobrancelha, entrando na cozinha.

– Estávamos meio... Ocupados. — murmurei, abrindo os armários praticamente vazios

– Nossa, que horrível. Eu e o Nico super preocupados com vocês, se estavam bem, etc e estavam aí. Fazendo sexo de boas-vindas.

– Melhor tipo de sexo! — duas vozes no fundo gritaram

Ri, tirando uma possível massa de panqueca (que eu torci para não estar fora da validade). Abri a geladeira e fiz uma careta ao ver as latas semiabertas, uma caixa de leite e diversos sucos.

Ou Percy realmente não passava muito tempo aqui ou ele estava ficando louco. Percy era organizado desde a faculdade. Franzi os lábios. Ele poderia ter mudado, também.

– Está me ouvindo? — Thalia gritou do outro lado

Olhei por cima do ombro para ter certeza que ele ainda estava dormindo.

– Você viu Percy antes dele me procurar?

– Hã? Por que está perguntando isso?

Engoli em seco.

– Você acha que ele mudou muito?

– Annie. Eu sou sua melhor amiga e a melhor prima que esse idiota vai ter em todas suas vidas, devido a isso, eu tenho certeza absoluta que você é a mulher que ele mais ama no mundo. Então sem papo e volta pro sexo selvagem.

Suspirei.

– Você está certa. — puxei uma frigideira em outro armário — Claro que está certa. Se ele voltou, ele deve me amar, certo?

– Cale a boca, Chase.

– Estou agindo como uma garotinha?

Ela bufou.

– Preciso controlar duas massas de testosterona. Além do mais, Luke vai viajar amanhã. Jantar lá no apartamento, ok? E leve Percy.

Murmurei algo concordando, desliguei o telefone e comecei a fazer panquecas.

Sem neura. Sem insegurança. As coisas ficariam bem uma hora ou outra.

Virei as costas, coloquei a massa de panqueca na frigideira, quase dei um pulo de felicidade ao achar carne moída na geladeira. Coloquei tudo na panela enquanto buscava meu celular, a procura de uma música.

Decidi que não iria ver nenhum dos meus e-mails por enquanto.

Cozinhar não era minha praia. Thalia costumava fazer um café, comprar biscoitos caseiros, de vez em quando, sanduiches ou torradas com geleia era o suficiente. Embora eu soubesse cozinhar, eu não gostava de cozinhar.

Agora, no entanto, parecia uma boa ideia.

“You Are In Love” parecia uma boa música para o momento, como se estivesse soletrando cada coisa que acontecera. Joguei algumas colheres na pia.

You can hear it in the silence, silence, you, you can feel it on the way home, way home, you, you can see with the lights out, lights out, you are in love. True love.

– Boa música. – a voz rouca, sonolenta e pesada me fez pular

Respirei fundo, fazendo com que meu coração se acalmasse. Percy estava sentado com um cotovelo no balcão, uma expressão sonolenta, os olhos vermelhos e a boca contorcida em um sorriso diferente. Mais um sorriso.

– Você me deu um susto. – suspirei, tentando parecer calma

Percy sorriu de canto, inclinando-se na direção das panelas.

– Essa era a intenção, Annie. O que está fazendo? Panquecas?

– Aham. Espero que goste.

– Se você se disponibilizou a sair do meu abraço quentinho para fazer panquecas, eu sou obrigado a gostar.

Sorri, revirando os olhos.

– Bem, se estiver ruim, não precisa engolir. Vou entender se correr direto pro banheiro.

Ele fez uma careta, passando a mão pelos fios desgrenhados. Percebi, tardiamente, que ele usava o uniforme dos Alphas. Moletom, sem camisa. Meu coração se aqueceu com aquilo.

Mexi a carne, deixando as massas em cima de um prato.

– Você não achou uma camisa?

Percy arqueou a sobrancelha, inclinando-se para pegar meu celular.

– Hm, na verdade, você está usando-a. Por quê?

– Percebi que continua mantendo um velho hábito.

Ele arqueou as sobrancelhas, confuso, encarando seu próprio corpo e riu.

– É, uniforme dos Alphas. Acho que é algo que a gente carrega mesmo fora da fraternidade.

Dei de ombros.

– Cai bem em você.

– É o que dizem. – piscou, dando de ombros, voltando a focar os olhos na tela do meu celular

O que também não me incomodou, assustando-me.

Tinha quase certeza que qualquer pessoa odiava quando outra pessoa não autorizada tocava, mexia ou fazia qualquer coisa com seu celular. Acho que a cumplicidade fazia com que não nos importássemos com besteiras desse tipo.

Seus olhos deixaram o celular com um sorrisinho, apontando o indicador para sua têmpora.

– Acabei de me lembrar quando dormi de conchinha pela primeira vez com você. – ele balançou o dedo no ar – Brigamos por alguma coisa, eu não lembro...

– Também não. – cutuquei a panqueca pronta

– Não importa. Eu lembro que acordei primeiro e estávamos na minha cama e... – ele sorriu, não para mim, para qualquer lugar, apenas sorriu com a nostalgia – Lembro que pensei que não teria aquele momento pra sempre, que nunca mais acordaria ao seu lado, sentindo seu cheiro e deveria fazer o possível para te manter comigo. É um pouco stalker?

Apoiei meus cotovelos no balcão, encarando-o com as sobrancelhas arqueadas.

– Talvez.

– Não. – ele balançou a cabeça – É romântico.

– Um pouco serial killer, devo admitir.

– Cale a boca. Deixe-me continuar... Ah! Eu te fiz um café da manhã... Não me lembro muito, mas foi basicamente isso. Me senti o homem mais extraordinário do mundo por dormir com Annabeth Chase, o prodígio de Palm Springs.

– Bem, você se sentiu lisonjeado por dormir com o prodígio de Palm Springs, não com Annabeth Chase.

– Ou com a musa de Deusa, ou com minha modelo mais amada do mundo... – seu lábio superior franziu, abafando um sorriso – Você poderia, simplesmente, dizer obrigada.

Virei-me, negando o sorriso que tanto esperava e murmurei um obrigada.

Ele mudou a música para Wonderwall quando eu enchi a última panqueca, colocando as quatro em um mesmo prato e buscando talheres para que pudéssemos comer.

– Sinto muito pela falta de organização na cozinha. – ele disse quando eu tirei o leite e o suco da geladeira – Eu acabei de me mudar e tudo isso está uma confusão. Odeio isso.

Sorri.

– Não se preocupe. Não vou ficar muito tempo para reclamar.

Percy arqueou os olhos do meu celular, encarando-me firmemente. Esperei que ele fosse dizer algo. Um aviso, uma piada, um comentário. Seus olhos só focaram em mim, entretanto, sua boca estava espremida em uma única linha, o que me fez ficar um pouco assustada. Então, ele meneou a cabeça, voltando para meu celular.

– Trabalho. Trabalho... Happy hour. Hm, quem é esse? Mark? Quer transar com você, se já não transou.

– Pare de ser insensível. – briguei, entregando seus talheres

– Eu não precisava me preocupar com quem transaria com você ou não nas fraternidades.

– É? Por que não?

Percy cutucou a panqueca com uma careta emburrada.

– As pessoas sabiam que você era minha. Em lugares abertos onde ninguém nos conhece, parece que estou em uma selva tendo que lutar por sua atenção de novo.

Quase exibi um sorriso. Inclinei-me em sua direção, beijando levemente sua boca.

– Você não precisa lutar por minha atenção. Não mais. Sabe disso, não é?

Ele respirou fundo.

– Ok, vamos às panquecas.

Sorri. Ele deu a primeira mordida, assentindo.

– Está uma delícia. Ah, eu queria falar algo com você.

Beberiquei meu suco.

– Estou escutando.

– Então, como eu estava dizendo, esse apartamento está uma bagunça. – assenti enquanto ele falava e gesticulava com seu garfo – E lembrei que você divide apartamento com Thalia. Então, estava me perguntando por que você não poderia mudar para cá?

Tossi. Provavelmente a panqueca havia entrado pelo lugar errado e não estava em feliz em desviar seu caminho para meu estômago, consegui respirar novamente, segurando minhas mãos em minha garganta, tentando esperar que ele risse, dizendo “era uma piada” e arqueei as sobrancelhas.

– O que você disse? Digo, não acha que está indo rápido demais? Nós acabamos de nos ver de novo e... Percy, você está indo rápido demais.

– É, acho que sim. Mas qual seria a graça, não é? Eu posso ter minha musa sempre que eu quiser. É perto do seu trabalho, pelo que pesquisei, perto da empresa do meu pai... E hm, é acho que dá pra ficarmos juntos.

– Thalia não ia conseguir cuidar das despesas sozinhas. – contrabati

Ele riu.

– É onde Nico entra. Acho que eles vão morar juntos. É um passo que ele queria dar a muito tempo e se você sair do jogo, vai ser só uma questão de tempo.

– Calma aí. – afastei-me do balcão, encarando seus olhos – Você está me dizendo que veio planejando isso há...

– Três meses, acho.

– Você é louco. Você estava me seguindo. Percy, eu estou com medo de você. Seu... Stalker. – cuspi a palavra

Ele segurou uma gargalhada com aquele sorriso calmo que percebi me dar nos nervos.

– Ok, eu pensei mais em mim. Então, Luke me disse que você também trabalhava perto da empresa, então tudo foi com o tempo. O que quero dizer é que é mais um passo, Annie. Ficamos separados por tanto tempo, poderíamos ter dado tantos passos durante esses meses...

– Podemos esperar mais alguns. – sussurrei

– Esse é o problema. Você pode, eu não posso. E sei que você também não pode. – ele franziu o cenho ao analisar o que disse, bufando em seguida — Annie, sei que você me quer tanto quanto eu te quero. Pelo menos, foi o que pareceu ontem.

– É... Eu te quero e sei que sabe disso, mas... Morar com você, Percy? É arriscado, é louco e esse apartamento é seu.

– Podemos procurar outro, então. Podemos alugar, dividimos o aluguel se você achar melhor desse jeito. Só me diga como você quer e vou fazer o possível para fazer.

Revirei os olhos.

– Isso é tudo que uma garota queria ouvir.

– A panqueca está deliciosa. – ele disse de boca cheia e riu – Sério. Mas, então... O que me diz?

– Que você é louco, que você está me assustando e não acredito que estive apaixonada por um stalker.

– Bem, não é um stalker quando eu estou seguindo uma pessoa.

– Você seguir qualquer pessoa já te transforma em stalker.

Percy revirou os olhos e cutucou a terceira panqueca.

– Você vai querer? Você ainda não comeu nada e só ficou falando... Então, se não quiser, eu estou morrendo de fome...

– Não se atreva a tocar em minha panqueca, seu morto de fome.

– Por favor?

– Não!

Seus olhos se arregalaram. Ele assumiu aquele pose de sério, como se fosse tratar de negócios: os ombros eretos, os braços cruzados e as sobrancelhas franzidas.

– Não para as panquecas ou não para minha proposta?

– Você é ridículo.

– Não entendi sua resposta.

– Não para as panquecas, Percy.

Ele sorriu, então coçou os olhos.

– Certo e sobre a proposta?

– Eu preciso pensar.

Inclinou a cabeça, pensativo.

– É, eu sabia que ia dizer isso, por isso já falei com Thalia e ela disse que apoia completamente minha decisão. Se quiser que eu fale com sua mãe, é só dizer. E por favor, me deixe comer sua panqueca.

– Você não vai comer minha panqueca.

Seu sorriso se alargou.

– Isso foi tão ambíguo.

Não pude deixar de soltar uma risada. Era assim que as coisas funcionavam, que sempre iriam funcionar: ele comentava algo sério, eu tentava pensar, ele fazia uma piada, eu ria e tudo acabaria ali quando eu voltasse a pensar. Ou ele voltando a fazer piadas. De fato, aquilo não me importava agora.

Percy segurou meu queixo, beijando-me por cima do balcão.

– Termine suas panquecas. Eu preciso de proteína. Eu conheço um lugar que oferece um café da manhã reforçado e pela sua palidez, acho que vamos precisar de bastante bacon.

– Não estou pálida. – retruquei

– Já se olhou no espelho hoje, querida? E ah, você está tão sexy com essa camisa, já te disse isso?

– Percy. – resmunguei, o que saiu mais como um gemido – Não me chame assim.

– Amor. – respondeu – Vou tomar banho. Não demore!

Assim que ele desapareceu de minha vista, eu já tinha certeza da minha resposta: seria um enorme sim. Grandioso sim.

Não conseguia pensar em uma resposta, além de sim.

***

– O que é isso mesmo? – gritei em direção a Luke na minha frente

– É um pub! – ele gritou de volta

A música era acústica, velha, aparentemente. A mão de Percy apertava minha cintura enquanto seu corpo me empurrava para frente, levemente. Senti um dos seus dedos entrando por dentro de minha calça jeans, sorri, segurando sua mão enquanto avistávamos Nico e Thalia sentados em uma das mesas do fundo.

– Finalmente! – Luke bateu na mesa, tirando sua jaqueta

Eu e Percy nos acomodamos de modo que ele ficasse ao meu lado. Luke estava do meu lado direito enquanto o outro casal estava a minha frente. Percy pousou um dos braços ao redor dos meus ombros, enquanto eu me aconchegava em seus braços, encolhendo-me em minha jaqueta bege. Ele virou o rosto, tentando visualizar o bar em si com os lábios pousados em minha têmpora, a ponta dos seus dedos puxavam meu rabo de cavalo.

– Vocês demoraram demais. O que teve? – Nico inclinou-se em nossa direção

– Ah, você sabe... – dei de ombros – O trânsito.

– Eles só estavam debatendo sobre que roupa não usar, aparentemente. – Luke revirou os olhos

– Cale a boca. – Percy resmungou, embora estivesse sorrindo

Thalia revirou os olhos.

– Eu vou pegar uma cerveja.

– Quero um energético. – Thalia pediu, jogando os fios negros para o lado

– Dois. – Nico completou

– Vocês acham que eu sou garçom?

Arqueamos a sobrancelha. Luke bufou.

– Vou trazer mais duas cervejas pra vocês.

Assentimos em concordância. Percy deslizou a ponta dos dedos pelo meu pescoço. A música continuava com aquele ar indie, meio acústico, as pessoas não dançavam, mas estavam nas paredes, conversando nas mesas, gargalhando no bar.

– Estou feliz por vocês. – Nico gritou – Está tudo certo mesmo?

Percy bufou.

– Estou esperando a sua namorada convencê-la a se mudar.

Revirei os olhos.

– Ele acha que é fácil.

– De fato, é. – Nico retrucou – É só arrumar a mala e ir.

– Nós moramos juntas enquanto vocês dois estavam curtindo a vida, então, sim, merecemos pensar a respeito disso. – Thalia reclamou, cruzando os braços – É nossa vida que está em jogo.

– Só vamos juntar os jogos. Como um jogo de tabuleiro. – franzi o cenho para Nico quando ele falou

– Isso não tem nada a ver. – Thalia cutucou suas costelas

– Aqui! Energético, quatro cervejas. – um homem de dreads e sorriso grande chegou nos animando – Qualquer coisa, só é gritar, ok? São novos aqui?

– Aham! Valeu, cara! – Luke bateu em suas costas

– Ah, entendi! Você é o solteiro aqui, não é? Vou arranjar uma gata pra você. Me dê dez minutos.

– Você é o cara. – Luke sorriu enquanto seu novo amigo saia – O fato é que eu vou parar de andar com vocês, definitivamente. Sabe o que vai acontecer em dez anos? Vocês vão se casar, ter filhos e eu vou ser o titio Luke.

– Ei, boa ideia! Nós podíamos nos casar, Annie.

Revirei os olhos.

– Percy, menos.

– Por que você não vai morar comigo, por favor?

Todos da mesa bufaram.

– Ele vai te irritar até você ceder. – Thalia alertou

– Sei bem disso. – sorri

– Ela gosta disso. Olha pra essa cara! – Luke revirou os olhos – E pensar que foi eu que briguei com você naquela época. Eu vou ser o padrinho, certo?

– Você? Eu estava pensando em Nico. – Percy fingiu pensar

– Se você pensar em não me chamar como padrinho principal, eu vou te dar um soco.

– Não sabia que fazia o tipo de sentimental. – comentei

Thalia afagou seu cotovelo.

– Ele só está sensível, gente, vamos dar um tempo.

Rimos. Rimos pelo resto da noite. Rimos com bebidas em nossas mãos, rimos de nossas lembranças do passado e rimos em busca de memórias para o futuro.

E bem ali, eu tentei gravar cada som daquelas risadas no fundo a minha mente, gravar aquele momento para que eu pudesse revivê-lo sempre que estivéssemos separados.

Não importa quanto tempo ficássemos longe um dos outros, sempre seríamos os últimos a sair do bar até que o dono nos expulsasse, até que algum de nós ficasse envergonhado.

Era mais do que ficar bêbado, era mais do que um simples happy hour, mais do que um encontro entre amigos; era um reencontro de reis e rainhas revivendo a mais pura e singela diversão.

...when you say you love me, know I love you more.

Notas finais
EU SEI, EU SEI, OLHA A PORRA DESSE SEXO. OLHA. ISSO. EU SEMPRE ME SUPERO EM TEENAGE KINGS, IMPOSSÍVEL, MANO. Ok, voltando a parte que eu fico SUPER humilde, eu venho dizer a vocês sobre algumas notícias sensacionais. A primeira é siobre o conjunto de ones que lançou no final do mês com algumas autoras e não sei se vocês foram lá dar uma olhada, então vou deixar o link bem aqui:https://fanfiction.com.br/historia/636137/Contos_Percabeth_-_2_Especial/ Segunda: a Arya, de Psycho Minds, está com uma ideia brilhante de fazer um grupo do whatsapp com todas as nossas leitores unidas, eu adorei a ideia e espero que vocês também tenham adorado, então se quiser participar, você precisa ir lá na Arya, na MP dela, deixar seu número, nome etc Terceiro: Pra quem me conheceu por NG, eu tenho uma notícia sensacional, estou reescrevendo essa história. YES, SIM, IAM. Eu estou adorando na verdade porque eu to tendo uma visão mais legal da Annabeth - não, não mudei a personalidade dela -, mas ela mudou de nome, sim, e tem várias coisas que sei que ela nunca falaria ou faria. De qualquer maneira, eu vou postar o próximo capítulo no mesmo dia que for postar o epílogo e deixar meus agradecimentos chorosos aqui pra vocês. LEMBREM DE DEIXAR O NÚMERO COM A ARYA. E LEMBREM DE LER MINHA FIC LÁ NO WATTPAD:https://www.wattpad.com/user/mylenarodrigues_